jornal Brasil Econômico 07/07/2011 – Bloomberg
A processadora de cartões Cielo acredita que as comissões no setor vão cair a um ritmo mais moderado daqui em diante, após um ano de maior concorrência devido ao fim da exclusividade de contratos entre bandeiras e operadoras.“As taxas já têm uma acomodação maior em função do novo cenário e de todas as opções que já foram dadas”, disse Rômulo de Mello Dias, diretor-presidente da Cielo. “As taxas podem cair mais, mas não na mesma velocidade.”
A comissão cobrada dos comerciantes pela Cielo para processar compras com cartão de crédito, ou taxa líquida de desconto, caiu de 1,45% do valor da transação antes do fim da exclusividade emjulho de 2010 para 1,22% no primeiro trimestre.
A Cielo vem compensando a queda nas comissões com aumento do volume de transações e de outras fontes de receita, como a antecipação de recebíveis junto aos lojistas. O consumidor brasileiro usa o cartão como forma de pagamento em 25% das compras, metade dos Estados Unidos, segundo Mello Dias. Para o executivo, o brasileiro vai continuar substituindo dinheiro e cheques pelo uso de cartões.
As comissões representaram 62% da receita total da Cielo no primeiro trimestre. O aluguel dos dispositivos eletrônicos usados pelo comércio respondeu por 23% enquanto a antecipação de recebíveis garantiu 9,8%, segundo relatório da companhia.
Novas empresas
Devido ao fim da exclusividade da Cielo com a Visa, e da Redecard com a Mastercard, em julho de 2010, novas empresas estão entrando no setor, como a GetNet Tecnologia do Banco Santander, a Evalon, controlada pelo U.S. Bancorp e lançada no Brasil pelo Citigroup, a Globalpayments e a First Data.
Mello Dias diz que os novos concorrentes poderão ter no máximo 15% do mercado de adquirência (empresa responsável pela comunicação da transação entre o estabelecimento e a bandeira) nos próximos anos. “Eles têm que criar a base, contratar lojistas, montar equipes, processos. Isso tudo leva tempo”, afirma o executivo.
A Cielo tem hoje 57,2% de participação de mercado, considerando apenas a própria empresa e a Redecard. Essa fatia era de 59,5% no lançamento das ações, há três anos. A Cielo perdeu participação para não sacrificar a rentabilidade, diz o executivo.
Ontem, os papéis da Cielo encerraram a sessão em bolsa em leve queda de 0,08% negociados a R$ 38,97.
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8 de jul. de 2011
17 de jun. de 2011
CREDENCIADORAS DISPUTAM GRANDE VAREJO
jornal Valor Econômico 16/06/2011 - Adriana Cotias
Em 1º de novembro, o grupo Tellerina, que reúne as lojas da joalheria Vivara e a de móveis e artigos para o lar Etna, virou a chave dos seus caixas para usar apenas uma rede de captura de cartões de crédito e débito. Depois de meses de conversas com as duas principais credenciadoras de estabelecimentos comerciais, a eleita foi a Cielo, que passou a ser responsável por todo o movimento das mais de 100 lojas do grupo. Nas negociações, o grupo conseguiu uma redução média de 11% a 13% na taxa descontada por transação, economia significativa para quem tem nos meios eletrônicos de pagamento 85% do faturamento anual, que roda na casa do R$ 1 bilhão.
"Gastávamos com marketing um pouco mais do que o dobro do que pagávamos para as operadoras de cartões, havia uma discrepância grande de custos", diz o gerente financeiro do grupo Tellerina, Rodrigo Domingues.
A conexão com a Redecard ainda está nos terminais financeiros das lojas e o contrato assinado com a Cielo deixou uma porta de saída para qualquer uma das partes, sem um prazo. A intenção é rever as condições anualmente e, para tanto, Domingues diz que, após a as falhas na Redecard no Natal de 2009, monitora o nível de serviços prestados pela empresa em outras varejistas e que também topa conversar com novos participantes do setor.
Tal liberdade só se tornou possível graças à quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, que completa um ano em 1º de julho. Antes, qualquer lojista que quisesse receber o pagamento dos seus clientes com cartões Visa era obrigado a contratar os serviços da Cielo e o mesmo valia para as unidades MasterCard, que só passavam nas máquinas da Redecard. A abertura, provocada por pressão do governo, possibilitou a entrada de novos competidores num setor de margens ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que ainda esbarram nos 60% (da receita).
Além das redes de captura internacionais que já anunciaram a entrada no segmento, caso das americanas Elavon (com o Citi), Global Payments e First Data, Santander e Banrisul já estão atuando nessa área. O baixo uso dos cartões no consumo privado brasileiro (25%) e o crescimento a taxas anuais de 20% encorajam a incursão dos estreantes, num setor que deve movimentar este ano mais de R$ 600 bilhões.
Grupos como o grupo Tellerina, de maior porte, passam agora a entrar no radar do Santander, que inicialmente havia declarado interesse em abordar apenas pequenas e médias empresas. O banco passou a combinar serviços bancários com captura de cartões, sob o suporte tecnológico da processadora gaúcha GetNet, no ano passado. Agora o banco quer entrar na disputa pelas grandes redes de varejo. A tecnologia, que antes era limitada à captura via POS, já está pronta para os terminais financeiros usados pelos varejistas de maior porte.
"É um processo natural no nosso plano de negócios", diz o diretor da divisão de cartões do Santander, Cassius Schymura. "Para chegarmos à cota de mercado de 10% que almejamos até 2013, precisamos ter o volume das grandes cadeias." Alguns varejistas tradicionais já começaram a testar a tecnologia da GetNet no segundo trimestre e a, partir do segundo semestre, o banco espera fechar seus primeiros contratos.
Apesar de a disputa entre Cielo e Redecard para defender fatias do mercado ter derrubado preços de maneira expressiva, Schymura acredita ter cacife para lutar pelo seu quinhão. "A gente negocia numa relação de banco, com clientes com quem já temos a folha de pagamento, a gestão do caixa. O foco é ganhar rentabilidade por aumentar o relacionamento como um todo, não é só a perna da captura das transações."
O executivo argumenta que, diferentemente das duas maiores credenciadoras, em que as renegociações já mostraram peso significativo nos resultados, o Santander tem condições de agir com mais flexibilidade, pois mesmo baixando a taxa descontada do varejo, pode acrescentar volumes que hoje não detém, além de fazer a oferta cruzada de crédito e outros serviços financeiros.
No embate por conquistar volumes entre os grandes nomes do varejo, o que se comenta no mercado é que a Redecard teria levado a melhor não só por ter cedido mais em preço, mas também por se valer das parcerias do controlador Itaú Unibanco com redes tradicionais. A Cielo teria ganho a preferência das companhias aéreas, mas também levou um rol considerável de contratos de preferência.
Depois de uma onda intensa de renegociação de contratos com os lojistas, o setor passa por um ciclo de repactuação mais brando, mas o jogo não acabou, reconhece o diretor-executivo de varejo, marketing e produtos da Redecard, Carlos Zanvettor. "O mercado ainda está se abrindo. À medida que esse ciclo avance, novas rodadas de negociação vão surgir, é um problema para nós e qualquer outro agente." O executivo considera que a briga pelos grandes varejistas será um tema revisitado com alguma frequência. "A taxa de desconto está hoje num nível mais estável, mas não dá para dizer se é sustentável no longo prazo. Quanto maior for a intensidade da abertura, mais provocação será observada."
Rômulo Dias, presidente da Cielo, tem a percepção de que o mercado aberto atingiu certa maturidade, as renegociações agora estão num nível mais racional, mas a empresa vem fazendo ajustes para navegar nesse novo cenário que difere do conforto dos tempos de exclusividade com a Visa, bandeira de maior aceitação no país. A credenciadora refinou a segmentação por porte de lojista, reforçou o time comercial e vem investindo em programas de fidelidade e promoções que premiam o consumidor que exige a máquina da Cielo na hora da compra. O programa de fidelidade já vem sendo usado por 135 mil estabelecimentos.
