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28 de jun. de 2011

FINANCEIRAS ANTECIPAM RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

jornal O Estado de S. Paulo 27/06/2011 – Márcia De Chiara

O aumento da inadimplência do consumidor constatado no início deste ano pelas instituições financeiras levou a uma antecipação das campanhas de renegociação de dívidas do segundo para o primeiro semestre. Também deixou os bancos e as financeiras mais cautelosos na hora de aprovar novos empréstimos.

"Nunca tínhamos feito campanha de renegociação de dívidas nesta época do ano", afirma Hilgo Gonçalves, executivo-chefe da Losango, promotora de vendas do HSBC. A empresa detém 23% do mercado de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), está em 2.600 municípios e é uma espécie de termômetro do crédito a pessoa física no País.
No começo deste mês, a Losango iniciou uma campanha para acertar a vida financeira dos clientes com prestações em atraso. Normalmente esse tipo de ação é feita no fim do ano, quando os trabalhadores estão com dinheiro no bolso, porque recebem o 13°, e as lojas e os bancos querem desencadear uma nova rodada de vendas a prazo.

Mas a direção da Losango decidiu antecipar a campanha para junho porque constatou um aumento da inadimplência. Gonçalves conta que, em maio, o atraso acima de go dias atingiu 5,6% da carteira de créditos a receber. O indicador ficou 4,55% acima do registrado no mesmo período de 2010, puxado especialmente pelos financiamentos de eletroeletrônicos.

Ele explica que houve descasamento entre as receitas e as despesas do consumidor do último trimestre de 2010 para o primeiro trimestre deste ano e que esse descompasso avançou até maio por causa do aumento da inflação. Além disso, as medidas de aperto do crédito tomadas pelo Banco Central (BC) no fim de 2010 e a elevação da taxa de juros que ocorre desde janeiro contribuíram para piorar a situação.

Augusto Mello, superintendente executivo de Cobrança da empresa, conta que a renegociação é feita caso a caso, conforme a capacidade de pagamento do cliente. Mas a linha mestra dos acordos tem sido o alongamento do prazo de pagamento de 11 para até 24 vezes. A boa notícia, diz Gonçalves, é que, após o início da campanha, o calote voltou para nível equivalente ao registrado no mesmo período de 2010.

Rigor. "Na virada de abril para maio, várias instituições financeiras se assustaram com o aumento da inadimplência e começaram a ficar mais seletivas na aprovação de novos financiamentos”, conta Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, que reune as financeiras.

Tingas ressalta que o calote é maior no Norte do País, onde predominam os consumidores com menor poder aquisitivo e que foram, segundo França, da LCA, mais afetados pela inflação dos alimentos.

21 de jun. de 2011

INADIMPLÊNCIA ACENDE LUZ AMARELA

jornal Valor Econômico 20/06/2011 - Adriana Cotias

A inadimplência da pessoa físcia bateu no calcanhar dos bancos. Embora os números estejam longe de ser alarmantes, o sinal amarelo está aceso e as instituições têm acompanhado de perto o comportamento de pagamento do consumidor. Se não debelarem esses primeiros indícios de piora na qualidade dos ativos, o ritmo de concessões pode ficar comprometido. Ações corretivas estão na rua. Campanhas de cobrança, mais comuns no fim do ano, quando há injeção do 13º salário na economia, por exemplo, foram antecipadas para este segundo trimestre.

É o caso do HSBC, que identificou em maio um aumento de 0,25 ponto percentual na inadimplência da carteira de consumo originada pela Losango, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Isso levou o índice de atrasos superiores a 90 dias a 5,6%. Apesar de o indicador estar abaixo da média do mercado - de 6,1% nos portfólios de pessoa física, segundo o último dado disponível do Banco Central (BC), de abril - foi o que bastou para a promotora de vendas começar a fazer incentivos de cobrança.

"Saímos a campo. Estamos usando todos os canais para conversar com o cliente e reprogramar o fluxo das prestações ao orçamento dele", diz Hilgo Gonçalves, principal executivo da Losango. A renegociação está automatizada e pode ser feita diretamente no balcão das 23 mil parceiras do varejo onde a Losango financia o consumo. Os prazos podem ser esticados em até 24 meses e, conforme o caso, com isenção da multa e juros de mora. Acima desse prazo, a situação é estudada caso a caso, mas Gonçalves garante, o consumidor que quiser deixar suas contas em dia não fica sem uma solução.

