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20 de fev. de 2012

ITAÚ ALCANÇA UM MILHÃO DE CARTÕES NA AMÉRICA LATINA


jornal DCI 17/01/2012

O Itaú Unibanco anunciou ontem que alcançou a marca de 1 milhão de cartões de crédito na América Latina, excluído o Brasil. Desse total, 47% estão no Uruguai; o restante está distribuído entre Argentina (24%), Paraguai (18%), Chile (9%) e México (2%). Ainda de acordo com o comunicado, o Itaú Unibanco fechou parceria com a empresa de telefonia Tigo, líder do setor no Paraguai, para oferecer um plástico exclusivo aos clientes da operadora. No Uruguai, na Argentina e no México, a parceria existe com a Movistar. O banco informou ainda que detém atualmente a liderança do mercado de cartões no Paraguai e Uruguai, e o quarto maior no Chile, além de estar presente também na Argentina. O patamar alcançado na América Latina não inclui os dados da instituição financeira no Brasil, onde o Itaú Unibanco administra cartões Itaucard e Hipercard.

20 de nov. de 2011

SUPERMERCADOS EXTRA COMEÇAM A RECEBER HIPERCARD

portal Gazetaweb 07/11/2011 - Janaina Ribeiro

Os consumidores gostaram da ideia. A rede de Supermercados Extra, ligada ao Grupo Pão de Açúcar, começou a aceitar o cartão Hipercard. Até a semana passada, apenas as bandeiras mais famosas e o cartão do próprio grupo eram recebidos nos estabelecimentos da empresa.

A novidade foi aceita com surpresa e alegria pelos clientes da rede Pão de Açúcar. Cleide Gomes, professora, leu a faixa que está do lado de fora do supermercado e não perdeu tempo. “Eu fiz questão de ver se o sistema já estava operando com o cartão Hipermercado e, para a minha agradável surpresa, consegui fazer uma compra com tranqüilidade. Isso é bom porque é mais uma opção para nós”, disse ela.

A administradora de empresas Alani Karine Fernandes também comemorou a boa notícia. “Tal medida adotada foi positiva não só para nós consumidores que vimos a ampliação do leque de estabelecimentos a que podemos recorrer, mas, também, para o Grupo que certamente vai atrair novos clientes”, argumentou.

O Hipercard é um dos cartões mais populares da região Nordeste e sua bandeira será usada para as mesmas formas de pagamento dos demais cartões, com a possibilidade de compras não só no sistema rotativo, como também, em condições para parcelamento.

16 de jul. de 2011

REDECARD QUER BRIGAR PELA PONTA

jornal Valor Econômico 14/07/2011 - Aline Lima e Adriana Cotias

A fórmula é simples e até batida. Para compensar os efeitos de uma política agressiva de conquista de mercado, os negócios precisam ganhar volume e os custos, caírem. Depois de liderar uma guerra de preços que se seguiu à abertura do mercado de cartões no ano passado, a Redecard agora tenta arrumar a casa para atingir uma meta ambiciosa: ser a número 1 no segmento de credenciamento de lojistas e captura de transações no Brasil, roubando o posto que até aqui pertence à concorrente Cielo.
"Hoje a grande motivação é construir uma empresa para ser líder de mercado, algo que se tornou plausível com a abertura do mercado. Antes, podíamos ser a melhor empresa, mas seríamos sempre o segundo colocado", diz Claudio Yamaguti, o novo presidente da empresa, em sua primeira entrevista.

A Redecard projeta crescer 30% neste ano, acima da média prevista para o mercado. A projeção para o mercado é de crescimento de 20%, superando os R$ 600 bilhões em volume de transações, entre crédito, débito e cartões de loja. Yamaguti, que sucedeu Roberto Medeiros em abril, diz que boa parte da expansão vem sendo impulsionada pelos cartões Visa, que até um ano atrás não passavam pela rede.

A corrida por fatias do mercado, baseada numa política de preços mais favorável ao lojista, não foi abandonada, mas deve perder intensidade. "A estratégia anterior foi perfeita, à medida que os resultados apareceram, a companhia ganhou 'share' [fatia], esse é o espírito da lei da concorrência", diz Yamaguti. Os planos de crescimento passam também pelo posicionamento da rede como multibandeira, abrigando marcas regionais e até internacionais no portfólio, caso da argentina Cabal e da asiática China Union Pay.

Yamaguti, egresso do Itaú Unibanco, acionista controlador da empresa, chegou com a missão de colocar em prática o discurso da eficiência. Começou reduzindo o número de diretorias de nove para cinco. A área jurídica, por exemplo, foi incorporada pela de finanças, assim como a de tecnologia passou a ficar sob o guarda-chuva da diretoria de operações. "A estrutura era pesada, perdia-se tempo com reuniões sem fim", conta Yamaguti. "Quando tem uma só pessoa não existe reunião, é só decidir", conclui, pragmático. Fisicamente, os funcionários que estavam divididos entre o escritório da avenida Juscelino Kubitschek, na capital paulista, e os cinco andares no moderno prédio da Philips, em Barueri, já mudaram para o endereço do município vizinho.

A consultoria Galeazzi & Associados também foi contratada para rever todos os processos da companhia, incluindo contratos com fornecedores. A área de call center passará a ter duas empresas prestadoras de serviço em vez de uma, e até o modelo de pagamento, baseado em minutos falados ("speaking time"), está sendo revisto. Dentre os procedimentos internos de rotina, viagens que antes podiam ser solicitadas com uma antecedência de três dias agora devem ser pedidas com três semanas de antecipação. "Os preços podem cair até 40% só com essa medida", ressalta Yamaguti.

Com 1,4 mil funcionários nos quadros da Redecard, o executivo admite que, embora a presença da consultoria não tenha como objetivo reduzir a folha de pessoal, isso pode eventualmente ocorrer. Mas outras áreas também podem receber reforço, como já ocorreu com a equipe comercial de varejo.

O objetivo da Redecard, agora, é fazer todo o investimento em aumento de participação de mercado se reverter em margens melhores. O volume capturado em crédito cresceu 28,7% entre o primeiro trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2011, para R$ 34,1 bilhões. As despesas, no entanto, apresentaram um ritmo ainda mais forte. Os custos operacionais da Redecard totalizaram R$ 247,8 milhões no primeiro trimestre do ano, alta de 43,1% em 12 meses.

O fim da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa e, por tabela, da Redecard com a MasterCard era a oportunidade que faltava para a credenciadora do grupo Itaú Unibanco sair da condição de "eterna" segunda colocada. A base de Visa em circulação no mercado é historicamente maior e, pelo acordo de exclusividade que perdurou até julho do ano passado, só a Cielo capturava.

Falta, porém, combinar com o concorrente. Yamaguti sabe que, para a Redecard ser líder de mercado, o setor precisa estar totalmente aberto - e isso hoje significa vencer a resistência de Bradesco e Banco do Brasil (BB), acionistas controladores da Cielo, para que Redecard também passe a aceitar em sua rede os cartões Visa Vale e Elo. "Estamos abertos, não temos ciúmes de nada", avisa Yamaguti. Com a American Express, hoje nas mãos do Bradesco, também não houve negociação até aqui.

Por ora, o grande salto da operação da Redecard deve se dar pela captura dos cartões Hipercard, que conta com uma base de 15 milhões de unidades. O Hipercard nasceu como um "private label" (cartão com a marca do próprio lojista) na antiga rede Bompreço, do Nordeste, comprada posteriormente pelo Walmart. O negócio de cartões ficou com o Unibanco, mas o contrato impedia o uso da bandeira em supermercados, redes de eletroeletrônicos e até farmácias, considerados concorrentes da varejista americana.

O acordo, revisado recentemente e válido pelos próximos 20 anos, eliminou a chamada "lista negra". Da atual rede credenciada da Redecard, com 1,14 milhão de estabelecimentos ativos, 850 mil estão habilitados a operar com o cartão Hipercard. Desse total, cerca de 150 mil lojistas estão efetivamente filiados e trazendo novos volumes. A cobertura total deverá estar concluída até o fim do ano.

