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8 de jul. de 2011

FECOMÉRCIO-RJ: MENOS DA METADE DOS BRASILEIROS TEM CONTA BANCÁRIA

portal Jornal do Brasil 06/07/2011

Apesar do crescimento da economia nos últimos anos, menos da metade dos brasileiros possui contas bancárias, segundo pesquisa da Fecomércio-RJ/Ipsos. No entanto, apesar de o número de correntistas ainda ser relativamente pequeno (46,5%), a parcela da população que aderiu ao sistema bancário cresceu 13,4 pontos percentuais desde 2007, quando os correntistas eram apenas 33,1% da população.

O levantamento anual sobre o crédito no país mostrou que os principais motivos para este aumento da inclusão bancária são o aquecimento da economia nos últimos anos, a migração de um contingente relevante de brasileiros das classes D e E para a C, o crescimento do crédito e a expansão do mercado de trabalho com carteira assinada e da massa salarial.

“O cenário mostra o fortalecimento do mercado doméstico e da classe média, puxado pelo avanço do emprego formal. Além disso, a carteira assinada tem papel fundamental para o consumidor junto às instituições financeiras.”, afirma João Carlos Gomes, superintendente de Economia e Pesquisas da Fecomércio-RJ.

Ainda há grande potencial a ser explorado no que se refere ao acesso a contas bancárias pelos brasileiros. Para se ter uma ideia, cerca de 55% da população continuam a receber seu salário em dinheiro, segundo o Banco Central. Uma das razões para este quadro está na informalidade que ainda permeia parcela significativa da atividade econômica nacional, mas que, de acordo com o crescente número de carteiras assinadas no país, atestado pelo Ministério do Trabalho, tende a ceder gradualmente.

Em relação ao crédito adquirido, a pesquisa da Fecomércio/Ipsos mostra que a população continua dando preferência ao financiamento direto no estabelecimento (55,0%), seguido do cartão de crédito (28,6%). A rapidez na aprovação, a menor taxa de juros, o valor das parcelas e o prazo de parcelamento são os principais motivos mencionados pelos entrevistados no que se refere à decisão pelo tipo de financiamento.

Dados do estudo apontam também que, nos primeiros quatro meses deste ano, 9,4% dos brasileiros registraram atraso em algum tipo de financiamento, contra 10,5% no mesmo período de 2010. E 21,1% das famílias enfrentaram falta de recursos no orçamento depois do pagamento de todas as contas neste período, ante 21,4% na mesma base de comparação. Contribuíram nesse sentido as classes A, B e C, enquanto entre a DE aumentou a parcela com déficit após o pagamento das contas mensais.

Questionados se possuíam algum parcelamento, 32,3% dos entrevistados informaram que sim (os itens mais frequentes são eletrodomésticos, vestuário e veículos). Os que optam por pagar à vista são 67,6%, proporção que reflete o ambiente econômico favorável do país e aponta maturidade do brasileiro na administração do orçamento. O emprego e o poder aquisitivo em alta também têm permitido ao comércio de bens, serviços e turismo manter sua série recente de bons resultados.

De acordo com o Ministério do Trabalho, no acumulado de 12 meses encerrados em abril deste ano o país gerou um saldo de 2,29 milhões de empregos formais, sendo que o comércio de bens, serviços e turismo contribuiu com 68,5% do total. Já a taxa de desocupação medida pelo IBGE nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou em 6,4%, a menor para um mês de abril desde 2002.

A pesquisa Fecomércio-RJ/Ipsos é realizada anualmente com mil entrevistados de 70 cidades brasileiras, incluindo nove regiões metropolitanas. O levantamento acontece desde 2007.

5 de jul. de 2011

BRASIL TERÁ MENOS POBRES QUE EUA, DIZ SANTANDER

portal iG 04/07/2011 - Aline Cury Zampieri

Em alguns anos, o Brasil terá menos pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza do que os Estados Unidos. A avaliação é de Marcial Portela, presidente do Santander no País. Durante entrevista coletiva na cidade de Santander, na Espanha, ele reforçou o interesse do banco na diversificação geográfica de seus negócios e a intenção de participar da bancarização da América Latina (AL) e do Brasil.

