jornal Brasil Econômico 03/01/2012 – Flávia Furlan
O mercado de cartões brasileiro ficará mais concorrido este ano, quando duas novas credenciadoras — companhias que fazem a comunicação entre o comércio e as bandeiras — entrarão em operação: as americanas Elavon e Tsys. As empresas chegam para competir com Cielo e Redecard, que hoje dominam a atividade de adquirência, e vão usar como estratégia aquilo que está sendo experimentado pelas veteranas, que é agregar valor às “maquininhas” disponibilizadas ao comércio, como com programas de fidelidade, sem entrar em guerra de preços.
Segundo Antonio Castillo, presidente da Elavon na América Latina — credenciadora que atua em 30 países e que tem um escritório com 100 funcionários no Brasil—, a companhia vai entrar no país com produtos diferenciados para cada tipo de varejista e tem serviços para empresas do setor aéreo, turismo, saúde e para o comércio eletrônico. “Acreditamos que o mais importante para o varejo é economia em cima das receitas operacionais. A estratégia da Elavon não é baseada em preços.”
A Elavon já fechou contrato com 200 varejistas de todos os portes, sendo que os menores devem começar um projeto piloto no primeiro trimestre de 2012 e os grandes vão entrar em operação até o final do primeiro semestre, já que estão passando por uma fase de desenvolvimento de produtos especiais a serem aplicados no país. A empresa já teem sua carteira bandeiras como Visa, MasterCard, Diners e Discover, mas não descarta a parceria com as bandeiras regionais.
Antonio Jorge Bueno, responsável pela América Latina da conterrânea Tsys, pondera que quer entregar no Brasil muito valor agregado às maquininhas. “O caminho neste mercado é a diferenciação”, afirma, sem adiantar qual a estratégia que a empresa seguirá no país quando começar a operar, o que deve ocorrer no próximo ano. A Tsys atua no Brasil como processadora de transações de cartões desde 2009, tendo como principal cliente o Carrefour. No mundo, a empresa tem capacidade de processar 7 bilhões de pagamentos ao ano e apenas nos Estados Unidos ela atua também como credenciadora, a exemplo do que ocorrerá no Brasil. De acordo com Bueno, a guerra de preços só estragaria o mercado para todo mundo e, portanto, não é a estratégia que deve adotar. “Conforme o preço abaixa, a qualidade do serviço cai e tudo tem um limite. Quero fornecer tanto benefício ao cliente que ele aceite pagar mais pelo meu serviço”, pondera.
As novas empresas de credenciamento entram em sintonia com as veteranas do setor. “Não vamos entrar em guerra de preços”, afirmaram em coro Claudio Yamaguti, presidente da Redecard, durante reunião com investidores, e Rômulo Dias, presidente da Cielo, em entrevista ao BRASIL ECONÔMICO.
As empresas reduziram suas margens durante o ano de 2010, quando houve em julho a abertura do mercado de credenciamento com o fim da exclusividade de Cielo prestar serviço de adquirência para a Visa e a Redecard para a MasterCard. Em ambiente mais competitivo, as companhias foram forçadas a reduzir preços, inclusive a taxa de desconto cobrada do varejista pelo aluguel das maquininhas. Para se ter uma ideia, entre o terceiro trimestre de 2010 e o mesmo período de 2011, a taxa da Redecard e da Cielo caiu 8%. No entanto, agora o que se percebe é que essa taxa tende a se estabilizar, uma vez que as empresas voltaram a buscar rentabilidade para garantir resultados.
O Santander, que entrou no mercado de adquirência em 2010 em parceria com a GetNet, vai no sentido contrário dos concorrentes e já anunciou, inclusive, a não cobrança da taxa de desconto aplicada ao varejista pelo aluguel das maquininhas. A meta é ganhar escala e depois buscar rentabilidade.
Preço baixo é importante para novata ganhar mercado
A estratégia de cobrar um preço menor é importante para quem está entrando no mercado de adquirência brasileiro, pois é deste modo que se conquista mais escala, segundo a equipe de pesquisas da corretora Planner. “O Santander está em primeiro lugar buscando volume porque precisa de participação neste setor, já que a Cielo e Redecard têm uma vantagem muito forte”, pondera a equipe de analistas. Para eles, vai ser difícil ganhar espaço como Elavon e Tsys estão propondo, apenas agregando valor às maquininhas, a não ser que se conquiste clientes com grande volume de transações. Dados do terceiro trimestre de 2011 mostravam que a Cielo detinha 56,7% do mercado de credenciamento, ante 42,1% da Redecard e 1,2% de outras. Pesquisa da Boanerges & Cia. Consultoria de Varejo mostra que, em 2016, quando o Brasil atingir 13,7 bilhões de transações ao ano, a Cielo terá parcela de 41,6% do mercado, contra 37,2% da Redecard e 21,16% das demais empresas.
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14 de jan. de 2012
18 de set. de 2011
A CIELO ESTICA OS GANHOS
revista Isto É Dinheiro 14/09/2011 – Cláudio Gradilone
Por qualquer métrica, a Cielo, empresa de transações eletrônicas, é uma companhia em ascensão. Ela responde por quase metade de um mercado que movimenta R$ 600 bilhões por ano, o de pagamentos privados. Quando pagam suas despesas com bens e serviços, os brasileiros podem usar cédulas, cheques e também o “dinheiro de plástico”, os cartões de crédito e de débito. Essa moeda eletrônica caiu no gosto (e no bolso) dos brasileiros e cresce cerca de 20% ao ano há pelo menos três anos. Essa tendência não dá sinais de exaustão no curto prazo, para a alegria de Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo. “Hoje, os cartões são usados em cerca de 25% dos gastos dos brasileiros”, diz o executivo. “Em países desenvolvidos, esse percentual chega a 60%.” Mas o que faz brilhar os olhos de Dias são dois itens muito diferentes dos cartões: aparelhos celulares e serviços de saúde. Essas são as duas principais apostas da Cielo para manter um ritmo sustentável de crescimento ao longo dos próximos anos.
"Nossa estratégia é ser o primeiro a entrar em cada um dos nichos de mercado" - Rômulo Dias, presidente da CIELO
A participação dos meios de pagamento eletrônico vem crescendo ininterruptamente desde 1994. Até então, empresas como a Cielo – que antes se chamava Visanet e tinha o monopólio das transações com a bandeira Visa, a maior do mundo – nadavam de braçada. Mas o setor enfrentou no ano passado uma mudança profunda na maneira de fazer negócios. Em 1º de julho de 2010, o governo determinou o fim do monopólio das empresas de processamento sobre as transações com os cartões de suas bandeiras associadas. A ideia por trás dessa revolução é democratizar os terminais de pagamento (os POS) e reduzir os gastos dos comerciantes e prestadores de serviços.
Nesse aspecto, a Cielo saiu na frente, pois tinha a vantagem da liderança sobre sua principal concorrente, a Redecard. “Ela largou com uma certa vantagem, pois já dispunha de uma base instalada um pouco maior”, diz André Volker, analista do banco Opportunity. Hoje, a Cielo tem 1,2 milhão de estabelecimentos credenciados, 25% a mais que há 12 meses. As transações, por sua vez, cresceram 21,5% e atingiram R$ 75,3 bilhões somente no segundo trimestre. A competição mais acirrada e as margens menores pressionaram o lucro, que mesmo assim alcançou robustos R$ 424 milhões no segundo trimestre, com queda de 7,5% em relação ao mesmo período de 2010.
Na bolsa, as ações da empresa, que caíram 5,6% no ano passado, apresentavam alta de 30% este ano, até a terça-feira 6. É um desempenho superior ao da concorrente Redecard, que despencou 21,6% no ano passado e subiu 29% desde janeiro, segundo a Economática. Para atrair os varejistas, a Cielo tem atuado em várias frentes. Uma delas é a implantação dos terminais servidos por conexões de internet banda larga.
“Nossas pesquisas indicaram que 69% dos clientes que estão nos grandes centros têm acesso à internet de alta velocidade”, diz o presidente. A empresa também está oferecendo serviços que permitem às lojas operar programas de premiação de clientes. “Ao usar o equipamento, o varejista saberá em tempo real quando foi a última visita do cliente e se ele merece algum prêmio”, afirma Dias. O POS da Cielo, portanto, virou um instrumento inteligente de relacionamento, mais do que um simples recebedor de pagamentos. Essa estratégia é essencial. As empresas de processamento de transações tiveram de sacrificar parte das margens para preservar suas participações de mercado. As duas fontes de receita, a mensalidade de uso dos POS e o percentual cobrado do valor de cada compra têm estado sob pressão.
Desde 2010, o desconto médio cobrado do varejista nos cartões de crédito recuou de 1,55% para 1,15% do valor da compra. A diferença parece ínfima, mas esse pedágio incide sobre transações de centenas de bilhões de reais. “Um acirramento da disputa é a maior ameaça à rentabilidade dessas empresas”, diz Volker. A maneira de evitar novas pressões é procurar dominar segmentos de mercado pouco explorados. Um deles é o de pagamentos por meio de telefones celulares. Corriqueiros nos países desenvolvidos, eles começam a chegar ao Brasil, e a Cielo tem investido bastante no desenvolvimento de tecnologias que permitam ao portador de um celular pagar suas contas tão facilmente quanto enviar uma mensagem de texto. “Os usuários mais jovens têm muito menos resistência a usar o celular para pagar pequenas despesas”, afirma Dias. Outro setor promissor é o de serviços de saúde. Para isso, a Cielo vem investindo desde 2006 em uma subsidiária integral, chamada Orizon, que tem participações acionárias do Bradesco e da seguradora Sul América. Muitas vezes, os pacientes precisam de uma autorização do plano de saúde de que são clientes para realizar consultas ou exames.
Corriqueiros no exterior, os pagamentos com celular começam a chegar ao Brasil
A Orizon – que faturou R$ 150 milhões no ano passado – permite obter essas informações em tempo real, dispensando um demorado processo de confirmação por telefone. O processo já é usado pelos sócios Bradesco Saúde e Sul América, além da Cassi e da Unimed. Por enquanto, a Orizon só transporta informações, mas é questão de tempo para que seu sistema convirja para o de pagamentos. “O limite para os negócios são os milhões de laboratórios, médicos, dentistas e pacientes da rede privada”, afirma Dias. Não por acaso, muitos investidores visitam a sede da Cielo em Alphaville, região metropolitana de São Paulo, em busca de parcerias. “Diversos fundos de private equity já vieram conversar conosco”, diz o presidente. A estratégia faz sentido. “A competição entre as processadoras será mais intensa nos novos serviços”, disse o consultor Boanerges Ramos Freire, especializado em varejo financeiro.
Por qualquer métrica, a Cielo, empresa de transações eletrônicas, é uma companhia em ascensão. Ela responde por quase metade de um mercado que movimenta R$ 600 bilhões por ano, o de pagamentos privados. Quando pagam suas despesas com bens e serviços, os brasileiros podem usar cédulas, cheques e também o “dinheiro de plástico”, os cartões de crédito e de débito. Essa moeda eletrônica caiu no gosto (e no bolso) dos brasileiros e cresce cerca de 20% ao ano há pelo menos três anos. Essa tendência não dá sinais de exaustão no curto prazo, para a alegria de Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo. “Hoje, os cartões são usados em cerca de 25% dos gastos dos brasileiros”, diz o executivo. “Em países desenvolvidos, esse percentual chega a 60%.” Mas o que faz brilhar os olhos de Dias são dois itens muito diferentes dos cartões: aparelhos celulares e serviços de saúde. Essas são as duas principais apostas da Cielo para manter um ritmo sustentável de crescimento ao longo dos próximos anos.
