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31 de jul. de 2011

INADIMPLÊNCIA PERDE FÔLEGO APÓS 5 ALTAS CONSECUTIVAS

jornal Valor Econômico 28/07/2011 - Daniel Rittner

O Banco Central vê uma "perda" de fôlego da inadimplência e acredita que pode até haver redução das dívidas em atraso no segundo semestre. Interrompendo uma trajetória de cinco altas seguidas, o principal indicador de inadimplência (dívidas vencidas há mais de 90 dias) manteve-se estável em 5,1%, em junho.

"As perspectivas que se desenham são de arrefecimento", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. Ele apontou ainda que, pelo terceiro mês consecutivo, houve redução ou estabilidade das dívidas de pessoas físicas vencidas entre 15 e 90 dias, uma sinalização da inadimplência futura.

Maciel afirmou que a inflação mais moderada dos últimos meses e a geração de empregos em alta devem servir como freio à inadimplência. Ele descartou o risco de "bolha de crédito" apontado por muitos analistas internacionais e atribuiu essas advertências ao "desconhecimento da realidade brasileira".

Mesmo assim, economistas continuam vendo ameaças na expansão do crédito total na economia do país, que subiu 1,6% em junho e 7,5% nos seis primeiros meses do ano. Na comparação com junho de 2010, o aumento alcançou 20%. Em relatório distribuído ontem aos seus clientes, o Morgan Stanley observou que, "depois de sete meses de medidas macroprudenciais, o crescimento do crédito não apresentou sinais claros de desaceleração, com taxas de aumento ainda acima dos objetivos do governo". Para os analistas do banco, a credibilidade do BC pode ficar em risco caso a expansão do crédito não se desacelere "logo" para o patamar desejado de 15%.

A avaliação não é unânime. Para Eduardo Coutinho, professor do Ibmec, esses números não representam perigo. "Parece que as tentativas de contenção dos empréstimos foram bem sucedidas", disse. Além das medidas macroprudenciais adotadas pelo BC e do ciclo de alta da taxa Selic, o próprio aumento recente da inadimplência fez os bancos ficarem mais cautelosos na concessão de financiamentos novos.

Um dos sinais é a queda de 24,8% na média diária das concessões de crédito para a aquisição de veículos ao longo do primeiro semestre, na comparação com o semestre anterior. À exceção do crédito imobiliário, nenhum outro indicador disparou.

Os financiamentos habitacionais, tanto com recursos livres quanto com recursos direcionados, tiveram o maior ritmo de expansão. Eles totalizaram R$ 167,5 bilhões em junho e tiveram aumento de 3,8% no mês passado, de 20,7% no primeiro semestre e de 50% no acumulado dos últimos 12 meses.

O crédito habitacional deve continuar aumentando, mas esse ritmo não é sustentável e "deve arrefecer no longo prazo", segundo Maciel. Apesar disso, ressaltou o fato de estar ainda em 4,3% do PIB, proporção relativamente baixa em termos internacionais e que está longe de constituir riscos, na avaliação dele. "Era um crédito que estava muito restrito", argumentou.

Em julho, mês para o qual o BC divulgou ontem dados referentes aos nove primeiros dias úteis do mês, as concessões de empréstimos e as taxas de juros praticadas voltaram a subir. Em junho, as concessões de crédito caíram 1,5%. Apesar do ciclo de alta da taxa Selic, os juros diminuíram pela primeira vez em seis meses, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. De 40% em maio, caíram para 39,5% em junho. Mas passaram para 40,2% até o dia 13 de julho. No início do mês, as concessões subiram 0,8% em relação a igual período de junho.

O saldo total de créditos livres e direcionados atingiu R$ 1,834 trilhão em junho. Até 13 de julho, aumentou 1,1% na comparação com igual período do mês passado. O crédito já representa 47,2% do PIB, a maior proporção da série histórica do BC, e a estimativa da autoridade monetária é chegar ao fim do ano com 48%. É um número considerado alto para o Brasil, o que pode despertar questionamentos, mas ainda baixo para padrões internacionais. A relação crédito/PIB terminou o ano de 2009 em 44,4% e subiu para 46,4% ao fim de 2010.

11 de jul. de 2011

EMPRÉSTIMOS DE BAIXO VALOR ENTRAM NA MIRA DO BC

jornal Folha de S. Paulo 10/07/2011 - Érica Fraga

O Banco Central vai passar a monitorar pequenos tomadores de crédito.

O principal objetivo da medida é avaliar melhor o risco que a forte expansão de empréstimos nos últimos anos representa para o sistema financeiro, especialmente para bancos de menor porte.

A Folha apurou que, a partir do fim de outubro, o BC passará a acessar informações detalhadas de cada operação de crédito com valor a partir de R$ 1.000.

Numa segunda fase "cuja data ainda não foi definida", o BC poderá monitorar de forma individualizada todos os financiamentos, mesmo os de valor muito baixo.

Hoje, o departamento de fiscalização tem acesso a dados agregados de todos os empréstimos concedidos pelo sistema financeiro.

Além disso, já recebe e monitora dados individualizados "como informações cadastrais do cliente, valor e modalidade do empréstimo contraído e montante de juros" de operações com valor igual ou superior a R$ 5.000.

Ao reduzir esse montante, o BC ampliará o poder de fogo do departamento de fiscalização. Será possível fazer um mapeamento mais detalhado das notas de crédito que os clientes recebem das instituições financeiras.

Essas classificações variam de acordo com um conjunto de informações, como renda, nível de endividamento e histórico do cliente em pagar ou não as parcelas em dia.

Há nove tipos de notas possíveis para empréstimos concedidos por instituições financeiras no Brasil, que podem oscilar de AA (a melhor possível) a H (a pior de todas).

Com o monitoramento mais abrangente, o BC poderá verificar se um cliente que contraiu empréstimos de valor relativamente baixo em mais de um banco recebe avaliações parecidas de todos.

LUZ AMARELA

Se forem descobertas discrepâncias grandes nas notas concedidas, uma luz amarela acenderá no departamento de fiscalização.

Em um caso desses, é possível que o BC conclua que o sistema de avaliação de crédito do banco que concede nota mais benigna que seus pares apresenta deficiências.

Como resultado, a instituição poderá ter de aumentar suas provisões (recursos reservados para cobrir prejuízo com possível calote).

Uma das principais preocupações do departamento de fiscalização é garantir que os bancos tenham estruturas eficientes de gestão de risco de empréstimos.

FISCALIZAÇÃO

O forte crescimento do crédito e a expansão da parcela da renda de pessoas físicas destinada a quitar dívidas reforçaram a necessidade de ampliar a fiscalização sobre as operações de menor valor.

Na esteira da expansão da renda, o percentual de operações de crédito destinadas a financiar o consumo saltou de 7,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2003 para 17,5% em maio de 2011.

O BC também vai desenvolver, a partir dos novos dados a que terá acesso, avaliação mais detalhada da exposição dos bancos às diversas modalidades de crédito, como financiamento para compra de carros e cheque especial.

DADOS SOB ANÁLISE DO BANCO VÃO SE MULTIPLICAR POR DEZ

A partir de outubro, quando o Banco Central passará a ter acesso a dados específicos de todos os empréstimos com valor igual ou superior a R$ 1.000, o volume de informações monitorado pelo departamento de fiscalização vai se multiplicar por dez.

Segundo a Folha apurou, foram investidos R$ 15 milhões no setor de tecnologia da informação do banco para viabilizar a implantação da medida.

A decisão de ampliar sua capacidade de monitorar detalhes de empréstimos de menor valor vai permitir à autoridade monetária traçar um perfil mais completo dos tomadores de crédito.

O Banco Central poderá cruzar uma quantidade mais abrangente de dados, como nível de renda, idade, modalidade de crédito contraída.