No Sul do país quem promete incomodar as grandes credenciadoras é o Banrisul, que, em parceria com a processadora CSU, está ampliando o número de estabelecimentos filiados - de 83 mil para 97 mil ativos desde julho - e cujas maquininhas já leem os cartões MasterCard.
O negócio de captura nasceu para acomodar a própria bandeira, a Banricompras, com uma base de 1 milhão de unidades emitidas. Segundo a superintendente comercial e de marketing, Maria Inês Bilhar, o banco agora trabalha no licenciamento da Visa. Com as marcas internacionais passando pelas maquininhas do Banricompras, vai bater nas grandes redes de varejo, que já são clientes no cartão regional. É o caso dos supermercados Záffari e Walmart, Magazine Luiza e Renner. "Não haverá um posicionamento por exclusividade, mas estamos aptos a negociar para expandir a rede."
Em 1º de novembro, o grupo Tellerina, que reúne as lojas da joalheria Vivara e a de móveis e artigos para o lar Etna, virou a chave dos seus caixas para usar apenas uma rede de captura de cartões de crédito e débito. Depois de meses de conversas com as duas principais credenciadoras de estabelecimentos comerciais, a eleita foi a Cielo, que passou a ser responsável por todo o movimento das mais de 100 lojas do grupo. Nas negociações, o grupo conseguiu uma redução média de 11% a 13% na taxa descontada por transação, economia significativa para quem tem nos meios eletrônicos de pagamento 85% do faturamento anual, que roda na casa do R$ 1 bilhão.
"Gastávamos com marketing um pouco mais do que o dobro do que pagávamos para as operadoras de cartões, havia uma discrepância grande de custos", diz o gerente financeiro do grupo Tellerina, Rodrigo Domingues.
A conexão com a Redecard ainda está nos terminais financeiros das lojas e o contrato assinado com a Cielo deixou uma porta de saída para qualquer uma das partes, sem um prazo. A intenção é rever as condições anualmente e, para tanto, Domingues diz que, após a as falhas na Redecard no Natal de 2009, monitora o nível de serviços prestados pela empresa em outras varejistas e que também topa conversar com novos participantes do setor.
Tal liberdade só se tornou possível graças à quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, que completa um ano em 1º de julho. Antes, qualquer lojista que quisesse receber o pagamento dos seus clientes com cartões Visa era obrigado a contratar os serviços da Cielo e o mesmo valia para as unidades MasterCard, que só passavam nas máquinas da Redecard. A abertura, provocada por pressão do governo, possibilitou a entrada de novos competidores num setor de margens ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que ainda esbarram nos 60% (da receita).
Além das redes de captura internacionais que já anunciaram a entrada no segmento, caso das americanas Elavon (com o Citi), Global Payments e First Data, Santander e Banrisul já estão atuando nessa área. O baixo uso dos cartões no consumo privado brasileiro (25%) e o crescimento a taxas anuais de 20% encorajam a incursão dos estreantes, num setor que deve movimentar este ano mais de R$ 600 bilhões.
Grupos como o grupo Tellerina, de maior porte, passam agora a entrar no radar do Santander, que inicialmente havia declarado interesse em abordar apenas pequenas e médias empresas. O banco passou a combinar serviços bancários com captura de cartões, sob o suporte tecnológico da processadora gaúcha GetNet, no ano passado. Agora o banco quer entrar na disputa pelas grandes redes de varejo. A tecnologia, que antes era limitada à captura via POS, já está pronta para os terminais financeiros usados pelos varejistas de maior porte.
"É um processo natural no nosso plano de negócios", diz o diretor da divisão de cartões do Santander, Cassius Schymura. "Para chegarmos à cota de mercado de 10% que almejamos até 2013, precisamos ter o volume das grandes cadeias." Alguns varejistas tradicionais já começaram a testar a tecnologia da GetNet no segundo trimestre e a, partir do segundo semestre, o banco espera fechar seus primeiros contratos.
Apesar de a disputa entre Cielo e Redecard para defender fatias do mercado ter derrubado preços de maneira expressiva, Schymura acredita ter cacife para lutar pelo seu quinhão. "A gente negocia numa relação de banco, com clientes com quem já temos a folha de pagamento, a gestão do caixa. O foco é ganhar rentabilidade por aumentar o relacionamento como um todo, não é só a perna da captura das transações."
O executivo argumenta que, diferentemente das duas maiores credenciadoras, em que as renegociações já mostraram peso significativo nos resultados, o Santander tem condições de agir com mais flexibilidade, pois mesmo baixando a taxa descontada do varejo, pode acrescentar volumes que hoje não detém, além de fazer a oferta cruzada de crédito e outros serviços financeiros.
No embate por conquistar volumes entre os grandes nomes do varejo, o que se comenta no mercado é que a Redecard teria levado a melhor não só por ter cedido mais em preço, mas também por se valer das parcerias do controlador Itaú Unibanco com redes tradicionais. A Cielo teria ganho a preferência das companhias aéreas, mas também levou um rol considerável de contratos de preferência.
Depois de uma onda intensa de renegociação de contratos com os lojistas, o setor passa por um ciclo de repactuação mais brando, mas o jogo não acabou, reconhece o diretor-executivo de varejo, marketing e produtos da Redecard, Carlos Zanvettor. "O mercado ainda está se abrindo. À medida que esse ciclo avance, novas rodadas de negociação vão surgir, é um problema para nós e qualquer outro agente." O executivo considera que a briga pelos grandes varejistas será um tema revisitado com alguma frequência. "A taxa de desconto está hoje num nível mais estável, mas não dá para dizer se é sustentável no longo prazo. Quanto maior for a intensidade da abertura, mais provocação será observada."
Rômulo Dias, presidente da Cielo, tem a percepção de que o mercado aberto atingiu certa maturidade, as renegociações agora estão num nível mais racional, mas a empresa vem fazendo ajustes para navegar nesse novo cenário que difere do conforto dos tempos de exclusividade com a Visa, bandeira de maior aceitação no país. A credenciadora refinou a segmentação por porte de lojista, reforçou o time comercial e vem investindo em programas de fidelidade e promoções que premiam o consumidor que exige a máquina da Cielo na hora da compra. O programa de fidelidade já vem sendo usado por 135 mil estabelecimentos.
No Sul do país quem promete incomodar as grandes credenciadoras é o Banrisul, que, em parceria com a processadora CSU, está ampliando o número de estabelecimentos filiados - de 83 mil para 97 mil ativos desde julho - e cujas maquininhas já leem os cartões MasterCard.
O negócio de captura nasceu para acomodar a própria bandeira, a Banricompras, com uma base de 1 milhão de unidades emitidas. Segundo a superintendente comercial e de marketing, Maria Inês Bilhar, o banco agora trabalha no licenciamento da Visa. Com as marcas internacionais passando pelas maquininhas do Banricompras, vai bater nas grandes redes de varejo, que já são clientes no cartão regional. É o caso dos supermercados Záffari e Walmart, Magazine Luiza e Renner. "Não haverá um posicionamento por exclusividade, mas estamos aptos a negociar para expandir a rede."
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14 de jun. de 2011
A BRIGA NA VISÃO DA CIELO
jornal O Estado de S.Paulo 13/06/2011 - Cátia Luz
No fim de tarde de uma sexta-feira gelada, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, pediu à secretária que desse um recado a todos os funcionários que estivessem na sede da credenciadora de cartões naquele momento. Todos, não importava o nível, deveriam descer o para o pátio da empresa, no bairro de Alphaville, em São Paulo.
Era 23 de julho do ano passado e a Cielo vivia os primeiros dias do fim da exclusividade das maquininhas de cartão no País. Até então, os cartões da bandeira Visa só passavam nas máquinas da Cielo, antiga VisaNet, que teve de mudar de nome para se adequar às novas regras do setor. A bandeira MasterCard ficava a cargo da outra grande credenciadora do País, a Redecard.