O Citi, que nos seus modelos internos mede atrasos a partir de 30 dias, também detectou uma piora específica na carteira de empréstimo pessoal da Credicard Financiamento, de 6,7% para 7,4% entre março e maio, enquanto cartões e o portfólio de varejo do banco permaneceram estáveis. A ordem agora é correr atrás antes que esses números se revertam em prejuízo.

"O cliente, quando começa a atrasar, está provavelmente endividado com outros agentes financeiros. É preciso cobrar primeiro, conseguir o comprometimento de pagamento antes dos outros", diz o vice-presidente de gerenciamento de risco, Victor Loyola. Aumentar prazos e tirar o pedágio das multas entram no pacote de revisão da dívida.

O reflexo da inadimplência que começa a ser identificada no setor financeiro é de que se essa tendência persistir, a resposta virá por um freio extra às concessões, que já vinham sendo comprometidas com as medidas de aperto endereçadas ao crédito pessoa física. "Os bancos usam medições estatísticas e quando a inadimplência aumenta, a resposta natural é eliminar os segmentos mais voláteis", explica Loyola. Nessas situações, o critério de aprovação fica mais rigoroso e pessoas que estão tomando crédito pela primeira vez ou tiveram algum episódio recente de inadimplência não passam na peneira.

O Banco do Brasil (BB), que concentra o seu portfólio de pessoa física no crédito com desconto em folha de pagamento, não notou elevação da inadimplência dentro de casa, diz o diretor de crédito, Walter Malieni. "A carteira é muito grande e posicionada no consignado, que pode ter uma rentabilidade menor, mas dá conforto pela estabilidade dos resultados."

O executivo reconhece, porém, que a alta dos juros e a redução dos prazos no próprio consignado - já que o BC passou a exigir mais capital para operações acima de 36 meses - trazem desafios à gestão de risco, especialmente da população com renda familiar de até R$ 2,5 mil. "O encurtamento conjugado com o aumento de preços está exercendo pressão sobre o caixa dos devedores", diz Malieni. Os ajustes na modelagem de risco estão sendo feitos. O banco tem procurado ficar menos exposto aos segmentos em que a cesta de consumo de produtos de sobrevivência é mais justa e não há espaço para flexibilidade. "Há gastos que não podem ser cortados, o indivíduo não tem como pagar meio aluguel", exemplifica.

Diferentemente de outros anos, em que a inadimplência crescia ao longo do primeiro trimestre, em 2011 os atrasos avançaram por abril e maio, nota o superintendente de cobrança da Losango, Augusto Mello. Nas operações de consumo do HSBC, o pico foi em maio, mas em junho os números já começam a convergir para o nível observado há um ano, o melhor ponto histórico da a carteira.

A interpretação é de que o efeito calendário (com o carnaval em março e a Páscoa em abril) contribuíram para a falta de pontualidade do tomador. Outro fenômeno que vem sendo observado é que as classes menos favorecidas da população agora comprometem parte da sua renda com o financiamento da casa própria, deixando de honrar outros compromissos.

Apesar de a taxa de desemprego estar em um nível historicamente baixo, houve um excesso de endividamento no ano passado por causa do crescimento da economia e dos ganhos reais com salários, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Para ele, os consumidores exageraram e estão gastando aproximadamente 23% da renda para pagar dívidas. Nos EUA, esse número está perto de 15%, mas a grande diferença ocorre, em parte, porque os juros no Brasil são muito altos e aumentam o peso do endividamento no orçamento pessoal.

13 de jun. de 2011

LOSANGO LANÇA CAMPANHA PARA RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

portal Executivos Financeiros 10/06/2011

A Losango, promotora de vendas do Grupo HSBC, anunciou nesta sexta (10) a campanha de renegociação de dívidas em condições especiais de pagamento, com diminuição de encargos e reparcelamento da dívida. Diante do cenário econômico brasileiro, com leve aumento da inflação e, consequentemente, da inadimplência, a empresa antecipou a ação para auxiliar os clientes a encontrar a solução financeira adequada para quitar seus compromissos financeiros.

A política de descontos e o reparcelamento das dívidas serão analisados caso a caso, através de mecanismos específicos para atender demandas individuais e conforme a capacidade de pagamento do cliente. A empresa está disposta a flexibilizar descontos e formas de pagamento de modo a estimular os clientes a solucionar rapidamente suas pendências.

Para Augusto Mello, superintendente-executivo de Cobrança da Losango, não faz sentido realizar campanhas somente no final do ano para buscar uma fatia do décimo terceiro, é preciso estar atento ao cenário econômico e as necessidades dos clientes. “Com a elevação da inflação e, consequentemente, o aumento dos preços de diversos produtos”, analisa. O excutivo considera também que: “percebemos uma tendência de dificuldade de pagamento com um aumento da inadimplência de 4,55% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por isso, decidimos oferecer opções atrativas para quitação de dívidas em condições especiais.”

