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23 de nov. de 2011

CREDENCIADORAS APOSTAM EM SERVIÇOS PARA SE DIFERENCIAR

jornal DCI 16/11/2011 - Marcelle Gutierrez

Desde a abertura do mercado de cartões em julho de 2010, quando ocorreu o fim da exclusividade entre credenciadoras e bandeiras, Cielo e Redecard mantêm a participação de quase 100% do segmento. A hegemonia, na opinião de especialistas, deve continuar e, para serem mais competitivos, os novos concorrentes devem apostar na diferenciação de produtos e serviços. O Santander, em parceria com a GetNet, por exemplo, faturou R$ 6,775 bilhões nos primeiros nove meses de 2011 e aposta na integração com serviços bancários para expandir os negócios.

As empresas de adquirência são responsáveis pelo processamento das operações entre o estabelecimento comercial e as bandeiras. O interesse no segmento é justificado pela ampla expansão do mercado de cartões nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de cartões e Serviços (Abecs), 72,4% da população possuem algum tipo de cartão, seja de crédito, de débito ou emitido por loja (private label). O faturamento até outubro de 2011 chega a R$ 529,391 bilhões, com 6,640 trilhões de transações e 6,548 trilhões de plásticos emitidos.

Para Álvaro Musa, presidente do Congresso C4 e antigo executivo de mercado, no qual foi presidente da Credicard, os próximos anos devem continuar a apresentar crescimento. "Com certeza deve manter a expansão, porque o volume transacionado continua a crescer, mesmo com eventual redução dos preços. O aumento é significativo."

No entanto, o especialista não divisa mudanças significativas de liderança. "A disputa entre Cielo e Redecard está mais aguçada, o que beneficia o comerciante, mas não há mudanças drásticas." Musa ressalta que a diferenciação de serviços se caracteriza como uma opção estratégica para as companhias que almejam o crescimento neste setor.

Com o início das operações em março de 2010, o Santander oferece produtos e serviços de adquirência em parceria com a GetNet. Mas o diferencial competitivo fica por conta da integração com os serviços financeiros, ressalta Ramón Camino, diretor-executivo de Pequenas e Médias empresas do Santander. "Somos o único banco com adquirente e que oferece serviços integrados."

A integração à qual Camino se refere é a Conta Integrada, que reúne em um mesmo terminal produtos bancários para pessoa jurídica, como conta corrente, máquina POS que aceita as bandeiras Visa e MasterCard, antecipação de recebíveis etc. De março a dezembro de 2010, o faturamento chegou a R$ 1,990 bilhões, com 26,8 bilhões de transações. Do total, R$ 1,249 bilhões corresponderam a operações de cartões de crédito, e R$ 740 milhões, às de débito.

Em 2011, de janeiro a setembro, os volumes apresentados são significativamente superiores, com R$ 6,775 bilhões de faturamento e 88,1 bilhões de transações. O segmento de cartões de crédito somou R$ 4,273 bilhões, com 40,2 bilhões de transações, e de débito totalizou R$ 2,502 bilhões e 47,9 bilhões de operações. Ao todo, são 200 mil os estabelecimentos credenciados até o terceiro trimestre deste ano, e 24 mil as novas contas.

O diretor Ramón Camino define como principal objetivo do Santander Adquirência o atendimento a clientes pessoa jurídica já existentes e a conquista de novos. "Temos o objetivo claríssimo de atrair clientes. Esperamos para o próximo ano incrementar a base, ultrapassando muito os 200 mil atuais." O executivo reforça que o mercado brasileiro está robusto, e que por isso espera que 2012 seja positivo para a instituição financeira.

Entre as estratégias de captação de novos clientes, o Santander passa a oferecer, a partir deste mês de novembro, benefícios para as empresas que utilizam a máquina POS do banco, como desconto permanente de até 100% no valor do pacote de serviços da conta corrente, taxa de 1,7% ao mês em antecipação de recebíveis para empresas com faturamento a partir de R$ 3 mil por mês e de 1,2% para as que faturam mais de R$ 30 mil mensais, além de descontos no aluguel de equipamentos que variam de R$ 25 a R$ 100 por mês.

"Com as vantagens, uma empresa que fatura até R$ 300 mil por ano faz economia de R$ 3 mil. A vida do empresário não é ganhar prêmios em sorteios, mas reduzir custos", aponta Camino.

Redecard e Cielo

Com 56,7% de participação de mercado (market share, em inglês), a Cielo atingiu lucro líquido de R$ 457,6 milhões, acréscimo de 8% na comparação com o do segundo trimestre deste ano e 6,3% inferior ao de igual período de 2010. A receita total somou R$ 1,211 bilhão no trimestre. Na divulgação do balanço, o presidente da companhia, Rômulo Dias, creditou a queda dos ganhos à diminuição da taxa de aluguel das máquinas e taxas dos lojistas.

O lucro líquido da Redecard atingiu R$ 343,6 milhões, com alta de 6% na comparação com a de mesmo período do último ano. Já a receita operacional líquida somou R$ 920,3 milhões. O preço médio do aluguel da maquininha foi de R$ 56,82 no trimestre, recuo de 10,6% ante 2010.

16 de nov. de 2011

BANCO QUER QUINTUPLICAR PARTICIPAÇÃO NO MERCADO DE CREDENCIAMENTO ATÉ 2013

jornal Brasil Econômico 28/10/2011 – Ana Paula Ribeiro

O Santander irá reforçar as suas ações na área de credenciamento de estabelecimentos comerciais aptos a aceitar bandeiras de cartões de crédito e débito. A meta é quintuplicar a participação nesse segmento para 10% até o final de 2013. Atualmente, em parceria com a GetNet, o banco detém apenas 2% desse segmento, que é dominado pela Cielo e Redecard. “Após todos os testes, vamos trabalhar para ter um ganho de participação expressivo”, afirmou o presidente do banco, Marcial Portela.

A instituição começou a atuar nesse segmento em meados do ano passado e atualmente faz o credenciamento para as bandeiras Visa e Mastercard. Na ocasião, além de habilitar os estabelecimentos a receber pagamentos com cartões, o Santander passou a oferecer uma conta integrada para o lojista, de forma a conceder, entre outros serviços, crédito a pequenas e médias empresas com base no faturamento das vendas feitas com os plásticos.

O objetivo do banco é, até o ano que vem, ter 300 mil estabelecimentos credenciados. Até setembro, já havia cumprido 67% dessa meta. Já em relação às contas correntes, chamadas de Santander Conta Integrada, já foram abertas 48,4 mil, 32% da meta de 150 mil até dezembro do ano que vem.

No ano até setembro, a rede de credenciamento do Santander já fez a captura de 88,1 milhões de pagamentos com cartões de crédito e débito, acima dos 26,8 milhões realizados em todo o ano passado. Ao todo, as transações capturadas somaram R$ 6,78 bilhões.

Na visão de Portela, o Santander é hoje a única alternativa, disponível aos estabelecimentos comerciais, em relação aos dois concorrentes tradicionais desse mercado.

9 de out. de 2011

COSTA, EX-MATONE, ESTÁ NA GETNET

portal Baguete 19/09/2011 - Maurício Renner

Guilherme Costa acaba de assumir o cargo de Coordenador de TI na GetNet Tecnologia, empresa especializada na prestação de serviços em tecnologia para meios de pagamento com sede em Campo Bom.

O profissional vem do Banco Matone, onde atuou como responsável por Governança e Planejamento nos últimos três anos.

Antes, Costa foi gerente de Infraestrutura na Doux Frangosul de 2001 a 2006 e gerente de suporte na Claro de 1998 a 2001.

Costa é bacharel em Administração de Empresas pela PUC-RS e tem MBA em Gestão Estratégica da TI pela Fundação Getulio Vargas.

Saídas no Matone
Costa não é o primeiro alto cargo a deixar a TI do Matone recentemente.

Guilherme Lessa, deixa o cargo de gerente de TI do Banco Matone em outubro, após mais de 10 anos atuando na organização.

As saídas parecem estar relacionadas com o processo de tomada de controle do banco gaúcho pelo grupo JBS, dono de um banco, uma empresa de exploração florestal e o frigorífico, com faturamento de R$ 55,5 bilhões em 2010.

As negociações começaram em março. Na terça-feira, 13, o JBS anunciou que assumiria 100% do Banco Matone através de um aporte de R$ 1,85 bilhão.

A TI do Matone, que tem 45 funcionários atendendo mil colaboradores em 85 lojas de serviços financeiros e das sedes de negócios no Rio de Janeiro e em São Paulo, passou para o comando de Jenner Lopes, CIO há 22 anos à frente da TI do JBS.

E saídas na GetNet

A TI da GetNet também teve sua dose de turbulência em 2011.

Marco Spadoni, gerente de TI e produção na GetNet Tecnologia, trocou o cargo pela coordenação de infraestrutura de TI da Lojas Renner em fevereiro.

Semanas antes, Daniel Luis Costa Scherer deixou o cargo de diretor da Unidade de Sistemas da empresa, após cinco anos e meio na casa. Em abril, o executivo assumiu a diretoria de Informática na Prefeitura de Canoas.

A empresa

Parte do grupo de empresas do misterioso empresário gaúcho Ernesto Corrêa e Silva, avesso a publicidade e atualmente também dono da Good Card, da rede de hotéis Intercity, do banco Topázio e outros empreendimentos, a Getnet está em alta, embalada pela alta do número de cartões de crédito no país.

O país fechou junho com um total de 657,2 milhões de cartões emitidos, aumento de 10% ante o mesmo mês do ano passado. A movimentação chegou a R$ 159 bilhões no segundo trimestre, alta de 26%, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Em janeiro de 2010, a GetNet assinou um acordo com o Santander para credenciamento, captura e processamento de transações via cartões, o que colocou a empresa na disputa com gigantes como Redecard e Cielo (antiga VisaNet). A empresa hoje processa 20 bandeiras diferentes.

8 de jul. de 2011

CIELO VÊ ACOMODAÇÃO GRADUAL EM TAXAS DE COMISSÃO

jornal Brasil Econômico 07/07/2011 – Bloomberg

A processadora de cartões Cielo acredita que as comissões no setor vão cair a um ritmo mais moderado daqui em diante, após um ano de maior concorrência devido ao fim da exclusividade de contratos entre bandeiras e operadoras.“As taxas já têm uma acomodação maior em função do novo cenário e de todas as opções que já foram dadas”, disse Rômulo de Mello Dias, diretor-presidente da Cielo. “As taxas podem cair mais, mas não na mesma velocidade.”