16 de jun. de 2011

ITAÚ COMBATERÁ ELO COM HIPERCARD


jornal Valor Econômico 15/06/2011 - Adriana Cotias

O Itaú Unibanco poderá, finalmente, usar a bandeira de cartões Hipercard para combater a novata Elo, criada pelos concorrentes Bradesco e Banco do Brasil. As amarras para tornar a Hipercard uma bandeira de cartão de alcance nacional foram removidas. O Itaú reviu o contrato com a varejista americana Walmart e o novo acordo, selado por 20 anos, prevê que o Hipercard seja aceito em qualquer estabelecimento comercial, incluindo os concorrentes diretos da varejista. Até aqui, havia uma chamada "lista negra" e os cartões da marca não podiam ser usados pelo consumidor em outros supermercados, no comércio de alimentos em geral e em redes de eletroeletrônicos. Livre da limitação, a Hipercard passa a ter condição de enfrentar a emergente bandeira Elo no segmento da baixa renda, nicho no qual a bandeira do Itaú tem forte atuação.

O Hipercard nasceu como um "private label" (cartão com a marca do próprio lojista) na antiga rede Bompreço, do Nordeste, mas, dado o sucesso na emissão, acabou virando bandeira, rivalizando inclusive com as marcas internacionais, Visa e MasterCard. Quando o Bompreço negociou a sua venda para o Walmart, a operação de cartões foi separada e o Unibanco acabou pagando por ela US$ 200 milhões. No acordo selado à época, foi assinada uma cláusula de exclusividade, que impedia que o Hipercard fosse usado na concorrência da varejista e também vetava a venda dos cartões nas próprias agências do banco. Agora poderá existir um cartão Itaú com a bandeira Hipercard.

Pelo novo desenho, os cartões poderão ser distribuídos, inclusive, em outras parcerias que o Itaú detém no varejo, portfólio dos mais robustos do mercado - que inclui Pão de Açúcar, Carrefour, Magazine Luiza, Ponto Frio, Lojas Americanas e Marisa. A ideia, segundo o diretor da divisão de cartões da instituição, Fernando Teles, é que a bandeira se estabeleça como marca reconhecida pelo consumidor e de ampla aceitação. Nessa ponta, o passo foi dado há cerca de um ano, quando a Redecard passou a capturar, nas lojas, as transações com o Hipercard.

Tal arranjo permitiu que a Hipercard saltasse de uma aceitação em 470 mil estabelecimentos para os 850 mil atuais - a casa de 1 milhão de lojistas deve ser superada até o fim do ano.



A resistência da gigante americana foi vencida porque a forma de remuneração também mudou. Em vez de receber uma comissão pelos cartões distribuídos, o Walmart vai participar dos resultados do Hipercard, a exemplo das outras parcerias seladas pelo Itaú Unibanco no varejo. "Apesar de não haver um acordo societário, já chamamos internamente o negócio de financeira Walmart", diz Teles.

O executivo não abre, porém, se houve algum desembolso financeiro para usar o canal de distribuição do Walmart, a exemplo do que se observou nas parcerias com Pão de Açúcar, Ponto Frio, Marisa ou Lojas Americanas, que, por alto, geraram ao banco um desembolso que esbarra nos R$ 2 bilhões.

Segundo Teles, as conversações com a rede americana levaram cerca de seis meses. O Walmart vai poder acrescentar o seu nome aos cartões Hipercard, além de distribuir unidades Visa e Mastercard, na modelagem dos emergentes cartões híbridos que têm se popularizado no varejo brasileiro - funcionam como private label quando usados nas lojas do grupo, sem custos, e viram receitas quando utilizados em outros estabelecimentos comerciais porque uma parcela da transação vira comissão para o varejista que empresta seu nome ao cartão. "Conquistamos um novo estágio, que transcende o mundo da reserva de mercado, porque quando o cliente do varejista vai consumir em outra cadeia, isso amplia as receitas dele também. O cartão sai da gaveta e vai para o bolso do consumidor."

Na rede Sam's Club, do segmento de atacado do Walmart, o Hipercard continuará sendo, por ora, o único cartão a ser aceito.

Enquanto a Elo dá os seus primeiros passos no mercado para se valer da onda da inclusão financeira, o Hipercard já tem meio caminho andado. Conta com uma base de cerca de 15 milhões de cartões e tem ampla aceitação no Nordeste (com uma participação de cerca de 20%) e Sul do país, com uma fatia de cerca de 10% do setor. Teles conta que o banco ainda está desenhando quais benefícios serão adicionados ao Hipercard, que não participa dos programas de fidelidade da Itaucard, como milhas aéreas e descontos em cinemas.

23 de mai. de 2011

HIPERCARD TERÁ VERSÃO VISA

Jornal do Commercio 20/05/2011 - Carla Seixas

Sete anos depois de ser vendido ao então Unibanco, hoje Itaú Unibanco, o cartão Hipercard deixa de ter exclusividade no setor de supermercados com a bandeira Hiper Bompreço, do grupo Walmart. A renovação do contrato com a rede americana por mais 20 anos, anunciado ontem, incluiu a possibilidade de o banco trabalhar o dinheiro de plástico com outras grandes redes do setor, como Carrefour e Extra, do grupo Pão de Açúcar, por exemplo, a partir do momento em que lançará as versões Visa e Master para o Hipercard, ampliando definitivamente seu alcance e descolando o formato de pagamento da rede Bompreço - criador dessa bandeira de crédito em 1982.


Outro destaque é a promessa de criação de programas de "recompensas" para o Hipercard, algo que até agora não foi oferecido aos clientes da bandeira. Hoje, o Hipercard soma cerca de 10 milhões de consumidores na sua carteira de crédito.

Muitos desses 10 milhões de clientes aproveitam a forma de pagamento para parcelar, com prazos mais largos, as compras feitas nos magazines do Hiper Bompreço. Normalmente, setores como os de eletros e informática chegam a ter prazos que variam entre 12 e 15 meses se o pagamento for feito no Hipercard, bandeira preferencial dessa rede. É, na prática, um acordo que beneficia os dois lados.

Entretanto, há algum tempo, algumas dificuldades começaram a ser percebidas na relação entre o cartão e a rede. Os caixas do Bompreço, por exemplo, passaram a aceitar apenas o pagamento das faturas do cartão em dinheiro. Antes, a pessoa podia fazer o pagamento por meio do Visa Electron, algo vetado no momento.

Ontem, o Walmart foi procurado para comentar o assunto e responder se a partir de agora vai incluir as demais bandeiras no parcelamentos mais agressivos. Contudo, até o fechamento da edição, o departamento de comunicação da empresa não havia conseguido localizar o responsável para falar sobre o assunto. O banco também só se pronunciou através de nota e não ficou claro quais serão as vantagens oferecidas nas lojas do Hiper Bompreço para quem pagar com esse cartão.

O Extra - que hoje tem seu cartão administrado pela mesma instituição financeira do Hipercard -, respondeu que ainda não há posicionamento oficial sobre a entrada do Hipercard na rede. Em nota, o Carrefour alegou que está sempre "atento às oportunidades de mercado", embora não tenha analisado ainda a entrada do Hipercard. Hoje, o cartão Carrefour parcela determinados itens em até 12 vezes.

22 de abr. de 2011

ITAÚ UNIBANCO REESTRUTURA ÁREA DE CARTÕES E DEMITE DIRETORES

portal Valor Online 20/04/2011 - Denise Carvalho e Adriana Cotias

O Itaú Unibanco iniciou uma reestruturação na Itaucard, divisão que comanda a área de cartões, e contratou a consultoria Galeazzi & Associados para comandar o processo, segundo apurou o Valor.

A primeira grande transformação ocorreu esta semana com a demissão de pelo menos três diretores da Itaucard e remanejamento de executivos para outras áreas.