Segundo a Folha apurou, a autoridade monetária espera ampliar a sua capacidade de antecipar tendências, como um possível aumento de inadimplência.

17 de jun. de 2011

NÚMERO E VALOR DAS TRANSAÇÕES NOS CARTÕES MAIS QUE DOBRAM EM CINCO ANOS

portal InfoMoney 16/06/2011 - Gladys Ferraz Magalhães

A quantidade e o valor das transações nos cartões de débito e crédito mais que dobraram entre os anos de 2005 e 2010, segundo revelam dados divulgados na última quarta-feira (15) pelo BC (Banco Central).

No período, o uso do cartão de crédito cresceu 121%, enquanto o do cartão de débito aumentou 157%. Em termos de valores, as categorias apresentaram aumentos de 182% e 199%, respectivamente, atingindo, nesta ordem, os valores transacionados de R$ 328 bilhões e R$ 158 bilhões em 2010.

Na comparação entre 2009 e o ano passado, os valores transacionados cresceram 29,13% no cartão de crédito e 29,51% no débito. Já a quantidade de transações passaram de 2,777 bilhões para 3,321 bilhões – alta de 19,59% -, no primeiro caso; e saíram de 2,309 bilhões para 2,929 bilhões – acréscimo de 26,85% -, no segundo.

Outros meios

No geral, o uso dos instrumentos de pagamento (inclusive transferências de crédito, débito direto e cheques sem liquidação interbancária) cresceram 91% entre 2005 e 2010, alcançando 19,921 bilhões de transações no ano passado.

No mesmo período, os valores das transações também cresceram, 189%, ficando em R$ 29,648 trilhões no ano passado.

Além dos cartões de débito e crédito, nos últimos cinco anos encerrados em 2010, o convênio com terceiros e a transferência de crédito também cresceram, tanto na quantidade (24% e 62%, nesta ordem), como no valor das transações (73% e 166%, cada).

Por outro lado, no intervalo analisado, o uso do cheque diminuiu (-34%), apesar do crescimento de 22% do valor transacionado. Segundo o levantamento do Banco Central, entre 2005 e 2010, o número de transações feitas com cheques saiu de 2,527 bilhões para 1,675 bilhões, ao passo que o valor das transações passaram de R$ 2,213 trilhões para R$ 2,691 trilhões.

2 de jun. de 2011

NOVO MODELO DE COMPENSAÇÃO DE CHEQUES JÁ ATINGE 60% DAS FOLHAS

portal InfoMoney 01/06/2011

A digitalização da compensação de cheques, que entrou em vigor em maio, já representa 60% das compensações realizadas desde março, segundo a Compe (Centralizadora de Compensação Cheques).

A Compe, atrelada ao Banco Central e operada pelo Banco do Brasil, responde pela totalidade das liquidações interbancárias para cheques de até R$ 250 mil. De acordo com o BC, os 137 bancos do País com portadores de cheques já estão enquadrados no novo modelo de compensação de cheques, estabelecido pela Circular 3532.

O que vigora hoje é o sistema de truncagem – digitalização de cheques por meio de imagens digitais. Com isso, o BC elimina o envio de cheques de papel à entidade, feito em malote. A ideia é aumentar a segurança e evitar falhas humanas no processo.

“Calculamos em R$ 300 milhões as economias advindas apenas da eliminação desses trâmites físicos”, afirmou em nota o diretor da M2Sys, Gian Franco Nercolini. A empresa é uma das maiores prestadoras nacionais de truncagem para bancos.

A digitalização do processo reduz o número de fraudes, que causaram um prejuízo de R$ 1,2 bilhão no último ano, de acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Além disso, o processo reduz os custos de transportes dos malotes e da logística para manipulação, segurança e arquivamento destes documentos em papel.

Novo processo

O novo modelo estabelecido pelo Banco Central prevê que os cheques sejam digitalizados nas próprias agências bancárias, podendo depois ser ali mesmo destruídos na sua forma original. Segundo Nercolini, parte dos bancos adotou a truncagem híbrida.

Ao invés de escanear os cheques nos próprios pontos de captura, estas instituições os remetem para uma centralizadora própria e, a partir deste ponto, realizam a captura e fazem as transações por meio digital com a Compe.

“Este modelo pode ser mais prático para os bancos numa fase inicial mas, no médio e no longo prazos, a tendência é que todos migrem para a truncagem descentralizada”, explicou em nota.

1 de jun. de 2011

COPA E OLIMPÍADA EXIGIRÃO REMODELAÇÃO DA ESTRUTURA BANCÁRIA, DIZ FEBRABAN

portal Economia & Negócios 31/05/2011 – Eduardo Rodrigues (Agência Estado)

O atendimento aos turistas estrangeiros que visitarão o Brasil nos períodos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 vai exigir uma remodelação completa da estrutura bancária e das agências de câmbio. De acordo com o diretor técnico da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Wilson Gutierrez, o atual número de postos de atendimento para saque e troca de moedas não é suficiente para a demanda esperada durante esses grandes eventos esportivos.

Em seminário sobre câmbio manual e transferência de pequenos valores realizado hoje na sede do Banco Central, Gutierrez afirmou que a burocracia atual para essas transações - que exigem a identificação, além da análise e provação dos documentos das pessoas que desejam trocar divisas - demanda uma ampliação dos postos de atendimento em aeroportos e pontos turísticos. Além disso, o aumento dessas transações exigirá uma maior segurança das agências.

Outro ponto sensível, destacou o representante da Febraban, será a dificuldade em se manter estoques de moedas não conversíveis, ou seja, de turistas oriundos de países que não estão no centro do comércio mundial. "Há também a preocupação com a elevação da quantidade de cédulas falsas, e por isso é preciso orientar áreas de atendimento, com intensificação do treinamento", completou Gutierrez.

Para a Febraban, a organização desses eventos esportivos também criará demandas adicionais para os serviços de transportes de valores, além da expansão das redes de comunicação para prover segurança também às transações eletrônicas. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Corretoras de Câmbio (Abracam), Liberal Leandro Gomes, o custo do transporte dessas moedas para as cidades mais distantes das grandes capitais pode elevar o preço das divisas. Por isso, sugeriu uma menor burocracia no processo de câmbio de pequenos valores, que poderia diminuir o custo e agilizar as transações.

"Também sugerimos que algumas cadeias de estabelecimentos, como hotéis e restaurantes, possam trabalhar com moeda estrangeira, via convênio com instituições autorizadas pelo BC", propõe Gomes. Segundo ele, muitos profissionais, como taxistas e trabalhadores da rede hoteleira, têm receio de trocarem pequenos valores recebidos como pagamentos ou gorjetas de turistas estrangeiros, devido à burocracia da identificação.

Mudança na lei

A modernização e a simplificação das operações de câmbio têm sido discutidas desde ontem na sede da autoridade monetária, tendo como horizonte a Copa do Mundo de 2014. Na manhã de hoje, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) se comprometeu a examinar a atual legislação para, se possível, propor uma alteração que descriminalize pequenas transações comerciais no País com o uso de moedas estrangeiras.

Ontem, representantes do Ministério Público argumentaram que a autorização para essas transações abriria espaço para a lavagem de dinheiro, mas Dornelles considerou que a legislação não deve ser elaborada apenas "olhando para o ilícito". "É como proibir o uso dos cheques porque existem cheques sem fundo", comparou.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, Sidnei Corrêa Marques, afirmou que o regime cambial brasileiro na parte de comércio é adequado para as condições do País, mas admitiu que ainda existem problemas de capilaridade e custo na parte de câmbio manual. "Simplificação e modernização são necessárias para compatibilizar nosso sistema à internacionalização da nossa economia. Mas as alterações devem ser feitas com controle, equilíbrio e respeitando acordos internacionais contra lavagem de dinheiro", ressaltou.