Naquele início do cenário multibandeira, a Cielo tinha perdido e ganhado contas. Mas a percepção de perda, no entanto, era muito maior na equipe. Por isso, o presidente da empresa havia convocado os funcionários de supetão. "Subi em um banco e comecei: ‘Perdemos a empresa X. Por sinal, os modelitos que ela vende já estão fora de moda. Não comprem mais lá! Tal agência de viagens também. Nada de fechar pacotes com ela!’. E por aí foi", relembra Dias. Terminada a lista das más notícias, passou para as boas. "Comecei a listar os clientes que havíamos conquistado. A cada nome, os funcionários aplaudiam. Deixei por último as contas maiores. Aí a turma veio abaixo e se deu conta de que também havia ganhos."
A cena acima dá ideia do que representou o início da concorrência para um mercado até então habituado ao conforto da exclusividade. Com a possibilidade de o lojista escolher só uma máquina para todas as bandeiras, as credenciadoras se viram, pela primeira vez, obrigadas a disputar o cliente. As duas companhias, donas de quase 100% do segmento, entraram em confronto direto.
No setor de cartões, que movimentou no ano passado mais de R$ 500 bilhões no País, Cielo e Redecard fazem o credenciamento de estabelecimentos comerciais e são responsáveis pela comunicação da transação entre eles e a bandeira. Um negócio que tem a participação de pesos pesados: Bradesco e Banco do Brasil são sócios na Cielo, enquanto Itaú Unibanco está por trás da Redecard.
Naqueles primeiros meses do fim da exclusividade, as empresas navegavam às cegas porque não tinham ideia do seu desempenho em relação à concorrente em um mercado aberto. O cenário só começaria a desanuviar com os balanços do 3º trimestre, em outubro. "Era como se estivéssemos pilotando um avião com muita chuva, parte com informação precisa e parte na base do barômetro", explica Dias.
As pressões, segundo ele, vinham de todos os lados e de todos os níveis. Não eram poucos os funcionários que chegavam com frases do tipo: "Fui almoçar e o POS (maquininha) do restaurante não era mais Cielo". No conselho, as perdas de grandes contas geravam cobrança.
Mas o executivo recebeu apoio para seguir na orientação prevista: preservar as margens. "Não iríamos na base do share pelo share. Não adiantaria nada ter um cliente que me trouxesse prejuízo". Quem estava no dia-a-dia de vendas podia descer o preço dos serviços até um limite. Para ir além, só com a aprovação de outras instâncias.
O processo gerou reclamações na área comercial, já que a Cielo parecia mais lenta que a concorrência. "Eu respondia que era deliberado. Sou mais rápido para várias coisas, mas pra dar preço mais baixo não sou". E as investidas não vinham apenas do concorrente. O executivo conta que alguns clientes blefavam e era preciso "pagar para ver". "Houve pouca matemática e muita sensibilidade pra cuidar disso aí. O limite das negociações era a rentabilidade mínima que a gente definia." Mas diante da agressividade da concorrência e de perdas maiores do que o planejado, a Cielo teve de fazer diversos ajustes na estratégia.
Resultados
Em outubro, quando a Redecard divulgou o balanço do 3º trimestre, com uma queda no lucro líquido de 2,7% em relação ao mesmo período de 2009, a Cielo correu para antecipar o seu anúncio, que seria feito uma semana depois: havia registrado um aumento de 23%.
No 4º trimestre, o lucro líquido da Cielo ficou praticamente estável em relação ao mesmo trimestre de 2009, enquanto o da rival cedeu quase mais de 13%. Ficava claro que a estratégia da Redecard era manter preços agressivos para ganhar participação de mercado. A supercompetição fez as ações das duas empresas perderem o chão.
Em fevereiro, tanto Cielo quanto Redecard registraram os valores mínimos de seus papéis desde o fim da exclusividade. O preços refletiam as incertezas do mercado diante da guerra: ninguém sabia quando o ciclo de quedas de preços iria parar. A intensidade da disputa culminou com a substituição do presidente da Redecard, Roberto Medeiros, por Claudio Yamaguti, vindo do Itaú Unibanco. Procurada, a Redecard não deu entrevista.
"Na conference call do quarto trimestre, houve uma mudança de discurso da Redecard. A empresa assumiu um tom mais brando", afirma Luciana Leocadio, analista-chefe da corretora Ativa. "Depois disso, a competição ficou mais moderada."
Neste um ano de transformação da indústria de cartões, a Redecard ganhou fatia de mercado, mas a partir de uma estratégia de preços considerada agressiva demais por boa parte de investidores e analistas. De janeiro a março, o lucro líquido da Redercard despencou 20%, contra um recuo de 3,5% da rival. A impressão geral, até agora, é que a estratégia da Cielo se saiu melhor.
Novos rivais
Mas essa foi apenas a primeira parte da disputa nos cartões. Uma nova fase já começou com a chegada de novos competidores. Com foco no pequeno comércio, o Santander (em parceria com a GetNet) abocanhou 1,4% de participação. "Agora estamos aumentando a oferta de produtos para atender as grandes empresas", diz Cassius Schymura, diretor da área de cartões do Santander.
Companhias estrangeiras também anunciaram a entrada no País. Mas o processo não é simples. "Adequar plataformas à legislação e ao padrão brasileiros leva tempo", diz Marcos Leite, presidente da processadora CSU, que passou a atuar no setor com o Banrisul. Construir uma ampla rede de distribuição também não será fácil, já que os maiores bancos brasileiros estão por trás dos dois grandes players.
Mas o potencial de crescimento do mercado nacional tem falado mais alto que as restrições para as estrangeiras. "Em 2010, o Brasil registrou cerca de 7 bilhões de transações de cartões. Nos EUA, esse número é cinco vezes maior", afirma Paulo Caffarelli, vice-presidente da ABECS.
A americana First Data, maior empresa de meios de pagamentos eletrônicos no mundo, promete em dois meses anunciar os primeiros serviços de captura e processamento de transações no Brasil. "Estamos em negociação com vários parceiros", afirma Maria Fernanda Teixeira, presidente da First Data no País. A Elavon (associada ao Citi) e a Global Payments também anunciaram o ingresso no País.
A briga no setor está só começando. "O sarrafo (aquele travessão que os atletas de salto em altura têm de ultrapassar) está subindo", disse Dias, o presidente da Cielo, ao se referir à concorrência no setor. A Cielo vai ter de saltar mais alto.
No fim de tarde de uma sexta-feira gelada, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, pediu à secretária que desse um recado a todos os funcionários que estivessem na sede da credenciadora de cartões naquele momento. Todos, não importava o nível, deveriam descer o para o pátio da empresa, no bairro de Alphaville, em São Paulo.
Era 23 de julho do ano passado e a Cielo vivia os primeiros dias do fim da exclusividade das maquininhas de cartão no País. Até então, os cartões da bandeira Visa só passavam nas máquinas da Cielo, antiga VisaNet, que teve de mudar de nome para se adequar às novas regras do setor. A bandeira MasterCard ficava a cargo da outra grande credenciadora do País, a Redecard.
Naquele início do cenário multibandeira, a Cielo tinha perdido e ganhado contas. Mas a percepção de perda, no entanto, era muito maior na equipe. Por isso, o presidente da empresa havia convocado os funcionários de supetão. "Subi em um banco e comecei: ‘Perdemos a empresa X. Por sinal, os modelitos que ela vende já estão fora de moda. Não comprem mais lá! Tal agência de viagens também. Nada de fechar pacotes com ela!’. E por aí foi", relembra Dias. Terminada a lista das más notícias, passou para as boas. "Comecei a listar os clientes que havíamos conquistado. A cada nome, os funcionários aplaudiam. Deixei por último as contas maiores. Aí a turma veio abaixo e se deu conta de que também havia ganhos."