A comissão cobrada dos comerciantes pela Cielo para processar compras com cartão de crédito, ou taxa líquida de desconto, caiu de 1,45% do valor da transação antes do fim da exclusividade emjulho de 2010 para 1,22% no primeiro trimestre.

A Cielo vem compensando a queda nas comissões com aumento do volume de transações e de outras fontes de receita, como a antecipação de recebíveis junto aos lojistas. O consumidor brasileiro usa o cartão como forma de pagamento em 25% das compras, metade dos Estados Unidos, segundo Mello Dias. Para o executivo, o brasileiro vai continuar substituindo dinheiro e cheques pelo uso de cartões.

As comissões representaram 62% da receita total da Cielo no primeiro trimestre. O aluguel dos dispositivos eletrônicos usados pelo comércio respondeu por 23% enquanto a antecipação de recebíveis garantiu 9,8%, segundo relatório da companhia.

Novas empresas

Devido ao fim da exclusividade da Cielo com a Visa, e da Redecard com a Mastercard, em julho de 2010, novas empresas estão entrando no setor, como a GetNet Tecnologia do Banco Santander, a Evalon, controlada pelo U.S. Bancorp e lançada no Brasil pelo Citigroup, a Globalpayments e a First Data.

Mello Dias diz que os novos concorrentes poderão ter no máximo 15% do mercado de adquirência (empresa responsável pela comunicação da transação entre o estabelecimento e a bandeira) nos próximos anos. “Eles têm que criar a base, contratar lojistas, montar equipes, processos. Isso tudo leva tempo”, afirma o executivo.

A Cielo tem hoje 57,2% de participação de mercado, considerando apenas a própria empresa e a Redecard. Essa fatia era de 59,5% no lançamento das ações, há três anos. A Cielo perdeu participação para não sacrificar a rentabilidade, diz o executivo.

Ontem, os papéis da Cielo encerraram a sessão em bolsa em leve queda de 0,08% negociados a R$ 38,97.

1 de jul. de 2011

UM ANO SEM EXCLUSIVIDADE, BALANÇO POSITIVO

jornal Diário do Comércio 30/06/2011 - Rejane Tamoto

Em ano depois do fim da exclusividade do uso de bandeiras nas máquinas de cartões de crédito e de débito, os lojistas conseguiram alguns benefícios, que vão desde os descontos nas taxas ou nos aluguéis das máquinas POS até opções de novas tecnologias e melhor atendimento. De acordo com o economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, o aumento da concorrência entre as credenciadoras Redecard, Cielo e Getnet possibilitou ao lojista melhores condições de negociação. "O comerciante tem duas máquinas hoje não por obrigação, e sim para usar de maneira alternativa no caso de pane no sistema de uma delas e também para atender os clientes de forma mais eficaz e evitar filas", afirma.

A reportagem do Diário do Comércio esteve há poucos dias em quatro lojas do Shopping Center Norte, na zona norte da capital paulista, que já haviam sido visitadas pelo jornal um mês após o anúncio do fim da exclusividade, no ano passado. De lá para cá, dois comerciantes revelaram ter conseguido desconto nas taxas para operações de crédito e de débito. "Há oito meses chamei as duas (Cielo e Redecard) e pedi a melhor taxa.

A menor venceu a concorrência porque ofereceu desconto de cerca de 25% nas transações de débito e crédito. Além disso, participo de um programa de fidelidade, no qual acumulo pontos por transação para trocar por prêmios", diz o gerente da loja de tênis e malas Pedal Federal, Raphael Masuet. Segundo o lojista, 83% das vendas na sua loja são pagas com cartão e a negociação representou economia de R$ 1 mil por mês. Mesmo assim, ele manteve uma máquina da credenciadora concorrente, para usar apenas em caso de emergência. "Eu já precisei", afirma.

Emergências – O mesmo receio de pane foi observado em outros estabelecimentos. A loja de celular Commcenter, no Shopping Center Norte, ficou 11 dias sem o sistema de Transferências Eletrônicas de Fundo (TEF), no mês passado, por causa de uma pane. A consultora de vendas Thais Prado diz que nesse período usou uma máquina POS de uma das credenciadoras, o que salvou as vendas da loja, que são pagas 100% com cartão. "O único problema é que essa máquina não passa a bandeira Diners Club. E a concorrente não passa American Express", relata o gerente da Commcenter, Mauricio Rodrigues Trindade.

Para evitar esses problemas, a atendente do quiosque Havana, Tânia Santos de Oliveira, diz que a empresa manteve as máquinas da Cielo e da Redecard. "É uma precaução, porque 80% dos clientes pagam com cartão e, em dias de movimento, vendemos R$ 7 mil. Se uma para, temos a outra."

A analista da Consultoria Lafis, Thais Virga, avalia que uma mudança significativa para o varejo foi a diminuição no custo do aluguel das máquinas POS, tanto para grandes quanto para os pequenos lojistas. "As taxas para transações de débito e crédito não mudaram muito", diz .

Negociação – O desconto no aluguel de uma máquina POS sem fio foi um benefício obtido pela loja Foto Paulo, do Shopping Center Norte. De acordo com o gerente, Daniel Gomes, o desconto fez parte de uma grande negociação com uma das credenciadoras, em um pacote que envolveu diminuição de taxas para transações de crédito e débito. "Não sei o percentual de desconto. Nossa central negociou há dois meses para as 15 lojas da rede. Com dois equipamentos, não temos medo de ter problemas porque um está conectado à linha telefônica e o outro tem tecnologia sem fio", explica.

Além do uso de máquinas POS da credenciadora, Gomes manteve também os equipamentos da American Express e da Hypercard. "Hoje 80% dos nossos clientes pagam com cartão, mas ainda concedemos desconto de até 5% para pagamento com dinheiro à vista", afirma.

Tecnologia para conquistar o cliente

Ao se tornarem multibandeiras, as estratégias das credenciadoras Cielo e Getnet para competir no mercado foram firmar parcerias com mais bandeiras e investir em tecnologia. Segundo a analista da Consultoria Lafis, Thais Virga, essas medidas devem aumentar suas margens de mercado e diminuir os custos para os lojistas. Ela acredita em uma mudança significativa no mercado em médio e em longo prazo, com a chegada de novas credenciadoras. Segundo Thais, Cielo e Redecard detêm hoje 90% de participação. Procurada pela reportagem, a Redecard informou que não poderia dar entrevista porque passa por um momento de reestruturação.

A Cielo afirmou que adota como estratégia parcerias com bandeiras regionais e empresas de benefícios. De 2010 para cá se uniu a Aura, Sorocred, Policard, Good Card, Cred-System (cartão de crédito da bandeira Mais!), Banestes (emissor do Banescard) e Elo. Em outra frente, ampliou o atendimento aos cartões de benefícios com Bônus CBA, Cabal Vale, Verocheque e Sapore Benefícios. A empresa já capturava as transações de Visa, MasterCard®, American Express®, JCB (Japan Credit Bureau), Visa Vale, Ticket® e Sodexo. Segundo o vice-presidente executivo comercial e de varejo, Dilson Ribeiro, o cenário multibandeira foi positivo para a empresa e a estratégia é continuar oferecendo maior mix de bandeiras para o cliente vender mais, além de opções inovadoras de pagamento na plataforma mobile (pelo celular).
Em 2010, o lucro líquido da Cielo foi de R$ 1,831 bilhão, crescimento de 19,1% sobre 2009. No período, a empresa captou R$ 262 bilhões somente em transações com cartões de crédito e débito. O número é 22,3% superior ao volume transacionado em 2009.

Nesse período, a empresa lançou o Cielo Premia, uma forma do lojista fidelizar o cliente do cartão ao oferecer premiação e descontos e o Cielo Fidelidade, programa de acúmulo de pontos que premia lojas com concentração de vendas nas máquinas da credenciadora. Os prêmios podem ser produtos e serviços, como indicadores de negócio e de mercado, e avaliação de desempenho em relação aos concorrentes.

Desde a abertura do mercado, a Cielo negociou com 70% dos clientes de grande porte, o que resultou em uma queda da taxa líquida de desconto, que não divulgou. Ela atende 1,8 milhão de empresas e não informa quantas conseguiram desconto.

Se agora a Cielo caminha em direção a bandeiras regionais e serviços de benefícios, a Getnet, que fez parceria com o Santander no ano passado, já trilha esse caminho. Hoje, acumula 23 bandeiras regionais e aposta na oferta de serviços como recarga de telefone, correspondente bancário, consultas cadastrais e programas de fidelidade. "São serviços que geram circulação de cliente e receitas. O comerciante, por exemplo, recebe comissão por recarga telefônica", diz o presidente da Getnet José Renato Hopf.

Em tecnologia, a empresa investiu US$ 65 milhões nos últimos 12 meses. O montante incluiu soluções para máquinas POS sem fio, mobilidade com garantia de velocidade e de banda larga. Hopf diz que a empresa passou a atender de 12 a 15 mil novos estabelecimentos por mês no último bimestre. Em maio, foram 56 milhões de transações, nas máquinas de débito e crédito e em serviços.

Sem divulgar resultados de faturamento, Hopf diz que a meta da empresa é atingir 10% de fatia de mercado até o final de 2012. Atualmente, só com as transações em MasterCard e Visa, tem 2% de participação, com 135 mil clientes e 215 mil estabelecimentos. Sobre a redução de taxas, Hopf diz que esse não é o único critério de escolha do lojista. "O cliente quer uma máquina POS que funcione bem e que não pare no Natal. Esse é o nosso diferencial, a tecnologia avançada."

17 de jun. de 2011

CREDENCIADORAS DISPUTAM GRANDE VAREJO

jornal Valor Econômico 16/06/2011 - Adriana Cotias

Em 1º de novembro, o grupo Tellerina, que reúne as lojas da joalheria Vivara e a de móveis e artigos para o lar Etna, virou a chave dos seus caixas para usar apenas uma rede de captura de cartões de crédito e débito. Depois de meses de conversas com as duas principais credenciadoras de estabelecimentos comerciais, a eleita foi a Cielo, que passou a ser responsável por todo o movimento das mais de 100 lojas do grupo. Nas negociações, o grupo conseguiu uma redução média de 11% a 13% na taxa descontada por transação, economia significativa para quem tem nos meios eletrônicos de pagamento 85% do faturamento anual, que roda na casa do R$ 1 bilhão.

