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16 de nov. de 2011

LOJAS RENNER LUCRA MENOS, MAS MANTÉM PLANOS DE EXPANSÃO

jornal Valor Econômico 28/10/2011 - Sérgio Ruck Bueno

Apesar da desaceleração das vendas no terceiro trimestre, influenciada pelos reflexos da crise internacional no país e também pelo clima desfavorável para o setor de vestuário no período, a Lojas Renner confirmou ontem a manutenção dos planos de expansão para 2011 e 2012. Com isso, a varejista deve chegar ao fim do ano que vem com pelo menos 234 lojas distribuídas entre suas três bandeiras (Renner, Camicado e Blue Steel), cem a mais do que no encerramento de 2010.

A maior parte da expansão virá pela própria Renner, que ganhará 30 novas lojas neste ano (até agora já foram abertas 14) e mais 30 em 2012, informou Adalberto Santos, diretor de relações com investidores da companhia. A Blue Steel, especializada na marca de mesmo nome, entrou em cena no primeiro trimestre de 2011 e conta com três unidades, mas por enquanto a empresa vai testar o desempenho do modelo antes de projetar nova expansão.

Especializada em artigos de cama, mesa e banho, utilidades domésticas e eletroportáteis, a Camicado foi adquirida em maio por R$ 165 milhões com 27 lojas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A bandeira já ganhou uma nova unidade e daqui até o fim do ano serão abertas mais três, enquanto para 2012 estão programadas de seis a dez inaugurações. Quando comprou a rede, a Renner projetou um potencial de 101 pontos de vendas em cinco anos.

O volume de investimentos em expansão para 2012 ainda não foi definido, mas o orçamento deste ano é de R$ 295 milhões (ante R$ 160,3 milhões em 2010), incluindo novas lojas, reformas e tecnologia, mas sem contar a incorporação da Camicado. Segundo Santos, R$ 144 milhões foram aplicados até 30 de setembro e o restante será gasto no quarto trimestre. "Será um período de desembolsos mais intensos, incluindo as obras do terceiro centro de distribuição da empresa, no Rio de Janeiro", explicou.

No terceiro trimestre, influenciados pelas notícias sobre a crise na Europa e nos Estados Unidos, os consumidores pisaram no freio, especialmente a partir de meados de setembro, e as vendas da Renner desaceleraram. O frio prolongado no Sul e no Sudeste também prejudicou a demanda por roupas de primavera e, junto com o aumento das despesas operacionais, contribuiu para a queda de 0,5% no lucro líquido consolidado da companhia em relação a igual período de 2010, para R$ 56,7 milhões.

O resultado líquido também foi afetado pelo aumento de 20,3% nas despesas operacionais, que somaram R$ 303,9 milhões no trimestre, provocado por gastos com a abertura de novas lojas e pela incorporação da Camicado.

Mesmo assim, a varejista ampliou em 15,5% a receita líquida consolidada com vendas de mercadorias, para R$ 657,1 milhões, graças à expansão da rede, explicou o diretor de relações com investidores. Incluindo serviços financeiros, a receita cresceu 15,2%, para R$ 741,9 milhões, enquanto a margem bruta oscilou de 55% para 55,1%. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado cresceu 3,9%, para R$ 105,2 milhões.

A Camicado contribuiu com R$ 33,7 milhões para a receita líquida consolidada das vendas de mercadorias no trimestre. No acumulado dos nove meses a participação da nova controlada foi de 2,9% sobre o montante consolidado de R$ 1,924 bilhão, que cresceu 17,4% sobre igual período de 2010. A receita líquida total, com serviços financeiros, avançou 17,6% nos nove meses, para R$ 2,2 bilhões.

A desaceleração, porém, aparece no indicador de crescimento das vendas em mesmas lojas, que recuou de 10,5% no terceiro trimestre de 2010 para 3,8% de julho a setembro deste ano. No acumulado dos nove meses, a queda foi mais suave: de idênticos 10,5% para 8,1%. Segundo Santos, desde o segundo trimestre a rede está "vigilante" para eventuais problemas provocados pela crise econômica internacional. "Estamos flexíveis para nos ajustarmos aos eventuais desdobramentos", disse.

18 de ago. de 2011

RENNER DEVE DESCARTAR IDEIA DE TER UMA FINANCEIRA PRÓPRIA

jornal DCI 17/08/2011
Os planos da Lojas Renner de ter financeira própria podem não ir para a frente, pelo menos neste momento. Adalberto Santos, CFO e diretor de Relações com Investidores da varejista, afirmou que novas análises estão sendo feitas sobre o assunto e há grande chance de o projeto ser descontinuado. "Estamos reprocessando os números da operação, e ela pode ser deixada de lado."

De acordo com ele, outro ponto é a tranquilidade que a varejista tem com o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). "Com ele, não temos nenhuma das obrigatoriedades que uma instituição financeira requer", afirmou Santos. O projeto de a varejista ter seu próprio banco não é novo: há pelo menos cinco anos vem sendo discutido dentro da companhia.

A Renner reconhece que o momento é desafiador, mas, mesmo diante de um cenário econômico incerto, os planos de expansão e os demais investimentos da companhia serão mantidos.

"Nosso negócio está diretamente ligado ao mercado interno e nosso tíquete médio é baixo; se houver um agravamento da situação vamos rever nossas metas, mas, por enquanto, vamos tentar entregar os resultados", afirmou o executivo.

Nos seu balanço a Renner mostrou que seu lucro líquido cresceu quase 25% no segundo trimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2010, totalizando R$ 113,5 milhões.

2 de jun. de 2011

LOJAS RENNER IMPLEMENTA SELO SITE BLINDADO

portal Decision Report 02/06/2011

Com foco em manter a proteção e segurança dos dados e informações de seus e-consumidores, a Lojas Renner adotou o selo de certificação Site Blindado. Implementado na loja virtual da rede desde seu relançamento, que aconteceu em outubro de 2010, o selo de certificação de segurança atesta que diariamente são feitos testes que buscam encontrar brechas de segurança na sua infra e que poderiam ser exploradas por criminosos virtuais, além de mostrar aos novos consumidores que o ambiente de compras protege os dados cadastrais e de cartão de crédito dos clientes.

Para garantir as operações do site e reduzir os riscos de fraudes, são realizadas diariamente análises de vulnerabilidade, auditando os dados contidos no portal, garantindo a segurança da informação. De acordo com Marcelo Vaz, Gerente de E-commerce da Lojas Renner, com esse investimento o objetivo da empresa é reforçar junto aos seus usuários a preocupação da Rede com a segurança das informações de clientes e proporcionar a eles um ambiente mais confiável para as compras.

“Antes de adotarmos o selo, fizemos uma pesquisa de mercado, capitaneada por uma empresa especializada, que identificou junto à base pesquisada a necessidade de oferecermos maior segurança aos nossos clientes”, avalia Vaz. A Lojas Renner faz parte da plataforma Site Blindado Alerta. Ao entrar na loja virtual, o e-consumidor verifica o Selo Verde logo no browser e confere a segurança do site.