"Nossa estratégia é ser o primeiro a entrar em cada um dos nichos de mercado" - Rômulo Dias, presidente da CIELO
A participação dos meios de pagamento eletrônico vem crescendo ininterruptamente desde 1994. Até então, empresas como a Cielo – que antes se chamava Visanet e tinha o monopólio das transações com a bandeira Visa, a maior do mundo – nadavam de braçada. Mas o setor enfrentou no ano passado uma mudança profunda na maneira de fazer negócios. Em 1º de julho de 2010, o governo determinou o fim do monopólio das empresas de processamento sobre as transações com os cartões de suas bandeiras associadas. A ideia por trás dessa revolução é democratizar os terminais de pagamento (os POS) e reduzir os gastos dos comerciantes e prestadores de serviços.
Nesse aspecto, a Cielo saiu na frente, pois tinha a vantagem da liderança sobre sua principal concorrente, a Redecard. “Ela largou com uma certa vantagem, pois já dispunha de uma base instalada um pouco maior”, diz André Volker, analista do banco Opportunity. Hoje, a Cielo tem 1,2 milhão de estabelecimentos credenciados, 25% a mais que há 12 meses. As transações, por sua vez, cresceram 21,5% e atingiram R$ 75,3 bilhões somente no segundo trimestre. A competição mais acirrada e as margens menores pressionaram o lucro, que mesmo assim alcançou robustos R$ 424 milhões no segundo trimestre, com queda de 7,5% em relação ao mesmo período de 2010.
Na bolsa, as ações da empresa, que caíram 5,6% no ano passado, apresentavam alta de 30% este ano, até a terça-feira 6. É um desempenho superior ao da concorrente Redecard, que despencou 21,6% no ano passado e subiu 29% desde janeiro, segundo a Economática. Para atrair os varejistas, a Cielo tem atuado em várias frentes. Uma delas é a implantação dos terminais servidos por conexões de internet banda larga.
“Nossas pesquisas indicaram que 69% dos clientes que estão nos grandes centros têm acesso à internet de alta velocidade”, diz o presidente. A empresa também está oferecendo serviços que permitem às lojas operar programas de premiação de clientes. “Ao usar o equipamento, o varejista saberá em tempo real quando foi a última visita do cliente e se ele merece algum prêmio”, afirma Dias. O POS da Cielo, portanto, virou um instrumento inteligente de relacionamento, mais do que um simples recebedor de pagamentos. Essa estratégia é essencial. As empresas de processamento de transações tiveram de sacrificar parte das margens para preservar suas participações de mercado. As duas fontes de receita, a mensalidade de uso dos POS e o percentual cobrado do valor de cada compra têm estado sob pressão.
Desde 2010, o desconto médio cobrado do varejista nos cartões de crédito recuou de 1,55% para 1,15% do valor da compra. A diferença parece ínfima, mas esse pedágio incide sobre transações de centenas de bilhões de reais. “Um acirramento da disputa é a maior ameaça à rentabilidade dessas empresas”, diz Volker. A maneira de evitar novas pressões é procurar dominar segmentos de mercado pouco explorados. Um deles é o de pagamentos por meio de telefones celulares. Corriqueiros nos países desenvolvidos, eles começam a chegar ao Brasil, e a Cielo tem investido bastante no desenvolvimento de tecnologias que permitam ao portador de um celular pagar suas contas tão facilmente quanto enviar uma mensagem de texto. “Os usuários mais jovens têm muito menos resistência a usar o celular para pagar pequenas despesas”, afirma Dias. Outro setor promissor é o de serviços de saúde. Para isso, a Cielo vem investindo desde 2006 em uma subsidiária integral, chamada Orizon, que tem participações acionárias do Bradesco e da seguradora Sul América. Muitas vezes, os pacientes precisam de uma autorização do plano de saúde de que são clientes para realizar consultas ou exames.
Corriqueiros no exterior, os pagamentos com celular começam a chegar ao Brasil
A Orizon – que faturou R$ 150 milhões no ano passado – permite obter essas informações em tempo real, dispensando um demorado processo de confirmação por telefone. O processo já é usado pelos sócios Bradesco Saúde e Sul América, além da Cassi e da Unimed. Por enquanto, a Orizon só transporta informações, mas é questão de tempo para que seu sistema convirja para o de pagamentos. “O limite para os negócios são os milhões de laboratórios, médicos, dentistas e pacientes da rede privada”, afirma Dias. Não por acaso, muitos investidores visitam a sede da Cielo em Alphaville, região metropolitana de São Paulo, em busca de parcerias. “Diversos fundos de private equity já vieram conversar conosco”, diz o presidente. A estratégia faz sentido. “A competição entre as processadoras será mais intensa nos novos serviços”, disse o consultor Boanerges Ramos Freire, especializado em varejo financeiro.
31 de ago. de 2011
PAGAMENTOS EM CHEQUE E DINHEIRO DÃO LUGAR A CARTÕES
portal Maxpress 30/08/2011 – release E- Press Comunicação
Em 2021, os pagamentos com cartões na economia brasileira se tornarão preponderantes, superando pagamentos em dinheiro ou com cheque, este último já em franco declínio. Estes e outros dados sobre a evolução do segmento de cartões de crédito e débito, especialmente no segmento de estabelecimentos comerciais e de serviços, serão discutidos em palestra de Boanerges Ramos Freire, Presidente da Boanerges & Cia., empresa especializada em varejo financeiro, que acontece no Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor (C4) no Centro de Convenções Frei Caneca em São Paulo em 31/08 e 01/09.
Segundo Boanerges, essas mudanças no perfil de pagamentos no Brasil traz importantes implicações para lojistas, operadoras de cartões e também consumidores, uma vez que os cartões são, de longe, meios de pagamento mais inteligentes:
“A ampliação dos pagamentos com cartões traz para toda a vasta rede de empresas envolvidas nesse processo, como bancos, operadoras de cartões, seguradoras, lojas, financeiras, entre outras, uma variedade de informações inéditas, que podem resultar em novos negócios e formas de fidelização de clientes”, explica Boanerges, com mais de 30 anos de atuação nesse mercado.
Cheque em decadência – Um dos fenômenos do avanço do pagamento com cartões, que agora parcelam compras sem juros, como cheques pré-datados, é o acelerado processo de decadência do cheque, que respondia por 34% dos pagamentos no ano 2000 e chegará a 2021 com apenas 2% de participação:
“Há toda uma mobilização contra os pagamentos em cheques, a começar pelo fato de ser um meio de pagamento inseguro, suscetível a falsificações e ao velho problema da falta de fundos, algo que os cartões de crédito e débito já resolveram”, assinala Boanerges.
A palestra de Boanerges, que faz uma análise sobre o segmento de aceitação de cartões em lojas e estabelecimentos, conhecido como “acquiring” ou credenciamento, acontece no dia 31/08, às 14h, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Mais informações sobre o congresso podem ser obtidas pelo endereço: www.congressoc4.com.br.
Sobre a Boanerges & Cia.
A Boanerges & Cia. é uma consultoria especializada em varejo financeiro, e ao longo dos seus 10 anos de atuação no mercado vem desenvolvendo diversos projetos para empresas e profissionais do setor, através de soluções customizadas a cada caso e sempre voltadas para o resultado prático. Seus trabalhos contemplam diferentes áreas como estratégia e planejamento, marketing e vendas, finanças e controles, crédito e cobrança, operações e tecnologia, recursos humanos, aspectos legais, gestão da qualidade e gestão de projetos. É atualmente reconhecida como uma das maiores especialistas no mercado de varejo financeiro, com destaque para cartões, crédito ao consumidor e seguros.
Em 2021, os pagamentos com cartões na economia brasileira se tornarão preponderantes, superando pagamentos em dinheiro ou com cheque, este último já em franco declínio. Estes e outros dados sobre a evolução do segmento de cartões de crédito e débito, especialmente no segmento de estabelecimentos comerciais e de serviços, serão discutidos em palestra de Boanerges Ramos Freire, Presidente da Boanerges & Cia., empresa especializada em varejo financeiro, que acontece no Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor (C4) no Centro de Convenções Frei Caneca em São Paulo em 31/08 e 01/09.
Segundo Boanerges, essas mudanças no perfil de pagamentos no Brasil traz importantes implicações para lojistas, operadoras de cartões e também consumidores, uma vez que os cartões são, de longe, meios de pagamento mais inteligentes:
“A ampliação dos pagamentos com cartões traz para toda a vasta rede de empresas envolvidas nesse processo, como bancos, operadoras de cartões, seguradoras, lojas, financeiras, entre outras, uma variedade de informações inéditas, que podem resultar em novos negócios e formas de fidelização de clientes”, explica Boanerges, com mais de 30 anos de atuação nesse mercado.
Cheque em decadência – Um dos fenômenos do avanço do pagamento com cartões, que agora parcelam compras sem juros, como cheques pré-datados, é o acelerado processo de decadência do cheque, que respondia por 34% dos pagamentos no ano 2000 e chegará a 2021 com apenas 2% de participação:
“Há toda uma mobilização contra os pagamentos em cheques, a começar pelo fato de ser um meio de pagamento inseguro, suscetível a falsificações e ao velho problema da falta de fundos, algo que os cartões de crédito e débito já resolveram”, assinala Boanerges.
A palestra de Boanerges, que faz uma análise sobre o segmento de aceitação de cartões em lojas e estabelecimentos, conhecido como “acquiring” ou credenciamento, acontece no dia 31/08, às 14h, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Mais informações sobre o congresso podem ser obtidas pelo endereço: www.congressoc4.com.br.
Sobre a Boanerges & Cia.
A Boanerges & Cia. é uma consultoria especializada em varejo financeiro, e ao longo dos seus 10 anos de atuação no mercado vem desenvolvendo diversos projetos para empresas e profissionais do setor, através de soluções customizadas a cada caso e sempre voltadas para o resultado prático. Seus trabalhos contemplam diferentes áreas como estratégia e planejamento, marketing e vendas, finanças e controles, crédito e cobrança, operações e tecnologia, recursos humanos, aspectos legais, gestão da qualidade e gestão de projetos. É atualmente reconhecida como uma das maiores especialistas no mercado de varejo financeiro, com destaque para cartões, crédito ao consumidor e seguros.
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16 de ago. de 2011
COMPRAS COM CARTÃO MUDAM A FACE DO VAREJO BRASILEIRO
portal Maxpress 15/08/2011 – release E- Press Comunicação
Até 2021, segundo estimativas da Boanerges & Cia., as compras pagas com cartões no varejo brasileiro vão superar, em valor, as pagas com dinheiro. (Veja quadro abaixo) Esse fenômeno traz em si o poder de mudar a face do varejo brasileiro, uma vez que insere definitivamente na vida de consumidores, lojistas, empresas de serviços, bancos, financeiras, operadoras de cartão, empresas de call center e até seguradoras, um meio de pagamento com muito mais inteligência embarcada do que uma simples nota de dinheiro.