"Gastávamos com marketing um pouco mais do que o dobro do que pagávamos para as operadoras de cartões, havia uma discrepância grande de custos", diz o gerente financeiro do grupo Tellerina, Rodrigo Domingues.

A conexão com a Redecard ainda está nos terminais financeiros das lojas e o contrato assinado com a Cielo deixou uma porta de saída para qualquer uma das partes, sem um prazo. A intenção é rever as condições anualmente e, para tanto, Domingues diz que, após a as falhas na Redecard no Natal de 2009, monitora o nível de serviços prestados pela empresa em outras varejistas e que também topa conversar com novos participantes do setor.

Tal liberdade só se tornou possível graças à quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, que completa um ano em 1º de julho. Antes, qualquer lojista que quisesse receber o pagamento dos seus clientes com cartões Visa era obrigado a contratar os serviços da Cielo e o mesmo valia para as unidades MasterCard, que só passavam nas máquinas da Redecard. A abertura, provocada por pressão do governo, possibilitou a entrada de novos competidores num setor de margens ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que ainda esbarram nos 60% (da receita).

Além das redes de captura internacionais que já anunciaram a entrada no segmento, caso das americanas Elavon (com o Citi), Global Payments e First Data, Santander e Banrisul já estão atuando nessa área. O baixo uso dos cartões no consumo privado brasileiro (25%) e o crescimento a taxas anuais de 20% encorajam a incursão dos estreantes, num setor que deve movimentar este ano mais de R$ 600 bilhões.

Grupos como o grupo Tellerina, de maior porte, passam agora a entrar no radar do Santander, que inicialmente havia declarado interesse em abordar apenas pequenas e médias empresas. O banco passou a combinar serviços bancários com captura de cartões, sob o suporte tecnológico da processadora gaúcha GetNet, no ano passado. Agora o banco quer entrar na disputa pelas grandes redes de varejo. A tecnologia, que antes era limitada à captura via POS, já está pronta para os terminais financeiros usados pelos varejistas de maior porte.

"É um processo natural no nosso plano de negócios", diz o diretor da divisão de cartões do Santander, Cassius Schymura. "Para chegarmos à cota de mercado de 10% que almejamos até 2013, precisamos ter o volume das grandes cadeias." Alguns varejistas tradicionais já começaram a testar a tecnologia da GetNet no segundo trimestre e a, partir do segundo semestre, o banco espera fechar seus primeiros contratos.

Apesar de a disputa entre Cielo e Redecard para defender fatias do mercado ter derrubado preços de maneira expressiva, Schymura acredita ter cacife para lutar pelo seu quinhão. "A gente negocia numa relação de banco, com clientes com quem já temos a folha de pagamento, a gestão do caixa. O foco é ganhar rentabilidade por aumentar o relacionamento como um todo, não é só a perna da captura das transações."

O executivo argumenta que, diferentemente das duas maiores credenciadoras, em que as renegociações já mostraram peso significativo nos resultados, o Santander tem condições de agir com mais flexibilidade, pois mesmo baixando a taxa descontada do varejo, pode acrescentar volumes que hoje não detém, além de fazer a oferta cruzada de crédito e outros serviços financeiros.

No embate por conquistar volumes entre os grandes nomes do varejo, o que se comenta no mercado é que a Redecard teria levado a melhor não só por ter cedido mais em preço, mas também por se valer das parcerias do controlador Itaú Unibanco com redes tradicionais. A Cielo teria ganho a preferência das companhias aéreas, mas também levou um rol considerável de contratos de preferência.

Depois de uma onda intensa de renegociação de contratos com os lojistas, o setor passa por um ciclo de repactuação mais brando, mas o jogo não acabou, reconhece o diretor-executivo de varejo, marketing e produtos da Redecard, Carlos Zanvettor. "O mercado ainda está se abrindo. À medida que esse ciclo avance, novas rodadas de negociação vão surgir, é um problema para nós e qualquer outro agente." O executivo considera que a briga pelos grandes varejistas será um tema revisitado com alguma frequência. "A taxa de desconto está hoje num nível mais estável, mas não dá para dizer se é sustentável no longo prazo. Quanto maior for a intensidade da abertura, mais provocação será observada."

Rômulo Dias, presidente da Cielo, tem a percepção de que o mercado aberto atingiu certa maturidade, as renegociações agora estão num nível mais racional, mas a empresa vem fazendo ajustes para navegar nesse novo cenário que difere do conforto dos tempos de exclusividade com a Visa, bandeira de maior aceitação no país. A credenciadora refinou a segmentação por porte de lojista, reforçou o time comercial e vem investindo em programas de fidelidade e promoções que premiam o consumidor que exige a máquina da Cielo na hora da compra. O programa de fidelidade já vem sendo usado por 135 mil estabelecimentos.

No Sul do país quem promete incomodar as grandes credenciadoras é o Banrisul, que, em parceria com a processadora CSU, está ampliando o número de estabelecimentos filiados - de 83 mil para 97 mil ativos desde julho - e cujas maquininhas já leem os cartões MasterCard.

O negócio de captura nasceu para acomodar a própria bandeira, a Banricompras, com uma base de 1 milhão de unidades emitidas. Segundo a superintendente comercial e de marketing, Maria Inês Bilhar, o banco agora trabalha no licenciamento da Visa. Com as marcas internacionais passando pelas maquininhas do Banricompras, vai bater nas grandes redes de varejo, que já são clientes no cartão regional. É o caso dos supermercados Záffari e Walmart, Magazine Luiza e Renner. "Não haverá um posicionamento por exclusividade, mas estamos aptos a negociar para expandir a rede."

14 de jun. de 2011

A BRIGA NA VISÃO DA CIELO

jornal O Estado de S.Paulo 13/06/2011 - Cátia Luz

No fim de tarde de uma sexta-feira gelada, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, pediu à secretária que desse um recado a todos os funcionários que estivessem na sede da credenciadora de cartões naquele momento. Todos, não importava o nível, deveriam descer o para o pátio da empresa, no bairro de Alphaville, em São Paulo.
Era 23 de julho do ano passado e a Cielo vivia os primeiros dias do fim da exclusividade das maquininhas de cartão no País. Até então, os cartões da bandeira Visa só passavam nas máquinas da Cielo, antiga VisaNet, que teve de mudar de nome para se adequar às novas regras do setor. A bandeira MasterCard ficava a cargo da outra grande credenciadora do País, a Redecard.

Naquele início do cenário multibandeira, a Cielo tinha perdido e ganhado contas. Mas a percepção de perda, no entanto, era muito maior na equipe. Por isso, o presidente da empresa havia convocado os funcionários de supetão. "Subi em um banco e comecei: ‘Perdemos a empresa X. Por sinal, os modelitos que ela vende já estão fora de moda. Não comprem mais lá! Tal agência de viagens também. Nada de fechar pacotes com ela!’. E por aí foi", relembra Dias. Terminada a lista das más notícias, passou para as boas. "Comecei a listar os clientes que havíamos conquistado. A cada nome, os funcionários aplaudiam. Deixei por último as contas maiores. Aí a turma veio abaixo e se deu conta de que também havia ganhos."

A cena acima dá ideia do que representou o início da concorrência para um mercado até então habituado ao conforto da exclusividade. Com a possibilidade de o lojista escolher só uma máquina para todas as bandeiras, as credenciadoras se viram, pela primeira vez, obrigadas a disputar o cliente. As duas companhias, donas de quase 100% do segmento, entraram em confronto direto.

No setor de cartões, que movimentou no ano passado mais de R$ 500 bilhões no País, Cielo e Redecard fazem o credenciamento de estabelecimentos comerciais e são responsáveis pela comunicação da transação entre eles e a bandeira. Um negócio que tem a participação de pesos pesados: Bradesco e Banco do Brasil são sócios na Cielo, enquanto Itaú Unibanco está por trás da Redecard.



Naqueles primeiros meses do fim da exclusividade, as empresas navegavam às cegas porque não tinham ideia do seu desempenho em relação à concorrente em um mercado aberto. O cenário só começaria a desanuviar com os balanços do 3º trimestre, em outubro. "Era como se estivéssemos pilotando um avião com muita chuva, parte com informação precisa e parte na base do barômetro", explica Dias.

As pressões, segundo ele, vinham de todos os lados e de todos os níveis. Não eram poucos os funcionários que chegavam com frases do tipo: "Fui almoçar e o POS (maquininha) do restaurante não era mais Cielo". No conselho, as perdas de grandes contas geravam cobrança.

Mas o executivo recebeu apoio para seguir na orientação prevista: preservar as margens. "Não iríamos na base do share pelo share. Não adiantaria nada ter um cliente que me trouxesse prejuízo". Quem estava no dia-a-dia de vendas podia descer o preço dos serviços até um limite. Para ir além, só com a aprovação de outras instâncias.

O processo gerou reclamações na área comercial, já que a Cielo parecia mais lenta que a concorrência. "Eu respondia que era deliberado. Sou mais rápido para várias coisas, mas pra dar preço mais baixo não sou". E as investidas não vinham apenas do concorrente. O executivo conta que alguns clientes blefavam e era preciso "pagar para ver". "Houve pouca matemática e muita sensibilidade pra cuidar disso aí. O limite das negociações era a rentabilidade mínima que a gente definia." Mas diante da agressividade da concorrência e de perdas maiores do que o planejado, a Cielo teve de fazer diversos ajustes na estratégia.

Resultados

Em outubro, quando a Redecard divulgou o balanço do 3º trimestre, com uma queda no lucro líquido de 2,7% em relação ao mesmo período de 2009, a Cielo correu para antecipar o seu anúncio, que seria feito uma semana depois: havia registrado um aumento de 23%.

No 4º trimestre, o lucro líquido da Cielo ficou praticamente estável em relação ao mesmo trimestre de 2009, enquanto o da rival cedeu quase mais de 13%. Ficava claro que a estratégia da Redecard era manter preços agressivos para ganhar participação de mercado. A supercompetição fez as ações das duas empresas perderem o chão.

Em fevereiro, tanto Cielo quanto Redecard registraram os valores mínimos de seus papéis desde o fim da exclusividade. O preços refletiam as incertezas do mercado diante da guerra: ninguém sabia quando o ciclo de quedas de preços iria parar. A intensidade da disputa culminou com a substituição do presidente da Redecard, Roberto Medeiros, por Claudio Yamaguti, vindo do Itaú Unibanco. Procurada, a Redecard não deu entrevista.

