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31 de ago. de 2011

PETROBRAS DISTRIBUIDORA OPERARÁ REDE PRÓPRIA DE CARTÕES

Jornal de Floripa 25/08/2011

A Petrobras Distribuidora terá um sistema próprio de gestão de cartões de crédito em seus quase 7.000 postos de revenda de combustíveis.

A empresa fechou parceria com a Cielo, líder do segmento no país, mais a CTF e a First Data para oferecer o novo sistema de pagamentos a seus clientes. Primeiro serão 65 postos no Rio de Janeiro, mas até o fim do ano os revendedores da BR em todo o país deverão ter o sistema em operação.

Atualmente, a rede de postos da BR aluga o sistema de outras empresas como a própria Cielo e a Redecard, que cobram taxas entre 1,9% a 3% do valor das compras. Segundo o presidente da BR Distribuidora, José Lima Neto, na rede própria essas taxas serão menores, mas ele não quis dizer números. "Serão negociadas caso a caso", afirmou.

Mesmo com taxas menores, os consumidores não terão ganhos representativos, segundo Lima Neto. Para ele, o principal objetivo é fidelizar o cliente final e o revendedor com o novo sistema.

No caso dos revendedores, terão suas margens de lucro maiores com o serviço mais barato. Para o consumidor final, deverá ser criado um sistema de fidelização com premiações.

O serviço será estendido também para os clientes da subsidiária de GLP da Petrobras, a Liquigás, até o fim do ano, que poderão, pela primeira vez, comprar o botijão e pagar no cartão de crédito. Atualmente, o pagamento tem que ser feito à vista, em dinheiro.

"Hoje, a compra do botijão é um serviço exclusivamente pré-pago, mas com o cartão deixará de ser", disse o diretor financeiro da BR Distribuidora, Nestor Cerveró.

11 de ago. de 2011

CARTÃO DE CRÉDITO

revista Isto É Dinheiro 10/08/2011 – João Dória Jr.
1 - Concorrência

Cielo e Redecard ganham um novo adversário no Brasil. A Elavon inicia suas operações, em setembro, e será comandada pelo experiente executivo Antônio Castilho. Globalmente, a Elavon é uma joint venture entre Citibank e USBank, respectivamente, o segundo e o quarto maior banco americanos. Presente em 30 países, a Elavon é a segunda maior companhia adquirente dos Estados Unidos, tendo volume de transações maior do que Cielo e Redecard juntas. A concorrência vai aumentar. E os lojistas vão gostar.

2 - Competição acirrada

Outra empresa poderosa vai entrar nesse mesmo mercado de cartões. É a americana First Data, que se apresenta como a maior rede adquirente do mundo. A operação será comandada pela presidente da subsidiária brasileira, Maria Fernanda Teixeira, que até agora apenas fornecia tecnologia para o segmento. A novidade surge após a união da First Data, do fundo norte-americano KKR, com a CTF Technologies, companhia canadense-brasileira de gestão de frotas. A empresa começa a operar por aqui até novembro deste ano.

17 de jun. de 2011

CREDENCIADORAS DISPUTAM GRANDE VAREJO

jornal Valor Econômico 16/06/2011 - Adriana Cotias

Em 1º de novembro, o grupo Tellerina, que reúne as lojas da joalheria Vivara e a de móveis e artigos para o lar Etna, virou a chave dos seus caixas para usar apenas uma rede de captura de cartões de crédito e débito. Depois de meses de conversas com as duas principais credenciadoras de estabelecimentos comerciais, a eleita foi a Cielo, que passou a ser responsável por todo o movimento das mais de 100 lojas do grupo. Nas negociações, o grupo conseguiu uma redução média de 11% a 13% na taxa descontada por transação, economia significativa para quem tem nos meios eletrônicos de pagamento 85% do faturamento anual, que roda na casa do R$ 1 bilhão.

"Gastávamos com marketing um pouco mais do que o dobro do que pagávamos para as operadoras de cartões, havia uma discrepância grande de custos", diz o gerente financeiro do grupo Tellerina, Rodrigo Domingues.