Deixou a empresa o diretor-executivo Ivo Luiz Vieitas, presidente da Hipercard, cartão private label que nasceu na rede Bompreço, do Nordeste, e virou bandeira. Vieitas comandava a operação como principal executivo desde 2004, quando o Unibanco adquiriu a Hipercard da rede de varejo, enquanto a americana Walmart comprou a rede varejista.

A marca Hipercard reúne as atividades de emissor, por meio do Banco Hipercard, bandeira e credenciamento de lojistas – essa última perna recentemente passou a ser feita pela Redecard, também do grupo Itaú Unibanco. A Hipercard está debaixo da Itaucard, comandada por Márcio Schettini, executivo oriundo do Unibanco e hoje vice-presidente do conglomerado.

O banco confirmou a saída do executivo Carlos Henrique Zanvettor, responsável pela área de cartões de não correntista. Por conta das diversas parcerias com o varejo – Pão de Açúcar, Lojas Marisa, Lojas Americanas, Ponto Frio e Magazine Luiza – trata-se de uma base relevante. Zanvettor seguirá para a Redecard.

Para se ter uma ideia da importância da área de cartões no Itaú Unibanco, na carteira de crédito pessoa física, o segmento tinha ao fim do ano passado a segunda maior participação no bolo de ativos, com R$ 34,9 bilhões. Nas receitas de prestação de serviços, os cartões lideraram a arrecadação em 2010, com R$ 6,6 bilhões.

Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de imprensa do Itaú Unibanco confirmou apenas a saída de Ivo Vieitas. Procurados, os executivos da Galeazzi & Associados não se pronunciaram.

Eficiência

De acordo com executivos que conhecem a operação da Itaucard, um dos objetivos do Itaú Unibanco é fazer a divisão de cartões ser mais eficiente e acelerar o ritmo de crescimento da Hipercard. Em tese, é a bandeira que teria condições de rivalizar com o Elo, que tem emissão conjunta de Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Só que um acordo de exclusividade com o Walmart impede que o Hipercard seja aceito em estabelecimentos concorrentes. Esse é um dos obstáculos para que o Hipercard, já capturado pela Redecard, seja um cartão de abrangência ampla em território nacional.

Hoje, a Hipercard detém cerca de 7% de participação do mercado. A bandeira é forte sobretudo no Nordeste, onde concentra aproximadamente 20% do mercado local.

Redecard

As mudanças na área de cartões no Itaú não se restringem à Itaucard. Na Redecard, agora sob o comando de Claudio Takashi Yamaguti, também há alterações.

Dentro de um plano de reestruturação para dar mais “foco ao cliente”, deixaram a empresa os diretores Claudio Oliveira, que comandava a área de grandes contas; Ramon Gomez, responsável pelo varejo, e, Alessandro Raposo, de marketing e produtos.

Yamaguti foi nomeado em fevereiro, mas seu antecessor, Roberto Medeiros, permaneceu no cargo até o fim do mês passado para a transição.

13 de mar. de 2011

BEM NA FOTO

jornal Folha de S. Paulo 13/03/2011

O Banco do Brasil lança hoje serviço que permite ao cliente escolher qualquer foto ou imagem para ilustrar seu cartão.

O lançamento estará à disposição dos titulares de todas as contas do banco e o custo de emissão é de R$ 20.

"Esperamos maior interesse da parte dos mais jovens", diz o diretor de cartões do BB, Denilson Molina.

A bandeira Hipercard, que hoje pertence ao Itaú Unibanco, também oferece serviço semelhante.

Sem gastos de emissão e anuidade, esse cartão é aceito em cerca de 450 mil lojas.

18 de fev. de 2011

LOJAS COBRAM TAXAS DIVERSAS EM CARTÕES PRÓPRIOS

portal JB Online 18/02/2011

São tantas as lojas e supermercados com cartões próprios, sem cobrança de anuidade, que o consumidor acaba aderindo a estes produtos, sem saber dos custos adicionais. Parcelar compras, ganhar descontos e adiar o pagamento são algumas das vantagens destes cartões, que atraem principalmente a classe C, mais propensa a parcelar compras e estender prazos. É preciso verificar, contudo, se há cobrança de taxas mensais ou pelo uso do cartão que, no final das contas, pode sair mais caro que a anuidade de um cartão de crédito.

Os juros destes produtos também costumam ser mais altos, podendo chegar a 486% ao ano – Custo Efetivo Total (CET) que inclui tarifas e tributos. Segundo entidades de defesa do consumidor, os cartões podem ser vantajosos para quem não tem cartão de crédito e paga as parcelas integralmente.

– Colocar muitos pagamentos para frente é um risco de endividamento. É preciso saber administrar muito bem os cartões para não se enrolar – alerta Hessia Costilla, economista da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

Controle do orçamento

Algumas lojas, como a Renner, não enviam boleto de pagamento para a casa do consumidor, o que prejudica o controle do orçamento e contribui para atrasos nos pagamentos e, até mesmo, inclusão do nome do devedor no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

– Tenho cartão Renner e sempre esqueço a data, porque eles não enviam fatura e só pode pagar na loja – disse a engenheira Regina Lucia Leite.

De acordo com a Pro Teste, o único cartão de supermercado que de fato é gratuito é o Hipercard, do Wal-Mart. Os outros cobram de R$ 1,99 a R$ 5 no mês em que o cartão for utilizado, o que implica custo anual de até R$ 42. Nas lojas de departamento, a maioria dos cartões é gratuito; apenas a Marisa cobra: R$ 1,95 por mês.

Apesar de não ter anuidade ou taxa, o Hipercard cobra juros abusivos para quem atrasa o pagamento da fatura e parcela. O professor Mário Azevedo atrasou uma conta e teve que pagar quase o dobro do que devia. Além de juros, mora e multa pelo atraso, o cartão exigiu R$ 8 de taxa de cobrança e juros de parcela futura (ainda não tinha vencido). “Fiz compras de R$ 170, mas teria que pagar mais de R$ 300 só por conta das taxas”, contou. Procurada pelo JB, a administradora do Hipercard, o Itaú, não se pronunciou.

O professor foi informado de que a taxa de cobrança é o custo da ligação da administradora para cobrar o pagamento. O advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Alessandro Gianelli disse que estas cobranças são abusivas e devem ser contestada na Justiça. O prazo para reclamar cobranças indevidas é de até cinco anos. “Para até 20 salários mínimos, o consumidor pode procurar os juizados especiais cíveis”.

A médica Cristina Lessa Tobar desistiu de fazer cartão das Lojas Americanas por conta da taxa de emissão de boleto bancário, de R$ 5. Cristina também cancelou o cartão da Renner por não poder pagar no banco. “Hoje, só tenho o cartão da C&A, que não me cobra taxa e pode ser pago em qualquer agência.”

A cobrança de taxa de manutenção, utilização ou emissão de fatura deve ser informada na aquisição do cartão, mas nem sempre acontece. Ao solicitar o produto, o consumidor preenche a ficha de cadastro e só recebe cartão e contrato em 30 dias.

21 de dez. de 2010

REGIONAIS BUSCAM AMPLIAR ALCANCE DAS BANDEIRAS

jornal Valor Econômico 21/12/2010 – Ana Cecilia Americano

Foi dada a largada para que as adquirentes Redecard, Cielo e Santander/Getnet disputem palmo a palmo as novas oportunidades que surgiram a partir de 1º. de julho, quando caiu a exclusividade prevista nos contratos entre Visa e Cielo, e Mastercard com Redecard. Assim, bandeiras independentes, de origem regional, a exemplo da Hipercard, com força no Nordeste, a Sorocred, com boa penetração no interior de São Paulo, ou a Tricard, usada entre comerciantes que compram no grupo atacadista Martins, têm sido alvo da procura das adquirentes, em busca de maior capilaridade.

