Mostrando postagens com marcador crédito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crédito. Mostrar todas as postagens

22 de ago. de 2011

PMES SÃO FOCO DOS GRANDES BANCOS DO PAÍS

jornal DCI 19/08/2011 - Marcelle Gutierrez

A partir do segundo semestre, as instituições financeiras obtém aumento no volume de concessões de crédito para micro, pequenas e médias empresas, por conta da aceleração no ritmo da atividade produtiva, com o aquecimento do consumo característico do período. Segundo especialistas entrevistados pelo DCI, o segmento é rentável, já que estas companhias não têm acesso ao mercado externo e de capitais, o que as torna dependentes do financiamento bancário. Na carteira, o Bradesco atingiu saldo de R$ 92 bilhões, enquanto o Santander totalizou R$ 41 bilhões. Ambos com planos de expansão.

De acordo com o Indicador Serasa Experian da Demanda das Empresas por Crédito, a procura cresceu 2,3% em relação aos sete primeiros meses de 2010. Na comparação mensal, houve avanço de 6,6% ante julho de 2010. Já a quantidade comparada a junho de 2011 aumentou 3,4%.

Para Luis Rabi, gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, o movimento é sazonal. "Há pico da produção industrial com as vendas de final de ano. Mas se comparar com o ano passado, quando o crescimento foi de 7%, houve uma desaceleração, para 2,3%, em consequência do menor ritmo da economia."

O especialista explica que no caso das micro, pequenas e médias empresas, o maior volume de recursos captados está na rede bancária. "Não tem opção de captar no mercado externo ou de ações, dependendo exclusivamente dos bancos."

Até junho de 2011, segundo dados do Banco Central, o saldo de empréstimos realizados por pessoa jurídica atingiu R$ 500,856 bilhões, acréscimo de 18% ante igual período do último ano. O maior volume de operações está em capital de giro, utilizado em maior escala pelas companhias de menor porte, com R$ 282,691 bilhões em junho, crescimento de 6% na comparação com janeiro e de 19,9% ante junho de 2010.

O segundo maior saldo é observado em conta garantida, com R$ 60,012 bilhões em junho, alta de 9,49% ante janeiro e de 15,85% nos últimos 12 meses.

A identificação do nicho de micro, pequenas e médias empresas como lucrativa ocorre no Bradesco, que projeta para 2011 crescimento de 20% a 29% , enquanto a expectativa geral carteira é de 15% a 19%. O diretor do departamento de empresas e financiamentos do Bradesco, Octavio de Lazares Júnior, diz que a importância do ramo foi identificada há alguns anos. "Percebemos que era um importante nicho. Outras empresas podem fazer IPO (oferta pública inicial de ações), oferta de ações ou emissão de debêntures. Possuem uma série de instrumentos, enquanto a PME depende dos bancos."

Ao final do primeiro semestre o saldo de crédito do banco atingiu R$ 319,802 bilhões, acréscimo de 23,1% em 12 meses. Do total, R$ 92,010 bilhões é do ramo de micro, pequenas e médias empresas, o que corresponde a cerca de 29% do total da carteira.

O diretor explica que identificaram no segmento uma carência de capital a longo prazo. Nesse sentido, criaram as linhas Giro Simples e CDC Flex. "Em dezembro injetamos R$ 100 milhões em cada produto, o que acabou em maio. Então em julho colocamos mais R$ 100 milhões em cada."

No mesmo caminho está o Santander, com o lançamento há três anos do SuperGiro Premium, com prazo de 36 meses e taxa de 2,57% ao mês. Segundo Cristiane Nogueira, superintendente de pequenas e médias empresas do Santander, o primeiro semestre foi diferenciado na comparação com os anteriores. "Houve a questão de posicionamento do banco, com treinamento de gerentes, ampliação da oferta de crédito e trabalho de pré-aprovação de crédito."

O saldo de financiamentos totalizou R$ 171,379 bilhões, o que representa um aumento de 17% em 12 meses e de 4,1% no segundo trimestre. A carteira de pequenas e médias empresas atingiu R$ 41,034 bilhões, crescimento de 27,7% na comparação com o mesmo período de 2010 e de 4,7% neste segundo trimestre, o que responde a 24% da carteira.

No primeiro semestre, o Itaú Unibanco ampliou a carteira para pessoa jurídica em 7,6%, para R$ 208,7 bilhões. "Observamos que uma das demandas mais significativas para os empresários desse segmento é por capital de giro", informou em nota.

Por meio da assessoria de imprensa, o Banco do Brasil também declara que as linhas de capital de giro têm destaque, com R$ 42,57 bilhões em concessões.O saldo das operações pequenas e médias empresas, em junho de 2011, foi de R$ 59,9 bilhões, incremento de 14,7% em relação ao mesmo período de 2010.

Inadimplência

No que se refere à tendência de alta da inadimplência do segmento, segundo a Serasa Experian, o Santander ressalta a estratégia de bonificação do produto de capital de giro, com até três parcelas de bonificação para o pagamento na data exata do vencimento. "No produto que tem a bonificação, há a inadimplência mais baixa e maior atratividade. É uma carteira com a melhor performance desde o lançamento. É uma questão de parceria com o cliente", diz Cristiane Nogueira.

