jornal Valor Econômico 04/08/2011 - Filipe Pacheco
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), por meio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), começará a aplicar testes de qualificação de crédito a partir deste mês e passará a certificar profissionais que trabalham em diferentes segmentos do mercado de crédito imobiliário.
Em evento realizado ontem em São Paulo, o presidente da entidade, Luiz Antônio França, disse que se torna cada vez mais claro que os profissionais do setor precisam estar tecnicamente preparados para lidar com os diferentes formatos de produtos oferecidos ao público e a investidores, "especialmente aqueles que têm contato direto com a população", disse.
Para ele, a certificação pretende garantir que as informações cheguem da forma mais prudente e claras o possível para quem vai tomar o financiamento à aquisição da casa própria e assim evitar que tomem um endividamento excessivo. Vale lembra que esse foi um fator crucial na formação de bolhas imobiliárias nos Estados Unidos e países europeus e que culminou no estouro da crise de 2008.
"Muitas vezes temos clientes que estão comprometendo boa parte de seu orçamento. A operação de tomada de crédito precisa ser muito bem entendida", disse França.
Segundo ele, a medida segue o mesmo modelo da certificação anunciada em 2003 pela Anbima, associação de entidades do mercado de capitais, num momento em que aumentava o acesso de investidores de varejo a uma maior diversidade de produtos de renda fixa e variável.
A obtenção do selo por meio da Abecip será voluntária e disponível para profissionais de bancos, securitizadoras e companhias hipotecárias, para empresas associadas à entidade ou não, e o certificado será facultativo até o fim do ano que vem. A estimativa é de que, até lá, 20 mil profissionais da área tenham recebido o selo de qualificação.
As provas para obtenção da certificação serão aplicadas em centros da FGV espalhados por todo o Brasil, e deverão analisar conhecimentos sobre o Sistema Financeiro Nacional (SFN), de Habitação (SFH) e de Financiamento Imobiliário (SFI); sobre o Código de Defesa ao Consumidor e sobre a estrutura dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).
A iniciativa anunciada se soma a de outras associações que lidam diretamente com a concessão de crédito para se adequar à resolução nº 3.954 do Banco Central, publicada no fim de fevereiro e que passou a exigir que os integrantes da equipe do correspondente que prestem atendimento em operações de crédito e arrendamento mercantil sejam treinados e avaliados por um exame.
No início de julho a Associação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços ao Consumo (Aneps) adotou um programa de certificação para profissionais que atuam na área de crédito, em parceria com a Associação Brasileira de Bancos (ABBC). A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) começou em junho um programa de certificação com suporte técnico do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), do professor Alberto Borges Matias.
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4 de ago. de 2011
8 de jul. de 2011
INTENÇÃO DA CLASSE MÉDIA DE COMPRAR IMÓVEL TRIPLICA EM 2 ANOS
portal Folha Online 05/07/2011 – Tatiana Resende
Cerca de 9,9 milhões de famílias brasileiras pretendem comprar um imóvel ou terreno nos próximos 12 meses, dos quais 47% pertencem à classe média, com renda familiar mensal entre três e dez salários mínimos. É o que aponta um estudo do Data Popular apresentado nesta terça-feira no seminário "Tendências do Mercado Imobiliário", realizado pelo Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo.
A intenção de comprar um imóvel era declarada por 1,5 milhão de famílias da classe média no primeiro trimestre de 2009, número que passou para 4,7 milhões no mesmo período neste ano, triplicando o potencial de consumo nesse nicho.
Falta de terreno leva Minha Casa, Minha Vida para o interior
Essa quantidade já é superior ao total de famílias que mostravam essa intenção no início de 2009 (4,4 milhões), considerando todas as classes sociais.
O levantamento do Data Popular foi feito com cerca de 5.000 entrevistados em 140 municípios no país.
O principal impulso para esse salto, de acordo com Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, é o programa federal Minha Casa, Minha Vida, lançado em março de 2009 para a aquisição de moradias de até R$ 170 mil.
RECEIO
A pesquisa aponta também que o principal receio para os consumidores das classes C, D e E ao comprar um imóvel é não conseguir terminar de pagar o financiamento. Já para a população de alta renda, a preocupação mais citada é a de não receber a moradia.
Para Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, esses novos consumidores em potencial precisam de uma consultoria financeira para comprar apenas o que podem pagar e "não transformar o sonho da casa própria em pesadelo".
Para ele, essa orientação é uma obrigação de toda a cadeia do setor imobiliário --começando pelo corretor--, e não só dos bancos que vão conceder o empréstimo e conseguir um cliente para outros produtos e serviços por um período que pode chegar a três décadas.
Para que essa intenção se torne efetivamente uma aquisição, Petrucci considera que é preciso oferecer o "produto adequado" ao mutuário, o que passa, necessariamente, pelo
preço do imóvel.
VALORIZAÇÃO
O economista destaca que, na cidade de São Paulo, os terrenos estão muito valorizados e há uma legislação que limita a construção em determinados bairros. Além disso, lembra que a produção em larga escala --possível devido ao aumento da demanda-- permite as empresas melhorarem em itens como tecnologia e processos de construção, reduzindo os prazos de entrega e o preço final ao consumidor.
O levantamento do Data Popular aponta ainda que 16,7% dos brasileiros vivem em residências alugadas e 9,3% em imóveis cedidos --sendo, portanto, também um público potencial para a compra de uma casa ou apartamento. Na classe C, são 17,6% e 5,6%, respectivamente.
Outra constatação destacada por Meirelles é o tamanho do imóvel, mensurado por essa parte da população em quantidade de quartos, não em metros quadrados, atribuindo mais valor para apartamentos com mais dormitórios do que simplesmente maiores.
Famílias que desejam comprar imóvel ou terreno nos próximos 12 meses:
No primeiro trimestre de 2009
Classes AB - 1,6 milhão
Classe C - 1,5 milhão
Classes DE - 1,3 milhão
Total - 4,4 milhões
No primeiro trimestre de 2011
Classes AB - 1,7 milhão
Classe C - 4,7 milhões
Classes DE - 3,5 milhões
Total - 9,9 milhões
Classe AB - renda mensal familiar superior a dez salários mínimos
Classe C - renda entre três e dez salários mínimos
Classes ED - renda até três salários mínimos
Cerca de 9,9 milhões de famílias brasileiras pretendem comprar um imóvel ou terreno nos próximos 12 meses, dos quais 47% pertencem à classe média, com renda familiar mensal entre três e dez salários mínimos. É o que aponta um estudo do Data Popular apresentado nesta terça-feira no seminário "Tendências do Mercado Imobiliário", realizado pelo Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo.
A intenção de comprar um imóvel era declarada por 1,5 milhão de famílias da classe média no primeiro trimestre de 2009, número que passou para 4,7 milhões no mesmo período neste ano, triplicando o potencial de consumo nesse nicho.
Falta de terreno leva Minha Casa, Minha Vida para o interior
Essa quantidade já é superior ao total de famílias que mostravam essa intenção no início de 2009 (4,4 milhões), considerando todas as classes sociais.
O levantamento do Data Popular foi feito com cerca de 5.000 entrevistados em 140 municípios no país.
O principal impulso para esse salto, de acordo com Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, é o programa federal Minha Casa, Minha Vida, lançado em março de 2009 para a aquisição de moradias de até R$ 170 mil.
RECEIO
A pesquisa aponta também que o principal receio para os consumidores das classes C, D e E ao comprar um imóvel é não conseguir terminar de pagar o financiamento. Já para a população de alta renda, a preocupação mais citada é a de não receber a moradia.
Para Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, esses novos consumidores em potencial precisam de uma consultoria financeira para comprar apenas o que podem pagar e "não transformar o sonho da casa própria em pesadelo".
Para ele, essa orientação é uma obrigação de toda a cadeia do setor imobiliário --começando pelo corretor--, e não só dos bancos que vão conceder o empréstimo e conseguir um cliente para outros produtos e serviços por um período que pode chegar a três décadas.
Para que essa intenção se torne efetivamente uma aquisição, Petrucci considera que é preciso oferecer o "produto adequado" ao mutuário, o que passa, necessariamente, pelo
preço do imóvel.
VALORIZAÇÃO
O economista destaca que, na cidade de São Paulo, os terrenos estão muito valorizados e há uma legislação que limita a construção em determinados bairros. Além disso, lembra que a produção em larga escala --possível devido ao aumento da demanda-- permite as empresas melhorarem em itens como tecnologia e processos de construção, reduzindo os prazos de entrega e o preço final ao consumidor.
O levantamento do Data Popular aponta ainda que 16,7% dos brasileiros vivem em residências alugadas e 9,3% em imóveis cedidos --sendo, portanto, também um público potencial para a compra de uma casa ou apartamento. Na classe C, são 17,6% e 5,6%, respectivamente.
Outra constatação destacada por Meirelles é o tamanho do imóvel, mensurado por essa parte da população em quantidade de quartos, não em metros quadrados, atribuindo mais valor para apartamentos com mais dormitórios do que simplesmente maiores.
Famílias que desejam comprar imóvel ou terreno nos próximos 12 meses:
No primeiro trimestre de 2009
Classes AB - 1,6 milhão
Classe C - 1,5 milhão
Classes DE - 1,3 milhão
Total - 4,4 milhões
No primeiro trimestre de 2011
Classes AB - 1,7 milhão
Classe C - 4,7 milhões
Classes DE - 3,5 milhões
Total - 9,9 milhões
Classe AB - renda mensal familiar superior a dez salários mínimos
Classe C - renda entre três e dez salários mínimos
Classes ED - renda até três salários mínimos
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6 de jul. de 2011
SANTANDER ELEGE SETE PAÍSES LATINOS PARA CRESCER
jornal Brasil Econômico 05/07/2011 – Ana Paula Ribeiro
O Santander planeja capturar até 20% dos novos clientes que serão incorporados pelo sistema bancário em quatro anos na América Latina. A expectativa do banco espanhol é que 25 milhões de pessoas sejam bancarizadas no período. “Este índice na América Latina ainda é muito baixo por conta de 20 anos de crises bancárias”, disse o diretor-geral da instituição financeira, Francisco Luzón.
Mas quando fala em América Latina, região formada por 32 países, o banco está de olho em um seleto grupo de apenas sete nações. Todas com potencial de crescimento e rentabilidade atraentes, na visão da instituição. “Sistemas não rentáveis acabam levando a crises”, defendeu o executivo durante o 10º Encontro Santander - América Latina, realizado na cidade espanhola que dá nome ao banco.
O grupo de interesse do Santander na América Latina é liderado por Brasil e México. Argentina, Chile, Colômbia e Peru também são considerados países com massa crítica significativa, ou seja, economias em crescimento e com boa fatia do Produto Interno Bruto (PIB) da região. O último país a fazer parte desse grupo é o Uruguai. A estimativa do banco é que nesses sete países as classes A, B e C representem 63% da população. “Pode-se dizer que se esgotaram as razões objetivas do fatalismo econômico que perseguiu o continente desde ao menos o final dos anos 70 do século passado.”
Apesar do otimismo com a região, Luzón afirma que são três os desafios que devem ser enfrentados para a região manter essa posição e conseguir intensificar o processo de bancarização. O primeiro é reduzir a desigualdade. O segundo desafio é aumentar os investimentos em capital físico e humano, e o terceiro, é desenvolver os sistemas financeiros.
“Apesar de ter bons sistemas bancários que foram construídos nas últimas duas décadas, a América Latina sofre de um insuficiente e pouco equilibrado desenvolvimento de seus mercados financeiros nacionais”, considerou o executivo, que defende que esse é um fator importante para se ter poupança e investimento de longo prazo.
Na estratégia do Santander, é necessário que os países da região não fiquem limitados em desenvolver apenas o mercado bancário. O conjunto dos sete países eleitos pelo Santander como prioritários tem uma relação entre crédito e PIB de 30% e o ideal seria 75%. Apenas o Chile está próximo deste patamar.
Para se chegar a um mercado financeiro mais desenvolvido, o banco acredita que é necessário elevar as emissões de renda fixa local de longo prazo e as operações de renda variável. A saída, segundo Luzón, é firmar um pacto entre instituições públicas e privadas para se chegar a esse objetivo, o que inclui mudanças nos marcos regulatórios e mecanismos de controle e supervisão.
Esse desenvolvimento deve ocorrer, na visão do executivo, junto com a inclusão bancária e a maior oferta de serviços financeiros. O movimento conjunto é o que o Santander chama de “bancarização sustentável”, que precisa gerar retorno. “O setor financeiro deve ter uma rentabilidade adequada ao nível de capital que consome e aos riscos que assume”, disse Luzón, defendendo que só assim é possível evitar crises futuras que possam demandar recursos públicos para sanar as deficiências do sistema.
No Brasil, o interesse do grupo não é recente. Com a compra do controle do Banespa em 2000, o Santander deu início à expansão da operação no país — que, em 2010, representou 25% do lucro mundial, enquanto o da Espanha foi de 15%. “Hoje o Brasil é mais importante do que a matriz”, avalia João Augusto Salles, analista da Lopes Filho Consultoria.
Segundo Salles, o fenômeno de bancarização ocorre em toda América Latina, mas é mais consistente no Brasil. “Os bancos estão tentando atingir a nova faixa de consumo, ao mesmo tempo em que ofertam novos produtos aos já clientes e pequenas e médias empresas.” Colaborou Natália Flach *A repórter viajou a convite do Santander
Banco vai listar mais subsidiárias em bolsa
O Santander prepara a abertura de capital das operações do banco no Reino Unido e na Argentina, o que deve começar a ser feito já no segundo semestre desse ano.
Outras unidades também passarão por esse processo. “Seria razoável também no México, mas no médio prazo”, afirmou o diretor geral do banco, Francisco Luzón.
Os planos ganharam fôlego com a bem-sucedida oferta de ações feita pela subsidária brasileira. O Santander Brasil lançou ações em 2009, levantando nada menos que R$ 13,2 bilhões com a oferta primária. “Com a oferta, a capacidade de alavancagem do Santander ficou maior do que de seus pares e houve maior predileção por pequenas e médias empresas e por crédito consignado”, diz João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho.
Ele acrescenta que os custos de captação na Espanha estão muito maiores por causa da crise soberana enfrentada pelo país ou seja, os investidores pedem prêmios maiores para dívida e descontos maiores para ações, o que justifica buscar recursos através de subsidiárias.
Além das listagens, Luzón não descarta partir para mais aquisições, em cerca de cinco anos, desta vez nos Estados Unidos e na Colômbia. (A.P.R. e N.F.)
O Santander planeja capturar até 20% dos novos clientes que serão incorporados pelo sistema bancário em quatro anos na América Latina. A expectativa do banco espanhol é que 25 milhões de pessoas sejam bancarizadas no período. “Este índice na América Latina ainda é muito baixo por conta de 20 anos de crises bancárias”, disse o diretor-geral da instituição financeira, Francisco Luzón.
Mas quando fala em América Latina, região formada por 32 países, o banco está de olho em um seleto grupo de apenas sete nações. Todas com potencial de crescimento e rentabilidade atraentes, na visão da instituição. “Sistemas não rentáveis acabam levando a crises”, defendeu o executivo durante o 10º Encontro Santander - América Latina, realizado na cidade espanhola que dá nome ao banco.
O grupo de interesse do Santander na América Latina é liderado por Brasil e México. Argentina, Chile, Colômbia e Peru também são considerados países com massa crítica significativa, ou seja, economias em crescimento e com boa fatia do Produto Interno Bruto (PIB) da região. O último país a fazer parte desse grupo é o Uruguai. A estimativa do banco é que nesses sete países as classes A, B e C representem 63% da população. “Pode-se dizer que se esgotaram as razões objetivas do fatalismo econômico que perseguiu o continente desde ao menos o final dos anos 70 do século passado.”