“Em 2021, 46% do consumo privado será pago com cartões de crédito, débito, loja ou rede, um índice que, em 2011, deverá alcançar 27%. Essa quase duplicação relativa dos recursos movimentados por esses meios de pagamento vai impactar a vida de todos que vivenciam este mercado. Esse crescimento já vem gerando uma pressão maior pelo aperfeiçoamento do setor, e a regulação, seja imposta pelo governo ou partindo dos próprios players atuantes, tem um papel fundamental tanto na garantia da evolução quanto na manutenção do equilíbrio entre os diversos envolvidos, incluindo consumidores, varejistas, emissores, credenciadores, bandeiras, entre outros”, assinala Boanerges Ramos Freire, Presidente da Boanerges & Cia., consultoria especializada em varejo financeiro.
No Brasil, 2011 deve fechar com 648 milhões de plásticos em circulação, incluindo cartões de rede, loja, débito e crédito, com um volume de transações estimado em 8,5 bilhões para este ano e um valor ao redor de R$ 680 bilhões, com cerca de 87% movimentados por cartões de crédito e débito.
O varejo financeiro no Brasil, explica Boanerges, é ainda mais dinâmico do que nos Estados Unidos e vem despertando o interesse de novos concorrentes, inclusive estrangeiros:
“O crescimento desse mercado vem promovendo altos ganhos, especialmente para empresas emissoras de cartões e as credenciadoras, que cuidam da relação com os estabelecimentos. Com essa crescente penetração desses meios de pagamento veremos pressões cada vez maiores por uma regulação do setor, bem como ações de autorregulação promovidas pelo próprio mercado”, prevê Freire.
Enquanto os varejistas verão mais opções de credenciadoras no mercado, com a consequente redução dos custos inerentes à aceitação desse tipo de pagamento, para os consumidores o impacto positivo do avanço dos cartões como meio de pagamento será a ampliação da rede de aceitação e uma possível redução nas taxas de juros praticadas atualmente:
“Com o aumento da concorrência, os credenciadores já vêm ampliando sua atuação para regiões e segmentos do varejo considerados pouco atrativos no passado. Já os bancos emissores estão cientes de que as taxas de juros estão na mira dos reguladores, e devem se antecipar para não sofrerem uma intervenção como os credenciadores vivenciaram com a quebra na exclusividades das bandeiras”, estima Freire.
O avanço dos cartões de crédito já provoca mudanças no cenário brasileiro de meios de pagamento. Segundo Freire, as transações com cheques, por exemplo, que eram de 34% em 2001, não chegam hoje a 5% e devem cair para 2% em 2021, rumando para uma sobrevivência marginal.
“O cheque pré-datado, uma invenção tipicamente brasileira, já foi praticamente substituído pelo parcelamento sem juros no cartão de crédito”, ressalta Freire.
Mudanças no mercado – No próximo dia 31/08, Boanerges Freire coordenará um painel sobre as mudanças no mercado de cartões e credenciamento de estabelecimentos no Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor, que acontece em São Paulo:
“Os meios de pagamento usados pelo varejo brasileiro apresentam mais variedade e complexidade do que a que vemos em mercados como o norte-americano, por exemplo. O Brasil é um grande laboratório nesse sentido, atraindo, inclusive, empresas estrangeiras, interessadas em atuar em um dos segmentos mais dinâmicos de nossa economia. No segmento de processamento de transações, temos visto a entrada de concorrentes estrangeiros atraídos pelo volume crescente de cartões. Já estamos vendo também o surgimento de inovações como pagamento via celular e cartões pré-pagos recarregáveis. Sabemos que há um enorme espaço para crescer no Brasil quando notamos que, ainda hoje, 55% dos salários são pagos em dinheiro”, assinala.
Até 2021, segundo estimativas da Boanerges & Cia., as compras pagas com cartões no varejo brasileiro vão superar, em valor, as pagas com dinheiro. (Veja quadro abaixo) Esse fenômeno traz em si o poder de mudar a face do varejo brasileiro, uma vez que insere definitivamente na vida de consumidores, lojistas, empresas de serviços, bancos, financeiras, operadoras de cartão, empresas de call center e até seguradoras, um meio de pagamento com muito mais inteligência embarcada do que uma simples nota de dinheiro.
“Em 2021, 46% do consumo privado será pago com cartões de crédito, débito, loja ou rede, um índice que, em 2011, deverá alcançar 27%. Essa quase duplicação relativa dos recursos movimentados por esses meios de pagamento vai impactar a vida de todos que vivenciam este mercado. Esse crescimento já vem gerando uma pressão maior pelo aperfeiçoamento do setor, e a regulação, seja imposta pelo governo ou partindo dos próprios players atuantes, tem um papel fundamental tanto na garantia da evolução quanto na manutenção do equilíbrio entre os diversos envolvidos, incluindo consumidores, varejistas, emissores, credenciadores, bandeiras, entre outros”, assinala Boanerges Ramos Freire, Presidente da Boanerges & Cia., consultoria especializada em varejo financeiro.
No Brasil, 2011 deve fechar com 648 milhões de plásticos em circulação, incluindo cartões de rede, loja, débito e crédito, com um volume de transações estimado em 8,5 bilhões para este ano e um valor ao redor de R$ 680 bilhões, com cerca de 87% movimentados por cartões de crédito e débito.
O varejo financeiro no Brasil, explica Boanerges, é ainda mais dinâmico do que nos Estados Unidos e vem despertando o interesse de novos concorrentes, inclusive estrangeiros:
“O crescimento desse mercado vem promovendo altos ganhos, especialmente para empresas emissoras de cartões e as credenciadoras, que cuidam da relação com os estabelecimentos. Com essa crescente penetração desses meios de pagamento veremos pressões cada vez maiores por uma regulação do setor, bem como ações de autorregulação promovidas pelo próprio mercado”, prevê Freire.
Enquanto os varejistas verão mais opções de credenciadoras no mercado, com a consequente redução dos custos inerentes à aceitação desse tipo de pagamento, para os consumidores o impacto positivo do avanço dos cartões como meio de pagamento será a ampliação da rede de aceitação e uma possível redução nas taxas de juros praticadas atualmente:
“Com o aumento da concorrência, os credenciadores já vêm ampliando sua atuação para regiões e segmentos do varejo considerados pouco atrativos no passado. Já os bancos emissores estão cientes de que as taxas de juros estão na mira dos reguladores, e devem se antecipar para não sofrerem uma intervenção como os credenciadores vivenciaram com a quebra na exclusividades das bandeiras”, estima Freire.
O avanço dos cartões de crédito já provoca mudanças no cenário brasileiro de meios de pagamento. Segundo Freire, as transações com cheques, por exemplo, que eram de 34% em 2001, não chegam hoje a 5% e devem cair para 2% em 2021, rumando para uma sobrevivência marginal.
“O cheque pré-datado, uma invenção tipicamente brasileira, já foi praticamente substituído pelo parcelamento sem juros no cartão de crédito”, ressalta Freire.
Mudanças no mercado – No próximo dia 31/08, Boanerges Freire coordenará um painel sobre as mudanças no mercado de cartões e credenciamento de estabelecimentos no Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor, que acontece em São Paulo:
“Os meios de pagamento usados pelo varejo brasileiro apresentam mais variedade e complexidade do que a que vemos em mercados como o norte-americano, por exemplo. O Brasil é um grande laboratório nesse sentido, atraindo, inclusive, empresas estrangeiras, interessadas em atuar em um dos segmentos mais dinâmicos de nossa economia. No segmento de processamento de transações, temos visto a entrada de concorrentes estrangeiros atraídos pelo volume crescente de cartões. Já estamos vendo também o surgimento de inovações como pagamento via celular e cartões pré-pagos recarregáveis. Sabemos que há um enorme espaço para crescer no Brasil quando notamos que, ainda hoje, 55% dos salários são pagos em dinheiro”, assinala.
1 de jul. de 2011
CARTÕES DE VAREJO ESTÃO NA MIRA DE FISCALIZAÇÃO
jornal Brasil Econômico 30/06/2011 – Flávia Furlan
Deputados e entidades de defesa do consumidor estão cobrando do Banco Central que fiscalize também os cartões distribuídos pelo varejo e que não têm uma instituição financeira envolvida no negócio, mas apenas uma administradora de cartão. Esses plásticos representam 10% do mercado, mas têm crescido com um papel social e econômico, de acordo com especialistas. O problema é que, junto com esse crescimento, há um aumento das reclamações por parte dos consumidores, assim como ocorre no setor como um todo.
Para se ter uma ideia, o mercado de cartões de varejo, com ou sem suporte de uma instituição financeira, totalizou em 2010 cerca de 170 milhões de plásticos, um incremento médio de 16% ao ano desde 2006. Os cartões sem bandeira ou que só podem ser utilizados no estabelecimento comercial somam 124 milhões.
Dados do Ministério da Justiça mostram que entre os assuntos mais demandados nos Procons no ano passado, o primeiro foi cartão de crédito, seguido por telefonia celular e banco comercial. No caso dos setores mais reclamados, quando há demanda dos consumidores seguida por abertura de um processo administrativo, os cartões estão dentro do tema assuntos financeiros, que ocupa o segundo lugar no ranking, Os plásticos representam 33,16% das reclamações no tema. Os principais problemas relatados em cartões são abuso na instituição de tarifas, déficit de informação sobre crédito, alteração unilateral do contrato e envio de cartão de crédito sem solicitação.
De acordo com o ministério, os órgãos de defesa do consumidor estão bastante atentos ao fato de os cartões de varejo não estarem sob as mesmas regras do Banco Central e têm demonstrado influência. Uma pressão feita pelo órgão fez com que novas regras de tarifas passassem a valer para o mercado de cartões sob a fiscalização do BC desde 1º de junho deste ano.
Os deputados defendem que o BC fiscalize também administradoras de cartões, além das instituições financeiras. Em2004, foi editada uma súmula no Superior Tribunal de Justiça, de número 283, que tinha esse reconhecimento. A súmula é a interpretação pacífica ou majoritária adotada por um tribunal a respeito de um tema. No entanto, ela não está sendo aplicada, conforme defendido pelo grupo envolvido na Proposta de Fiscalização e Controle do setor de cartão de crédito (PFC 10/2003) da Câmara.
O deputado Walter Ihoshi (DEM-SP), que participa das discussões, diz que hoje no Brasil ninguém cuida desses cartões do varejo e, então, o consumidor fica abandonado. “O ideal seria o Banco Central também fiscalizar, já que eles fiscalizam as instituições financeiras e as operações são idênticas”, avalia o parlamentar.
Já o deputado Roberto Santiago (PV-SP) explica que a intenção não é fazer com que as administradoras se transformem em instituições financeiras, mas que suas atividades sejam acompanhadas de perto pelo BC. “É isso que vamos pedir: que o Ministério Público cobre do Banco Central que ele considere a súmula. Se tem a súmula que diz que as administradoras têm de ser tratadas como instituições financeiras, por que o BC não está fazendo isso?”
De acordo como deputado Santiago, a preocupação da casa é com as reclamações no mercado de cartões de crédito como um todo, mas com uma atenção especial aos plásticos emitidos sem fiscalização. Nestes cartões, segundo ele, as taxas de juros cobradas dos consumidores podem chegar a 568% ao ano. “Pegue as milhões de pessoas que mudaram de classe social e agora entram em uma loja e se deixam levar por cartões que oferecem esses juros. Como elas não têm costume, imagina o que pode acontecer com o orçamento deles”, pondera.
