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18 de ago. de 2011

CARNÊS EM ATRASO LIDERAM CAUSAS DE INADIMPLÊNCIA, MOSTRA PESQUISA

Jornal do Brasil 16/08/2011 - Agência Brasil

A inadimplência dos consumidores brasileiros manteve-se ligeiramente estável em julho, com um índice de 9,8%, segundo pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ). Mas o nível ainda continua alto, tendo batido recorde de 10,8% em abril, índice que ficou praticamente estabilizado no dois meses seguintes.

No resultado de julho, os carnês foram os campeões em atrasos e correspondem a 67,6%. Em segundo lugar, estão os cartões de crédito, com 13,7%.

Os entrevistados foram questionados sobre prestações não quitadas, orçamento familiar e intenção de compra de bens duráveis para os próximos meses. Entre eles, 21,5% declararam sobra no orçamento, 26,6% disseram que vão poupar, 18,1% vão usar o dinheiro que sobrou com alimentação e 54,1% disseram que não teriam sobra após pagar todas as despesas.

A estabilização dos índices de inadimplência que se confirmaram desde abril devem-se, segundo o levantamento, ao aquecimento do mercado de trabalho, à redução do ritmo de crescimento da inflação, ao poder aquisitivo em alta, ao consumo acumulado e ao encarecimento do crédito.

Segundo o economista Christian Travassos, da Fecomércio, existem fatores favoráveis e desfavoráveis que contribuíram para estabilizar a inadimplência nesse patamar. “De um lado, temos a favor o mercado de trabalho aquecido e mais ferramentas de crédito à disposição do brasileiro, que contribuem para a organização das contas, e um poder aquisitivo em alta na comparação interanual. Na contramão, está o crédito mais acessível, que também contribui para que a pessoa se exponha mais e a inflação sofre uma desaceleração, embora tenha pressionado o orçamento familiar nos últimos 12 meses”, avaliou.

Travassos explicou ainda que os endividados podem adotar medidas simples para quitar as dívidas. Ele ressaltou que uma simples tabela com o valor do orçamento e das despesas é um caminho para solucionar o problema. Assim, se calcula as sobras a serem usadas para sanar as prestações. Outra medida é evitar aderir ao pagamento mínimo do cartão de crédito, em função dos juros altos.

Para a pesquisa, foram entrevistadas mil pessoas de 70 cidades localizadas em nove regiões metropolitanas.

11 de ago. de 2011

LUCRO DO BANCO DO BRASIL CRESCE 23,4% NO SEMESTRE

portal Brasil Econômico 09/08/2011

O Banco do Brasil (BB) obteve lucro líquido de R$ 6,3 bilhões no primeiro semestre de 2011, resultado 23,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Quando considerado apenas o segundo trimestre, o lucro recorrente atingiu R$ 3,2 bilhões, um avanço de 38,8% sobre o mesmo período do ano passado.

A carteira de crédito do banco cresceu 20,2% no semestre, em comparação com o registrado em junho, somando R$ 421,3 bilhões, o que representa 19,6% de participação de mercado.

No segmento de pessoa física, os empréstimos cresceram 21,4%, para R$ 191,2 bilhões. O crédito consignado, que representa 39% do segmento, cresceu 18,4% na mesma base de comparação.

Para empresas, a carteira de crédito apresentou crescimento de 21,4%, registrando saldo de R$ 191,2 bilhões. Para médias e grandes empresas o crescimento atingiu 24,8% em doze meses.

Com isso, as receitas financeiras somaram R$ 47,3 bilhões no semestre, 24,3% acima do obtido no mesmo período do ano anterior.

A inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, ficou em 2% da carteira de crédito, frente a 2,7% um ano antes.

Nas captações, o avanço foi de 15,4%, somando R$ 584 bilhões. As captações em depósitos aumentaram 15,2%, para R$ 396,2 bilhões.

O BB inaugurou ainda 86 novas agências no semestre, totalizando 5.094 unidades no país.

O banco finalizou o semestre com R$ 904,1 bilhões em ativos, crescimento de 19,6% em doze meses. O retorno sobre o patrimônio líquido do banco atingiu 24,9%.

31 de jul. de 2011

INADIMPLÊNCIA PERDE FÔLEGO APÓS 5 ALTAS CONSECUTIVAS

jornal Valor Econômico 28/07/2011 - Daniel Rittner

O Banco Central vê uma "perda" de fôlego da inadimplência e acredita que pode até haver redução das dívidas em atraso no segundo semestre. Interrompendo uma trajetória de cinco altas seguidas, o principal indicador de inadimplência (dívidas vencidas há mais de 90 dias) manteve-se estável em 5,1%, em junho.

"As perspectivas que se desenham são de arrefecimento", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. Ele apontou ainda que, pelo terceiro mês consecutivo, houve redução ou estabilidade das dívidas de pessoas físicas vencidas entre 15 e 90 dias, uma sinalização da inadimplência futura.

Maciel afirmou que a inflação mais moderada dos últimos meses e a geração de empregos em alta devem servir como freio à inadimplência. Ele descartou o risco de "bolha de crédito" apontado por muitos analistas internacionais e atribuiu essas advertências ao "desconhecimento da realidade brasileira".

Mesmo assim, economistas continuam vendo ameaças na expansão do crédito total na economia do país, que subiu 1,6% em junho e 7,5% nos seis primeiros meses do ano. Na comparação com junho de 2010, o aumento alcançou 20%. Em relatório distribuído ontem aos seus clientes, o Morgan Stanley observou que, "depois de sete meses de medidas macroprudenciais, o crescimento do crédito não apresentou sinais claros de desaceleração, com taxas de aumento ainda acima dos objetivos do governo". Para os analistas do banco, a credibilidade do BC pode ficar em risco caso a expansão do crédito não se desacelere "logo" para o patamar desejado de 15%.

A avaliação não é unânime. Para Eduardo Coutinho, professor do Ibmec, esses números não representam perigo. "Parece que as tentativas de contenção dos empréstimos foram bem sucedidas", disse. Além das medidas macroprudenciais adotadas pelo BC e do ciclo de alta da taxa Selic, o próprio aumento recente da inadimplência fez os bancos ficarem mais cautelosos na concessão de financiamentos novos.

Um dos sinais é a queda de 24,8% na média diária das concessões de crédito para a aquisição de veículos ao longo do primeiro semestre, na comparação com o semestre anterior. À exceção do crédito imobiliário, nenhum outro indicador disparou.

Os financiamentos habitacionais, tanto com recursos livres quanto com recursos direcionados, tiveram o maior ritmo de expansão. Eles totalizaram R$ 167,5 bilhões em junho e tiveram aumento de 3,8% no mês passado, de 20,7% no primeiro semestre e de 50% no acumulado dos últimos 12 meses.

O crédito habitacional deve continuar aumentando, mas esse ritmo não é sustentável e "deve arrefecer no longo prazo", segundo Maciel. Apesar disso, ressaltou o fato de estar ainda em 4,3% do PIB, proporção relativamente baixa em termos internacionais e que está longe de constituir riscos, na avaliação dele. "Era um crédito que estava muito restrito", argumentou.

Em julho, mês para o qual o BC divulgou ontem dados referentes aos nove primeiros dias úteis do mês, as concessões de empréstimos e as taxas de juros praticadas voltaram a subir. Em junho, as concessões de crédito caíram 1,5%. Apesar do ciclo de alta da taxa Selic, os juros diminuíram pela primeira vez em seis meses, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. De 40% em maio, caíram para 39,5% em junho. Mas passaram para 40,2% até o dia 13 de julho. No início do mês, as concessões subiram 0,8% em relação a igual período de junho.

O saldo total de créditos livres e direcionados atingiu R$ 1,834 trilhão em junho. Até 13 de julho, aumentou 1,1% na comparação com igual período do mês passado. O crédito já representa 47,2% do PIB, a maior proporção da série histórica do BC, e a estimativa da autoridade monetária é chegar ao fim do ano com 48%. É um número considerado alto para o Brasil, o que pode despertar questionamentos, mas ainda baixo para padrões internacionais. A relação crédito/PIB terminou o ano de 2009 em 44,4% e subiu para 46,4% ao fim de 2010.