30 de mai. de 2011

PRODUTO À VENDA NO BALCÃO DE LOJA

revista Valor Financeiro Maio 2011 – Guilherme Meirelles

Já foi o tempo em que o interessado em contratar um seguro era obrigado a procurar um corretor ou dirigir-se a uma agência bancária para falar com o gerente. Desde o início da década passada, as principais redes varejistas firmaram parceria com seguradoras para a venda, principalmente, de produtos massificados. O que antes era uma atividade restrita a companhias com expertise no ramo tornou-se atraente até mesmo para aquelas seguradoras que habitualmente tinham como único canal de distribuição o corretor.

Alguns dos principais players desse ramo são companhias pouco familiarizadas com o público em geral. Não estão presentes na mídia e não se preocupam com ações de marketing. Para elas, quem tem de botar a cara é o cliente. Com um faturamento global de US$ 3 bilhões, a Assurant Solutions tem em seu braço brasileiro uma das principais seguradoras no ramo de massificados. A Assurant comercializa mais de dez produtos massificados em parceria com as redes Ricardo Eletro, Quero-Quero, Eletroshopping e Eletrozema em praças consideradas estratégicas.

Os produtos variam conforme a região. Basicamente, são seguros de proteção financeira, acidentes pessoais, contra roubo e furto de celular e garantia estendida. No Brasil, movimentaram R$ 291,6 milhões em prêmios em 2010. Segundo Cássio Stavale, vice-presidente da Assurant, foram registrados cerca de 10 milhões de operações em 2010, voltadas para público das classes C e D.

Em linhas gerais, uma operação de venda de seguros ocorre entre a seguradora, a corretora e o varejista, que precisa ter uma financeira instalada dentro da loja. Cabe ao corretor fazer o contato entre as partes e formatar o modelo a ser apresentado. Uma vez acertados os ponteiros, o corretor acerta a sua forma de comissão, bem como a do varejista, que estará emprestando seu espaço, e dos vendedores que irão oferecer os seguros aos clientes da loja. Tanto a seguradora como as corretoras orientam os vendedores para que eles expliquem de forma precisa como funcionam os variados seguros aos clientes. Por sua vez, os varejistas estimulam a equipe interna de vendas com prêmios ou bônus, dependendo da rede.

A prática mais comum é o varejista receber um pró-labore da seguradora e usar a verba em ações internas de comunicação, destacando o seguro como um item a mais para os vendedores se empenharem com a clientela. O consumidor mais atento pode prestar atenção em um detalhe quando for pechinchar na próxima compra. Em determinado momento, quando estiver negociando com o vendedor, perceba quando surgir um sinal de "menos" na tela. É que a partir daí a loja está tendo prejuízo na venda, mas que poderá ser compensada caso o vendedor consiga lhe vender uma garantia estendida.

A venda de seguros ajuda também o varejista a fidelizar o cliente, principalmente em regiões mais afastadas, nas quais boa parte da população não possui conta em banco e opta pelo velho e bom carnê, pago religiosamente todo mês no balcão da loja.
"É uma forma interessante para a seguradora porque ela vende produtos que não seriam comercializados no mesmo volume em outros canais. No varejo, embora o valor da compra não seja grande, dá para fazer no volume uma forma de dinheiro", afirma o economista Lauro Vieira de Faria, assessor da diretoria da Escola Nacional de Seguros (Funenseg). "É bom também para o cliente, que sai da loja com sua compra protegida, e para o varejista, que amplia o seu leque de produtos. O pequeno e o médio varejista contribuem para a popularização do seguro", afirma Paulo Kudler, gerente comercial da corretora Marsh, especializada em massificados.

A venda no varejo está atraindo até mesmo quem não tem tradição de operar nessa área, como a Porto Seguro. Há quatro anos, a seguradora iniciou uma parceria com a Lojas Renner, segunda maior cadeia do varejo em vestuário. Segundo Luiz Pomarole, vice-presidente de produtos massificados da Porto, a parceria conta com a presença permanente do corretor, que orienta os funcionários da rede na hora da venda. No primeiro trimestre, a divisão gerou faturamento de R$ 15,3 milhões, com 28,2 mil contratos ativos, 16,8% a mais que em igual período de 2010.

A Lojas Renner oferece três tipos de seguro: um de proteção financeira, com quitação de crédito em caso de morte acidental, desemprego ou invalidez; outro de acidentes pessoais, com parcelas mensais de R$ 7,22; e uma versão de seguro residencial voltada para o público de baixa renda, com teto de cobertura de R$ 52 mil para incêndio, raio, explosão e pagamento de aluguel, além de sorteio mensal de R$ 50 mil, no qual o segurado paga 11 parcelas de R$ 11,98.

Algumas parcerias sobrevivem há anos no mercado, como a da rede Riachuelo com a seguradora Zurich e com a corretora Classic, que desde 1998 opera com proteção financeira. Em certos casos, a afinidade torna-se até natural, como entre a seguradora Cardif, do banco BNP Paribas, e a rede Carrefour, com a qual o banco firmou uma joint venture. "O Carrefour é nosso parceiro global", afirma Alexandre Boccia, presidente da Cardif. Além do varejo, em que atua em conjunto com a rede Magazine Luiza, a Cardif participa de operações com financeiras e cartões de crédito, entre outros canais de distribuição de seguros.

O Carrefour comercializa seis modalidades distintas de seguro, que incluem proteção financeira, residencial e um produto especial para veículos, que cobre apenas roubo e furto. Segundo o Carrefour, os vendedores "são capacitados para esclarecer dúvidas, fornecer informações detalhadas sobre os serviços e orientar no que for necessário. As campanhas de incentivo aos colaboradores da empresa abrangem diversas premiações".

As principais redes varejistas também oferecem a seus clientes uma modalidade que ganhou força no mercado de seguros a partir de 2003: o seguro-prestamista, que, simplificadamente, oferece uma garantia contra eventual inadimplência. Em casos extremos, como a morte do contratante, a dívida fica quitada para família e a financeira recebe da seguradora. Os números da Susep não deixam dúvidas do sucesso do produto. Em 2003, o ramo prestamista teve prêmios diretos de R$ 227,2 milhões No ano passado, os prêmios atingiram R$ 3,4 bilhões, um crescimento de praticamente 1.400%. Apesar das recentes medidas de restrição ao crédito, sem dar sinais de queda. No primeiro trimestre, os prêmios diretos foram da ordem de R$ 1 bilhão, alta de 32,7% ante mesmo período de 2010.

Por ser uma forma de seguro diretamente ligada à oferta de crédito, as seguradoras que fazem parte do setor bancário acabam tendo mais acesso ao contratante. Os clientes da Caixa Econômica Federal (CEF) podem contratar na própria agência o seguro Dívida Zero. O seguro tem parcela única de R$7,23 para empréstimo de R$ 1 mil, a ser quitado em seis meses. O seguro protege em caso de morte e invalidez permanente e é voltado para as classes C, D e E.