“Tiro de canhão para matar mosquito”
O presidente da consultoria em varejo financeiro Boanerges e Cia., Boanerges Ramos Freire, diz que é interessante a ideia de fiscalizar mais de perto o setor de cartões. No entanto, ele acredita que essa questão precisa ser mais bem discutida e que a supervisão por parte do Banco Central seria como um "tiro de canhão para matar mosquito", que poderia até resolver as práticas indevidas dos plásticos do varejo, mas por outro lado tiraria do mercado empresas que têm um papel econômico e social importante.
Apesar de representarem uma minoria no setor, esses cartões de varejo sem uma instituição financeira por trás muitas vezes são regionais e podem atender a uma população que não tem contato com o sistema financeiro, inclusive ensinando como utilizar o instrumento de pagamento. Seria como um primeiro passo à bancarização.
O consultor considera que o setor de cartões é bastante inovador, mas às vezes muito agressivo nas vendas, inadequado na cobrança e desatencioso na abordagem com o cliente, até mesmo pela quantidade de transações e de consumidores. Porém, ressalta que não se pode julgar o setor inteiro. "O cartão de crédito tem fama de ser bicho papão. Não é um anjo, mas não é só fonte de problemas e aspectos negativos", finaliza.
Sobre toda essa discussão, o Banco Central destaca que seu entendimento é de que cartão de crédito sem banco emitindo não é objeto nem de sua regulação nem de sua fiscalização. Ele reitera que só normatiza cartões emitidos com uma instituição financeira envolvida no negócio.
Deputados e entidades de defesa do consumidor estão cobrando do Banco Central que fiscalize também os cartões distribuídos pelo varejo e que não têm uma instituição financeira envolvida no negócio, mas apenas uma administradora de cartão. Esses plásticos representam 10% do mercado, mas têm crescido com um papel social e econômico, de acordo com especialistas. O problema é que, junto com esse crescimento, há um aumento das reclamações por parte dos consumidores, assim como ocorre no setor como um todo.
Para se ter uma ideia, o mercado de cartões de varejo, com ou sem suporte de uma instituição financeira, totalizou em 2010 cerca de 170 milhões de plásticos, um incremento médio de 16% ao ano desde 2006. Os cartões sem bandeira ou que só podem ser utilizados no estabelecimento comercial somam 124 milhões.
Dados do Ministério da Justiça mostram que entre os assuntos mais demandados nos Procons no ano passado, o primeiro foi cartão de crédito, seguido por telefonia celular e banco comercial. No caso dos setores mais reclamados, quando há demanda dos consumidores seguida por abertura de um processo administrativo, os cartões estão dentro do tema assuntos financeiros, que ocupa o segundo lugar no ranking, Os plásticos representam 33,16% das reclamações no tema. Os principais problemas relatados em cartões são abuso na instituição de tarifas, déficit de informação sobre crédito, alteração unilateral do contrato e envio de cartão de crédito sem solicitação.
De acordo com o ministério, os órgãos de defesa do consumidor estão bastante atentos ao fato de os cartões de varejo não estarem sob as mesmas regras do Banco Central e têm demonstrado influência. Uma pressão feita pelo órgão fez com que novas regras de tarifas passassem a valer para o mercado de cartões sob a fiscalização do BC desde 1º de junho deste ano.
Os deputados defendem que o BC fiscalize também administradoras de cartões, além das instituições financeiras. Em2004, foi editada uma súmula no Superior Tribunal de Justiça, de número 283, que tinha esse reconhecimento. A súmula é a interpretação pacífica ou majoritária adotada por um tribunal a respeito de um tema. No entanto, ela não está sendo aplicada, conforme defendido pelo grupo envolvido na Proposta de Fiscalização e Controle do setor de cartão de crédito (PFC 10/2003) da Câmara.
O deputado Walter Ihoshi (DEM-SP), que participa das discussões, diz que hoje no Brasil ninguém cuida desses cartões do varejo e, então, o consumidor fica abandonado. “O ideal seria o Banco Central também fiscalizar, já que eles fiscalizam as instituições financeiras e as operações são idênticas”, avalia o parlamentar.
Já o deputado Roberto Santiago (PV-SP) explica que a intenção não é fazer com que as administradoras se transformem em instituições financeiras, mas que suas atividades sejam acompanhadas de perto pelo BC. “É isso que vamos pedir: que o Ministério Público cobre do Banco Central que ele considere a súmula. Se tem a súmula que diz que as administradoras têm de ser tratadas como instituições financeiras, por que o BC não está fazendo isso?”
De acordo como deputado Santiago, a preocupação da casa é com as reclamações no mercado de cartões de crédito como um todo, mas com uma atenção especial aos plásticos emitidos sem fiscalização. Nestes cartões, segundo ele, as taxas de juros cobradas dos consumidores podem chegar a 568% ao ano. “Pegue as milhões de pessoas que mudaram de classe social e agora entram em uma loja e se deixam levar por cartões que oferecem esses juros. Como elas não têm costume, imagina o que pode acontecer com o orçamento deles”, pondera.
“Tiro de canhão para matar mosquito”
O presidente da consultoria em varejo financeiro Boanerges e Cia., Boanerges Ramos Freire, diz que é interessante a ideia de fiscalizar mais de perto o setor de cartões. No entanto, ele acredita que essa questão precisa ser mais bem discutida e que a supervisão por parte do Banco Central seria como um "tiro de canhão para matar mosquito", que poderia até resolver as práticas indevidas dos plásticos do varejo, mas por outro lado tiraria do mercado empresas que têm um papel econômico e social importante.
Apesar de representarem uma minoria no setor, esses cartões de varejo sem uma instituição financeira por trás muitas vezes são regionais e podem atender a uma população que não tem contato com o sistema financeiro, inclusive ensinando como utilizar o instrumento de pagamento. Seria como um primeiro passo à bancarização.
O consultor considera que o setor de cartões é bastante inovador, mas às vezes muito agressivo nas vendas, inadequado na cobrança e desatencioso na abordagem com o cliente, até mesmo pela quantidade de transações e de consumidores. Porém, ressalta que não se pode julgar o setor inteiro. "O cartão de crédito tem fama de ser bicho papão. Não é um anjo, mas não é só fonte de problemas e aspectos negativos", finaliza.
Sobre toda essa discussão, o Banco Central destaca que seu entendimento é de que cartão de crédito sem banco emitindo não é objeto nem de sua regulação nem de sua fiscalização. Ele reitera que só normatiza cartões emitidos com uma instituição financeira envolvida no negócio.
17 de jun. de 2011
LOJISTA GANHA LIBERDADE E PODER DE NEGOCIAÇÃO
jornal Valor Econômico 16/06/2011 - Adriana Cotias e Filipe Pacheco
O lojista foi o maior beneficiado pela abertura do mercado de cartões, que ocorreu a partir da quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, e, por tabela, da Redecard com a MasterCard. A maior concorrência possibilitou a redução de um dos principais itens de custos dos lojistas: as despesas mensais com as redes de capturas de transações. Os efeitos para o consumidor, porém, são ainda incertos.
Para se ter uma ideia, na Redecard, que estrategicamente se valeu de uma política mais agressiva de preços para ganhar participação de mercado, a taxa média cobrada por transação (já descontada a parcela que vai para o banco emissor) caiu de 1,40% para 1,13% entre o primeiro trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2011. Na Cielo, a taxa média saiu de 1,48% para 1,22%. O preço médio de aluguel de maquininhas de captura (POS) encolheu 29%, de R$ 69 para R$ 49 no caso da Redecard e em 4% na Cielo, 4%, de R$ 72,1 para R$ 69,2.
"Antes, trabalhávamos com as máquinas da Visanet (atual Cielo) e da Redecard e não havia abertura nenhuma da parte delas para negociação, as condições eram impostas, a gente não tinha poder de barganha", diz Rodrigo Gimenez, proprietário da Rota 99, rede de artigos para o lar com sete lojas na Grande São Paulo.
Quando começou a ter liberdade de escolha, em julho, o empresário conversou com as duas operadoras e acabou ficando só com a Cielo. A taxa descontada por transação de crédito caiu de 3% para 2,5%. Ele estima que a economia por ano chegue a R$ 5 mil. Gimenez conta que recorrentemente a Redecard propõe isenção do aluguel de POS, caso as venda pela maquininha da empresa atinjam R$ 1 mil por mês. "Isso antes era simplesmente impensável."
Nas 99 lojas da Collins, de moda feminina, as franquias estão fazendo a transição para as máquinas da GetNet/Santander, mas os lojistas têm mantido os equipamentos da Redecard enquanto testam a nova tecnologia, contou uma das gerentes. Junto com a captura, a varejista negociou uma série de serviços bancários, como o processamento da folha de pagamento.
Embora ainda não afete diretamente o bolso do consumidor, a redução de custos tende a se traduzir numa melhor qualidade no processo de atendimento, entende a superintendente da unidade comercial e de marketing do Banrisul, Maria Inês Bilhar.
Com a economia obtida na repactuação do contrato em que elegeu a Cielo como única rede de captura de cartões, o grupo Tellerina, que reúne as lojas da joalheria Vivara e a de móveis Etna, pode investir em outros projetos, como aumentar a verba de marketing. "E à medida que ganhe vendas e competitividade, a companhia pode até repassar a redução de custos para o consumidor", diz Rodrigo Domingues, gerente financeiro do grupo varejista.
Até aqui, as associações de comércio não reportaram o repasse do custo menor do varejo com serviços de cartões para o consumidor final, pontua Boanerges Ramos Freire, da Boanerges & Cia, consultoria de varejo financeiro. "Mas, futuramente, isso talvez possa ser identificado, principalmente nas grandes redes de varejo, responsáveis pelos maiores volumes movimentados com cartões e segmento em que a concorrência é mais forte também."
O lojista foi o maior beneficiado pela abertura do mercado de cartões, que ocorreu a partir da quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, e, por tabela, da Redecard com a MasterCard. A maior concorrência possibilitou a redução de um dos principais itens de custos dos lojistas: as despesas mensais com as redes de capturas de transações. Os efeitos para o consumidor, porém, são ainda incertos.
Para se ter uma ideia, na Redecard, que estrategicamente se valeu de uma política mais agressiva de preços para ganhar participação de mercado, a taxa média cobrada por transação (já descontada a parcela que vai para o banco emissor) caiu de 1,40% para 1,13% entre o primeiro trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2011. Na Cielo, a taxa média saiu de 1,48% para 1,22%. O preço médio de aluguel de maquininhas de captura (POS) encolheu 29%, de R$ 69 para R$ 49 no caso da Redecard e em 4% na Cielo, 4%, de R$ 72,1 para R$ 69,2.
"Antes, trabalhávamos com as máquinas da Visanet (atual Cielo) e da Redecard e não havia abertura nenhuma da parte delas para negociação, as condições eram impostas, a gente não tinha poder de barganha", diz Rodrigo Gimenez, proprietário da Rota 99, rede de artigos para o lar com sete lojas na Grande São Paulo.