19 de jul. de 2011

INTENÇÃO DE COMPRAS A PRAZO SOBE MAIS DO QUE À VISTA NA PRIMEIRA QUINZENA DE JULHO

portal InfoMoney 18/07/2011

O consumidor esteve mais disposto a comprar a prazo na primeira quinzena de julho. O SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), que mede as vendas a prazo, cresceu 9,3%, se comparado ao mesmo período de 2010. Já o SCPC Cheque, indicador de compras à vista, apresentou alta de 4,2%, frente à primeira quinzena do mesmo mês de 2010, de acordo com pesquisa divulgada pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) nesta segunda-feira (18).

Comparando a primeira quinzena de julho com o mesmo período de junho, o SCPC registrou queda sazonal de 4,9%, enquanto o SCPC Cheque mostra uma queda expressiva de 16,7%, pela forte base de comparação em junho, que registrou baixas temperaturas.
De acordo com a pesquisa, no início de julho o frio foi bem menor, o que não estimulou a venda de roupas de inverno e acessórios. Isso favoreceu os bens duráveis, comprados à prestação.

Inadimplência

Em relação à inadimplência, houve alta de 21,9% no volume de registros recebidos no cadastro de restrição ao crédito na primeira quinzena de julho, em comparação com o mesmo período de 2010. Já os registros cancelados (carnês quitados ou renegociados) apresentaram alta de 17%%, na mesma base comparativa.

De acordo com a ACSP, o baixo crescimento dos registros cancelados, diante da alta nos registro recebidos, reflete uma inadimplência que continua em alta gradual, provocada pelo descontrole dos gastos do consumidor e pelas medidas de contenção do crédito, para combate da inflação.

Por outro lado, no confronto dos primeiros 15 dias deste mês com os de junho, houve alta de 15,6% no número de registros cancelados e de 9,9% no de recebidos.

14 de jul. de 2011

ALTA DA INADIMPLÊNCIA DO CONSUMIDOR DÁ OS PRIMEIROS SINAIS DE ESGOTAMENTO, REVELA SERASA EXPERIAN

portal Serasa Experian 12/07/2011

O Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor cresceu 0,1% em maio de 2011, a menor variação dos últimos 11 meses, atingindo o patamar de 100,3.

Como pela sua metodologia de construção, o indicador tem a propriedade de antever os movimentos cíclicos da inadimplência com seis meses de antecedência, o comportamento recente do indicador sinaliza que a atual trajetória de elevação dos níveis de inadimplemento dos consumidores começará a dar sinais de esgotamento ainda neste ano.


A diminuição do ritmo da inflação, a rodada de renegociações salariais de importantes categorias profissionais neste segundo semestre, o patamar baixo, em termos históricos, do desemprego e o crescimento mais moderado do crédito e do endividamento dos consumidores contribuirão para diminuir a intensidade e a duração do atual ciclo de elevação da inadimplência.

Empresas

O Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência das Empresas cresceu 2,0% em maio de 2011, o sétimo avanço mensal consecutivo, atingindo o nível de 101,1. Este resultado sinaliza que o atual ciclo de elevação da inadimplência das empresas tenderá a se estender por mais tempo em relação ao da inadimplência dos consumidores.


Os juros cada vez mais elevados, dado o aperto monetário em vigor, manterão pressões sobre o custo financeiro das empresas num ambiente de maior desaquecimento econômico, especialmente durante o segundo semestre deste ano. Tal combinação favorece a elevação, ainda que modesta, dos níveis de inadimplemento das empresas, salientam os economistas da Serasa Experian.

Metodologia dos Indicadores Serasa Experian de Perspectiva

O objetivo dos Indicadores Serasa Experian de Perspectiva é antever, num horizonte de seis meses, em que fase do ciclo estarão as seguintes variáveis econômicas: (i) atividade econômica, (ii) concessões reais de crédito ao consumidor, (iii) concessões reais de crédito às empresas, (iv) inadimplência do consumidor e (v) inadimplência das empresas. Em geral, as variáveis econômicas apresentam ciclos compostos por quatro fases distintas: (1) expansão, (2) reversão, (3) crise e (4) recuperação. Os Indicadores Serasa Experian de Perspectiva mostrarão, justamente, a posição cíclica, para os próximos seis meses, de cada uma destas variáveis.

Cada Indicador Serasa Experian de Perspectiva é construído analisando-se o poder explicativo e a antecedência de explicação de um universo de 325 variáveis econômicas e financeiras sobre a variável-objetivo. Para tanto, todas as 325 variáveis “candidatas” bem como a variável-objetivo foram filtradas usando-se a técnica de ondaletas, a qual nos permite estudar as relações entre as variáveis “candidatas” a variável-objetivo em diversas escalas de tempo. Hoje, as ondaletas são adotadas em diversos campos, como a física (dinâmica molecular, astrofísica, geofísica – previsão de terremotos, mecânica quântica), processamento de imagem (análise de EEG e DNA, clima, reconhecimento da fala e visão artificial) e compressão de dados (o JPEG 2000 utiliza essa técnica).

No caso, são utilizadas as escalas de tempo compreendidas entre 16 a 32 meses e entre 32 a 64 meses, regiões em que se caracterizam os movimentos dos ciclos econômicos.

Para cada escala de tempo foram selecionadas, das 325 variáveis “candidatas”, aquelas que antecipam, de forma significativa, a variável-objetivo entre 6 e 18 meses de antecedência. Selecionadas as variáveis “candidatas”, estas foram agregadas mediante a aplicação de componentes principais, após terem sido colocadas na mesma fase de 6 meses em relação à variável-objetivo.

O resultado composto, isto é, em cada escala de tempo, dos modelos de projeção entre a variável-objetivo e os componentes principais, colocado em base 100, constitui o Indicador Serasa Experian de Perspectiva.

8 de jul. de 2011

ANFAVEA: INADIMPLÊNCIA SOBE EM MAIO ANTE ABRIL

portal Economia & Negócios 06/07/2011 - Silvana Mautone (Agencia Estado)

A inadimplência nas vendas de automóveis no Brasil continua crescendo, apesar de ainda estar bem abaixo da inadimplência geral do mercado. Segundo dados divulgados na tarde de hoje pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os dados mais recentes, referentes a maio, mostram que 3,6% dos clientes apresentaram atrasos superiores a 90 dias, ante 3,2% em abril. Em janeiro, o índice era de 2,6%.

"A inadimplência vem crescendo, mas o nosso setor ainda é o que tem um dos índices mais baixos do mercado. A média geral é de 6,4%", afirma o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini. Ainda de acordo com a Anfavea, as medidas macroprudenciais anunciadas pelo governo no final do ano passado para conter o consumo fizeram com que as vendas do setor à vista passassem de 32% no final do ano passado para 38% hoje. Em contrapartida, as vendas a prazo passaram de 68% a 62%.

A indústria automotiva brasileira encerrou o primeiro semestre deste ano com um saldo negativo entre suas importações e exportações de 140 mil veículos. O volume é 350% maior que o registrado nos seis primeiros meses de 2010, quando o número de importados havia superado as exportações em 40 mil unidades, conforme a Anfavea.
No semestre, as vendas de veículos no Brasil cresceu 10% em relação ao ano passado, totalizando 1,74 milhão de unidades. "Esse crescimento foi sustentado pelas vendas dos importados, que avançou 38% no período, enquanto a dos nacionais avançou apenas 3,9%", afirmou Belini.

No cenário mundial, com dados até maio, o Brasil passou da quarta para a sexta posição entre os maiores mercados de vendas de automóveis. "Fomos ultrapassados pela Alemanha e pela Índia", afirmou o presidente da Anfavea.