A Itaú Seguros também oferece o seguro-prestamista aos clientes Itaú Unibanco e atua ainda em operações externas com financeiras, redes de varejo, empresas de cartões de crédito, construtoras e operadoras de consórcios. Segundo o diretor Dennys Rosini, o ramo tem crescido de forma contínua, e os índices de sinistralidade se mantêm estáveis, em torno de 25%, com exceção de 2009, quando houve um aumento no índice de desemprego entre determinadas camadas da população.
O ramo prestamista está em alta nas operações da Bradesco Seguros. Em 2008 representava 15,79% da carteira da companhia, e no ano passado saltou para 22%. Além de morte e invalidez, o produto oferece cobertura de seis parcelas em caso de desemprego. O seguro é oferecido também em compras online por meio de parceiros. Ainda neste semestre, o Bradesco deve lançar uma cartilha sobre a importância de ter proteção financeira voltada para as classes C, D e E.

Especializada em seguros massificados, a seguradora francesa Cardif não se limita a atender a população de baixa renda. A companhia atua em operações de proteção financeira com algumas das principais montadoras instaladas no país, como a Renault e a Volkswagen. O seguro quita o saldo devedor em caso de morte e salda entre três e seis parcelas em situação de perda de emprego. Segundo Alexandre Boccia, há cerca 1 milhão de contratos vigentes nessa divisão. Ele acredita que o ramo de proteção financeira para autos cresça entre 15% e 20%.

Atraente para todas as partes envolvidas, o seguro de proteção financeira exige certos cuidados. O seguro não cobre parcelas em atraso. Há ainda uma carência de 15 dias para casos de invalidez ou de perda de emprego. Ainda na área trabalhista, não são considerados os casos de programa de demissão voluntária. É preciso também responder a um pequeno questionário, no qual consta se o pleiteante possui problemas preexistentes de saúde. Entidades de defesa do consumidor alertam sobre a forma como o produto é oferecido no varejo; não pode ser passada a ideia de que se trata de uma venda casada.

28 de abr. de 2011

RENNER ENCERROU O 1º TRIMESTRE COM LUCRO LÍQUIDO DE R$ 47,6 MILHÕES

portal Valor online 28/04/2011 - Sérgio Bueno

A Lojas Renner encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 47,6 milhões, o que representa uma alta de 29% ante o mesmo período do ano passado.

A receita líquida avançou 18,4%, para R$ 598,8 milhões, sendo R$ 517,7 milhões por conta das vendas líquidas de mercadorias, que cresceu 17,6%. A receita líquida com serviços financeiros somou R$ 81,1 milhões, com expansão de 23,8%.

Conforme o diretor de relações com investidores, Adalberto Santos, para enfrentar a alta nos custos com o algodão, principal matéria-prima do setor de vestuário, a Renner renegociou preços com fornecedores, aumentou o portfólio de artigos fabricados com outros tecidos e ampliou a oferta de importados.

Com o real valorizado, as roupas trazidas da Ásia, especialmente da China, deverão responder por 18% do mix de vendas da varejista em 2011, ante 15% em 2010, explicou o diretor.

A empresa repetiu no trimestre a margem bruta de 53% obtida no mesmo período do ano passado. O lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), cresceu de R$ 73,1 milhões para R$ 85,2 milhões.

A inadimplência caiu de 4,3% para 2,5% das vendas líquidas de mercadorias com o cartão Renner, descontadas as recuperações de crédito, e, contribuiu para a alta de 46,1% no resultado dos serviços financeiros no período, para R$ 38,5 milhões.

A Renner também investiu R$ 24 milhões no trimestre, sendo R$ 17,8 milhões na abertura, em março, da primeira loja especializada na marca Blue Steel, no shopping Boulevard Metrô Tatuapé, em São Paulo, e na preparação de nove unidades com a bandeira Renner que serão inauguradas no segundo trimestre. Duas foram abertas hoje, em Barueri e Indaiatuba (SP).

A companhia vai inaugurar 33 lojas em 2011 e encerrará o ano com 167 unidades. Os investimentos totais programados para o ano chegam a R$ 295 milhões, ante R$ 160,3 milhões em 2010.

No dia 4 de maio a Renner vai definir, em assembleia geral extraordinária de acionistas, a aquisição da Camicado, rede especializada no segmento de utilidades domésticas com 27 lojas em seis Estados e no Distrito Federal e receita líquida de R$ 127,6 milhões em 2010.

A operação, anunciada no início de abril, foi negociada por R$ 157 milhões em dinheiro mais a assunção de uma dívida estimada em R$ 8 milhões.

6 de abr. de 2011

RENNER MANTERÁ SÓCIOS DA CAMICADO NA NOVA ESTRUTURA

jornal Brasil Econômico 06/04/2011 – Cintia Esteves

Por enquanto a família Camicado não quer pensar em novos negócios. Mesmo após vender a empresa para a Renner por R$ 157 milhões, os antigos proprietários da varejista de utensílios domésticos continuarão à frente da operação. “Será uma cogestão”, diz a diretora Renata Yuri, filha de Minolu Camicado, fundador da varejista. Junto com o pai e a tia Mariê, Renata vai se encarregar de familiarizar os executivos da Renner com a venda de objetos para o lar.

Como explica Miguel Abdo, diretor da Naxentia, consultoria especializada em fusões e aquisições, este modelo de transição é comum. “Normalmente os antigos sócios assumem o compromisso, através de contrato, de transferir conhecimento para os novos proprietários”, afirma. Porém, é comum que em um prazo de três a cinco anos eles deixem a operação. No caso da Renner este processo é ainda mais necessário, já que a rede especializada em vestuário não tem experiência na venda de utensílios para o lar.

Força da marca

O presidente da Renner, José Galló, afirmou ontem, em teleconferência com analistas, que “em uma visão futurista” é possível que em locais onde existam uma loja da Renner também haja uma unidade da Camicado. “Este nome é muito forte, principalmente em São Paulo”, diz Abdo, da Naxentia. Das 27 lojas que compõem a Camicado, 15 estão no estado de São Paulo, onde a principal concorrente é a Preçolândia. “O anúncio da venda foi uma surpresa. Temos a entrada de um grande competidor neste mercado, o que nos estimula a trabalhar ainda mais”, afirma Hélio Freddi Filho, diretor da Preçolândia.

A Renner pretende chegar a 101 unidades em 2015 e 125 até 2020. “Era uma empresa bem gerida, mas que não estava aproveitando o seu potencial de expansão. Os acionistas já não tinham tanto ímpeto de crescer”, disse Galló. Outra intenção é levar o cartão Renner para a operação da Camicado. Atualmente, 60 % das vendas da varejista ocorrem por meio de cartão de crédito, enquanto o restante é dividido entre cartões de débito, cheque e dinheiro. “O potencial da Camicado está reprimido porque eles não possuem crediário próprio”, afirmou Galló.