De acordo com Octavio de Lazares Júnior, do Bradesco, a estratégia para garantir a qualidade da carteira, com baixos níveis de falta de pagamentos, está no fornecimento de crédito de acordo com as necessidades do cliente.

7 de ago. de 2011

SERASA EXPERIAN E ACREFI PROMOVEM EVENTO CRÉDITO EM DEBATE

portal Maxpress 05/08/2011

A Serasa Experian anuncia a realização do evento Crédito em Debate em parceria com a Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento – no próximo dia 10 de agosto. O evento, que acontece em São Paulo, terá como tema central “Os novos entrantes do mercado de crédito: riscos e oportunidades”.

Entre os debatedores convidados estão o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, que falará sobre as características da nova classe média brasileira, Alexandre Pundek Rocha, do Banco Central, que comentará a visão do Comitê de Política Monetária do Banco Central sobre o cenário de crédito atual e para os próximos meses. Já Pedro Magalhães, das Lojas Insinuante, e Samuel Belo, da Ricardo Eletro, debaterão com o público o tema ‘Crédito ao consumidor no varejo: a experiência da Máquina de Vendas’. Ambas as marcas fazem parte do grupo que hoje é segundo maior do varejo no Brasil.

Ainda entre os palestrantes convidados está Marcos Teixeira da Rosa, da financeira Kredilig, ligada à rede de lojas Koerich de Santa Catarina, que comentará sobre os desafios da empresa no cenário atual. Já Alexandre Cordeiro, da Caixa Econômica Federal, comentará sobre o crédito imobiliário para as classes emergentes e a experiência da CEF com o Programa Minha Casa Minha Vida
Estarão presentes também Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian e Experian América Latina, que fará a abertura do evento e Érico Ferreira, presidente da Acrefi. Como palestrante especial, o evento contará com Juliano Marcílio, presidente da unidade de negócios de Marketing Services da Serasa Experian e Experian América Latina.

O evento contará ainda com a presença de líderes de grandes players do segmento financeiro, cartões, varejo e de tecnologia, bem como consultorias especializadas. A mediação do evento será realizada pela executiva de produtos de concessão da Serasa Experian, Simone Lima

Agenda
Data: 10 de agosto de 2011
Horário: das 8h30 às 12h00
Local: Sede Serasa Experian
Inscrição: www.serasaexperian.com.br/creditoemdebate

4 de ago. de 2011

ITAÚ DIZ QUE ERROU COM PEQUENA EMPRESA

jornal Valor Econômico 04/08/2011 - Aline Lima e Carolina Mandl

No balanço do segundo trimestre do Itaú Unibanco, o sinal de alerta: piora nos níveis de inadimplência acarretou maiores volumes de provisões para devedores, fatores que, combinados, achataram o lucro. Os atrasos acima de 90 dias passaram de 4,2% no primeiro trimestre para 4,5% no segundo trimestre, crescimento acima da média do sistema (de 0,2 ponto percentual). As despesas com provisões cresceram 27% e alcançaram R$ 5,1 bilhões.

A mea culpa já foi providenciada: "Fizemos uma expansão da carteira de crédito para micro e pequenas empresas e isso não se mostrou adequado", afirmou Alfredo Egydio Setubal, diretor de relações com investidores, durante teleconferência com analistas, ontem. "Talvez tenhamos acelerado demais nesse segmento."

A agressividade que o Itaú Unibanco vinha demonstrando desde o ano passado para conquistar participação de mercado no segmento de pequenas e médias empresas estava conseguindo incomodar até mesmo os bancos menores, especializados nesse nicho. Rapidez na aprovação do crédito combinada a uma "flexibilização" das garantias compunham, basicamente, a estratégia de atuação da instituição das famílias Setubal, Villela e Moreira Salles até então.

O tempo de resposta para financiamentos de até R$ 4 milhões requeridos por empresas com faturamento anual entre R$ 6 milhões e R$ 40 milhões, por exemplo, caiu de quatro para dois dias. As exigências de garantia também foram reduzidas. "Enquanto concorrentes pedem balanços formalizados, assinados pelo sócio e pelo contador, nós solicitamos apenas uma declaração assinada", contou, meses atrás, um gerente do banco. Para clientes considerados bons, as operações saíam sem garantia. "A concorrência acabou ficando para trás", comemorava o funcionário.

Setubal explicou que a carteira de micro e pequenas empresas, que soma cerca de R$ 30 bilhões, deverá perder fôlego nos próximos meses. Além disso, para evitar mais problemas com inadimplência, o Itaú passou a reforçar a exigência de garantias. Atualmente, segundo Setubal, metade da carteira já está coberta com garantias.

Questionado sobre o fato de o Itaú estar sofrendo mais do que outros bancos com os atrasos das micro e pequenas empresas, o executivo afirmou que o problema pode ter sido o fato de a instituição ter sido uma das primeiras entre os grandes bancos a atender esse segmento. "Talvez tenhamos sido os primeiros a descer o portfólio. Não fomos muito bem-sucedidos."