A China é a líder, com 7,9 milhões de veículos comercializados, seguida pelos Estados Unidos (5,3 milhões), Japão (1,6 milhão), Alemanha (1,5 milhão), Índia (1,44 milhão) e Brasil (1,43 milhão). "A diferença do Brasil é pequena entre a Alemanha e a Índia, mas o recuo é reflexo das medidas macroprudenciais do governo brasileiro, que restringiu o crédito e aumentou os juros neste ano", avalia o executivo.

OTIMISMO DAS FAMÍLIAS SOBE EM JUNHO APÓS 2 QUEDAS, DIZ IPEA

portal G1 06/07/2011

O otimismo das famílias brasileiras com a situação socioeconômica do país subiu em junho, após ter recuado nos dois meses anteriores, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No mês passado, o indicador avançou para 64,1 pontos, ante 62,9 pontos registrados em maio e 63,8 registrados em abril. Pela metodologia do Índice de Expectativas das Famílias, pontuações acima de 60 indicam otimismo.

Entre as regiões, a única a apontar alta no Índice de Expectativa das Famílias (IEF) na passagem de abril para maio foi a Norte, onde o indicador passou de 64,2 para 63,2.

O maior otimismo foi verificado no Centro-Oeste, onde o indicador passou de 73,3 para 75,5. O pior resultado foi auferido no Nordeste. Lá, entretanto, o índice avançou de 89,8 para 61,7 pontos. No Sudeste, o indicador subiu de 62,5 para 63,7; e no Sul, de 61,9 para 62,2.

“Os dados revelam que a situação continua sendo percebida como melhor na comparação com a do ano anterior”, afirma o Ipea no documento de divulgação. “Como nos meses anteriores, as informações coletadas reafirmam que não são as categorias de menor renda ou instrução as mais otimistas. Os números mais otimistas estão na faixa de renda entre 4 e 5 salários mínimos e instrução superior completa”, acrescenta.

O índice é resultante de uma pesquisa mensal do Ipea, aplicada em 3.810 domicílios de 214 municípios em todas as unidades da federação.

Situação econômica e financeira

A expectativa das famílias para o mês de junho, no que diz respeito à situação econômica do país no curto prazo, aponta que 56,8% delas acreditam que o Brasil passará por melhores momentos nos próximos 12 meses, um valor 0,6 ponto percentual maior que o registrado no mês anterior (56,2%).

Para os próximos cinco anos, o percentual de famílias brasileiras que acreditam que a situação econômica do Brasil estará pior caiu de 22,9%, em maio, para 22,4% em junho. Em junho, 74% das famílias brasileiras pesquisadas afirmaram estar melhor financeiramente do que há um ano, percentual praticamente idêntico ao apresentado no mês anterior. Já o percentual de famílias que acreditam ter piorado financeiramente caiu de 23,1% para 22,8%. Em relação às expectativas para o próximo ano, é o Norte a região mais otimista (92,7%).

Consumo e endividamento

Em relação ao consumo de bens duráveis, 51,5% das famílias brasileiras afirmaram que o momento é propício, contra 42,6% que não acham o momento ideal para tal.

Entre as regiões, apenas o Norte e o Sul apresentam otimismo expressivamente inferior ao do Brasil como um todo. No Sudeste, o percentual subiu de 53% em maior para 55,1% em junho.

Já a percepção das famílias sobre endividamento se manteve praticamente inalterada em relação ao mês anterior, com 9,2% que se consideram muito endividados, 21,9% que se consideram pouco endividados, 18,3% que avaliam estar mais ou menos endividados, e 50,5% que afirmam não possuir dívidas. Ou seja, 72% acreditam estar pouco endividadas ou não possuir dívidas.

Assim como em maio, a maior proporção de famílias sem dívidas se encontra no Centro-Oeste (82,1%), seguido pelo Sudeste (61,1%). Enquanto isso, a região Nordeste apresenta o maior percentual de famílias muito endividadas (12,2%), resultado igual ao do mês anterior.

Segundo o Ipea, a proporção dos endividados cuja dívida representa até a metade do rendimento domiciliar mensal caiu um pouco em junho para 16,2%. Também diminuiu a proporção daqueles cujas dívidas representam mais de 5 vezes o orçamento familiar, alcançando 17,2%.

De acordo com o levantamento, 17,8% das famílias afirmaram que, embora tenham dívidas, terão condições de quitá-las totalmente e 45,8% que poderão quitá-las parcialmente. Entre as famílias endividadas, 33,6% dizem não ter condições de pagar suas dívidas. Em maio, esse índice era de 41,3.

Ainda de acordo com o levantamento, 93% disseram não possuir a intenção de contrair financiamentos ou empréstimos nos próximos meses.

“Apesar das elevadas taxas de juros ao consumidor cobradas no Brasil há muitos anos, o risco de alta taxa de inadimplência permanece moderado”, afirma o Ipea.

Mercado de trabalho

Os dados do Ipea referentes ao comportamento do mercado de trabalho e às expectativas mostram que 79% dos responsáveis pelos domicílios se sentem seguros em sua ocupação atual, acima do índice de 76% do mês anterior.

Todas as regiões do país apresentaram valores ligeiramente superiores à média nacional, exceto o Nordeste que obteve o menor índice: 69,2%.

Entre os demais membros da famílias, o otimismo é menor: 72% responderam sentir segurança nas ocupações. No total, aproximadamente 6,2% dos entrevistados demonstram expectativa positiva quanto à segurança de algumas pessoas da família em suas ocupações e cerca de 21% disseram que os demais membros não se sentem seguros em relação às suas ocupações.

A expectativa de obter melhorias profissionais passou de 38% em maio para 36% em junho. Os resultados apontam ainda que cerca de 59% não esperam obter melhorias nos próximos seis meses.

BRASILEIRO COMPROMETE 26,3% DA RENDA COM PRESTAÇÃO DE DÍVIDA

portal InfoMoney 05/07/2011 - Fernanda de Moraes Bonadia

De acordo com estudo elaborado pelo Ministério da Fazenda, com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Banco Central do Brasil, a dinâmica de endividamento no Brasil permanece favorável. Intitulado “Economia Brasileira em Perspectiva”, o levantamento ainda aponta que o comprometimento da renda, isto é, o gasto médio mensal com pagamento da dívida se encontra em patamares aceitáveis: de 26,3%.

O estoque de dívidas no Brasil corresponde a 36,6% da renda do trabalho. Nos Estados Unidos, por sua vez, esse percentual é de cerca de 180%, e de mais de 80% em outros países pertencentes ao G7 (grupo que reúne os países economicamente mais desenvolvidos).

Os dados ainda demonstram que, entre 2007 e 2011, as famílias têm comprometido, em média, 11% e 9,5% dos seus ingressos para pagamento de juros e principal, respectivamente.

Inadimplência

Por conta do dinamismo econômico, da força do mercado de trabalho e da melhor composição dos passivos bancários, o prazo médio dos empréstimos aumentou quase 300 dias, desde o início em 2003, alcançando 567,05 dias, atualmente.

Ao mesmo tempo, a inadimplência tem caído consistentemente desde 2009. E, mesmo com um incremento recente, em que o não pagamento das dívidas por um tempo superior a 90 dias alcançou 6,1%, o estudo demonstra que o percentual continua abaixo de patamares históricos, como os cerca de 8,5% alcançados em meados de 2009.

5 de jul. de 2011

VAREJO TEM DESACELERAÇÃO NAS VENDAS A CRÉDITO EM JUNHO

portal Executivos Financeiros 01/07/2011

O Serviço Central de Proteção ao Crédito (SPC), que mede as vendas a prazo cresceu 5,2% em junho de 2011, contra igual período em 2010, com o mesmo número de dias. Vale destacar que a base de comparação de junho de 2010 é forte pelo “efeito Copa do Mundo” que estimulou muito as vendas de TVs e DVDs.