31 de mai. de 2011

BC: CONCESSÃO DIÁRIA DE CRÉDITO AO CONSUMIDOR ATINGE R$ 3,690 BI EM ABRIL

portal InfoMoney 30/05/2011 - Gladys Ferraz Magalhães

As concessões de crédito ao consumidor por meio de recursos livres atingiram R$ 70,117 bilhões no quarto mês de 2011, o que equivale a uma média diária de R$ 3,690 bilhões. Na comparação com março (R$ 3,418 bilhões), em termos de média diária concedida, foi registrada alta de 8%. Já em relação a abril de 2010 (R$ 3,189 bilhões), houve alta de 15,7%.

Os dados, divulgados nesta segunda-feira (30), fazem parte da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central, que também analisa, entre outros números, o prazo médio dos financiamentos e empréstimos.

Evolução por modalidade de crédito

Mais uma vez, o volume de crédito liberado por meio do cheque especial respondeu pela maior parcela das concessões diárias. A modalidade foi responsável por 33,76% de todo o crédito concedido em abril.

Em seguida, em termos de participação, vieram o cartão de crédito (29,40%) e o crédito pessoal (19,62%).

Na tabela abaixo, é possível avaliar a média diária de concessão por modalidade para abril de 2010, além de março e abril deste ano :


Fonte: Banco Central do Brasil

27 de mai. de 2011

REGRAS PARA CARTÕES PODEM DERRUBAR RECEITAS EM 10%

jornal Valor Econômico 25/05/2011 - Fernando Travaglini

As novas regras para o setor de cartões de crédito definidas pelo Banco Central e quem entram em vigor em 1 º de junho devem derrubar a receita dos bancos com o negócio em até 10% num primeiro momento, segundo estimativas de executivos das instituições financeiras. Entre outras novidades, o BC reduziu o número de tarifas cobradas de 80 para 5 e criou o cartão básico, que terá um custo mais baixo para o cliente.

Para Marcelo Noronha, diretor-geral da Bradesco Cartões, de início as instituições que dependem muito de programas de pontuação ou milhagem, por exemplo, podem sofrer mais do que outras. Além da adaptação mercadológica, haverá necessidade de investimentos para adaptar os processos, lembra o executivo.

Para Cláudio Yamaguti, presidente da Abecs, associação que representa as empresas do setor, haverá, por outro lado, uma queda nos custos para as instituições, que pode compensar essa redução das receitas, já que o cartão mais simples não tem qualquer serviço extra. "Há uma compensação", diz.

Ele crê que o cartão básico vai atrair um contingente maior de clientes, o que também aumentará a base e, por consequência, elevará o rendimento dos emissores de cartão. "O faturamento das empresas deve continuar a crescer. Esperamos que dobre em cinco anos, chegando a R$ 1,2 trilhão em 2015", disse. No setor de cartões, o termo "faturamento" equivale ao valor transacionado com os plásticos.

Essa maior adesão aos plásticos deve se dar nas classes de renda mais baixa, avalia Denilson Molina, diretor do Banco do Brasil. "Haverá uma popularização ainda maior dos cartões e o aumento do volume compensará uma eventual redução das receitas".

Na previsão de Molina o cartão básico deve responder por 20% do mercado em pouco tempo, em parte pelo valor da anuidade, cerca de 30% menor. Hoje os cartões mais simples detêm quase metade do mercado.

Para Sérgio Odilon dos Anjos, chefe do departamento de normas do Banco Central, a tendência é de queda dos preços das tarifas, pois a redução do número de taxas permitirá ao cliente uma melhor comparação dos valores. As tarifas de conta corrente chegaram a apresentar redução de até 50% desde que foram reguladas pela autoridade monetária.

As cobranças feitas pelos bancos nos cartões foram padronizadas e reduzidas a cinco: anuidade, emissão de segunda via, saque, pagamento de conta e avaliação emergencial de crédito. A expectativa é que as reclamações tanto no BC quanto nas entidades de defesa do consumidor também caiam.

O cartão básico deve obrigatoriamente ser oferecido pelos bancos aos clientes. As instituições podem continuar vendendo cartões com todos os serviços tradicionais e cobrar as tarifas extras para esses benefícios. "O cartão básico deve permitir o uso para compra e financiamento (rotativo). Não estamos impedindo o banco de oferecer outros benefícios, mas, se o cliente quiser, terá o cartão mais barato", afirmou Odilon.

18 de mai. de 2011

BC MUDA REGRAS PARA OS CHEQUES SEM FUNDO

jornal Valor Econômico 17/05/2011 - Azelma Rodrigues

O Banco Central baixou circular ontem determinando que os bancos só deverão incluir nomes de clientes no Cadastro Nacional de Emitentes de Cheques sem Fundo (CCF) como último recurso, após checados todos os outros motivos para devolução. A determinação prevê ainda um prazo maior para que agências bancárias situadas em locais mais distantes dos grandes centros urbanos passem a adotar a truncagem - sistema que permitirá compensação de cheques por imagem.

A truncagem, que possibilitará a compensação do cheque com a troca de imagem digitalizada, sem o envio do documento físico ao serviço de compensação (prestado pelo Banco do Brasil), começa a valer a partir da próxima sexta-feira, dia 20. O sistema não vai alterar os prazos praticados hoje para o desbloqueio de recursos dos cheques de um dia, para valores acima de R$ 300, e de dois dias, para cheques inferiores a esse valor.

Mas o BC deu prazo de até 60 dias para que as agências bancárias de localidades mais distantes possam adotar a truncagem. Isso significa que vai demorar dois meses para que a compensação de cheques desses locais, que chega a levar até uma semana, possa cair para o prazo nacional, de um e dois dias. Quanto à inclusão na lista negra, o BC proibiu os bancos de devolverem cheques alegando falta de fundos quando, na verdade, pode ter ocorrido preenchimento errado ou assinatura incorreta.

Quando um cheque é devolvido por motivo de falta de fundos, na segunda apresentação ao banco, o cliente tem o nome incluído no CCF. O ajuste faz parte de alterações aprovadas em abril pelo Conselho Monetário Nacional.

11 de mai. de 2011

NORMA DO BC PERMITE COMPARAR TARIFAS


jornal O Estado de S.Paulo 11/05/2011 - Leandro Modé

O Banco Central (BC) decidiu regulamentar as tarifas bancárias no fim de 2007 para acabar com uma farra no setor. Até então, cada banco criava a própria tarifa, com o nome que quisesse. Por isso, os serviços não eram comparáveis, o que dificultava o entendimento do consumidor.

A ideia do Banco Central foi justamente permitir a comparação. Os detalhes da norma estão na Regulamentação 3.919, publicada em novembro do ano passado (que substituiu a anterior, a 3.518, que passou a vigorar em abril de 2008).

Embora tenha representado um avanço em relação ao que ocorria antes, a nova norma não padroniza, por exemplo, os pacotes de tarifas. Cada banco pode criar os seus. A única obrigação é que o serviços incluídos no pacote estejam dentro da regulamentação do Banco Central.

As regras impedem a cobrança de tarifas bancárias "essenciais". Encaixam-se nesse grupo o fornecimento de cartão de débito, quatro saques mensais no caixa da agência ou em caixa eletrônico, duas transferências mensais de recursos dentro da própria instituição, dois extratos por mês, uso do internet banking, compensação de cheques e fornecimento de até dez folhas de cheques por mês.

Serviços adicionais. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) alerta que, nos últimos anos, muitas instituições incluíram em seus pacotes serviços adicionais aos que existiam na época da decisão do Banco Central.