"Na conference call do quarto trimestre, houve uma mudança de discurso da Redecard. A empresa assumiu um tom mais brando", afirma Luciana Leocadio, analista-chefe da corretora Ativa. "Depois disso, a competição ficou mais moderada."

Neste um ano de transformação da indústria de cartões, a Redecard ganhou fatia de mercado, mas a partir de uma estratégia de preços considerada agressiva demais por boa parte de investidores e analistas. De janeiro a março, o lucro líquido da Redercard despencou 20%, contra um recuo de 3,5% da rival. A impressão geral, até agora, é que a estratégia da Cielo se saiu melhor.

Novos rivais

Mas essa foi apenas a primeira parte da disputa nos cartões. Uma nova fase já começou com a chegada de novos competidores. Com foco no pequeno comércio, o Santander (em parceria com a GetNet) abocanhou 1,4% de participação. "Agora estamos aumentando a oferta de produtos para atender as grandes empresas", diz Cassius Schymura, diretor da área de cartões do Santander.

Companhias estrangeiras também anunciaram a entrada no País. Mas o processo não é simples. "Adequar plataformas à legislação e ao padrão brasileiros leva tempo", diz Marcos Leite, presidente da processadora CSU, que passou a atuar no setor com o Banrisul. Construir uma ampla rede de distribuição também não será fácil, já que os maiores bancos brasileiros estão por trás dos dois grandes players.

Mas o potencial de crescimento do mercado nacional tem falado mais alto que as restrições para as estrangeiras. "Em 2010, o Brasil registrou cerca de 7 bilhões de transações de cartões. Nos EUA, esse número é cinco vezes maior", afirma Paulo Caffarelli, vice-presidente da ABECS.

A americana First Data, maior empresa de meios de pagamentos eletrônicos no mundo, promete em dois meses anunciar os primeiros serviços de captura e processamento de transações no Brasil. "Estamos em negociação com vários parceiros", afirma Maria Fernanda Teixeira, presidente da First Data no País. A Elavon (associada ao Citi) e a Global Payments também anunciaram o ingresso no País.

A briga no setor está só começando. "O sarrafo (aquele travessão que os atletas de salto em altura têm de ultrapassar) está subindo", disse Dias, o presidente da Cielo, ao se referir à concorrência no setor. A Cielo vai ter de saltar mais alto.

26 de abr. de 2011

COM ELO, FIDELITY DÁ NOVO SALTO EM PROCESSAMENTO

jornal Valor Econômico 26/04/2011 - Adriana Cotias

Com o início da emissão da bandeira Elo por Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a processadora Fidelity Brasil (FIS) se prepara para dar novo salto no mercado de processamento de cartões. Nos bastidores do setor, a companhia protagoniza uma batalha menos ruidosa do que a que se vê na linha de frente por Visa, MasterCard e os diversos bancos emissores do dinheiro de plástico. Mas com a nova marca agregada ao seu portfólio, a FIS ensaia aumentar a distância das concorrentes diretas, CSU CardSystem, Orbitall e Conductor.

Até o mês passado, a FIS era negócio dividido entre Bradesco (49%) e a americana Fidelity. No processo que antecedeu a criação formal da Elo, o banco vendeu a sua participação para a Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS, que administra os cartões Visa Vale). O resultado dessa transação é que a empresa vai processar toda a base Elo emitida pelo Bradesco, a família de pré-pagos que fica sob o guarda-chuva da CBSS, além dos cartões que serão emitidos pelo futuro Banco Elo - com toda a produção do batizado Elocard nas 147 lojas da Ibi Promotora de Vendas, também transferida do Bradesco para a CBSS.

Para se ter uma ideia, a projeção dos bancos emissores do Elo é conquistar uma fatia de 15% do mercado de cartões em cinco anos, o que deve representar uma base de 45 milhões de plásticos da marca. Se o Bradesco tiver um terço disso, serão mais 15 milhões de unidades processadas pela FIS, calcula o presidente da subsidiária local, Reginaldo Zero. "Isso representa 40% do tamanho que a empresa tem hoje", diz. "Para a Fidelity, o Elo é um grande acontecimento." Em outubro, a FIS já tinha incorporado ao seu processamento os 14 milhões de cartões de emissão do Bradesco, com o total chegando a 40 milhões. O início da emissão dos vouchers alimentação e refeição pela Caixa, linha de produtos que fica debaixo da CBSS, também vai engordar o portfólio da FIS.

No leque de serviços ao emissor, a FIS, no papel de processadora, é quem, na prática, autoriza a transação, armazena os dados no sistema e informa o valor que o banco tem que repassar para a Cielo - que faz a captura e liquida a operação com o lojista.

Mas se a FIS é o lado operacional do Bradesco no mundo dos cartões, na outra ponta está a Orbitall, que por ser negócio do Itaú Unibanco, emissor líder do mercado brasileiro, detém, por tabela, a maior base individual de cartões, de cerca de 30 milhões, além de prestar serviços para a Redecard, também do grupo.

Em uma terceira via aparecem First Data e CSU, com oferta de serviços no chamado segmento de "adquirência", que empacota captura, processamento e liquidação de transações com cartões, tentando se estabelecer num modelo similar ao da gaúcha GetNet, parceira do Santander.

A CSU tem na sua base cerca de 25 milhões de cartões, mas deixou de ser processadora "pura" ao selar acordo com o Banrisul, instituição para a qual já fazia a retaguarda no lado emissor. Segundo o diretor executivo Wanderval Alencar, a intenção é agregar ao portfólio outros clientes regionais e até mesmo oferecer um atalho a "players" internacionais que queiram estrear no mercado brasileiro. Ele conta que no "pipeline" há 4 ou 5 negociações bem adiantandas.

"A CSU começou a preparar os sistemas em 2008 e só ficou pronta recentemente. Quem tomou a decisão de entrar agora muito provavelmente só vai ter condição de operar em 2012. E daí já perdeu esse momento do mercado." O executivo refere-se à abertura do mercado de cartões, em julho, quando a Cielo deixou de ter exclusividade na captura da bandeira Visa, e, por tabela, o mesmo ocorreu na relação Redecard/MasterCard. Desde então, as duas redes vêm travando uma árdua disputa pela preferência do lojista e novas empresas surgiram. As americanas Global Payments e a Elavon, esta última casada com o Citi, anunciaram a sua estreia no mercado local.

A First Data, que já estava aqui desde o início da década passada, resolveu dar foco às atividades de adquirência, deixando o processamento a emissores em segundo plano, justamente para aproveitar esse momento do mercado, diz a presidente da empresa, Maria Fernanda Teixeira. Uma das apostas da companhia é o segmento de pré-pagos, que começa a despontar no país com os cartões de viagem. Segundo a executiva, em fase final de negociação há 3 ou 4 parcerias. "Como cheguei ao mercado primeiro, já tenho áreas de manutenção de rede, de call center e logística estabelecidas. Desde 2001, a First Data é provedora de tecnologia de captura e processamento para correspondentes bancários.

23 de fev. de 2011

RECEITA COM CARTÕES REPRESENTA QUASE 28%, DO FATURAMENTO COM SERVIÇOS

jornal Brasil Econômico 23/02/2011 – Thais Folego

O negócio de cartões ganha participação cada vez maior dentro da receita de serviços dos grandes bancos. O fatura- mento com os serviços de cartões (taxas de anuidade, de saque, de utilização do cartão no exterior, de comercialização de seguros e a taxa cobrada do lojista em cada transação) avançou em média 18'%, nos quatro maiores bancos em 2010, na comparação com 2009. No mesmo período, a receita total com serviços avançou 13%.

Com isso, as receitas de cartões já representam 27,9% do faturamento dos bancos com serviços, que inclui ainda as taxas de administração de fundos de investimento, despesas de conta corrente, tarifas de cobrança, taxa de abertura de crédito, cheque especial, entre outras. No Itaú, essa proporção chega a 37%.

"Os bancos têm interesse estratégico no negócio de cartões, pois eles reforçam o relacionamento com os clientes, sejam eles pessoa jurídica ou física", afirma Luis Santacreu, analista de Instituições Financeiras da Austin Rating.

Mais ganhos

Santacreu observa que a receita com serviços de cartões é só unia parte do que as instituições ganham com o dinheiro de plástico. No segmento pessoa física, há ainda o ganho financeiro, de risco de crédito e fi nanciamento rotativo no cartão, que entram na conta de receita de crédito das instituições. Entre as pessoas jurídicas, há a antecipação de recebíveis dos cartões para os lojistas. Isso sem contar a participação que os bancos têm em credenciadoras de cartões, caso do Itaú na Redecard, Bradesco e Banco do Brasil na Cielo e a parceria do Santander com a GetNet. "O produto propicia ganhos em várias frentes", afirma Santacreu.


Por conta disso, as instituições investem cada vez mais no produto. BB e Bradesco, por exemplo, com o lançamento da bandeira Elo, que tem grande foco nas classes C e D; a Caixa na exploração da base do Panamericano -- obviamente depois que os atuais problemas forem resolvidos; e Itaú na parceria com postos de gasolina, supermercados e companhias aéreas.

7 de fev. de 2011

CSU É APROVADA PELA MASTERCARD NA "ADQUIRÊNCIA"

jornal Valor Econômico 07/02/2011 - Adriana Cotias

A CSU CardSystem recebeu homologação da MasterCard para prestar serviços de captura, liquidação e processamento de transações com cartões para o Banrisul. A partir do acordo com o banco, a empresa estreia na terceirização de serviços para o chamado negócio de "adquirência", que abrange toda a cadeia envolvida para validar uma compra feita pelos meios eletrônicos de pagamento. Isso significa que, a partir de março, a rede CSU já estará presente nos 75 mil estabelecimentos credenciados pelo Banrisul para receber a sua bandeira própria, a Banricompras, bem como os cartões com a marca MasterCard, segundo prevê o presidente da CSU, Marcos Ribeiro Leite. A instalação dos POS (as maquininhas que leem os cartões) continuará sob responsabilidade do Banrisul.

Embora o arranjo se assemelhe, em alguma medida, ao da processadora gaúcha GetNet com o Santander, o executivo explica que no acordo com o Banrisul não há amarras societárias - a GetNet tem uma "joint venture" com o banco espanhol, enquanto Cielo tem Bradesco e Banco do Brasil como sócios e o Itaú é dono da Redecard - nem cláusulas de exclusividade. Por isso, a ideia é estender a proposta da nova área para outras instituições financeiras, companhias de varejo, além dos como novos "players" internacionais, que têm flertado com o mercado brasileiro.