A conexão com a Redecard ainda está nos terminais financeiros das lojas e o contrato assinado com a Cielo deixou uma porta de saída para qualquer uma das partes, sem um prazo. A intenção é rever as condições anualmente e, para tanto, Domingues diz que, após a as falhas na Redecard no Natal de 2009, monitora o nível de serviços prestados pela empresa em outras varejistas e que também topa conversar com novos participantes do setor.

Tal liberdade só se tornou possível graças à quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, que completa um ano em 1º de julho. Antes, qualquer lojista que quisesse receber o pagamento dos seus clientes com cartões Visa era obrigado a contratar os serviços da Cielo e o mesmo valia para as unidades MasterCard, que só passavam nas máquinas da Redecard. A abertura, provocada por pressão do governo, possibilitou a entrada de novos competidores num setor de margens ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que ainda esbarram nos 60% (da receita).

Além das redes de captura internacionais que já anunciaram a entrada no segmento, caso das americanas Elavon (com o Citi), Global Payments e First Data, Santander e Banrisul já estão atuando nessa área. O baixo uso dos cartões no consumo privado brasileiro (25%) e o crescimento a taxas anuais de 20% encorajam a incursão dos estreantes, num setor que deve movimentar este ano mais de R$ 600 bilhões.

Grupos como o grupo Tellerina, de maior porte, passam agora a entrar no radar do Santander, que inicialmente havia declarado interesse em abordar apenas pequenas e médias empresas. O banco passou a combinar serviços bancários com captura de cartões, sob o suporte tecnológico da processadora gaúcha GetNet, no ano passado. Agora o banco quer entrar na disputa pelas grandes redes de varejo. A tecnologia, que antes era limitada à captura via POS, já está pronta para os terminais financeiros usados pelos varejistas de maior porte.

"É um processo natural no nosso plano de negócios", diz o diretor da divisão de cartões do Santander, Cassius Schymura. "Para chegarmos à cota de mercado de 10% que almejamos até 2013, precisamos ter o volume das grandes cadeias." Alguns varejistas tradicionais já começaram a testar a tecnologia da GetNet no segundo trimestre e a, partir do segundo semestre, o banco espera fechar seus primeiros contratos.

Apesar de a disputa entre Cielo e Redecard para defender fatias do mercado ter derrubado preços de maneira expressiva, Schymura acredita ter cacife para lutar pelo seu quinhão. "A gente negocia numa relação de banco, com clientes com quem já temos a folha de pagamento, a gestão do caixa. O foco é ganhar rentabilidade por aumentar o relacionamento como um todo, não é só a perna da captura das transações."

O executivo argumenta que, diferentemente das duas maiores credenciadoras, em que as renegociações já mostraram peso significativo nos resultados, o Santander tem condições de agir com mais flexibilidade, pois mesmo baixando a taxa descontada do varejo, pode acrescentar volumes que hoje não detém, além de fazer a oferta cruzada de crédito e outros serviços financeiros.

No embate por conquistar volumes entre os grandes nomes do varejo, o que se comenta no mercado é que a Redecard teria levado a melhor não só por ter cedido mais em preço, mas também por se valer das parcerias do controlador Itaú Unibanco com redes tradicionais. A Cielo teria ganho a preferência das companhias aéreas, mas também levou um rol considerável de contratos de preferência.

Depois de uma onda intensa de renegociação de contratos com os lojistas, o setor passa por um ciclo de repactuação mais brando, mas o jogo não acabou, reconhece o diretor-executivo de varejo, marketing e produtos da Redecard, Carlos Zanvettor. "O mercado ainda está se abrindo. À medida que esse ciclo avance, novas rodadas de negociação vão surgir, é um problema para nós e qualquer outro agente." O executivo considera que a briga pelos grandes varejistas será um tema revisitado com alguma frequência. "A taxa de desconto está hoje num nível mais estável, mas não dá para dizer se é sustentável no longo prazo. Quanto maior for a intensidade da abertura, mais provocação será observada."

Rômulo Dias, presidente da Cielo, tem a percepção de que o mercado aberto atingiu certa maturidade, as renegociações agora estão num nível mais racional, mas a empresa vem fazendo ajustes para navegar nesse novo cenário que difere do conforto dos tempos de exclusividade com a Visa, bandeira de maior aceitação no país. A credenciadora refinou a segmentação por porte de lojista, reforçou o time comercial e vem investindo em programas de fidelidade e promoções que premiam o consumidor que exige a máquina da Cielo na hora da compra. O programa de fidelidade já vem sendo usado por 135 mil estabelecimentos.