“O Brasil deve ter um ingresso de 25 milhões de pessoas no sistema bancário em quatro anos”, afirmou. “Queremos conquistar entre 15% e 20% dessa fatia.” O Santander possui atualmente 40 milhões de clientes na América Latina, sendo metade deles no Brasil. “O fenômeno da classe média brasileira é impressionante. Nosso grande desafio é conquistar as camadas mais baixas, da classe D, nas quais ainda não temos muita experiência.”

Portela lembra que o banco já entrou no microcrédito brasileiro, com R$ 1 bilhão em empréstimos. Tem um projeto semelhante no Chile e pretende levar a experiência também para o México. “Estamos em processo de vinculação e ampliação do número de clientes, em geral. Crescemos a uma taxa média de 10% ao ano na América Latina.”

No Brasil, diz Portela, a ideia é crescer organicamente. Ele acredita que o cenário de aquisição de bancos menores é difícil. “Os bancos menores vão se unir, ou desaparecer. O modelo de negócios é ruim, com muitos problemas de recursos, qualidade de crédito e capital.” O Santander, afirma, quer ter mais 600 agências nos próximos quatro anos. “Ao todo, temos 3.700 agências e PABs. A meta é crescer numa média de 100, 120 agências por ano.”

Crédito

Portela acredita que o governo brasileiro tem tomado as medidas necessárias para conter o crédito e a inflação no país. Mas isso não significa que esteja vendo a formação de uma bolha na concessão de empréstimos. “O governo está atuando corretamente e não vai deixar a inflação passar do teto”, afirmou.

“A taxa de crescimento do crédito no Brasil é sustentável. Até um ligeiro crescimento na inadimplência será compatível com uma população que cresce muito e com elevação de salários reais. Além disso, tecnicamente não há praticamente desemprego.” No Santander, que crescia abaixo da média do crédito no Brasil, a perspectiva de Portela é de manutenção do ritmo anterior. “Continuaremos nos expandindo a uma taxa entre 17% e 18% este ano.”

Já no crédito imobiliário, o crescimento geral no Brasil é muito mais forte. De acordo com ele, se continuar nesse ritmo, o setor sentirá falta de financiamentos em cerca de dois anos.

Grande na AL

Segundo Francisco Luzón, diretor-geral responsável pela América Latina no Santander, o Brasil continuará a representar 25% do lucro total do grupo Santander pelos próximos quatro anos. A posição é a maior entre todos os países onde o banco atua. “A crise europeia reforçou a importância de nossa diversificação, e o Brasil é uma peça estratégica do banco.”

Ele lembra que as fatias dos países na composição do lucro são móveis, já que aquisições em outros locais podem mudar essa composição. Mas o executivo afirma que a América Latina, incluindo o México, representará metade dos resultados do banco nos próximos anos.

A repórter viajou a convite do Santander

13 de abr. de 2011

'MOBILE' À BRASILEIRA NA NIGÉRIA

jornal Valor Econômico 13/04/2011 - Adriana Cotias

Um país com as dimensões do Estado do Mato Grosso e uma população de mais de 150 milhões de pessoas. A energia elétrica só está disponível algumas horas por dia e tudo funciona com gerador. A rede de telefonia fixa alcança 1,7 milhão de linhas, mas há 70 milhões de celulares. Só 45 milhões têm conta em banco e a base de cartões limita-se a 300 mil unidades Visa e MasterCard, todos pré-pagos. Tudo nessa economia se move a dinheiro e muitas notas são necessárias para se pagar uma simples conta de restaurante, já que um maço com mil nairas, a moeda local, equivale a pouco mais de US$ 6,00. É sob esse pano de fundo que emerge o "mobile payment" (pagamento via celular) na Nigéria. E com tecnologia brasileira.