Apesar do otimismo com a região, Luzón afirma que são três os desafios que devem ser enfrentados para a região manter essa posição e conseguir intensificar o processo de bancarização. O primeiro é reduzir a desigualdade. O segundo desafio é aumentar os investimentos em capital físico e humano, e o terceiro, é desenvolver os sistemas financeiros.
“Apesar de ter bons sistemas bancários que foram construídos nas últimas duas décadas, a América Latina sofre de um insuficiente e pouco equilibrado desenvolvimento de seus mercados financeiros nacionais”, considerou o executivo, que defende que esse é um fator importante para se ter poupança e investimento de longo prazo.
Na estratégia do Santander, é necessário que os países da região não fiquem limitados em desenvolver apenas o mercado bancário. O conjunto dos sete países eleitos pelo Santander como prioritários tem uma relação entre crédito e PIB de 30% e o ideal seria 75%. Apenas o Chile está próximo deste patamar.
Para se chegar a um mercado financeiro mais desenvolvido, o banco acredita que é necessário elevar as emissões de renda fixa local de longo prazo e as operações de renda variável. A saída, segundo Luzón, é firmar um pacto entre instituições públicas e privadas para se chegar a esse objetivo, o que inclui mudanças nos marcos regulatórios e mecanismos de controle e supervisão.
Esse desenvolvimento deve ocorrer, na visão do executivo, junto com a inclusão bancária e a maior oferta de serviços financeiros. O movimento conjunto é o que o Santander chama de “bancarização sustentável”, que precisa gerar retorno. “O setor financeiro deve ter uma rentabilidade adequada ao nível de capital que consome e aos riscos que assume”, disse Luzón, defendendo que só assim é possível evitar crises futuras que possam demandar recursos públicos para sanar as deficiências do sistema.
No Brasil, o interesse do grupo não é recente. Com a compra do controle do Banespa em 2000, o Santander deu início à expansão da operação no país — que, em 2010, representou 25% do lucro mundial, enquanto o da Espanha foi de 15%. “Hoje o Brasil é mais importante do que a matriz”, avalia João Augusto Salles, analista da Lopes Filho Consultoria.
Segundo Salles, o fenômeno de bancarização ocorre em toda América Latina, mas é mais consistente no Brasil. “Os bancos estão tentando atingir a nova faixa de consumo, ao mesmo tempo em que ofertam novos produtos aos já clientes e pequenas e médias empresas.” Colaborou Natália Flach *A repórter viajou a convite do Santander
Banco vai listar mais subsidiárias em bolsa
O Santander prepara a abertura de capital das operações do banco no Reino Unido e na Argentina, o que deve começar a ser feito já no segundo semestre desse ano.
Outras unidades também passarão por esse processo. “Seria razoável também no México, mas no médio prazo”, afirmou o diretor geral do banco, Francisco Luzón.
Os planos ganharam fôlego com a bem-sucedida oferta de ações feita pela subsidária brasileira. O Santander Brasil lançou ações em 2009, levantando nada menos que R$ 13,2 bilhões com a oferta primária. “Com a oferta, a capacidade de alavancagem do Santander ficou maior do que de seus pares e houve maior predileção por pequenas e médias empresas e por crédito consignado”, diz João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho.
Ele acrescenta que os custos de captação na Espanha estão muito maiores por causa da crise soberana enfrentada pelo país ou seja, os investidores pedem prêmios maiores para dívida e descontos maiores para ações, o que justifica buscar recursos através de subsidiárias.
Além das listagens, Luzón não descarta partir para mais aquisições, em cerca de cinco anos, desta vez nos Estados Unidos e na Colômbia. (A.P.R. e N.F.)
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5 de jul. de 2011
BRASIL TERÁ MENOS POBRES QUE EUA, DIZ SANTANDER
portal iG 04/07/2011 - Aline Cury Zampieri
Em alguns anos, o Brasil terá menos pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza do que os Estados Unidos. A avaliação é de Marcial Portela, presidente do Santander no País. Durante entrevista coletiva na cidade de Santander, na Espanha, ele reforçou o interesse do banco na diversificação geográfica de seus negócios e a intenção de participar da bancarização da América Latina (AL) e do Brasil.
“O Brasil deve ter um ingresso de 25 milhões de pessoas no sistema bancário em quatro anos”, afirmou. “Queremos conquistar entre 15% e 20% dessa fatia.” O Santander possui atualmente 40 milhões de clientes na América Latina, sendo metade deles no Brasil. “O fenômeno da classe média brasileira é impressionante. Nosso grande desafio é conquistar as camadas mais baixas, da classe D, nas quais ainda não temos muita experiência.”
Portela lembra que o banco já entrou no microcrédito brasileiro, com R$ 1 bilhão em empréstimos. Tem um projeto semelhante no Chile e pretende levar a experiência também para o México. “Estamos em processo de vinculação e ampliação do número de clientes, em geral. Crescemos a uma taxa média de 10% ao ano na América Latina.”
No Brasil, diz Portela, a ideia é crescer organicamente. Ele acredita que o cenário de aquisição de bancos menores é difícil. “Os bancos menores vão se unir, ou desaparecer. O modelo de negócios é ruim, com muitos problemas de recursos, qualidade de crédito e capital.” O Santander, afirma, quer ter mais 600 agências nos próximos quatro anos. “Ao todo, temos 3.700 agências e PABs. A meta é crescer numa média de 100, 120 agências por ano.”
Crédito
Portela acredita que o governo brasileiro tem tomado as medidas necessárias para conter o crédito e a inflação no país. Mas isso não significa que esteja vendo a formação de uma bolha na concessão de empréstimos. “O governo está atuando corretamente e não vai deixar a inflação passar do teto”, afirmou.
“A taxa de crescimento do crédito no Brasil é sustentável. Até um ligeiro crescimento na inadimplência será compatível com uma população que cresce muito e com elevação de salários reais. Além disso, tecnicamente não há praticamente desemprego.” No Santander, que crescia abaixo da média do crédito no Brasil, a perspectiva de Portela é de manutenção do ritmo anterior. “Continuaremos nos expandindo a uma taxa entre 17% e 18% este ano.”
Já no crédito imobiliário, o crescimento geral no Brasil é muito mais forte. De acordo com ele, se continuar nesse ritmo, o setor sentirá falta de financiamentos em cerca de dois anos.
Grande na AL
Segundo Francisco Luzón, diretor-geral responsável pela América Latina no Santander, o Brasil continuará a representar 25% do lucro total do grupo Santander pelos próximos quatro anos. A posição é a maior entre todos os países onde o banco atua. “A crise europeia reforçou a importância de nossa diversificação, e o Brasil é uma peça estratégica do banco.”
Ele lembra que as fatias dos países na composição do lucro são móveis, já que aquisições em outros locais podem mudar essa composição. Mas o executivo afirma que a América Latina, incluindo o México, representará metade dos resultados do banco nos próximos anos.
A repórter viajou a convite do Santander
Em alguns anos, o Brasil terá menos pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza do que os Estados Unidos. A avaliação é de Marcial Portela, presidente do Santander no País. Durante entrevista coletiva na cidade de Santander, na Espanha, ele reforçou o interesse do banco na diversificação geográfica de seus negócios e a intenção de participar da bancarização da América Latina (AL) e do Brasil.
“O Brasil deve ter um ingresso de 25 milhões de pessoas no sistema bancário em quatro anos”, afirmou. “Queremos conquistar entre 15% e 20% dessa fatia.” O Santander possui atualmente 40 milhões de clientes na América Latina, sendo metade deles no Brasil. “O fenômeno da classe média brasileira é impressionante. Nosso grande desafio é conquistar as camadas mais baixas, da classe D, nas quais ainda não temos muita experiência.”
Portela lembra que o banco já entrou no microcrédito brasileiro, com R$ 1 bilhão em empréstimos. Tem um projeto semelhante no Chile e pretende levar a experiência também para o México. “Estamos em processo de vinculação e ampliação do número de clientes, em geral. Crescemos a uma taxa média de 10% ao ano na América Latina.”
No Brasil, diz Portela, a ideia é crescer organicamente. Ele acredita que o cenário de aquisição de bancos menores é difícil. “Os bancos menores vão se unir, ou desaparecer. O modelo de negócios é ruim, com muitos problemas de recursos, qualidade de crédito e capital.” O Santander, afirma, quer ter mais 600 agências nos próximos quatro anos. “Ao todo, temos 3.700 agências e PABs. A meta é crescer numa média de 100, 120 agências por ano.”
Crédito
Portela acredita que o governo brasileiro tem tomado as medidas necessárias para conter o crédito e a inflação no país. Mas isso não significa que esteja vendo a formação de uma bolha na concessão de empréstimos. “O governo está atuando corretamente e não vai deixar a inflação passar do teto”, afirmou.
“A taxa de crescimento do crédito no Brasil é sustentável. Até um ligeiro crescimento na inadimplência será compatível com uma população que cresce muito e com elevação de salários reais. Além disso, tecnicamente não há praticamente desemprego.” No Santander, que crescia abaixo da média do crédito no Brasil, a perspectiva de Portela é de manutenção do ritmo anterior. “Continuaremos nos expandindo a uma taxa entre 17% e 18% este ano.”
Já no crédito imobiliário, o crescimento geral no Brasil é muito mais forte. De acordo com ele, se continuar nesse ritmo, o setor sentirá falta de financiamentos em cerca de dois anos.
Grande na AL
Segundo Francisco Luzón, diretor-geral responsável pela América Latina no Santander, o Brasil continuará a representar 25% do lucro total do grupo Santander pelos próximos quatro anos. A posição é a maior entre todos os países onde o banco atua. “A crise europeia reforçou a importância de nossa diversificação, e o Brasil é uma peça estratégica do banco.”
Ele lembra que as fatias dos países na composição do lucro são móveis, já que aquisições em outros locais podem mudar essa composição. Mas o executivo afirma que a América Latina, incluindo o México, representará metade dos resultados do banco nos próximos anos.
A repórter viajou a convite do Santander
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Santander
27 de jun. de 2011
FERRAMENTA AJUDA CONTRATAÇÃO DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO
jornal Valor Econômico 24/06/2011 - Adriana Cotias
Se o consumidor quiser financiar um imóvel de R$ 400 mil por 30 anos com uma entrada de 40% desse valor, pode pagar um custo efetivo total (juros mais despesas adicionais como seguro) de 10,88% ao ano no HSBC ou de 14,02% no Banco do Brasil. No primeiro caso, a prestação inicial será de R$ 2.706,91, com a última caindo a R$ 737,95 pelo sistema de amortização constante. No outro, a primeira parcela é de R$ 2.694,41, com a final em R$ 2.636,00, pela tabela Price (de prestações constantes).
Essas duas cotações estão nos extremos entre a alternativa mais barata e a mais cara para o mutuário de uma amostra com 13 opções entre instituições financeiras ativas no crédito imobiliário.
A ferramenta de comparação entrou no ar na quarta-feira pelo Canal do Crédito (www.canaldocredito.com.br), uma espécie de corretor online de financiamento imobiliário, que presta assessoria gratuita para o candidato ao crédito para aquisição da casa própria. As instituições parceiras são HSBC, Itaú e BM Sua Casa, mas a pesquisa abrange outros bancos. Com esse tipo de consulta, o tomador pode obter uma economia entre 15% e 20% no valor final do financiamento, estima Marcelo Prata, idealizador do negócio.
Caso escolha um banco que não tem acordo comercial com a empresa, o Canal do Crédito ensina o caminho das pedras, mas na hora de pleitear o financiamento propriamente dito, o consumidor tem que sentar para conversar com o gerente da agência.
O site ainda faz simulação de empréstimos sem finalidade específica, com a garantia do imóvel - o chamado "home equity" - e, nessa forma de financiamento, faz a ponte entre o tomador e o Banco Intermedium, ligado à construtora MRV, ao HSBC, além das companhias hipotecárias BM Sua Casa e CHB, esta última com atuação em Natal. A atualização dos dados é feita semanalmente.
Embora a figura do corretor de financiamento imobiliário seja comum em países como Inglaterra e Estados Unidos, o Canal do Crédito é uma iniciativa relativamente nova no Brasil, criada em junho de 2009. No ano passado recebeu aporte do fundo HorizonTI, gerido pela Confrapar, que se comprometeu a injetar até R$ 6 milhões na empresa para ter participação de cerca de 40%.
Na assessoria para o financiamento, o Canal do Crédito indica toda a documentação necessária e conversa diretamente com os departamentos de crédito e jurídico dos bancos. Dessa forma, o consumidor não tem que ficar entre idas e vindas à agência bancária e vai limitar a sua visita à assinatura do contrato. Tal intermediação é gratuita porque são os bancos parceiros que remuneram o Canal do Crédito, a exemplo do que fazem para imobiliárias ou outros correspondentes bancários, explica Prata. "Quando usa um canal alternativo para capturar clientes, o banco deixa de ter aquele custo operacional."
No mercado, tal remuneração oscila entre 0,5% e 1,5% do valor financiado, mas há casos em que o Canal do Crédito obtém um retorno superior a isso. Esse custo não é repassado ao tomador.
As informações que o Canal do Crédito coleta são públicas, estão nos sites das instituições financeiras, mas com as que são parceiras, consegue obter custos diferenciados, abaixo até das taxas de prateleira divulgadas por elas nos próprios sites, pelo volume que gera. Prata não abre os valores que já intermediou e se limita a dizer que prestou assessoria para 12 mil clientes, mas nem todos esse contatos se converteram em crédito.
Se o consumidor quiser financiar um imóvel de R$ 400 mil por 30 anos com uma entrada de 40% desse valor, pode pagar um custo efetivo total (juros mais despesas adicionais como seguro) de 10,88% ao ano no HSBC ou de 14,02% no Banco do Brasil. No primeiro caso, a prestação inicial será de R$ 2.706,91, com a última caindo a R$ 737,95 pelo sistema de amortização constante. No outro, a primeira parcela é de R$ 2.694,41, com a final em R$ 2.636,00, pela tabela Price (de prestações constantes).
Essas duas cotações estão nos extremos entre a alternativa mais barata e a mais cara para o mutuário de uma amostra com 13 opções entre instituições financeiras ativas no crédito imobiliário.
A ferramenta de comparação entrou no ar na quarta-feira pelo Canal do Crédito (www.canaldocredito.com.br), uma espécie de corretor online de financiamento imobiliário, que presta assessoria gratuita para o candidato ao crédito para aquisição da casa própria. As instituições parceiras são HSBC, Itaú e BM Sua Casa, mas a pesquisa abrange outros bancos. Com esse tipo de consulta, o tomador pode obter uma economia entre 15% e 20% no valor final do financiamento, estima Marcelo Prata, idealizador do negócio.
Caso escolha um banco que não tem acordo comercial com a empresa, o Canal do Crédito ensina o caminho das pedras, mas na hora de pleitear o financiamento propriamente dito, o consumidor tem que sentar para conversar com o gerente da agência.
O site ainda faz simulação de empréstimos sem finalidade específica, com a garantia do imóvel - o chamado "home equity" - e, nessa forma de financiamento, faz a ponte entre o tomador e o Banco Intermedium, ligado à construtora MRV, ao HSBC, além das companhias hipotecárias BM Sua Casa e CHB, esta última com atuação em Natal. A atualização dos dados é feita semanalmente.
Embora a figura do corretor de financiamento imobiliário seja comum em países como Inglaterra e Estados Unidos, o Canal do Crédito é uma iniciativa relativamente nova no Brasil, criada em junho de 2009. No ano passado recebeu aporte do fundo HorizonTI, gerido pela Confrapar, que se comprometeu a injetar até R$ 6 milhões na empresa para ter participação de cerca de 40%.