No Sul do país quem promete incomodar as grandes credenciadoras é o Banrisul, que, em parceria com a processadora CSU, está ampliando o número de estabelecimentos filiados - de 83 mil para 97 mil ativos desde julho - e cujas maquininhas já leem os cartões MasterCard.

O negócio de captura nasceu para acomodar a própria bandeira, a Banricompras, com uma base de 1 milhão de unidades emitidas. Segundo a superintendente comercial e de marketing, Maria Inês Bilhar, o banco agora trabalha no licenciamento da Visa. Com as marcas internacionais passando pelas maquininhas do Banricompras, vai bater nas grandes redes de varejo, que já são clientes no cartão regional. É o caso dos supermercados Záffari e Walmart, Magazine Luiza e Renner. "Não haverá um posicionamento por exclusividade, mas estamos aptos a negociar para expandir a rede."

14 de jun. de 2011

A BRIGA NA VISÃO DA CIELO

jornal O Estado de S.Paulo 13/06/2011 - Cátia Luz

No fim de tarde de uma sexta-feira gelada, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, pediu à secretária que desse um recado a todos os funcionários que estivessem na sede da credenciadora de cartões naquele momento. Todos, não importava o nível, deveriam descer o para o pátio da empresa, no bairro de Alphaville, em São Paulo.
Era 23 de julho do ano passado e a Cielo vivia os primeiros dias do fim da exclusividade das maquininhas de cartão no País. Até então, os cartões da bandeira Visa só passavam nas máquinas da Cielo, antiga VisaNet, que teve de mudar de nome para se adequar às novas regras do setor. A bandeira MasterCard ficava a cargo da outra grande credenciadora do País, a Redecard.

Naquele início do cenário multibandeira, a Cielo tinha perdido e ganhado contas. Mas a percepção de perda, no entanto, era muito maior na equipe. Por isso, o presidente da empresa havia convocado os funcionários de supetão. "Subi em um banco e comecei: ‘Perdemos a empresa X. Por sinal, os modelitos que ela vende já estão fora de moda. Não comprem mais lá! Tal agência de viagens também. Nada de fechar pacotes com ela!’. E por aí foi", relembra Dias. Terminada a lista das más notícias, passou para as boas. "Comecei a listar os clientes que havíamos conquistado. A cada nome, os funcionários aplaudiam. Deixei por último as contas maiores. Aí a turma veio abaixo e se deu conta de que também havia ganhos."

A cena acima dá ideia do que representou o início da concorrência para um mercado até então habituado ao conforto da exclusividade. Com a possibilidade de o lojista escolher só uma máquina para todas as bandeiras, as credenciadoras se viram, pela primeira vez, obrigadas a disputar o cliente. As duas companhias, donas de quase 100% do segmento, entraram em confronto direto.

No setor de cartões, que movimentou no ano passado mais de R$ 500 bilhões no País, Cielo e Redecard fazem o credenciamento de estabelecimentos comerciais e são responsáveis pela comunicação da transação entre eles e a bandeira. Um negócio que tem a participação de pesos pesados: Bradesco e Banco do Brasil são sócios na Cielo, enquanto Itaú Unibanco está por trás da Redecard.



Naqueles primeiros meses do fim da exclusividade, as empresas navegavam às cegas porque não tinham ideia do seu desempenho em relação à concorrente em um mercado aberto. O cenário só começaria a desanuviar com os balanços do 3º trimestre, em outubro. "Era como se estivéssemos pilotando um avião com muita chuva, parte com informação precisa e parte na base do barômetro", explica Dias.

As pressões, segundo ele, vinham de todos os lados e de todos os níveis. Não eram poucos os funcionários que chegavam com frases do tipo: "Fui almoçar e o POS (maquininha) do restaurante não era mais Cielo". No conselho, as perdas de grandes contas geravam cobrança.