A cena acima dá ideia do que representou o início da concorrência para um mercado até então habituado ao conforto da exclusividade. Com a possibilidade de o lojista escolher só uma máquina para todas as bandeiras, as credenciadoras se viram, pela primeira vez, obrigadas a disputar o cliente. As duas companhias, donas de quase 100% do segmento, entraram em confronto direto.
No setor de cartões, que movimentou no ano passado mais de R$ 500 bilhões no País, Cielo e Redecard fazem o credenciamento de estabelecimentos comerciais e são responsáveis pela comunicação da transação entre eles e a bandeira. Um negócio que tem a participação de pesos pesados: Bradesco e Banco do Brasil são sócios na Cielo, enquanto Itaú Unibanco está por trás da Redecard.
Naqueles primeiros meses do fim da exclusividade, as empresas navegavam às cegas porque não tinham ideia do seu desempenho em relação à concorrente em um mercado aberto. O cenário só começaria a desanuviar com os balanços do 3º trimestre, em outubro. "Era como se estivéssemos pilotando um avião com muita chuva, parte com informação precisa e parte na base do barômetro", explica Dias.
As pressões, segundo ele, vinham de todos os lados e de todos os níveis. Não eram poucos os funcionários que chegavam com frases do tipo: "Fui almoçar e o POS (maquininha) do restaurante não era mais Cielo". No conselho, as perdas de grandes contas geravam cobrança.
Mas o executivo recebeu apoio para seguir na orientação prevista: preservar as margens. "Não iríamos na base do share pelo share. Não adiantaria nada ter um cliente que me trouxesse prejuízo". Quem estava no dia-a-dia de vendas podia descer o preço dos serviços até um limite. Para ir além, só com a aprovação de outras instâncias.
O processo gerou reclamações na área comercial, já que a Cielo parecia mais lenta que a concorrência. "Eu respondia que era deliberado. Sou mais rápido para várias coisas, mas pra dar preço mais baixo não sou". E as investidas não vinham apenas do concorrente. O executivo conta que alguns clientes blefavam e era preciso "pagar para ver". "Houve pouca matemática e muita sensibilidade pra cuidar disso aí. O limite das negociações era a rentabilidade mínima que a gente definia." Mas diante da agressividade da concorrência e de perdas maiores do que o planejado, a Cielo teve de fazer diversos ajustes na estratégia.
Resultados
Em outubro, quando a Redecard divulgou o balanço do 3º trimestre, com uma queda no lucro líquido de 2,7% em relação ao mesmo período de 2009, a Cielo correu para antecipar o seu anúncio, que seria feito uma semana depois: havia registrado um aumento de 23%.
No 4º trimestre, o lucro líquido da Cielo ficou praticamente estável em relação ao mesmo trimestre de 2009, enquanto o da rival cedeu quase mais de 13%. Ficava claro que a estratégia da Redecard era manter preços agressivos para ganhar participação de mercado. A supercompetição fez as ações das duas empresas perderem o chão.
Em fevereiro, tanto Cielo quanto Redecard registraram os valores mínimos de seus papéis desde o fim da exclusividade. O preços refletiam as incertezas do mercado diante da guerra: ninguém sabia quando o ciclo de quedas de preços iria parar. A intensidade da disputa culminou com a substituição do presidente da Redecard, Roberto Medeiros, por Claudio Yamaguti, vindo do Itaú Unibanco. Procurada, a Redecard não deu entrevista.
"Na conference call do quarto trimestre, houve uma mudança de discurso da Redecard. A empresa assumiu um tom mais brando", afirma Luciana Leocadio, analista-chefe da corretora Ativa. "Depois disso, a competição ficou mais moderada."
Neste um ano de transformação da indústria de cartões, a Redecard ganhou fatia de mercado, mas a partir de uma estratégia de preços considerada agressiva demais por boa parte de investidores e analistas. De janeiro a março, o lucro líquido da Redercard despencou 20%, contra um recuo de 3,5% da rival. A impressão geral, até agora, é que a estratégia da Cielo se saiu melhor.
Novos rivais
Mas essa foi apenas a primeira parte da disputa nos cartões. Uma nova fase já começou com a chegada de novos competidores. Com foco no pequeno comércio, o Santander (em parceria com a GetNet) abocanhou 1,4% de participação. "Agora estamos aumentando a oferta de produtos para atender as grandes empresas", diz Cassius Schymura, diretor da área de cartões do Santander.
Companhias estrangeiras também anunciaram a entrada no País. Mas o processo não é simples. "Adequar plataformas à legislação e ao padrão brasileiros leva tempo", diz Marcos Leite, presidente da processadora CSU, que passou a atuar no setor com o Banrisul. Construir uma ampla rede de distribuição também não será fácil, já que os maiores bancos brasileiros estão por trás dos dois grandes players.
Mas o potencial de crescimento do mercado nacional tem falado mais alto que as restrições para as estrangeiras. "Em 2010, o Brasil registrou cerca de 7 bilhões de transações de cartões. Nos EUA, esse número é cinco vezes maior", afirma Paulo Caffarelli, vice-presidente da ABECS.
A americana First Data, maior empresa de meios de pagamentos eletrônicos no mundo, promete em dois meses anunciar os primeiros serviços de captura e processamento de transações no Brasil. "Estamos em negociação com vários parceiros", afirma Maria Fernanda Teixeira, presidente da First Data no País. A Elavon (associada ao Citi) e a Global Payments também anunciaram o ingresso no País.
A briga no setor está só começando. "O sarrafo (aquele travessão que os atletas de salto em altura têm de ultrapassar) está subindo", disse Dias, o presidente da Cielo, ao se referir à concorrência no setor. A Cielo vai ter de saltar mais alto.
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CSU CardSystem,
First Data,
GetNet,
Global Payments,
Redecard
4 de jan. de 2011
MAIS UMA ESTRANGEIRA DISPUTA FILÃO DE CARTÕES
jornal Valor Econômico 04/01/2011 - Adriana Cotias
O mercado brasileiro de cartões vai ganhar em 2011 mais um concorrente estrangeiro no ramo de captura, processamento e liquidação de transações. Depois de a americana Elavon fechar parceria com o Citi , a conterrânea Global Payments é que chega para disputar o chamado filão de "adquirência" com as empresas locais, Cielo e Redecard. Vai adotar um modelo de negócios inédito na trajetória de expansão fora dos Estados Unidos: não fará aquisições ou comprará carteiras de lojistas credenciados por bancos e a ideia é erguer uma operação do chão. Para tanto, vai investir milhões de dólares e, segundo o presidente mundial, Paul Garcia, já está na conta que, no início, a companhia vai perder dinheiro no Brasil.
Para comandar a subsidiária local, foi contratado o ex-diretor financeiro da Redecard Edson Luiz dos Santos, enquanto a área de Tecnologia da Informação será tocada por Danilo Zimmmermann, que passou pela mesma Redecard, como diretor de infra-estrutura tecnológica, e também foi diretor de produtos da Orbitall. A empresa busca agora um executivo de vendas.
Ganhar a confiança do varejo e de empresas de serviços no Brasil não será uma tarefa trivial, reconhece Garcia, dada a dominância de Cielo e Redecard, redes ligadas a grandes bancos brasileiros - Bradesco e Banco do Brasil, no caso da primeira e Itaú na segunda. Mas a abertura do mercado de cartões no ano passado, com a quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, abriu uma oportunidade única para a Global Payments ingressar no país.
"O Brasil é um grande mercado. Gira um quarto de trilhão de dólares em transações, com expansão a taxas de dois dígitos, uma infraestrutura em desenvolvimento, crescimento de PIB e da população", diz Garcia. "Isso é único, uma vez na vida se tem uma oportunidade dessas. Para nós foi um dilema inusual porque seria muito difícil comprar um portfólio de tamanho considerável de um banco, porque simplesmente ele não existe."