Na assessoria para o financiamento, o Canal do Crédito indica toda a documentação necessária e conversa diretamente com os departamentos de crédito e jurídico dos bancos. Dessa forma, o consumidor não tem que ficar entre idas e vindas à agência bancária e vai limitar a sua visita à assinatura do contrato. Tal intermediação é gratuita porque são os bancos parceiros que remuneram o Canal do Crédito, a exemplo do que fazem para imobiliárias ou outros correspondentes bancários, explica Prata. "Quando usa um canal alternativo para capturar clientes, o banco deixa de ter aquele custo operacional."
No mercado, tal remuneração oscila entre 0,5% e 1,5% do valor financiado, mas há casos em que o Canal do Crédito obtém um retorno superior a isso. Esse custo não é repassado ao tomador.
As informações que o Canal do Crédito coleta são públicas, estão nos sites das instituições financeiras, mas com as que são parceiras, consegue obter custos diferenciados, abaixo até das taxas de prateleira divulgadas por elas nos próprios sites, pelo volume que gera. Prata não abre os valores que já intermediou e se limita a dizer que prestou assessoria para 12 mil clientes, mas nem todos esse contatos se converteram em crédito.
7 de jun. de 2011
CAIXA JÁ BUSCA OPÇÕES PARA CRÉDITO IMOBILIÁRIO
jornal DCI 07/06/2011 - Marcelle Gutierrez
Pelo segundo mês consecutivo, a caderneta de poupança registrou captação líquida negativa, com total de R$ 1,301 bilhão em maio. Os depósitos chegaram a R$ 107,404 bilhões, e as retiradas, a R$ 108,706 bilhões. No mês de abril a diferença foi de R$ 1,762 bilhões, segundo dados do Banco Central. Para analistas, os números revelam a saída de investidores para linhas mais lucrativas, já que em cenário de alta nas taxas de juros e inflação a poupança demonstra baixa rentabilidade.
O aumento dos valores retirados, contudo, afeta diretamente o crédito imobiliário. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos para a carteira com recursos da poupança atingiram a marca dos R$ 6,16 bilhões no mês de abril, acréscimo de 42% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em maio, o volume de crédito para imóveis atingiu 62% dos depósitos dessa linha de investimento, afirmou Dyogo Oliveira, secretário adjunto do Ministério da Fazenda.
A representatividade do tipo de investimento fica nítida no balanço do primeiro trimestre da Caixa Econômica Federal, que tem como "carro-chefe" de sua carteira o crédito imobiliário, responsável por 61,5% das operações. O saldo totalizou R$ 113,1 bilhões, acréscimo de 50% em relação a março de 2010 e de 8% na comparação com o último trimestre de 2010.
A poupança é a principal fonte de recursos para esta linha de financiamento, com captação de R$ 61,7 bilhões nos três primeiros meses de 2011, o que representa 52,7% de participação. O FGTS totalizou R$ 55,02 bilhões.
Sobre o primeiro trimestre, o vice-presidente de Controle e Risco da Caixa, Raphael Rezende Neto, afirmou que o fato não reflete a posição atual da instituição financeira. "Observamos que o mercado teve queda na poupança. Apesar disso, a Caixa aumentou a participação, já que saiu de 33,9% no primeiro trimestre do ano passado para 34,5% nos primeiros meses deste ano. Também já observamos crescimento na captação em torno de R$ 1 bilhão em maio. Por esses motivos, a captação em poupança não prejudica o funding para o imobiliário", concluiu o executivo.
No entanto, fontes do mercado financeiro apontaram que a Caixa já realiza um estudo para fontes de captação de recursos complementares à poupança.
Para Celso Grisi, economista e diretor presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, a principal fonte de recursos para financiamento de imóveis continuará com a poupança, e por esse motivo o Banco Central e o Ministério da Fazenda devem tomar medidas para aumentar o pagamento próximo da taxa básica de juros, a Selic, que está em 12% ao ano. "Se essa fonte ficar ainda mais escassa, tende a encarecer o crédito imobiliário. O governo terá de recompor a remuneração financeira, que será repassada para os agentes financeiros e, assim, para os consumidores."
No período de 1º de maio a 1º de junho de 2011, a remuneração dos depósitos em poupança estava em 0,65% ao mês, o que corresponde a 0,5% a.m. mais TR, que no período ficou em 0,15%.
No que se refere ao destino dos investimentos retirados da poupança, o mercado de renda fixa é apontado por analistas como a melhor alternativa. Até 31 de maio de 2011 a captação líquida no mês totalizou R$ 3,354 bilhões. Na soma do ano, o valor chegou a R$ 47,492 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
"Os títulos privados de renda fixa chegam a 12,83% ao ano. Mesmo se se retirar o imposto de renda, esse investimento dá rentabilidade de mais de 50% do que a poupança, cerca de 9% a.a.", afirmou Clodoir Vieira, economista-chefe da Sousa Barros Corretora. Para o especialista, a Selic deve baixar a 9% ou 10% a.a., e a inflação, a 2% ou 3%, para que a poupança volte a ser rentável.
Pelo segundo mês consecutivo, a caderneta de poupança registrou captação líquida negativa, com total de R$ 1,301 bilhão em maio. Os depósitos chegaram a R$ 107,404 bilhões, e as retiradas, a R$ 108,706 bilhões. No mês de abril a diferença foi de R$ 1,762 bilhões, segundo dados do Banco Central. Para analistas, os números revelam a saída de investidores para linhas mais lucrativas, já que em cenário de alta nas taxas de juros e inflação a poupança demonstra baixa rentabilidade.
O aumento dos valores retirados, contudo, afeta diretamente o crédito imobiliário. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos para a carteira com recursos da poupança atingiram a marca dos R$ 6,16 bilhões no mês de abril, acréscimo de 42% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em maio, o volume de crédito para imóveis atingiu 62% dos depósitos dessa linha de investimento, afirmou Dyogo Oliveira, secretário adjunto do Ministério da Fazenda.
A representatividade do tipo de investimento fica nítida no balanço do primeiro trimestre da Caixa Econômica Federal, que tem como "carro-chefe" de sua carteira o crédito imobiliário, responsável por 61,5% das operações. O saldo totalizou R$ 113,1 bilhões, acréscimo de 50% em relação a março de 2010 e de 8% na comparação com o último trimestre de 2010.
A poupança é a principal fonte de recursos para esta linha de financiamento, com captação de R$ 61,7 bilhões nos três primeiros meses de 2011, o que representa 52,7% de participação. O FGTS totalizou R$ 55,02 bilhões.
Sobre o primeiro trimestre, o vice-presidente de Controle e Risco da Caixa, Raphael Rezende Neto, afirmou que o fato não reflete a posição atual da instituição financeira. "Observamos que o mercado teve queda na poupança. Apesar disso, a Caixa aumentou a participação, já que saiu de 33,9% no primeiro trimestre do ano passado para 34,5% nos primeiros meses deste ano. Também já observamos crescimento na captação em torno de R$ 1 bilhão em maio. Por esses motivos, a captação em poupança não prejudica o funding para o imobiliário", concluiu o executivo.
No entanto, fontes do mercado financeiro apontaram que a Caixa já realiza um estudo para fontes de captação de recursos complementares à poupança.
Para Celso Grisi, economista e diretor presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, a principal fonte de recursos para financiamento de imóveis continuará com a poupança, e por esse motivo o Banco Central e o Ministério da Fazenda devem tomar medidas para aumentar o pagamento próximo da taxa básica de juros, a Selic, que está em 12% ao ano. "Se essa fonte ficar ainda mais escassa, tende a encarecer o crédito imobiliário. O governo terá de recompor a remuneração financeira, que será repassada para os agentes financeiros e, assim, para os consumidores."
No período de 1º de maio a 1º de junho de 2011, a remuneração dos depósitos em poupança estava em 0,65% ao mês, o que corresponde a 0,5% a.m. mais TR, que no período ficou em 0,15%.
No que se refere ao destino dos investimentos retirados da poupança, o mercado de renda fixa é apontado por analistas como a melhor alternativa. Até 31 de maio de 2011 a captação líquida no mês totalizou R$ 3,354 bilhões. Na soma do ano, o valor chegou a R$ 47,492 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
"Os títulos privados de renda fixa chegam a 12,83% ao ano. Mesmo se se retirar o imposto de renda, esse investimento dá rentabilidade de mais de 50% do que a poupança, cerca de 9% a.a.", afirmou Clodoir Vieira, economista-chefe da Sousa Barros Corretora. Para o especialista, a Selic deve baixar a 9% ou 10% a.a., e a inflação, a 2% ou 3%, para que a poupança volte a ser rentável.
27 de mai. de 2011
POPULAR NOS EUA E NA EUROPA, REFINANCIAMENTO GANHA ESPAÇO E PRODUTOS NO BRASIL
jornal Brasil Econômico 25/05/2011 – Iolanda Nascimento
Uma modalidade de empréstimo muito comum na Europa e nos Estados Unidos está ganhando espaço no Brasil. Trata-se do crédito com garantia do imóvel, conhecido como refinanciamento. A garantia do imóvel torna as taxas e prazos de pagamento mais atrativos nessas linhas e o nicho cresce paralelo à expansão imobiliária. Grandes bancos como Bradesco, Santander, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal atuam no segmento com produtos na linha de crédito pessoal, mas com taxas e prazos diferenciados, um meio termo entre o empréstimo tradicional para consumo e o financiamento imobiliário. Já a Brazilian Mortgages (BM) Sua Casa, braço do grupo Brazilian Finance & Real Estate é uma das primeiras a explorar o nicho, trabalha com taxas e prazos similares aos das suas linhas de crédito imobiliário—1,09% ao mês mais IGPM(cerca de 18%ao ano) e até 30 anos, financiando até 50%do valor do imóvel.
A BM lançou o produto, o BM Crédito Fácil, em2007, e hoje ele já é carro-chefe, respondendo por 50%da carteira da companhia, de R$2 bilhões ao final do primeiro trimestre. “Registramos um crescimento anual médio da ordem de 200% desde o lançamento”, diz Elyseu Mardegan Jr., diretor da empresa, estimando expansão próxima a 250% para a carteira total este ano. De acordo como executivo, o principal objetivo da BM ao lançar o produto foi proporcionar liquidez aos ativos imobiliários. “O brasileiro gosta de investir em imóveis e, muitas vezes, precisa de recursos para um montar um empreendimento, educação dos filhos ou uma viagem e não consegue dar liquidez rápida ao patrimônio porque vender exige um tempo maior. O refinanciamento passou a ser uma opção”
Por ser um mercado relativamente novo e inserido, na maioria das vezes, dentro das carteiras de crédito pessoal das instituições, os executivos ainda não conseguem avaliar qual o tamanho do segmento e tampouco suas taxas de crescimento. Contudo, afirmam que ele ainda responde por um percentual pequeno dos negócios. “Boa parte da população brasileira ainda precisa comprar a primeira casa própria”, afirma Octávio de Lazari Jr., diretor de empréstimos e financiamentos do Bradesco. Para Fábio Seabra, diretor de operações e atacado da Sagace, uma consultoria especializada em crédito imobiliário que trabalha com essa linha desde 2009, criar espaço para todo produto novo é sempre um desafio.
“Mas o refinanciamento tem bastante aceitação quando é ofertado e já existe uma grande procura espontânea. Cerca de 10% a 15% dos nossos clientes são dessa linha”, diz Seabra. O preço é o grande atrativo, compara o executivo. No cheque especial, as taxas variam de 10%a 12% ao mês e no crédito pessoal, entre 4,5% e 5% ao mês.
O produto do Bradesco tem taxa total em torno de 2,3% ao mês, prazos de até 10 anos e financiamento de até 70% do valor do imóvel.
De olho no potencial do mercado, o Banco do Brasil lançou o BB Crédito Imóvel Próprio em outubro de 2010e já reformulou o produto este ano, reduzindo o limite mínimo de financiamento de R$ 100 mil para R$ 20 mil.
No Santander, a linha foi lançada em 2008 e, segundo José Roberto Machado, diretor-executivo de negócios imobiliários do banco, a carteira ainda não é expressiva, mas tem crescido. A taxa média é de 1,53% ao mês, prazo de até 15 anos e o crédito pode variar de R$ 30 mil a R$ 500 mil, ou até 50% do valor do imóvel.
A Caixa Econômica Federal diz que tem o produto na prateleira há mais de 30 anos, mas a operação nunca foi um negócio prioritário. Entretanto, o Crédito Aporte Caixa, ganhou nova roupagem recentemente, segundo Teotônio Costa Rezende, consultor da presidência do banco, cuja linha financia até 70% do valor do imóvel, os prazos são de até 120 meses e as taxas de juros variam de 1,51% a 1,69% ao mês.
O Itaú Unibanco tem o CrediPersonnalité com Garantia do Imóvel apenas para os seus clientes especiais, que podem quitar um empréstimo de no máximo 60%do valor do imóvel em até 70 meses e têm carência de 60 dias para o pagamento da primeira parcela.
Uma modalidade de empréstimo muito comum na Europa e nos Estados Unidos está ganhando espaço no Brasil. Trata-se do crédito com garantia do imóvel, conhecido como refinanciamento. A garantia do imóvel torna as taxas e prazos de pagamento mais atrativos nessas linhas e o nicho cresce paralelo à expansão imobiliária. Grandes bancos como Bradesco, Santander, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal atuam no segmento com produtos na linha de crédito pessoal, mas com taxas e prazos diferenciados, um meio termo entre o empréstimo tradicional para consumo e o financiamento imobiliário. Já a Brazilian Mortgages (BM) Sua Casa, braço do grupo Brazilian Finance & Real Estate é uma das primeiras a explorar o nicho, trabalha com taxas e prazos similares aos das suas linhas de crédito imobiliário—1,09% ao mês mais IGPM(cerca de 18%ao ano) e até 30 anos, financiando até 50%do valor do imóvel.
A BM lançou o produto, o BM Crédito Fácil, em2007, e hoje ele já é carro-chefe, respondendo por 50%da carteira da companhia, de R$2 bilhões ao final do primeiro trimestre. “Registramos um crescimento anual médio da ordem de 200% desde o lançamento”, diz Elyseu Mardegan Jr., diretor da empresa, estimando expansão próxima a 250% para a carteira total este ano. De acordo como executivo, o principal objetivo da BM ao lançar o produto foi proporcionar liquidez aos ativos imobiliários. “O brasileiro gosta de investir em imóveis e, muitas vezes, precisa de recursos para um montar um empreendimento, educação dos filhos ou uma viagem e não consegue dar liquidez rápida ao patrimônio porque vender exige um tempo maior. O refinanciamento passou a ser uma opção”
Por ser um mercado relativamente novo e inserido, na maioria das vezes, dentro das carteiras de crédito pessoal das instituições, os executivos ainda não conseguem avaliar qual o tamanho do segmento e tampouco suas taxas de crescimento. Contudo, afirmam que ele ainda responde por um percentual pequeno dos negócios. “Boa parte da população brasileira ainda precisa comprar a primeira casa própria”, afirma Octávio de Lazari Jr., diretor de empréstimos e financiamentos do Bradesco. Para Fábio Seabra, diretor de operações e atacado da Sagace, uma consultoria especializada em crédito imobiliário que trabalha com essa linha desde 2009, criar espaço para todo produto novo é sempre um desafio.
“Mas o refinanciamento tem bastante aceitação quando é ofertado e já existe uma grande procura espontânea. Cerca de 10% a 15% dos nossos clientes são dessa linha”, diz Seabra. O preço é o grande atrativo, compara o executivo. No cheque especial, as taxas variam de 10%a 12% ao mês e no crédito pessoal, entre 4,5% e 5% ao mês.
O produto do Bradesco tem taxa total em torno de 2,3% ao mês, prazos de até 10 anos e financiamento de até 70% do valor do imóvel.