Outro cartão que está sendo disputado é o Banescard, do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). O banco publicou um edital em novembro e deu às adquirentes prazo até o fim de dezembro para manifestarem o seu interesse. A disputa de mercado dá-se também no chão da loja. A partir deste semestre, o lojista pode escolher concentrar suas transações na adquirente que ofereça o maior número de bandeiras, economizando no aluguel das máquinas. E quem oferecer a melhor cesta de bandeiras leva vantagem.

É nesse contexto que as redes independentes de cartões, com boa presença regional, ganham novo status. Elas somam mais de 90 empresas, boa parte delas dedicadas a cartões de redes de lojas ou de benefícios, com grande adesão dos consumidores das classes C e D. Segundo Boanerges Ramos Freire, fundador da Boanerges & Cia Consultoria em Varejo Financeiro, elas representam até 7% do mercado, ou 38,9 milhões de cartões.

"Com a queda da exclusividade, essas redes ganham a oportunidade de ampliar a aceitação de seus cartões nas redes Cielo e Redecard, de alcance nacional", comenta. Ambas oferecem mais de um milhão de estabelecimentos prontos para captar suas transações em todo o País. A Redecard já fechou contrato com mais de 20 bandeiras, segundo o consultor. "Já a Cielo tem sido mais seletiva, buscando acordos com bandeiras de grandes volumes e negociações especiais", acrescenta. Renata Greco, diretora de desenvolvimento da Cielo, estima que o mercado de redes regionais movimente R$ 25,6 bilhões anuais. Ela diz que, atualmente, a empresa prospecta negócios com mais de 40 redes regionais. Em média, cada uma movimenta R$ 500 milhões por ano.

Há vinte anos, a Sorocred, um cartão criado no interior de São Paulo, era usado pelas classes C e D para fazer compras nos supermercados próximos. Hoje ostenta uma base de 4 milhões de cartões, 150 mil estabelecimentos afiliados, uma carteira de produtos financeiros ofertados pelo seu banco irmão Sorocred Financeira.

Não menos impressionantes são os números da Tricard, cartão usado pelos comerciantes que se abastecem no atacado do Grupo Martins, por meio de seus private labels. São mais de 9 mil estabelecimentos para 3 milhões de usuários. O faturamento anual superior a R$ 1,5 bilhão registrou este ano um crescimento de 15%. Ali também a presença de um banco - o Tribanco - permitirá ao cartão oferecer outras operações de crédito para supermercados e lojas de material de construção e pequenas mercearias.

28 de nov. de 2010

PARA GIGANTES DOS CARTÕES, REGULAÇÃO E CONCORRÊNCIA DEVEM DOMINAR A AGENDA EM 2011

portal Executivos Financeiros 25/11/2010 - Rafael Gregorio

Em painel sobre as tendências do mercado de meios eletrônicos de pagamento realizado hoje (25), em São Paulo, no 2º Fórum CardMonitor de Inteligência de Mercado, representantes de quatro das maiores empresas do setor concordaram em um ponto: o futuro passa pela regulação e pelo aumento na concorrência. Na síntese de Ivo Vieitas, presidente da Hipercard, “o que veremos nos próximos anos é uma indústria que passará por uma nova seleção natural”.

Além dele, o debate reuniu também Fernando Pantaleão, diretor de cartões do HSBC, Rômulo Dias, presidente da Cielo, e Leonel Andrade, presidente da Credicard. Sobre a eminente regulação, Andrade foi responsável por um mea-culpa da indústria: “a intensificação das demandas regulatórias não deixa de ser culpa nossa, porque num mercado crescente, que se expande 20% anualmente há quase duas décadas, às vezes se cometem exageros”. Segundo ele, a iniciativa deveria ter sido tomada antes para evitar a interferência de governos ou organizações. “Se você não faz, alguém faz por você. Inclusive em casa!”, afirmou, para risos do público.

Dias, cuja emissora realizou processo de IPO de R$ 8,4 bilhões em 2010 para atingir, segundo ele, 1,8 milhão de clientes comerciais e capacidade de processamento de 2 mil transações por segundo, prevê a proliferação da concorrência já em 2011: “vejo com bons olhos o movimento de abertura para múltiplas bandeiras”. Vieitas, da Hipercard, comparou a situação à de países desenvolvidos como a Inglaterra, “onde as pessoas já veem o cartão como uma uttility básica, a exemplo da água ou da luz”. Segundo ele, “a associação que pessoas e comerciantes estabeleciam entre emissoras e acquirers está se perdendo, e as empresas terão que se adaptar a margens mais reduzidas”.

Atender as classes emergentes e manter os lucros

Sobre a recente intervenção do Banco Central sobre os valores mínimos de pagamento de faturas de cartões de crédito – que não poderá ser inferior a 15% do saldo total da fatura –, Andrade e Dias comentaram que fazem parte dos movimentos de inclusão das classes emergentes. Para Andrade, “este é um dos maiores desafios da indústria. Precisamos ficar atentos e oferecer novos produtos em condições capazes de incluir estas populações sem incorrer em aumento de riscos”.

26 de nov. de 2010

HIPERCARD CONVIDA CLIENTES A APOSTAREM NA SORTE

portal Propmark 25/11/2010

Estreia nesta quinta-feira (25) a campanha de natal do Hipercard, criada pela F/Nazca S&S. O objetivo da estratégia é estimular o uso do cartão de crédito na época de maior consumo do ano, apresentando a promoção realizada pela marca: a cada R$ 50,00 em compras com o cartão, o cliente recebe um número da sorte e concorre a uma casa mobiliada, além de mil carrinhos de compras de supermercado.

A principal peça do esforço publicitário é o filme “Vidente”, que tem como cenário uma loja de brinquedos. Em tom bem humorado, uma criança se passa por vidente e aponta para a mãe alguns produtos que ele acredita “darem sorte”. Ela, por sua vez, não cai na lábia do filho, garantindo que, com o boletim dele, será preciso muita sorte mesmo para ganhar algo de Natal. Ainda compreendem a campanha spots de rádio e mídia exterior.

Ficha técnica:

Direção de criação: Fabio Fernandes e Eduardo Lima
Criação: Fabio Fernandes, Ricardo Jones e Airton Carmignani
RTVC: Adriano Costa
Atendimento: Gisela Assumpção, Natalie Gruc e Mônica Bauer
Mídia: Lica Bueno, Adriana Roza e Marcela Isa
Planejamento: Fernand Alphen, José Porto e Laura Gianfaldoni
Produtora do filme: O2filmes
Direção de cena: Kitty Bertazzi
Direção de fotografia: Adrian Teijido
Montagem: Marcelo Junqueira
Produtora de som: Tesis
Produção de som: Silvio Piesco e Mano Bap
Locução: Marcelo Campos
Aprovação pelo cliente: Cristiane Magalhães, Alexandre Ayres, Mirlania Maria de Souza e Sandra Suleiman

9 de nov. de 2010

VISA E MASTERCARD APOSTAM EM FORÇA DA MARCA PARA ENFRENTAR ELO

jornal Valor Econômico 09/11/2010 - Adriana Cotias

Na virada do mês, Visa e MasterCard vão se deparar com um cenário de competição que ainda não tinham vivenciado em seus 20 e poucos anos de Brasil. As duas grandes bandeiras internacionais de cartões começarão a dividir o mercado com um novo participante, a elo, que chega com a força de distribuição de Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, seus donos. O cartão, que terá suas transações capturadas inicialmente pela rede da Cielo, já nasce potencialmente com a mesma aceitação das marcas internacionais, em 1,2 milhão de estabelecimentos comerciais em todo o país. O lançamento coincide ainda com um momento de fortalecimento do Hipercard, do Itaú Unibanco, que passou a ser aceito pela Redecard, ganhando também abrangência nacional.

Esses dois movimentos sozinhos reúnem quatro dos maiores emissores brasileiros e em comum as estratégias visam chegar às classes menos favorecidas da população. As bandeiras estrangeiras, que dependem da emissão dos bancos locais para chegar às mãos do consumidor, correm o risco de ficar em segundo plano na onda da mobilidade social e da bancarização no país. A elo chega para disputar um mercado que vai movimentar mais de R$ 500 bilhões em 2010 e que cresce a um ritmo de R$ 100 bilhões ao ano. Nos bastidores, Visa e MasterCard também podem esperar por mais pressão dos bancos para redução de "roylaties" pelo uso das marcas.