Mas o executivo recebeu apoio para seguir na orientação prevista: preservar as margens. "Não iríamos na base do share pelo share. Não adiantaria nada ter um cliente que me trouxesse prejuízo". Quem estava no dia-a-dia de vendas podia descer o preço dos serviços até um limite. Para ir além, só com a aprovação de outras instâncias.

O processo gerou reclamações na área comercial, já que a Cielo parecia mais lenta que a concorrência. "Eu respondia que era deliberado. Sou mais rápido para várias coisas, mas pra dar preço mais baixo não sou". E as investidas não vinham apenas do concorrente. O executivo conta que alguns clientes blefavam e era preciso "pagar para ver". "Houve pouca matemática e muita sensibilidade pra cuidar disso aí. O limite das negociações era a rentabilidade mínima que a gente definia." Mas diante da agressividade da concorrência e de perdas maiores do que o planejado, a Cielo teve de fazer diversos ajustes na estratégia.

Resultados

Em outubro, quando a Redecard divulgou o balanço do 3º trimestre, com uma queda no lucro líquido de 2,7% em relação ao mesmo período de 2009, a Cielo correu para antecipar o seu anúncio, que seria feito uma semana depois: havia registrado um aumento de 23%.

No 4º trimestre, o lucro líquido da Cielo ficou praticamente estável em relação ao mesmo trimestre de 2009, enquanto o da rival cedeu quase mais de 13%. Ficava claro que a estratégia da Redecard era manter preços agressivos para ganhar participação de mercado. A supercompetição fez as ações das duas empresas perderem o chão.

Em fevereiro, tanto Cielo quanto Redecard registraram os valores mínimos de seus papéis desde o fim da exclusividade. O preços refletiam as incertezas do mercado diante da guerra: ninguém sabia quando o ciclo de quedas de preços iria parar. A intensidade da disputa culminou com a substituição do presidente da Redecard, Roberto Medeiros, por Claudio Yamaguti, vindo do Itaú Unibanco. Procurada, a Redecard não deu entrevista.

"Na conference call do quarto trimestre, houve uma mudança de discurso da Redecard. A empresa assumiu um tom mais brando", afirma Luciana Leocadio, analista-chefe da corretora Ativa. "Depois disso, a competição ficou mais moderada."

Neste um ano de transformação da indústria de cartões, a Redecard ganhou fatia de mercado, mas a partir de uma estratégia de preços considerada agressiva demais por boa parte de investidores e analistas. De janeiro a março, o lucro líquido da Redercard despencou 20%, contra um recuo de 3,5% da rival. A impressão geral, até agora, é que a estratégia da Cielo se saiu melhor.

Novos rivais

Mas essa foi apenas a primeira parte da disputa nos cartões. Uma nova fase já começou com a chegada de novos competidores. Com foco no pequeno comércio, o Santander (em parceria com a GetNet) abocanhou 1,4% de participação. "Agora estamos aumentando a oferta de produtos para atender as grandes empresas", diz Cassius Schymura, diretor da área de cartões do Santander.

Companhias estrangeiras também anunciaram a entrada no País. Mas o processo não é simples. "Adequar plataformas à legislação e ao padrão brasileiros leva tempo", diz Marcos Leite, presidente da processadora CSU, que passou a atuar no setor com o Banrisul. Construir uma ampla rede de distribuição também não será fácil, já que os maiores bancos brasileiros estão por trás dos dois grandes players.

Mas o potencial de crescimento do mercado nacional tem falado mais alto que as restrições para as estrangeiras. "Em 2010, o Brasil registrou cerca de 7 bilhões de transações de cartões. Nos EUA, esse número é cinco vezes maior", afirma Paulo Caffarelli, vice-presidente da ABECS.

A americana First Data, maior empresa de meios de pagamentos eletrônicos no mundo, promete em dois meses anunciar os primeiros serviços de captura e processamento de transações no Brasil. "Estamos em negociação com vários parceiros", afirma Maria Fernanda Teixeira, presidente da First Data no País. A Elavon (associada ao Citi) e a Global Payments também anunciaram o ingresso no País.

A briga no setor está só começando. "O sarrafo (aquele travessão que os atletas de salto em altura têm de ultrapassar) está subindo", disse Dias, o presidente da Cielo, ao se referir à concorrência no setor. A Cielo vai ter de saltar mais alto.