Com uma receita líquida de R$ 127,6 milhões em 2010, a Camicado inaugura um novo caminho para o processo de consolidação no varejo. Agora, em vez de grandes fusões e aquisições, as empresas especializadas e de médio porte devem entrar na mira de grandes redes e de fundos de private equity, acredita o consultor da Naxentia.
Com Reuters

APÓS COMPRAR CAMICADO RENNER GANHA CONCORRENTE

jornal DCI 06/04/2011 - Gleyma Lima

Depois da aquisição da Camicado pela varejsta de vestuário criada no sul, Renner, a empresa compradora, já vê a concorrência aumentar, pois a negociação já nasce com uma concorrente: a da família Camicado, que vendeu apenas as lojas voltadas ao público A e B, mas ficou com sete lojas localizadas na região da Rua 25 de Março, no centro da capital paulista. Essas unidades devem receber investimentos, depois da venda de R$ 157 milhões de 27 lojas. A ideia agora, ao que tudo indica, é que a família continuará a vender os mesmos produtos nas unidades que não entraram no negócio com a Renner, sendo que ambas empresas estarão agora com produtos também para as classes C e D. A decisão deve ser confirmada no dia 04 de maio, após a análise dos acionistas.

"A família que tinha a rede Camicado deve adotar outro nome para as lojas restantes e continuar com o negócio", afirma o sócio da Tozzini Freire Advogados, Mauro Guizeline, que assessorou a compra. Para dar continuidade à ampliação, o diretor da consultoria Naxentia, Miguel Abdo, acredita que a marca vinda do sul deve seguir a tendência das marcas varejistas europeias e pode vir a atuar em segmentos distintos daqui por diante. "Caso a Renner tenha a oportunidade da compra ela pode vir a atuar em móveis e eletreletrônicos e começar a ganhar o mercado nesse multiformato, seguindo os passos de empresas como Casas Bahia", enfatiza o diretor.

Futuro

A rede Camicado, que possui 27 lojas deve ter 101 em 2015 e 125 em 2020, apesar do aumento as Lojas Renner vê a estimativa como "conservadora". A recém adquirida deve ser prioridade nos próximos seis meses e deve crescer tanto com a abertura de novas unidades quanto por meio de vendas nas lojas já existentes, visto que as lojas atuais possuem potencial de elevar as vendas de 30 a 40 %, segundo o diretor presidente da Renner, José Galló. "Era uma empresa bem gerida, mas que não estava aproveitando o seu potencial de expansão. Os acionistas já não tinham tanto ímpeto de expansão", disse Galló em teleconferência.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Renner, Adalberto Santos, explicou que o plano de crescimento da Camicado em cinco anos leva a uma estimativa de expansão média de 15% ao ano. Apesar de não descartar a possibilidade de inaugurar lojas de rua, Galló disse que os shopping centers serão o principal vetor de crescimento da Camicado. A Renner não informou em quanto tempo o cartão da marca poderá ser utilizado na Camicado, mas Galló observou que a implantação deve levar o tempo necessário para a integração dos sistemas. Atualmente 60% das vendas da Camicado ocorrem por meio de cartão de crédito, enquanto o restante é dividido entre cartões de débito, cheque e dinheiro.

Outro desafio da rede será a integração dos sistemas de gestão das duas empresas - caso essa seja a decisão dos compradores. A Lojas Renner é usuária do Oracle Retail, enquanto a Camicado utiliza o concorrente SAP Retail.

Mercado

Durante a teleconferência a empresa também falou sobre a eliminação de despesas não recorrentes podem elevar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em algo entre 7 e 8 % para a Camicado. Em 2010, o Ebitda da Camicado totalizou R$ 4,3 milhões e a previsão é de que em 2015 o valor chegue R$ 78,5 milhões. a após as inaugurações. A receita líquida, por sua vez, deve avançar de R$ 127,6 milhões em 2010 para R$ 621,6 milhões de reais em quatro anos.

O negócio marca também a volta da Lojas Renner às compras, após o cancelamento da aquisição da carioca Lojas Leader, em outubro de 2008. A Renner chegou a fazer uma oferta de R$ 670 milhões, mas retirou a proposta da crise econômica mundial.

A Camicado, que tem 800 funcionários, faturou R$ 153,1 milhões no ano passado. Em termos de preço, as lojas em shoppings se situam no meio da pirâmide de renda, com valores praticados comparáveis aos de Tok&Stok e MMartan, segundo comunicado da Renner. No ano passado, o Ebitda da Camicado totalizou R$ 4,3 milhões e a previsão é de que em 2015 o valor chegue a R$ 78,5 milhões. A receita líquida, por sua vez, deve avançar de R$ 127,6 milhões em 2010 para R$ 621,6 milhões, em quatro anos.

COMPRA DEVE GARANTIR ACESSO A UMA ATIVIDADE MAIS RENTÁVEL

jornal Diário do Comércio 06/04/2011 - Giseli Cabrini

Analistas do setor varejista e do mercado financeiro avaliam que a aquisição da rede Camicado pela Renner deverá ser positiva para a compradora e poderá provocar um "efeito cascata" a exemplo do que ocorreu em outros segmentos do varejo(veja quadro abaixo).

"As duas são muito fortes e conhecidas. Uma das prováveis sinergias deverá ocorrer na área de logística principalmente em vendas online", disse a diretora do grupo Troiano de Branding, Renata Lima. "É uma oportunidade para a Renner se diferenciar e adquirir conhecimento em um novo segmento, além de ter acesso a uma atividade mais rentável do que até então ela atuava", afirmou o coordenador do Núcleo de Estudos de Varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Ricardo Pastore.

De acordo com Renata, em relação ao público-alvo, essa união poderá atrair para a Renner, consumidores da classe A. "Pode haver dois caminhos, mostrar que se tratam de marcas irmãs que dialogam com o mesmo universo ou manter estratégias separadas. Mas, certamente, essa seria uma oportunidade de a Renner ascender a um novo público."

Renata avaliou também que a operação pode resgatar a lógica "one stop shop", ou seja, o formato dos antigos magazines de concentrar em um mesmo ambiente vários itens para que o cliente resolva todas as compras em um só lugar.



Insistência – O analista relembrou que não se trata da primeira tentativa da Renner de adquirir uma empresa com operações no segmento de artigos para o lar, cama, mesa e banho. Em março de 2009, a empresa chegou a anunciar entendimentos iniciais para a aquisição da Leader, loja de moda feminina, masculina, infanto-juvenil, infantil e bebê; lingerie; acessórios; brinquedos; cama, mesa e banho e utilidades para o lar. A operação acabou suspensa em virtude da crise financeira internacional iniciada em 2008.

Atualmente com 52 unidades espalhadas em oito estados brasileiros (Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe e Bahia), a Leader informou por meio de comunicado que "nunca esteve à venda".

Além disso, a rede descartou que tenha sido sondada por outra companhia e que tenha interesse em realizar um negócio semelhante. De acordo com o documento, para ampliar a inserção no mercado nacional, em maio de 2010, a Leader ingressou no segmento de e-commerce.

Renata do grupo Troiano de Branding, acredita que a tendência é que outros magazines como Riachuelo, C&A e Lojas Marisa venham a adotar estratégia semelhante a da Renner.

"O momento é propício para quem deseja ir às compras: a rentabilidade das companhias é crescente, assim como o público consumidor. A velocidade de expansão dessa atividade inviabiliza que o crescimento seja feito de modo orgânico", disse Pastore da ESPM.