No Bradesco, embora o crédito para pequenas e médias empresas venha crescendo consistentemente graças ao foco que o banco vem dando ao segmento desde o ano passado, foram as grandes companhias que mereceram destaque no resultado do segundo trimestre. O desempenho chegou a superar, inclusive, a projeção do próprio banco de crescimento anual entre 11% e 15%. No período de 12 meses encerrado em junho, o avanço dessa carteira foi de 23,6%, para R$ 103,4 bilhões. Se incluídas na conta operações de debêntures e notas promissórias lançadas pelas companhias e encarteiradas pelo banco, a expansão no período passa a ser de 28,1%, para R$ 124,87 bilhões.

Segundo o vice-presidente do Bradesco, Domingos Abreu, não houve um direcionamento específico do banco para ganhar participação no segmento de grandes empresas. O que se observou foi uma demanda maior de crédito por parte das companhias. "Não sei qual a justificativa para o aumento da procura, mas talvez o mercado externo tenha se fechado em algum momento e as captações acabaram ficando concentradas no mercado nacional", diz.

Apesar de o Bradesco não ter alterado suas projeções para o crédito, Abreu considera a possibilidade desse movimento de migração das captações internacionais para o mercado doméstico continuar no segundo semestre. O crescimento das operações junto a esses clientes tem contribuído para melhorar a qualidade média da carteira de crédito do banco.

Enquanto o segmento de pequenas e médias empresas apresentou um ligeiro aumento no índice de atrasos superiores a 90 dias, de 3,5% no primeiro trimestre para 3,6% no segundo trimestre, no grupo de grandes empresas houve redução no índice de inadimplência, no mesmo período, de 0,1 ponto percentual, de 0,5% para 0,4%. Na comparação anual, ambos tiveram queda dos calotes.

Ao dar ênfase a linhas que, por suas garantias e características, apresentam maior segurança, o Bradesco conseguiu melhorar a qualidade de seus ativos. O índice de atrasos superiores a 90 dias encerrou junho em 3,6%, ante 4% em junho de 2010. O Bradesco projeta uma estabilização da inadimplência no segundo semestre.

Por conta dessa estratégia, os spreads (diferença entre o custo de captação e o juro cobrado dos clientes) tendem a permanecer pressionados. No segundo trimestre, a margem financeira de juro foi impactada positivamente pelo aumento do volume das operações, contribuindo com R$ 470 milhões, mas minimizada pela redução do spread em R$ 152 milhões.

31 de jul. de 2011

INADIMPLÊNCIA PERDE FÔLEGO APÓS 5 ALTAS CONSECUTIVAS

jornal Valor Econômico 28/07/2011 - Daniel Rittner

O Banco Central vê uma "perda" de fôlego da inadimplência e acredita que pode até haver redução das dívidas em atraso no segundo semestre. Interrompendo uma trajetória de cinco altas seguidas, o principal indicador de inadimplência (dívidas vencidas há mais de 90 dias) manteve-se estável em 5,1%, em junho.

"As perspectivas que se desenham são de arrefecimento", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. Ele apontou ainda que, pelo terceiro mês consecutivo, houve redução ou estabilidade das dívidas de pessoas físicas vencidas entre 15 e 90 dias, uma sinalização da inadimplência futura.

Maciel afirmou que a inflação mais moderada dos últimos meses e a geração de empregos em alta devem servir como freio à inadimplência. Ele descartou o risco de "bolha de crédito" apontado por muitos analistas internacionais e atribuiu essas advertências ao "desconhecimento da realidade brasileira".

Mesmo assim, economistas continuam vendo ameaças na expansão do crédito total na economia do país, que subiu 1,6% em junho e 7,5% nos seis primeiros meses do ano. Na comparação com junho de 2010, o aumento alcançou 20%. Em relatório distribuído ontem aos seus clientes, o Morgan Stanley observou que, "depois de sete meses de medidas macroprudenciais, o crescimento do crédito não apresentou sinais claros de desaceleração, com taxas de aumento ainda acima dos objetivos do governo". Para os analistas do banco, a credibilidade do BC pode ficar em risco caso a expansão do crédito não se desacelere "logo" para o patamar desejado de 15%.

A avaliação não é unânime. Para Eduardo Coutinho, professor do Ibmec, esses números não representam perigo. "Parece que as tentativas de contenção dos empréstimos foram bem sucedidas", disse. Além das medidas macroprudenciais adotadas pelo BC e do ciclo de alta da taxa Selic, o próprio aumento recente da inadimplência fez os bancos ficarem mais cautelosos na concessão de financiamentos novos.

Um dos sinais é a queda de 24,8% na média diária das concessões de crédito para a aquisição de veículos ao longo do primeiro semestre, na comparação com o semestre anterior. À exceção do crédito imobiliário, nenhum outro indicador disparou.

Os financiamentos habitacionais, tanto com recursos livres quanto com recursos direcionados, tiveram o maior ritmo de expansão. Eles totalizaram R$ 167,5 bilhões em junho e tiveram aumento de 3,8% no mês passado, de 20,7% no primeiro semestre e de 50% no acumulado dos últimos 12 meses.

O crédito habitacional deve continuar aumentando, mas esse ritmo não é sustentável e "deve arrefecer no longo prazo", segundo Maciel. Apesar disso, ressaltou o fato de estar ainda em 4,3% do PIB, proporção relativamente baixa em termos internacionais e que está longe de constituir riscos, na avaliação dele. "Era um crédito que estava muito restrito", argumentou.