Quando começou a ter liberdade de escolha, em julho, o empresário conversou com as duas operadoras e acabou ficando só com a Cielo. A taxa descontada por transação de crédito caiu de 3% para 2,5%. Ele estima que a economia por ano chegue a R$ 5 mil. Gimenez conta que recorrentemente a Redecard propõe isenção do aluguel de POS, caso as venda pela maquininha da empresa atinjam R$ 1 mil por mês. "Isso antes era simplesmente impensável."
Nas 99 lojas da Collins, de moda feminina, as franquias estão fazendo a transição para as máquinas da GetNet/Santander, mas os lojistas têm mantido os equipamentos da Redecard enquanto testam a nova tecnologia, contou uma das gerentes. Junto com a captura, a varejista negociou uma série de serviços bancários, como o processamento da folha de pagamento.
Embora ainda não afete diretamente o bolso do consumidor, a redução de custos tende a se traduzir numa melhor qualidade no processo de atendimento, entende a superintendente da unidade comercial e de marketing do Banrisul, Maria Inês Bilhar.
Com a economia obtida na repactuação do contrato em que elegeu a Cielo como única rede de captura de cartões, o grupo Tellerina, que reúne as lojas da joalheria Vivara e a de móveis Etna, pode investir em outros projetos, como aumentar a verba de marketing. "E à medida que ganhe vendas e competitividade, a companhia pode até repassar a redução de custos para o consumidor", diz Rodrigo Domingues, gerente financeiro do grupo varejista.
Até aqui, as associações de comércio não reportaram o repasse do custo menor do varejo com serviços de cartões para o consumidor final, pontua Boanerges Ramos Freire, da Boanerges & Cia, consultoria de varejo financeiro. "Mas, futuramente, isso talvez possa ser identificado, principalmente nas grandes redes de varejo, responsáveis pelos maiores volumes movimentados com cartões e segmento em que a concorrência é mais forte também."
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16 de jun. de 2011
SERVIÇOS SUPERAM TARIFAS PARA CLIENTE DE BANCO
jornal Brasil Econômico 15/06/2011 – Natalia Flach
Apesar da pouca confiança nas instituições financeiras depois da crise econômica que abalou o mundo em 2008, um levantamento com 14 mil clientes bancários, em 25 países, aponta que os bancos ao redor do mundo estão conseguindo, em geral, proporcionar experiências positivas aos seus consumidores.
Em uma escala de 100 pontos, a média global é de 72,2, conforme a pesquisa realizada, neste ano, pela CPM Braxis Capgemini, UniCredit Group e Efma, e obtida com exclusividade pelo Brasil Econômico. No entanto, quando se analisa em profundidade as dimensões que mais importam para os clientes, a média mundial cai para 35,8 pontos.
O fator mais apreciado em um banco, segundo o levantamento, é a qualidade de serviços, seguido pela facilidade de uso e, em terceiro, as tarifas bancárias. “Apesar de os bancos terem conseguido minimizar as experiências negativas, foram menos bem sucedidos na entrega de experiências positivas nas dimensões que mais importam”, aponta a pesquisa.
O índice de experiência do cliente - Customer Experience Index (CEI) -, desenvolvido pela prestadora de serviços de tecnologia da informação e suas parceiras, leva em conta atributos emocionais, como felicidade, cuidado e respeito; prestação de serviços como internet, caixas eletrônicos e telefone; e o apoio dado durante as operações bancárias. Segundo a pesquisa, clientes que têm experiências positivas tendem a permanecer por mais tempo no banco, usar mais produtos e recomendar a instituição para outras pessoas. Por isso, o investimento com foco na experiência do cliente é, hoje, o grande diferencial das instituições. A experiência requer um entendimento maior dos interesses dos clientes.
“As expectativas variam bastante de país para país, dependendo da maturidade da indústria bancária e o estado geral da economia”, diz o relatório.
A América Latina, região pior colocada na classificação, é representada pelo México que possui o maior CEI com 30 pontos. O nível é alto para uma região em que 68% dos clientes não confiam no setor bancário - é o maior índice de desconfiança de todo o mundo. “O Brasil está em uma posição diferente do restante da América Latina. Por causa da legislação rigorosa, as chances de um banco quebrar são muito pequenas, apesar de isso ter sido comum durante a crise na Argentina. A confiança brasileira nas instituições se assemelha a de países desenvolvidos”, afirma Paulo Marcelo Moreira, vice-presidente de vendas da CPM Braxis Capgemini.
Na liderança do ranking de experiências positivas estão os Estados Unidos, com 53 pontos. “Os bancos americanos tiveram sucesso em identificar as áreas e canais mais importantes para os clientes e estão entregando os resultados à altura”, acrescenta o executivo.
A surpresa fica por conta da Índia. As instituições indianas performaram muito bem quando comparadas a bancos de países desenvolvidos. “Isso se deve ao fato de os consumidores terem baixas expectativas — por estarem passando pelo processo de bancarização — e aos investimentos feitos nos últimos anos", diz o executivo. O país é, inclusive, o único que teve níveis de satisfação similares aos do ranking de experiência positiva. No restante do mundo, a discrepância é grande.
De acordo com a CPM Braxis, a satisfação se dá quando as expectativas dos consumidores correspondem ou superam os serviços prestados e os produtos oferecidos. Segundo o levantamento, 59% dos clientes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com seus bancos. “No entanto, por conta de questões de mercado e de legislação, os bancos de varejo têm tido cada vez mais dificuldade de disputar clientes oferecendo apenas tarifas atraentes e itens inovadores", explica o executivo.
Desafio da bancarização é segmentar atendimento
O Brasil vive uma dicotomia quando o assunto são as experiências e a satisfação dos clientes com as instituições financeiras que operam no país. Ao mesmo tempo em que brasileiros com maior poder aquisitivo fazem diariamente operações bancárias — o que os levam a ser bastante exigentes com serviços e produtos oferecidos pelos bancos —, só agora as classes C e D estão abrindo suas primeiras contas correntes, no fenômeno da bancarização. Por conta desse movimento divergente, as instituições financeiras precisam segmentar a sua atuação para entender as necessidades e anseios de cada público.
“Querer fazer tudo para todos é o caminho do fracasso. Tem de segmentar tudo, desde os canais de atendimento, a linguagem usada até as agências bancárias”, afirma Boanerges Freire, diretor da consultoria de varejo financeiro Boanerges & Cia. Somente com esses dados em mãos, as instituições financeiras devem investir nas áreas destacadas pelos clientes, aponta Paulo Marcelo Moreira, vice-presidente de vendas da COM Braxis Capgemini. “Afinal, não adianta investir em agências bancárias se o público resolve tudo pela internet”, pondera.
De acordo com Freire, um dos grandes desafios é incluir as pessoas de baixa renda no sistema financeiro. Uma pesquisa encomendada pelo Banco Central ao Data Folha aponta que apenas 51%da população brasileira é bancarizada, sendo que nos países desenvolvidos chega-se a quase totalidade. “Essa parcela não tem conta corrente, cartão de crédito nem de débito. No máximo, tem poupança”, diz o executivo. “Tudo isso é oportunidade para o varejo financeiro”, acrescenta.
O primeiro passo tem de ser a formalização do emprego e educação das pessoas. “Outro ponto é que as empresas têm de estimular o pagamento em meios eletrônicos e não em dinheiro.” Há a possibilidade de se disseminar no mercado o cartão pré-pago, que é mais simples de usar.
Já o desafio que os bancos têm de enfrentar quando o público é “maduro” no segmento financeiro é a fidelização dos clientes a partir de experiências em multicanais e de multiprodutos, esclarece Moreira. “O que eles esperam é qualidade de serviço, um atendimento personalizado, que máquina nenhuma pode dar”, acrescenta Boanerges.
Apesar da pouca confiança nas instituições financeiras depois da crise econômica que abalou o mundo em 2008, um levantamento com 14 mil clientes bancários, em 25 países, aponta que os bancos ao redor do mundo estão conseguindo, em geral, proporcionar experiências positivas aos seus consumidores.
Em uma escala de 100 pontos, a média global é de 72,2, conforme a pesquisa realizada, neste ano, pela CPM Braxis Capgemini, UniCredit Group e Efma, e obtida com exclusividade pelo Brasil Econômico. No entanto, quando se analisa em profundidade as dimensões que mais importam para os clientes, a média mundial cai para 35,8 pontos.
O fator mais apreciado em um banco, segundo o levantamento, é a qualidade de serviços, seguido pela facilidade de uso e, em terceiro, as tarifas bancárias. “Apesar de os bancos terem conseguido minimizar as experiências negativas, foram menos bem sucedidos na entrega de experiências positivas nas dimensões que mais importam”, aponta a pesquisa.
O índice de experiência do cliente - Customer Experience Index (CEI) -, desenvolvido pela prestadora de serviços de tecnologia da informação e suas parceiras, leva em conta atributos emocionais, como felicidade, cuidado e respeito; prestação de serviços como internet, caixas eletrônicos e telefone; e o apoio dado durante as operações bancárias. Segundo a pesquisa, clientes que têm experiências positivas tendem a permanecer por mais tempo no banco, usar mais produtos e recomendar a instituição para outras pessoas. Por isso, o investimento com foco na experiência do cliente é, hoje, o grande diferencial das instituições. A experiência requer um entendimento maior dos interesses dos clientes.
“As expectativas variam bastante de país para país, dependendo da maturidade da indústria bancária e o estado geral da economia”, diz o relatório.
A América Latina, região pior colocada na classificação, é representada pelo México que possui o maior CEI com 30 pontos. O nível é alto para uma região em que 68% dos clientes não confiam no setor bancário - é o maior índice de desconfiança de todo o mundo. “O Brasil está em uma posição diferente do restante da América Latina. Por causa da legislação rigorosa, as chances de um banco quebrar são muito pequenas, apesar de isso ter sido comum durante a crise na Argentina. A confiança brasileira nas instituições se assemelha a de países desenvolvidos”, afirma Paulo Marcelo Moreira, vice-presidente de vendas da CPM Braxis Capgemini.
Na liderança do ranking de experiências positivas estão os Estados Unidos, com 53 pontos. “Os bancos americanos tiveram sucesso em identificar as áreas e canais mais importantes para os clientes e estão entregando os resultados à altura”, acrescenta o executivo.
A surpresa fica por conta da Índia. As instituições indianas performaram muito bem quando comparadas a bancos de países desenvolvidos. “Isso se deve ao fato de os consumidores terem baixas expectativas — por estarem passando pelo processo de bancarização — e aos investimentos feitos nos últimos anos", diz o executivo. O país é, inclusive, o único que teve níveis de satisfação similares aos do ranking de experiência positiva. No restante do mundo, a discrepância é grande.
De acordo com a CPM Braxis, a satisfação se dá quando as expectativas dos consumidores correspondem ou superam os serviços prestados e os produtos oferecidos. Segundo o levantamento, 59% dos clientes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com seus bancos. “No entanto, por conta de questões de mercado e de legislação, os bancos de varejo têm tido cada vez mais dificuldade de disputar clientes oferecendo apenas tarifas atraentes e itens inovadores", explica o executivo.
Desafio da bancarização é segmentar atendimento
O Brasil vive uma dicotomia quando o assunto são as experiências e a satisfação dos clientes com as instituições financeiras que operam no país. Ao mesmo tempo em que brasileiros com maior poder aquisitivo fazem diariamente operações bancárias — o que os levam a ser bastante exigentes com serviços e produtos oferecidos pelos bancos —, só agora as classes C e D estão abrindo suas primeiras contas correntes, no fenômeno da bancarização. Por conta desse movimento divergente, as instituições financeiras precisam segmentar a sua atuação para entender as necessidades e anseios de cada público.