26 de abr. de 2011

COM ELO, FIDELITY DÁ NOVO SALTO EM PROCESSAMENTO

jornal Valor Econômico 26/04/2011 - Adriana Cotias

Com o início da emissão da bandeira Elo por Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a processadora Fidelity Brasil (FIS) se prepara para dar novo salto no mercado de processamento de cartões. Nos bastidores do setor, a companhia protagoniza uma batalha menos ruidosa do que a que se vê na linha de frente por Visa, MasterCard e os diversos bancos emissores do dinheiro de plástico. Mas com a nova marca agregada ao seu portfólio, a FIS ensaia aumentar a distância das concorrentes diretas, CSU CardSystem, Orbitall e Conductor.

Até o mês passado, a FIS era negócio dividido entre Bradesco (49%) e a americana Fidelity. No processo que antecedeu a criação formal da Elo, o banco vendeu a sua participação para a Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS, que administra os cartões Visa Vale). O resultado dessa transação é que a empresa vai processar toda a base Elo emitida pelo Bradesco, a família de pré-pagos que fica sob o guarda-chuva da CBSS, além dos cartões que serão emitidos pelo futuro Banco Elo - com toda a produção do batizado Elocard nas 147 lojas da Ibi Promotora de Vendas, também transferida do Bradesco para a CBSS.

Para se ter uma ideia, a projeção dos bancos emissores do Elo é conquistar uma fatia de 15% do mercado de cartões em cinco anos, o que deve representar uma base de 45 milhões de plásticos da marca. Se o Bradesco tiver um terço disso, serão mais 15 milhões de unidades processadas pela FIS, calcula o presidente da subsidiária local, Reginaldo Zero. "Isso representa 40% do tamanho que a empresa tem hoje", diz. "Para a Fidelity, o Elo é um grande acontecimento." Em outubro, a FIS já tinha incorporado ao seu processamento os 14 milhões de cartões de emissão do Bradesco, com o total chegando a 40 milhões. O início da emissão dos vouchers alimentação e refeição pela Caixa, linha de produtos que fica debaixo da CBSS, também vai engordar o portfólio da FIS.

No leque de serviços ao emissor, a FIS, no papel de processadora, é quem, na prática, autoriza a transação, armazena os dados no sistema e informa o valor que o banco tem que repassar para a Cielo - que faz a captura e liquida a operação com o lojista.

Mas se a FIS é o lado operacional do Bradesco no mundo dos cartões, na outra ponta está a Orbitall, que por ser negócio do Itaú Unibanco, emissor líder do mercado brasileiro, detém, por tabela, a maior base individual de cartões, de cerca de 30 milhões, além de prestar serviços para a Redecard, também do grupo.

Em uma terceira via aparecem First Data e CSU, com oferta de serviços no chamado segmento de "adquirência", que empacota captura, processamento e liquidação de transações com cartões, tentando se estabelecer num modelo similar ao da gaúcha GetNet, parceira do Santander.

A CSU tem na sua base cerca de 25 milhões de cartões, mas deixou de ser processadora "pura" ao selar acordo com o Banrisul, instituição para a qual já fazia a retaguarda no lado emissor. Segundo o diretor executivo Wanderval Alencar, a intenção é agregar ao portfólio outros clientes regionais e até mesmo oferecer um atalho a "players" internacionais que queiram estrear no mercado brasileiro. Ele conta que no "pipeline" há 4 ou 5 negociações bem adiantandas.

"A CSU começou a preparar os sistemas em 2008 e só ficou pronta recentemente. Quem tomou a decisão de entrar agora muito provavelmente só vai ter condição de operar em 2012. E daí já perdeu esse momento do mercado." O executivo refere-se à abertura do mercado de cartões, em julho, quando a Cielo deixou de ter exclusividade na captura da bandeira Visa, e, por tabela, o mesmo ocorreu na relação Redecard/MasterCard. Desde então, as duas redes vêm travando uma árdua disputa pela preferência do lojista e novas empresas surgiram. As americanas Global Payments e a Elavon, esta última casada com o Citi, anunciaram a sua estreia no mercado local.