Levantar uma operação do zero não será, porém, uma estratégia a ser seguida em outros mercados, assegura Garcia. Na Espanha, conforme exemplifica, no mês passado a Global Payments concluiu uma "joint venture" com a La Caixa, que com 520 agências já tinha a maior carteira de lojistas credenciados no país. "Nós saímos de uma pequena presença na Espanha para ser o maior adquirente." Em todos os mercados que atua fora dos EUA, a empresa conquistou, por meio de acordos similares, a primeira, segunda ou terceira posições. Foi assim também num recente acordo com o HSBC na China, que trouxe a liderança internacional para a Global Payments naquele mercado.
Parceiro de longa data do HSBC - no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, além de uma "joint venture" na Ásia, que abrange 11 países - Garcia diz ainda ser prematuro dizer com que instituição financeira "casará" no Brasil. O que se ouve nos bastidores é que o Citi chegou a ficar muito próximo da Global Payments antes de bater o martelo com a Elavon. O executivo não descarta, no futuro, fazer aquisições por aqui, um atalho para chegar ao tamanho que pretende no país. No início, porém, sabe que precisará ter fôlego para perder dinheiro. "Nós entendemos os custos e estamos preparados para fazer esses investimentos, estamos comprometidos com esse negócio. Por ora é um negócio em estágio de investimento. Com o passar do tempo, deve se tornar lucrativo."
Entre os pequenos e médios lojistas, a intenção é combinar captura e processamento com serviços bancários. Mas entre as grandes redes, a oferta tende a ser diferenciada, explica Garcia. "Eu acredito ser crucial ter um parceiro bancário para os pequenos negócios e para recomendação dos nossos serviços, mas não precisa ser necessariamente uma instituição financeira tradicional. Para os grandes lojistas, é mais sobre produto, preço e prestação de serviços e menos a relação bancária."
Da mesma forma que os bancos indicarão clientes para a Global Payments, a empresa vai capturar lojistas para os parceiros. Para tanto, contará com força de vendas próprias, a exemplo da própria Redecard, que já provou ser possível ampliar a carteira sem a dependência dos bancos - no terceiro trimestre, 50% dos novos estabelecimentos filiados foi com esforço próprio.
Para atrair os maiores faturamentos, a Global Payments está disposta a entrar na briga por preços travado por Redecard e Cielo, desde que faça sentido econômico. Até porque a rentabilidade que o Brasil oferece por transação ainda é superior a de outros países. Para os próximos anos, Garcia prevê um ambiente concorrencial ainda mais acirrado do que se viu nesses primeiros seis meses de mercado aberto e com a presença do novo competidor, a processadora GetNet em conjunto com o Santander, além da já anunciada chegada da Elavon com o Citi. "Eu acredito que vai ter aqueles que se consolidarão e crescerão e aqueles que, talvez, percam o entusiasmo."
Tecnologicamente, a Global Payments estará preparada para processar o parcelado sem juros, modalidade que não existe em nenhum outro mercado e que no Brasil surgiu em substituição ao cheque pré-datado. A infraestrutura também estará apta para que os bancos parceiros façam antecipação de recebíveis com base nos volumes capturados pela rede. Mas não é com aluguel de equipamentos que pretende ganhar dinheiro, diz o presidente da unidade brasileira, Edson Santos. "Estamos em processo de construir e ajustar todos esses produtos no Brasil e isso leva tempo. Agora se haverá um 'data center' dentro do Brasil ou fora do Brasil isso vai depender da escala, do custo e da acessibilidade."
Para o executivo, a maioria dos bancos que fechou acordo de preferência ou com Cielo ou com Redecard tomou essa iniciativa por razões táticas, para proteger a sua própria base de lojistas domiciliados. No futuro ele acredita, porém, que essas instituições podem se mover para outra direção.
O mercado brasileiro de cartões vai ganhar em 2011 mais um concorrente estrangeiro no ramo de captura, processamento e liquidação de transações. Depois de a americana Elavon fechar parceria com o Citi , a conterrânea Global Payments é que chega para disputar o chamado filão de "adquirência" com as empresas locais, Cielo e Redecard. Vai adotar um modelo de negócios inédito na trajetória de expansão fora dos Estados Unidos: não fará aquisições ou comprará carteiras de lojistas credenciados por bancos e a ideia é erguer uma operação do chão. Para tanto, vai investir milhões de dólares e, segundo o presidente mundial, Paul Garcia, já está na conta que, no início, a companhia vai perder dinheiro no Brasil.
Para comandar a subsidiária local, foi contratado o ex-diretor financeiro da Redecard Edson Luiz dos Santos, enquanto a área de Tecnologia da Informação será tocada por Danilo Zimmmermann, que passou pela mesma Redecard, como diretor de infra-estrutura tecnológica, e também foi diretor de produtos da Orbitall. A empresa busca agora um executivo de vendas.
Ganhar a confiança do varejo e de empresas de serviços no Brasil não será uma tarefa trivial, reconhece Garcia, dada a dominância de Cielo e Redecard, redes ligadas a grandes bancos brasileiros - Bradesco e Banco do Brasil, no caso da primeira e Itaú na segunda. Mas a abertura do mercado de cartões no ano passado, com a quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, abriu uma oportunidade única para a Global Payments ingressar no país.
"O Brasil é um grande mercado. Gira um quarto de trilhão de dólares em transações, com expansão a taxas de dois dígitos, uma infraestrutura em desenvolvimento, crescimento de PIB e da população", diz Garcia. "Isso é único, uma vez na vida se tem uma oportunidade dessas. Para nós foi um dilema inusual porque seria muito difícil comprar um portfólio de tamanho considerável de um banco, porque simplesmente ele não existe."
Levantar uma operação do zero não será, porém, uma estratégia a ser seguida em outros mercados, assegura Garcia. Na Espanha, conforme exemplifica, no mês passado a Global Payments concluiu uma "joint venture" com a La Caixa, que com 520 agências já tinha a maior carteira de lojistas credenciados no país. "Nós saímos de uma pequena presença na Espanha para ser o maior adquirente." Em todos os mercados que atua fora dos EUA, a empresa conquistou, por meio de acordos similares, a primeira, segunda ou terceira posições. Foi assim também num recente acordo com o HSBC na China, que trouxe a liderança internacional para a Global Payments naquele mercado.
Parceiro de longa data do HSBC - no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, além de uma "joint venture" na Ásia, que abrange 11 países - Garcia diz ainda ser prematuro dizer com que instituição financeira "casará" no Brasil. O que se ouve nos bastidores é que o Citi chegou a ficar muito próximo da Global Payments antes de bater o martelo com a Elavon. O executivo não descarta, no futuro, fazer aquisições por aqui, um atalho para chegar ao tamanho que pretende no país. No início, porém, sabe que precisará ter fôlego para perder dinheiro. "Nós entendemos os custos e estamos preparados para fazer esses investimentos, estamos comprometidos com esse negócio. Por ora é um negócio em estágio de investimento. Com o passar do tempo, deve se tornar lucrativo."
Entre os pequenos e médios lojistas, a intenção é combinar captura e processamento com serviços bancários. Mas entre as grandes redes, a oferta tende a ser diferenciada, explica Garcia. "Eu acredito ser crucial ter um parceiro bancário para os pequenos negócios e para recomendação dos nossos serviços, mas não precisa ser necessariamente uma instituição financeira tradicional. Para os grandes lojistas, é mais sobre produto, preço e prestação de serviços e menos a relação bancária."
Da mesma forma que os bancos indicarão clientes para a Global Payments, a empresa vai capturar lojistas para os parceiros. Para tanto, contará com força de vendas próprias, a exemplo da própria Redecard, que já provou ser possível ampliar a carteira sem a dependência dos bancos - no terceiro trimestre, 50% dos novos estabelecimentos filiados foi com esforço próprio.