Na mesma base de comparação entre períodos, o SCPC/Cheque (que mede as vendas à vista) registrou elevação de 6,7%, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), baseada nas informações fornecidas por sua empresa Boa Vista Serviços (BVS), que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

É importante ressaltar que, em junho o frio impulsionou bastante as vendas de roupas de inverno e acessórios. “As vendas no varejo do primeiro semestre deste ano podem ser consideradas boas e as perspectivas para o segundo semestre, apesar de esperarmos alguma desaceleração, devem fechar o ano no positivo”, disse Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp)

Desempenho do semestre

No acumulado do primeiro semestre deste ano, o crescimento da venda à credito (SCPC) ficou em 6,4%, ante 9,4% no primeiro semestre de 2010. Isso mostra um arrefecimento pela base forte de comparação em 2010 e pelas medidas macroprudenciais adotadas pelo governo. Na venda à vista (SCPC/Cheque) o avanço foi de 7%, ligeiramente superior aos 6,3% do primeiro semestre de 2010. Vale ressaltar que neste ano o frio tem sido mais forte o que ajuda a acelerar as vendas de roupas de inverno e de variedades .

Inadimplência de junho :

Os registros recebidos cresceram 14,2% em junho, comparado com igual período em 2010. Já os registros cancelados/renegociações de crédito cresceram menos: 11% (na mesma comparação entre períodos) refletindo basicamente dois fatores: o descontrole do crédito por parte do consumidor no final de 2010 e início de 2011 e as medidas de restrição ao credito adotadas pelo BC. No combate à inflação.

Inadimplência no semestre:

Os registros recebidos cresceram 9% no primeiro semestre de 2011, comparado com igual período em 2010. Já os registros cancelados/renegociações de crédito cresceram menos: 4,1% (na mesma comparação entre períodos), sinalizando que a inadimplência no semestre está em alta, impulsionada pelos mesmos fatores anteriores, mas sob controle, pois o desemprego continua baixo.

Em síntese: as vendas principalmente a crédito desaceleraram no primeiro semestre deste ano, dentro das expectativas da Associação Comercial de São Paulo.

3 de jul. de 2011

EUA: ATRASO DE PAGAMENTOS NO CARTÃO DE CRÉDITO VOLTAM AOS NÍVEIS PRÉ-RECESSÃO

portal CardClipping

Em maio, os atrasos de pagamento em cartões de crédito caíram para taxas apresentadas antes da crise financeira global, e as perdas também estão seguindo para padrões de normalidade, de acordo com os relatórios dos seis maiores emissores de cartão.

No caso da American Express, o índice de pagamentos com atraso acima de 30 dias está até melhor do que antes da crise, ficando em 1,6% do saldo em uma base anualizada para maio. No Chase, divisão de cartão do JP Morgan, o índice foi de 2,66%, patamar visto pela última vez em meados de 2006. A Discover Financial Services também registrou seu melhor índice em mais de quatro anos, 2,88%.

Os pagamentos em atraso são amplamente considerados como um indicador de inadimplência no futuro. Assim sendo, os baixos níveis reportados são um bom presságio para as taxas de inadimplência nos próximos meses.

No caso das perdas em operações de cartões, os bancos normalmente contabilizam como incobráveis os atrasos superiores a 180 dias. Os dados da Amex mostraram sua menor taxa para um mês de maio, 3,2%. Discover e Capital One vieram em sequência, com 4,82% e 4,84%, respectivamente. Mesmo a maior taxa de perda reportada, os 8,03% do Bank of America – o maior emissor de cartões dos Estados Unidos – está de volta aos níveis do final de 2007, início da recessão. O Citibank apresentou a segunda maior taxa (7,81%), permanecendo acima do que o banco informou antes da recessão, mas bem abaixo do pico de 11,46% visto no ano passado.

No total da indústria, as taxas de charge-offs, cairam para 6,96% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com um pico de 10,97% no segundo trimestre de 2010, conforme dados do Fed.

Na avaliação da Fitch Ratings, durante a segunda metade do ano os índices de inadimplência e de perdas devem continuar em queda, com uma estabilidade ou até um ligeiro aumento no final do ano ou no início de 2012.

O mercado de cartão de crédito mudou desde a crise. Os bancos lançaram a perdas mais de US$ 75 bilhões em dívidas de cartão de crédito apenas em 2009 e 2010. Os indivíduos com maior probabilidade de inadimplência já não conseguem obter cartões.

A Fitch Ratings estima que a securitização com lastro em saldos dos cartões caiu de US$ 400 bilhões no pré-crise para US$ 271 bilhões. A queda reflete tanto as perdas como o fato de os consumidores estarem mais cautelosos, evitando a todo custo cair no crédito rotativo.

Em abril, o saldo do crédito rotativo caiu para US$ 790,11 bilhões, um valor 5% inferior ao de abril de 2010, segundo dados do Fed. Em agosto de 2008, o valor era de US$ 973,64 bilhões.

1 de jul. de 2011

EMPRESÁRIOS ESPERAM MENOS INADIMPLÊNCIA

jornal DCI 30/06/2011 - Marcelle Gutierrez

A queda no ritmo de crescimento da economia brasileira afeta diretamente os pequenos e médios negócios, principalmente nos quesitos lucro e investimentos por conta das altas taxas de juros e inflação. A expectativa dos empresários para o terceiro trimestre do ano diminuiu de 74,2 pontos para 72,3, em uma escala de 0 a 100 do Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN), realizado pelo Insper e pelo Santander. Contudo, o setor demonstra estar positivo em relação à inadimplência, já que cerca de 54% dos empresários entrevistados pela pesquisa acreditam que o índice diminuirá muito nos próximos meses.

Esta é a terceira queda consecutiva do índice, que engloba seis indicadores: economia, ramo de atividade, faturamento, lucro, emprego, investimento e, nesse ano, inadimplência. Segundo César Fischer, superintendente de pequenas e médias empresas do Santander, os resultados são utilizados estrategicamente nos negócios do banco. "Usamos o IC-PMN interno no Santander para estratégias de pessoa jurídica e em comunicados, como as newsletters direcionadas a esse público. Também é um dos pilares do Santander Franquias."

Na percepção do executivo, um dos problemas do segmento é a falta de planejamento e organização, e a instituição financeira tem a preocupação de trabalhar a formalização para diminuir os níveis de falência. "Procuramos entender o que acontece e fornecer dicas para um adequado planejamento, como controle de estoque e conquista de novos clientes. O médio e pequeno empresário começa o negócio, muitas vezes, sem o plano de negócios", disse Fischer, que acrescentou o importante papel do segmento de franquias nos negócios: "O setor de franquias cresceu 25% ao ano nos últimos três anos e o número de fechamentos é baixo, cerca de 1%. Isto porque já percebem que é preciso ter dinâmica e planejamento. Por isso, preferem um negócio com nome e estrutura".

No que se refere à inadimplência, a maior porcentagem, cerca de 54%, confia em que no terceiro trimestre os níveis irão cair, enquanto apenas 11% aposta no aumento. Para o restante, 35%, o nível de atraso nos pagamentos não deve mudar. O professor do Insper responsável pelo levantamento, José Luiz Rossi Jr, acredita que o resultado reflete o modo como os empresários percebem o atual cenário. "Os empresários veem que não há impacto porque a economia está num ritmo menor, mas continua a crescer."

Já Danny Claro, também professor do Insper, revela que a média de 54% de perspectiva de queda no atraso de pagamento de dívidas comprova um diferente comportamento. "O valor demonstra como os empresários criam mecanismos e já fazem uma leitura melhor do mercado, ao aprender e se adequar a essa nova economia."

Outro ponto que merece destaque é a perspectiva de lucro dos empresários, que caiu 3,3%, de 77 pontos no segundo trimestre do ano para 74,5 pontos nos meses de julho, agosto e setembro. De acordo com José Luiz Rossi Jr, a projeção obteve queda por causa do custo de capital maior, com as altas taxas de juros. "O empresário acredita que o faturamento continua forte com o crescimento da economia, mas a percepção de lucro diminui por conta dos custos. Outro fato é a inflação, que eleva o custo do insumo, que não é repassado para o consumidor."