A First Data, que já estava aqui desde o início da década passada, resolveu dar foco às atividades de adquirência, deixando o processamento a emissores em segundo plano, justamente para aproveitar esse momento do mercado, diz a presidente da empresa, Maria Fernanda Teixeira. Uma das apostas da companhia é o segmento de pré-pagos, que começa a despontar no país com os cartões de viagem. Segundo a executiva, em fase final de negociação há 3 ou 4 parcerias. "Como cheguei ao mercado primeiro, já tenho áreas de manutenção de rede, de call center e logística estabelecidas. Desde 2001, a First Data é provedora de tecnologia de captura e processamento para correspondentes bancários.

22 de mar. de 2011

EUA: FIRST DATA LANÇA ‘MOBILE VOUCHERS’

redação Serfinco 22/03/2011

A First Data lançou um sistema de voucher móvel que permite que aos comerciantes entregarem e processarem descontos, para fidelização de clientes, através de e-mail e telefones.

Os cupons, apelidados de mvouchers, podem ser entregues pelos varejistas através de anúncios em banners, mensagens de texto, em programas de fidelidade ou promoções especiais. Além disso, o sistema fornece aos comerciantes um processo de registro opt-in, em que o cliente autoriza o envio de futuras ofertas por e-mail ou SMS.

Para utilizar os vales, o consumidor visita a loja, onde o caixa digita o código de 16 caracteres ou digitaliza o código de barras no terminal. Os cupons também são projetados para possibilitar a leitura em terminais com tecnologia NFC, com o código transmitido diretamente do celular para o terminal do estabelecimento.

O sistema inclui ainda um recurso de registro opcional em rede móvel ou em portal de aplicativos de gift card, para o consumidor controlar as ofertas aceitas e aderir a mais incentivos do comerciante. O recurso inclui a possibilidade de recarga de fundos, controle de saldo e informações sobre transações, localização da loja física mais próxima e aquisição de mVouchers adicionais para enviar a outras pessoas.

A First Data declarou que tem havido grande interesse, com contratação por estabelecimentos importantes, que já estão usando o sistema.

4 de jan. de 2011

FIRST DATA FINALIZA ACORDOS PARA ATUAR EM CARTÕES

jornal Brasil Econômico 04/01/2011 – Thais Folego

Após as maiores instituições financeiras anunciarem parcerias para atuarem na atividade de credenciamento de estabelecimentos para aceitação de cartão de crédito, o que se espera, agora, são anúncios de empresas que pretendem atuar em nichos de negócios ou geográficos.

A First Data, maior processadora e credenciadora dos Estados Unidos, está próxima de fechar dois acordos no Brasil. Maria Fernanda Teixeira, presidente da companhia no país, não revela os nomes dos parceiros, mas diz que uma das operações já estará funcionando até o final do primeiro trimestre.

Circulam no mercado informações de que uma das parcerias seria com o banco Fator e a outra na área de postos de gasolina. No entanto, o Fator, que atualmente atua no mercado de cartões como emissor (por meio da UBR, uma joint venture com a Unimed), não confirma a informação.

A First Data tem operações em 36 países, sendo que em 20 atua em credenciamento. No Brasil, a processadora desembarcou em 2002, tendo como principal negócio soluções em correspondente bancário e o licenciamento de seu software de processamento, o Vision Plus. "No ano passado, crescemos mais de 20%", diz Maria Fernanda. Segundo ela, o principal fator de crescimento foi o forte investimento de instituições financeiras em correspondentes bancários.

Investimento

Para apoiar o novo serviço de credenciamento, a operação da First Data no Brasil terá de triplicar o número de pessoas envolvidas no back office. Entre elas a equipe de call center para atender aos lojistas, a equipe de prevenção a fraudes e charge-back (cancelamento de uma venda feita com cartão de débito ou crédito).
Hoje, a First Data conta com cerca de 100 funcionários no país. "Serão investidos alguns milhões de dólares", diz Maria Fernanda, sem revelar, porém, valores exatos.