Em julho, mês para o qual o BC divulgou ontem dados referentes aos nove primeiros dias úteis do mês, as concessões de empréstimos e as taxas de juros praticadas voltaram a subir. Em junho, as concessões de crédito caíram 1,5%. Apesar do ciclo de alta da taxa Selic, os juros diminuíram pela primeira vez em seis meses, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. De 40% em maio, caíram para 39,5% em junho. Mas passaram para 40,2% até o dia 13 de julho. No início do mês, as concessões subiram 0,8% em relação a igual período de junho.

O saldo total de créditos livres e direcionados atingiu R$ 1,834 trilhão em junho. Até 13 de julho, aumentou 1,1% na comparação com igual período do mês passado. O crédito já representa 47,2% do PIB, a maior proporção da série histórica do BC, e a estimativa da autoridade monetária é chegar ao fim do ano com 48%. É um número considerado alto para o Brasil, o que pode despertar questionamentos, mas ainda baixo para padrões internacionais. A relação crédito/PIB terminou o ano de 2009 em 44,4% e subiu para 46,4% ao fim de 2010.

2 de jun. de 2011

CICLO DE DESACELERAÇÃO DO CRÉDITO AO CONSUMIDOR DEVERÁ SE ENCERRAR NO PRÓXIMO TRIMESTRE, APONTA SERASA EXPERIAN

portal Serasa Experian 01/06/2011

O Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito ao Consumidor cresceu 0,3% em abril, atingindo o patamar de 99,6. Foi a segunda alta mensal consecutiva após uma sequencia de dez quedas mensais ininterruptas.

Como, pela sua metodologia de construção, o indicador tem a propriedade de antever os movimentos cíclicos da concessão de crédito com seis meses de antecedência, as oscilações deste indicador em região ligeiramente abaixo do nível 100 sinalizam que o atual processo de desaceleração do crédito ao consumidor deverá se encerrar ao longo do próximo trimestre. A partir daí, entram em uma rota de expansão mais equilibrada (impactos neutros do ponto de vista da aceleração do crescimento econômico e da taxa de inflação).



Os efeitos das medidas macroprudenciais, da elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), da elevação dos níveis de inadimplência e da atual trajetória de aumento da taxa básica de juros (taxa Selic) continuarão moderando o ritmo de expansão do crédito ao consumidor durante os próximos meses, completando o seu ciclo de desaceleração, salientam os economistas da Serasa Experian.

Empresas

O Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito às Empresas recuou 0,6% em abril de 2011, a sétima queda mensal consecutiva deste indicador, atingindo o valor de 99,6.

Este resultado sinaliza que a atual trajetória de desaceleração do crédito ao consumidor deve provocar um desaquecimento mais visível da atividade econômica, especialmente durante o segundo semestre deste ano, e também exercerá pressões sobre o crédito voltado à atividade produtiva. Com efeito, num cenário de crescimento menos acelerado da economia brasileira, a demanda das empresas por capital de giro também tende a crescer mais lentamente, observam os economistas da Serasa Experian.



Metodologia dos Indicadores Serasa Experian de Perspectiva

O objetivo dos Indicadores Serasa Experian de Perspectiva é antever, num horizonte de seis meses, em que fase do ciclo estarão as seguintes variáveis econômicas: (i) atividade econômica, (ii) concessões reais de crédito ao consumidor, (iii) concessões reais de crédito às empresas, (iv) inadimplência do consumidor e (v) inadimplência das empresas. Em geral, as variáveis econômicas apresentam ciclos compostos por quatro fases distintas: (1) expansão, (2) reversão, (3) crise e (4) recuperação. Os Indicadores Serasa Experian de Perspectiva mostrarão, justamente, a posição cíclica, para os próximos seis meses, de cada uma destas variáveis.

Cada Indicador Serasa Experian de Perspectiva é construído analisando-se o poder explicativo e a antecedência de explicação de um universo de 325 variáveis econômicas e financeiras sobre a variável-objetivo. Para tanto, todas as 325 variáveis “candidatas” bem como a variável-objetivo foram filtradas usando-se a técnica de ondaletas, a qual nos permite estudar as relações entre as variáveis “candidatas” e a variável-objetivo em diversas escalas de tempo. Hoje, as ondaletas são adotadas em diversos campos, como a física (dinâmica molecular, astrofísica, geofísica – previsão de terremotos, mecânica quântica), processamento de imagem (análise de EEG e DNA, clima, reconhecimento da fala e visão artificial) e compressão de dados (o JPEG 2000 utiliza essa técnica).

No caso, utilizamos as escalas de tempo compreendidas de 16 a 32 meses e de 32 a 64 meses, faixas onde se caracterizam os movimentos dos ciclos econômicos.

Para cada escala de tempo foram selecionadas, das 325 variáveis “candidatas”, aquelas que antecipam, de forma significativa, a variável-objetivo entre 6 e 18 meses de antecedência. Selecionadas as variáveis “candidatas”, estas foram agregadas mediante a aplicação de componentes principais, após terem sido colocadas na mesma fase de 6 meses em relação à variável-objetivo.

O resultado composto, isto é, em cada escala de tempo, dos modelos de projeção entre a variável-objetivo e os componentes principais, colocado em base 100, constitui o Indicador Serasa Experian de Perspectiva.