Estas e outras condições já estão em vigor nas assessorias de cobrança parceiras, nas Centrais de Atendimento e filiais da Losango em todo Brasil.

O cliente que quiser renegociar sua dívida pode entrar em contato com a Central de Relacionamento Losango e para facilitar o contato é necessário apresentar o CPF.

Capitais: 4004-4252
Demais cidades: 0800 721 4252

23 de mai. de 2011

RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO NO BRASIL FATURA R$ 15 BILHÕES EM UM ANO

jornal DCI 23/05/2011 - Renato Carvalho

Um setor que cresce em média 20% ao ano nos últimos anos, que faturou R$ 15 bilhões no ano passado, e que mesmo assim, um de seus representantes afirma que ainda é visto pelo mercado como o "patinho feio" da economia, especialmente do sistema bancário. Estes são os números das empresas de recuperação de crédito no Brasil, uma atividade que ainda é vista com carga muito negativa, pela própria atividade que exerce, mas que se profissionaliza mais a cada ano, e que trabalha para melhorar sua imagem.

O diretor executivo da Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito, Vicente de Paula Oliveira, afirma que, ao contrário do que se pensa, o aumento da inadimplência não é bom para o segmento. "Para nós, o que é realmente interessante é a retomada da cidadania pelo devedor, uma 'readimplência'. Até porque a inadimplência não acontece somente por descontrole do devedor. Fatores como desemprego e problemas de saúde na família podem acontecer a qualquer momento", afirma.

Os números apresentados por Oliveira são uma estimativa da entidade, baseada em uma comissão média de 11% cobrada pela recuperação. Esse mesmo levantamento estima que as empresas de recuperação de crédito injetaram de volta na economia cerca de R$ 140 bilhões em 2010.O setor também mostra um número que é, segundo o próprio diretor da Aserc, o mais importante de todos. As empresas de recuperação de crédito empregavam, até o final do ano passado, 350 mil pessoas em todo o País. "Deste total, dois terços atuam na parte operacional, na linha de frente. O restante é composto por gerentes e executivos", explica Vicente de Paula Oliveira.

Ele conta ainda que o Código de Defesa do Consumidor, que entrou em vigor em 1990, foi um marco de evolução para as empresas de recuperação de crédito. "Antes, as empresas pegavam a carteira dos donos do crédito, geralmente bancos, recuperavam 100 e alegavam ter recuperado 70, além de pedir a comissão. Hoje, é tudo eletrônico, as empresas já emitem o boleto de cobrança em que o favorecido é o banco, e a comissão é paga pela taxa de sucesso na recuperação", conta.

Oliveira afirma que houve uma evolução também na maneira de abordar o devedor. Não se admite mais posturas de intimidação. "Nós chamamos a mesa onde ficam os funcionários de 'Postos de Negociação'. Atualmente, até pelo próprio Código de Defesa do Consumidor, é preciso uma postura mais diplomática de quem cobra, para arrumar soluções sem trazer constrangimento". A Aserc possui inclusive uma ouvidoria, que acolhe denúncias de abuso e também pedidos de auxílio feitos por devedores.

Uma pesquisa feita pela Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito (Aserc) mostra que a principal causa da inadimplência no Brasil ainda é o descontrole financeiro. Segundo a pesquisa, 35% dos devedores alegam este motivo para deixar de pagar uma dívida.

"Nós temos uma mídia muito agressiva, que incentiva o consumismo. Para amenizar isso, é preciso dar importância à educação financeira", afirma o diretor executivo da entidade, Vicente de Paula Oliveira.

A segunda maior causa de inadimplência alegada pelos devedores é o desemprego, com 24%. Logo depois, vem a compra para terceiros, com 16%. "Este é um problema aparentemente simples de resolver, mas ainda muito recorrente", afirma o executivo.

Problemas de saúde é a justificativa de 8%, e 3% afirma que deixou de pagar por problemas de família. "A inadimplência sempre vai existir, mas um consumo mais consciente por diminui o índice".