Da porta para fora, Visa e MasterCard dizem enxergar a entrada do novo competidor com naturalidade e não admitem ajustes nas estratégias. Para o presidente da Visa, Ruben Osta, será o consumidor que continuará a ter o mando de jogo. Para ele, esse consumidor vai querer a marca estrangeira na carteira, ao tempo em que os emissores, remunerados por taxas de intercâmbio (uma porcentagem da transação de crédito ou débito), não vão negligenciar esse bolo de receitas. Já o presidente da MasterCard, Gilberto Caldart, diz que a baixa renda já vem sendo bancarizada pelo canal de distribuição do varejo e, em boa parte das vezes, o primeiro instrumento de inclusão financeira é um cartão com o selo MasterCard.

A elo chega com o plano de conquistar 15% do mercado em três anos, o que significa uma base estimada de 100 milhões de cartões. O Hipercard, por sua vez, tem atualmente cerca de 14 milhões de plásticos, o equivalente a 8% do mercado, e segundo sinalizou recentemente o presidente da empresa, Ivo Vieitas, pode ser uma bandeira aberta a outros emissores. Com a parceria com a Redecard, saltou de de uma rede de aceitação de 470 mil estabelecimentos credenciados para a casa do 1 milhão, habilitando-se para ser uma bandeira de alcance genuinamente nacional. De acordo com Vieitas, 50% do faturamento da bandeira já se dá fora do Nordeste, onde nasceu e ganhou musculatura.

Dos cerca de 7 bilhões de transações com cartões realizadas anualmente no Brasil, uma fatia de 95% ocorre dentro do país, estima o consultor Edson Santos, da Co-Link, o que quer dizer que os plásticos não precisariam ter, necessariamente, um selo internacional estampado. A cada operação, porém, os bancos pagam, em média, uma comissão de 0,12% às bandeiras na forma de royalty e é esse o custo que deixarão de ter com as suas próprias marcas.

Nenhum dos bancos envolvidos no projeto da elo vem sinalizando intenção de trocar as bandeiras dos cartões que já estão nas mãos dos clientes, mas sim atingir o cliente que ainda está fora do sistema financeiro formal. Na hora do vencimento dos cartões que têm em sua base de débito, porém, é o elo que aparece como opção natural da renovação. O diretor de uma instituição concorrente explica que a lógica de um desenho desses é ter dentro do negócio de cartões um pedaço com rentabilidade diferenciada. A sua percepção é de que a elo vai ter o tamanho que seus emissores quiserem no mercado e vão encontrar um público já com o aprendizado de crédito junto às redes de varejo, pelos carnês e "private label".

Não é de hoje, porém, que a Visa se confronta com um cenário de maior competição nos mercados em que atua, diz o presidente Osta. "Quanto mais esquemas de pagamento existirem, mais as pessoas vão conhecer os benefícios do pagamento eletrônico. A Visa tem produtos para todas as classes sociais e o consumidor, quando começa a se bancarizar, tem o desejo de ter no bolso um cartão Visa." Embora o elo nasça com aceitação em estabelecimentos comerciais potencialmente igual à da Visa, o executivo afirma que não é isso que vai requerer mudanças na estratégia e que vê as transações em cheque e dinheiro no país como os seus maiores concorrentes.

Na visão do executivo, os bancos, por sua vez, vão colocar na balança o quanto ganham para emitir Visa. "Na maioria das vezes, ganham mais com Visa do que com outros cartões", diz Osta. Como patrocinadora oficial de eventos esportivos, como a Copa do Mundo, Copa das Confederação e Jogos Olímpicos, a bandeira carrega como trunfo a transferência das promoções sazonais para a base de clientes dos emissores. Foi o caso do cartão temático da Copa da África do Sul, emitido pelo Banco do Brasil, e que, casado com a campanha "Me leva", resultou na emissão de 3,8 milhões de plásticos.

Mesmo depois de ter namorado a Caixa Econômica Federal, com a proposta de cartões pré-pagos e ver o banco se integrar ao projeto da elo, Osta não concorda que haverá enfraquecimento da marca junto ao banco. "A Caixa é o emissor que mais cresce no Visa Electron", diz. Outra frente de crescimento da bandeira no país será o comércio eletrônico.

Caldart, da MasterCard, diz que a bandeira tem estruturas de custos adequadas para todas as segmentações de cartões no Brasil e a presença em lojistas como Lojas Renner, Lojas Marisa, C&A ou Pão de Açúcar asseguram que tem cumprido um papel na ascensão das classes emergentes. Com 26 mil emissores no mundo, Caldart conta que não é trivial ter toda uma estrutura montada para aprovação de limites, de prevenção a fraudes, além da tecnologia envolvida nos programas de benefícios. "Ao operar uma bandeira com capilaridade mundial os emissores se beneficiam da economia de escala e investimentos em gestão de fraudes ao redor do mundo." Para o executivo, qualquer decisão dos emissores será tomada com base no valor que a bandeira traz para cada negócio.

22 de out. de 2010

MERCADO DE CARTÕES QUADRUPLICARÁ ATÉ 2020

jornal DCI 21/10/2010 - Fernando Teixeira

Projeção da Associação das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) mostra que, em 2020, o mercado de meios de pagamento eletrônico deva praticamente quadruplicar o faturamento atual e chegar a R$ 2,188 trilhões. Até 2015, cerca de 900 milhões de plásticos devem ser emitidos, o que possibilitará 15 bilhões de transações no ano.

Outro fator que anima os agentes da indústria de cartão é o fato de que a relação consumo das famílias x Produto Interno Bruto (PIB) saltará de 63,1%, em 2010; para 67,5% em 2020.

As projeções para 2010 mostram que o faturamento da indústria de cartões deve ser de R$ 534 bilhões, número 20% superior ao alcançado no ano passado, quando a indústria registrou R$ 444 bilhões.

O presidente da Abecs, Paulo Caffarelli, disse que o volume de transações deve aumentar em 16,8% e chegar a 7,131 bilhões, ante 6,105 bilhões registradas no ano passado. "O mercado cresce 20% ao ano e deve sustentar este patamar por algum tempo", afirma Caffarelli.

De acordo com o executivo, que também é vice-presidente do Banco do Brasil (BB), o número de cartões emitidos se acelerou durante o ano.

Ele projeta que até dezembro sejam emitidos 628 milhões de plásticos ante 565 milhões no ano passado - 11% mais que em 2009.

Um dos fatores para o otimismo é à classe não bancarizada, que, hoje, corresponde a aproximadamente 40% da população brasileira. "Muitas vezes quem não tem conta corrente usa o cartão de crédito como forma de portar dinheiro e parcelar compras", enfatizou o presidente.

Além dos não bancarizados, o Caffarelli destacou o aumento do "público potencial": os migrantes das classes D e E. Hoje, segundo a Abecs, 'apenas' 49% das pessoas com cartão de crédito no Brasil estão nas classes C, D e E.

Mercado

Além de dobrar o tamanho do mercado, o presidente da Abecs, Paulo Caffarelli, acredita que novas bandeiras e novos adquirentes ingressem no mercado nos próximos anos. "No setor de recebimentos eletrônicos temos a Cielo, RedeCard, Santander/GetNet e outras empresas menores. Em termos de bandeira temos a Visa e MasterCard, Dinner's e American Express; além de bandeiras regionalizadas. Devemos ter novos atores, em breve."

Contudo, ressalta, novas empresas podem enfrentar obstáculos para se instalar no Brasil. "Será que ele terá tempo para cadastrar 1,5 milhões de pontos como tem a Cielo? Pode ser um adquirente recebendo pela prestação de serviços a outra marca?"