Procurada pela reportagem do Diário do Comércio, a C&A informou que por ser uma companhia de capital fechado não poderia comentar sobre estratégia ou mercado. Já a Lojas Marisa informou que por ser de capital aberto qualquer eventual posicionamento será por meio de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). E, por fim, a Riachuelo não conseguiu localizar o presidente da companhia para comentar o assunto.

5 de abr. de 2011

RENNER COMPRA CONTROLE DA CAMICADO POR R$ 157 MILHÕES

jornal Valor Econômico 05/04/2011 – Sérgio Bueno

A Lojas Renner anunciou ontem à noite a aquisição de 100% do controle da Maxmix Comercial, dona da rede varejista Camicado Houseware, que opera no segmento de utilidades domésticas com 27 pontos de venda em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. A Renner pagará R$ 157 milhões, sendo R$ 104,5 milhões à vista, mais R$ 37,5 milhões divididos em três parcelas mensais, corrigidas pelo IGPM, e R$ 15 milhões para pagamento ao longo de cinco anos, corrigidos pelo CDI. Os valores são líquidos da dívida estimada da companhia de R$ 8 milhões. A operação ainda depende de aprovação na assembleia geral extraordinária marcada 4 de maio.

A Camicado teve receita líquida de R$ 127,6 milhões em 2010, com crescimento de 16,2%, e lucro líquido de R$ 1,1 milhão. A previsão da Renner é que a companhia alcance receita de R$ 621 milhões em 2015.

Em novembro do ano passado, o diretor-presidente da Renner, José Galló, adiantou ao Valor que os planos de expansão para os próximos anos incluíam a retomada das vendas de produtos de bazar, cama, mesa e banho, que haviam sido abandonadas em 2003, quando a empresa decidiu focar o negócio em vestuário e acessórios.

Galló também havia informado que a operação exigiria a aquisição de uma rede especializada no segmento de utilidades domésticas ou a criação de uma bandeira específica porque as lojas atuais não teriam espaço para os produtos.

Em 2008 a Renner também havia fechado um acordo para comprar a Leader, varejista com sede no Rio de Janeiro e lojas também nos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Além dos segmentos de moda feminina, masculina e infantil, nos quais a Renner também atua, a varejista fluminense vende artigos de cama, mesa e banho, brinquedos e utilidades domésticas, mas o negócio foi cancelado em outubro daquele ano, depois do estouro da crise internacional.

Em nota, a Renner afirmou que com a compra "dará mais um passo na sua estratégia de crescimento e consolidação dos negócios no setor de varejo no Brasil". Segundo a empresa, o mercado de casa e decoração tem um potencial de consumo de R$ 15,7 bilhões por ano no país devido ao aumento da renda da classe média e à expansão do setor da construção.

A Renner pretende manter a independência jurídica e operacional das duas empresas, mas disse que vai usar as áreas de apoio na gestão da Camicado.

16 de fev. de 2011

LUCRO DAS LOJAS RENNER CRESCE 62,5% E CHEGA A R$ 308 MILHÕES

portal Folha Online 16/02/2011

As Lojas Renner registraram lucro líquido de R$ 308 milhões em 2010, resultado 62,5% superior aos R$ 189,6 milhões de 2009, segundo comunicado divulgado na noite desta quarta-feira.

A empresa atribui o crescimento ao "cenário macroeconômico favorável com maior disponibilidade de crédito, índices menores de desemprego, inadimplência e inflação controladas".

Segundo o comunicado, as Lojas Renner encerraram 2010 com R$ 2,5 bilhões de receita líquida das vendas de mercadorias, 16,4% a mais que em 2009. O crescimento de vendas em mesmas lojas foi de 10,3%, ante 1,4% no acumulado dos doze meses do ano anterior.

"Os investimentos no aprimoramento da gestão de estoques e as melhores negociações com fornecedores, assim como a apreciação do real frente ao dólar americano, foram fatores que contribuíram para o aumento de 1,9 ponto percentual na margem bruta da operação do varejo, que ficou em 52% em 2010", informa a nota.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a R$ 384,1 milhões em 2010, ante R$ 288,3 milhões em 2009 --crescimento de 33,2%. A margem Ebitda da operação de varejo foi de 15,6%, contra 13,6% no ano anterior.
O comunicado das Lojas Renner afirma ainda que a "estabilidade do cenário macroeconômico contribuiu para uma menor inadimplência". O Cartão Renner foi responsável por 56,6% das vendas do ano passado, com ticket médio de R$ 132,16 --8,1% maior que o valor de 2009.

INAUGURAÇÕES

Neste ano, a empresa deve abrir 30 unidades, segundo informou, seguindo modelos compactos e de lojas especializadas. "Ainda no primeiro semestre de 2011, deverá ser inaugurada no Estado de São Paulo a primeira loja Blue Steel da companhia", diz o comunicado.

10 de dez. de 2010

SEGURADORAS ENCONTRAM NOVOS USOS PARA TÍTULOS DE CAPITALIZAÇÃO

jornal Brasil Econômico 10/12/2010 - Thais Folego

O título de capitalização mais conhecido pelo público em geral é, sem dúvida, a Tele Sena, que tem forte apelo dos sorteios. Outra modalidade também amplamente difundida é o produto tradicional, com as componentes de acumulação e sorteio, distribuída principalmente por bancos. A modalidade que está despertando grande interesse, agora, é a de "incentivo", em que quem adquire o título é uma empresa, que cede gratuitamente ao seu cliente participante da sua promoção o direito a concorrer o sorteio.

"Esta é uma modalidade que existe há algum tempo, mas era usado basicamente por seguradoras para colocar o atributo de sorteio nas apólices. Agora, esse modelo está expandindo para outras empresas", conta Gustavo Rosa, gerente de produtos de capitalização da Icatu Seguros.

Ele dá o exemplo de uma parceria recente que a Icatu fez com a GetNet, empresa de captura de transações eletrônicas, que faz a recarga de celular nos terminais que passam cartões de crédito e débito. Foi feita a promoção "Recarga Premida", em que os clientes que fizessem a recarga de seus celulares em um terminal da GetNet concorria a prêmios em dinheiro. O sorteio nada mais era do que uma série de títulos de capitalização que a empresa comprou e cedeu o direito ao sorteio a seus clientes.

A companhia líder no segmento de incentivo é a SulaCap, braço de capitalização da Sulamérica, que já desenvolveu soluções para Gol, Renner, Pernanbucanas, Editora Abril, Nestlé, Unilever, entre outras. Em 2007, a companhia atuava quase que apenas com o produto de garantia de aluguel e tinha faturamento de R$ 280 milhões. Para 2011, a projeção é chegar a R$ 1 bilhão. Grande parte desse salto se dever ao foco que a empresa deu para produto de incentivo.

"Como não temos rede de distribuição (balcão de banco), precisamos criar", diz Cesar Tadeu Dominguez, diretor comercial da SulaCap. O produto de garantia de aluguel, que é um título de capitalização adquirido pelo inquilino em alternativa ao fiador e ao seguro fiança, hoje representa 45% do negócio da SulaCap. Em 2007, respondia por 90% das receitas.