18 de mar. de 2011

ESCRITÓRIOS APOSTAM NA CONCILIAÇÃO

jornal DCI 18/03/2011 - Andréia Henriques

Conciliação: com ela todo mundo ganha. A máxima, que já foi slogan de uma das campanhas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é cada vez mais a aposta de escritórios e instituições financeiras para recuperar, por meio de soluções alternativas, créditos concedidos às pessoas físicas e jurídicas. Eventos de conciliação já entraram na rotina dos bancos do País, que fogem da Justiça para conseguir de volta, em menos tempo, parte do dinheiro emprestado, muitas vezes em casos já dados como perdidos.

Segundo Leonardo Coimbra, do Coimbra e Bueno Advogados, os bancos e instituições financeiras estão muito flexíveis na hora de fazer os acordos. "Quem tem dívida, pode procurar o credor que tem negócio. Há várias políticas de redução e são possíveis descontos e parcelamentos. Os bancos estão abertos e muito flexíveis", afirma o advogado.

As vantagens são muitas, para os dois lados. Os devedores conseguem boas reduções, que variam de acordo com a política de cada banco. Coimbra, que não deu detalhes das negociações, afirmou que não é possível divulgar uma média dos descontos por conta de cláusulas de confidencialidade que mantém com as instituições financeiras. Mas adiantou que é feita uma composição de forma que a renda do devedor não seja comprometida. "Os bancos tomam cautelas para que seja possível honrar os pagamentos", diz Coimbra.

Os nomes dos devedores vão para os cadastros de inadimplentes, mas após o pagamento da primeira parcela do acordo o nome já fica limpo - inclusive para tomar novos créditos.

Além disso, a maioria dos casos já é cobrada na Justiça e a negociação extingue também os processos, o que dá possibilidade de empresas se restabelecerem no mercado financeiro e desobstrui o já bastante congestionado Judiciário.

Caso o acordo não seja cumprido, ele volta a ser cobrado judicialmente, em paralelo à cobrança amigável realizada pelo escritório, do Grupo Cercred, empresa de cobrança bancária. É possível realizar novas conciliações mesmo após o não pagamento da primeira. "O banco não quer ir à Justiça. Ele quer receber o que emprestou e da forma mais rápida", diz o especialista.

A recuperação de créditos, principalmente os mais antigos, é o chamariz para os bancos, que devem continuar investindo na conciliação após a grande expansão no ano passado e ainda. "Além de recuperar créditos difíceis, os bancos resgatam um cliente para o banco", afirma Coimbra. Ele dá como exemplo da flexibilização adotada pelos bancos o fato de muitos terem suspendido as cobranças no Rio de Janeiro após as catástrofes na região serrana ocorridas no início do ano. "A abundância de crédito no mercado precisa de um tomador e os bancos investem em uma política diferenciada".

Coimbra acredita que as conciliações vão continuar mesmo após as medidas anunciadas pelo Banco Central no fim do ano passado para restringir o acesso ao crédito para pessoas físicas. "A tendência é que elas continuem acontecendo e sejam diretrizes dos bancos, até porque primeiro veio o crédito, que teve o boom em 2009 e 2010, e só depois vem a inadimplência, que está sob controle por causa da economia forte", diz. Segundo o advogado, a inadimplência está crescendo proporcionalmente ao aumento de crédito.

A tendência forte já traz impacto para os escritórios. Só no ano passado, com um boom de conciliações, o Coimbra e Bueno - eleito, pelo Itaú, o escritório de recuperação de crédito número um nas Regiões Norte, Nordeste e Espírito Santo em 2010 - cresceu 56% no número de ações de cobrança distribuídas em relação a 2009. Na recuperação efetiva de recursos para os clientes, houve um crescimento de 270% e um resultado de R$ 5 milhões recuperados em eventos de conciliação. Para 2011 é esperado um crescimento de pelo menos 30% no estoque de ações ativas e passivas na matriz no Rio de Janeiro e nas outras 21 filiais, que contam com um total de 300 advogados.

O escritório investiu até em eventos de conciliação. Feitos para cada cliente e com foco em determinadas regiões ou faixas etárias, eles servem para resolver os débitos de forma diferente, o que já foi testado também por órgãos como SPC e Serasa. "Alugamos salas de hotéis, fora do ambiente da assessoria de cobrança dos bancos. Todas as partes estão presentes os resultados são maximizados", diz Coimbra.

Os eventos são feitos, para cada cliente, pelo menos duas vezes por ano - para o primeiro semestre já estão agendados diversos encontros, em campanhas pontuais dos bancos, que podem até mesmo fazer análises para identificar locais ou faixas econômicas de com maior falta de pagamento, dependendo da política de cada banco.

Cerca de 80% dos casos conciliados pela banca são referentes a pessoas físicas, mas a conciliação para empresas pode crescer.