Para ele, a consequência de novos entrantes é a queda de taxas para a prestação de serviços, conveniência e mais segurança.

Cartões

Quanto ao apetite de mercado da bandeira de cartão de crédito ELO - gerida em conjunta entre BB, Bradesco e Caixa Econômica Federal - o executivo acredita que em 5 anos, a marca alcançará a fatia de 15%. Para Ivo Vieitas, diretor da Abeces e presidente da Hipercard (gerida pelo Itaú Unibanco), os números da ELO não assustam. "A ELO terá seu espaço e público, mas não sei se é factível os 15% almejados. Acho saudável ter metas", analisou a questão.

Hoje, a bandeira do Itaú detém quase 8% de mercado. Contudo adia planos para ter mais emissores além do próprio banco. "Pode acontecer um dia, hoje, não está nos planos. Ele tem força para ser emitida por mais gente. Obviamente dependerá das decisões do grupo."

A bandeira Hipercard já tem 14 milhões cartões emitidos e aceitação em 490 mil estabelecimentos, sendo 40 mil deles agregados após convênio com a RedeCard. Quando a credenciar o Hipercard com a Cielo, a maior do mercado, para aumentar a penetração do produto, Vieitas disse que existe a possibilidade. "Quando falamos passar o cartão por uma rede, temos de lembrar que existem muitos itens técnicos, como evitar fraudes e regular softwares."

Para ele, a tendência é passar o Hipercard em mais de 1,3 milhão de estabelecimentos (número de estabelecimentos credenciados pela Cielo, a maior do mercado), "mas, antes, devemos reforçar onde somos mais aceitos. Se não a máquina fica esperando sem passar compras."

Hoje, a marca de crédito do Itaú é aceita em 19 estados e o faturamento cresce acima de 30% ao ano desde 2005. "Mais da metade do faturamento é originado em regiões fora do nordeste, onde a bandeira nasceu nos anos 70. O Walmart e operações de telemarketing fazem a venda do cartão", destacou o executivo.

TAXAS DE JUROS EM CARTÕES SÃO MAL DISTRIBUIDAS

jornal Brasil Econômico 21/10/2010 - Thais Folego

"Muitos pagam por poucos." Essa é a principal explicação da indústria de cartões para as altas taxas de juros cobradas nos cartões de crédito que, segundo a consultoria Lafferty, variam de 188% a 433% ao ano no Brasil. A título de comparação, nos Estados Unidos, a taxa cobrada no cartão varia entre 8,99% e 28,7% ao ano (veja mais nos gráficos). Ter mecanismos para criar um equilíbrio entre a taxa de juros cobrada entre os portadores do plástico é um dos desafios que o setor tem pela frente, avalia Ivo Vieitas, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e presidente da Hipercard. "A indústria não se sente confortável com o patamar atual."

Ele se refere a um efeito do modelo da indústria de cartões no Brasil: do estoque de crédito concedido por meio do cartão de crédito, apenas cerca de 30% cobram juros, enquanto a grande parcela de 70% é livre de taxas. A parte com juros é composta pelas compras parceladas com juros, pelo crédito rotativo do cartão .e pelo parcelamento da fatura. A parte sem juros é formada pela modalidade parcelado sem juros e pelo "grace period", período sem cobrança de juros pelo banco entre o dia da compra e o vencimento da fatura do cartão.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a distribuição do risco é feita de forma mais homogênea entre os portadores de cartão. Lá, quase inexiste a modalidade de compra parcelado sem juros e o "grace period" é dado apenas para quem paga a fatura na data, caso contrário o cliente paga juros retroativos (dos dias entre a compra e o vencimento da fatura). "Nos EUA, há mecanismos de equilíbrio e mesmo assim nada está mais sob ataque do que o mercado americano de crédito", pondera Vieitas.

"O parcelado sem juros é um fato de difícil solução, mas há países indo nessa direção", comenta. Ele observa que se começa a ver no comércio eletrônico americano alguns lojistas oferecendo parcelamento sem juros como diferencial competitivo. Na avaliação do diretor, o desestímulo do uso dessa forma de parcelamento não virá da indústria de cartões, pois quem teria que tomar essa decisão é o varejo.

Uma forma de desincentivar o lojista, segundo Vieitas, seria cobrar uma taxa de desconto sobre a transação maior quando concedido o parcelamento sem juros. "Seria uma medida antipática, mas uma solução", diz o diretor, explicando que melhor seria criar um mecanismo sem ter que "brigar" com o estabelecimento. "Haveria quem dissesse que o lojista não aquenta mais pagar [taxas], mas hoje quem está pagando tudo é o pequeno percentual de portadores que paga juros", diz.

Segundo informação do mercado, da parte do crédito no cartão com juros, no rotativo é cobrada uma taxa de juro mensal média de 10,1%, de 6,5% no parcelado com juros e 13,1% de atraso no pagamento (mora e multa). Se esses juros fossem divididos pelo total de crédito no cartão daria uma média ponderada de 3,6% de juro ao mês. Vieotas lembra, ainda, que a propensaõ do portador do cartão no Brasil de financiar por meio do plástico e de 25%,enquanto nos EUA ela é de 80%.

20 de out. de 2010

HIPERCARD CRESCE 30% AO ANO DESDE 2005

portal Executivos Financeiros 20/10/2010 - Edilaine Félix

O presidente da Hipercard e diretor da Abecs, Ivo Vieitas, em palestra no congresso de meios eletrônicos de pagamento, informa que atualmente a empresa conta com 14 milhões de cartões emitidos, com 18% de representação do mercado, sendo que mais da metade está fora do Nordeste.

O executivo diz que hoje são 40 mil estabelecimentos com máquina Redecard que aceitam o Hipercard. " A tendência é que o cartão passe nas 1,3 milhões de máquinas espalhadas pelo País", ressalta.

O cartão está presente em 19 estados e cresce mais que a indústria como um todo. "Crescemos, em faturamento, acima dos 30% ao ano, desde 2005", afirma.

Vieitas destaca que o aumento no consumo das famílias, faz com que o mercado cresça a esses números e assim, como outros palestrantes e participantes do congresso, afirma que a classes de menor renda ainda tem um grande potencial.

Para Vieitas, a inadimplência não é a responsável pelos juros na indústria. Ele lembra que o mercado americano tem mecanismos de equilíbrio e suporta 83% de financiamento. Segundo ele, o crescimento da indústria mostra que é possível um bom negócio e finaliza:" precisamos migrar para outros modelos de negócio".

29 de set. de 2010

MASTERCARD ESTÁ DE OLHO NOS DESBANCARIZADOS

jornal DCI 29/09/2010 - Fernando Teixeira

Pesquisa realizada pela MasterCard em sete municípios de diversas regiões do Brasil, com população das classes C e D, mostra que o dinheiro continua sendo a forma preferida de pagamento. De acordo com a empresa, apenas 46% desta da população - de 18 a 60 anos - são bancarizados. De olho nesta fatia de mercado, a MasterCard lançará uma bandeira de débito e fará mais promoções. Bancos como Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco também preparam produtos populares, como os cartões Hipercard e Elo para atingir este público. Cartão também é sinônimo de crescimento no Santander.

A pesquisa relata que 27% dos entrevistados possuem somente cartão de débito, enquanto 25% detêm somente cartão de crédito. Já ao analisar apenas a relação dos bancarizados das classes C e D com produtos financeiros, a pesquisa concluiu que 80% possuem cartão de débito; 69%, conta corrente; 52%, poupança; e 49%, cartão de crédito.

O dinheiro, segundo a empresa, continua tendo um papel importante na vida desses consumidores, os quais destinam uma média de R$ 47 por mês para o uso do cartão de débito e de R$ 100 para o cartão de crédito.

De acordo com o estudo da MasterCard, 55% dos bancarizados e 98% dos não bancarizados recebem seus rendimentos em dinheiro. Números do Banco Central mostram que o dinheiro em espécie é largamente utilizado para pagamentos de baixo valor - cerca 77% dos pagamentos efetuados por pessoas físicas.