De olho no potencial do mercado, o Banco do Brasil lançou o BB Crédito Imóvel Próprio em outubro de 2010e já reformulou o produto este ano, reduzindo o limite mínimo de financiamento de R$ 100 mil para R$ 20 mil.
No Santander, a linha foi lançada em 2008 e, segundo José Roberto Machado, diretor-executivo de negócios imobiliários do banco, a carteira ainda não é expressiva, mas tem crescido. A taxa média é de 1,53% ao mês, prazo de até 15 anos e o crédito pode variar de R$ 30 mil a R$ 500 mil, ou até 50% do valor do imóvel.
A Caixa Econômica Federal diz que tem o produto na prateleira há mais de 30 anos, mas a operação nunca foi um negócio prioritário. Entretanto, o Crédito Aporte Caixa, ganhou nova roupagem recentemente, segundo Teotônio Costa Rezende, consultor da presidência do banco, cuja linha financia até 70% do valor do imóvel, os prazos são de até 120 meses e as taxas de juros variam de 1,51% a 1,69% ao mês.
O Itaú Unibanco tem o CrediPersonnalité com Garantia do Imóvel apenas para os seus clientes especiais, que podem quitar um empréstimo de no máximo 60%do valor do imóvel em até 70 meses e têm carência de 60 dias para o pagamento da primeira parcela.
5 de mai. de 2011
SOFTWARE ACELERA LIBERAÇÃO DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO
jornal Valor Econômico 05/05/2011 - Cibelle Bouças
Quem já comprou um imóvel sabe que se trata de um processo naturalmente burocrático e demorado. Uma companhia brasileira de tecnologia da informação desenvolveu uma plataforma de software para por fim à lentidão desse processo. A tecnologia foi adotada pelos principais bancos que atuam com crédito imobiliário e, nos próximos meses, deve chegar às construtoras.
A ideia partiu de Marcos Burattini, que reuniu sete sócios para investir aproximadamente R$ 8 milhões, com recursos próprios, na criação da empresa Vivere Brasil, em 2009. Os recursos também foram destinados ao desenvolvimento de softwares de crédito imobiliário. Burattini tinha como bagagem a experiência do segmento de software para o mercado financeiro, no qual atuou como presidente da Fidelity National Soluções Brasil, divisão da companhia americana FIS Global.
O conjunto de softwares automatiza a maior parte do processo de análise de crédito imobiliário para os bancos. Tradicionalmente, a compra de um imóvel exige dessas instituições a análise da saúde financeira do comprador, da idoneidade do vendedor e das condições do imóvel - tudo isso é feito praticamente por análise de documentos impressos.
A maioria das empresas dedicadas a software para esse setor foca a gestão empresarial e a simulação de crédito. Apenas a WWI desenvolve um sistema para avaliação de crédito imobiliário. Procurada pelo Valor, a empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o produto deve ser lançado neste ano.
Exame de propostas para compra de empresas caiu de 180 para 9 dias, e para imóveis residenciais, de 60 para 5 dias
Burattini afirma que a maior vantagem do sistema para bancos e incorporadoras é a possibilidade de substituir o trâmite de papéis por uma gestão eletrônica do crédito imobiliário. Os processos de financiamento são classificados conforme seu risco, o que facilita a emissão dos certificados de recebíveis imobiliários (CRI), usados para financiamento de obras.
De acordo com dados do Banco Central, em 2010, foram concedidos no país R$ 138 bilhões em crédito imobiliário - montante sustentado, sobretudo, pela poupança. Mas, enquanto o crédito imobiliário cresce a uma taxa média anual de 35%, a poupança sobe 22%. Analistas do setor estimam que os recursos da poupança podem acabar até 2014, o que tem obrigado bancos e incorporadoras a acelerar as emissões de CRI. Em 2010, foram emitidos R$ 7,3 bilhões em CRIs. Neste ano, as cinco maiores companhias do setor (PDG, Cyrela, Brookfield, MRV e Rossi) financiaram a construção de mais de R$ 1 bilhão em apartamentos com esses certificados.
O software da Vivere é dotado de um algoritmo que identifica grupos de informações nos documentos usados na análise de crédito imobiliário. A partir da análise desses dados, o software produz relatórios que indicam para a instituição financeira se a operação pode ou não ser aprovada. A plataforma dispõe de um sistema de comunicação, que envia mensagens de celular e e-mails informando às diferentes áreas do banco sobre o resultado de análise da operação.
De acordo com Burattini, os bancos precisam apenas digitalizar os documentos para dar início ao processo. "Com a eliminação da participação humana nessa fase da análise, o banco obtém um ganho de produtividade de até 80%", afirma Burattini. De acordo com o executivo, o tempo médio de avaliação de crédito foi reduzido de 180 para 9 dias, no caso de aquisição por empresas, e de 60 para 5 dias, para operações com imóveis residenciais.
O programa foi adotado inicialmente pelo Itaú-Unibanco, em 2009. Hoje, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e HSBC - que juntos comandam 98% do mercado de crédito imobiliário no país - estão em diferentes fases de implantação. "A meta para este ano é atingir também o mercado de construtoras e incorporadoras, que financiam a venda de imóveis", afirma Burattini.
Em 2010, a Vivere encerrou o ano com receita líquida de R$ 10 milhões, ante R$ 1,8 milhão alcançado no ano anterior. Com a expansão do uso do software nos bancos e a venda para construtoras, Burattini prevê elevar a receita neste ano para R$ 80 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de 38% em 2010 e a estimativa da companhia é elevar esse indicador para 70%. A Vivere não divulga dados de seu balanço fiscal. "A meta para cinco anos é chegar a uma receita líquida de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões", diz.
Quem já comprou um imóvel sabe que se trata de um processo naturalmente burocrático e demorado. Uma companhia brasileira de tecnologia da informação desenvolveu uma plataforma de software para por fim à lentidão desse processo. A tecnologia foi adotada pelos principais bancos que atuam com crédito imobiliário e, nos próximos meses, deve chegar às construtoras.
A ideia partiu de Marcos Burattini, que reuniu sete sócios para investir aproximadamente R$ 8 milhões, com recursos próprios, na criação da empresa Vivere Brasil, em 2009. Os recursos também foram destinados ao desenvolvimento de softwares de crédito imobiliário. Burattini tinha como bagagem a experiência do segmento de software para o mercado financeiro, no qual atuou como presidente da Fidelity National Soluções Brasil, divisão da companhia americana FIS Global.
O conjunto de softwares automatiza a maior parte do processo de análise de crédito imobiliário para os bancos. Tradicionalmente, a compra de um imóvel exige dessas instituições a análise da saúde financeira do comprador, da idoneidade do vendedor e das condições do imóvel - tudo isso é feito praticamente por análise de documentos impressos.
A maioria das empresas dedicadas a software para esse setor foca a gestão empresarial e a simulação de crédito. Apenas a WWI desenvolve um sistema para avaliação de crédito imobiliário. Procurada pelo Valor, a empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o produto deve ser lançado neste ano.
Exame de propostas para compra de empresas caiu de 180 para 9 dias, e para imóveis residenciais, de 60 para 5 dias
Burattini afirma que a maior vantagem do sistema para bancos e incorporadoras é a possibilidade de substituir o trâmite de papéis por uma gestão eletrônica do crédito imobiliário. Os processos de financiamento são classificados conforme seu risco, o que facilita a emissão dos certificados de recebíveis imobiliários (CRI), usados para financiamento de obras.
De acordo com dados do Banco Central, em 2010, foram concedidos no país R$ 138 bilhões em crédito imobiliário - montante sustentado, sobretudo, pela poupança. Mas, enquanto o crédito imobiliário cresce a uma taxa média anual de 35%, a poupança sobe 22%. Analistas do setor estimam que os recursos da poupança podem acabar até 2014, o que tem obrigado bancos e incorporadoras a acelerar as emissões de CRI. Em 2010, foram emitidos R$ 7,3 bilhões em CRIs. Neste ano, as cinco maiores companhias do setor (PDG, Cyrela, Brookfield, MRV e Rossi) financiaram a construção de mais de R$ 1 bilhão em apartamentos com esses certificados.
O software da Vivere é dotado de um algoritmo que identifica grupos de informações nos documentos usados na análise de crédito imobiliário. A partir da análise desses dados, o software produz relatórios que indicam para a instituição financeira se a operação pode ou não ser aprovada. A plataforma dispõe de um sistema de comunicação, que envia mensagens de celular e e-mails informando às diferentes áreas do banco sobre o resultado de análise da operação.
De acordo com Burattini, os bancos precisam apenas digitalizar os documentos para dar início ao processo. "Com a eliminação da participação humana nessa fase da análise, o banco obtém um ganho de produtividade de até 80%", afirma Burattini. De acordo com o executivo, o tempo médio de avaliação de crédito foi reduzido de 180 para 9 dias, no caso de aquisição por empresas, e de 60 para 5 dias, para operações com imóveis residenciais.
O programa foi adotado inicialmente pelo Itaú-Unibanco, em 2009. Hoje, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e HSBC - que juntos comandam 98% do mercado de crédito imobiliário no país - estão em diferentes fases de implantação. "A meta para este ano é atingir também o mercado de construtoras e incorporadoras, que financiam a venda de imóveis", afirma Burattini.
Em 2010, a Vivere encerrou o ano com receita líquida de R$ 10 milhões, ante R$ 1,8 milhão alcançado no ano anterior. Com a expansão do uso do software nos bancos e a venda para construtoras, Burattini prevê elevar a receita neste ano para R$ 80 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de 38% em 2010 e a estimativa da companhia é elevar esse indicador para 70%. A Vivere não divulga dados de seu balanço fiscal. "A meta para cinco anos é chegar a uma receita líquida de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões", diz.
28 de abr. de 2011
FOCO DO CITI SÃO AS EMPRESAS, DIZ PANDIT
jornal Valor Econômico 28/04/2011 - Luciana Seabra
Sem escala para competir com os grandes bancos locais de igual para igual e sem oportunidades relevantes de aquisição à disposição, o Citigroup parece ter deixado para trás a ideia de insistir numa estratégia para ganhar mercado no varejo bancário brasileiro. A julgar pelas palavras do CEO mundial do banco, Vikram Pandit, em passagem pelo Brasil para participar do Fórum Econômico Mundial, o foco agora são as empresas, principalmente as que pretendem internacionalizar seus negócios.
Em conversa com jornalistas, ontem, em São Paulo, as operações de varejo praticamente passaram ao largo da fala do executivo para definir a estratégia do banco no país. No varejo, o interesse é pelos cartões de crédito, setor em que a empresa atua com a respeitável Credicard, e pelo promissor mercado de financiamento da casa própria, para o qual o banco ainda parece não ter uma estratégia clara. "Nossa perspectiva é de que há muitas pessoas altamente qualificadas no Brasil que podem tomar crédito para comprar casas ou gerenciar suas finanças", disse Pandit. "A questão é como podemos contribuir para esse mercado", completou.
Numa iniciativa semelhante a de outros bancos com uma plataforma de negócios global, como o HSBC, o Citi, terceiro maior banco dos EUA, quer tirar proveito do crescente fluxo de capitais e mercadorias entre os países emergentes. "Estamos completamente focados nisso. Somos o único banco na Ásia, América Latina, África e leste da Europa com tamanho suficiente para conectar esses mercados emergentes", disse o CEO.
Nos planos do Citigroup para o Brasil, o destaque maior fica com as grandes companhias com planos de internacionalização. "O número de multinacionais brasileiras tem crescido e podemos auxiliar com nossas plataformas de comercialização global." Empreendedores menores, que desejam se conectar com a América Latina e outros países do mundo, também estão na mira.
Nos últimos cinco anos, o Citigroup dobrou o número de funcionários no país e, somente no mês passado, 340 pessoas foram contratadas. Segundo Pandit, alguns executivos foram trazidos de outras filiais e ainda há planos de contratação para o país.
O executivo afirmou que focar uma clientela global, que pensa internacionalmente, é parte da estratégia do banco.
Pandit citou também a possibilidade de oferecer serviços e produtos, como cartões de crédito, a uma classe média crescente nesses países emergentes, mas as operações de varejo receberam menos atenção em seu discurso.
No primeiro trimestre do ano, metade dos lucros no segmento Citicorp - que inclui as unidades de banco de varejo e banco de investimentos do grupo - veio dos mercados emergentes.
Apostar nesses mercados, de acordo com Pandit, é um segundo passo na estratégia da companhia, que passa por um processo de transformação nos últimos dois anos. A primeira etapa foi a organização financeira, já superada, segundo ele: "Nós estamos extremamente bem capitalizados".
No cenário brasileiro e de outros países emergentes, Pandit considerou que a inflação é uma questão com a qual se preocupar, com muitos operando na capacidade máxima ou acima dela. Ele vê, entretanto, uma oportunidade de negócio na situação macroeconômica brasileira, ao mirar a outra face do excesso de demanda: a escassez de oferta. "O crescimento é completamente dependente de resolver a questão da oferta no Brasil. A quantidade necessária de investimentos será enorme nos anos que virão", afirmou Pandit.
O Citigroup conta com as iniciativas das empresas no sentido de aumentar a capacidade produtiva para fomentar seus negócios no país. "O atendimento ao segmento coorporativo é uma parte crítica da nossa estratégia. As companhias não vão levantar o capital que precisam por bancos convencionais, vão ter que recorrer a um conjunto mais amplo de possibilidades", disse o CEO, considerando que o banco está capacitado para oferecer esses serviços.
Para o curto prazo, enquanto a capacidade produtiva não alcança a demanda, o executivo considerou que as autoridades monetárias brasileiras "estão endereçando corretamente a inflação" e que a pressão de preços não coloca em risco o crescimento brasileiro e, consequentemente, do banco: "Não é uma questão de crescer ou não, é de quantas oportunidades o Brasil vai aproveitar e a que passo".
Sem escala para competir com os grandes bancos locais de igual para igual e sem oportunidades relevantes de aquisição à disposição, o Citigroup parece ter deixado para trás a ideia de insistir numa estratégia para ganhar mercado no varejo bancário brasileiro. A julgar pelas palavras do CEO mundial do banco, Vikram Pandit, em passagem pelo Brasil para participar do Fórum Econômico Mundial, o foco agora são as empresas, principalmente as que pretendem internacionalizar seus negócios.
Em conversa com jornalistas, ontem, em São Paulo, as operações de varejo praticamente passaram ao largo da fala do executivo para definir a estratégia do banco no país. No varejo, o interesse é pelos cartões de crédito, setor em que a empresa atua com a respeitável Credicard, e pelo promissor mercado de financiamento da casa própria, para o qual o banco ainda parece não ter uma estratégia clara. "Nossa perspectiva é de que há muitas pessoas altamente qualificadas no Brasil que podem tomar crédito para comprar casas ou gerenciar suas finanças", disse Pandit. "A questão é como podemos contribuir para esse mercado", completou.
Numa iniciativa semelhante a de outros bancos com uma plataforma de negócios global, como o HSBC, o Citi, terceiro maior banco dos EUA, quer tirar proveito do crescente fluxo de capitais e mercadorias entre os países emergentes. "Estamos completamente focados nisso. Somos o único banco na Ásia, América Latina, África e leste da Europa com tamanho suficiente para conectar esses mercados emergentes", disse o CEO.
Nos planos do Citigroup para o Brasil, o destaque maior fica com as grandes companhias com planos de internacionalização. "O número de multinacionais brasileiras tem crescido e podemos auxiliar com nossas plataformas de comercialização global." Empreendedores menores, que desejam se conectar com a América Latina e outros países do mundo, também estão na mira.
Nos últimos cinco anos, o Citigroup dobrou o número de funcionários no país e, somente no mês passado, 340 pessoas foram contratadas. Segundo Pandit, alguns executivos foram trazidos de outras filiais e ainda há planos de contratação para o país.