Para atrair os maiores faturamentos, a Global Payments está disposta a entrar na briga por preços travado por Redecard e Cielo, desde que faça sentido econômico. Até porque a rentabilidade que o Brasil oferece por transação ainda é superior a de outros países. Para os próximos anos, Garcia prevê um ambiente concorrencial ainda mais acirrado do que se viu nesses primeiros seis meses de mercado aberto e com a presença do novo competidor, a processadora GetNet em conjunto com o Santander, além da já anunciada chegada da Elavon com o Citi. "Eu acredito que vai ter aqueles que se consolidarão e crescerão e aqueles que, talvez, percam o entusiasmo."
Tecnologicamente, a Global Payments estará preparada para processar o parcelado sem juros, modalidade que não existe em nenhum outro mercado e que no Brasil surgiu em substituição ao cheque pré-datado. A infraestrutura também estará apta para que os bancos parceiros façam antecipação de recebíveis com base nos volumes capturados pela rede. Mas não é com aluguel de equipamentos que pretende ganhar dinheiro, diz o presidente da unidade brasileira, Edson Santos. "Estamos em processo de construir e ajustar todos esses produtos no Brasil e isso leva tempo. Agora se haverá um 'data center' dentro do Brasil ou fora do Brasil isso vai depender da escala, do custo e da acessibilidade."
Para o executivo, a maioria dos bancos que fechou acordo de preferência ou com Cielo ou com Redecard tomou essa iniciativa por razões táticas, para proteger a sua própria base de lojistas domiciliados. No futuro ele acredita, porém, que essas instituições podem se mover para outra direção.
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FIRST DATA FINALIZA ACORDOS PARA ATUAR EM CARTÕES
jornal Brasil Econômico 04/01/2011 – Thais Folego
Após as maiores instituições financeiras anunciarem parcerias para atuarem na atividade de credenciamento de estabelecimentos para aceitação de cartão de crédito, o que se espera, agora, são anúncios de empresas que pretendem atuar em nichos de negócios ou geográficos.
A First Data, maior processadora e credenciadora dos Estados Unidos, está próxima de fechar dois acordos no Brasil. Maria Fernanda Teixeira, presidente da companhia no país, não revela os nomes dos parceiros, mas diz que uma das operações já estará funcionando até o final do primeiro trimestre.
Circulam no mercado informações de que uma das parcerias seria com o banco Fator e a outra na área de postos de gasolina. No entanto, o Fator, que atualmente atua no mercado de cartões como emissor (por meio da UBR, uma joint venture com a Unimed), não confirma a informação.
A First Data tem operações em 36 países, sendo que em 20 atua em credenciamento. No Brasil, a processadora desembarcou em 2002, tendo como principal negócio soluções em correspondente bancário e o licenciamento de seu software de processamento, o Vision Plus. "No ano passado, crescemos mais de 20%", diz Maria Fernanda. Segundo ela, o principal fator de crescimento foi o forte investimento de instituições financeiras em correspondentes bancários.
Investimento
Para apoiar o novo serviço de credenciamento, a operação da First Data no Brasil terá de triplicar o número de pessoas envolvidas no back office. Entre elas a equipe de call center para atender aos lojistas, a equipe de prevenção a fraudes e charge-back (cancelamento de uma venda feita com cartão de débito ou crédito).
Hoje, a First Data conta com cerca de 100 funcionários no país. "Serão investidos alguns milhões de dólares", diz Maria Fernanda, sem revelar, porém, valores exatos.
A atividade de credenciamento de cartões no Brasil se tornou foco de investimentos de estrangeiros — assim como de bancos locais que não atuavam nessa atividade —após a abertura deste mercado, no dia primeiro de julho do ano passado, quando terminou a exclusividade entre a bandeira Visa e a credenciadora Cielo (VisaNet, na época). Desde então, qualquer instituição que tivesse as devidas licenças das bandeiras passaram a poder atuar com as duas bandeiras internacionais que possuem o maior volume de transações: Visa e Mastercard, que já não tinha exclusividade há anos.
O interesse não é para menos. Segundo levantamento da consultoria Lafferty, entre os países que compõem os Bric (Brasil, Rússia, índia e China), o Brasil é que o tem a maior rentabilidade na atividade de credenciamento. No país, cada cartão rende, para emissores e credenciadores, US$ 20. Na índia, o ganho é de US$ 12 e na China, apesar dos mais de dois bilhões de plásticos emitidos, há um prejuízo de US$ 1 por cartão.
O primeiro a estrear no segmento, que tem como líderes Cielo e Redecard, foi o Santander em parceria com a GetNet. Ainda neste primeiro semestre, está prevista a entrada da operação do Citibank com a americana Elavon. A também americana GlobalPayments deve começar a operar no país neste ano. "Na primeira etapa, os novos concorrentes vão entrar em mercados que hoje não são cobertos, como saúde e educação", avalia Maria Fernanda.
Após as maiores instituições financeiras anunciarem parcerias para atuarem na atividade de credenciamento de estabelecimentos para aceitação de cartão de crédito, o que se espera, agora, são anúncios de empresas que pretendem atuar em nichos de negócios ou geográficos.
A First Data, maior processadora e credenciadora dos Estados Unidos, está próxima de fechar dois acordos no Brasil. Maria Fernanda Teixeira, presidente da companhia no país, não revela os nomes dos parceiros, mas diz que uma das operações já estará funcionando até o final do primeiro trimestre.
Circulam no mercado informações de que uma das parcerias seria com o banco Fator e a outra na área de postos de gasolina. No entanto, o Fator, que atualmente atua no mercado de cartões como emissor (por meio da UBR, uma joint venture com a Unimed), não confirma a informação.
A First Data tem operações em 36 países, sendo que em 20 atua em credenciamento. No Brasil, a processadora desembarcou em 2002, tendo como principal negócio soluções em correspondente bancário e o licenciamento de seu software de processamento, o Vision Plus. "No ano passado, crescemos mais de 20%", diz Maria Fernanda. Segundo ela, o principal fator de crescimento foi o forte investimento de instituições financeiras em correspondentes bancários.
Investimento
Para apoiar o novo serviço de credenciamento, a operação da First Data no Brasil terá de triplicar o número de pessoas envolvidas no back office. Entre elas a equipe de call center para atender aos lojistas, a equipe de prevenção a fraudes e charge-back (cancelamento de uma venda feita com cartão de débito ou crédito).
Hoje, a First Data conta com cerca de 100 funcionários no país. "Serão investidos alguns milhões de dólares", diz Maria Fernanda, sem revelar, porém, valores exatos.
A atividade de credenciamento de cartões no Brasil se tornou foco de investimentos de estrangeiros — assim como de bancos locais que não atuavam nessa atividade —após a abertura deste mercado, no dia primeiro de julho do ano passado, quando terminou a exclusividade entre a bandeira Visa e a credenciadora Cielo (VisaNet, na época). Desde então, qualquer instituição que tivesse as devidas licenças das bandeiras passaram a poder atuar com as duas bandeiras internacionais que possuem o maior volume de transações: Visa e Mastercard, que já não tinha exclusividade há anos.
O interesse não é para menos. Segundo levantamento da consultoria Lafferty, entre os países que compõem os Bric (Brasil, Rússia, índia e China), o Brasil é que o tem a maior rentabilidade na atividade de credenciamento. No país, cada cartão rende, para emissores e credenciadores, US$ 20. Na índia, o ganho é de US$ 12 e na China, apesar dos mais de dois bilhões de plásticos emitidos, há um prejuízo de US$ 1 por cartão.
O primeiro a estrear no segmento, que tem como líderes Cielo e Redecard, foi o Santander em parceria com a GetNet. Ainda neste primeiro semestre, está prevista a entrada da operação do Citibank com a americana Elavon. A também americana GlobalPayments deve começar a operar no país neste ano. "Na primeira etapa, os novos concorrentes vão entrar em mercados que hoje não são cobertos, como saúde e educação", avalia Maria Fernanda.