"A questão é que muitos clientes pagam pelo serviço sem ter necessidade", observa a gerente jurídica da entidade, Maria Elisa Novais. Ela lembra que alguns pacotes chegam a custar quase R$ 25 por mês, uma valor "pesado" para muitos clientes.

O Idec fez um levantamento que compara a situação das tarifas de hoje com a de antes da implementação das novas regras. A conclusão é a de que, apesar do avanço, ainda há muito o que melhorar. Por isso, o instituto encaminhou uma cópia do documento para o Banco Central e para as sete instituições financeiras que fizeram parte da pesquisa: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander, HSBC e Banrisul.    
                     
O diretor adjunto de autorregulação e relações com clientes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), André Luiz Lopes dos Santos, afirma que entidades como o Idec têm feito um bom trabalho.

A própria Febraban, observa, criou um site para comparar as tarifas (www.febraban-star.org.br) em dezembro de 2007, antes mesmo, portanto, de o Banco Central regulamentar o assunto.

De lá para cá, diz Santos, a as consultas ao site só aumentaram. Hoje em dia, são, em média, 240 mil acessos por mês.

No site, é possível comparar as tarifas entre os bancos, o que, para ele, ajuda o cliente a decidir qual instituição escolher. Ele reconhece, porém, que ainda é preciso evoluir.

"É óbvio que dá para melhorar. E é justamente por isso que estamos aqui trabalhando", afirma Santos.

Ranking. O ranking das instituições que mais encareceram seus pacotes é encabeçado pelo Santander - 124%, de R$ 8,90 por mês para R$ 19,90.  

           

O banco explicou, por meio da assessoria, que o pacote atual é mais completo do que o de 2008. Daí a diferença entre as tarifas.

O Bradesco ficou em terceiro lugar no levantamento, com uma alta de 49% no Pacote Cesta Fácil.

"O realinhamento da tarifa (do Cesta Fácil Bradesco) foi efetivado para fazer frente ao aumento dos custos operacionais incorridos, principalmente pela disponibilização de mais canais de acessos, tais como correspondentes bancários e pagamentos via celular", disse o banco, em nota.

"Quando da implantação das disposições do Banco Central, em abril 2008, o custo por serviço e o preço total da Cesta Fácil não foram alterados. Posteriormente, a Cesta foi remodelada e os custos por serviço revisados, havendo uma atualização do preço final, o que corrigiu a defasagem inicial", acrescentou o Bradesco.

A Caixa Econômica Federal veio a seguir, com alta de 31% (também acima da inflação do período, de 18% segundo o IPCA, o índice oficial do governo brasileiro).

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor vai colocar o levantamento em seu site (www.idec.org.br) no início da próxima semana.

26 de abr. de 2011

BC FACILITA COMPENSAÇÃO DE CHEQUES DE PRAÇAS DIFERENTES

portal Economia & Negócios 26/04/2011 - Fabio Graner (Agência Estado)

O Banco Central aprovou uma norma que vai facilitar a compensação de cheques emitidos em outras praças pelos clientes dos bancos.

De acordo com a circular 3.532, publicada hoje no Diário Oficial da União, as instituições financeiras que receberem cheques de clientes de outras praças não precisarão mais mandar o documento físico para que a compensação do documento seja efetuada. Para que o saque na conta do emissor do cheque seja feito e o crédito do depositante seja confirmado,bastará que o banco que recebeu o cheque envie cópia digital do documento para a instituição do cliente que emitiu o cheque.

Com isso, o prazo de compensação que, às vezes levava vários dias para ocorrer, ficará limitado a apenas 48 horas, reduzindo custos para os bancos, que poderão repassar aos clientes, bem como riscos nas transações com cheques. A medida entrará em vigor a partir do dia 20 de maio, segundo o BC.

19 de abr. de 2011

CONCENTRAÇÃO SOBE COM APERTO AO CRÉDITO, DIZ ABBC

jornal Valor Econômico 19/04/2011 - Adriana Cotias

As várias medidas de aperto do crédito tomadas pelo Banco Central e Fazenda desde o fim do ano passado no intuito de controlar a inflação têm, como efeito colateral, agravado as condições de concentração do sistema financeiro nacional, segundo o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva. Como resultado da maior exigência de capital para os bancos operarem em crédito consignado e financiamento de veículos, as instituições de pequeno e médio porte têm cedido espaço no mercado para os grandes nomes do varejo. Do contrário, teriam a capitalização mínima comprometida e estariam desenquadradas quando tiverem que apresentar ao regulador, em julho, a primeira mensuração do índice de Basileia sob os critérios dos novos fatores de ponderação de risco estabelecidos em dezembro.

Tal demanda da autoridade monetária, casada com um calendário repleto de mudanças para o setor financeiro, vai desencadear num novo movimento de consolidação bancária, reconhece Oliva. Na agenda estão as adaptações às novas normas contábeis internacionais, as mudanças na contabilidade das cessões, além da retirada dos estímulos de liquidez colocados durante a crise de 2008 e 2009. Mal o setor se recuperou do contágio do PanAmericano, após a fraude contábil descoberta em novembro, agora tem que se ajustar a um cenário de restrição. "No conjunto de medidas, não houve cuidado de coordenação para avaliar o tipo de impacto sobre os bancos. O regulador diz que considera importante que o sistema tenha muitos agentes econômicos. Contudo, a descoordenação tem tido como principal subproduto a concentração."

Mas a concentração por conta de transações de aquisições ou fusões, inerente aos momentos de transformação do mercado, é, a seu ver, menos nociva do que a concentração orgânica em curso, em que a oferta de crédito está sendo deslocada a favor dos bancos com melhores condições de liquidez e rede de distribuição.

"O fator de ponderação duplicado mexeu no equilíbrio do mercado", diz Oliva. "Os bancos menores, que tinham menos capacidade de alavancagem recuaram, enquanto os maiores avançaram demais nas operações de consignado e veículos. O efeito monetário em si não foi tão significativo." Para o representante da ABBC, o aumento de compulsórios é uma medida mais justa, pois age de forma mais equitativa sobre todo o sistema. Na ponta de captação, porém, ele considera que esse mecanismo de controle de liquidez poderia ser usado sistematicamente para reequilibrar a oferta de recursos, já que instituições de grande porte e as pequenas têm condições de acesso a capital diferenciadas.

Para Oliva, o desconto no compulsório dado aos grandes bancos para compra de carteiras, estímulo dado durante a crise de 2008 e previsto para acabar em junho, deveria ser permanente. "O compulsório poderia ser usado para distribuição de liquidez, porque o mercado é heterogêneo, as assimetrias são grandes."
Outro instrumento de liquidez criado após a quebra do americano Lehman Brothers, o depósito a prazo com garantia especial (DPGE) - que conta com um seguro de R$ 20 milhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) - também não deveria ser extinto, defende Oliva.

"O DPGE abriu a possibilidade para se fazer emissões de longo prazo, ajudando a equalizar fluxos de ativos e passivos. Em dezembro, o Banco Central (BC) estabeleceu um cronograma para acabar com o DPGE. A partir de janeiro de 2012, as instituições terão que reduzir o volume captado a um ritmo de 20% ao ano até 2016, quando então terão que zerar o estoque de DPGE no seu passivo.