Direto de Atlanta, nos Estados Unidos, já confirmaram presença no Brasil a Elavon, que desembarca no país por meio de uma "joint venture" com o Citi, e a Global Payments, que ainda não anunciou casamento com nenhum banco, pré-condição das bandeiras para que uma empresa atue no ramo de captura, processamento e liquidação de transações com cartões.

Para Leite, esses são alguns exemplos de que o mercado brasileiro de cartões está em plena ebulição e que, em alguns anos, vai comportar cerca de duas dezenas de competidores. E os novos participantes serão alvo da oferta de serviços de adquirência feita pela CSU, área que demandou investimentos de R$ 40 milhões de 2008 para cá. "A terceirização dispensa investimentos maciços na estrutura tecnológica, garante a escala e assegura rapidez para colocar a operação de pé", diz Leite. "Para quem quiser entrar, a CSU estrutura a operação em 90 dias, mas quem fizer sozinho vai demorar três ou quatro anos, só que até lá esse jogo acabou."

No primeiro trimestre também começam os trâmites para a CSU habilitar os seus serviços de adquirência junto à Visa. Como o processo é semelhante ao adotado pela MasterCard, no que diz respeito a testes de segurança, performance e de prevenção a fraudes, Leite não vê entraves à certificação, com o sinal verde dependendo mais das tratativas comerciais entre o Banrisul e a bandeira. Isso porque é o banco emissor ou a companhia que efetivamente atua no credenciamento que indicam a empresa de processamento para as bandeiras.

Como empresa terceirizada em serviços de emissão de cartões, a CSU já é certificada pela MasterCard, Visa e Amex há cerca de 15 anos, mas agora está abrindo o leque. O plano, de acordo com Leite, é ter mais da metade do mercado também em adquirência, considerando-se as instituições que não estão casadas com Cielo ou Redecard. A meta é ter até o fim do ano de três a cinco novos negócios.

4 de fev. de 2011

SANTANDER JÁ TEM 104 MIL CADASTROS DE COMERCIANTES

jornal DCI 04/02/2011 - Eduardo Puccioni

O Santander já cadastrou 104 mil estabelecimentos comerciais para aceitarem as bandeiras de cartões de crédito e débito da Visa e da MasterCard desde abril. Pelos terminais do banco, foram feitos no período 26,8 milhões de transações, que movimentaram R$ 2 bilhões. "Não queremos entrar em guerra de preços. A ideia foi oferecer serviços diferenciados", disse o presidente do Santander, Fábio Barbosa. O Santander entrou no mercado de credenciamento em abril de 2010, para concorrer com a Cielo e a Redecard. O foco do banco, porém, são estabelecimentos de menor porte. O banco oferece um pacote de serviços aos comerciantes, a chamada conta integrada. Desde abril, foram abertas 26 mil contas. A meta é chegar a 150 mil contas em 2012. Já a meta para o total de lojistas cadastrados é chegar a 300 mil estabelecimentos em 2012. "Essa estratégia ajuda a alavancar negócios com pequenas e médias empresas", disse o vice-presidente executivo de Finanças do Santander, Carlos Galán. O banco espanhol opera na área por meio de uma parceria com a empresa GetNet, que cuida de toda parte tecnológica das transações e de credenciamento dos usuários.

4 de jan. de 2011

MAIS UMA ESTRANGEIRA DISPUTA FILÃO DE CARTÕES

jornal Valor Econômico 04/01/2011 - Adriana Cotias

O mercado brasileiro de cartões vai ganhar em 2011 mais um concorrente estrangeiro no ramo de captura, processamento e liquidação de transações. Depois de a americana Elavon fechar parceria com o Citi , a conterrânea Global Payments é que chega para disputar o chamado filão de "adquirência" com as empresas locais, Cielo e Redecard. Vai adotar um modelo de negócios inédito na trajetória de expansão fora dos Estados Unidos: não fará aquisições ou comprará carteiras de lojistas credenciados por bancos e a ideia é erguer uma operação do chão. Para tanto, vai investir milhões de dólares e, segundo o presidente mundial, Paul Garcia, já está na conta que, no início, a companhia vai perder dinheiro no Brasil.

Para comandar a subsidiária local, foi contratado o ex-diretor financeiro da Redecard Edson Luiz dos Santos, enquanto a área de Tecnologia da Informação será tocada por Danilo Zimmmermann, que passou pela mesma Redecard, como diretor de infra-estrutura tecnológica, e também foi diretor de produtos da Orbitall. A empresa busca agora um executivo de vendas.

Ganhar a confiança do varejo e de empresas de serviços no Brasil não será uma tarefa trivial, reconhece Garcia, dada a dominância de Cielo e Redecard, redes ligadas a grandes bancos brasileiros - Bradesco e Banco do Brasil, no caso da primeira e Itaú na segunda. Mas a abertura do mercado de cartões no ano passado, com a quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, abriu uma oportunidade única para a Global Payments ingressar no país.

"O Brasil é um grande mercado. Gira um quarto de trilhão de dólares em transações, com expansão a taxas de dois dígitos, uma infraestrutura em desenvolvimento, crescimento de PIB e da população", diz Garcia. "Isso é único, uma vez na vida se tem uma oportunidade dessas. Para nós foi um dilema inusual porque seria muito difícil comprar um portfólio de tamanho considerável de um banco, porque simplesmente ele não existe."

Levantar uma operação do zero não será, porém, uma estratégia a ser seguida em outros mercados, assegura Garcia. Na Espanha, conforme exemplifica, no mês passado a Global Payments concluiu uma "joint venture" com a La Caixa, que com 520 agências já tinha a maior carteira de lojistas credenciados no país. "Nós saímos de uma pequena presença na Espanha para ser o maior adquirente." Em todos os mercados que atua fora dos EUA, a empresa conquistou, por meio de acordos similares, a primeira, segunda ou terceira posições. Foi assim também num recente acordo com o HSBC na China, que trouxe a liderança internacional para a Global Payments naquele mercado.

Parceiro de longa data do HSBC - no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, além de uma "joint venture" na Ásia, que abrange 11 países - Garcia diz ainda ser prematuro dizer com que instituição financeira "casará" no Brasil. O que se ouve nos bastidores é que o Citi chegou a ficar muito próximo da Global Payments antes de bater o martelo com a Elavon. O executivo não descarta, no futuro, fazer aquisições por aqui, um atalho para chegar ao tamanho que pretende no país. No início, porém, sabe que precisará ter fôlego para perder dinheiro. "Nós entendemos os custos e estamos preparados para fazer esses investimentos, estamos comprometidos com esse negócio. Por ora é um negócio em estágio de investimento. Com o passar do tempo, deve se tornar lucrativo."

Entre os pequenos e médios lojistas, a intenção é combinar captura e processamento com serviços bancários. Mas entre as grandes redes, a oferta tende a ser diferenciada, explica Garcia. "Eu acredito ser crucial ter um parceiro bancário para os pequenos negócios e para recomendação dos nossos serviços, mas não precisa ser necessariamente uma instituição financeira tradicional. Para os grandes lojistas, é mais sobre produto, preço e prestação de serviços e menos a relação bancária."

Da mesma forma que os bancos indicarão clientes para a Global Payments, a empresa vai capturar lojistas para os parceiros. Para tanto, contará com força de vendas próprias, a exemplo da própria Redecard, que já provou ser possível ampliar a carteira sem a dependência dos bancos - no terceiro trimestre, 50% dos novos estabelecimentos filiados foi com esforço próprio.

Para atrair os maiores faturamentos, a Global Payments está disposta a entrar na briga por preços travado por Redecard e Cielo, desde que faça sentido econômico. Até porque a rentabilidade que o Brasil oferece por transação ainda é superior a de outros países. Para os próximos anos, Garcia prevê um ambiente concorrencial ainda mais acirrado do que se viu nesses primeiros seis meses de mercado aberto e com a presença do novo competidor, a processadora GetNet em conjunto com o Santander, além da já anunciada chegada da Elavon com o Citi. "Eu acredito que vai ter aqueles que se consolidarão e crescerão e aqueles que, talvez, percam o entusiasmo."

Tecnologicamente, a Global Payments estará preparada para processar o parcelado sem juros, modalidade que não existe em nenhum outro mercado e que no Brasil surgiu em substituição ao cheque pré-datado. A infraestrutura também estará apta para que os bancos parceiros façam antecipação de recebíveis com base nos volumes capturados pela rede. Mas não é com aluguel de equipamentos que pretende ganhar dinheiro, diz o presidente da unidade brasileira, Edson Santos. "Estamos em processo de construir e ajustar todos esses produtos no Brasil e isso leva tempo. Agora se haverá um 'data center' dentro do Brasil ou fora do Brasil isso vai depender da escala, do custo e da acessibilidade."

Para o executivo, a maioria dos bancos que fechou acordo de preferência ou com Cielo ou com Redecard tomou essa iniciativa por razões táticas, para proteger a sua própria base de lojistas domiciliados. No futuro ele acredita, porém, que essas instituições podem se mover para outra direção.

FIRST DATA FINALIZA ACORDOS PARA ATUAR EM CARTÕES

jornal Brasil Econômico 04/01/2011 – Thais Folego

Após as maiores instituições financeiras anunciarem parcerias para atuarem na atividade de credenciamento de estabelecimentos para aceitação de cartão de crédito, o que se espera, agora, são anúncios de empresas que pretendem atuar em nichos de negócios ou geográficos.

A First Data, maior processadora e credenciadora dos Estados Unidos, está próxima de fechar dois acordos no Brasil. Maria Fernanda Teixeira, presidente da companhia no país, não revela os nomes dos parceiros, mas diz que uma das operações já estará funcionando até o final do primeiro trimestre.

Circulam no mercado informações de que uma das parcerias seria com o banco Fator e a outra na área de postos de gasolina. No entanto, o Fator, que atualmente atua no mercado de cartões como emissor (por meio da UBR, uma joint venture com a Unimed), não confirma a informação.

A First Data tem operações em 36 países, sendo que em 20 atua em credenciamento. No Brasil, a processadora desembarcou em 2002, tendo como principal negócio soluções em correspondente bancário e o licenciamento de seu software de processamento, o Vision Plus. "No ano passado, crescemos mais de 20%", diz Maria Fernanda. Segundo ela, o principal fator de crescimento foi o forte investimento de instituições financeiras em correspondentes bancários.