18 de jan. de 2011

CLIENTESA E WITRISK CONSOLIDAM PARCERIA

portal ClienteSA 14/01/2011

Dois dos principais congressos do Brasil voltados à indústria de concessão e recuperação de crédito do primeiro semestre do ano, o V Congresso ClienteSA IRC+ e o IV Fórum Witrisk, estão sendo unidos e repaginados como Encontro IRC+ Fórum Witrisk. Marcado para o final de maio, o evento chega para impulsionar a qualidade das discussões técnicas e estratégicas com um tema muito particular, ´Ciclo do Crédito e Cobrança - tão pouco tempo, tanto a fazer´.

Fernando Manfio
"Será o principal evento do primeiro semestre dedicado a proporcionar uma real reflexão à cadeia produtiva de crédito e cobrança. Nosso objetivo é trazer e trocar conhecimentos, com cases referenciais para o mercado. Quem ganha com essa parceria é o setor", destaca o presidente da Witrisk, Fernando Manfio. Para ele, a junção agrega valor em termos de conteúdo prático e qualidade, além de acelerar o network e ganhar o apoio estratégico das mídias da editora - a Revista ClienteSA, o portal www.callcenter.inf.br e o www.portalcreditoecobranca.com.br.

O projeto contempla três dias de evento. Dois serão reservados para o congresso e um para a premiação das categorias Prêmio Personalidade ClienteSA, Prêmio ClienteSA e Prêmio de Excelência em gestão de risco Witrisk. Focado em um público com poder de decisão, é a aposta do diretor e publisher da ClienteSA, Vilnor Grube. "Nosso foco será sempre o da seletividade, como em tudo que temos feito. Por isso, esperamos reunir uma média de 600 profissionais. A nossa união não tem o objetivo simplista de integrar os eventos para ganhar escala. Estamos acelerando um movimento orientado à geração de competência. É o que mais os profissionais e as empresas nos cobram", justifica.

O Fórum Witrisk, com tradição nacional, é um projeto que busca trazer conteúdo mais prático e humano para a reflexão dos profissionais voltados ao negócio de risco massificado. Em junho de 2009, realizado na Fecomércio, em São Paulo, o fórum reuniu em dois dias cerca de 450 executivos com perfis de gestão nas mais diversas áreas. Com viés inovador verificado em todas as edições e com posicionamento de evento independente, o IV Congresso IRC+ é realizado pela divisão Conference da revista ClienteSA, especializada há mais de 10 anos na produção e organização de eventos de conteúdos relevantes ao mercado B2B. Em 2009, no Renaissance Hotel, em São Paulo, o evento uniu mais de 450 executivos em um único dia de congresso, junto com a noite de premiação de Personalidades e Prêmio IRC+. "Este público foi formado pelos principais líderes que compõem a indústria de concessão e recuperação de crédito em toda sua cadeia produtiva", explica Grube.

3 de jan. de 2011

PROCURA POR CRÉDITO PELO CONSUMIDOR DEVE DESACELERAR EM 2011, DIZ SERASA

portal Folha Online 03/01/2011

O Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito ao Consumidor recuou 1,3% em novembro, ante queda de 1,6% em outubro. Esta foi a oitava queda mensal consecutiva,levando o indicador a 99,3, segundo divulgação da Serasa Experian desta segunda-feira.

Segundo a Serasa, esta sequência de variações negativas sinaliza que as concessões de crédito com recursos livres, para pessoas físicas, deverão continuar se expandindo, porém num ritmo mais suave do que o observado neste segundo semestre de 2010.

Na avaliação dos economistas, a elevação dos compulsórios e a adoção de medidas macro prudenciais de restrição ao crédito por parte do Banco Central, determinadas no início de dezembro, combinadas com o aumento do endividamento do consumidor, deverão proporcionar uma evolução positiva, porém menos acelerada, do crédito ao consumidor, especialmente ao longo do próximo ano.

EMPRESAS

Já o Indicador Serasa Experian de Perspectiva de Crédito às Empresas desacelerou com alta de 0,1% em novembro, ante crescimento de 0,2% em outubro. Esta foi o menor alta mensal do indicador desde o mês de março de 2009.

Segundo os economistas da Serasa Experian, a possibilidade de um novo aperto monetário a partir do primeiro trimestre de 2011, combinada com uma política fiscal mais austera no primeiro ano de mandato do novo governo, "deverá promover uma desaceleração gradual do ritmo de crescimento econômico, gerando avanços menos intensos na demanda de crédito por capital de giro por parte das empresas".

2 de jan. de 2011

MEDIDAS DO BC DEVEM ACABAR COM A 'FESTA DO CRÉDITO'

portal Economia & Negócios 02/01/2011 - Agencia Estado

Dirigentes de bancos centrais costumam fazer uma piada sobre sua função na sociedade. O objetivo de seu trabalho, dizem, é desligar o som quando uma festa está muito animada. O chiste encaixa-se nas ações que o Banco Central (BC) adotou no início de dezembro para esfriar o crédito no Brasil. Em decorrência das mudanças, a expectativa de bancos e analistas é de que o ritmo de concessão de empréstimos desacelere em 2011.