“Querer fazer tudo para todos é o caminho do fracasso. Tem de segmentar tudo, desde os canais de atendimento, a linguagem usada até as agências bancárias”, afirma Boanerges Freire, diretor da consultoria de varejo financeiro Boanerges & Cia. Somente com esses dados em mãos, as instituições financeiras devem investir nas áreas destacadas pelos clientes, aponta Paulo Marcelo Moreira, vice-presidente de vendas da COM Braxis Capgemini. “Afinal, não adianta investir em agências bancárias se o público resolve tudo pela internet”, pondera.
De acordo com Freire, um dos grandes desafios é incluir as pessoas de baixa renda no sistema financeiro. Uma pesquisa encomendada pelo Banco Central ao Data Folha aponta que apenas 51%da população brasileira é bancarizada, sendo que nos países desenvolvidos chega-se a quase totalidade. “Essa parcela não tem conta corrente, cartão de crédito nem de débito. No máximo, tem poupança”, diz o executivo. “Tudo isso é oportunidade para o varejo financeiro”, acrescenta.
O primeiro passo tem de ser a formalização do emprego e educação das pessoas. “Outro ponto é que as empresas têm de estimular o pagamento em meios eletrônicos e não em dinheiro.” Há a possibilidade de se disseminar no mercado o cartão pré-pago, que é mais simples de usar.
Já o desafio que os bancos têm de enfrentar quando o público é “maduro” no segmento financeiro é a fidelização dos clientes a partir de experiências em multicanais e de multiprodutos, esclarece Moreira. “O que eles esperam é qualidade de serviço, um atendimento personalizado, que máquina nenhuma pode dar”, acrescenta Boanerges.
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24 de mar. de 2011
MASTERCARD CRIA DIVISÃO DE CARTÕES PRÉ-PAGOS
jornal Brasil Econômico 24/03/2011 - Thais Folego
No mundo de cartões, o segmento que mais tem espaço para crescer é o de pré-pagos, tanto no Brasil como no mundo. Enquanto no ano passado os cartões de crédito movimentaram no Brasil R$ 313 bilhões, os de débito, R$ 159,6 bilhões e os de loja, R$ 68, 4 bilhões (dados da Abecs), os pré-pagos movimentaram R$ 89 bilhões, sendo R$ 34 bilhões pré-pagos de telefonia móvel e fixa (dados da consultoria Boanerges & Cia.).
Por conta disso, as bandeiras de cartões internacionais têm dado prioridade ao segmento, principalmente em países em que a população ainda é pouco bancarizada, como no Brasil, em que esse tipo de instrumento é grande candidato a porta de entrada para o mundo de produtos financeiros. É o caso da Mastercard. “Enxergamos grandes oportunidades em pré-pago e o elegemos globalmente como prioridade”, diz Gilberto Caldart, presidente da Mastercard Brasil.
A marca de cartões criou uma unidade de negócios dedicada a pré-pagos no país, com uma estratégia diferente da adotada pelos concorrentes. Além de conceder licença para emitir cartões a instituições não bancárias (desde que atendam às regras da bandeira), a companhia oferece serviços de processamento e gerenciamento de programas.
Diferencial
“Temos condições de oferecer o que o emissor desejar. Todo o processo, desde a fabricação dos cartões até o processamento, passando pelo papel de bandeira, ou só uma das pontas, se assim ele quiser”, diz Caldart. Segundo ele, isso os torna mais competitivos e abertos às empresas interessadas em entrar neste mercado.
O serviço de gerenciamento de programa envolve contratação e gestão da processadora, fabricação dos cartões, administração do programa para a instituição emissora (carga, descarga, consulta de saldo), suporte para o emissor (orientação co mercial e treinamento), central de atendimento e back office.
Um dos diferenciais da bandeira citados por fontes do mercado é exatamente a flexibilidade quanto à concessão de licença de emissor para instituições não financeiras—um exemplo é a rede varejista Renner, que tem licença para emitir cartões da loja com a marca da Mastercard.
Sua principal concorrente, a Visa, só aprova como emissor instituições financeiras. Das bandeiras internacionais, no entanto, a Visa é a que já tem produtos pré-pagos bastante consolidados no Brasil, caso do cartão de refeição Visa Vale. Recentemente a Visa vendeu sua participação na CBSS, que emitia os cartões de refeição com exclusividade.
Segundo Boanerges Ramos Freire, presidente do Grupo Setorial de Pré-Pagos, capítulo brasileiro do Prepaid Internacional Fórum, há muitas empresas novas e em gestação no país interessadas em pré-pagos — e que não necessariamente são instituições financeiras. “É um negócio que exige inovação”, diz.
O primeiro produto da linha de pré-pago da Mastercard, lançado nesta semana, foi um cartão para viagem, cujo principal concorrente é o já estabelecido Visa Travel Money. A American Express também acaba de lançar um cartão para o segmento. “Este é o primeiro produto de uma linha que vai contar com cartões pré-pagos de presente, de incentivo, de uso genérico, para frete e refeição. “Estamos caminhando para ter um portfólio completo e amplo”, diz Caldart.
Dessa forma, a Mastercard parte para o ataque de um terreno em que a Visa já explora com os produtos Visa Travel Money, Visa Cargo (voltado ao setor de frete) e Visa Vale. Agora cabe ao mercado escolher a estratégia que mais se encaixa em seus negócios.
No mundo de cartões, o segmento que mais tem espaço para crescer é o de pré-pagos, tanto no Brasil como no mundo. Enquanto no ano passado os cartões de crédito movimentaram no Brasil R$ 313 bilhões, os de débito, R$ 159,6 bilhões e os de loja, R$ 68, 4 bilhões (dados da Abecs), os pré-pagos movimentaram R$ 89 bilhões, sendo R$ 34 bilhões pré-pagos de telefonia móvel e fixa (dados da consultoria Boanerges & Cia.).
Por conta disso, as bandeiras de cartões internacionais têm dado prioridade ao segmento, principalmente em países em que a população ainda é pouco bancarizada, como no Brasil, em que esse tipo de instrumento é grande candidato a porta de entrada para o mundo de produtos financeiros. É o caso da Mastercard. “Enxergamos grandes oportunidades em pré-pago e o elegemos globalmente como prioridade”, diz Gilberto Caldart, presidente da Mastercard Brasil.
A marca de cartões criou uma unidade de negócios dedicada a pré-pagos no país, com uma estratégia diferente da adotada pelos concorrentes. Além de conceder licença para emitir cartões a instituições não bancárias (desde que atendam às regras da bandeira), a companhia oferece serviços de processamento e gerenciamento de programas.
Diferencial
“Temos condições de oferecer o que o emissor desejar. Todo o processo, desde a fabricação dos cartões até o processamento, passando pelo papel de bandeira, ou só uma das pontas, se assim ele quiser”, diz Caldart. Segundo ele, isso os torna mais competitivos e abertos às empresas interessadas em entrar neste mercado.
O serviço de gerenciamento de programa envolve contratação e gestão da processadora, fabricação dos cartões, administração do programa para a instituição emissora (carga, descarga, consulta de saldo), suporte para o emissor (orientação co mercial e treinamento), central de atendimento e back office.
Um dos diferenciais da bandeira citados por fontes do mercado é exatamente a flexibilidade quanto à concessão de licença de emissor para instituições não financeiras—um exemplo é a rede varejista Renner, que tem licença para emitir cartões da loja com a marca da Mastercard.
Sua principal concorrente, a Visa, só aprova como emissor instituições financeiras. Das bandeiras internacionais, no entanto, a Visa é a que já tem produtos pré-pagos bastante consolidados no Brasil, caso do cartão de refeição Visa Vale. Recentemente a Visa vendeu sua participação na CBSS, que emitia os cartões de refeição com exclusividade.
Segundo Boanerges Ramos Freire, presidente do Grupo Setorial de Pré-Pagos, capítulo brasileiro do Prepaid Internacional Fórum, há muitas empresas novas e em gestação no país interessadas em pré-pagos — e que não necessariamente são instituições financeiras. “É um negócio que exige inovação”, diz.
O primeiro produto da linha de pré-pago da Mastercard, lançado nesta semana, foi um cartão para viagem, cujo principal concorrente é o já estabelecido Visa Travel Money. A American Express também acaba de lançar um cartão para o segmento. “Este é o primeiro produto de uma linha que vai contar com cartões pré-pagos de presente, de incentivo, de uso genérico, para frete e refeição. “Estamos caminhando para ter um portfólio completo e amplo”, diz Caldart.
Dessa forma, a Mastercard parte para o ataque de um terreno em que a Visa já explora com os produtos Visa Travel Money, Visa Cargo (voltado ao setor de frete) e Visa Vale. Agora cabe ao mercado escolher a estratégia que mais se encaixa em seus negócios.
Marcadores:
Boanerges e Cia,
cartão pré-pago,
MasterCard,
Visa
15 de mar. de 2011
BRADESCO E BB AVANÇAM NA CRIAÇÃO DA BANDEIRA ELO
portal Economia & Negócios 15/03/2011 - Altamiro Silva Júnior (Agencia Estado)
O Banco do Brasil e o Bradesco deram mais um passo para a criação da bandeira de cartões Elo. Anunciada em abril de 2010, a bandeira ainda não chegou ao mercado, mas os bancos anunciaram hoje a constituição da Elo Participações, holding que vai deter fatias em uma série de empresas dos dois bancos, incluindo a processadora de cartões Fidelity e a promotora de vendas Ibi, comprada pelo Bradesco da C&A em 2009. A Elo vai ter ainda uma empresa de caixas eletrônicos.
Para que a Elo seja uma empresa privada, e portanto mais ágil para a contratação de serviços e executivos, o Bradesco vai ter a maioria das ações da Elo Participações, com 50,01% do capital. O BB fica com o restante. A Caixa Econômica Federal também vai emitir a bandeira Elo, mas ainda não foi definido se terá uma participação em algumas dessas empresas.
A Elo Participações vai ter uma fatia na Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS). Dona dos cartões de benefícios Visa Vale, a CBSS é controlada pelo Bradesco e pelo BB e agora passou a fazer parte da bandeira Elo. O comunicado divulgado pelos dois bancos hoje não detalha qual será essa participação, apenas diz que a empresa será integrada à holding.
Uma das novidades, segundo o comunicado, é que a Elo Participações, por meio da CBSS, vai ficar com a participação do Bradesco na processadora de cartões Fidelity. Essa participação é avaliada em R$ 557,9 milhões. O Bradesco detinha 49% do capital da Fidelity e agora, indiretamente, o BB também será acionista da empresa. A Fidelity processa operações de pagamento com cartões (cuida da parte tecnológica das transações) do Bradesco e também vai cuidar dos cartões Elo. O BB, que faz o processamento das operações internamente, também pode transferir essas operações para a Fidelity.
A CBSS também vai ficar com 100% das ações detidas pelo Bradesco na Ibi Promotora de Vendas. Essa operação é avaliada em R$ 419 milhões.