Oliva propõe a continuidade do DPGE, mas não no limite atual, de duas vezes os depósitos a prazo. Em vez disso, poderia ser o equivalente a uma vez o patrimônio líquido. "Os bancos menores têm prazos de até 10 anos em operações de crédito à pessoa física, que não são financiamento imobiliário e não têm a mesma diversidade de produtos passivos (dos grandes). "

13 de abr. de 2011

PREJUÍZO DE BANCOS COM ATRASOS EM CARTÃO DE CRÉDITO AUMENTA 25%

jornal DCI 13/04/2011 - Marcelle Gutierrez

Influenciado pela retomada do crescimento econômico brasileiro, o sistema bancário no segundo semestre de 2010 alcançou saldo das operações de crédito de R$ 1,5 trilhão, o que representa 45,5% dos ativos e expansão de 12% em relação ao semestre anterior. No entanto, no acumulado de 12 meses do ano há aumento da inadimplência em específicas carteiras de crédito que, originalmente, eram classificadas entre os níveis de risco AA e C. As informações constam no Relatório Estabilidade Financeira, do Banco Central.

Na comparação de dezembro de 2009 a 2010, as operações em prejuízo no empréstimo rotativo cartão de crédito teve 25% de aumento, de 45,6% para 57%. O cheque especial e adiantamento a depositantes também tiveram elevação de 16,02%, de 20,6% em 2009 por 23,9% em 2010.

Para o educador financeiro Mauro Calil, os números revelam a falta de disciplina financeira do brasileiro. "O aumento das operações em prejuízo na carteira de cartões de crédito é fruto da gastança desenfreada da população. Por um lado é bom para gerar negócios para o banco, mas pode gerar um problema lá na frente". Segundo o especialista, o fato pode, inclusive, influenciar no índice de Basileia: "Entre os índices que definem a Basileia, há o crédito não recebível. Se não houver negociação até o quarto mês, pode começar a denegrir os indicadores dos bancos".

Outras carteiras apresentaram queda na porcentagem de operações em prejuízo no acumulado de 12 meses de 2010. A inadimplência no financiamento de veículos era de 5,1% em 2009, já em 2010 foi de 4,9%. O empréstimo consignado teve queda em prejuízo de 6,06% de 3,3% para 3,1%. A porcentagem de pessoas que não pagaram as prestações no financiamento imobiliário cresceu no acumulado de 2010, em comparação com o período anterior, foi de 0,9% para 1,0%.

Para o Banco Central, a expansão das modalidades que apresentam menor risco é responsável pelo crescimento semestral de 12% do volume de crédito destinado às pessoas físicas, que atingiu R$ 737 bilhões em dezembro. O financiamento habitacional representa 24,6% do total e o crédito consignado 13%.

Ainda de acordo com o relatório do BC, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas levantam preocupações. O grupo de 50% das pessoas de menor renda teve 25,8% dos rendimentos comprometidos com o pagamento de dívidas em dezembro, em contraposição aos 21,7% do outro grupo de devedores. A classe social com maior comprometimento da renda é aquele que apresenta o menor nível de educação financeira o que, segundo o BC, levanta preocupações quanto à qualidade dos créditos destinados.

Celso Grisi, economista e diretor presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, acredita que para diminuir os riscos de inadimplência em algumas carteiras de crédito é preciso medidas de contenção de crédito. "O Brasil está com alto nível de emprego e renda, o governo precisa realizar medidas para conter a inflação e o endividamento. Por exemplo, reduzir o prazo de financiamento de automóveis e promover o crédito imobiliário em outras regiões das cidades, como na periferia."

O prazo médio de financiamento em carteiras para pessoas físicas demonstra trajetória de expansão no relatório do BC. O financiamento habitacional, que corresponde a 17,7% do crédito no alongamento dos prazos, o LTV (na sigla em inglês loan-to-value) caiu ao longo de 2010, atingindo em 60,6%. Na carteira de veículos, que corresponde a 25,8%, o LTV foi de 74,2%.

Apesar dos riscos em algumas carteiras de crédito e as medidas do Banco Central de reajuste das taxas de juros, o crédito no setor bancário continua como fonte rentável aos bancos brasileiros, segundo Antonio de Julio, especialista em finanças do Moneyfit. "Se fosse um mal negócio, os bancos não forneceriam crédito. Mesmo com a inadimplência, eles continuam a lucrar com o volume e reajuste de taxas".

De acordo com o crescimento macroeconômico do Brasil, o lucro dos bancos avançou R$ 4,7 bilhões no segundo semestre de 2010, ao atingir R$ 30 bilhões e superando em R$ 3,5 bilhões o total do primeiro semestre de 2008, momento anterior a crise econômica mundial.

De acordo com o relatório do Banco Central, o resultado revela melhora contínua em sua qualidade de acordo com o aumento na participação do resultado da intermediação financeira e a redução na contribuição dos resultados não operacionais em sua

formação.

Segundo Mauro Calil, educador financeiro, o início da recuperação em 2010 do lucro dos bancos revela que o sistema bancário acompanha a economia brasileira. "O crescimento dos bancos deve continuar em 2011, caso a economia continue no mesmo ritmo e não aconteça outra crise financeira. Mesmo assim, o sistema bancário brasileiro é consolidado", acrescentou Calil.

31 de mar. de 2011

DÍVIDAS CONSOMEM 24% DO ORÇAMENTO FAMILIAR

portal Correio Braziliense 31/03/2011 - Victor Martins e Gabriel Caprioli

O Banco Central está tomando uma série de medidas para conter o ímpeto do brasileiro por empréstimos e compras a prazo, mas ainda não obteve sucesso. Quase R$ 4 bilhões estão sendo emprestados diariamente no país, ritmo que levou o nível de endividamento das famílias daqui a superar o dos norte-americanos. Enquanto nos Estados Unidos, em média, 18% da renda são gastos para quitar parcelas dos financiamentos (prestações e juros), no Brasil essa relação alcançou 24,2% — cenário que é motivo de preocupação no governo, principalmente quando se lembra da crise mundial, com auge em 2008, gerada pelo superendividamento nos EUA.

A demanda por crédito está tão forte que o total das dívidas das famílias já encosta no R$ 800 bilhões, mesmo com o valor das prestações tendo aumentado 20% desde o início do ano, refletindo a elevação da taxa básica de juros (Selic) e as medidas macroprudenciais baixadas pelo BC. Ciente de que tal movimento é inflacionário e incompatível com a atual correção dos salários, a autoridade monetária quer que o crédito avance 13% ao ano e não 21% como se vê. Mesmo que essa desaceleração se concretize, o BC já vislumbra um salto no calote. Mais famílias não terão condições de honrar seus compromissos em dia.

A situação está tão preocupante que o sempre comedido diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, fez questão de enfatizar os riscos que as famílias estão correndo. “Quanto maior for o comprometimento da renda, maior será a chance de se deixar uma conta de fora das que serão quitadas”, alertou. Na avaliação dele e de outros técnicos do BC, depois da adoção de medidas macroprudenciais, em dezembro do ano passado, é natural, e aguardado, um movimento de alta na inadimplência. “Tivemos um encurtamento dos prazos e aumento das taxas. Por isso, esperamos uma inadimplência pouco maior.”

Questão social
Os dados compilados pelo BC mostram que, quando se olha para o conjunto dos débitos dos brasileiros, o quadro é ainda mais perturbador. Do total da renda disponível na economia proveniente do trabalho e dos benefícios previdenciários, 40,50% estão comprometidos com dívidas. Ou seja, de cada R$ 100 recebidos por trabalhadores, aposentados e pensionistas, R$ 40,50 vão todos os meses para o pagamento de alguma conta.

“Isso é preocupante, ainda mais em um cenário de elevação dos juros e, ainda que moderado, da inadimplência”, observou Fábio Gallo Garcia, professor de finanças da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O desafio do BC, segundo o professor, é conseguir conter o consumo depois de dar tanta acessibilidade ao crédito a um país onde o desejo de compras estava muito reprimido. “Vivemos, hoje, outra configuração de classes sociais.