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8 de dez. de 2010
CITI FAZ "JOINT VENTURE" COM ELAVON EM CARTÕES
jornal Valor Econômico 08/12/2010 - Adriana Cotias
É pelas mão do Citigroup que mais uma empresa estrangeira do ramo processamento de transações com cartões de crédito e débito chega ao Brasil. O banco deve anunciar hoje a criação de uma "joint venture" da subsidiária Credicard com a americana Elavon, que a partir do mercado local pretende avançar por outros países da América do Sul. Pelo que apurou o Valor, a parceria tende a seguir os moldes do acordo selado pelo Santander com a GetNet. O Citi atuaria no credenciamento de lojistas, casando produtos bancários e serviços de cartões, enquanto a Elavon faria a retaguarda tecnológica.
Subsidiária do US Bancorp, a Elavon oferece serviços de processamento em mais de 30 países e dá suporte a mais de 1 milhão de lojistas. É a quarta maior do ramo nos Estados Unidos. Depois de ter fechado acordo com o Santander no México, o Brasil era um país considerado chave para os negócios da companhia, conforme apresentação feita, em meados de setembro, pela vice-presidente de Serviços de Pagamentos do banco, Pamela Joseph. Ao falar dos planos de expansão internacional, a executiva mencionou que negociava uma "joint venture" no Brasil, ao mesmo tempo em que fincava os pés no mercado indiano (em parceria com a Visa e o State Bank of India), porta para os países asiáticos.
Não é de hoje que a Elavon e o Citi são parceiros. Nos Estados Unidos, o banco renovou, em 2008, o contrato por cinco anos para direcionar clientes para os serviços da empresa, prolongando um relacionamento que já durava há mais de 15 anos. E, no ano passado adquiriu, do próprio Citi, o portfólio de "adquirência" do Diners Club em oito países da Europa, somando 75 mil estabelecimentos. Nos EUA, o banco ainda mantém acordo com a First Data.
Com os grandes bancos brasileiros amarrados com suas próprias empresas de captura de transações com cartões - Banco do Brasil e Bradesco, donos da Cielo, e o Itaú Unibanco, dono da Redecard -, enquanto outras instituições fecharam acordo de preferência, caso do HSBC (Cielo), da Caixa Econômica Federal e do Safra (Cielo e Redecard), o Citi foi uma noiva cobiçada pelas novatas que aspiram entrar no mercado local. "Não há mais bancos com distribuição de varejo disponíveis", diz Eric Grover, diretor da consultoria estratégica Intrepid Ventures.
Embora o Brasil seja de longe o mercado do bloco dos Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) mais atraente para qualquer grupo estrangeiro que queira explorar o negócio de cartões, a participação do Citi no varejo local (fatia de 1%) não o torna, de cara, o melhor parceiro, pontua Grover. "Mas é um começo razoável para se construir algo. Basta saber se é um acordo de exclusividade ou não." Se não for exclusivo e a Elavon tiver seu próprio data center no Brasil, ela poderia, por exemplo, se unir a bancos menores. Se os planos da Elavon no país evoluírem a contento, Grover estima que, em cinco anos, a empresa possa ter uma fatia de até 10% do mercado, roubando clientes da Cielo e da Redecard. "Apesar do aumento da competição, a taxa de desconto cobrada no país ainda é um bom preço."
Antes da Elavon, a Global Payments também teria conversado com o Citi, mas, aparentemente, foi a concorrente que pagou o melhor pedágio para entrar aqui. Procurado, o Citi não quis comentar o negócio.
Quem sai perdendo com essa união é a Redecard, parceira de longa data do Citi e da Credicard, mas que não tinha um acordo formal com o banco.
É pelas mão do Citigroup que mais uma empresa estrangeira do ramo processamento de transações com cartões de crédito e débito chega ao Brasil. O banco deve anunciar hoje a criação de uma "joint venture" da subsidiária Credicard com a americana Elavon, que a partir do mercado local pretende avançar por outros países da América do Sul. Pelo que apurou o Valor, a parceria tende a seguir os moldes do acordo selado pelo Santander com a GetNet. O Citi atuaria no credenciamento de lojistas, casando produtos bancários e serviços de cartões, enquanto a Elavon faria a retaguarda tecnológica.
Subsidiária do US Bancorp, a Elavon oferece serviços de processamento em mais de 30 países e dá suporte a mais de 1 milhão de lojistas. É a quarta maior do ramo nos Estados Unidos. Depois de ter fechado acordo com o Santander no México, o Brasil era um país considerado chave para os negócios da companhia, conforme apresentação feita, em meados de setembro, pela vice-presidente de Serviços de Pagamentos do banco, Pamela Joseph. Ao falar dos planos de expansão internacional, a executiva mencionou que negociava uma "joint venture" no Brasil, ao mesmo tempo em que fincava os pés no mercado indiano (em parceria com a Visa e o State Bank of India), porta para os países asiáticos.
Não é de hoje que a Elavon e o Citi são parceiros. Nos Estados Unidos, o banco renovou, em 2008, o contrato por cinco anos para direcionar clientes para os serviços da empresa, prolongando um relacionamento que já durava há mais de 15 anos. E, no ano passado adquiriu, do próprio Citi, o portfólio de "adquirência" do Diners Club em oito países da Europa, somando 75 mil estabelecimentos. Nos EUA, o banco ainda mantém acordo com a First Data.
Com os grandes bancos brasileiros amarrados com suas próprias empresas de captura de transações com cartões - Banco do Brasil e Bradesco, donos da Cielo, e o Itaú Unibanco, dono da Redecard -, enquanto outras instituições fecharam acordo de preferência, caso do HSBC (Cielo), da Caixa Econômica Federal e do Safra (Cielo e Redecard), o Citi foi uma noiva cobiçada pelas novatas que aspiram entrar no mercado local. "Não há mais bancos com distribuição de varejo disponíveis", diz Eric Grover, diretor da consultoria estratégica Intrepid Ventures.
Embora o Brasil seja de longe o mercado do bloco dos Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) mais atraente para qualquer grupo estrangeiro que queira explorar o negócio de cartões, a participação do Citi no varejo local (fatia de 1%) não o torna, de cara, o melhor parceiro, pontua Grover. "Mas é um começo razoável para se construir algo. Basta saber se é um acordo de exclusividade ou não." Se não for exclusivo e a Elavon tiver seu próprio data center no Brasil, ela poderia, por exemplo, se unir a bancos menores. Se os planos da Elavon no país evoluírem a contento, Grover estima que, em cinco anos, a empresa possa ter uma fatia de até 10% do mercado, roubando clientes da Cielo e da Redecard. "Apesar do aumento da competição, a taxa de desconto cobrada no país ainda é um bom preço."
Antes da Elavon, a Global Payments também teria conversado com o Citi, mas, aparentemente, foi a concorrente que pagou o melhor pedágio para entrar aqui. Procurado, o Citi não quis comentar o negócio.
Quem sai perdendo com essa união é a Redecard, parceira de longa data do Citi e da Credicard, mas que não tinha um acordo formal com o banco.
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24 de nov. de 2010
GLOBAL PAYMENTS ACERTA JV PARA ACQUIRING COM LA CAIXA
redação Serfinco 24/11/2010
A processadora norte-americana Global Payments vai pagar 120 milhões de euros em dinheiro para adquirir uma participação de 51% em uma joint venture com a instituição espanhola de poupança La Caixa, formada para operar em adquirência.
Para o ano calendário de 2010, o negócio de acquiring da La Caixa deve gerar receitas de mais de 60 milhões de euros, resultantes de cerca de 590 milhões de transações. A unidade é líder no mercado espanhol, com mais de 150 mil estabelecimentos comerciais e uma participação de 21% no mercado de credenciamento de estabelecimentos.