A Freeddom, a mesma empresa que desenvolveu a plataforma tecnológica do Oi Paggo para a Oi, venceu concorrência do United Banking for Africa (UBA), maior banco nigeriano, com 8 milhões de contas, para colocar de pé o mobile payment e assim permitir que o dinheiro viaje na mesma velocidade de uma mensagem de texto.

Com o aumento da produção petrolífera e da circulação monetária nos últimos anos, a Nigéria tornou-se um dos principais mercados africanos. E como em outras nações do continente, a população de baixa renda enfrenta dificuldades de acesso bancário, pois mal consegue comprovar endereço.

Com o batizado U-MO (de "you mobile"), a ideia é substituir, por exemplo, as remessas de cidades como Lagos ou a capital Abuja para as tribos no interior. O envio hoje é feito informalmente pelos motoristas de ônibus, que carregam pacotes de dinheiro pelo itinerário, fazendo a entrega para as famílias locais. Para as instituições financeiras será uma forma de avançar na bancarização da população e no crédito ao consumo, que praticamente inexiste no país.

"O projeto nasce como um 'moedeiro', mas a intenção é que evolua para um 'business' de crédito em dois ou três anos. O que o banco central quer é sumir com o dinheiro de papel da sociedade", diz o presidente da Freeddom, Cicero Torteli. A partir do conhecimento dos hábitos de uso do dinheiro virtual, o banco pode construir um histórico de movimentação, como base para avaliar o risco de uma operação.

Desde janeiro, o sistema está rodando como piloto, com 5 mil funcionário do UBA e 100 agentes dedicados a fazer a recarga dos celulares com a moeda virtual, exercendo papel similar ao dos correspondentes bancários brasileiros. O Central Bank of Nigeria (CBN) recebeu, no fim de março, os números dessa fase de testes dos 16 consórcios participantes, mas na fase preliminar só quatro estavam efetivamente reportando a experiência.

O UBA já tinha sido o primeiro integrante de um consórcio reconhecido formalmente por ter um parceiro habilitado a construir a solução mobile. Agora só falta o aval do CBN para ampliar o alcance da tecnologia para além dos 5 mil participantes do piloto.

Nesse sistema, o celular passa a abrigar uma espécie de conta corrente e o consumidor pode usar o saldo para fazer transferências para outros aparelhos, pagar contas ou realizar compras no varejo. Para tanto, será preciso filiar lojistas, aos moldes das credenciadoras de cartões. No Brasil, foi exatamente esse o ciclo construído no Oi Paggo, que atuava como emissor, bandeira e adquirente, antes de a Oi se unir a Cielo na atual Paggo Soluções.

"Só o envio de dinheiro não rentabiliza o negócio do banco. Os valores são pequenos, feitos normalmente uma única vez por mês", diz o gerente de novos negócios da Freeddom, Guilherme Messiano. Quando um cliente U-MO fizer uma transferência, quem recebe pode sacar o valor em qualquer correspondente, pagando uma tarifa pelo serviço, ou pode se unir à rede. Se o destinatário aceitar tal convite virtual, quem mandou o dinheiro recebe um rebate, um prêmio na moeda virtual.

25 de jan. de 2011

MASTERCARD E TELEFÓNICA FORMAM JOINT VENTURE PARA MOBILE MONEY NA AMÉRICA LATINA

redação Serfinco 25/01/2011

A MasterCard formou uma joint venture com a gigante de telecomunicações Telefónica para disponibilizar serviços financeiros via celular a 12 países latino-americanos.

Cada parceiro terá 50% de participação na nova empresa, batizada de Telefónica Movistar, que será gerida de forma independente mas tirará proveito dos relacionamentos já existentes entre seus controladores e instituições financeiras para levar produtos e serviços a seus clientes.

Com um modelo aberto para garantir a interoperabilidade tanto para públicos com acesso a serviços bancários como aos não-bancarizados, a empresa irá fornecer aos 87 milhões de clientes atuais e potenciais da Movistar serviços de m-payment ligados a uma mobile wallet ou a uma conta pré-paga. Os serviços incluirão transferências de dinheiro, recarga de celulares, pagamento de contas e compras no varejo.