A atividade de credenciamento de cartões no Brasil se tornou foco de investimentos de estrangeiros — assim como de bancos locais que não atuavam nessa atividade —após a abertura deste mercado, no dia primeiro de julho do ano passado, quando terminou a exclusividade entre a bandeira Visa e a credenciadora Cielo (VisaNet, na época). Desde então, qualquer instituição que tivesse as devidas licenças das bandeiras passaram a poder atuar com as duas bandeiras internacionais que possuem o maior volume de transações: Visa e Mastercard, que já não tinha exclusividade há anos.

O interesse não é para menos. Segundo levantamento da consultoria Lafferty, entre os países que compõem os Bric (Brasil, Rússia, índia e China), o Brasil é que o tem a maior rentabilidade na atividade de credenciamento. No país, cada cartão rende, para emissores e credenciadores, US$ 20. Na índia, o ganho é de US$ 12 e na China, apesar dos mais de dois bilhões de plásticos emitidos, há um prejuízo de US$ 1 por cartão.

O primeiro a estrear no segmento, que tem como líderes Cielo e Redecard, foi o Santander em parceria com a GetNet. Ainda neste primeiro semestre, está prevista a entrada da operação do Citibank com a americana Elavon. A também americana GlobalPayments deve começar a operar no país neste ano. "Na primeira etapa, os novos concorrentes vão entrar em mercados que hoje não são cobertos, como saúde e educação", avalia Maria Fernanda.

PLÁSTICOS VÃO MOVIMENTAR R$ 642 BILHÕES

jornal Brasil Econômico 04/01/2011 – Thais Folego

Os novos concorrentes do mercado de credenciamento de cartões devem roubar fatias de negócios de Cielo e Redecard, mas também vão crescer em cima do crescimento orgânico do mercado, que tem avançado a polpudas taxas de 20% nos últimos anos. Em 2011, o setor de cartões de crédito, débito e plásticos de lojas deve movimentar R$ 642 bilhões, com oito bilhões de transações, segundo estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Em 2010, a projeção é de que o faturamento do setor tenha atingido R$ 534 bilhões. Para 2015, as projeções são de que o setor movimente R$ 1,3 trilhão, em 15 bilhões de transações de 909 milhões de plásticos.

Hoje no Brasil, já são 628 milhões de cartões em circulação, uma razão de três plásticos para cada brasileiro, que já transacionam cerca de um quarto do consumo das famílias. Na última década, o número de cartões cresceu 430% e o valor das transações 718%, segundo a Abecs.

Neste ano, o setor deve continuar crescendo com o aumento da renda, o fortalecimento da classe média e a migração para meios eletrônicos de pagamentos. Projeções mostram que até 2014 mais 36 milhões de brasileiros entrarão para a classe média.

Novas áreas

Com a maior competição na atividade de credenciamento, a tendência é que os novos concorrentes explorem, também, segmentos e áreas geográficas que hoje não apresentam grandes volumes transações, mas que com o crescimento e a maior formalização da economia têm grande potencial de desenvolvimento.

"Antes, a decisão de investimento dos credenciadores era orientada para lugares que giravam grandes volumes, em que o retorno do investimento era mais alto. Agora, isso vai mudar”, diz Maria Fernanda Teixeira, presidente da processadora First Data no Brasil.

28 de out. de 2010

CARDINALCOMMERCE E FIRST DATA FAZEM PARCERIA EM SISTEMA DE PAGAMENTO ALTERNATIVO

redação Serfinco 28/10/2010

A CardinalCommerce e a First Data Corporation, líder global em comércio eletrônico e processamento de pagamentos, anunciaram um novo sistema de pagamentos para comerciantes que utilizam a solução Compass da First Data.

O novo sistema permitirá que os comerciantes on-line usem seus programas de crédito e débito existentes, para igualmente aceitar e processar transações de pagamentos alternativos, como o PayPal Express Checkout.

A novidade vai reduzir significativamente o trabalho exigido pelos lojistas para aceitar PayPal e outros tipos de pagamento alternativo em ambientes de comércio eletrônico. Anteriormente, os comerciantes eram obrigados a manter sistemas em separado, fora do processamento principal de crédito e débito. Através da integração da CardinalCommerce com a solução Compass First Data, os comerciantes que aceitam o PayPal agora têm a capacidade de processar os pagamentos através da infraestrutura existente de cartão de crédito. Além de simplificar o processamento, serão capazes de reunir facilmente a gestão de pedidos, o atendimento ao cliente e os relatórios de cada tipo de pagamento alternativo dentro do seu core business.