Oficialmente, executivos de instituições financeiras mantêm estimativas elaboradas entre setembro e novembro, quando prepararam o planejamento para o próximo ano. Por esses números, o crédito terá expansão ao redor de 20%, exatamente na média dos últimos anos. Nos 12 meses encerrados em novembro, por exemplo, a concessão de empréstimos avançou 20,8% - 20,9% entre empresas e 20,8% entre pessoas físicas.

Nos bastidores, profissionais admitem que o aumento dos depósitos compulsórios (dinheiro que fica parado no BC) e o aperto nas regras para financiamento de carros e consignado, entre outras, vão desacelerar a expansão para a faixa de 15% ou menos.

O cuidado ao falar do assunto é explicado pelo fato de que os quatro maiores bancos de varejo do País têm ações negociadas na Bovespa. No momento em que afirmam publicamente que vão emprestar menos, o recado entendido pelos investidores é o de que a expansão do lucro também vai desacelerar. O jornal O Estado de S.Paulo procurou os quatro maiores (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander) para falar do assunto, mas apenas o Bradesco respondeu.

"Nossa estimativa de crescimento de 20% para o crédito está mantida, porque acreditamos que eventuais reduções de demanda em alguns produtos, como automóveis, serão compensadas pela alta em outros, como consignado", afirma o diretor do Departamento de Empréstimos e Financiamento do Bradesco, Octávio Lazzari Junior.

O otimismo do executivo toma por base o desempenho esperado para a economia brasileira. Se não vai crescer perto de 8% como em 2010, o ritmo de 2011 não pode ser desprezado. "Ainda continuaremos a ver o ganho efetivo de renda decorrente da mobilidade social", diz. "Além disso, a taxa de desemprego vai permanecer baixa."

O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, projeta alta do crédito geral entre 14% e 18%. Mas faz distinção entre pessoas físicas e empresas. "As medidas recentes do governo deixaram claro que o objetivo é esfriar as concessões em um dos segmentos (pessoas físicas)", diz. "Entre as empresas, o objetivo é oposto: como quer estimular o investimento na economia, o governo precisa que o crédito para empresas continue forte". Por isso, aposta em alta maior de empréstimo às pessoas jurídicas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

27 de dez. de 2010

BANCOS TÊM RECUPERAÇÃO RECORDE DE CRÉDITO

jornal O Estado de S.Paulo 24/12/2010 - Altamiro Silva Júnior (Agencia Estado)

Em meio à expansão de mais de 20% no mercado de crédito este ano, os bancos resolveram reforçar as áreas de cobrança e estão registrando níveis recordes de recuperação de calotes. Alguns bancos, além do reforço interno com a contratação de novos executivos, aumentaram a ofensiva e ampliaram a contratação de empresas terceirizadas especializadas na recuperação de dívidas.

O Itaú Unibanco foi o banco, entre as grandes instituições financeiras, que mais recuperou crédito este ano. As operações somaram R$ 2,95 bilhões de janeiro a setembro, expansão de 104,6% ante igual período do ano passado. No Bradesco, os empréstimos recuperados cresceram 81% e somaram R$ 1,95 bilhão. O Banco do Brasil cresceu menos que seus concorrentes privados, mas ainda apresentou taxa elevada de expansão, de 35%, e R$ 2,44 bilhão em créditos recuperados.

A Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito (Aserc) estima que o mercado de recuperação de crédito movimente R$ 8 bilhões por ano no Brasil. São mais de 15 mil empresas de cobrança, que prestam serviços aos bancos e financeiras, e empregam 300 mil pessoas. Em geral, o primeiro contato com o devedor é feito por telefone, quando se pode fazer uma proposta de renegociação do empréstimo. Caso o contato telefônico são tenha efeito, a empresa ou banco enviam os funcionários de cobrança diretamente na casa do tomador de recursos. O último caso é acionar a Justiça para cobrança.

Os especialistas destacam que o cenário atual é muito positivo para o crédito. Com o aquecimento da economia, pessoas que tinham perdido o emprego ano passado, por causa da crise financeira mundial, conseguem novos postos de trabalho e saldam dívidas antigas. A queda das taxas de desemprego e o aumento da renda contribuem para a redução dos calotes. A taxa de inadimplência dos bancos está voltando para níveis de 2008 e algumas instituições apostam que o indicador deve cair ainda mais, embora em menor ritmo que nos trimestre anteriores.

Além de reforçar a área de cobrança, o diretor corporativo de Controladoria e de Relações com Investidores do Itaú, Rogério Calderón, destaca que o banco tem procurado se expandir no crédito para pessoas físicas em carteiras de menor risco, como o empréstimo consignado e o financiamento imobiliários. No consignado, como as parcelas são descontadas em folha de pagamento, o risco de calote é muito baixo. No financiamento habitacional, o próprio imóvel é dado como garantia, reduzindo a perda.

Em queda

O resultado desse movimento é que as taxas de inadimplência caíram no terceiro trimestre para o menor nível desde dezembro de 2008. A perspectiva é que devem continuar caindo, principalmente na pessoa física. "É um mix melhor da carteira do que tínhamos no período pré-crise."