O executivo do Santander César Fischer acrescentou que o impacto das medidas de aumento dos juros influencia mais fortemente no comércio, já em serviços é mais estável porque depende menos do crédito. Na divisão do índice de confiança por ramos de atividade, Comércio recuou de 74,4 pontos para 71,3 pontos, enquanto Serviços registrou pequena variação, de 73,6 pontos para 73,4 pontos no terceiro trimestre de 2011. Indústria variou de 74,4 pontos no segundo trimestre deste ano para 73,5 pontos nesta edição.

Em relação a investimentos, a queda também foi significativa, de 73 pontos na perspectiva do segundo trimestre para 70 pontos para o terceiro trimestre. "Parte sentiu restrição ao crédito, mas o fator principal é a perspectiva menor de crescimento da economia, o que faz o empresário adequar o seu plano de investimento", explicou José Luiz Rossi Jr.

PAULISTANOS COM RENDA ATÉ 10 MÍNIMOS TÊM MAIS DIFICULDADE EM PAGAR DÍVIDAS

portal InfoMoney 29/06/2011 - Diego Lazzaris Borges

O número de famílias paulistanas endividadas, com contas em atraso e sem condições de pagar as dívidas é maior entre aquelas com renda de até dez salários mínimos. Em junho, 41% delas afirmaram que não poderão honrar com o pagamento parcial ou total dos débitos no próximo mês.

Segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) nesta quarta-feira (29), 33,7% dos entrevistados que recebem até dez mínimos disseram que vão pagar parte do débito e outros 20,2% deverão pagá-lo integralmente.

Considerando as famílias com as contas em atraso e que ganham mais de dez mínimos, 46,2% conseguirão honrar totalmente seus compromissos, enquanto 34,6% disseram que vão quitar parcialmente. Por outro lado, 15,4% não terão condições de pagar nada.
Do total de inadimplentes, considerando todas as faixas de renda, 39,1% disseram que não terão condições de pagar as dívidas no próximo mês, outros 33,7% conseguirão pagar parte delas e 22,2% afirmaram que arcarão totalmente com os débitos.

Endividados

A pesquisa mostra que, do total de entrevistados, 13,1% disseram que estão muito endividados. Esse percentual é maior entre os que recebem até dez salários mínimos (14,5%) do que entre as famílias com renda superior a esse patamar (6,5%).

De modo geral, 16,5% dos entrevistados estão mais ou menos endividados e 17,3% estão pouco endividados. Em compensação, 51,7% das famílias não têm dívidas, sendo que, entre aquelas com renda de até dez salários mínimos, o número cai para 48,8% e, entre aquelas com renda superior a dez mínimos, sobe para 65,5%.

Cartão de crédito lidera

Analisando os tipos de dívida, de maneira geral, o cartão de crédito lidera, com 70% das respostas, seguido por carnês, com 21,3%, e crédito pessoal, com 14,8%.
Considerando as faixas de renda, novamente o cartão de crédito aparece no topo da lista, sendo utilizado por 75,4% das famílias que ganham até 10 salários mínimos e por 69,2% das que têm renda abaixo deste valor.

O crédito pessoal também endivida mais as famílias que recebem acima de 10 mínimos (18%) dos que as que ganham abaixo disso (14,4%), situação inversa que ocorre com os carnês. Este tipo de dívida é mais comum para as famílias com ganhos até 10 mínimos (22,3%).

30 de jun. de 2011

INADIMPLÊNCIA SOBE PARA MAIOR NÍVEL DESDE FEVEREIRO DE 2010, DIZ BC

portal G1 28/06/2011 - Alexandro Martello

A taxa de inadimplência das pessoas físicas e das empresas, que mede atrasos de pagamento superiores a 90 dias, subiu de 4,9% em abril para 5,1% em maio deste ano, o maior patamar desde fevereiro de 2010, quando estava em 5,3%.

A inadimplência somente das pessoas físicas, por sua vez, avançou pelo quarto mês consecutivo em maio, quando atingiu 6,4%. Em abril, a taxa indimplência das pessoas físicas estava em 6,1%. O patamar de maio é o maior desde junho do ano passado (6,5%).

Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas também registrou crescimento em maio, quando atingiu 3,9%. Trata-se do maior patamar desde outubro de 2009, quando estava em 4%.

"Estávamos antecipando há alguns meses que poderia haver alguma reação da inadimplência em função dos juros mais altos, e pelo maior comprometimento de renda das famílias. A tendência desse movimento é de acomodação da inadimplência, provavelmente no segundo semestre. Porque estamos em um momento de crescimento da economia, com expansão da renda e do emprego. Estamos com taxa de inadimplencia em níveis bastante normais", declarou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.

Alerta
O crescimento da inadimplência nos últimos meses tem gerado temores nos analistas do mercado. Segundo reportagem do Financial Times, a preocupação é com uma possível "bolha de crédito".

O jornal observa que a proporção de empréstimos com pagamentos atrasados por mais de 90 dias vem crescendo rapidamente nos últimos meses e, na avaliação da Serasa Experian, deve chegar a 8% até o final do ano.

De acordo com Maciel, do BC, a estrutura de crédito do Brasil, frente a outros países, tem um diferencial grande, que é a pariticpação do crédito habitacional muito menor do que os demais países. "Agora que voce tem um crédito habitacional crescendo de forma mais expressiva, superou 4% do PIB. É um percentual, para os padrões internacionais, baixo", declarou.

Para diminuir os riscos na concessão do crédito, o Banco Central anunciou, em dezembro do ano passado, medidas macroprudenciais para proporcionar mais segurança.

A autoridade monetária aumentou a alíquota dos compulsórios, retirando mais de R$ 61 bilhões da economia (recursos que poderiam ser emprestados) e aumentou a exigência de capital dos bancos para operações de crédito de prazo mais longo para pessoas físicas.

VOLUME DE CHEQUES DEVOLVIDOS SOBE 11,4% EM MAIO

portal InfoMoney 28/06/2011

A quantidade de cheques devolvidos por falta de fundos em maio apresentou aumento, tanto na comparação mensal quanto na comparação anual, mostra levantamento da Boa Vista Serviços divulgado nesta terça-feira (28).

No mês passado, frente a abril, o número de folhas que retornaram cresceu 11,40%, somando um total de 1.793.928. Já na comparação anual, o crescimento foi de 1,84%.

De acordo com a pesquisa, o aumento do volume de cheques sem fundo em maio em relação ao mês de abril já era esperado, devido aos efeitos sazonais que influenciam a redução da inadimplência no mês de abril e devido ao menor número de dias do respectivo mês.

Para os próximos meses, a tendência é que a inadimplência continue em alta, sendo influenciada pela expectativa de diminuição da atividade econômica no País. Além disso, a continuidade do aperto monetário do Banco Central, com novos aumentos na taxa básica de juro, a Selic, e com a inflação chegando ao teto da meta podem ser fatores que também contribuam para o aumento.

Títulos protestados
O levantamento mostra ainda que, no mês passado, foram protestados 803.060 títulos, um aumento de 24,15%, frente a abril, quando foram registrados 646.854 protestos. Na comparação com maio do ano passado, o aumento foi de 13,4%, já que naquele mês houve o protesto de 710.394 títulos.

As pessoas físicas apresentaram aumento de 19,8% nos protestos em relação ao mês de abril. Se comparado ao mês de maio de 2010, o crescimento foi de 1% no volume de títulos protestados. Além disso, o valor médio dos títulos protestados das pessoas físicas gira em torno de R$ 1.708 no mês de maio.

Quanto às pessoas jurídicas, o número de títulos protestados em maio avançou 26,9% ante abril e 22% na comparação com igual mês do ano passado. O valor médio dos títulos atingiu R$ 2.249.

Sobre a pesquisa
A análise de inadimplência da Equifax é baseada em informações públicas fornecidas pelo Banco Central, por meio de cartórios, juntas comerciais, fóruns e a partir das transações comerciais realizadas por 28 mil clientes em todo o País.