Uma das iniciativas para abocanhar este público será a troca de logotipo, que englobará a palavra débito abaixo da logomarca. Já para gerar maior frequência e uso de seus cartões de débito, a MasterCard está lançando a promoção. "O objetivo é incentivar o uso dos cartões de débito nas compras do dia a dia. A campanha está focada no conceito de que o débito é muito mais prático e seguro do que o dinheiro e ainda gera benefícios para quem usa", destaca Beatriz Galloni, vice-presidente de Marketing.

No banco Itaú Unibanco o produto cartão de crédito se destaca como um importante instrumento de conquista de novos clientes, particularmente na população das classes C e D. O banco tem marcas populares com o Itaucard, Unicard e Hipercard que oferecem um portfólio de produtos para 25,1 milhões de clientes, correntistas e não correntistas.

De acordo com o banco, no segundo trimestre de 2010 o valor transacionado com cartões de crédito somou R$ 24,761 bilhões, o que corresponde a um aumento de 2,5% em comparação com o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o resultado ficou 38% acima, pois naquele período o banco movimentou R$ 20,102 bilhões.

O número de contas de cartão de crédito em junho de 2009 era de 23, 708 milhões e saltou para 25,098 milhões no mesmo mês deste ano. O banco ressalta que não inclui cartões adicionais no levantamento.

No concorrente Santander Brasil, a base de cartão de crédito cresceu em 1 milhão apenas nos seis primeiros meses do ano, atingindo mais de 10,7 milhões de unidades em circulação.

De acordo com o banco, dentro da carteira de pessoa física, o cartão de crédito foi o produto que teve o segundo maior incremento no segundo trimestre de 2010: em junho, totalizou R$ 8,8 bilhões, 24% a mais do que 12 meses antes. "Temos buscado entender as demandas dos nossos clientes para desenvolver produtos com mais conveniência", disse Cassius Schymura, diretor executivo da área no Santander.

Para o professor do curso de Administração da ESPM Adriano Gomes, os bancos e as bandeiras de cartão voltarem as atenções para a classe emergente é consequência da realidade brasileira. "Imagine colocar duas vezes a população do Chile com mais dinheiro no mercado: são os 32 milhões de pessoas que subiram para classe C no Brasil", comparou.

Gomes destaca que os bancos se animam quando veem que esta classe apresenta baixo nível de inadimplência nas compras. "Mulheres e jovens são os que mais passam calote. Talvez haja filtros para liberar crédito."

Outro ponto de vista do professor é de que bandeiras como Hipercard e Elo no futuro tornem-se grande alvo das indústrias de cartão. "Os bancos fazem o trabalho de base. Acredito ser natural e previsível uma venda a grupos estrangeiros."

Além disso, a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) projeta que em 2015 o País deve alcançar a marca de 909 milhões de cartões emitidos, um crescimento de quase 45% frente aos 628 milhões estimados em 2010. A associação calcula que, mesmo sem contabilizar os efeitos de Copa e Olimpíadas, o mercado brasileiro de cartões de crédito e de débito deve registrar um aumento de faturamento de R$ 444 bilhões ao fim de 2010 para R$ 1,3 trilhão em 2015.

Pesquisa da MasterCard mostra que somente 46% das pessoas das classes C e D são bancarizadas, o que abre espaço para que bancos e bandeiras de cartão busquem ampliar sua participação nesse mercado.

17 de set. de 2010

FINANCEIRAS DEIXAM AS RUAS E AMPLIAM PARCERIA COM VAREJO

jornal Brasil Econômico 17/09/2010 - Maria Luiza Filgueiras

A abordagem a um transeunte no centro da cidade por um vendedor de crédito, trajado de colete corporativo colorido, para oferecer empréstimos com taxas acima de 10% ao mês ficou para trás. A mudança de posicionamento das financeiras, iniciada há pouco mais de dois anos, mostra agora os resultados de consolidação: as marcas saíram das ruas e ganharam as redes de comércio e serviços, e muitas bandeiras estão próximas da extinção.

É o caso da Taií e da Fininvest, entre as mais tradicionais e que pertenciam, respectivamente, ao Itaú e ao Unibanco, e foram unidas com a fusão dos bancos. A Taií chegou a ter 250 lojas e a Fininvest ultrapassava 300 unidades. Hoje, nenhuma das marcas tem sequer um ponto de venda na rua e vão desaparecendo no contato direto com o cliente. "Com a fusão, a decisão estratégica institucional é restringir o posicionamento de cartão de crédito, principal canal de financiamento hoje, às marcas Itaucard e Hipercard", afirma Marcos Magalhães, diretor do Itaú Unibanco. "Taií e Fininvest não são mais usadas na conquista de clientes."

No grupo HSBC, o posicionamento também mudou, mas não de forma tão radical. A Losango reduziu consideravelmente a representatividade do negócio de rua, mas continua sendo a marca forte do banco na abordagem do público de menor renda. A decisão foi tomada em 2008 e o resultado foi a redução da fatia de empréstimo pessoal (o produto mais típico da loja de rua) de 12% para 6% do volume de originação anual.

No ano passado, a Losango ainda tinha 130 lojas. "Mantivemos 70 lojas, para estratégia de marca nos principais estados, mas não fazemos a abordagem de rua. Nossa missão mudou e hoje é ser a melhor promotora de vendas de serviços financeiros para o varejista", define Hilgo Gonçalves, diretor da Losango. "Levamos soluções ao pequeno varejista de Itaquatiara, no Amazonas, à Máquina de Vendas."

Essa mudança, segundo os executivos, está estreitamente relacionada à evolução do cenário macroeconômico. A oferta de crédito caro para quem estava com divida atrasada ou para compra de bens de consumo era a alternativa para um público sem comprovação de renda e sem acesso a taxas menores. "As financeiras surgiram numa época em que não havia bancarização da baixa renda, contexto que mudou com cartão de crédito e consignado", diz Magalhães. "Embora a precificação de empréstimo pessoal fosse adequada ao perfil do público do canal, é incompatível com a dinâmica de crédito atual, de grande escala".

Para se ter ideia, o crédito consignado representou em julho 60% do montante concedido de crédito pessoal, segundo o Banco Central. Há cinco anos, mal chegava a 40%. Em volume financeiro, o salto do consignado foi de R$ 19 bilhões para R$ 126 bilhões no comparativo.

"A estrutura de rua é cara e atende a um cliente ruim, que tem perfil de crédito negativo, em geral, e busca dinheiro para quitar outra dívida. Para compensar a taxa de inadimplência alta, os juros também são altos, mas a rentabilidade não", resume Boanerges Freire, diretor da Boanerges Consultoria em Varejo Financeiro. Além da concorrência dos bancos, as financeiras também ganharam a competição do próprio varejo. Freire destaca que 25% das financeiras registradas no BC são de redes de comércio.

Força de vendas é multiplicada

Alterar a estratégia de mercado, oferecendo crédito mais barato para um consumidor com perfil de risco menor, via parceria com varejistas, também resulta em reforço na distribuição de produtos. A iniciativa da Losango foi treinar os vendedores das lojas com as quais tem parceria, para que eles também ajudem a enquadrar o cliente no melhor produto financeiro. Arredondar a renda mensal de R$ 510 para R$ 550 é uma distorção de quase 10%, ressalta Hilgo Gonçalves, diretor da Losango.

"Isso gera impacto na capacidade de pagamento do consumidor. O que queremos é que, com um treinamento que dura 30 minutos pela internet, os vendedores ajudem o consumidor a prestar informações adequadas e identificar o produto adequado", diz o executivo. "O que a gente não quer, e nem a loja, é que o cliente fique inadimplente." Caso contrário, os juros tendem a aumentar e a capacidade de consumo diminui. Hoje, a taxa de inadimplência (90 dias) no crédito direto (CDC) é de 4,65% na Losango.