No Bradesco, o vice-presidente executivo do banco, Domingos Ferreira de Abreu, destaca que a ofensiva na área de cobrança, além de aumentar os níveis de empréstimos recuperados, ajudou a melhorar as despesas de provisões para devedores duvidosos. No acumulado do ano, essas despesas caíram 27% e o banco optou por não fazer provisões extras para calotes.

O executivo do Bradesco prevê que as taxas de inadimplência para pessoa física devem ter mais uma pequena queda até o final do ano. O indicador, considerando os atrasos acima de 90 dias, terminou o terceiro trimestre em 3,8% e a previsão é que termine o ano em 3,7%: "Não vemos razões pra imaginar que a inadimplência voltará a subir."

O Banco do Brasil, que também reforçou a área de cobrança, teve movimento semelhante aos bancos privados, com expansão dos empréstimos em carteiras de menor risco. No caso do financiamento imobiliário, por exemplo, o banco vai crescer mais que o previsto este ano. A meta era dobrar a carteira no ano, mas logo no início deste mês o objetivo já foi alcançado.

CRÉDITO CRESCE 2% EM NOVEMBRO, APONTA BC

jornal DCI 24/12/2010 - Flávia Milhassi e Agência Estado

O saldo positivo das operações de crédito do sistema financeiro anunciado ontem pelo Banco Central (BC) pode ser explicado por fatores como o pagamento de dissídios aos metalúrgicos e aos bancários, que ficaram acima da inflação, e do período eleitoral em que o governo injetou boas quantias na campanha da presidente eleita Dilma Rousseff. As conclusões são do professor do curso de Administração da ESPM, José Eduardo Amato Baliam, que explica: "O resultado é uma série de fatores. Posso citar o dissídio que ficou acima da inflação entre 3% e 4% em setembro para os metalúrgicos e os bancários, a campanha eleitoral que movimentou boas quantias, a economia estável, e o índice de desemprego baixo, que levou a esse incremento no setor de crédito", afirma o professor.

Só no mês de novembro, o BC aponta um crescimento de crescimento de 2% nas operações, dados comparados ao mês de outubro. O aumento resultou no montante de R$ 1,677 trilhão em empréstimos só no mês passado. No acumulado do ano de 2010, o valor apresenta expansão de 20,8%, sendo 5,9% computados nos meses de setembro, outubro e novembro de 2010.

Entre as várias operações registradas pelo BC, o crédito para habitação foi o que registrou maior expansão, de 3,4% no mês, para R$ 133,516 bilhões. Em 12 meses, essa carteira acumula avanço de 53,9%. Outros setores que ajudaram a impulsionar o crédito foram a indústria, o comércio e o setor de serviços que em novembro somaram operações de R$ 359,5 bilhões, R$ 168,7 bilhões e R$ 287,8 bilhões respectivamente.

Com o crescimento do mês passado, o peso das operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 46,3% em novembro, ante 45,9% em outubro. Um ano atrás, em novembro de 2009, a proporção era de 44,4% do PIB. Ao divulgar o balanço das operações em 2010, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, acredita que em 2011, as operações podem resultar em 50% do PIB.

O especialista da ESPM não acredita que esse valor possa ser atingido, devido as últimas medidas que restringem de forma austera a concessão de crédito no País. "É preciso avaliar melhor essa projeção, pois o crescimento do PIB para 2011 será menor e está estimado em 4,5%. O governo já retirou da economia R$ 61 bilhões, elevou os compulsórios, ampliou para 15% o pagamento mínimo das despesas com cartão de crédito e esse índice chegará a 20% no final do próximo ano. Acho que no começo pode até haver um crescimento, mas o mercado sentirá o peso dessas medidas e haverá redução nesses números", enfatiza.

O juro médio das operações de crédito livre caiu para 34,8% ao ano em novembro. Os dados mostram que o juro voltou a ceder após a ligeira alta observada em outubro, quando o juro fechou em 35,4% ao ano. O recuo foi liderado pelas operações para pessoas físicas, cujo juro médio caiu de 40,4% para 39,1% entre os dois meses. Nas operações para empresas, a taxa caiu de 28,7% para 28,6% ao ano.

Boa parte da queda dos juros pode ser explicada pela redução dos spreads bancários.

O spread médio caiu de 24,4 pontos em outubro para 23,6 pontos percentuais em novembro. Novamente, o maior recuo acontece na pessoa física, cujo spread recuou de 29 pontos para 27,3 pontos percentuais. Nas operações para empresas, a margem recuou de 18,1 pontos para 17,9 pontos entre os dois meses.

O crédito para pessoas físicas teve crescimento de 2,1% no mês e 17,6% em 12 meses. Para 2011, as instituições financeiras nacionais continuarão a liderar as contratações de financiamento, mas segundo Altamir Lopes, o ritmo de crescimento da carteira de crédito dos bancos públicos deve cair da taxa de 22% esperada para 2010 para 15% no próximo ano.

Para bancos estrangeiros, a velocidade de expansão dos financiamentos recuou de 13% neste ano para 12% no próximo ano. Altamir explica que a liderança dos públicos deve continuar graças aos volumes expressivos de empréstimos tomados por empresas, nas operações de crédito direcionado - já que o número contempla também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"Há muitos desembolsos já contratados e que serão liberados em breve. Há, ainda, volumes expressivos de rolagem de empréstimos contratados anteriormente", diz.