Investimento

Para apoiar o novo serviço de credenciamento, a operação da First Data no Brasil terá de triplicar o número de pessoas envolvidas no back office. Entre elas a equipe de call center para atender aos lojistas, a equipe de prevenção a fraudes e charge-back (cancelamento de uma venda feita com cartão de débito ou crédito).
Hoje, a First Data conta com cerca de 100 funcionários no país. "Serão investidos alguns milhões de dólares", diz Maria Fernanda, sem revelar, porém, valores exatos.

A atividade de credenciamento de cartões no Brasil se tornou foco de investimentos de estrangeiros — assim como de bancos locais que não atuavam nessa atividade —após a abertura deste mercado, no dia primeiro de julho do ano passado, quando terminou a exclusividade entre a bandeira Visa e a credenciadora Cielo (VisaNet, na época). Desde então, qualquer instituição que tivesse as devidas licenças das bandeiras passaram a poder atuar com as duas bandeiras internacionais que possuem o maior volume de transações: Visa e Mastercard, que já não tinha exclusividade há anos.

O interesse não é para menos. Segundo levantamento da consultoria Lafferty, entre os países que compõem os Bric (Brasil, Rússia, índia e China), o Brasil é que o tem a maior rentabilidade na atividade de credenciamento. No país, cada cartão rende, para emissores e credenciadores, US$ 20. Na índia, o ganho é de US$ 12 e na China, apesar dos mais de dois bilhões de plásticos emitidos, há um prejuízo de US$ 1 por cartão.

O primeiro a estrear no segmento, que tem como líderes Cielo e Redecard, foi o Santander em parceria com a GetNet. Ainda neste primeiro semestre, está prevista a entrada da operação do Citibank com a americana Elavon. A também americana GlobalPayments deve começar a operar no país neste ano. "Na primeira etapa, os novos concorrentes vão entrar em mercados que hoje não são cobertos, como saúde e educação", avalia Maria Fernanda.

2 de jan. de 2011

CONCORRÊNCIA MAIOR REDUZ CUSTOS DE LOJISTA COM CARTÕES

jornal Folha de S. Paulo 29/12/2010 - Mariana Schreiber

O setor de cartões manteve em 2010 a média de crescimento de 20% dos últimos anos. O fim da exclusividade entre bandeiras e credenciadoras em julho, no entanto, tornou o ano bem diferente.

Com a possibilidade de os cartões das principais bandeiras (Visa e MasterCard) passarem nas maquininhas das maiores credenciadoras (Cielo e Redecard), a disputa pelos lojistas aumentou.

A taxa média cobrada dos varejistas nas operações de cartão de crédito caiu em um ano de 1,46% para 1,33% na Redecard e de 1,50% para 1,46% na Cielo, segundo balanços do terceiro trimestre.

Já o aluguel médio da maquininha recuou de R$ 66,60 para R$ 63,24 na Redecard e de R$ 63,12 para R$ 59,49 na Cielo, entre o segundo trimestre de 2010 e o terceiro.

A expectativa da Alshop (Associação de Lojistas de Shopping) é que as taxas continuem caindo depois do Natal, quando mais varejistas devem optar por apenas uma credenciadora.

Segundo o diretor de relações institucionais da Alshop, Luís Ildefonso, muitos não optaram ainda por apenas uma credenciadora por medo de ficar dependentes de apenas um sistema.

Ele lembra que, no ano passado, a rede da Redecard sofreu uma pane e ficou parcialmente fora de operação na véspera do Natal.

"Alguns lojistas têm mais de uma máquina por precaução, mas o sistema está numa velocidade sensacional neste ano, e a avaliação é que, mesmo com uma só, não haveria problema."

As próprias empresas admitem que as taxas podem cair mais. Segundo o presidente da Cielo, Rômulo Dias, a concorrência deve continuar pressionando as margens de lucro líquido da companhia, que tiveram leve queda no terceiro trimestre.

O diretor de finanças da Redecard, Marcelo Kopel, afirma que a empresa continuará reduzindo preços: "Se o estabelecimento trouxer volume (mais transações), se beneficiará da redução".

AÇÕES

O novo cenário teve impacto nas credenciadoras. A Redecard, que registrou queda de receita no terceiro trimestre, sofreu mais. Suas ações caem 24% em 2010. As da Cielo recuam 7%.

Segundo o analista Daniel Malheiros, da Spinelli, como a Redecard tem mercado mais concentrado em grandes varejistas do que a Cielo, foi mais prejudicada.

"As grandes têm mais conhecimento das mudanças e, por transacionarem grandes volumes, têm mais poder para negociar taxas", afirmou.

Para o presidente da Abecs (associação do setor), Paulo Cafarelli, a concorrência vai se manter concentrada nas duas maiores credenciadoras, pois leva tempo para as novas ganharem espaço. Redecard e Cielo têm hoje quase 100% do mercado.

A GetNet, credenciadora que começou a operar neste ano, é a que tem mais condições de ganhar escala, devido à associação com um grande banco, o Santander.

Para Kopel, a tendência é que as novas credenciadoras atuem em nichos de negócios ou regionais. O Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) já anunciou planos para 2011, assim como o Citibank, que pretende atuar no setor de turismo.

21 de dez. de 2010

REGIONAIS BUSCAM AMPLIAR ALCANCE DAS BANDEIRAS

jornal Valor Econômico 21/12/2010 – Ana Cecilia Americano

Foi dada a largada para que as adquirentes Redecard, Cielo e Santander/Getnet disputem palmo a palmo as novas oportunidades que surgiram a partir de 1º. de julho, quando caiu a exclusividade prevista nos contratos entre Visa e Cielo, e Mastercard com Redecard. Assim, bandeiras independentes, de origem regional, a exemplo da Hipercard, com força no Nordeste, a Sorocred, com boa penetração no interior de São Paulo, ou a Tricard, usada entre comerciantes que compram no grupo atacadista Martins, têm sido alvo da procura das adquirentes, em busca de maior capilaridade.

Outro cartão que está sendo disputado é o Banescard, do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). O banco publicou um edital em novembro e deu às adquirentes prazo até o fim de dezembro para manifestarem o seu interesse. A disputa de mercado dá-se também no chão da loja. A partir deste semestre, o lojista pode escolher concentrar suas transações na adquirente que ofereça o maior número de bandeiras, economizando no aluguel das máquinas. E quem oferecer a melhor cesta de bandeiras leva vantagem.

É nesse contexto que as redes independentes de cartões, com boa presença regional, ganham novo status. Elas somam mais de 90 empresas, boa parte delas dedicadas a cartões de redes de lojas ou de benefícios, com grande adesão dos consumidores das classes C e D. Segundo Boanerges Ramos Freire, fundador da Boanerges & Cia Consultoria em Varejo Financeiro, elas representam até 7% do mercado, ou 38,9 milhões de cartões.

"Com a queda da exclusividade, essas redes ganham a oportunidade de ampliar a aceitação de seus cartões nas redes Cielo e Redecard, de alcance nacional", comenta. Ambas oferecem mais de um milhão de estabelecimentos prontos para captar suas transações em todo o País. A Redecard já fechou contrato com mais de 20 bandeiras, segundo o consultor. "Já a Cielo tem sido mais seletiva, buscando acordos com bandeiras de grandes volumes e negociações especiais", acrescenta. Renata Greco, diretora de desenvolvimento da Cielo, estima que o mercado de redes regionais movimente R$ 25,6 bilhões anuais. Ela diz que, atualmente, a empresa prospecta negócios com mais de 40 redes regionais. Em média, cada uma movimenta R$ 500 milhões por ano.

Há vinte anos, a Sorocred, um cartão criado no interior de São Paulo, era usado pelas classes C e D para fazer compras nos supermercados próximos. Hoje ostenta uma base de 4 milhões de cartões, 150 mil estabelecimentos afiliados, uma carteira de produtos financeiros ofertados pelo seu banco irmão Sorocred Financeira.

Não menos impressionantes são os números da Tricard, cartão usado pelos comerciantes que se abastecem no atacado do Grupo Martins, por meio de seus private labels. São mais de 9 mil estabelecimentos para 3 milhões de usuários. O faturamento anual superior a R$ 1,5 bilhão registrou este ano um crescimento de 15%. Ali também a presença de um banco - o Tribanco - permitirá ao cartão oferecer outras operações de crédito para supermercados e lojas de material de construção e pequenas mercearias.

10 de dez. de 2010

SEGURADORAS ENCONTRAM NOVOS USOS PARA TÍTULOS DE CAPITALIZAÇÃO

jornal Brasil Econômico 10/12/2010 - Thais Folego

O título de capitalização mais conhecido pelo público em geral é, sem dúvida, a Tele Sena, que tem forte apelo dos sorteios. Outra modalidade também amplamente difundida é o produto tradicional, com as componentes de acumulação e sorteio, distribuída principalmente por bancos. A modalidade que está despertando grande interesse, agora, é a de "incentivo", em que quem adquire o título é uma empresa, que cede gratuitamente ao seu cliente participante da sua promoção o direito a concorrer o sorteio.

"Esta é uma modalidade que existe há algum tempo, mas era usado basicamente por seguradoras para colocar o atributo de sorteio nas apólices. Agora, esse modelo está expandindo para outras empresas", conta Gustavo Rosa, gerente de produtos de capitalização da Icatu Seguros.

Ele dá o exemplo de uma parceria recente que a Icatu fez com a GetNet, empresa de captura de transações eletrônicas, que faz a recarga de celular nos terminais que passam cartões de crédito e débito. Foi feita a promoção "Recarga Premida", em que os clientes que fizessem a recarga de seus celulares em um terminal da GetNet concorria a prêmios em dinheiro. O sorteio nada mais era do que uma série de títulos de capitalização que a empresa comprou e cedeu o direito ao sorteio a seus clientes.

A companhia líder no segmento de incentivo é a SulaCap, braço de capitalização da Sulamérica, que já desenvolveu soluções para Gol, Renner, Pernanbucanas, Editora Abril, Nestlé, Unilever, entre outras. Em 2007, a companhia atuava quase que apenas com o produto de garantia de aluguel e tinha faturamento de R$ 280 milhões. Para 2011, a projeção é chegar a R$ 1 bilhão. Grande parte desse salto se dever ao foco que a empresa deu para produto de incentivo.