MasterCard e Telefónica afirmam que seu acordo vai promover a inclusão financeira de milhões de pessoas na América Latina, com pouco ou nenhum acesso ao sistema bancário tradicional. Os parceiros citam estudos de mercado e pesquisas com clientes da região que mostram que os telefones celulares são vistos como convenientes e seguros e, portanto, instrumentos adequados para transações financeiras. Também se estima que até 2014 as transações financeiras móveis atingirão cerca de US $ 63 bilhões.

Richard Hartzell, presidente da MasterCard na região América Latina e Caribe, disse: "O compromisso da MasterCard para promover a inclusão financeira em todo o mundo faz com que a joint venture seja uma excelente oportunidade para fornecer serviços acessíveis e soluções financeiras econômicas para os milhões de consumidores na região da América Latina que nunca foram capazes de aproveitar os benefícios dos pagamentos eletrônicos. "

A importância das operações de telefonia móvel para os tradicionais players do mercado de pagamentos, como a MasterCard, foi recentemente evidenciada pelo recente movimento da empresa na contratação de Mung Ki Woo (ex vice-presidente de pagamentos e transações eletrônicos no grupo francês de lelecomunicações Orange) para encabeçar as suas iniciativas neste campo.

22 de jan. de 2011

ÍNDIA: ICICI FAZ ACORDO DE M-BANKING COM A VODAFONE

redação Serfinco 22/01/2011

O ICICI Bank está constituindo uma joint venture com a empresa de telecomunicações Vodafone Essar para oferecer serviços financeiros através de telefones celulares a uma imensa população sem acesso a conta bancária na Índia.

Os parceiros dizem que vão oferecer contas de poupança e produtos de crédito através de uma plataforma de telefonia móvel, utilizando os 1,5 milhão de pontos de venda da Vodafone em todo o país como estações de credenciamento e atendimento a clientes.

O Banco Central e o governo da Índia têm defendido o uso de telefones celulares, muito populares no país, como ferramentas para aumentar a inclusão financeira. No início deste mês, o State Bank of India, o maior banco comercial do país, e a empresa de telecomunicações Bharti Airtel empreenderam uma parceria similar.

Para Chanda Kochhar, CEO do ICICI Bank, o crescimento exponencial da penetração dos serviços móveis, em especial nas significativas comunidades rurais, constitui-se em um enorme potencial para a oferta de serviços bancários móveis, facilitando o acesso de parte da sociedade a serviços e produtos financeiros e assegurando a entrega de benefícios da seguridade social e de recursos de programas de crescimento do governo a esta população.

12 de jan. de 2011

INDIA: JOIN VENTURE LEVARÁ SERVIÇOS BANCÁRIOS A MILHÕES

redação Serfinco 12/01/2011

O State Bank of India, o maior banco comercial do país, e a Bharti Airtel, maior empresa de telecomunicações do país, firmaram um acordo para disponibilizar serviços bancários a milhões de residentes sem conta bancária.

A join venture entre SBI e Airtel oferece um conjunto completo de serviços bancários através de uma plataforma móvel e também de uma rede de agências e correspondentes no varejo.

Sunil Bharti Mittal, presidente e diretor executivo da Bharti Airtel, entende que a parceria será uma virada completa de jogo, combinando a experiência do SBI no setor bancário com a base de 150 milhões de clientes e 1,5 milhão de revendedores e distribuidores da Airtel. O acordo criará uma operação com escala para atender as exigências bancárias de milhões de indianos, através de seus celulares. O índice de penetração dos telefones móveis na população indiana é de 60%, atestando um grande potencial para uma colaboração que combina os pontos fortes de ambos os setores bancário e de telecomunicações.

Inicialmente, o empreendimento utilizará a rede de varejo da Airtel como Pontos de Atendimento ao Cliente em toda a Índia. Novos e atuais clientes da Airtel e do SBI poderão recorrer a esses estabelecimentos para abrir contas e realizar operações de rotina.