O executivo afirmou que focar uma clientela global, que pensa internacionalmente, é parte da estratégia do banco.
Pandit citou também a possibilidade de oferecer serviços e produtos, como cartões de crédito, a uma classe média crescente nesses países emergentes, mas as operações de varejo receberam menos atenção em seu discurso.
No primeiro trimestre do ano, metade dos lucros no segmento Citicorp - que inclui as unidades de banco de varejo e banco de investimentos do grupo - veio dos mercados emergentes.
Apostar nesses mercados, de acordo com Pandit, é um segundo passo na estratégia da companhia, que passa por um processo de transformação nos últimos dois anos. A primeira etapa foi a organização financeira, já superada, segundo ele: "Nós estamos extremamente bem capitalizados".
No cenário brasileiro e de outros países emergentes, Pandit considerou que a inflação é uma questão com a qual se preocupar, com muitos operando na capacidade máxima ou acima dela. Ele vê, entretanto, uma oportunidade de negócio na situação macroeconômica brasileira, ao mirar a outra face do excesso de demanda: a escassez de oferta. "O crescimento é completamente dependente de resolver a questão da oferta no Brasil. A quantidade necessária de investimentos será enorme nos anos que virão", afirmou Pandit.
O Citigroup conta com as iniciativas das empresas no sentido de aumentar a capacidade produtiva para fomentar seus negócios no país. "O atendimento ao segmento coorporativo é uma parte crítica da nossa estratégia. As companhias não vão levantar o capital que precisam por bancos convencionais, vão ter que recorrer a um conjunto mais amplo de possibilidades", disse o CEO, considerando que o banco está capacitado para oferecer esses serviços.
Para o curto prazo, enquanto a capacidade produtiva não alcança a demanda, o executivo considerou que as autoridades monetárias brasileiras "estão endereçando corretamente a inflação" e que a pressão de preços não coloca em risco o crescimento brasileiro e, consequentemente, do banco: "Não é uma questão de crescer ou não, é de quantas oportunidades o Brasil vai aproveitar e a que passo".
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13 de abr. de 2011
NEGÓCIO FINANCIADO
jornal Folha de S. Paulo 13/04/2011 – Mercado Aberto
Os contratos de financiamento imobiliário firmados por pessoas jurídicas cresceram 933% no Banco do Brasil entre o primeiro trimestre do ano passado e o mesmo período de 2011.
Os valores concedidos passaram de R$ 52,5 milhões para R$ 575 milhões.
Só em março foram contratadas operações no valor de R$ 358 milhões, de acordo com o banco.
O Bradesco registrou crescimento de 40,9% no crédito imobiliário para empresas no ano passado em relação a 2009. O total movimentado chegou a R$ 6,2 bilhões.
O Santander, por sua vez, movimentou R$ 5,4 bilhões em 2010, com aumento anual de 39,7%.
O valor financiado pelo Itaú Unibanco para o segmento, também no ano passado, cresceu 59,2% e chegou a R$ 5,2 bilhões.
O crescimento do crédito imobiliário para pessoas jurídicas no Itaú Unibanco foi superior ao registrado para pessoas físicas, que foi de 53,7% no ano passado, segundo dados do banco.
Os contratos de financiamento imobiliário firmados por pessoas jurídicas cresceram 933% no Banco do Brasil entre o primeiro trimestre do ano passado e o mesmo período de 2011.
Os valores concedidos passaram de R$ 52,5 milhões para R$ 575 milhões.
Só em março foram contratadas operações no valor de R$ 358 milhões, de acordo com o banco.
O Bradesco registrou crescimento de 40,9% no crédito imobiliário para empresas no ano passado em relação a 2009. O total movimentado chegou a R$ 6,2 bilhões.
O Santander, por sua vez, movimentou R$ 5,4 bilhões em 2010, com aumento anual de 39,7%.
O valor financiado pelo Itaú Unibanco para o segmento, também no ano passado, cresceu 59,2% e chegou a R$ 5,2 bilhões.
O crescimento do crédito imobiliário para pessoas jurídicas no Itaú Unibanco foi superior ao registrado para pessoas físicas, que foi de 53,7% no ano passado, segundo dados do banco.
23 de mar. de 2011
BANCO IMOBILIÁRIO
jornal Folha de S. Paulo 23/03/2011 – Mercado Aberto
A carteira de crédito imobiliário do Banco do Brasil chegou a R$ 4 bilhões. O valor considera negócios com pessoas físicas (83%) e jurídicas (17%), e representa de 107% em 12 meses.
"A expectativa é dobrar essa carteira em relação ao final de 2010 e atingir R$ 7 bilhões até dezembro", diz o vice-presidente Paulo Rogério Caffarelli. O banco está em quinto lugar nesse mercado e planeja subir duas posições até o final de 2014.
Segundo Caffarelli, "o banco pretende aumentar a oferta do crédito para médias e grandes construtoras e incorporadoras, além de lançar novas linhas de financiamento para pessoa física, como o financiamento à construção de imóveis e o financiamento". "Queremos também crescer no crédito para pessoa jurídica."
A carteira de crédito imobiliário do Banco do Brasil chegou a R$ 4 bilhões. O valor considera negócios com pessoas físicas (83%) e jurídicas (17%), e representa de 107% em 12 meses.
"A expectativa é dobrar essa carteira em relação ao final de 2010 e atingir R$ 7 bilhões até dezembro", diz o vice-presidente Paulo Rogério Caffarelli. O banco está em quinto lugar nesse mercado e planeja subir duas posições até o final de 2014.
Segundo Caffarelli, "o banco pretende aumentar a oferta do crédito para médias e grandes construtoras e incorporadoras, além de lançar novas linhas de financiamento para pessoa física, como o financiamento à construção de imóveis e o financiamento". "Queremos também crescer no crédito para pessoa jurídica."
15 de mar. de 2011
SULAMÉRICA CRESCE EM SEGURO HABITACIONAL
jornal DCI 15/03/2011 - Marcelle Gutierrez
Com as novas regras do seguro habitacional, obrigatório para quem contrata financiamento imobiliário pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), os negócios das seguradoras neste segmento foram impulsionados. Ao mesmo tempo, segundo especialistas, o problema da venda casada persiste, já que a real competitividade não é observada na prática. A Caixa Seguros detém 73% do total do mercado e a SulAmérica Seguros é a segunda opção em financiamentos pela Caixa Econômica Federal.
Desde fevereiro de 2010 - quanto entraram em vigor, por determinação do Banco Central, as Resoluções 3.811/09, do CMN (Conselho Monetário Nacional) e 205, da CNSP (Comissão Nacional de Seguros Privados), da Lei Federal 11.977/09 - os bancos são obrigados a oferecer, no mínimo, duas opções de apólices, sendo que, pelo menos uma das seguradoras não seja ligada ao mesmo grupo. Caso seja do interesse do consumidor, o banco ainda precisa aceitar uma terceira opção de apólice. Anteriormente, o cliente era obrigado a contratar o seguro habitacional oferecido pelo mesmo banco que lhe concedia o financiamento imobiliário, o que configura venda casada.
"As resoluções permitiram a concorrência entre as seguradoras e deram a opção ao cliente de escolher a melhor. Além das coberturas básicas, lançamos novos produtos para nos diferenciar no mercado, como o serviço de assistência 24 horas e os sorteios semanais de R$ 5 mil", declarou Lúcia Tavares, superintendente de seguro habitacional da Caixa Seguros. O seguro habitacional oferece obrigatoriamente quitação total do imóvel em caso de morte ou invalidez e cobertura para danos físicos ao imóvel, no caso de incêndio, por exemplo.
A liderança da empresa no setor é confirmada pelo faturamento de R$ 811 milhões em 2010 só neste segmento, o que corresponde a 13% do total arrecadado pelo grupo. "A Caixa Seguros é líder há alguns anos, sendo que possuímos 73% do mercado total habitacional", ressaltou Lúcia. A Caixa Seguros atua, preferencialmente, com financiamentos realizados pela CEF.
A SulAmérica Seguros e Previdência é a segunda opção em financiamentos realizados pela Caixa . "As novas regras trouxeram para as seguradoras a necessidade de estarem preparadas para o mercado. A competitividade gera inovação e um novo olhar ", declarou Sérgio de Sousa, superintendente de massificados da SulAmérica. Em 2010, a seguradora registrou lucro líquido de R$ 614 milhões, com crescimento total de 48,5% em relação a 2009.
Segundo David Nigri, advogado tributarista e especialista em mercado de seguros, a livre concorrência não é observada na prática. "A grande discussão da venda casada continua. Em financiamentos realizados pela Caixa , somente a Caixa Seguros e a SulAmérica estão qualificadas. Quando o cliente pede uma terceira opção, as exigências são grandes e essa outra seguradora não consegue se habilitar no Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Como o consumidor precisa do financiamento urgente, desiste e aceita as primeiras alternativas ", afirma.
Outro problema do seguro habitacional, segundo o especialista, é o atendimento. "Nesse novo sistema, o papel do corretor foi eliminado. O consumidor contrata a apólice e não há mais o contato pessoal. Se houvesse o corretor, seria possível a reclamação direta", relembrou Nigri.
Ao ser questionada sobre os investimentos da Caixa Seguros para 2011, Lúcia Tavares ressalta o atendimento ao cliente. "Já estamos enviando a todos os assegurados informações atualizadas sobre a apólice, cobertura, etc. Também vamos ampliar o atendimento ao cliente por telefone e online", disse a executiva.
Com as novas regras do seguro habitacional, obrigatório para quem contrata financiamento imobiliário pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), os negócios das seguradoras neste segmento foram impulsionados. Ao mesmo tempo, segundo especialistas, o problema da venda casada persiste, já que a real competitividade não é observada na prática. A Caixa Seguros detém 73% do total do mercado e a SulAmérica Seguros é a segunda opção em financiamentos pela Caixa Econômica Federal.
Desde fevereiro de 2010 - quanto entraram em vigor, por determinação do Banco Central, as Resoluções 3.811/09, do CMN (Conselho Monetário Nacional) e 205, da CNSP (Comissão Nacional de Seguros Privados), da Lei Federal 11.977/09 - os bancos são obrigados a oferecer, no mínimo, duas opções de apólices, sendo que, pelo menos uma das seguradoras não seja ligada ao mesmo grupo. Caso seja do interesse do consumidor, o banco ainda precisa aceitar uma terceira opção de apólice. Anteriormente, o cliente era obrigado a contratar o seguro habitacional oferecido pelo mesmo banco que lhe concedia o financiamento imobiliário, o que configura venda casada.
"As resoluções permitiram a concorrência entre as seguradoras e deram a opção ao cliente de escolher a melhor. Além das coberturas básicas, lançamos novos produtos para nos diferenciar no mercado, como o serviço de assistência 24 horas e os sorteios semanais de R$ 5 mil", declarou Lúcia Tavares, superintendente de seguro habitacional da Caixa Seguros. O seguro habitacional oferece obrigatoriamente quitação total do imóvel em caso de morte ou invalidez e cobertura para danos físicos ao imóvel, no caso de incêndio, por exemplo.
A liderança da empresa no setor é confirmada pelo faturamento de R$ 811 milhões em 2010 só neste segmento, o que corresponde a 13% do total arrecadado pelo grupo. "A Caixa Seguros é líder há alguns anos, sendo que possuímos 73% do mercado total habitacional", ressaltou Lúcia. A Caixa Seguros atua, preferencialmente, com financiamentos realizados pela CEF.
A SulAmérica Seguros e Previdência é a segunda opção em financiamentos realizados pela Caixa . "As novas regras trouxeram para as seguradoras a necessidade de estarem preparadas para o mercado. A competitividade gera inovação e um novo olhar ", declarou Sérgio de Sousa, superintendente de massificados da SulAmérica. Em 2010, a seguradora registrou lucro líquido de R$ 614 milhões, com crescimento total de 48,5% em relação a 2009.
Segundo David Nigri, advogado tributarista e especialista em mercado de seguros, a livre concorrência não é observada na prática. "A grande discussão da venda casada continua. Em financiamentos realizados pela Caixa , somente a Caixa Seguros e a SulAmérica estão qualificadas. Quando o cliente pede uma terceira opção, as exigências são grandes e essa outra seguradora não consegue se habilitar no Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Como o consumidor precisa do financiamento urgente, desiste e aceita as primeiras alternativas ", afirma.
Outro problema do seguro habitacional, segundo o especialista, é o atendimento. "Nesse novo sistema, o papel do corretor foi eliminado. O consumidor contrata a apólice e não há mais o contato pessoal. Se houvesse o corretor, seria possível a reclamação direta", relembrou Nigri.
Ao ser questionada sobre os investimentos da Caixa Seguros para 2011, Lúcia Tavares ressalta o atendimento ao cliente. "Já estamos enviando a todos os assegurados informações atualizadas sobre a apólice, cobertura, etc. Também vamos ampliar o atendimento ao cliente por telefone e online", disse a executiva.
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9 de mar. de 2011
CAIXA IMPLANTA MODELO AUTOMATIZADO DE APROVAÇÃO DE CRÉDITO EM IMOBILIÁRIAS PARCEIRAS
jornal O Globo 09/03/2011
Seguindo a estratégia de expansão do projeto de correspondentes negociais, que já conta com 296 parceiros na cidade do Rio, a Caixa Econômica está implantando o chamado "modelo automatizado de crédito imobiliário". A ideia é dar mais agilidade à avaliação de risco de crédito e à consequente aprovação, ou não, dos financiamentos habitacionais. Todas as informações do candidato a mutuário são transmitidas pela corretora para o banco via web, tornando o processo mais rápido.
O comprador só tem de ir a uma agência da Caixa num último momento do processo, para que o gerente do banco assine o contrato. Por enquanto, no Rio, 12 imobiliárias estão começando a operar como piloto desse novo formato de correspondente. No Brasil, já são 585 atuando no modelo automatizado. De acordo com a superintendente regional da Caixa no Rio, Nelma Tavares, o projeto deverá ser expandido para todas as parceiras.
— A ideia é que funcione como o crédito para a compra de automóveis, em que o cliente resolve tudo na loja. A expectativa é atingir um número maior de pessoas, dobrando o volume de financiamentos por correspondente.
O novo modelo, segundo a Caixa, contribui para a redução de custos e agilização do processo, uma vez que toda a parte operacional é repassada ao correspondente e não induz a retrabalhos nas agências da instituição. Se toda a documentação estiver correta, a aprovação do financiamento poderá ser feita em 48 horas. Mas nenhum dos critérios do banco será flexibilizado no processo: toda avaliação de risco, da capacidade de pagamento e do imóvel continuam a cargo da Caixa, o que é considerado essencial para garantir a baixa inadimplência na habitação.
Seguindo a estratégia de expansão do projeto de correspondentes negociais, que já conta com 296 parceiros na cidade do Rio, a Caixa Econômica está implantando o chamado "modelo automatizado de crédito imobiliário". A ideia é dar mais agilidade à avaliação de risco de crédito e à consequente aprovação, ou não, dos financiamentos habitacionais. Todas as informações do candidato a mutuário são transmitidas pela corretora para o banco via web, tornando o processo mais rápido.
O comprador só tem de ir a uma agência da Caixa num último momento do processo, para que o gerente do banco assine o contrato. Por enquanto, no Rio, 12 imobiliárias estão começando a operar como piloto desse novo formato de correspondente. No Brasil, já são 585 atuando no modelo automatizado. De acordo com a superintendente regional da Caixa no Rio, Nelma Tavares, o projeto deverá ser expandido para todas as parceiras.
— A ideia é que funcione como o crédito para a compra de automóveis, em que o cliente resolve tudo na loja. A expectativa é atingir um número maior de pessoas, dobrando o volume de financiamentos por correspondente.