22 de dez. de 2010

BC DEVE TOMAR MAIS MEDIDAS CONTRA O CRÉDITO

jornal DCI 22/12/2010 - Flávia Milhassi

Com expectativa de que o Banco Central (BC) e o Conselho Monetário Nacional (CMN) promovam mais mudanças na concessão de crédito e na economia brasileira para conter a inflação em 2011 e atingir o avanço esperado de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, apresentou ontem, pesquisa promovida pela instituição que mostra as expectativas do mercado financeiro para os próximos anos.

Segundo o especialista, ainda não é possível prever quais serão as consequências das mudanças promovidas pelo BC e pelo CMN - que elevaram a exigência de depósito compulsório dos bancos sobre os depósitos à vista e a prazo - mas, não se pode negar que a economia terá um recuo em 2011 e 2012.

"Nossa expectativa é de um crescimento de 4,5%, que vai de encontro ao que o mercado antecipou anteriormente. Mas, mesmo com as medidas de restrição ao crédito, uma política monetária mais austera para 2011 e expectativa de que ao longo do ano a taxa básica de juro [Selic] aumente em comparação com 2010, a economia terá um crescimento positivo", enfatiza.

O especialista acredita também que, caso o governo não consiga conter o crédito nos próximos dois anos, o mercado terá novas mudanças. "Não acho algo adequado, mas se não houver um recuo no crédito, o Banco Central terá que adotar novas normas, restringir outras operações e tornar o acesso ao crédito mais difícil. Mesmo assim, isso nem sempre é feito de forma transparente. Porém, trará mais resultados que o aumento da taxa de juros". Na última coletiva do ano da Febraban, Sardenberg que anteriormente havia falado que as medidas macroprudencias, termo esse utilizado por Henrique Meirelles para frear o crédito no Brasil e retirar do mercado R$ 61 bilhões, feitas pelo governo elevariam o spread bruto dos bancos, quando questionado novamente sobre esse aumento, afirmou que ainda não há como medir o real impacto no spread bancário, mas que qualitativamente está em curso um possível encarecimento do crédito, para suprir os custos maiores na captação e empréstimos feitos pelas instituições financeiras. "É natural que isso aconteça com o aumento dos compulsórios, que eleva a alocação de capital das operações e o que resulta em um aumento das taxas ativas e dos spreads. Mas vamos observar isso nas próximas projeções", explica.

Outra medida do Banco Central na tentativa de desafogar os empréstimos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), facilita a captação de recursos com a contratação de debêntures e é uma boa opção aos investidores brasileiros, como explica o economista da Febraban. "Essas medidas farão com que o mercado de médio e longo prazo sejam mais atraentes no país. As isenções vão incentivar os investidores estrangeiros, o que trará um estímulo ao mercado de financiamentos mais longos", comenta Sardenberg.

Anteriormente o setor de crédito projetava um crescimento de 18,5% para 2011, mas após a adoção das novas medidas que estão em vigor há duas semanas, a expectativa do setor é que esse crescimento caia para 17,8% no próximo ano e em 2012 fique em 17,2%, aponta a pesquisa.

O economista-chefe da Febraban, ressalta três pontos sobre as projeções no setor de crédito para os próximos dois anos. "Houve redução nas expectativas de crescimento, elas são moderada, mas significativas. O mercado sabe que vai crescer menos, terá um recuo moderado, mas é cedo pra que se possa avaliar a extensão disso, esses números refletem isso, uma dificuldade para estabelecer o real recuo das taxas de crescimento", explica.

Ainda segundo a pesquisa realizada entre os dias 16 e 20 deste mês, com 28 instituições, o setor industrial que teve boa recuperação no ano, após a recessão promovida pela crise mundial, nos próximos anos terá bom desempenho mesmo com a previsão de um recuo, o setor poderá ter crescimento de 5,3% no próximo ano.

Para Rubens Sardenberg, os reflexos das políticas monetárias terão impacto maior às pessoas físicas. "O recuo maior será para a pessoa física, pois as medidas do BC são focadas nesse público. Com base em conversas e expectativas de mercado será percebido um melhor desempenho para pessoa jurídica. As pequenas e médias empresas poderão crescer mais em 2011."

Para a Febraban, em 2011 o real ficará mais valorizado frente ao dólar. A previsão é de que em 2011 e 2012 a moeda estrangeira fique cotada a R$ 1,80, patamar pouco diferente ao esperado para o final deste ano, que é R$ 1,75.

O mercado financeiro espera que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) seja empregado um aumento de gradual da taxa Selic e que no próximo ano fique em 11,25%. Para 2012, o especialista da Febraban e o mercado esperam um aumento de um ponto percentual e que a taxa de juros fique em 12,25%. Esse índice será reflexo da pressão inflacionária como comenta Sardenberg e completa, "em relação ao ano de 2010, esse aumento seria de 150 pontos básicos frente aos 10,75% do atual patamar brasileiro".

Outro fator que gera muitas incertezas ao mercado financeiro é a indefinição das políticas monetárias que serão adotadas pela nova equipe econômica da presidente eleita Dilma Rousseff. A expectativa do setor é de que elas sejam mais austeras, e que mesmo com as restrições, o Brasil tenha um bom desempenho nos próximos dois anos.