As pessoas que antes tinham o básico para sobreviver, agora podem comprar eletrodomésticos, viajar de avião ou navio, tudo parcelado. Ninguém quer abandonar essa vida. Estamos falando de mais de 101 milhões de pessoas que formam a classe C”, argumentou. “Como impedir o consumo desse gigantesco grupo?”, indagou.

A dúvida do professor se reflete nos levantamentos do BC. Apesar de os juros médios cobrados das pessoas físicas terem saltado 4,7 pontos percentuais entre novembro do ano passado e fevereiro de 2011 chegando a 43,8% ao ano — e devem subir ainda mais em março —, o ritmo do crédito não parou. O total das operações livres e direcionadas cresceu 4,9% alcançando R$ 798,8 bilhões. A média diária das concessões de empréstimos e financiamentos às famílias avançou 8,9%.

PIB a 4%

No Relatório de Inflação divulgado ontem, o Banco Central reduziu a projeção para a expansão da economia em 0,5 ponto percentual, de 4,5% para 4% em 2011. Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, lembrou que estratégia semelhante foi usada pelo ex-presidente do BC Henrique Meirelles. “Em 2005, foi adotada uma meta ajustada. Mas, na época, o motivo era a inércia inflacionária e não os choques de preços”, recordou.

Projeções detalhadas

Depois de debates inflamados acerca do boletim semanal Focus, por meio do qual o Banco Central ouve mais de 100 analistas e instituições financeiras para apurar as expectativas de inflação do mercado, a autoridade monetária decidiu alterar o levantamento. Vai abrir os dados e mostrar separadamente, dentro das expectativas de inflação medida para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), qual é a projeção de bancos, gestores de recursos e demais segmentos. A ideia, segundo o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton Araújo, é agregar informações à pesquisa. As mudanças serão implementadas primeiramente nas atas do Comitê de Política Monetária (Copom) e nos relatórios de inflação, divulgados a partir do segundo semestre. Posteriormente, no terceiro trimestre, as alterações serão aplicadas também na divulgação semanal.

29 de mar. de 2011

AUMENTA O USO DE CARTÕES COMO MEIO DE PAGAMENTO NO BRASIL

jornal DCI 29/03/2011

O brasileiro tem usado mais cartão de crédito e de débito para realizar seus pagamentos, mas o dinheiro ainda é largamente a forma mais utilizada pelos cidadãos pagarem suas contas e despesas. É o que mostra a pesquisa "O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro", versão 2010, divulgada ontem pelo Banco Central. De acordo com o levantamento, 72% dos entrevistados informam que costumam utilizar com mais frequência dinheiro para fazer seus pagamentos. Em 2007, esse indicador estava em 82%. O uso de cartões de crédito subiu de 8% para 13% de 2007 a 2010, enquanto o de cartões de débito, de 8% para 14%. O uso de cheques caiu de 2% para em torno de 0%.

Segundo a pesquisa do BC, o gasto mensal médio com pagamento de contas e compra de produtos subiu 40% de 2007 para 2010, passando de R$ 577 para R$ 807,93. Desse total, 59% são pagos em dinheiro (era 77% em 2007), 20% em cartão de crédito (11% antes), 16% cartão de débito (8% antes) e 2% cheque (3% antes).

O levantamento mostra que o uso de dinheiro é mais frequente em pagamentos de padaria, aluguel/condomínio, educação, mercadinho/mercearia, enquanto são menos frequentes (ainda assim representam a maior parte) em pagamentos de roupas/calçados, eletrodomésticos e super/hipermercados. Para os pagamentos de maior valor, acima de R$ 50, o uso de outros meios, além do dinheiro, atinge mais de um terço da população, e nas classes A e B, supera 50% dos entrevistados para a pesquisa.

Os dados mostram que 55% da população (mesmo percentual de 2007) recebem seus salários em dinheiro, enquanto 39% (ante 34% em 2007) recebem por depósito em conta. Um total de 2% recebe seus vencimentos em cheque, retirando o dinheiro no caixa dentro da agência - antes, o índice era de 3%.

A pesquisa mostra que cresceu o índice de pessoas com conta corrente no Brasil e agora cerca de metade da população pode ser considerada bancarizada. O indicador estava em 39% em 2007 e no último levantamento atingiu 51%. Um total de 42% (ante 37% em 2007) tem conta poupança. A posse de cartão de crédito subiu de 31% para 43% e de cartão de débito, de 35% para 43%.

O estudo encomendado pelo BC foi feito pelo Instituto Zaytec Brasil, que fez 2.089 entrevistas em todos estados brasileiros e no Distrito Federal e em municípios com porte de pelo menos 100 mil habitantes.

A população brasileira carrega em média consigo cerca de R$ 36 em dinheiro, segundo a pesquisa. Cerca de um quarto das pessoas carrega de R$ 10 a R$ 20 em dinheiro, índice próximo dos que levam consigo até R$ 10. A nota de R$ 50 é a mais encontrada nos caixas eletrônicos, seguida da de R$ 20.

28 de mar. de 2011

BC: BRASILEIRO TEM USADO MAIS O CARTÃO EM PAGAMENTOS

portal Economia & Negócios 28/03/2011 - Fabio Graner (Agencia Estado)

O brasileiro tem usado mais cartão de crédito e débito para realizar seus pagamentos, mas o dinheiro ainda é largamente a forma mais utilizada pelos cidadãos pagarem suas contas e despesas. É o que mostra a pesquisa "O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro", versão 2010, divulgada hoje pelo Banco Central (BC). De acordo com o levantamento, 72% dos entrevistados informaram que costumam utilizar com mais frequência dinheiro para fazer seus pagamentos. Em 2007, esse indicador estava em 82%. O uso de cartões de crédito subiu de 8% para 13% de 2007 a 2010, enquanto o de cartões de débito, de 8% para 14%. O uso de cheques caiu de 2% para algo em torno de zero.

Segundo a pesquisa, o gasto mensal médio com pagamento de contas e compra de produtos subiu 40% de 2007 para 2010, passando de R$ 577 para R$ 807,93. Do total, 59% são pagos em dinheiro (era 77% em 2007), 20% em cartão de crédito (11% antes), 16% cartão de débito (8% antes) e 2% cheque (3% antes).

O levantamento mostra que o uso de dinheiro é mais frequente em pagamentos de padaria, aluguel e condomínio, educação, mercadinho e mercearia. Eles são menos frequentes (ainda assim representam a maior parte) em pagamentos de roupas e calçados, eletrodomésticos e super e hipermercados. Para os pagamentos de maior valor, acima de R$ 50, o uso de outros meios, além do dinheiro, atinge mais de um terço da população e, nas classes A e B, supera 50%.

TOMBINI ALERTA BANCOS PARA A NOVA BASILEIA

jornal DCI 28/03/2011 - Marcelle Gutierrez

A regulação do sistema financeiro brasileiro é mais rigorosa que o padrão internacional, o que pode gerar conforto das instituições ao se adaptarem às regras do Acordo de Basileia III, reforma da regulamentação global que força os bancos a aumentarem suas reservas de capital. Contudo, Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, pontuou que é preciso começar imediatamente a adaptação às regras. As declarações foram dadas durante o Prêmio Qualidade em Bancos 2011, que premiou o Itaú Unibanco.

Para Tombini, as mudanças na definição do capital e a adoção de novos requerimentos mínimos de liquidez representam um aperfeiçoamento da regulação prudencial. "Como a regulação brasileira é mais rigorosa do que o padrão internacional, a adaptação das instituições financeiras locais às regras de Basileia III exigirá um esforço menor. Para que a adaptação se dê com eficiência, é importante que as instituições comecem desde já a planejar e encaminhar sua adequação às regras", afirmou.