Pelo acordo, a La Caixa vai manter uma participação minoritária de 49% no negócio e o compromisso de uma aliança operacional por 20 anos. Para o banco, o acordo veio ao encontro de seus planos de expandir atividades para além do território espanhol, de olho em outros mercados de pagamento europeus.
Na declaração de Juan Maria Nin, CEO do La Caixa, a Global Payments tem o mesmo posicionamento que o banco em relação à importância das novas tecnologias e está empenhada em aproveitar as novas oportunidades de negócios que elas geram.
Para Paulo Garcia, da Global Payments, a joint venture se encaixa nos planos de expansão global e europeia da processadora no segmento de acquiring.
A processadora norte-americana Global Payments vai pagar 120 milhões de euros em dinheiro para adquirir uma participação de 51% em uma joint venture com a instituição espanhola de poupança La Caixa, formada para operar em adquirência.
Para o ano calendário de 2010, o negócio de acquiring da La Caixa deve gerar receitas de mais de 60 milhões de euros, resultantes de cerca de 590 milhões de transações. A unidade é líder no mercado espanhol, com mais de 150 mil estabelecimentos comerciais e uma participação de 21% no mercado de credenciamento de estabelecimentos.
Pelo acordo, a La Caixa vai manter uma participação minoritária de 49% no negócio e o compromisso de uma aliança operacional por 20 anos. Para o banco, o acordo veio ao encontro de seus planos de expandir atividades para além do território espanhol, de olho em outros mercados de pagamento europeus.
Na declaração de Juan Maria Nin, CEO do La Caixa, a Global Payments tem o mesmo posicionamento que o banco em relação à importância das novas tecnologias e está empenhada em aproveitar as novas oportunidades de negócios que elas geram.
Para Paulo Garcia, da Global Payments, a joint venture se encaixa nos planos de expansão global e europeia da processadora no segmento de acquiring.
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22 de out. de 2010
DEPOIS DA CHINA, GLOBAL PAYMENTS MIRA BRASIL
jornal Valor Econômico 22/10/2010 - Adriana Cotias
Depois de fincar os pés no cobiçado mercado chinês como a primeira empresa estrangeira a ter licença para fazer a captura de transações com cartões de crédito e débito naquele país, atividade conhecida como adquirência, o Brasil será o próximo porto da americana Global Payments, com faturamento anual de US$ 1,6 bilhão. Foi na recente quebra da exclusividade de captura da Cielo com a bandeira Visa que a companhia identificou o país como oportunidade única para adicionar a América do Sul à sua geografia. Em teleconferência de resultados, o presidente da empresa, Paul Garcia, revelou que a companhia se uniu a um banco no país, com significativa experiência em meios de pagamentos, e com um time de gestão pronto para tocar o negócio. Os acordos operacionais estão em vias de ser assinados.
Procurada, a Global Payments não atendeu o pedido de entrevista. A histórica parceria da empresa com o HSBC nessa área em diversos países suscita especulações de que a subsidiária do grupo inglês seria o tal parceiro. Numa apresentação da adquirente no início do ano, entre os mercados considerados como alvos aparecia a América do Sul, com o nome do HSBC estampado no quadro dedicado à região. Mas o HSBC fechou, em maio, acordo de preferência para credenciar lojistas em nome da Cielo. Por meio de sua assessoria de imprensa, a instituição informou que a Global Payments é parceira no exterior, mas não no Brasil.
Em junho do ano passado, o HSBC vendeu sua fatia de 49% na HSBC Merchant Service (HMS) para a Global Payments por US$ 307,7 milhões, mas selou, paralelamente, acordo de dez anos para continuar direcionando seus clientes no Reino Unido para a empresa. Eles ainda têm parcerias nos Estados Unidos e no Canadá, além de uma "joint venture" na Ásia, que abrange 11 países. Mesmo na recente incursão na China, o casamento foi com o grupo inglês.
A aquisição de portfólios de bancos na área de adquirência sempre foi uma estratégia adotada pela empresa nos seus planos de expansão fora dos EUA. Mas, no Brasil, Garcia disse não haver carteiras significativas disponíveis. Por isso, a empresa pretende construir a sua presença no país, um mercado que considera ainda inexplorado, já que os cartões como meio de pagamentos crescem a um ritmo de 20% ao ano e devem movimentar em 2010 US$ 250 bilhões entre crédito e débito.
"Até recentemente, havia dois únicos provedores de serviços, um para Visa e outro para MasterCard. Um estabelecimento comercial que quisesse aceitar um cartão bancário não tinha escolha senão chamar um desses provedores. O governo brasileiro, esperando estimular inovação de produtos e competitividade de preços, comandou o fim do duopólio", explicou aos analistas. "Com essa finalidade, nós conseguimos um líder com significativa experiência em meios de pagamentos e estamos encaminhando esforços para estabelecer nosso patrocínio, orientação e acordos operacionais."
A previsão é de que o negócio no Brasil, já constante nas previsões de investimentos, esteja operacional no próximo ano fiscal, mas vai levar tempo para que impacte os resultados globais, disse.
Depois de fincar os pés no cobiçado mercado chinês como a primeira empresa estrangeira a ter licença para fazer a captura de transações com cartões de crédito e débito naquele país, atividade conhecida como adquirência, o Brasil será o próximo porto da americana Global Payments, com faturamento anual de US$ 1,6 bilhão. Foi na recente quebra da exclusividade de captura da Cielo com a bandeira Visa que a companhia identificou o país como oportunidade única para adicionar a América do Sul à sua geografia. Em teleconferência de resultados, o presidente da empresa, Paul Garcia, revelou que a companhia se uniu a um banco no país, com significativa experiência em meios de pagamentos, e com um time de gestão pronto para tocar o negócio. Os acordos operacionais estão em vias de ser assinados.
Procurada, a Global Payments não atendeu o pedido de entrevista. A histórica parceria da empresa com o HSBC nessa área em diversos países suscita especulações de que a subsidiária do grupo inglês seria o tal parceiro. Numa apresentação da adquirente no início do ano, entre os mercados considerados como alvos aparecia a América do Sul, com o nome do HSBC estampado no quadro dedicado à região. Mas o HSBC fechou, em maio, acordo de preferência para credenciar lojistas em nome da Cielo. Por meio de sua assessoria de imprensa, a instituição informou que a Global Payments é parceira no exterior, mas não no Brasil.
Em junho do ano passado, o HSBC vendeu sua fatia de 49% na HSBC Merchant Service (HMS) para a Global Payments por US$ 307,7 milhões, mas selou, paralelamente, acordo de dez anos para continuar direcionando seus clientes no Reino Unido para a empresa. Eles ainda têm parcerias nos Estados Unidos e no Canadá, além de uma "joint venture" na Ásia, que abrange 11 países. Mesmo na recente incursão na China, o casamento foi com o grupo inglês.
A aquisição de portfólios de bancos na área de adquirência sempre foi uma estratégia adotada pela empresa nos seus planos de expansão fora dos EUA. Mas, no Brasil, Garcia disse não haver carteiras significativas disponíveis. Por isso, a empresa pretende construir a sua presença no país, um mercado que considera ainda inexplorado, já que os cartões como meio de pagamentos crescem a um ritmo de 20% ao ano e devem movimentar em 2010 US$ 250 bilhões entre crédito e débito.
"Até recentemente, havia dois únicos provedores de serviços, um para Visa e outro para MasterCard. Um estabelecimento comercial que quisesse aceitar um cartão bancário não tinha escolha senão chamar um desses provedores. O governo brasileiro, esperando estimular inovação de produtos e competitividade de preços, comandou o fim do duopólio", explicou aos analistas. "Com essa finalidade, nós conseguimos um líder com significativa experiência em meios de pagamentos e estamos encaminhando esforços para estabelecer nosso patrocínio, orientação e acordos operacionais."
A previsão é de que o negócio no Brasil, já constante nas previsões de investimentos, esteja operacional no próximo ano fiscal, mas vai levar tempo para que impacte os resultados globais, disse.
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