"Em abril do ano passado, os dois bancos anunciaram um memorando de entendimento. Nesta terça-feira, soltaram um memorando com caráter vinculante, o que mostra que a parceria assumiu caráter mais efetivo e está evoluindo", destaca o especialista em varejo financeiro, Boanerges Ramos Freire, sócio da Boanerges & Cia.
A Elo será uma bandeira de cartões voltada para o público de baixa renda. A aceitação será apenas no Brasil, no primeiro momento. Quando foi anunciada, em abril do ano passado, a previsão era de que chegasse ao mercado em outubro. Mas houve sucessivos atrasos e a última previsão dos dois bancos era de que o lançamento ocorresse ainda neste primeiro trimestre. Quem vai administrar a bandeira é a Elo Serviços, controlada pela Elo Participações.
O Banco do Brasil e o Bradesco deram mais um passo para a criação da bandeira de cartões Elo. Anunciada em abril de 2010, a bandeira ainda não chegou ao mercado, mas os bancos anunciaram hoje a constituição da Elo Participações, holding que vai deter fatias em uma série de empresas dos dois bancos, incluindo a processadora de cartões Fidelity e a promotora de vendas Ibi, comprada pelo Bradesco da C&A em 2009. A Elo vai ter ainda uma empresa de caixas eletrônicos.
Para que a Elo seja uma empresa privada, e portanto mais ágil para a contratação de serviços e executivos, o Bradesco vai ter a maioria das ações da Elo Participações, com 50,01% do capital. O BB fica com o restante. A Caixa Econômica Federal também vai emitir a bandeira Elo, mas ainda não foi definido se terá uma participação em algumas dessas empresas.
A Elo Participações vai ter uma fatia na Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS). Dona dos cartões de benefícios Visa Vale, a CBSS é controlada pelo Bradesco e pelo BB e agora passou a fazer parte da bandeira Elo. O comunicado divulgado pelos dois bancos hoje não detalha qual será essa participação, apenas diz que a empresa será integrada à holding.
Uma das novidades, segundo o comunicado, é que a Elo Participações, por meio da CBSS, vai ficar com a participação do Bradesco na processadora de cartões Fidelity. Essa participação é avaliada em R$ 557,9 milhões. O Bradesco detinha 49% do capital da Fidelity e agora, indiretamente, o BB também será acionista da empresa. A Fidelity processa operações de pagamento com cartões (cuida da parte tecnológica das transações) do Bradesco e também vai cuidar dos cartões Elo. O BB, que faz o processamento das operações internamente, também pode transferir essas operações para a Fidelity.
A CBSS também vai ficar com 100% das ações detidas pelo Bradesco na Ibi Promotora de Vendas. Essa operação é avaliada em R$ 419 milhões.
"Em abril do ano passado, os dois bancos anunciaram um memorando de entendimento. Nesta terça-feira, soltaram um memorando com caráter vinculante, o que mostra que a parceria assumiu caráter mais efetivo e está evoluindo", destaca o especialista em varejo financeiro, Boanerges Ramos Freire, sócio da Boanerges & Cia.
A Elo será uma bandeira de cartões voltada para o público de baixa renda. A aceitação será apenas no Brasil, no primeiro momento. Quando foi anunciada, em abril do ano passado, a previsão era de que chegasse ao mercado em outubro. Mas houve sucessivos atrasos e a última previsão dos dois bancos era de que o lançamento ocorresse ainda neste primeiro trimestre. Quem vai administrar a bandeira é a Elo Serviços, controlada pela Elo Participações.
26 de nov. de 2010
NOVAS REGRAS PARA CARTÕES DEVEM TRAZER COMPETIÇÃO E REDUZIR INADIMPLÊNCIA
portal InfoMoney 25/11/2010 - Flávia Furlan Nunes
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (25) novas regras para o setor de cartões que, de acordo com o presidente da Boanerges & Cia Consultoria em Varejo Financeiro, Boanerges Ramos Freire, devem reduzir a inadimplência e aumentar a competição do mercado.
Entre as regras, está o estabelecimento de um valor mínimo de pagamento de cada fatura, para que o restante seja parcelado no chamado crédito rotativo. O valor mínimo deve ser de 15% do total da fatura, a partir de junho do próximo ano. Após dezembro, esse valor sobe para 20%. A prática do mercado era de 10% a 20%.
De acordo com Boanerges, o que o BC quer, com isso, é equilibrar o mercado, já que existe um grande número de pessoas que compra no cartão para parcelar sem juros ou usar do período gratuito – desde a compra até o pagamento da fatura – e há poucas pessoas que abusam do crédito rotativo e acabam ficando inadimplentes.
Para se ter uma ideia, 70% do saldo financiado no cartão hoje no Brasil é sem juros, enquanto 30% é de rolagem de dívidas. Nos Estados Unidos, a rolagem de dívida é de 80%, já que não há parcelado sem juros. Mas lá o juro do crédito rotativo fica em 17% ao ano, enquanto aqui fica em 10% ao mês.
Tarifas
O BC ainda regulamentou a cobrança de tarifas relacionadas à prestação de serviços de cartão de crédito e alterou e consolidou as normas sobre a cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais autorizadas a funcionar pelo BC.
“O BC está preocupado com a inadimplência do consumidor menos esclarecido, que está entrando no mercado”, afirmou Boanerges.
Ainda de acordo com ele, as regras “ajudam a educar melhor o mercado, traz mais competição e atenção ao assunto do financiamento, que precisa ser pensado melhor”.
Abecs
A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) informa que tem colaborado com as autoridades federais visando aperfeiçoar o mercado de meios eletrônicos de pagamento e reforça que o processo de regulação e autorregulação do setor é um passo importante nesse sentido.
Em nota, a associação reitera sua disposição em continuar colaborando com as autoridades quanto à definição e implementação de medidas regulatórias, tais como a padronização das tarifas no setor de cartões, a transparência sobre cobrança de taxas de juros sobre o crédito rotativo, o pagamento mínimo da fatura, não-envio de cartões sem solicitação prévia do consumidor, dentre outras medidas em benefício do consumidor e do mercado.
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (25) novas regras para o setor de cartões que, de acordo com o presidente da Boanerges & Cia Consultoria em Varejo Financeiro, Boanerges Ramos Freire, devem reduzir a inadimplência e aumentar a competição do mercado.
Entre as regras, está o estabelecimento de um valor mínimo de pagamento de cada fatura, para que o restante seja parcelado no chamado crédito rotativo. O valor mínimo deve ser de 15% do total da fatura, a partir de junho do próximo ano. Após dezembro, esse valor sobe para 20%. A prática do mercado era de 10% a 20%.
De acordo com Boanerges, o que o BC quer, com isso, é equilibrar o mercado, já que existe um grande número de pessoas que compra no cartão para parcelar sem juros ou usar do período gratuito – desde a compra até o pagamento da fatura – e há poucas pessoas que abusam do crédito rotativo e acabam ficando inadimplentes.
Para se ter uma ideia, 70% do saldo financiado no cartão hoje no Brasil é sem juros, enquanto 30% é de rolagem de dívidas. Nos Estados Unidos, a rolagem de dívida é de 80%, já que não há parcelado sem juros. Mas lá o juro do crédito rotativo fica em 17% ao ano, enquanto aqui fica em 10% ao mês.
Tarifas
O BC ainda regulamentou a cobrança de tarifas relacionadas à prestação de serviços de cartão de crédito e alterou e consolidou as normas sobre a cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais autorizadas a funcionar pelo BC.
“O BC está preocupado com a inadimplência do consumidor menos esclarecido, que está entrando no mercado”, afirmou Boanerges.
Ainda de acordo com ele, as regras “ajudam a educar melhor o mercado, traz mais competição e atenção ao assunto do financiamento, que precisa ser pensado melhor”.
Abecs
A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) informa que tem colaborado com as autoridades federais visando aperfeiçoar o mercado de meios eletrônicos de pagamento e reforça que o processo de regulação e autorregulação do setor é um passo importante nesse sentido.
Em nota, a associação reitera sua disposição em continuar colaborando com as autoridades quanto à definição e implementação de medidas regulatórias, tais como a padronização das tarifas no setor de cartões, a transparência sobre cobrança de taxas de juros sobre o crédito rotativo, o pagamento mínimo da fatura, não-envio de cartões sem solicitação prévia do consumidor, dentre outras medidas em benefício do consumidor e do mercado.
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13 de out. de 2010
PESO DO PRÉ-PAGO DOBRARÁ ATÉ 2020
jornal O Estado de S. Paulo 13/10/2010 – Clayton Netz
O pagamento em dinheiro vivo ainda é o meio preferido por 55% dos consumidores brasileiros, que devem gastar R$ 2,2 trilhões em 2010.
No entanto, essa hegemonia tende a acabar na próxima década: segundo estudo realizado pela consultoria Boanerges & Associados, de São Paulo, a participação dos pagamentos feitos em dinheiro deverá reduzir-se a 38% em 2020.
Nesse caso, a liderança nos meios de pagamento passará a ser ocupada pelo cartão de crédito, que representará 43% dos R$ 3,7 trilhões destinados ao consumo no País naquele ano. Trata-se de um crescimento de 70% em relação à participação atual do cartão, que representa um quarto do total de transações efetuadas pelos consumidores no País.
Da mesma forma, o uso do cheque bancário também continuará definhando, chegando a apenas 3% do volume total, a metade do registrado atualmente no Brasil.
Segundo o estudo da consultoria, o desempenho mais expressivo em termos relativos é o do chamado cartão pré-pago, que hoje responde por 4% do valor das transações, com R$ 89 bilhões. Daqui a dez anos, a fatia aumentará para 10%.
Embora ainda fortemente dependente dos gastos feitos pelos brasileiros com aparelhos celulares, a modalidade deverá ser alavancada pela popularização das demais formas de pré-pagos, prevê a consultoria.
"Hoje, o celular pré-pago representa 37% dos gastos", diz Boanerges Ramos Freire, da Boanerges & Associados e presidente do capítulo brasileiro do Fórum Internacional de Pré-pagos (Prepaid International Forum, na denominação em inglês). "Daqui a dez anos, essa participação deverá ter caído para apenas 14%."
Entrada. Nessa época, segundo o estudo, os 86% restantes deverão ser canalizados para opções como os cartões viagem, de transportes, presentes, saúde e de remessa de valores, adquiridos pelos consumidores, além dos oferecidos pelas empresas (vale- transporte e alimentação, cartão de combustíveis e vale-cultura) ou pelo governo (Bolsa-Família e seguro-desemprego, entre outros).
"Além de facilitar o controle de gastos, o pré-pago é um instrumento de inclusão eletrônico-financeira", diz Ramos Freire. "É uma porta de entrada para outros serviços, como o próprio cartão de crédito."
Para Ramos Freire, as perspectivas de crescimento do pré-pago estão atraindo os grandes grupos do setor e do varejo. Nomes como Visa, Mastercard, Ticket, VR, Banco PanAmericano e Carrefour já integram o Fórum Internacional de Pré-pagos.
O pagamento em dinheiro vivo ainda é o meio preferido por 55% dos consumidores brasileiros, que devem gastar R$ 2,2 trilhões em 2010.
No entanto, essa hegemonia tende a acabar na próxima década: segundo estudo realizado pela consultoria Boanerges & Associados, de São Paulo, a participação dos pagamentos feitos em dinheiro deverá reduzir-se a 38% em 2020.