"Como não temos rede de distribuição (balcão de banco), precisamos criar", diz Cesar Tadeu Dominguez, diretor comercial da SulaCap. O produto de garantia de aluguel, que é um título de capitalização adquirido pelo inquilino em alternativa ao fiador e ao seguro fiança, hoje representa 45% do negócio da SulaCap. Em 2007, respondia por 90% das receitas.

"Com o produto de incentivo, criamos soluções para as empresas ganharem mais dinheiro com o seu negócio", diz Tadeu Dominguez. Eduardo Fonseca, gerente de produtos da SulaCap. Para ele, é possível criar soluções para promoções feitas por varejistas, companhias prestadoras de serviços públicos e seguradoras.

Para um convênio de redes de supermercados, por exemplo, eles acabaram de desenvolver o produto "Troco premiado", em que em vez de receber o troco em dinheiro, o cliente opta por "comprar" um título de capitalização que dá o direito a concorrer a um prêmio em dinheiro de algumas vezes o valor do "troco".

"O núcleo o produto de capitalização é o mesmo. O que muda são as aplicações", comenta Rosa, da Icatu. E as aplicações não têm limite para criatividade. Nem produtos de investimento escapam. A Icatu já vendeu títulos para bancos de médio porte, como Banrisul e Banco Gerador, que os atrelaram a Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que se tornaram "CDB premiado". O negócio tem ganhado tamanha relevância, que a Icatu irá criar uma área para cuidar apenas dos produtos de incentivo.

29 de out. de 2010

EM 6 MESES, SANTANDER FATURA R$ 600 MILHÕES COM CARTÕES

portal iG 28/10/2010 - Nelson Rocco

O banco Santander faturou R$ 600 milhões com cartões de crédito nos primeiros seis meses de operação no novo segmento, em que atua em parceria com a empresa de captura das informações GetNet. Segundo dados divulgados pelo banco, no crédito, a receita somou R$ 400 milhões, enquanto o débito respondeu por R$ 200 milhões.

“A operação está em um ritmo positivo”, classifica Carlos Galan, vice-presidente do Santander no Brasil. Nessa primeira fase, diz ele, o produto está mais voltado para pequenas e médias empresas. O banco lançou sua operação de cartões em março deste ano, de olho na abertura de mercado. O produto oferecido é o Santander Adquirência Conta Integrada, que une a operação de cartão com conta corrente e crédito ao comerciante.

Nos números divulgados quanto ao faturamento, seis meses referem-se a operações com a bandeira Mastercard e os dois finais também com a bandeira Visa. Nos seis meses de operação, o banco credenciou 75 mil estabelecimentos. Segundo Galan, esse total representa 25% da meta de 300 mil até 2012, traçada no planejamento do produto. As novas contas abertas por conta do produto somaram 15 mil no período, 10% do total planejado, de 150 mil. “Esperamos que no futuro este seja um dos produtos mais importantes do banco”, afirma o vice-presidente.

Balanço

O Santander divulgou hoje o balanço do seu terceiro trimestre. O lucro líquido do banco foi de R$ 1,935 bilhão no período, com alta de 31,4% sobre o R$ 1,472 bilhão de julho a setembro do ano passado. Os dados são em IFRS, as regras de contabilidade internacional.

A carteira de crédito total, pelo mesmo critério contábil, chegou ao final de setembro em R$ 154 bilhões, com alta de 15,8% sobre o mesmo mês de 2009. Na comparação anual, a carteira para grandes empresas somou R$ 43,46 bilhões, com crescimento anual 24%.

A carteira para pequenas e médias empresas, que o banco passou a tratar como prioritária, na visão de Galan, subiu 14,7%, chegando a R$ 35,77 bilhões. O Santander não faz previsões, mas o executivo diz esperar que o crédito tenha expansão de 18% a 19% em 2011, citando números da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

O crédito consignado foi uma das linhas que mais cresceu dentro da carteira do banco, com expansão de 40,8% na comparação com setembro de 2009, para R$ 13,5 bilhões, parte com a compra de carteira de terceiros. No crédito imobiliário, o Santander chegou ao final do trimestre com uma carteira de R$ 11,2 bilhões, 30,7% acima do ano passado. Para as pessoas físicas, o total financiado em imóveis nos nove meses foi de R$ 6,1 bilhões, 22,6% acima de setembro do ano passado.

22 de out. de 2010

MERCADO DE CARTÕES QUADRUPLICARÁ ATÉ 2020

jornal DCI 21/10/2010 - Fernando Teixeira

Projeção da Associação das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) mostra que, em 2020, o mercado de meios de pagamento eletrônico deva praticamente quadruplicar o faturamento atual e chegar a R$ 2,188 trilhões. Até 2015, cerca de 900 milhões de plásticos devem ser emitidos, o que possibilitará 15 bilhões de transações no ano.

Outro fator que anima os agentes da indústria de cartão é o fato de que a relação consumo das famílias x Produto Interno Bruto (PIB) saltará de 63,1%, em 2010; para 67,5% em 2020.

As projeções para 2010 mostram que o faturamento da indústria de cartões deve ser de R$ 534 bilhões, número 20% superior ao alcançado no ano passado, quando a indústria registrou R$ 444 bilhões.

O presidente da Abecs, Paulo Caffarelli, disse que o volume de transações deve aumentar em 16,8% e chegar a 7,131 bilhões, ante 6,105 bilhões registradas no ano passado. "O mercado cresce 20% ao ano e deve sustentar este patamar por algum tempo", afirma Caffarelli.

De acordo com o executivo, que também é vice-presidente do Banco do Brasil (BB), o número de cartões emitidos se acelerou durante o ano.

Ele projeta que até dezembro sejam emitidos 628 milhões de plásticos ante 565 milhões no ano passado - 11% mais que em 2009.

Um dos fatores para o otimismo é à classe não bancarizada, que, hoje, corresponde a aproximadamente 40% da população brasileira. "Muitas vezes quem não tem conta corrente usa o cartão de crédito como forma de portar dinheiro e parcelar compras", enfatizou o presidente.

Além dos não bancarizados, o Caffarelli destacou o aumento do "público potencial": os migrantes das classes D e E. Hoje, segundo a Abecs, 'apenas' 49% das pessoas com cartão de crédito no Brasil estão nas classes C, D e E.

Mercado

Além de dobrar o tamanho do mercado, o presidente da Abecs, Paulo Caffarelli, acredita que novas bandeiras e novos adquirentes ingressem no mercado nos próximos anos. "No setor de recebimentos eletrônicos temos a Cielo, RedeCard, Santander/GetNet e outras empresas menores. Em termos de bandeira temos a Visa e MasterCard, Dinner's e American Express; além de bandeiras regionalizadas. Devemos ter novos atores, em breve."

Contudo, ressalta, novas empresas podem enfrentar obstáculos para se instalar no Brasil. "Será que ele terá tempo para cadastrar 1,5 milhões de pontos como tem a Cielo? Pode ser um adquirente recebendo pela prestação de serviços a outra marca?"

Para ele, a consequência de novos entrantes é a queda de taxas para a prestação de serviços, conveniência e mais segurança.

Cartões

Quanto ao apetite de mercado da bandeira de cartão de crédito ELO - gerida em conjunta entre BB, Bradesco e Caixa Econômica Federal - o executivo acredita que em 5 anos, a marca alcançará a fatia de 15%. Para Ivo Vieitas, diretor da Abeces e presidente da Hipercard (gerida pelo Itaú Unibanco), os números da ELO não assustam. "A ELO terá seu espaço e público, mas não sei se é factível os 15% almejados. Acho saudável ter metas", analisou a questão.

Hoje, a bandeira do Itaú detém quase 8% de mercado. Contudo adia planos para ter mais emissores além do próprio banco. "Pode acontecer um dia, hoje, não está nos planos. Ele tem força para ser emitida por mais gente. Obviamente dependerá das decisões do grupo."

A bandeira Hipercard já tem 14 milhões cartões emitidos e aceitação em 490 mil estabelecimentos, sendo 40 mil deles agregados após convênio com a RedeCard. Quando a credenciar o Hipercard com a Cielo, a maior do mercado, para aumentar a penetração do produto, Vieitas disse que existe a possibilidade. "Quando falamos passar o cartão por uma rede, temos de lembrar que existem muitos itens técnicos, como evitar fraudes e regular softwares."

Para ele, a tendência é passar o Hipercard em mais de 1,3 milhão de estabelecimentos (número de estabelecimentos credenciados pela Cielo, a maior do mercado), "mas, antes, devemos reforçar onde somos mais aceitos. Se não a máquina fica esperando sem passar compras."

Hoje, a marca de crédito do Itaú é aceita em 19 estados e o faturamento cresce acima de 30% ao ano desde 2005. "Mais da metade do faturamento é originado em regiões fora do nordeste, onde a bandeira nasceu nos anos 70. O Walmart e operações de telemarketing fazem a venda do cartão", destacou o executivo.

8 de set. de 2010

INTERNET GARANTE US$ 11 BI A EMPRESAS DE CARTÃO

jornal DCI 08/09/2010 - Ernani Fagundes

O uso do cartão de crédito nas compras pela internet no Brasil alcançará US$ 11 bilhões em 2010, ou 67% dos US$ 16,47 bilhões faturados em e-commerce. A previsão foi divulgada pela companhia holandesa Global Collect durante o Congresso C4 de Cartões e Crédito ao Consumidor, realizado até a última sexta-feira (3) em São Paulo.

"A participação de cartões ainda é muito baixa", vislumbra o business manager da Global Collect, Juan Pablo Dantiochia.

A empresa de Dantiochia é o maior banco independente da internet com faturamento de US$ 4 bilhões em 2009, por meio de 500 mil pagamentos diários na rede em 170 moedas de 200 países, e faz parte de uma nova categoria de empresas que operam com cartões, as subadquirentes ou coletoras de pagamentos na web. Com 350 funcionários e escritórios nos Estados Unidos, Buenos Aires e Singapura, a Global Collect estuda as particularidades brasileiras para atuar no promissor mercado brasileiro.

"Além da opção pelo cartão de crédito, teremos de oferecer métodos alternativos como boletos e transferência", admite.

Ele tem razão, já que segundo relatório divulgado por sua concorrente Cobre Bem , cerca de 25% das compras feitas pela internet no Brasil são pagas por meio de boletos bancários. "Desde o início tivemos de montar uma estrutura multiadquirência, multibancos, multibandeiras e multimeios de pagamento", afirma o diretor executivo da Cobre Bem, Lúcio Vargas.