28 de jun. de 2011

JURO RESPONDE POR MAIS DA METADE DA DÍVIDA DO BRASILEIRO

jornal O Estado de S. Paulo 27/06/2011 – Márcia De Chiara

Cresceu neste ano a parcela dos juros no total da dívida dos brasileiros. Em abril de 2010, a fatia dos juros correspondia a 56% de uma dívida total de R$ 524 bilhões. Em abril deste ano, o último dado disponível no Banco Central (BC), os juros equivaliam a 60% de uma dívida de R$ 653 bilhões, aponta estudo da LCA Consultores.

"Com as medidas macroprudenciais do BC no fim de 2010 e a alta dos juros básicos iniciada em janeiro, a dívida total aumentou puxada neste ano pelos encargos financeiros", diz Wermeson França, economista da LCA, responsável pelo estudo.

Na sua avaliação, o avanço da parcela dos juros em detrimento do valor principal emprestado mostra uma piora na qualidade da dívida. Isto é, o brasileiro está se endividando mais, não necessariamente porque está indo às compras, mas por causa dos encargos financeiros cobrados nos empréstimos.

Cheque especial

Outra informação, segundo o economista da LCA, que confirma que o aumento do endividamento do consumidor está sendo impulsionado pelos juros, aparece nas estatísticas do BC. As duas únicas linhas de crédito que registraram crescimento na média diária de concessões entre dezembro de 2010 e abril deste ano foram o cheque especial e o cartão de crédito, as linhas de financiamento que têm os juros mais elevados e que normalmente são usadas de forma emergencial, isto é, para pagar outras dívidas.

Entre dezembro de 2010 e abril deste ano, a média diária real de concessões no cheque especial aumentou 6,2% e, no cartão de crédito, o acréscimo foi de 17%. Já no caso do crédito pessoal, houve um recuo de 3,7% nas concessões nesse período, e nos veículos e aquisição de outros bens, a retração foi ainda maior, de 10,6% e de 11%, respectivamente.

Altamiro Carvalho, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), relata que os consumidores estão fazendo novos financiamentos para quitar dívidas antigas. Tanto é que, no ano até abril, os dados de vendas da Fecomercio-SP mostram que o faturamento cresceu apenas 0,73%, sustentado pelos supermercados - cujas vendas praticamente não são influenciadas pelo crédito e que aumentaram 3,02% no período. Nos demais segmentos, como eletrônicos, móveis e veículos, que são movidos a financiamentos, houve queda.

Risco

O aumento do endividamento, com maior peso dos juros, pode levar a uma piora da inadimplência neste ano. "Não vai ser nada explosivo, mas a inadimplência vai mudar de patamar", alerta França, da LCA.

Em 2010, a inadimplência do consumidor encerrou o ano em 5,7% e em abril, último dado do BC, tinha subido para 6,1%. Até dezembro, deve atingir 7,2%, prevê o economista. Ele pondera que o resultado deste ano deve ficar abaixo do de 2009, o ano do rescaldo da crise financeira, quando o calote chegou a 7,7%.

França observa, por exemplo, que apesar de o dado global do BC de abril mostrar que a inadimplência do consumidor com prestações vencidas acima de 90 dias continuar bem comportada, os índices de calote entre 15 e 90 dias de veículos e crédito pessoal superam as taxas acima de 90 dias. “Esse é um sinal de que a inadimplência está piorando”.

Já o presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Miguel Ribeiro de Oliveira, não acredita que o aumento do endividamento, puxado pelos juros, leve necessariamente à alta da inadimplência. "Teria de ocorrer uma forte elevação do desemprego para a inadimplência disparar." Ele acredita que o aumento do endividamento pode até jogar a favor do objetivo do BC de reduzir o consumo.

FINANCEIRAS ANTECIPAM RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

jornal O Estado de S. Paulo 27/06/2011 – Márcia De Chiara

O aumento da inadimplência do consumidor constatado no início deste ano pelas instituições financeiras levou a uma antecipação das campanhas de renegociação de dívidas do segundo para o primeiro semestre. Também deixou os bancos e as financeiras mais cautelosos na hora de aprovar novos empréstimos.

"Nunca tínhamos feito campanha de renegociação de dívidas nesta época do ano", afirma Hilgo Gonçalves, executivo-chefe da Losango, promotora de vendas do HSBC. A empresa detém 23% do mercado de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), está em 2.600 municípios e é uma espécie de termômetro do crédito a pessoa física no País.
No começo deste mês, a Losango iniciou uma campanha para acertar a vida financeira dos clientes com prestações em atraso. Normalmente esse tipo de ação é feita no fim do ano, quando os trabalhadores estão com dinheiro no bolso, porque recebem o 13°, e as lojas e os bancos querem desencadear uma nova rodada de vendas a prazo.

Mas a direção da Losango decidiu antecipar a campanha para junho porque constatou um aumento da inadimplência. Gonçalves conta que, em maio, o atraso acima de go dias atingiu 5,6% da carteira de créditos a receber. O indicador ficou 4,55% acima do registrado no mesmo período de 2010, puxado especialmente pelos financiamentos de eletroeletrônicos.

Ele explica que houve descasamento entre as receitas e as despesas do consumidor do último trimestre de 2010 para o primeiro trimestre deste ano e que esse descompasso avançou até maio por causa do aumento da inflação. Além disso, as medidas de aperto do crédito tomadas pelo Banco Central (BC) no fim de 2010 e a elevação da taxa de juros que ocorre desde janeiro contribuíram para piorar a situação.

Augusto Mello, superintendente executivo de Cobrança da empresa, conta que a renegociação é feita caso a caso, conforme a capacidade de pagamento do cliente. Mas a linha mestra dos acordos tem sido o alongamento do prazo de pagamento de 11 para até 24 vezes. A boa notícia, diz Gonçalves, é que, após o início da campanha, o calote voltou para nível equivalente ao registrado no mesmo período de 2010.

Rigor. "Na virada de abril para maio, várias instituições financeiras se assustaram com o aumento da inadimplência e começaram a ficar mais seletivas na aprovação de novos financiamentos”, conta Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, que reune as financeiras.

Tingas ressalta que o calote é maior no Norte do País, onde predominam os consumidores com menor poder aquisitivo e que foram, segundo França, da LCA, mais afetados pela inflação dos alimentos.

27 de jun. de 2011

MULHER DÁ MENOS CALOTE DO QUE HOMEM, DIZ PESQUISA

portal R7 26/06/2011 - Raphael Hakime

Se as mulheres são mesmo impulsivas e consumistas quando vão às compras, elas também são mais responsáveis no pagamento das contas quando contraem dívidas. Um estudo na base de dados do Banco do Brasil mostrou que a inadimplência entre as mulheres é 50% menor do que entre os homens.

Quando se considera apenas pessoas físicas sem considerar empréstimos para o produtor rural, o índice de calote feminino é de 2,6% contra 3,9% do observado entre os homens. O levantamento considera os dados de março e leva em conta apenas o crédito tomado por pessoas físicas no próprio banco. A participação no Banco Votorantim, em que o Banco do Brasil tem 50% de participação, não foi incluída.

O gerente-executivo da diretoria de crédito do Banco do Brasil, Ewerton Gonçalves Chaves, explica que a instituição fez o estudo para checar se “o mito quanto ao consumo da mulher, que é um conceito machista, se confirmava”.

- O que a gente viu foi o contrário do que se pensava: a mulher tem comportamento de crédito melhor que o do homem em todas as faixas e em todos os cortes que fizemos na pesquisa. O que nos parece é que a mulher, por cuidar da família, por ser mais preocupada com o coletivo, tem um trato com o crédito um pouco mais responsável.

Quando se consideram todas as formas de empréstimos, incluindo aqueles destinados ao produtor rural, a diferença cai, mas as mulheres ainda continuam na frente. De cada 1.000 mulheres, 26 dão calote por mais de 90 dias, enquanto o número entre os homens é de 29 na mesma proporção.