Antes de assumir o cargo de presidente do Banco Central, Tombini comandava a diretoria de normas do BC. Com esse perfil técnico, ele valoriza a regulação brasileira, que no mercado global possui a reputação de ser uma das mais exigentes, e a ressaltou durante o evento como um dos motivos para o positivo desempenho do Brasil durante a crise econômica mundial, em 2008 e 2009. "Durante a crise financeira nosso sistema financeiro foi duramente testado. Contudo, conseguimos superar esse momento adverso sem a necessidade de liquidar qualquer instituição financeira, nem tampouco de fazer uso de recurso público", disse Alexandre Tombini.

O positivo desempenho do sistema financeiro nacional diante de crises e a necessidade de contínuo aperfeiçoamento inserem o Acordo Basileia III no cenário brasileiro e mundial. O Banco Central participou, pela primeira vez de forma efetiva, da elaboração do acordo que, segundo Tombini, contribuirá para um sistema financeiro mais seguro e estável. "Agora precisamos ficar atentos para que as novas regras sejam adotadas internacionalmente sem hesitação".

Basileia 3 foi definido em setembro de 2010 por dirigentes de bancos centrais e órgãos reguladores de todo o mundo e trará novas exigências de capitalização para os grandes bancos, e os obrigará a manter mais capital como garantia para empréstimos e investimentos. Para evitar crises, os bancos vão precisar manter capital de pelo menos 4,5%. Atualmente é de apenas 2% dos ativos. No Brasil, o índice mínimo exigido pelo BC é de 11%. Além disso, as instituições também necessitam manter uma reserva de capital de 2,5%.

Para Adriano Gomes, professor de finanças e administração da ESPM, o acordo deve interferir no crédito: "Essa é mais uma muleta nesse cenário de rigidez na concessão de crédito. Mas para o Brasil será muito simples se encaixar, já para o restante do mundo vai ser complicado", opinou.

A facilidade de adaptação do Brasil pode trazer resultados positivos. "O crescimento mundial da economia brasileira acontece por vários motivos. Mas as empresas brasileiras podem aproveitar esse momento para abastecer o mercado internacional", comenta Gomes. Já para Alexandre Tombini será positivo: "Essa harmonização de regras prudenciais, sem dúvida, contribuirá para a expansão internacional das nossas instituições financeiras, as quais darão suporte à realização de negócios de empresas brasileiras no exterior, ampliando nosso comércio internacional, prospectando mercados, promovendo e atraindo investimentos".

Durante discurso no Prêmio, o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, falou sobre a fusão dos bancos e planos. "2010 foi um ano especialmente difícil para o banco, pois executamos a fusão com o Unibanco. Foi um trabalho grande, já que tínhamos a preocupação de minimizar os transtornos aos clientes. Alguns erros aconteceram, mas conseguimos fazer com qualidade muito boa".

Para 2011, Setubal ressaltou como meta a melhora do atendimento e prestação de serviços e ponderou que tudo é mais complexo, já que são 100 mil funcionários e 50 milhões de clientes.

14 de mar. de 2011

CONSIGNADO CURTO DÁ GÁS A LINHA CARA

jornal Valor Econômico 14/03/2011 - Adriana Cotias

O crédito com desconto em folha de pagamento ficou mais curto e caro e está empurrando tomadores para linhas de maior risco. Com a restrição de capital imposta aos bancos em dezembro para operarem com prazos acima de 36 meses, consumidores que costumavam se refinanciar no consignado antes de o contrato vencer, tomando mais dinheiro tão logo tivessem espaço liberado na renda - a chamada "pedalada" -, agora encontram limites a tal estratégia. O resultado dessa desalavancagem forçada transparece nas estatísticas de crédito do Banco Central (BC) que, em janeiro, identificava aceleração da concessão nas linhas mais caras, como cheque especial e cartão de crédito, em ritmo acima do sazonal.

No Banco do Brasil (BB), que detém a folha de servidores públicos federais, estaduais e municipais, os empréstimos com desconto em folha, que antes eram feitos por até 96 meses, agora se restringem a 36 meses. O Bradesco, que tem oferta por até 60 meses em algumas praças, também tem estimulado o prazo de até 36 meses, mais barato para o tomador. O mineiro Bonsucesso, especializado no consignado, não alterou a política de concessão em 60 meses, mas fez ajustes no "spread" - a diferença entre o custo de captação e a taxa de aplicação dos recursos -, de 6% ao ano para um intervalo entre 9% e 12%.

Só o encurtamento já limita a capacidade de refinanciamento do tomador, explica o diretor de crédito do BB, Walter Malieni. "Progressivamente, o crédito passou a comprometer mais renda do que há dois meses, e o consumidor passa a ter que amortizar mais juros em menos tempo." Conforme exemplifica, o tomador contumaz, que podia emprestar do banco R$ 1 mil por 96 meses, agora dispõe de apenas R$ 400 no consignado em 36 parcelas. O que sobra dessa conta vai rolar com o seu banco de maior relacionamento e nas modalidades mais à mão.

O Bradesco preferiu ajustar o preço a reduzir formalmente o prazo das operações de consignado, mas na hora do fechamento do contrato há a orientação ao cliente de que a contratação em até 36 meses custa menos, diz o diretor de empréstimos e financiamentos da instituição, Octavio de Lazzari Junior.

Para o vice-presidente de risco de crédito do Santander, Oscar Rodriguez Herrero, o maior requerimento de capital no consignado vai inibir justamente o refinanciamento de operações muito longas que a concorrência no segmento acabou instituindo no mercado nos últimos anos. "Pagar um empréstimo e pegar outro depois, em vez de 'pedalar', é melhor para o cliente também, isso ajuda na disciplina", diz. Com sobra de capital por conta da oferta de ações realizada no fim de 2009, quando levantou R$ 14,1 bilhões, a instituição não alterou sua política na modalidade, que chega a 60 meses para beneficiários do INSS.

O aumento do peso das operações de consignado com prazo superior a 36 meses no cálculo do capital dos bancos, que passou de 75% para 150%, não pode ser considerada trivial, merece monitoramento da estrutura de capital das instituições de nicho e vai determinar mudanças importantes no setor, pondera Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente do Bonsucesso. Com folga patrimonial graças a uma emissão de dívida subordinada de US$ 125 milhões feita no exterior no fim de em outubro, o banco pôde manter o prazo de 60 meses no consignado, carro-chefe das suas operações. Mas além de ajustar os custos na ponta, o banco tomou algumas medidas corretivas. Reduziu a comissão paga a certos correspondentes bancários e até deixou de atender alguns convênios que, por terem inadimplência elevada ou limitação de taxa, não produziam a rentabilidade desejada.

Mesmo assim, a percepção é de que o Bonsucesso conseguiu ganhar mercado no primeiro bimestre, em função do recuo da concorrência. Os desembolsos no período chegaram a R$ 320 milhões, mais do que o dobro do concedido no mesmo período do ano passado.

13 de mar. de 2011

BRASILEIRO JÁ DESTINA 22% DA RENDA PARA COBRIR ENDIVIDAMENTO

portal Extra 12/03/2011 - Wagner Gomes e Karina Lignelli

A fartura de crédito que marcou o governo Lula — e ajudou na ascensão da classe C — começa a exibir seu lado nada glamouroso. O comprometimento da renda do brasileiro com o pagamento de dívidas aumentou 6,9 pontos percentuais (46,6%) entre 2003 e 2010, segundo cálculos da LCA Consultores com base em dados do Banco Central (BC). De acordo com o BC, em janeiro de 2003, o brasileiro precisava destinar 14,6% do seu ganho familiar mensal para a quitação de débitos. Oito anos depois, em dezembro de 2010, esse percentual havia passado para 21,4%. Houve novo salto em janeiro deste ano (o dado mais recente divulgado pelo BC), quando o indicador atingiu 22,2%. Especialistas dizem que “o limite de segurança” para evitar um ciclo vicioso de dívidas é de 25% da renda.