A Cobre Bem prevê que irá realizar 14 milhões de transações com cartão de crédito em 2010. "No Brasil, 20 milhões de pessoas fizeram pelo menos uma compra na internet no primeiro semestre, o setor deve fechar o ano com 23 milhões de consumidores comprando pela rede", prevê Vargas.

Ele está animado com o crescimento expressivo do setor, mas também está preocupado. "A nova onda é comprar por celular, temos que estar preparados", diz.

Vargas revela sua estratégia para crescer como subadquirente. "Vamos agir como facilitadores que dão garantia ao cliente, e isso ajuda trazer os pequenos e médios varejistas para o comércio na internet", declara Vargas.

Outra companhia virtual, a Moip, também vê alternativas para diminuir os custos para os pequenos lojistas. "Nos Estados Unidos, 15% das compras pela internet são feitas através de moedeiros e não por cartão de crédito. A MasterCard e a Visa já veem a PayPal como uma ameaça", conta o executivo da Moip, Igor Senra, ao se referir ao principal subadquirente americano.

A líder em pagamentos pela internet na América Latina, a Braspag, que atua em países como México, Colômbia, Argentina e Chile, também vê a chegada de novos players. "Nos Estados Unidos são mais de 3 mil empresas, vamos ver muitos no complexo mercado brasileiro", diz Svante Westerberg, da Braspag.

Flávio Littério, da Roland Berger, calculou a projeção do e-commerce para 2011. "Crescimento médio de 60% para R$ 27 bilhões", afirmou Littério.

GetNet

A terceira maior empresa de captura e processamento de transações eletrônicas com cartões no Brasil, a GetNet quer atingir entre 15% e 17% de participação no mercado brasileiro de captura de operações nos próximos cinco anos. "Em 2015, a briga será muito maior do que é hoje. Vamos conquistar entre 15% e 17% desse mercado", diz o diretor executivo de Negócios da GetNet, José Walter de Marca Filho.

O executivo diferenciou a GetNet de seus competidores Cielo e RedeCard em captura e processamento de cartões. "Somos uma companhia full services. No nosso caso, quem é adquirente é o Santander", explicou Marca Filho.

O diretor relatou os efeitos positivos da abertura de mercado realizada em 1° de julho desse ano. "A Visa já representa 40% das operações da GetNet e estamos operando com 23 bandeiras, incluindo a MasterCard", contou. O diretor explicou que sua companhia se diferencia das grandes por oferecer suporte aos lojistas e serviços completos às bandeiras regionais. "São 175 mil estabelecimentos credenciados e 200 mil pontos eletrônicos de captura", enumera sua estrutura.

Para efeito de comparação, a Cielo informou que possui 1,8 milhão de lojistas credenciados e a Redecard informou em seu último balanço trimestral que possuía 1,06 milhão de unidades de captura instaladas.

O banco Santander explicou por meio de sua assessoria que sua parceria com a GetNet prevê que a instituição financeira possa explorar, desenvolver e comercializar serviços de captura e processamento de transações de cartões de crédito e débito.

31 de ago. de 2010

ABERTURA DO MERCADO DE CARTÕES É O NOVO DESAFIO PARA A CIELO

jornal Valor Econômico 31/08/2010 - Mauro Arbex

Em menos de dois anos, muita coisa mudou nas operações da Cielo, antiga Visanet, maior empresa do país no credenciamento de lojistas e captura de transações com cartões. A abertura do mercado a novos competidores, a partir de 1º de julho, lançou um novo desafio à Cielo, que até então dividia com a Redecard o domínio desse lucrativo negócio nos meios de pagamento eletrônico.

Mesmo antes do anúncio, pelo governo, do fim da exclusividade no mercado de cartões, a empresa teve pela frente o primeiro grande desafio, a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), realizada com sucesso apesar do momento difícil pelo qual passava a economia mundial, em meados do ano passado. A Cielo levantou na operação R$ 8,4 bilhões.

Agora, a tarefa da Cielo é ainda maior: disputar um mercado com novos e importantes concorrentes, além da tradicional Redecard - até a abertura do mercado, a máquina da Cielo só aceitava cartões Visa e da Redecard, MasterCard. A preparação para o fim da exclusividade não foi tarefa fácil. "O processo exigiu adaptações por parte companhia, tanto em relação ao nome quanto no que se refere às pessoas, aos funcionários, para que eles pudessem trabalhar num cenário de multibandeira", diz Rômulo de Mello Dias, diretor-presidente da Cielo, há pouco mais de um ano no cargo.

Dias deixou uma das diretorias do Bradesco, um dos sócios da Cielo, ao lado do Banco do Brasil, para assumir o comando da empresa. "Havia uma fidelidade muito grande entre a Cielo e a Visa." Segundo Dias, a empresa fez adaptações também na tecnologia, na parte comercial e desenvolveu novos produtos. No primeiro semestre deste ano, os investimentos visando ao mercado livre somaram R$ 70 milhões.

Uma das primeiras providências da Cielo foi contratar uma empresa de marcas, para avaliar e sugerir nomes para a antiga Visanet. Não havia mais sentido em manter a marca antiga, muito vinculada à Visa, já que várias novas bandeiras passariam agora pela rede da empresa. "Na recomendação dos consultores, os nomes que aparentemente fariam mais sentido, que contivessem expressões pay, card ou net, estavam desgastados", explica Dias. Era preciso, lembra o executivo, "criar uma identidade". Chegou-se a cogitar o nome "Twil", mas a decisão final foi Cielo. "Significa céu em italiano e espanhol e tem tudo a ver com os principais pilares da empresa, a abrangência nacional, o alto índice de disponibilidade da rede e a capilaridade."

A Cielo, de acordo com Dias, está presente hoje em 98% dos municípios brasileiros e tem 1,8 milhão de clientes. Os novos investimentos em tecnologia permitem à empresa processar 2,1 mil operações por segundo. "No Natal, atingimos o pico, de 700 operações a cada segundo." O valor total processado pela rede da Cielo, em 2009, chegou a R$ 214 bilhões, cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Apenas no segundo trimestre deste ano, foram R$ 59 bilhões.

O presidente da Cielo admite que o cenário que se abriu a partir de 1º de julho levará a empresa a perder parte do "market share", hoje na faixa dos 48%. "Devemos perder um pouco do espaço com os novos concorrentes." Ele não arrisca a prever qual a participação de mercado a empresa terá até o final do ano. "Não sabemos quantas novas empresas vão entrar, como ficará a divisão do mercado." Até a abertura, operavam na modalidade da Cielo - os chamados "adquirentes", no jargão do setor - a Redecard e a Hipercard, esta com mais força no Nordeste e pertencente ao Itaú Unibanco. O Santander, em parceira com a GetNet, é a principal novidade após o fim da exclusividade.

As novas parcerias, com bandeiras regionais ou mais tradicionais, são o caminho mais rápido para ganhar corpo no mercado aberto. "Estamos hoje com as principais bandeiras do mercado. Ter quantidade de bandeira, no nosso ponto de vista, não é o mais importante." O essencial, afirma Dias, é "ter bandeira que tenha clientes, que tenha vendas". Com essa estratégia, a Cielo, além da Visa, que continua como carro-chefe da empresa, captura e processa também as marcas Amex, Ticket e Visa Vale, além de outras menores.

"Anunciamos recentemente uma parceria estratégia com o HSBC ", conta Dias. O HSBC, segundo ele, examinou desde a capilaridade da Cielo, o índice de disponibilidade da rede e uma proposta comercial interessante para eles. "A nossa estratégia é ter uma distribuição forte. Temos o Banco do Brasil, o Bradesco e agora o HSBC, este último trabalhando de forma preferencial com a gente."

Ao mesmo tempo, a abertura à competição tem um aspecto bastante positivo para os lojistas e, por tabela, para o consumidor final. "Nas novas negociações de credenciamento, estamos sempre procurando trazer volume, de forma a dar mais benefícios para o comércio." O volume, conforme o presidente da Cielo, pode significar taxas menores cobradas dos clientes. Com um dos grandes clientes da empresa, por exemplo, o grupo Pão de Açúcar, conta Dias, "agora posso passar, além da bandeira Visa, a bandeira MasterCard". Esse benefício adicional ao estabelecimento comercial, que pode usar uma só máquina (POS) para processar várias bandeiras, significa economia de custos, que pode ser repassada ao consumidor final.

A velha briga entre comércio e credenciadoras, que na época da exclusividade provocou até mesmo boicote aos cartões Visa ou MasterCard, por parte de grandes redes varejistas, devido às elevadas taxas cobradas nas operações, deve ficar no passado. O varejo tem a opção, após a abertura, de negociar com uma número bem maior de credenciadores.

Dias reconhece, no entanto, que entrar como "adquirente" no mercado de cartões não é para qualquer um e exige um pesado investimento. "Além do investimento em ativos fixos, em pessoas, em montar uma empresa, você precisa ter capacidade de distribuição, outro pilar muito importante." A Cielo, por exemplo, trabalha com diversos canais de captura, de credenciamento. Tem a sua própria força de vendas, mas utiliza também os bancos (a empresa paga comissão para as instituições financeiras fazerem a filiação de clientes) e até organizações independentes. "Contratamos empresas fortes em determinada região."

Os resultados da Cielo mostram que a estratégia tem, por enquanto, se mostrado correta. A empresa encerrou o segundo trimestre com um lucro líquido recorde de R$ 457,7 milhões, incremento de 25,5% em relação a igual período do ano passado e com margem de 43,3%. A receita líquida no trimestre atingiu R$ 1,048 bilhão, enquanto o lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 26,1%, para R$ 735,5 milhões. Em 2009, a receita líquida foi de R$ 3,6 bilhões.

A Cielo tem crescido acima do mercado. A Abecs, entidade que representa as empresas de cartão, prevê expansão de 20% no processamento da indústria como um todo este ano, em relação a 2009. Embora a Cielo não tenha uma estimativa fechada para o ano, no segundo trimestre de 2010 o processamento foi 24% maior ante igual período do ano passado.

A Cielo perde, porém, para a Redecard em outra importante fonte de receitas para as empresas - a antecipação de recebíveis. No segundo trimestre, do total do cartão de crédito e do chamado parcelado do lojista, a Cielo antecipou 6,3%. Na Redecard, supera os 20%.