O treinamento da Losango já foi feito com 2 mil pessoas no programa piloto de "crédito sustentável". Agora, a financeira parte para a abordagem a 35 mil vendedores. É uma multiplicação de força de vendas, considerando que o total de vendedores próprios da Losango é cerca de 300 pessoas. "Recebemos 10 milhões de propostas
de crédito por ano e tomamos oito segundos para avaliação. Quanto mais informações desse cliente tivermos, mais rápida e eficiente será a concessão", diz Gonçalves. Segundo ele, houve um aumento da ordem de 4% na taxa de aprovação de crédito.

Para Felix Cardamone, diretor da Aymore Financeira, do grupo Santander, outro ponto de destaque na distribuição via intermediários é a conveniência, que estimula vendas. "No nosso mercado principal, que é o financiamento de veículos, o consumidor negocia o crédito quando está comprando o carro e pode sair inclusive com o IPVA financiado", diz. O financiamento de veículos representa 80% da originação da casa, que sempre optou por atuação via intermediários, sem loja de rua.

Os executivos ponderam que o atual modelo de financeira é mais próximo do que se tem em mercados maduros. "As financeiras que pescavam em mar aberto, correndo o risco de pegar tubarão, agora estão no pesqueiro, com clientes previamente selecionados", resume o consultor Boanerges Freire.

18 de ago. de 2010

ITAÚ UNIBANCO PREVÊ CRESCIMENTO DA HIPERCARD COM FIM DA INTEGRAÇÃO

portal Valor Online 17/08/2010 - Eduardo Laguna

O Itaú Unibanco aposta em uma parceria com a Redecard e o fim do processo de integração em plataformas de cartões para ampliar a penetração de sua bandeira Hipercard no território nacional.

Segundo o presidente do banco, Roberto Setubal, o término da unificação dos sistemas do Itaú Unibanco - algo previsto para o início do ano que vem - dará ao grupo uma condição melhor para comercializar a bandeira nas agências.

Fora isso, a marca de cartão passou recentemente a ter operações capturadas pela Redecard - também controlada pelo Itaú Unibanco -, o que, segundo Setubal, ajudará a bandeira ampliar sua abrangência geográfica.

Criada em 1970 para administrar o cartão de fidelidade do grupo varejista Bompreço - hoje pertencente ao Walmart -, a Hipercard tem uma base de 13 milhões de plásticos emitidos, mas ainda não tem presença consolidada em todos os Estados. Essa situação, disse o executivo, indica um alto potencial de crescimento da operação.

De acordo com Setubal, os movimentos do Bradesco, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para relançar neste ano a bandeira Elo representam uma reação da concorrência à "forte posição" do Itaú Unibanco no mercado de cartões. "O Hipercard é o maior cartão do país", disse.

O presidente do grupo financeiro acrescentou que o término do regime de exclusividade nesse mercado é uma mudança positiva, já que tende a fomentar a competição no setor.

"As mudanças podem parecer ruins para as empresas no curto prazo, mas são muito boas no longo prazo", afirmou o executivo, acrescentando que as empresas terão que oferecer preços mais competitivos e melhor qualidade de serviços nesse ambiente. "Isso vai permitir uma expansão ainda maior desse mercado", comentou Setubal, durante apresentação em evento com analistas e investidores promovido pela Apimec.

16 de ago. de 2010

REDECARD FICA DE FORA DAS MAIORES ALIANÇAS

jornal Valor Econômico 16/08/2010 - Aline Lima

A união entre Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB) e Bradesco no mercado de cartões deixou o Itaú, sócio majoritário da Redecard, ainda mais isolado no setor. Na última segunda-feira, 9 de agosto, o anúncio da parceria da Redecard com o Sicredi, Sistema de Crédito Cooperativo, que marcava o fechamento da vigésima aliança pela empresa, passou praticamente despercebido pelo mercado. Nesse mesmo dia, a Caixa Econômica celebrava sua adesão à bandeira elo, recém-lançada por Banco do Brasil e Bradesco, o que coloca o banco estatal automaticamente dentro do raio de ação da credenciadora Cielo, controlada por BB e Bradesco, responsável pelos negócios com a nova bandeira nacional e principal concorrente da Redecard. O memorando de entendimentos inclui ainda a possibilidade de aumento da participação da Caixa na Cielo, hoje de 1,14%.

A instituição da família Setubal buscou novos sócios para não permanecer como único banco acionista da Redecard. Falhou tanto no caso do Santander -que tinha participação na Cielo via Banco Real ABN Amro, mas acabou optando por seguir voo solo - como no caso do HSBC, que firmou acordo com a Cielo para ser sua credenciadora de lojistas preferencial. A Caixa era o último banco relevante que ainda não havia definido um parceiro preferencial e um modelo de negócio.

Segundo fontes do setor, o Itaú mantinha conversas com o banco estatal, mas as negociações não avançaram. A Caixa, inclusive, já processa sua base de 5,2 milhões de cartões na Orbittal, que pertence à Redecard. "A Caixa seria um divisor de águas, até porque a bandeira Hipercard [do Itaú] é o contraponto natural para a elo", observa Boanerges Ramos Freire, da consultoria Boanerges & Cia. Dos bancos que podiam ser considerados independentes em relação às duas credenciadoras que dominam o mercado, a Cielo acabou amealhando todos.

A acirrada disputa entre Redecard e Cielo passa pelo desenvolvimento de estratégias de atuação distintas. A Cielo prefere se concentrar em poucas bandeiras (Visa, Mastercard e American Express), mas de uso intensivo, ao passo que a Redecard tem privilegiado o aspecto quantitativo, fechando acordos com várias bandeiras regionais. Roberto Medeiros, presidente da Redecard, minimiza a polêmica. "Nosso foco são os clientes, e não os concorrentes", afirma. Segundo Medeiros, a forte presença dos cartões Sicredi em Mato Grosso do Sul, por exemplo, ou do Sorocred no interior paulista permite à Redecard ter mais proximidade com o lojista.

Qual estratégia será a mais acertada, só o tempo irá dizer. Analistas de mercado arriscam palpites. "Não tenho recomendação de compra para a ações de nenhuma das duas empresas, mas se tivesse de escolher uma, ficaria com Cielo", diz Laura Lyra, analista da corretora Ativa. A avaliação é de que, num cenário de competição, o banco credenciador precisa ter expressão nacional. Juntos, BB, Bradesco e Caixa Econômica têm maior capilaridade do que o Itaú Unibanco. Além disso, embora a bandeira elo não tenha sido transformada em plástico, ninguém negligencia o potencial dessa tríade de bancos junto à baixa renda, num contexto econômico que é de mobilidade social.

A Redecard tem a seu favor um passado de inovações. A antecipação de receita de pagamentos feitos com cartões para lojistas tem sido seu grande diferencial. No primeiro semestre, cerca de 25% do volume de crédito foi antecipado para os clientes lojistas, valor que chega a quase R$ 14 bilhões. Na Cielo, esse tipo de operação começou no fim de 2009 e envolve apenas 5% do montante movimentado. "Fomos também os primeiros a fazer transações com celular", lembra Medeiros, da Redecard. "Cerca de 11 mil profissionais que trabalham com vendas de porta em porta carregam o celular com um software que passa cartão."

A aposta em diferenciação de serviço é válida, mas, como ressalta a analista Laura Lyra, ganha a preferência do lojista quem nele primeiro chegar. Até porque, vários desses serviços podem ser simplesmente copiados pela concorrência. "No passado, a Redecard foi mais eficiente, inovou e enxugou custos", afirma Laura. "O problema é que ela já atingiu a maturidade. Não vejo como a empresa pode crescer mais."

Porém, apesar de a Cielo ainda ter "gordura para queimar" quando o assunto é custo, Laura desenha um cenário desafiador para ambas as empresas. Com o fim da exclusividade entre credenciadora e bandeira, a concorrência aumenta e, com ela, os custos. "Além das verbas para campanhas de marketing, há uma enorme pressão com gastos de logística. Não se pode mais leva