11 de jan. de 2011

QUASE 40% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA ESTÁ FORA DO SISTEMA BANCÁRIO

portal InfoMoney 11/01/2011

Quase 40% da população brasileira não está integrada a nenhum tipo de sistema bancário, revelou pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgada nesta terça-feira (11).

Em tese, os 39,5% que não possuem conta bancária estão mais presentes, segundo o instituto, nas regiões menos desenvolvidas do País: Norte e Nordeste.

Na primeira, 50% de seus moradores não têm vinculo algum com uma agência bancária. Na outra, esse número salta para 52,6%. Em uma base comparativa com a região Sul, por exemplo, esse percentual cai para 30%.

Exclusão

Dos entrevistados que não possuem conta bancária, as mulheres com menos de 24 anos, pessoas com o Ensino Fundamental completo, trabalhadores com renda de até dois salários mínimos e residentes nas regiões Norte e Nordeste são os que mais desejam tê-la.

Já entre os que avaliam estar inseridos no perfil-alvo dos bancos, estão os jovens de ambos os sexos, pessoas com o Ensino Fundamental completo e trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos. Novamente, Norte e o Nordeste aparecem nessa configuração.

Perfis

Ainda de acordo com a pesquisa, observa-se que o público masculino tem a maior participação no sistema bancário no País, sendo que 66% deles têm conta há mais de cinco anos, ante 55,5% das mulheres.

Com relação à idade, os principais clientes de bancos estão situados na faixa de 35 a 44 anos (66,1%). A menor parcela, por sua vez, se dá entre os jovens de 18 a 24 anos, com participação de 51,9%.

Quanto à renda, seus resultados estão associados ao nível de escolaridade, ou seja, quanto mais avançado, maior o índice de inclusão no sistema bancário brasileiro.

Análise

De acordo com os especialistas do Ipea, a quantidade de excluídos no sistema bancário brasileiro merece atenção. Tratam-se de pessoas de baixa renda e de pouca escolaridade, mas que representam importante parcela na economia do País.

O instituto ressalta ainda a importância de se criar produtos e serviços específicos para esta fatia da população, de modo a incorporá-la ao sistema bancário.

7 de jan. de 2011

TOMBINI DIZ QUE HÁ 'RESISTÊNCIAS' PARA O ACESSO DOS MAIS POBRES AO SISTEMA FINANCEIRO

jornal O Povo (CE) 07/01/2011 – Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, admitiu nesta quinta-feira, 6, sem citar nomes, que “há resistências tanto à inclusão bancária quanto na questão do tratamento do cliente bancário”. Mas reafirmou que a inclusão financeira, "com qualidade e eficiência", é uma das prioridades do BC para reduzir as desigualdades sociais.

Segundo ele, a inclusão bancária também fortalece o próprio sistema financeiro e ajuda a reduzir o custo do controle da inflação. Por isso, o BC deve priorizar a educação financeira para que o processo de inclusão avance com qualidade. “Queremos qualidade, eficiência, transparência e respeito às regras e aos clientes”, enfatizou Tombini.

Perguntado se um dos focos de resistência à ampliação da bancarização estaria nas altas taxas cobradas pelos bancos, Tombini não respondeu diretamente, mas lembrou que, em 2007, foi feita uma grande reforma que elevou o nível de transparência e unificou a nomenclatura dos serviços bancários. Também houve avanço, segundo ele, na regulamentação das tarifas de cartão de crédito, no fim do ano passado.

“Melhoramos a capacidade dos custos de serviços, com barateamento das tarifas”, disse ele. Agora, o BC está estudando a adoção de medidas de regulação para possibilitar maior absorção, pelo sistema financeiro, de jovens que chegam ao mercado de trabalho e das populações de menor renda que ascendem social e economicamente.

Números da Diretoria de Normas e Organização do Sistema Financeiro mostram que, nos últimos anos, a inclusão financeira foi bastante ampliada, a ponto de, atualmente, todos os 5.564 municípios brasileiros terem, pelo menos, um canal de acesso ao sistema financeiro.

Hoje funcionam, em todo o país, quase 20 mil agências bancárias, mais de 150 mil correspondentes bancários, aproximadamente 50 mil postos de atendimento e 165 mil caixas eletrônicos para 142 milhões de contas-corrente e poupança.