"Com o produto de incentivo, criamos soluções para as empresas ganharem mais dinheiro com o seu negócio", diz Tadeu Dominguez. Eduardo Fonseca, gerente de produtos da SulaCap. Para ele, é possível criar soluções para promoções feitas por varejistas, companhias prestadoras de serviços públicos e seguradoras.

Para um convênio de redes de supermercados, por exemplo, eles acabaram de desenvolver o produto "Troco premiado", em que em vez de receber o troco em dinheiro, o cliente opta por "comprar" um título de capitalização que dá o direito a concorrer a um prêmio em dinheiro de algumas vezes o valor do "troco".

"O núcleo o produto de capitalização é o mesmo. O que muda são as aplicações", comenta Rosa, da Icatu. E as aplicações não têm limite para criatividade. Nem produtos de investimento escapam. A Icatu já vendeu títulos para bancos de médio porte, como Banrisul e Banco Gerador, que os atrelaram a Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que se tornaram "CDB premiado". O negócio tem ganhado tamanha relevância, que a Icatu irá criar uma área para cuidar apenas dos produtos de incentivo.

9 de dez. de 2010

RESTRIÇÃO AO CRÉDITO REDUZ A PERSPECTIVA DO VAREJO EM 2011

jornal DCI 09/12/2010 – Gleyma Lima

Com as restrições ao crédito anunciadas pelo governo, o segmento de eletroeletrônicos e as concessionárias de veículos são os que devem sentir o maior impacto do anúncio do Banco Central (BC), que calcula que R$ 61 bilhões em crédito deixarão de circular com o aumento do compulsório. Quem chama a atenção de forma positiva é o setor de vestuário e o de alimentação fora do lar, que não devem sentir o arrocho do crédito, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio).

De acordo com a entidade, a previsão é de um crescimento que não passará de 6% para o comércio em geral. Em um cenário mais otimista, a entidade acredita que este número pode alcançar no máximo mais dois pontos percentuais contra o crescimento deste ano, que varia entre 10% a 12% devido a incentivos governamentais como a redução do IPI e a ampliação do número de parcelas com compra sem entrada.

Para driblar o clima de crescimento menor, algumas redes, por outro lado, têm encontrado saída. É o caso da Marisa, que atua no vestuário. Visando ao momento do mercado, a rede de lojas da marca amplia agora o prazo de pagamento das compras de Natal para as clientes que fizerem o pagamento com os cartões Marisa e Marisa Itaucard.

A venda é dividida em até 10 vezes, sem juros, e a primeira parcela é paga até 100 dias depois. A promoção é válida em todas as lojas Marisa, exceto a loja virtual. A rede Riachuelo segue a mesma linha estratégica para aumentar as vendas, e joga a primeira parcela para 40 dias depois da compra - em cinco vezes sem juros. Quem mantém a linha para pagamento, porém de maneira personalizada, é a rede Lojas Renner, que não estica o tempo para pagamento, mas em contrapartida o cliente parcela em até oito vezes com juros.

Ajustes fiscais

Apesar das ações do segmento de roupas e acessórios, para a Fecomércio-SP, o varejo paulista deverá crescer em torno de 4% em 2011. O resultado será um reflexo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que, segundo a entidade, chegará a 4,5%, em decorrência da base de comparação mais forte deste ano. Irão contribuir para esse resultado a provável alta dos juros ao longo de 2011 e a possibilidade de crescimento mais modesto de emprego, renda e crédito. "O primeiro semestre de 2011 deve ser ainda de aumento mais forte baseado no efeito carry over [crescimento acumulado no passado], com desaquecimento gradual a partir da segunda metade do ano", afirmou a entidade, em comunicado.

Segundo o diretor executivo da Fecomércio, Antônio Carlos Borges, o governo federal não deve aumentar a taxa básica pelo menos no primeiro trimestre de 2011 visto que o capital de giro do varejo já foi retirado para conter os gastos. Quem discorda desta análise, em termos, é o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, que acredita que inflação em alta pode levar BC a aumentar taxa da Selic. Segundo o especialista, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) "facilmente ultrapassará o nível de 6%" este ano, prevê Braz. "Eu acho que quanto antes o BC fizer um ajuste, melhor será, até porque uma mudança nos juros agora só terá efeito sobre a economia daqui a alguns meses. Melhor tomar logo um posicionamento para colher os frutos lá na frente", defendeu.

Crescimento

O primeiro semestre de 2011 ainda vai registrar crescimento mais forte baseado no efeito carry over, com desaquecimento gradual a partir da segunda metade do ano. Esse resultado ocorrerá devido a pressões sobre os preços que devem impulsionar os juros em 2011, além da possibilidade de queda nos preços das commodities. Este ano o crédito já começou a ser dilatado o prazo médio de financiamento foi dilatado de 390 para 460 dias, com inadimplência estável.

A entidade afirma ainda que tudo vai depender de como o governo irá se organizar e que é contra qualquer tipo de taxas tanto para o comércio quanto para a indústria, como o retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

"Na minha avaliação, esse projeto de lei é inconstitucional, desnecessário, ineficaz, e ainda aumenta a carga tributária, portanto não há razão nenhuma no mundo para se dar apoio a algo desse tipo", disse o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, referindo-se à proposta de retorno da CPMF na forma de Contribuição Social para a Saúde (CSS).

5 de out. de 2010

MÁQUINA DE VENDAS ESTUDA ‘TURBINAR’ CARTÃO

jornal DCI 05/10/2010 – Paula Cristina

A holding Máquina de Vendas, empresa formada por Ricardo Eletro e Insinuante, líderes de vendas no nordeste do País, planeja lançar um novo modelo de crediário, ampliando os serviços já oferecidos pelo cartão da loja. A ideia da holding é trazer ao público um novo formato do já conhecido crediário, com o cartão private label. A informação, que os diretores da rede preferem não comentar por estar em fase de estudo, já é apontada por especialistas da área um tiro certeiro da holding. "A Máquina de Vendas já tem um cartão próprio, e arriscar abrir um com bandeira de outro banco é uma tendência em todos os segmentos do varejo, e eles não ficariam de fora", afirmou Giovanni Fundra, professor de Economia e Finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para o professor, a saída, que não é exclusividade da Ricardo Eletro e da Insinuante, servirá para dar ao consumidor ainda mais poder de compra. "A novidade desse tipo de produto é dar ao cartão mais poder de compra do que o do cartão de crédito comum dos bancos, além de funcionar como o cartão normal, que eles já possuem", afirmou.

De acordo com o professor, enquanto um cartão de crédito concede em média limite de 80% da renda do consumidor para o total da compra, um cartão dado por lojas varejistas pode permitir que ele comprometa por mês até 30% da sua renda com a parcela, o que ao fim resulta em um crédito mais elevado. "No caso de um cliente ter renda de R$ 1.000, o cartão lhe concede R$ 800 de crédito; no nosso novo crediário ele poderá gastar por exemplo R$ 3.000, desde que a parcela fique em até R$ 300, num pagamento em dez meses", explica.