De acordo com o gerente-executivo do BB, considerando todas as modalidades de crédito, a maior diferença do calote entre homens e mulheres está entre pessoas com renda relativamente alta.

- Na faixa entre R$ 4.000 e R$ 5.000, a inadimplência entre os homens é de 2,5% e, entre as mulheres, de 1,8%, o que gera uma diferença de 40%. Essa é a maior diferença, sendo que nos demais estratos é mais aproximada. Quanto maior a faixa de renda, tanto entre homens quanto entre mulheres, menor a inadimplência.

A carteira de crédito para pessoa física, excluindo os empréstimos para os produtores rurais, é de R$ 86,4 bilhões, sendo que as mulheres respondem por R$ 39,9 bilhões e os homens pelos outros R$ 46,5 bilhões. A inadimplência média registrada pelo banco é de 3,4% - contra 6% da média geral do calote entre as instituições financeiras do país, segundo dados do Banco Central.

Considerando toda a carteira de crédito, incluindo pessoa física, pessoa jurídica, crédito rural, crédito internacional, entre outros, a cifra salta para cerca de R$ 364 bilhões. A inadimplência é um pouco menor, de 2,1%.

Tipo de empréstimo

Tanto homens como mulheres preferem o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) como principal forma de empréstimo. No entanto, apesar de mais responsáveis, as mulheres costumam usar modalidades de empréstimo cujas taxas de juros são muito mais altas , como o rotativo do cartão de crédito. Chaves admite que a opção não é a mais barata.

- O cartão de crédito não é um meio de financiamento de compras, é um meio de pagamento programado, em que você deve organizar seu dinheiro com o tempo. Se a mulher tiver um bem próprio, como um veículo, é melhor fazer um financiamento usando esse bem como garantia, o que diminuiu a taxa de juros.

Ao contrário das mulheres, os homens preferem o financiamento – como o de imóveis e o de veículos - como forma de crédito.

Contraponto

Os dados da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) apontam exatamente o contrário: as mulheres são mais irresponsáveis quanto ao crédito. Em maio, quando foi divulgado o último indicador, elas representaram a maioria dos caloteiros, com 56,91% dos registros no SPC Brasil. Os homens respondem por 43,09%.

Por outro lado, elas também são as que mais regularizam a situação e quitam dívidas: em maio, 55,04% dos cancelamentos dos registros foram feitos por mulheres, enquanto os homens responderam por 44,96%.

FAMÍLIAS ESTÃO MAIS ENDIVIDADAS

jornal Diário do Comércio 22/06/2011 - Renata Ribeiro

Curitiba possui o maior porcentual de famílias endividadas entre todas as capitais brasileiras. Naquela cidade, 88% das famílias têm dívidas. O valor médio mensal é de R$ 1.608 – correspondente a um comprometimento de 27% da renda das famílias. Porto Alegre é a capital em que foi constatado o maior valor de endividamento médio mensal, com R$ 2.145, o que corresponde ao comprometimento de 30% da renda.

Já a capital onde as famílias destinam a maior parcela da renda ao pagamento de dívidas é Natal, com 39% do orçamento – o equivalente a dívida média mensal de R$ 1.531.

Estas são algumas das constatações do estudo "Radiografia do Endividamento das Famílias nas Capitais Brasileiras", feito pela Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP) entre os meses de janeiro e maio deste ano.

Segundo a assessoria técnica da Fecomercio, o aumento na oferta de crédito nos últimos anos aliado ao crescimento real da renda, principalmente nas classes de menor poder aquisitivo, ampliou o grau de endividamento dos consumidores. Mas foram as medidas adotadas pelo governo para conter o consumo que causaram o aumento das dívidas. Ainda de acordo com a assessoria, prova deste cenário é o salto na taxa de juros média, que em dezembro de 2010 era de 40,6% ao ano e, nos primeiros quatro meses deste ano, subiu 6,2 pontos percentuais, atingindo 46,8% ao ano.

Alerta – O economista da entidade, Altamiro Carvalho, disse que embora as famílias brasileiras tenham perfil conservador em termos de endividamento, algumas capitais apresentaram grau de comprometimento acima da média. "Temos alguns sinais de alerta. Em Curitiba, por exemplo, o aumento real da dívida das famílias, de janeiro a maio do ano passado para o igual período deste ano, foi de 59%", afirmou ele. "Em Natal, o aumento foi de 39%, ante uma média de 24% entre todas as capitais. Em Porto Alegre, a dívida média mensal das famílias foi de R$ 2.145, ante uma média nacional de R$ 1.527."

Na avaliação de Carvalho, nessas três capitais, qualquer problema que ocorra em termos de renda e emprego pode ser preocupante. Na cidade de São Paulo, o estudo apurou que existem 1.797.179 famílias endividadas, ou 20% do total.

"Mas as famílias brasileiras mostram, em média, um cuidado na administração do crédito, o que afasta as teorias catastrofistas de um subprime da inadimplência", disse ele.

Famílias – Conforme a Fecomercio-SP, o total mensal estimado da dívida das famílias nas capitais passou de R$ 10,9 bilhões de janeiro a maio de 2010 para R$ 13,5 bilhões em igual período deste ano, valor que corresponde, em termos aproximados, ao orçamento anual do Bolsa Família.

O valor médio mensal de dívida por família passou de R$ 1.298 de janeiro a maio de 2010 para R$ 1.527 em igual período deste ano, considerando a inflação no período. Segundo a entidade, considerando a taxa média de juros nos empréstimos, de 43% ao ano, é possível afirmar que, desses R$ 13,5 bilhões, R$ 5,8 bilhões correspondem ao custo dos empréstimos.

Na avaliação de Carvalho, o estudo mostra que o crédito puxou o crescimento das vendas do comércio em 2010 e foi responsável por sua manutenção nos dois primeiros meses deste ano. A partir de março, porém, a entidade constatou desaceleração do consumo, devido às medidas de contenção do governo, responsáveis pelo aumento das dívidas das famílias nos cinco primeiros meses do ano. "Entre dezembro e abril, os juros subiram 6,2 pontos percentuais, o que fez com que as dívidas aumentassem R$ 5,2 bilhões." (AE)

Brechas para devedores

A recente decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que anulou protesto de contrato de locação e recibo de aluguel atinge somente o autor da ação judicial, do município de Itatiba, interior de São Paulo. A Lei de número 13.160/08, que passou a autorizar o protesto nestes casos, continua valendo no Estado de São Paulo. O entendimento da corte paulista, porém, abre brechas para decisões no mesmo sentido, inclusive para os casos de protestos contra devedores de condomínio.

Contrário à interpretação do tribunal paulista, o Secovi-SP (Sindicato da Habitação), estuda medidas legais para evitar que a decisão, mesmo isolada por ora, prejudique o mercado, pois a lei estadual que trata do assunto "força" o pagamento em dia. "Pelo Código de Processo Civil, é legal o protesto de aluguel, tanto que os cartórios continuam recebendo esses títulos", disse o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi, Hubert Gebara.

Na decisão, os desembargadores entenderam que é da União a competência de legislar sobre o assunto, pois envolve questões relacionadas ao direito civil e comercial. De acordo com Gebara, a decisão, em tese, prejudica apenas o locador do imóvel. Caso seja aplicada aos protestos por falta de pagamento de condomínios, vai afetar um universo maior de pessoas, ou seja, os condôminos que pagam em dia. Estima-se que existam 1,2 milhão de contratos de aluguel na Capital. O receio se justifica ao considerar que a multa por atraso no pagamento da taxa passou de 20% para 2%.