Nesse caso, a liderança nos meios de pagamento passará a ser ocupada pelo cartão de crédito, que representará 43% dos R$ 3,7 trilhões destinados ao consumo no País naquele ano. Trata-se de um crescimento de 70% em relação à participação atual do cartão, que representa um quarto do total de transações efetuadas pelos consumidores no País.
Da mesma forma, o uso do cheque bancário também continuará definhando, chegando a apenas 3% do volume total, a metade do registrado atualmente no Brasil.
Segundo o estudo da consultoria, o desempenho mais expressivo em termos relativos é o do chamado cartão pré-pago, que hoje responde por 4% do valor das transações, com R$ 89 bilhões. Daqui a dez anos, a fatia aumentará para 10%.
Embora ainda fortemente dependente dos gastos feitos pelos brasileiros com aparelhos celulares, a modalidade deverá ser alavancada pela popularização das demais formas de pré-pagos, prevê a consultoria.
"Hoje, o celular pré-pago representa 37% dos gastos", diz Boanerges Ramos Freire, da Boanerges & Associados e presidente do capítulo brasileiro do Fórum Internacional de Pré-pagos (Prepaid International Forum, na denominação em inglês). "Daqui a dez anos, essa participação deverá ter caído para apenas 14%."
Entrada. Nessa época, segundo o estudo, os 86% restantes deverão ser canalizados para opções como os cartões viagem, de transportes, presentes, saúde e de remessa de valores, adquiridos pelos consumidores, além dos oferecidos pelas empresas (vale- transporte e alimentação, cartão de combustíveis e vale-cultura) ou pelo governo (Bolsa-Família e seguro-desemprego, entre outros).
"Além de facilitar o controle de gastos, o pré-pago é um instrumento de inclusão eletrônico-financeira", diz Ramos Freire. "É uma porta de entrada para outros serviços, como o próprio cartão de crédito."
Para Ramos Freire, as perspectivas de crescimento do pré-pago estão atraindo os grandes grupos do setor e do varejo. Nomes como Visa, Mastercard, Ticket, VR, Banco PanAmericano e Carrefour já integram o Fórum Internacional de Pré-pagos.
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16 de ago. de 2010
REDECARD FICA DE FORA DAS MAIORES ALIANÇAS
jornal Valor Econômico 16/08/2010 - Aline Lima
A união entre Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB) e Bradesco no mercado de cartões deixou o Itaú, sócio majoritário da Redecard, ainda mais isolado no setor. Na última segunda-feira, 9 de agosto, o anúncio da parceria da Redecard com o Sicredi, Sistema de Crédito Cooperativo, que marcava o fechamento da vigésima aliança pela empresa, passou praticamente despercebido pelo mercado. Nesse mesmo dia, a Caixa Econômica celebrava sua adesão à bandeira elo, recém-lançada por Banco do Brasil e Bradesco, o que coloca o banco estatal automaticamente dentro do raio de ação da credenciadora Cielo, controlada por BB e Bradesco, responsável pelos negócios com a nova bandeira nacional e principal concorrente da Redecard. O memorando de entendimentos inclui ainda a possibilidade de aumento da participação da Caixa na Cielo, hoje de 1,14%.
A instituição da família Setubal buscou novos sócios para não permanecer como único banco acionista da Redecard. Falhou tanto no caso do Santander -que tinha participação na Cielo via Banco Real ABN Amro, mas acabou optando por seguir voo solo - como no caso do HSBC, que firmou acordo com a Cielo para ser sua credenciadora de lojistas preferencial. A Caixa era o último banco relevante que ainda não havia definido um parceiro preferencial e um modelo de negócio.
Segundo fontes do setor, o Itaú mantinha conversas com o banco estatal, mas as negociações não avançaram. A Caixa, inclusive, já processa sua base de 5,2 milhões de cartões na Orbittal, que pertence à Redecard. "A Caixa seria um divisor de águas, até porque a bandeira Hipercard [do Itaú] é o contraponto natural para a elo", observa Boanerges Ramos Freire, da consultoria Boanerges & Cia. Dos bancos que podiam ser considerados independentes em relação às duas credenciadoras que dominam o mercado, a Cielo acabou amealhando todos.
A acirrada disputa entre Redecard e Cielo passa pelo desenvolvimento de estratégias de atuação distintas. A Cielo prefere se concentrar em poucas bandeiras (Visa, Mastercard e American Express), mas de uso intensivo, ao passo que a Redecard tem privilegiado o aspecto quantitativo, fechando acordos com várias bandeiras regionais. Roberto Medeiros, presidente da Redecard, minimiza a polêmica. "Nosso foco são os clientes, e não os concorrentes", afirma. Segundo Medeiros, a forte presença dos cartões Sicredi em Mato Grosso do Sul, por exemplo, ou do Sorocred no interior paulista permite à Redecard ter mais proximidade com o lojista.
Qual estratégia será a mais acertada, só o tempo irá dizer. Analistas de mercado arriscam palpites. "Não tenho recomendação de compra para a ações de nenhuma das duas empresas, mas se tivesse de escolher uma, ficaria com Cielo", diz Laura Lyra, analista da corretora Ativa. A avaliação é de que, num cenário de competição, o banco credenciador precisa ter expressão nacional. Juntos, BB, Bradesco e Caixa Econômica têm maior capilaridade do que o Itaú Unibanco. Além disso, embora a bandeira elo não tenha sido transformada em plástico, ninguém negligencia o potencial dessa tríade de bancos junto à baixa renda, num contexto econômico que é de mobilidade social.
A Redecard tem a seu favor um passado de inovações. A antecipação de receita de pagamentos feitos com cartões para lojistas tem sido seu grande diferencial. No primeiro semestre, cerca de 25% do volume de crédito foi antecipado para os clientes lojistas, valor que chega a quase R$ 14 bilhões. Na Cielo, esse tipo de operação começou no fim de 2009 e envolve apenas 5% do montante movimentado. "Fomos também os primeiros a fazer transações com celular", lembra Medeiros, da Redecard. "Cerca de 11 mil profissionais que trabalham com vendas de porta em porta carregam o celular com um software que passa cartão."
A aposta em diferenciação de serviço é válida, mas, como ressalta a analista Laura Lyra, ganha a preferência do lojista quem nele primeiro chegar. Até porque, vários desses serviços podem ser simplesmente copiados pela concorrência. "No passado, a Redecard foi mais eficiente, inovou e enxugou custos", afirma Laura. "O problema é que ela já atingiu a maturidade. Não vejo como a empresa pode crescer mais."
Porém, apesar de a Cielo ainda ter "gordura para queimar" quando o assunto é custo, Laura desenha um cenário desafiador para ambas as empresas. Com o fim da exclusividade entre credenciadora e bandeira, a concorrência aumenta e, com ela, os custos. "Além das verbas para campanhas de marketing, há uma enorme pressão com gastos de logística. Não se pode mais leva
A união entre Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB) e Bradesco no mercado de cartões deixou o Itaú, sócio majoritário da Redecard, ainda mais isolado no setor. Na última segunda-feira, 9 de agosto, o anúncio da parceria da Redecard com o Sicredi, Sistema de Crédito Cooperativo, que marcava o fechamento da vigésima aliança pela empresa, passou praticamente despercebido pelo mercado. Nesse mesmo dia, a Caixa Econômica celebrava sua adesão à bandeira elo, recém-lançada por Banco do Brasil e Bradesco, o que coloca o banco estatal automaticamente dentro do raio de ação da credenciadora Cielo, controlada por BB e Bradesco, responsável pelos negócios com a nova bandeira nacional e principal concorrente da Redecard. O memorando de entendimentos inclui ainda a possibilidade de aumento da participação da Caixa na Cielo, hoje de 1,14%.
A instituição da família Setubal buscou novos sócios para não permanecer como único banco acionista da Redecard. Falhou tanto no caso do Santander -que tinha participação na Cielo via Banco Real ABN Amro, mas acabou optando por seguir voo solo - como no caso do HSBC, que firmou acordo com a Cielo para ser sua credenciadora de lojistas preferencial. A Caixa era o último banco relevante que ainda não havia definido um parceiro preferencial e um modelo de negócio.
Segundo fontes do setor, o Itaú mantinha conversas com o banco estatal, mas as negociações não avançaram. A Caixa, inclusive, já processa sua base de 5,2 milhões de cartões na Orbittal, que pertence à Redecard. "A Caixa seria um divisor de águas, até porque a bandeira Hipercard [do Itaú] é o contraponto natural para a elo", observa Boanerges Ramos Freire, da consultoria Boanerges & Cia. Dos bancos que podiam ser considerados independentes em relação às duas credenciadoras que dominam o mercado, a Cielo acabou amealhando todos.
A acirrada disputa entre Redecard e Cielo passa pelo desenvolvimento de estratégias de atuação distintas. A Cielo prefere se concentrar em poucas bandeiras (Visa, Mastercard e American Express), mas de uso intensivo, ao passo que a Redecard tem privilegiado o aspecto quantitativo, fechando acordos com várias bandeiras regionais. Roberto Medeiros, presidente da Redecard, minimiza a polêmica. "Nosso foco são os clientes, e não os concorrentes", afirma. Segundo Medeiros, a forte presença dos cartões Sicredi em Mato Grosso do Sul, por exemplo, ou do Sorocred no interior paulista permite à Redecard ter mais proximidade com o lojista.
Qual estratégia será a mais acertada, só o tempo irá dizer. Analistas de mercado arriscam palpites. "Não tenho recomendação de compra para a ações de nenhuma das duas empresas, mas se tivesse de escolher uma, ficaria com Cielo", diz Laura Lyra, analista da corretora Ativa. A avaliação é de que, num cenário de competição, o banco credenciador precisa ter expressão nacional. Juntos, BB, Bradesco e Caixa Econômica têm maior capilaridade do que o Itaú Unibanco. Além disso, embora a bandeira elo não tenha sido transformada em plástico, ninguém negligencia o potencial dessa tríade de bancos junto à baixa renda, num contexto econômico que é de mobilidade social.
A Redecard tem a seu favor um passado de inovações. A antecipação de receita de pagamentos feitos com cartões para lojistas tem sido seu grande diferencial. No primeiro semestre, cerca de 25% do volume de crédito foi antecipado para os clientes lojistas, valor que chega a quase R$ 14 bilhões. Na Cielo, esse tipo de operação começou no fim de 2009 e envolve apenas 5% do montante movimentado. "Fomos também os primeiros a fazer transações com celular", lembra Medeiros, da Redecard. "Cerca de 11 mil profissionais que trabalham com vendas de porta em porta carregam o celular com um software que passa cartão."
A aposta em diferenciação de serviço é válida, mas, como ressalta a analista Laura Lyra, ganha a preferência do lojista quem nele primeiro chegar. Até porque, vários desses serviços podem ser simplesmente copiados pela concorrência. "No passado, a Redecard foi mais eficiente, inovou e enxugou custos", afirma Laura. "O problema é que ela já atingiu a maturidade. Não vejo como a empresa pode crescer mais."
Porém, apesar de a Cielo ainda ter "gordura para queimar" quando o assunto é custo, Laura desenha um cenário desafiador para ambas as empresas. Com o fim da exclusividade entre credenciadora e bandeira, a concorrência aumenta e, com ela, os custos. "Além das verbas para campanhas de marketing, há uma enorme pressão com gastos de logística. Não se pode mais leva
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