O novo modelo, segundo a Caixa, contribui para a redução de custos e agilização do processo, uma vez que toda a parte operacional é repassada ao correspondente e não induz a retrabalhos nas agências da instituição. Se toda a documentação estiver correta, a aprovação do financiamento poderá ser feita em 48 horas. Mas nenhum dos critérios do banco será flexibilizado no processo: toda avaliação de risco, da capacidade de pagamento e do imóvel continuam a cargo da Caixa, o que é considerado essencial para garantir a baixa inadimplência na habitação.
2 de mar. de 2011
APESAR DO CORTE, BANCOS PRIORIZAM HABITAÇÃO
jornal DCI 02/03/2011 - Flávia Milhassi
O corte de R$ 5,1 bilhões no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, promovido nessa semana pelo governo federal não trará impactos negativos nas carteiras de créditos dos bancos - os maiores fornecedores de crédito ao setor no País.
O segmento, que este ano será puxado pelo setor imobiliário com um volume maior de contratações feita por pessoa jurídica, permanecerá inalterado. A sinalização veio dos bancos de grande porte procurados pela reportagem do DCI.
Para Marcello Gomella, professor da Universidade Anhembi Morumbi, o corte nada mais é que uma forma de o governo justificar os gastos e só foi empregado no programa habitacional, porque o Brasil conta com outras ferramentas para acabar com o déficit habitacional. "O governo tem de dar uma resposta à população sobre os seus gastos. Mas, o setor da construção civil continuará a crescer", afirma.
O especialista diz que um dos fatores que pode ter levado o governo a intervir no programa foi a falta de espaço para a construção dessas residências. "O governo enfrenta a falta de terrenos para suprir a demanda criada no passado", diz Gomella, acrescentando que investimentos no setor não faltarão. "O crédito existe em abundância, e recursos como o Fundo de Garantia e os consórcios podem segurar o setor", diz.
A Caixa Econômica Federal, ao divulgar o balanço com os resultados do quarto trimestre, informou que a projeção para a carteira de crédito da instituição é de crescimento de 30%. Procurada pelo DCI para comentar as possíveis consequências do corte, a Caixa preferiu não se pronunciar sobre o assunto. No ano passado, o banco foi responsável por 44,6% dos financiamentos de imóveis usados no Estado de São Paulo, sendo líder no mercado segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP). Neste ano, a Caixa entregará 573 mil moradias nova adquiridas pelo Minha Casa Minha Vida.
Gomello, quando questionado sobre o impacto do corte no Caixa, afirmou que será algo pequeno e o banco não sentirá a queda. "A Caixa continuará sendo a maior provedora de crédito habitacional. Isso não vai mudar, o que será sentido é uma menor atividade do setor", afirma.
O Itaú Unibanco, que manifestou a intenção de explorar esse nicho do mercado de crédito, acredita no potencial do setor imobiliário. Em encontro recente com a imprensa, o presidente da instituição Roberto Setubal, afirmou que o mercado tem espaço para crescer. "Crédito Imobiliário no Brasil corresponde a 3% do Produto Interno Bruto [PIB], enquanto em outros países chega a 20% do PIB. Isso significa que existe um grande espaço para crescimento", afirmou.
O Bradesco também mantém as projeções de crescimento de 19% em sua carteira de crédito para este ano, baseado na pessoa jurídica, que não será afetada com o corte orçamentário, visto que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida é destinado a pessoa física de baixa renda.
Segundo o banco, os cortes não interferem em nada nas operações de crédito da instituição e que mantém as projeções para 2011. O Banco do Brasil analisa os impactos das medidas e não quis se pronunciar sobre o assunto.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta para 2011 expansão de 51% no volume financeiro de financiamento de imóveis, por meio do Sistema de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Os dados da associação vão de encontro com as previsões de mercado esperadas para este ano. Gomella ressaltou a saúde financeira das empresas de construção, que recentemente fizeram Oferta Pública Inicial (IPO da sigla em inglês), que significa dinheiro em caixa para progredir ao longo deste ano. "Construtoras listadas na BM&F Bovespa fizeram IPO recentemente para arrecadar capital, os bancos estão sempre em perfeita ordem financeira, então esse medida não abalará nem o mercado financeiro, nem o imobiliário", diz.
No caso do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), o presidente Rubens Bordini, disse que pretende conseguir expansão de até 25% na carteira de crédito imobiliário do banco, passando a R$ 1,5 bilhão em 2011.
O corte de R$ 5,1 bilhões no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, promovido nessa semana pelo governo federal não trará impactos negativos nas carteiras de créditos dos bancos - os maiores fornecedores de crédito ao setor no País.
O segmento, que este ano será puxado pelo setor imobiliário com um volume maior de contratações feita por pessoa jurídica, permanecerá inalterado. A sinalização veio dos bancos de grande porte procurados pela reportagem do DCI.
Para Marcello Gomella, professor da Universidade Anhembi Morumbi, o corte nada mais é que uma forma de o governo justificar os gastos e só foi empregado no programa habitacional, porque o Brasil conta com outras ferramentas para acabar com o déficit habitacional. "O governo tem de dar uma resposta à população sobre os seus gastos. Mas, o setor da construção civil continuará a crescer", afirma.
O especialista diz que um dos fatores que pode ter levado o governo a intervir no programa foi a falta de espaço para a construção dessas residências. "O governo enfrenta a falta de terrenos para suprir a demanda criada no passado", diz Gomella, acrescentando que investimentos no setor não faltarão. "O crédito existe em abundância, e recursos como o Fundo de Garantia e os consórcios podem segurar o setor", diz.
A Caixa Econômica Federal, ao divulgar o balanço com os resultados do quarto trimestre, informou que a projeção para a carteira de crédito da instituição é de crescimento de 30%. Procurada pelo DCI para comentar as possíveis consequências do corte, a Caixa preferiu não se pronunciar sobre o assunto. No ano passado, o banco foi responsável por 44,6% dos financiamentos de imóveis usados no Estado de São Paulo, sendo líder no mercado segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP). Neste ano, a Caixa entregará 573 mil moradias nova adquiridas pelo Minha Casa Minha Vida.
Gomello, quando questionado sobre o impacto do corte no Caixa, afirmou que será algo pequeno e o banco não sentirá a queda. "A Caixa continuará sendo a maior provedora de crédito habitacional. Isso não vai mudar, o que será sentido é uma menor atividade do setor", afirma.
O Itaú Unibanco, que manifestou a intenção de explorar esse nicho do mercado de crédito, acredita no potencial do setor imobiliário. Em encontro recente com a imprensa, o presidente da instituição Roberto Setubal, afirmou que o mercado tem espaço para crescer. "Crédito Imobiliário no Brasil corresponde a 3% do Produto Interno Bruto [PIB], enquanto em outros países chega a 20% do PIB. Isso significa que existe um grande espaço para crescimento", afirmou.
O Bradesco também mantém as projeções de crescimento de 19% em sua carteira de crédito para este ano, baseado na pessoa jurídica, que não será afetada com o corte orçamentário, visto que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida é destinado a pessoa física de baixa renda.
Segundo o banco, os cortes não interferem em nada nas operações de crédito da instituição e que mantém as projeções para 2011. O Banco do Brasil analisa os impactos das medidas e não quis se pronunciar sobre o assunto.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta para 2011 expansão de 51% no volume financeiro de financiamento de imóveis, por meio do Sistema de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Os dados da associação vão de encontro com as previsões de mercado esperadas para este ano. Gomella ressaltou a saúde financeira das empresas de construção, que recentemente fizeram Oferta Pública Inicial (IPO da sigla em inglês), que significa dinheiro em caixa para progredir ao longo deste ano. "Construtoras listadas na BM&F Bovespa fizeram IPO recentemente para arrecadar capital, os bancos estão sempre em perfeita ordem financeira, então esse medida não abalará nem o mercado financeiro, nem o imobiliário", diz.
No caso do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), o presidente Rubens Bordini, disse que pretende conseguir expansão de até 25% na carteira de crédito imobiliário do banco, passando a R$ 1,5 bilhão em 2011.
17 de fev. de 2011
CRÉDITO PARA PESSOA FÍSICA LIDERA EXPANSÃO NA CARTEIRA DO BB EM 2010
portal Economia & Negócios 17/02/2011 - Altamiro Silva Júnior (Agência Estado)
Os empréstimos para pessoas físicas foram o destaque de crescimento na carteira de crédito do Banco do Brasil no ano de 2010. Os financiamento liberados para o segmento tiveram crescimento de 23,2% em um ano e de 5,3% no trimestre e a carteira encerrou em R$ 113 bilhões, nível recorde. Na pessoa jurídica, a carteira evoluiu 19,5% em 12 meses e 6,6% ante setembro de 2010, somando R$ 149,8 bilhões em dezembro de 2010.
Na pessoa física, um dos destaques foi o crédito consignado que teve expansão de 23% e chegou a saldo de R$ 45 bilhões. O crédito imobiliário fechou o ano em R$ 3 bilhões e expansão de 92,8% em 12 meses. As operações de financiamento a veículos totalizaram R$ 27,4 bilhões ao final de dezembro, crescimento de 32,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O segmento de pessoas jurídicas teve como um dos destaques as micro, pequenas e médias empresas (MPE). O crédito a MPE registrou expansão de 13,3% em 12 meses e 5% no trimestre, com saldo de R$ 50,9 bilhões. O BB destaca a expansão de 6,2% nas operações de capital de giro.
No agronegócio, o saldo da carteira atingiu R$ 75 bilhões, crescimento de 12,9% em 12 meses. Esse total corresponde, segundo o BB, a 60,6% de todo o crédito bancário ao agronegócio no País e a 20,9% de toda a carteira de crédito do BB.
As operações de crédito e o resultado de operações com títulos e valores mobiliários responderam juntas por mais de 94% das receitas de intermediação financeira, que cresceram 24,3% no ano passado, de R$ 65,329 bilhões em 2009 para R$ 81,209 bilhões em 2010.
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 4,277 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 4,3% ante o trimestre anterior e de 17,2% em relação ao quarto trimestre de 2009. Em 2010, elas totalizaram R$ 15,868 bilhões, alta de 17,4%. Os segmentos que mais contribuíram para a expansão das receitas foram os cartões de crédito, banco de investimento e seguros.
Inadimplência
O Banco do Brasil encerrou dezembro com taxa de inadimplência de 2,3%, considerando os atrasos acima de 90 dias. No final de 2009, o indicador estava em 3,3% e em setembro de 2010, em 2,7%.
Além da melhora do nível de emprego e da renda da população, o BB atribui à queda do indicador a sua estratégia de apostar em linhas de crédito de menor risco, como o financiamento imobiliário, onde a garantia é o imóvel, e o empréstimo consignado, com desconto das parcelas em folha de pagamento.
Em meio à redução dos calotes, o BB também conseguiu reduzir as despesas com provisões para devedores duvidoso (PDD). Elas somaram R$ 2,1 bilhões no quarto trimestre, queda de 27,4% ante o mesmo período do ano anterior. Considerando o exercício de 2010, as despesas com PDD ficaram em R$ 10,7 bilhões, contra R$ 11,6 bilhões do ano anterior. O saldo total das provisões encerrou o quarto trimestre em R$ 17,315 bilhões, o que proporciona cobertura de 212,1% das operações vencidas há mais de 90 dias.
O BB também aumentou a recuperação de créditos que já estavam baixados como prejuízo por meio de sua estrutura de cobrança. No ano de 2010, foram recuperados R$ 3,3 bilhões desses créditos, montante 22,7% superior ao recuperado em 2009.
Os empréstimos para pessoas físicas foram o destaque de crescimento na carteira de crédito do Banco do Brasil no ano de 2010. Os financiamento liberados para o segmento tiveram crescimento de 23,2% em um ano e de 5,3% no trimestre e a carteira encerrou em R$ 113 bilhões, nível recorde. Na pessoa jurídica, a carteira evoluiu 19,5% em 12 meses e 6,6% ante setembro de 2010, somando R$ 149,8 bilhões em dezembro de 2010.
Na pessoa física, um dos destaques foi o crédito consignado que teve expansão de 23% e chegou a saldo de R$ 45 bilhões. O crédito imobiliário fechou o ano em R$ 3 bilhões e expansão de 92,8% em 12 meses. As operações de financiamento a veículos totalizaram R$ 27,4 bilhões ao final de dezembro, crescimento de 32,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O segmento de pessoas jurídicas teve como um dos destaques as micro, pequenas e médias empresas (MPE). O crédito a MPE registrou expansão de 13,3% em 12 meses e 5% no trimestre, com saldo de R$ 50,9 bilhões. O BB destaca a expansão de 6,2% nas operações de capital de giro.
No agronegócio, o saldo da carteira atingiu R$ 75 bilhões, crescimento de 12,9% em 12 meses. Esse total corresponde, segundo o BB, a 60,6% de todo o crédito bancário ao agronegócio no País e a 20,9% de toda a carteira de crédito do BB.
As operações de crédito e o resultado de operações com títulos e valores mobiliários responderam juntas por mais de 94% das receitas de intermediação financeira, que cresceram 24,3% no ano passado, de R$ 65,329 bilhões em 2009 para R$ 81,209 bilhões em 2010.
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 4,277 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 4,3% ante o trimestre anterior e de 17,2% em relação ao quarto trimestre de 2009. Em 2010, elas totalizaram R$ 15,868 bilhões, alta de 17,4%. Os segmentos que mais contribuíram para a expansão das receitas foram os cartões de crédito, banco de investimento e seguros.
Inadimplência
O Banco do Brasil encerrou dezembro com taxa de inadimplência de 2,3%, considerando os atrasos acima de 90 dias. No final de 2009, o indicador estava em 3,3% e em setembro de 2010, em 2,7%.
Além da melhora do nível de emprego e da renda da população, o BB atribui à queda do indicador a sua estratégia de apostar em linhas de crédito de menor risco, como o financiamento imobiliário, onde a garantia é o imóvel, e o empréstimo consignado, com desconto das parcelas em folha de pagamento.
Em meio à redução dos calotes, o BB também conseguiu reduzir as despesas com provisões para devedores duvidoso (PDD). Elas somaram R$ 2,1 bilhões no quarto trimestre, queda de 27,4% ante o mesmo período do ano anterior. Considerando o exercício de 2010, as despesas com PDD ficaram em R$ 10,7 bilhões, contra R$ 11,6 bilhões do ano anterior. O saldo total das provisões encerrou o quarto trimestre em R$ 17,315 bilhões, o que proporciona cobertura de 212,1% das operações vencidas há mais de 90 dias.
O BB também aumentou a recuperação de créditos que já estavam baixados como prejuízo por meio de sua estrutura de cobrança. No ano de 2010, foram recuperados R$ 3,3 bilhões desses créditos, montante 22,7% superior ao recuperado em 2009.
16 de fev. de 2011
ITAÚ MUDA COMANDO DO VAREJO: SAI CARBONE E ENTRA BONOMI
jornal Valor Econômico 16/02/2011 - Vanessa Adachi e Aline Lima
O Itaú Unibanco mudou na segunda-feira o comando de toda a sua operação de varejo. Menos de três anos após ter sido nomeado para assumir o comando de todas as operações de varejo, Geraldo Carbone, vice-presidente sênior, deixa a instituição junto com o diretor executivo João Jacó Hazarabedian. Carbone foi presidente do BankBoston, adquirido pelo Itaú em 2006. No lugar dele entra Marco Bonomi, que até então ocupava a vice-presidência de crédito imobiliário e financiamento de veículos do Itaú. A carteira de crédito imobiliário continuará sob a responsabilidade de Bonomi, e a Itaucred Veículos passará a ficar aos cuidados do sócio Luiz Otávio Matias, que de diretor foi provido a vice-presidente.