A solução Compass First Data oferece funcionalidades avançadas, destinadas a expandir o negócio a nível mundial, com proteção contra fraudes, redução de custos e simplificação de gerenciamento e controle.

25 de ago. de 2010

CSU INVESTE E NEGOCIA COM NOVOS PARCEIROS

jornal Valor Econômico 25/08/2010 - Adriana Mattos

A CSU CardSystem negocia, neste momento, parceria com dez companhias - entre bancos e redes de varejo - interessadas em se tornar empresas adquirentes no mercado de cartões de crédito, aquelas que fazem o credenciamento dos lojistas e capturam as transações.

"Dentro de dois meses deveremos anunciar novas parcerias. A ideia é acelerar esse processo porque acreditamos que, num prazo máximo de cinco anos, esse segmento com os novos entrantes já estará consolidado", afirma Marcos Leite, presidente da CSU, a maior processadora independente do setor de cartões no Brasil.

Com a abertura de mercado ocorrida na área a partir de 1º de julho, instituições financeiras nacionais e estrangeiras e cadeias varejistas passaram a avaliar a possibilidade de se tornar adquirentes, como fazem hoje a Cielo e a Redecard. Elas são responsáveis pelo credenciamento das lojas, fazem o gerenciamento de autorizações, capturas e pagamentos.

A questão é que essas novas adquirentes precisam de suporte tecnológico para colocar essa operação de pé. "Passamos dois anos estudando melhorias em nosso software, o Super Vision Plus, antes mesmo da abertura do mercado. Investimentos R$ 30 milhões em aperfeiçoamentos para estarmos prontos para atender essa nova demanda", afirma Marcos Leite.

O primeiro contrato da companhia foi fechado neste mês, com o acordo de prestação de serviços para o "acquirer" do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). A CSU será responsável pelo processamento das transações do cartão Banricompras e pelo início da captura de operações da bandeira Mastercard. A Banricompras tem uma rede de credenciados de 100 mil pontos na Região Sul e dois milhões de cartões emitidos.

Com as novas negociações na mesa, a CSU acredita que é possível liderar o processo de fechamento de parcerias com os novos adquirentes, apesar do aumento na concorrência de prestação de serviços aos novos entrantes.

"Conversamos com dez companhias hoje e acreditamos que esse mercado no Brasil pode chegar a ter entre 15 e 20 'acquirer'. Pelas nossas contas, temos condições de nos tormarmos líderes entre os parceiros dos novos adquirentes", diz o executivo do grupo, com mais de 20 clientes entre grandes, médios e pequenos bancos e cadeias de varejo, emissores de cartões.

Com 54,3% do mercado de processamento no país, a CSU registrou no segundo trimestre um lucro líquido de R$ 6,2 milhões, uma alta de 29,6% em comparação ao mesmo período no ano anterior. No semestre, a expansão atingiu 30%. O grupo fechou o período com 25,1 milhões de cartões em sua base, volume que representa um crescimento de 16,4% em 12 meses e de 2% frente ao trimestre anterior.

Especialistas do setor acreditam que haverá no curto prazo um considerável aumento da concorrência no negócio de processamento de adquirentes de cartões de crédito - que movimenta R$ 6 bilhões em faturamento e acaba de ser aberto com o fim da exclusividade da Cielo e Redecard.

Na mira das processadoras estão bancos de médio porte e setores que nunca trabalharam com cartão no passado - como redes de atacado e de serviços de saúde (como laboratórios e clínicas). Além da CSU, atuam na área grupos já ligados aos bancos como a Orbitall, controlada pelo Itaú; a Fidelity, parceiro do Bradesco; a americana EDS e a First Data.

Com base em dados de 2009, o mercado americano alcançou 58,1 bilhões de transações em cartões de crédito distribuídas entre 103 acquires. No Reino Unido, foram 7,7 bilhões, entre dez acquires, e no Brasil, 5,6 bilhões de transações centralizadas nas mãos da Cielo e Redecard no ano passado.