O parcelamento nos cartões de crédito ou de loja pode ter custo menor do que o do carnê. Como o risco da inadimplência no crediário fica por conta do varejista, há normalmente juros embutidos na operação. Já no cartão muitas vezes é possível comprar sem juros, porém em menos parcelas.

Na Casas Bahia, por exemplo, um fogão de quatro bocas é vendido por R$ 399 à vista ou em até cinco vezes sem juros no cartão da loja. Já no pagamento com o carnê, pode ser feito em 20 parcelas de R$ 29,90, mas o valor total pago sobe para R$ 598. "Quando o consumidor não consegue pagar o valor integral do cartão na data do vencimento, os juros são os maiores do mercado, e é por isso que há uma necessidade enorme de planejar muito bem novas aquisições", alertou Fundra.

Private labbel não é novidade

Nas lojas Marisa o cartão Marisa respondeu por mais de 51,6% das vendas da companhia no primeiro trimestre de 2010, e não deve parar por aí. "O potencial dos serviços financeiros é enorme", afirmou Márcio Goldfarb, presidente da empresa. A aposta em vendas no cartão é tão alta que o grupo Marisa já vislumbra a venda de seguros de assistência massificada, como seguros de vida, planos de assistência odontológica e assistência a veículos.

"Esses produtos têm valor baixo unitário e grande volume de vendas e dependem de custos de distribuição reduzidos, cartões multifacetados é uma aposta crescente das grandes redes", disse Roberto Vertamatti, conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). As expectativas de ampliação da Marisa este ano não são pequenas. As clientes terão 39 novas lojas para comprar com o seu cartão em 2010.

Já está confirmada a ampliação de 22 lojas e a inauguração de 11 novos pontos-de-venda focados em roupa feminina e seis Marisa Lingerie, em uma operação que irá demandar R$ 100 milhões em investimentos. Uma das principais regiões de interesse da empresa abrange do litoral do Rio de Janeiro a São Paulo, na região do pré-sal. "Queremos mais do que 39 lojas. Procuramos endereços de qualidade para crescer muito mais do que isso."

A postura da Marisa de apostar nas vendas em cartão não é uma exceção. Grandes varejistas, como C&A, Riachuelo e Pernambucanas, possuem seus cartões de crédito próprios, ou private label. Só no primeiro trimestre deste ano a Riachuelo anunciou que havia emitido 15,9 milhões de cartões próprios e a receita da área financeira foi de R$ 75,4 milhões, ou 20% do total. O objetivo é emitir meio milhão de cartões até o final do ano e 1 milhão em 12 meses.

Na concorrente Renner, havia 15,6 milhões de cartões em circulação em março, o que garantiu 56% das vendas nos primeiros três meses do ano. "O setor está aproveitando as oportunidades do mercado, pois o cartão é um indutor de vendas e aumenta a compra média por cliente", diz Mário Bernardes Júnior, analista da BB Investimentos.

A C&A e a Pernambucanas não divulgam seus números nem comentam o assunto, mas, segundo analistas de mercado, a participação dos serviços financeiros no faturamento e na última linha do balanço dessas empresas é relevante. "A grande frente de crescimento das empresa de varejo são exatamente as operações de cartão de crédito", diz Nelson Barrizzelli, professor de Economia da Faculdade de Economia da USP e consultor de mercado.

No caso da Máquina de Vendas, que deve entrar agora no mercado, o analista arrisca dizer que deve haver um crescimento de 10% do número de cartões ativos até o fim do ano, o equivalente à entrada de cerca de um milhão de novas unidades em operação. "A melhora no resultado dos cartões irá impulsionar as vendas da companhia".

Hoje no Brasil. com o crescimento de classes emergentes, a tendência do crédito com bandeira de bancos, com possibilidade de compras fora das lojas já é uma realidade. "Hoje as redes varejistas são responsáveis pela bancarização desta classe", afirmou o consultor. Para Fundra, os consumidores adotam o cartão de uma rede varejista antes de ter conta bancária, o que se aguçou o apetite dos grandes bancos. "O Grupo Pão de Açúcar já fez suas parcerias com os bancos Bradesco e Itaú nos últimos anos, e isso mostra que os bancos já começaram a procurar novos clientes dentro das varejistas."

23 de set. de 2010

CARTÃO DE REDE GANHA ESPAÇO NO VAREJO

jornal DCI 23/09/2010 - Gleyma Lima

Forma de ampliar vendas e maneira concreta de manter a fidelidade do cliente, os cartões próprios das lojas (private label) tornaram-se uma maneira de explorar a entrada das classes C, D e E na carteira de clientes das redes varejistas do País, tanto que o segmento já tem uma taxa de crescimento médio de 20% ao ano. A previsão é de que as transações com cartão de loja subam 67% nos próximos cinco anos. Por outro lado, a inclusão de cartões de crédito será ainda maior, com crescimento a uma taxa média de 115% no período, já que os private são a porta de entrada da migração desses consumidores, depois dos cartões de crédito.

Hoje no Brasil das pessoas de classe emergente 36% têm cartão de lojas varejistas, e 33% têm conta bancária. "Hoje as redes varejistas são responsáveis pela bancarização desta classe", enfatizou o superintendente-geral da Associação Brasileira das empresas de cartões de crédito e serviços (Abecs), José Alípio dos Santos. Segundo o porta-voz da entidade, os consumidores adotam o cartão de uma rede varejista antes de abrirem uma conta bancária, o que acaba por fazer do varejo um canal para as instituições financeiras com quem fecham parcerias, como no caso o Grupo Pão de Açúcar (GPA) com os bancos Bradesco e Itaú nos últimos anos.

O crescimento da confecção de cartões próprios de lojas como Extra, Sendas, Carrefour e outros também tem modificado no varejo um cenário que foi perpetuado por anos: o da emissão de carnês. Segundo o economista da Abecs Juan Ferrés, daqui a três anos o carnê não deverá mais ser utilizado como forma de pagamento nas principais capitais do País. Regiões como o norte, o nordeste e o centro-oeste, porém, devem seguir essa tendência dentro de cinco anos.

No sul e no sudeste, o mercado já vê uma adaptação maior das vendas com menos carnês. Na Casas Bahia essa é uma realidade, tanto que a rede passou de 80% das vendas por meio de carnê para 20% nos últimos cinco anos. Houve, assim, redução de custos com papéis e com burocracia nas compras, além da facilidade de recebimento, pois os juros dos cartões costumam ser no varejo cobrados a taxas maiores e a inadimplência acaba sendo menor, segundo especialistas do setor.

Emissões

No mercado tem aumentado o número de emissões de private label. No caso do Carrefour, no Brasil, a empresa contratou a companhia americana Tsys, que fatura anualmente US$ 1,7 bilhão e já foi responsável por processar 720 milhões de cartões para 370 clientes, em 85 países. A empresa concluiu este semestre seu projeto de converter toda a base de private label dos cartões para cartões próprios bandeirados chamados de privates label híbridos.