Em carta enviada a executivos na segunda-feira, 14 de fevereiro, o presidente Roberto Setubal afirma que, concluída a integração operacional, seria preciso pensar nos desafios que o banco terá pela frente, especialmente na área de pessoas físicas. Ele acrescenta ainda que é necessário repensar a forma de atuação do Itaú para que a instituição se adapte às mudanças que houve no Brasil nesses últimos anos, destacando que "não há tempo a perder pois os nossos concorrentes estão avançando também".
Bonomi assumirá as responsabilidades pela área de pessoas físicas com o desafio de tornar a operação "o melhor e mais moderno banco para pessoas físicas do planeta", disse Setubal. "Temos que sonhar grande!" No mesmo comunicado, ele lista algumas prioridades: (1) performance sustentável; (2) criar o máximo de valor para o banco através da melhor oferta do mercado para o cliente; (3) melhorar o índice de eficiência do banco, que significa também praticar meritocracia totalmente baseada no "Nosso Jeito de Fazer" - um conjunto de dez princípios que norteia o trabalho na organização, lançado no ano passado. A divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2010 do Itaú Unibanco está marcada para o dia 22.
A saída de Carbone e Hazarabedian foi feita em comum acordo, segundo a carta enviada por Setubal. "Considero-os amigos, relaciono-me com eles fora do banco, e pretendo continuar desfrutando dessas amizades", escreveu o presidente. Setubal deixa transparecer uma proximidade maior com Hazarabedian. "Confesso que não foi fácil chegar a essa decisão, afinal de contas o João trabalha próximo de mim há 30 anos."
O Itaú Unibanco mudou na segunda-feira o comando de toda a sua operação de varejo. Menos de três anos após ter sido nomeado para assumir o comando de todas as operações de varejo, Geraldo Carbone, vice-presidente sênior, deixa a instituição junto com o diretor executivo João Jacó Hazarabedian. Carbone foi presidente do BankBoston, adquirido pelo Itaú em 2006. No lugar dele entra Marco Bonomi, que até então ocupava a vice-presidência de crédito imobiliário e financiamento de veículos do Itaú. A carteira de crédito imobiliário continuará sob a responsabilidade de Bonomi, e a Itaucred Veículos passará a ficar aos cuidados do sócio Luiz Otávio Matias, que de diretor foi provido a vice-presidente.
Em carta enviada a executivos na segunda-feira, 14 de fevereiro, o presidente Roberto Setubal afirma que, concluída a integração operacional, seria preciso pensar nos desafios que o banco terá pela frente, especialmente na área de pessoas físicas. Ele acrescenta ainda que é necessário repensar a forma de atuação do Itaú para que a instituição se adapte às mudanças que houve no Brasil nesses últimos anos, destacando que "não há tempo a perder pois os nossos concorrentes estão avançando também".
Bonomi assumirá as responsabilidades pela área de pessoas físicas com o desafio de tornar a operação "o melhor e mais moderno banco para pessoas físicas do planeta", disse Setubal. "Temos que sonhar grande!" No mesmo comunicado, ele lista algumas prioridades: (1) performance sustentável; (2) criar o máximo de valor para o banco através da melhor oferta do mercado para o cliente; (3) melhorar o índice de eficiência do banco, que significa também praticar meritocracia totalmente baseada no "Nosso Jeito de Fazer" - um conjunto de dez princípios que norteia o trabalho na organização, lançado no ano passado. A divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2010 do Itaú Unibanco está marcada para o dia 22.
A saída de Carbone e Hazarabedian foi feita em comum acordo, segundo a carta enviada por Setubal. "Considero-os amigos, relaciono-me com eles fora do banco, e pretendo continuar desfrutando dessas amizades", escreveu o presidente. Setubal deixa transparecer uma proximidade maior com Hazarabedian. "Confesso que não foi fácil chegar a essa decisão, afinal de contas o João trabalha próximo de mim há 30 anos."
15 de fev. de 2011
EXPLOSÃO DO CRÉDITO IMOBILIÁRIO FAZ GOVERNO REVER LEGISLAÇÃO DO SETOR
portal Extra 14/02/2011 - Geralda Doca e Martha Beck
O forte crescimento do crédito imobiliário no Brasil — que deve saltar dos atuais 3,8% para 10% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) até 2014 — vai obrigar o governo a rever o arcabouço jurídico que rege os financiamentos habitacionais no país. Técnicos da área econômica já começaram a estudar o que precisa ser aperfeiçoado para evitar riscos de desequilíbrio no mercado. A avaliação é que, embora o país não enfrente bolhas no crédito imobiliário, precisa estar preparado para o aumento do número de contratos, sobretudo com a chegada de 30 milhões de pessoas à classe média.
Algumas regras causam insegurança a bancos e mutuários. Um exemplo está na chamada Lei da Usura — decreto dos anos 30 que proíbe a cobrança de juros sobre juros. São comuns casos de pessoas que consideram seus contratos imobiliários abusivos pela forma como os juros são calculados e recorrem à Justiça com base nessa lei.
— Revogar o decreto e deixar claro que a capitalização de juros pode ser aplicada ao crédito imobiliário daria maior segurança aos bancos na hora de emprestar dinheiro — diz o especialista do setor imobiliário José Pereira.
Analista defende sistema único de matrícula do imóvel
Há problemas até mesmo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele define que um cliente tem direito a desconto quando quitar seu financiamento antecipadamente. Mas não está claro se isso é algo que possa ser aplicado na compra de imóveis, o que provoca interpretações dúbias por parte da Justiça.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin, é preciso estar alerta não apenas à forma como os juros são cobrados, mas também ao custo total.
— Nos contratos, estão embutidos juros, seguros e taxas cobradas pelos bancos. Muitas vezes, falta essa informação aos mutuários, que ficam sem chance de saber se há abusos — disse Tardin.
Mutuários também podem ter problemas após a compra do bem. Cada imóvel tem um número de matrícula que fica registrado em cartório, mas não há um sistema nacional que unifique os dados. Por isso, corre-se o risco de adquirir uma casa ou um apartamento e depois descobrir que o imóvel tem pendências em um outro estado.
— Por causa disso, levamos de 30 a 60 dias para fazer uma escritura ou um financiamento — afirmou Celso Petrucci, economista do Sindicato da Construção de São Paulo (Secovi).
Há dificuldades até mesmo com avanços que foram feitos na legislação nos últimos anos. O chamado patrimônio de afetação — criado para proteger empreendimentos na planta — ainda é pouco utilizado.
Já a alienação fiduciária, que facilita a retomada do imóvel em caso de inadimplência, tem sido usada por devedores na Justiça para manter a posse do bem. Uma brecha no CDC garante ao consumidor direito a reembolso de valores já pagos caso perca o que comprou.
Segundo um técnico da área econômica, ajustes serão feitos aos poucos para evitar insegurança no mercado. Ele lembrou que o problema relacionado à Lei da Usura, por exemplo, foi resolvida no Programa Minha Casa, Minha Vida, pois o governo definiu que a amortização de um contrato pode ser negociada entre banco e mutuário.
No caso do CDC, uma solução seria alterar o texto para deixar claro que a regra da alienação fiduciária não vale para contratos imobiliários.
No patrimônio de afetação, fontes do governo afirmam que a procura por financiamentos é tão grande que as construtoras não precisam convencer os mutuários a fechar contratos oferecendo mais segurança. Por isso, uma solução seria oferecer alguns incentivos a quem optar pelo patrimônio de afetação.
O forte crescimento do crédito imobiliário no Brasil — que deve saltar dos atuais 3,8% para 10% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) até 2014 — vai obrigar o governo a rever o arcabouço jurídico que rege os financiamentos habitacionais no país. Técnicos da área econômica já começaram a estudar o que precisa ser aperfeiçoado para evitar riscos de desequilíbrio no mercado. A avaliação é que, embora o país não enfrente bolhas no crédito imobiliário, precisa estar preparado para o aumento do número de contratos, sobretudo com a chegada de 30 milhões de pessoas à classe média.
Algumas regras causam insegurança a bancos e mutuários. Um exemplo está na chamada Lei da Usura — decreto dos anos 30 que proíbe a cobrança de juros sobre juros. São comuns casos de pessoas que consideram seus contratos imobiliários abusivos pela forma como os juros são calculados e recorrem à Justiça com base nessa lei.
— Revogar o decreto e deixar claro que a capitalização de juros pode ser aplicada ao crédito imobiliário daria maior segurança aos bancos na hora de emprestar dinheiro — diz o especialista do setor imobiliário José Pereira.
Analista defende sistema único de matrícula do imóvel
Há problemas até mesmo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele define que um cliente tem direito a desconto quando quitar seu financiamento antecipadamente. Mas não está claro se isso é algo que possa ser aplicado na compra de imóveis, o que provoca interpretações dúbias por parte da Justiça.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin, é preciso estar alerta não apenas à forma como os juros são cobrados, mas também ao custo total.
— Nos contratos, estão embutidos juros, seguros e taxas cobradas pelos bancos. Muitas vezes, falta essa informação aos mutuários, que ficam sem chance de saber se há abusos — disse Tardin.
Mutuários também podem ter problemas após a compra do bem. Cada imóvel tem um número de matrícula que fica registrado em cartório, mas não há um sistema nacional que unifique os dados. Por isso, corre-se o risco de adquirir uma casa ou um apartamento e depois descobrir que o imóvel tem pendências em um outro estado.
— Por causa disso, levamos de 30 a 60 dias para fazer uma escritura ou um financiamento — afirmou Celso Petrucci, economista do Sindicato da Construção de São Paulo (Secovi).
Há dificuldades até mesmo com avanços que foram feitos na legislação nos últimos anos. O chamado patrimônio de afetação — criado para proteger empreendimentos na planta — ainda é pouco utilizado.
Já a alienação fiduciária, que facilita a retomada do imóvel em caso de inadimplência, tem sido usada por devedores na Justiça para manter a posse do bem. Uma brecha no CDC garante ao consumidor direito a reembolso de valores já pagos caso perca o que comprou.
Segundo um técnico da área econômica, ajustes serão feitos aos poucos para evitar insegurança no mercado. Ele lembrou que o problema relacionado à Lei da Usura, por exemplo, foi resolvida no Programa Minha Casa, Minha Vida, pois o governo definiu que a amortização de um contrato pode ser negociada entre banco e mutuário.
No caso do CDC, uma solução seria alterar o texto para deixar claro que a regra da alienação fiduciária não vale para contratos imobiliários.
No patrimônio de afetação, fontes do governo afirmam que a procura por financiamentos é tão grande que as construtoras não precisam convencer os mutuários a fechar contratos oferecendo mais segurança. Por isso, uma solução seria oferecer alguns incentivos a quem optar pelo patrimônio de afetação.
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14 de fev. de 2011
LUCRO DA CAIXA SOBE 25% E VAI A R$ 3,8 BILHÕES
jornal DCI 14/02/2011 - Flávia Milhassi
A Caixa Econômica Federal fechou o ano de 2010 com lucro líquido de R$ 3,8 bilhões, o que representa um crescimento de 25,5% em relação ao mesmo período de 2009. No quarto trimestre, o resultado foi de R$ 1,3 bilhão alta de 36,9%, frente aos R$ 965 milhões apresentados no mesmo período do ano anterior. No comparativo dos três meses anteriores o índice de crescimento da Caixa chegou a 80%.
O bom desempenho foi impulsionado pelas operações de crédito concedidas pelo banco público ao longo do último ano, que atingiram R$ 194 bilhões, alta significativa frente aos R$ 124,7 bilhões obtidos em 2009. A carteira de empréstimo fechou dezembro de 2010 com saldo de R$ 175,8 bilhões, um aumento de 41,3%. O resultado alavancou em 17,4% os ativos consolidados do banco, que, em dezembro de 2010, atingiu o montante de R$ 400,6 bilhões.
Em entrevista coletiva na última sexta-feira, a presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho, afirmou que o recorde na concessão de crédito deveu-se a política adotada pela Caixa para ampliar sua participação no mercado. A responsável informou ainda a perspectiva de crescer 30% a carteira de crédito neste ano.
O patrimônio líquido contabilizado no final do ano passado ficou em R$ 15,4 bilhões, crescimento de 17% em relação a 2009. O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 26,3% - 3,1 ponto percentual maior - ante os 23,2% apurados no final de 2009. Já o patrimônio de referência atingiu R$ 32,6 bilhões. A receita de prestação de serviços apontou um crescimento de 16,8%, que segundo os executivos da caixa foram reflexo de um volume maior de serviços direcionados aos clientes da Caixa.
Em relatório, a instituição divulgou que o número de clientes da instituição chegou a 52,8 milhões e que conta com 40 mil postos de atendimento para suprir essa demanda. A Caixa informou também que superou o número de 40 milhões de contas de poupança, que acolhe mais de R$ 129 bilhões em depósitos. Segundo o vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, os números consolidam a iniciativa da instituição em levar a bancarização à população de baixa renda brasileira. "Levamos os serviços bancários com a Conta Fácil Caixa - para população de baixa renda - a 1 milhão de brasileiros", enfatiza o executivo. A meta para este ano é abrir 200 novos pontos de atendimento pelo País.
A captação líquida com essas contas atingiu R$ 13,2 bilhões, o que manteve a instituição na liderança com 34,2% do mercado. O índice de Basileia terminou o ano em 15,4%, menor que em 2009, mas acima da média de 11% exigida pelo Banco Central (BC).
O saldo da carteira de crédito comercial alcançou R$ 55,4 bilhões, alta de 23,4% frente a dezembro de 2009. O segmento de pessoas jurídicas obteve saldo de R$ 28,5 bilhões e o de pessoas físicas, R$ 26,9 bilhões, crescimentos de 21,2% e 25,7% no ano, respectivamente.
Financiamento habitacional
A carteira de crédito habitacional superou as expectativas e bateu recorde no ano passado e ajudou a impulsionar o crescimento de 25,5% da Caixa. O banco superou o volume de contratações em 57,2% dos financiamentos habitacionais em relação a 2009, atingindo montante de R$ 77,8 bilhões de créditos concedidos para pessoa física e jurídica para aquisição da casa própria. No acumulado de 2010 o saldo foi de R$ 108,3 bilhões, o que corresponde a 76,05% deste segmento no mercado, aumento de 1,14 ponto percentual em 12 meses. Do valor total de financiamentos, R$ 27,7 bilhões foram realizados com recursos da poupança (SBPE), responsáveis por 203.931 unidades habitacionais, e R$ 31 bilhões com linhas do FGTS, com 389.675 moradias. Outros R$ 6,3 bilhões foram destinados para subsídios e R$ 10,7 bilhões para arrendamentos residenciais
Com a criação do Programa Minha Casa, Minha Vida e com os subsídios do Governo Federal, só no ano passado houve um crescimento de 61,4% nos contratos firmados, o que resultou em 661 mil moradias financiadas pela Caixa Econômica Federal e em 1 milhão de novos contratos e montante de R$ 75,2 bilhões movimentados no ano passado.
Segundo o vice-presidente Jorge Hereda, "esses dados colocam o País em um patamar propício ao combate do déficit habitacional". Para confirmar esse potencial, a Caixa usou como comparativo a evolução do setor desde o ano de 2003. Enquanto neste ano os contratos de financiamentos assinados eram de pouco mais de 251 mil, em 2010 chegaram a mais de um milhão, o que representa 75,2% do mercado. Só os contratos firmados via o programa Minha Casa Minha Vida somaram mais de 660 mil.
Dos contratos firmados, 57% foram feitos pela população cuja renda mensal não ultrapassa três salários mínimos. Segundo Hereda, "são mais de 91 mil famílias que conseguiram adquirir sua casa própria com a ajuda do Minha Casa Minha Vida".
Segundo a presidente da Caixa, é esperado para este ano a entrega de 573 mil moradias só pelo Minha Casa Minha Vida. A executiva afirmou também que quando a Caixa foi procurada para ajudar o governo no combate a déficit habitacional, era esperada uma colaboração de 14% neste déficit e que isso será superado neste ano.