Os dados do BC levam em consideração apenas as dívidas dos consumidores com os bancos. São dívidas com crédito pessoal, consignado (com desconto em folha de pagamento), financiamento de veículos e crédito habitacional. Não estão incluídas as pendências com cheque especial e cartão de crédito, que embutem taxas de juros superiores a 10% ao mês e costumam fazer os maiores estragos no orçamento.

— O crédito este ano vai ficar menos abundante e mais caro, o que significa que a capacidade de pagamento de dívidas pelas famílias deve piorar. Não temos uma trajetória explosiva de comprometimento da renda com dívida, mas é preciso atenção com essa luz amarela. O quadro para 2011 é menos benigno — afirma o economista Douglas Uemura, da LCA Consultores.

A estabilidade da economia e a oferta abundante de crédito nos últimos anos levou o brasileiro a experimentar um pouco o estilo de vida de consumidores de Primeiro Mundo. Nos EUA, segundo o Federal Reserve (o banco central americano), as dívidas comem 17% da renda. É menos do que no Brasil, mas é preciso considerar a diferença de renda entre os trabalhadores dos dois países. Enquanto nos EUA a média chega a US$ 4,4 mil por mês, no Brasil o valor é de cerca de R$ 1,5 mil (US$ 882).

De acordo com a Associação Comercial de São Paulo, o valor médio da dívida na capital paulista subiu 46,6% entre 2003 e 2010, passando de R$ 1.500 para R$ 2.200.

5 de mar. de 2011

CONSIGNADO TEM EXPANSÃO DE 27,3% E ATINGE R$ 139 BI

O volume de crédito consignado liberado pelas instituições financeiras não para de crescer. Em janeiro, o SFN (Sistema Financeiro Nacional) do BC (Banco Central)viu o montante crescer 27,3% sobre o primeiro mês do ano passado. Os empréstimos com descontos em folha de pagamento chegaram a R$ 139,7 bilhões.

Na comparação com dezembro, janeiro registrou alta de 1,4%. No último mês de 2010, a demanda por esta modalidade de crédito atingiu R$ 137,7 bilhões.

O consignado é considerado um dos tipos de crédito pessoal e representou, dentro deste grupo, 60,5% do total emprestado em janeiro, cerca de R$ 230 bilhões.

"Para os bancos é interessante porque as parcelas desses empréstimos são debitadas direto no pagamento. Portanto diminui o risco de inadimplência, o que proporciona melhores condições para as instituições cobrarem juros mais baixos", explicou o pesquisador da consultoria de finanças Instituto Assaf Fabiano Guasti Lima.

As medidas de contenção ao crédito aplicadas pelo BC tiveram impacto nas taxas dos consignados. Conforme a autarquia monetária, o juro anual médio passou de 27,5% para 28,3%, mas ficou abaixo da média dos demais empréstimos para os consumidores, 60,9% ao ano.

As instituições financeiras públicas foram responsáveis pela liberação de R$ 119,6 bilhões. Dentro deste valor, está incluído todo o montante liberado para servidores públicos ativos e inativos e aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Os bancos públicos tiveram incremento de 26,5% no volume de consignado liberado. Na comparação mensal, o resultado foi superior em 1,5%.

A demanda por consignado nas instituições privadas teve avanço mais forte, com 33,8% sobre janeiro de 2010. Porém o montante é inferior ao que os bancos públicos forneceram aos consumidores. O segmento teve R$ 20,1 bilhões de contratações, avanço de 0,9% sobre dezembro.

EXCLUSIVIDADE - O BC determinou o fim da exclusividade entre empresas e bancos para liberar o consignado neste ano. "Mas o interessado tem que medir se vale a pena abrir conta em outro banco. E não cair em venda casada, como empréstimos mais seguro ou outros serviços", orientou Guasti.

25 de fev. de 2011

CRÉDITO CRESCE NAS LINHAS MAIS CARAS, CHEQUE ESPECIAL E CARTÕES

jornal Valor Econômico 25/02/2011 - Fernando Travaglini

O Banco Central (BC) conseguiu seu objetivo de reduzir a velocidade do crescimento do crédito para as pessoas físicas, por meio das medidas macroprudenciais adotadas no fim do ano passado, que elevaram o recolhimento compulsório e o requerimento de capital para linhas de prazos mais longos.

As mudanças, no entanto, provocaram um efeito colateral. Parte da demanda das famílias migrou para linhas mais caras em janeiro. A média diária de concessão de cheque especial avançou 4,7% em janeiro sobre o volume de dezembro, enquanto a média do rotativo de cartão de crédito teve expansão de 13,8%, no mesmo período.


Esse comportamento não foi visto nos primeiros meses dos anos anteriores. Mesmo com o aumento dos gastos de início de ano, com despesas escolares e pagamento de impostos, que exigem muitas vezes uma ajuda de linhas de créditos para completar o orçamento familiar, a procura por empréstimos sempre se diluía entre as linhas emergenciais e as mais baratas, como o consignado.

Neste ano, no entanto, com a restrição para crédito pessoal, fruto da elevação do requerimento de capital para linhas acima de 24 meses, as famílias tiveram que recorrer às modalidades cujos juros superam os 172% ao ano.

A média diária de concessão dos empréstimos para o crédito pessoal e para a compra de veículos recuou 1,7% e 27,2%, respectivamente, em janeiro sobre dezembro. O consignado recuou 19,2% no período.

A elevação do cheque especial e do cartão de crédito, inclusive, compensou em parte a redução das concessões nas outras modalidades. O resultado líquido é que a queda da média diária de concessão para pessoas físicas foi de 0,7% em janeiro (para empréstimos com recursos livres).

Na avaliação do Banco Central, os efeitos das medidas macroprudenciais foram "significativos" em janeiro, de acordo com Túlio Maciel, chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC. Os impactos mais evidentes, no entanto, já devem ter ficado para trás. Os primeiros dados de fevereiro indicam que a retração de janeiro pode não ser repetida.

A média diária de concessão voltou a crescer até o dia 11 deste mês, com avanço de 11,9% sobre o patamar de janeiro, levando-se em conta os créditos com recursos livres (referenciais para as taxas de juros). As linhas para pessoas físicas voltaram a crescer, 3,6% sobre o patamar de janeiro. Para as empresas, a expansão foi maior, de 18,5% no mesmo período.

As taxas de juros também voltaram a cair para os empréstimos as consumo na prévia de fevereiro. Os juros para as pessoas físicas caíram 0,3 ponto percentual. Para as empresas, as taxas bancárias subiram 0,8 ponto percentual. Os spreads, em média, avançaram 0,4 ponto percentual.

Para Maciel, houve uma mudança de patamar "significativa" em janeiro e agora a autoridade monetária espera que as variações sejam menos acentuadas.

"Naturalmente o impacto das medidas macroprudenciais tem um efeito mais efetivo, significativo nos primeiros meses. Houve uma mudança de patamar em janeiro e não se espera uma continuação desse processo."

As variações a partir de agora, segundo Maciel, serão apenas marginais, tanto para os juros, que seguem em elevação, quanto para as concessões, que podem voltar a subir levemente na comparação com o patamar atingido em janeiro. Ele lembrou ainda que a partir de agora entram em ação outros instrumentos de política monetária, mais especificamente o ciclo de alta da Selic, para conter a demanda e tentar trazer a inflação para a meta de 4,5%. "Há outros fatores. Estamos num ciclo de aumento das taxas de juros", disse.

O volume global de crédito do sistema financeiro teve alta de 0,5% em janeiro, para R$ 1,715 trilhão, equivalente a 46,5% do Produto Interno Bruto (PIB).