Se o protesto contra locatários inadimplentes começar a ser dificultado, os nomes desses devedores deixarão de ser encaminhados aos cadastros de proteção ao crédito. Mas na opinião do economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, isso não "vai enfraquecer" os bancos de dados, até porque a legislação que autoriza o protesto nesses casos é relativamente recente. (Silvia Pimentel)

21 de jun. de 2011

INDICADORES DEVEM PIORAR NOS PRÓXIMOS MESES

jornal Valor Econômico 20/06/2011 – Adriana Cotias

Olhando à frente, o cenário é de inadimplência crescente nas carteiras de pessoa física. Segundo o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, o aumento do uso de linhas mais caras, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial, são indícios de que a qualidade das carteiras tende a piorar. "Não é uma crise, mas uma piora cíclica", diz, arrematando que isso é consequência das medidas de aperto ao crédito, tomadas pelo governo desde dezembro. "Mesmo assim, o impacto sobre a saúde financeira não deve ser grande, porque o nível de alavancagem é bem baixo no Brasil."

Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, estima que os atrasos acima de 90 dias da pessoa física no sistema financeiro fechem o ano na casa dos 7%, ainda bem longe do pico recente, de 8,54%, em maio de 2009, mas consolidando uma tendência que se manifesta levemente desde o início do ano. Pelo indicador da casa, que mede a inadimplência do consumidor baseada não só em dívidas financeiras - englobando também atrasos no pagamento de contas de luz, água e telefone, cartões "private label" (com a marca do lojista), o crediário no varejo e os protestos -, desde o segundo semestre do ano passado havia indicação de que haveria um elo de transmissão para os bancos.



"O que puxou o indicador no ano passado foram as dívidas fora do sistema bancário, mas cedo ou tarde esse comportamento é sentido pelos bancos", diz Rabi. "Há uma cadeia de inadimplência: quando o consumidor começa a ter dificuldade de honrar compromissos, deixa de pagar primeiro o mercado, a conta telefônica, de água e luz, e, só por último, o banco, porque sabe que se não pagar o banco fica sem o cartão de crédito e o cheque especial, o constrangimento é maior."

Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, ressalva que atrasos nas contas de concessionárias públicas não necessariamente se revertem em inadimplência financeira porque esse é o tipo de atraso que tem vida curta. Se o consumidor não paga o compromisso fica sem serviços de água, luz e telefone. Como indicador antecedente, ela prefere olhar aquilo que chama de "gestação de inadimplência", dos atrasos nas carteiras entre 15 e 90 dias, mas que ainda não entram na estatística global do BC. De fato, só neste ano, a não pontualidade no pagamento do empréstimo pessoal cresceu 1,1 ponto percentual neste ano, a 4,7%. Na carteira de veículos, essa inadimplência antecedente saltou de 6,3% para 8,1% desde dezembro.

O Banco do Brasil costuma ajustar seus modelos de risco de acordo com as variações do item de devolução de cheques, que aparecem no indicador Serasa, já que quando volta duas vezes por insuficiência de saldo, o correntista perde os limites de crédito no vencimento do contrato e isso acaba se revertendo em inadimplência para o banco também, diz o diretor de crédito da instituição, Walter Malieni.

INADIMPLÊNCIA ACENDE LUZ AMARELA

jornal Valor Econômico 20/06/2011 - Adriana Cotias

A inadimplência da pessoa físcia bateu no calcanhar dos bancos. Embora os números estejam longe de ser alarmantes, o sinal amarelo está aceso e as instituições têm acompanhado de perto o comportamento de pagamento do consumidor. Se não debelarem esses primeiros indícios de piora na qualidade dos ativos, o ritmo de concessões pode ficar comprometido. Ações corretivas estão na rua. Campanhas de cobrança, mais comuns no fim do ano, quando há injeção do 13º salário na economia, por exemplo, foram antecipadas para este segundo trimestre.

É o caso do HSBC, que identificou em maio um aumento de 0,25 ponto percentual na inadimplência da carteira de consumo originada pela Losango, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Isso levou o índice de atrasos superiores a 90 dias a 5,6%. Apesar de o indicador estar abaixo da média do mercado - de 6,1% nos portfólios de pessoa física, segundo o último dado disponível do Banco Central (BC), de abril - foi o que bastou para a promotora de vendas começar a fazer incentivos de cobrança.

"Saímos a campo. Estamos usando todos os canais para conversar com o cliente e reprogramar o fluxo das prestações ao orçamento dele", diz Hilgo Gonçalves, principal executivo da Losango. A renegociação está automatizada e pode ser feita diretamente no balcão das 23 mil parceiras do varejo onde a Losango financia o consumo. Os prazos podem ser esticados em até 24 meses e, conforme o caso, com isenção da multa e juros de mora. Acima desse prazo, a situação é estudada caso a caso, mas Gonçalves garante, o consumidor que quiser deixar suas contas em dia não fica sem uma solução.

O Citi, que nos seus modelos internos mede atrasos a partir de 30 dias, também detectou uma piora específica na carteira de empréstimo pessoal da Credicard Financiamento, de 6,7% para 7,4% entre março e maio, enquanto cartões e o portfólio de varejo do banco permaneceram estáveis. A ordem agora é correr atrás antes que esses números se revertam em prejuízo.

"O cliente, quando começa a atrasar, está provavelmente endividado com outros agentes financeiros. É preciso cobrar primeiro, conseguir o comprometimento de pagamento antes dos outros", diz o vice-presidente de gerenciamento de risco, Victor Loyola. Aumentar prazos e tirar o pedágio das multas entram no pacote de revisão da dívida.

O reflexo da inadimplência que começa a ser identificada no setor financeiro é de que se essa tendência persistir, a resposta virá por um freio extra às concessões, que já vinham sendo comprometidas com as medidas de aperto endereçadas ao crédito pessoa física. "Os bancos usam medições estatísticas e quando a inadimplência aumenta, a resposta natural é eliminar os segmentos mais voláteis", explica Loyola. Nessas situações, o critério de aprovação fica mais rigoroso e pessoas que estão tomando crédito pela primeira vez ou tiveram algum episódio recente de inadimplência não passam na peneira.

O Banco do Brasil (BB), que concentra o seu portfólio de pessoa física no crédito com desconto em folha de pagamento, não notou elevação da inadimplência dentro de casa, diz o diretor de crédito, Walter Malieni. "A carteira é muito grande e posicionada no consignado, que pode ter uma rentabilidade menor, mas dá conforto pela estabilidade dos resultados."

O executivo reconhece, porém, que a alta dos juros e a redução dos prazos no próprio consignado - já que o BC passou a exigir mais capital para operações acima de 36 meses - trazem desafios à gestão de risco, especialmente da população com renda familiar de até R$ 2,5 mil. "O encurtamento conjugado com o aumento de preços está exercendo pressão sobre o caixa dos devedores", diz Malieni. Os ajustes na modelagem de risco estão sendo feitos. O banco tem procurado ficar menos exposto aos segmentos em que a cesta de consumo de produtos de sobrevivência é mais justa e não há espaço para flexibilidade. "Há gastos que não podem ser cortados, o indivíduo não tem como pagar meio aluguel", exemplifica.

Diferentemente de outros anos, em que a inadimplência crescia ao longo do primeiro trimestre, em 2011 os atrasos avançaram por abril e maio, nota o superintendente de cobrança da Losango, Augusto Mello. Nas operações de consumo do HSBC, o pico foi em maio, mas em junho os números já começam a convergir para o nível observado há um ano, o melhor ponto histórico da a carteira.

A interpretação é de que o efeito calendário (com o carnaval em março e a Páscoa em abril) contribuíram para a falta de pontualidade do tomador. Outro fenômeno que vem sendo observado é que as classes menos favorecidas da população agora comprometem parte da sua renda com o financiamento da casa própria, deixando de honrar outros compromissos.

Apesar de a taxa de desemprego estar em um nível historicamente baixo, houve um excesso de endividamento no ano passado por causa do crescimento da economia e dos ganhos reais com salários, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Para ele, os consumidores exageraram e estão gastando aproximadamente 23% da renda para pagar dívidas. Nos EUA, esse número está perto de 15%, mas a grande diferença ocorre, em parte, porque os juros no Brasil são muito altos e aumentam o peso do endividamento no orçamento pessoal.