Quando questionada sobre eventuais problemas com os participantes do projeto habitacional surgidos recentemente, como a aquisição de bens por pessoas de renda muito superior aos 10 salários mínimos propostos pelo programa, a executiva informou que a Caixa zela pela transparência de seus contratos. "Temos tudo isso às claras, nossa superintendência se preocupa em verificar as informações para evitar este tipo de problema", explicou. Para 2012 a previsão é entregar mais 12 mil imóveis.
A Caixa Econômica Federal fechou o ano de 2010 com lucro líquido de R$ 3,8 bilhões, o que representa um crescimento de 25,5% em relação ao mesmo período de 2009. No quarto trimestre, o resultado foi de R$ 1,3 bilhão alta de 36,9%, frente aos R$ 965 milhões apresentados no mesmo período do ano anterior. No comparativo dos três meses anteriores o índice de crescimento da Caixa chegou a 80%.
O bom desempenho foi impulsionado pelas operações de crédito concedidas pelo banco público ao longo do último ano, que atingiram R$ 194 bilhões, alta significativa frente aos R$ 124,7 bilhões obtidos em 2009. A carteira de empréstimo fechou dezembro de 2010 com saldo de R$ 175,8 bilhões, um aumento de 41,3%. O resultado alavancou em 17,4% os ativos consolidados do banco, que, em dezembro de 2010, atingiu o montante de R$ 400,6 bilhões.
Em entrevista coletiva na última sexta-feira, a presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho, afirmou que o recorde na concessão de crédito deveu-se a política adotada pela Caixa para ampliar sua participação no mercado. A responsável informou ainda a perspectiva de crescer 30% a carteira de crédito neste ano.
O patrimônio líquido contabilizado no final do ano passado ficou em R$ 15,4 bilhões, crescimento de 17% em relação a 2009. O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 26,3% - 3,1 ponto percentual maior - ante os 23,2% apurados no final de 2009. Já o patrimônio de referência atingiu R$ 32,6 bilhões. A receita de prestação de serviços apontou um crescimento de 16,8%, que segundo os executivos da caixa foram reflexo de um volume maior de serviços direcionados aos clientes da Caixa.
Em relatório, a instituição divulgou que o número de clientes da instituição chegou a 52,8 milhões e que conta com 40 mil postos de atendimento para suprir essa demanda. A Caixa informou também que superou o número de 40 milhões de contas de poupança, que acolhe mais de R$ 129 bilhões em depósitos. Segundo o vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, os números consolidam a iniciativa da instituição em levar a bancarização à população de baixa renda brasileira. "Levamos os serviços bancários com a Conta Fácil Caixa - para população de baixa renda - a 1 milhão de brasileiros", enfatiza o executivo. A meta para este ano é abrir 200 novos pontos de atendimento pelo País.
A captação líquida com essas contas atingiu R$ 13,2 bilhões, o que manteve a instituição na liderança com 34,2% do mercado. O índice de Basileia terminou o ano em 15,4%, menor que em 2009, mas acima da média de 11% exigida pelo Banco Central (BC).
O saldo da carteira de crédito comercial alcançou R$ 55,4 bilhões, alta de 23,4% frente a dezembro de 2009. O segmento de pessoas jurídicas obteve saldo de R$ 28,5 bilhões e o de pessoas físicas, R$ 26,9 bilhões, crescimentos de 21,2% e 25,7% no ano, respectivamente.
Financiamento habitacional
A carteira de crédito habitacional superou as expectativas e bateu recorde no ano passado e ajudou a impulsionar o crescimento de 25,5% da Caixa. O banco superou o volume de contratações em 57,2% dos financiamentos habitacionais em relação a 2009, atingindo montante de R$ 77,8 bilhões de créditos concedidos para pessoa física e jurídica para aquisição da casa própria. No acumulado de 2010 o saldo foi de R$ 108,3 bilhões, o que corresponde a 76,05% deste segmento no mercado, aumento de 1,14 ponto percentual em 12 meses. Do valor total de financiamentos, R$ 27,7 bilhões foram realizados com recursos da poupança (SBPE), responsáveis por 203.931 unidades habitacionais, e R$ 31 bilhões com linhas do FGTS, com 389.675 moradias. Outros R$ 6,3 bilhões foram destinados para subsídios e R$ 10,7 bilhões para arrendamentos residenciais
Com a criação do Programa Minha Casa, Minha Vida e com os subsídios do Governo Federal, só no ano passado houve um crescimento de 61,4% nos contratos firmados, o que resultou em 661 mil moradias financiadas pela Caixa Econômica Federal e em 1 milhão de novos contratos e montante de R$ 75,2 bilhões movimentados no ano passado.
Segundo o vice-presidente Jorge Hereda, "esses dados colocam o País em um patamar propício ao combate do déficit habitacional". Para confirmar esse potencial, a Caixa usou como comparativo a evolução do setor desde o ano de 2003. Enquanto neste ano os contratos de financiamentos assinados eram de pouco mais de 251 mil, em 2010 chegaram a mais de um milhão, o que representa 75,2% do mercado. Só os contratos firmados via o programa Minha Casa Minha Vida somaram mais de 660 mil.
Dos contratos firmados, 57% foram feitos pela população cuja renda mensal não ultrapassa três salários mínimos. Segundo Hereda, "são mais de 91 mil famílias que conseguiram adquirir sua casa própria com a ajuda do Minha Casa Minha Vida".
Segundo a presidente da Caixa, é esperado para este ano a entrega de 573 mil moradias só pelo Minha Casa Minha Vida. A executiva afirmou também que quando a Caixa foi procurada para ajudar o governo no combate a déficit habitacional, era esperada uma colaboração de 14% neste déficit e que isso será superado neste ano.
Quando questionada sobre eventuais problemas com os participantes do projeto habitacional surgidos recentemente, como a aquisição de bens por pessoas de renda muito superior aos 10 salários mínimos propostos pelo programa, a executiva informou que a Caixa zela pela transparência de seus contratos. "Temos tudo isso às claras, nossa superintendência se preocupa em verificar as informações para evitar este tipo de problema", explicou. Para 2012 a previsão é entregar mais 12 mil imóveis.
2 de fev. de 2011
LINHA DA CAIXA COM IMÓVEL DE GARANTIA DISPARA 379% NO ANO
jornal DCI 02/02/2011
A Caixa Econômica Federal emprestou, em 2010, mais de R$ 317 milhões por meio do Crédito Aporte Caixa, uma linha de crédito pessoal bastante competitiva e que aceita imóvel como garantia de operação.
O valor concedido representa um crescimento de 379% sobre o total emprestado em 2009. Pioneira na concessão dessa modalidade de crédito, a Caixa oferece o produto desde 1966.
"O cliente conta com uma opção de empréstimo que apresenta excelentes condições, crédito ágil e uma das melhores taxas do mercado", afirma a superintendente nacional de Cliente de Média e Alta Renda da Caixa, Kátia Maria Loureiro Torres.
O prazo para pagamento é de até 120 meses e concessão de crédito de até 70% do valor do imóvel dado como garantia. Não há valor máximo para contratação. Até março, o produto tem taxa de juros promocional máxima de 1,39% + TR. A superintendente avalia que "o mercado começa a acordar para esta modalidade de empréstimo, atraído pelas condições do produto". "O serviço vem conquistando uma clientela empreendedora, com destaque para sócios de empresas que percebem a oportunidade de crescimento, além de outras pessoas que encontraram no seu imóvel o recurso necessário para novos investimentos", completa.
O Crédito Aporte Caixa é uma linha de crédito pessoal sem destinação específica, que tem um imóvel como garantia. Conhecido no mercado como refinanciamento de imóveis, SDE (Sem Destinação Específica)
A Caixa Econômica Federal emprestou, em 2010, mais de R$ 317 milhões por meio do Crédito Aporte Caixa, uma linha de crédito pessoal bastante competitiva e que aceita imóvel como garantia de operação.
O valor concedido representa um crescimento de 379% sobre o total emprestado em 2009. Pioneira na concessão dessa modalidade de crédito, a Caixa oferece o produto desde 1966.
"O cliente conta com uma opção de empréstimo que apresenta excelentes condições, crédito ágil e uma das melhores taxas do mercado", afirma a superintendente nacional de Cliente de Média e Alta Renda da Caixa, Kátia Maria Loureiro Torres.
O prazo para pagamento é de até 120 meses e concessão de crédito de até 70% do valor do imóvel dado como garantia. Não há valor máximo para contratação. Até março, o produto tem taxa de juros promocional máxima de 1,39% + TR. A superintendente avalia que "o mercado começa a acordar para esta modalidade de empréstimo, atraído pelas condições do produto". "O serviço vem conquistando uma clientela empreendedora, com destaque para sócios de empresas que percebem a oportunidade de crescimento, além de outras pessoas que encontraram no seu imóvel o recurso necessário para novos investimentos", completa.
O Crédito Aporte Caixa é uma linha de crédito pessoal sem destinação específica, que tem um imóvel como garantia. Conhecido no mercado como refinanciamento de imóveis, SDE (Sem Destinação Específica)
10 de jan. de 2011
JOVENS SÃO ATRAÍDOS POR MERCADO IMOBILIÁRIO
jornal Diário do Grande ABC 10/01/2011 – Paula Cabrera
O boom imobiliário trouxe um novo perfil de consumidor para o segmento. Segundo empresários, o número de jovens entre 25 e 35 anos que buscam a compra do primeiro imóvel no Grande ABC já ultrapassou os 50% do percentual de interessados. Para eles, a facilidade no acesso ao crédito dos últimos anos e programas como o Minha Casa, Minha Vida que concedem benefícios e descontos, são os principais fatores para a mudança.
Com o aumento da procura pelo crédito, cresceram também os saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em 29% de janeiro a abril de 2010, frente ao mesmo período de 2009. O benefício pode ser utilizado na compra de imóveis.
Casais em busca do primeiro imóvel e sem filhos também são o foco de vendas dos empreendimentos do Grande ABC, segundo o empresário Milton Casari. "Temos de ter em mente que há mercado para todas as faixas de renda na região, mas os jovens são a maioria absoluta na busca por apartamentos menores, de 42 m² a 70 m² e com preços de até R$ 150 mil."
Cortejando esses consumidores, as empresas já modificam projetos e focam os novos empreendimentos do setor nesse público que prefere apartamentos menores. "Antes eles tinham muita dificuldade em conseguir crédito de R$ 50 mil até R$ 70 mil e hoje conseguem até R$ 200 mil. Eles foram trazidos para esse mercado e perceberam que têm poder de consumo para adquirir o sonho da casa própria", explica Aparecido Viana, outro empresário do segmento.
Para atingir mais consumidores, uma empresa do setor lançou em Diadema empreendimentos que custam cerca de R$ 155 mil, sem vagas de garagem. A ideia é trazer preços menores para atingir, principalmente, os solteiros em busca da independência. "Queremos sentir como será a recepção desses conjuntos. Eles saem, em média, R$ 10 mil mais baratos do que os que possuem garagem e têm 46 metros quadrados. Sabemos que é nessa faixa de preço que há déficit habitacional e temos uma demanda enorme para receber esses imóveis", explica Mauro Silva, sócio do empreendimento que será lançado neste mês.
Apesar do nicho de mercado, a escassez de terrenos na região já começa a mostrar as garras. É cada vez mais difícil para incorporadoras conseguir espaços para construir torres que entrem no valor do Minha Casa, Minha Vida - que contemplam preços de até R$ 130 mil. "Esperamos que neste ano o valor de subsídio possa chegar para imóveis de até R$ 150 mil."
Com o casamento a caminho, Rafael Mônico é um dos muitos jovens que se apoiaram no programa federal para realizar o sonho da casa própria. Ele e a namorada, moradores de Santo André, compraram em Mauá um apartamento de 52 m² por R$ 115 mil. "Meu financiamento é diferente porque não tenho comprovação de renda por holerite e tive de fazer por comprovação bancária. Apresentei a documentação ao banco, que percebeu que minha renda ficava dentro do valor de subsídio. Por isso, no apartamento que valeria R$ 111 mil, ainda consegui R$ 14 mil pela Caixa. Vou pagar em 25 anos. A primeira parcela é de R$ 581 e a última, de R$ 300."
No entanto, Mônico deixa claro que a perspectiva da família é migrar para um espaço maior em breve. "Sempre morei em apartamento pequeno, e se tiver só um filho dá para morar no apartamento, mas meu sonho ainda é morar em uma casa."
O boom imobiliário trouxe um novo perfil de consumidor para o segmento. Segundo empresários, o número de jovens entre 25 e 35 anos que buscam a compra do primeiro imóvel no Grande ABC já ultrapassou os 50% do percentual de interessados. Para eles, a facilidade no acesso ao crédito dos últimos anos e programas como o Minha Casa, Minha Vida que concedem benefícios e descontos, são os principais fatores para a mudança.
Com o aumento da procura pelo crédito, cresceram também os saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em 29% de janeiro a abril de 2010, frente ao mesmo período de 2009. O benefício pode ser utilizado na compra de imóveis.
Casais em busca do primeiro imóvel e sem filhos também são o foco de vendas dos empreendimentos do Grande ABC, segundo o empresário Milton Casari. "Temos de ter em mente que há mercado para todas as faixas de renda na região, mas os jovens são a maioria absoluta na busca por apartamentos menores, de 42 m² a 70 m² e com preços de até R$ 150 mil."
Cortejando esses consumidores, as empresas já modificam projetos e focam os novos empreendimentos do setor nesse público que prefere apartamentos menores. "Antes eles tinham muita dificuldade em conseguir crédito de R$ 50 mil até R$ 70 mil e hoje conseguem até R$ 200 mil. Eles foram trazidos para esse mercado e perceberam que têm poder de consumo para adquirir o sonho da casa própria", explica Aparecido Viana, outro empresário do segmento.
Para atingir mais consumidores, uma empresa do setor lançou em Diadema empreendimentos que custam cerca de R$ 155 mil, sem vagas de garagem. A ideia é trazer preços menores para atingir, principalmente, os solteiros em busca da independência. "Queremos sentir como será a recepção desses conjuntos. Eles saem, em média, R$ 10 mil mais baratos do que os que possuem garagem e têm 46 metros quadrados. Sabemos que é nessa faixa de preço que há déficit habitacional e temos uma demanda enorme para receber esses imóveis", explica Mauro Silva, sócio do empreendimento que será lançado neste mês.
Apesar do nicho de mercado, a escassez de terrenos na região já começa a mostrar as garras. É cada vez mais difícil para incorporadoras conseguir espaços para construir torres que entrem no valor do Minha Casa, Minha Vida - que contemplam preços de até R$ 130 mil. "Esperamos que neste ano o valor de subsídio possa chegar para imóveis de até R$ 150 mil."
Com o casamento a caminho, Rafael Mônico é um dos muitos jovens que se apoiaram no programa federal para realizar o sonho da casa própria. Ele e a namorada, moradores de Santo André, compraram em Mauá um apartamento de 52 m² por R$ 115 mil. "Meu financiamento é diferente porque não tenho comprovação de renda por holerite e tive de fazer por comprovação bancária. Apresentei a documentação ao banco, que percebeu que minha renda ficava dentro do valor de subsídio. Por isso, no apartamento que valeria R$ 111 mil, ainda consegui R$ 14 mil pela Caixa. Vou pagar em 25 anos. A primeira parcela é de R$ 581 e a última, de R$ 300."
No entanto, Mônico deixa claro que a perspectiva da família é migrar para um espaço maior em breve. "Sempre morei em apartamento pequeno, e se tiver só um filho dá para morar no apartamento, mas meu sonho ainda é morar em uma casa."
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