Consolidação

No Grupo Pão de Açúcar, depois da união das redes, a Casas Bahia e o Ponto Frio hoje contabilizam cerca de 9,2 milhões de clientes ativos na base de cartões private label. Isso responde por um crédito de R$ 16 bilhões. De acordo com o presidente da Nova Casas Bahia, Raphael Klein, isso faz parte do novo conceito jovem da que a marca quer ter perante o mercado e acompanhar o ritmo do mesmo é fundamental. "Em 2011 enfocaremos em pouca expansão para conseguir rearranjar tudo o que diz respeito as lojas e aos clientes", diz o neto do senhor Samuel Klein, o fundador da rede.

No Ponto Frio, que faz parte do Grupo Pão de Açúcar, a modalidade ainda representa hoje menos de 2% dos pagamentos, enquanto o cartão de crédito é responsável por aproximadamente 73%. A empresa destaca que está havendo um reposicionamento da marca, com o qual espera-se que as operações que incluem carnê se aproximem de zero.

Vestuário

Nas lojas varejistas de vestuário, a Marisa, por exemplo, oferece o private label gratuito, sem cobrança de anuidade, e dá até 30 dias para o pagamento da primeira parcela. No total, a companhia encerrou o ano de 2009 com aproximadamente 13 milhões de cartões emitidos. A rede Lojas Renner, por exemplo, 100% de cujas ações são negociadas em bolsa, o resultado de serviços financeiros foi de R$ 31,5 milhões no segundo trimestre deste ano, incremento de 85,5% em relação a igual período do ano passado.

O superintendente da Abecs afirmou que esse crescimento dos cartões próprios vem desde 2005. "Lojas como Riachuelo já possuem oito milhões de cartões; a Renner tem cerca de quatro milhões de private espalhados pelo Brasil", disse.

Segundo o sócio da GS&MD Gouvêa de Souza, Luiz Góes, empresas listadas na Bolsa de Valores chegam a ter 30% de sua receita bruta ligados a produtos financeiros oferecidos ao consumidor final. "Os private label hoje se destacam na receita das empresas varejistas listadas na bolsa de valores", explicou o consultor.

21 de set. de 2010

REDE DE VAREJO LANÇA FUNDO DE CRÉDITO

jornal Valor Econômico 21/09/2010 - Carolina Mandl

Em um momento de franca expansão do varejo no Brasil, as redes varejistas estão buscando nos fundos de direitos creditórios (FIDCs) um caminho alternativo para diversificar sua fonte de captação de recursos para fazer investimentos. O Ponto Frio (Globex) vai lançar cotas de um fundo de R$1 bilhão, enquanto a Lojas Renner terá outra oferta de R$ 350 milhões. E, segundo o Valor apurou, o movimento não deve parar por aí. A Lojas Americanas também avalia essa opção.

Em ambos os casos, o que Lojas Renner e Ponto Frio estão vendendo aos investidores são os valores devidos pelos clientes que fizeram compras em suas lojas com cartão de crédito. Para conseguir antecipar esses recursos, as redes oferecem aos coristas uma taxa de desconto sobre a carteira de recebíveis.

As lojas acumulam bilhões de recebíveis em seus balanços e, por isso, tentam transformar isso em dinheiro. Segundo dados apresentados pelo grupo Pão de Açúcar, com 9,2 milhões de cartões ativos, só os clientes da Globex (agora somada à Casas Bahia) que possuem cartões da loja têm R$ 16 bilhões em limite de crédito. A Renner tem 16 milhões de cartões de marca própria. Isso sem contar as demais transações com outros cartões.

"Em um cenário em que as varejistas brasileiras estão revisando a previsão de aberturas de lojas para cima, acelerando os planos de crescimento, faz sentido buscarem novas fontes de financiamento", diz Renato Prado, analista da corretora Fator.

A vantagem para as lojas está no fato de, em muitas vezes, elas conseguirem pagar por esse dinheiro uma taxa menor do que outras fontes de captação ofereceriam. Se o Ponto Frio lançasse uma debênture, por exemplo, provavelmente seu custo seria maior. Isso porque, conforme a Moody's, a nota de classificação de risco do grupo Pão de Açúcar, ‘A+(bra)’, é mais baixa do que aquela atribuída ao FIDC Globex, que é ‘AAA(bra)’. Ou seja, os investidores pediriam uma remuneração mais alta para correr o risco da varejista.

A nota mais elevada se tornou possível porque o fundo da Globex vai comprar apenas os recebíveis devidos pelas credenciadoras de cartões de crédito — Amex, Cielo, Redecard e FIC (financeira do Pão de Açúcar com o Itaú Unibanco)—e o risco delas é considerado bastante baixo. Os investidores não vão depender da capacidade de pagamento dos consumidores da rede.

Tradicionalmente, as varejistas já cedem seus recebíveis para terceiros, inclusive para empresas que depois colocam esses papéis em fundos. Porém, essas colocações são pontuais. São dezenas de operações fechadas ao longo do ano, dependendo sempre do humor do tomador e das condições de mercado para fechar o valor de compra da carteira. Agora, com a estruturação de um FIDC, as redes conseguem travar uma taxa por um tempo determinado. No caso do fundo da Globex, pode vir a captar R$ 1 bilhão por 111% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) por três anos. Além disso, a própria Globex investe no fundo por meio das cotas subordinadas, que pode vir a somar até R$ 192,8 milhões e que são as primeiras a serem atingidas em caso de inadimplência, funcionando como uma espécie de colchão de proteção.

No caso da Renner, a remuneração dos investidores ainda não foi divulgada. Para os R$ 350 milhões que os investidores colocarem, ela comprará outros R$ 150 milhões de cotas subordinadas. Além disso, a empresa fica com a obrigação de adicionar novos recursos caso as cotas subordinadas sejam corroídas ao longo do tempo pela inadimplência. As cotas subordinadas devem representar 30% do patrimônio liquido do fundo.

Em 2007, o Pão de Açúcar testou esse tipo de operação com um FIDC de R$ 130 milhões. Porém, essa operação não foi vendida aos investidores, tendo ficado nas mãos de apenas de um banco. Agora é que a rede vai descobrir o apetite do mercado.

Para a Renner, esse fundo marcará sua estreia nas finanças estruturadas. O FIDC, porém, tem características bastante distintas daquelas oferecidas pelo fundo da Globex. O risco que os cotistas correrão não será o das credenciadoras, como Redecard e Cielo. Isso porque as operações cedidas ao fundo terão como origem as vendas realizadas com o cartão de marca própria, o cartão Renner.

Essas transações são financiadas pela própria Renner ou, quando elas envolvem a cobrança de juros, pelo Itaú Unibanco, segundo um contrato fechado entre a varejista e a instituição financeira. Ambos estão cedendo ao fundo o direito que têm de receber dos consumidores pelas vendas realizadas na Renner. Ou seja, o risco de inadimplência é o do cliente da rede de lojas, que, de acordo com informações contidas no prospecto da operação, são em sua maioria mulheres e solteiros.

Entretanto, ainda faltam maiores detalhes sobre a operação da Lojas Renner. A nota de classificação de risco do FIDC, por exemplo, ainda não foi divulgada, tampouco a sua remuneração.

Procurados pela reportagem Globex, Lojas Renner e Itaú BBI (coordenador das ofertas do fundos) não retornaram os pedidos de entrevista.