No discurso de posse, na última segunda-feira, 3, Tombini deixou claro que a promoção da inclusão financeira com qualidade só é possível por meio da difusão do conhecimento e da compreensão das noções básicas de finanças pessoais, de orçamento doméstico e do funcionamento dos produtos e serviços financeiros. “Os novos clientes e os mais humildes precisam deter esse conhecimento e essa compreensão”, ressaltou.

4 de jan. de 2011

MICROCRÉDITO É SAÍDA TÍMIDA PARA O BOLSA FAMÍLIA

jornal Valor Econômico 04/01/2011 - João Villaverde

O número de beneficiários do Bolsa Família com conta no Crediamigo, modalidade de microcrédito do Banco do Nordeste (BNB), saltou 28% entre 2009 e 2010, representando um terço do total de 730 mil clientes ativos do programa. O salto dos 188 mi, em 2009, para mais de 260 mil, em 2010, consta do levantamento que o BNB entrega hoje ao Ministério do Desenvolvimento Social, que administra o Bolsa Família. Apesar do crescimento, eles representam pouco mais de 2% dos beneficiários do Bolsa Família no Nordeste com idade para tomar crédito.

Os dados mostram que parte da estratégia delineada ontem pela nova ministra, Tereza Campello - que defendeu a criação de "portas de saída" para que os beneficiários do Bolsa Família deixem de receber o benefício - já está em andamento, mas é bastante tímida.

O Ministério de Desenvolvimento Social transferiu R$ 1,2 bilhão para 12,778 milhões de famílias em dezembro, dado muito próximo da meta de 12,9 milhões de famílias, que, segundo o ministério, deve ser atingida neste mês.

Para aumentar as "portas de saída", o ministério já tem convênio assinado com o BNB, segundo apurou o Valor, para levar o Crediamigo aos municípios do Nordeste que recebem transferências oriundas do Bolsa Família. A parceria permitirá aos agentes do programa de crédito estabelecer pontes com os gestores municipais do Bolsa Família na região e aumentar o leque de clientes.

Para ter acesso ao Crediamigo, o tomador precisa integrar um grupo de dez pessoas, também interessadas em obter o crédito, e que se tornam solidariamente responsáveis pela dívida de cada um dos membros do grupo. O empréstimo é direcionado para capital de giro para formação de um pequeno negócio, objetivo da nova ministra, que pretende estimular o empreendedorismo entre os beneficiários do programa.

"O Crediamigo está inserido nesse contexto de libertação do Bolsa Família", diz Marcelo Azevedo Teixeira, superintendente em exercício da área de microfinanças do BNB. Segundo Teixeira, o "início do fim" do Bolsa Família virá naturalmente, tão logo as famílias pobres desenvolvam, por meio do microcrédito, uma fonte de renda estável, oriunda de um empreendimento próprio. "Em assembleias com tomadores, já tivemos casos de beneficiários do Bolsa Família nos perguntarem se a tomada de empréstimo acarretaria em término das transferências", afirma.

Além das operações com microcrédito para empreendimento, os beneficiários do Bolsa Família também ganham espaço em bancos públicos comerciais. Cerca de 1,7 milhão de beneficiários do programa têm conta bancária na Caixa Econômica Federal.

Dos quase 50 milhões de beneficiários do Bolsa Família, metade - cerca de 23 milhões de pessoas - são crianças e jovens até 17 anos, que não podem operar contas bancárias ou tomar empréstimos. Pouco mais da metade dos beneficiários vive nos Estados do Nordeste, onde se concentram as operações do BNB, que no ano passado começou a estender as operações para o norte de Minas e Espírito Santo, e para comunidades do Rio.

"O grande desafio do governo Dilma Rousseff, na área social, é coordenar políticas, ou seja, ao mesmo tempo que transfere renda, precisa reduzir custos ao microempreendedor, como baratear as contas de luz e telefone. De outra forma, o microempreendedor vai tomar empréstimo para pagar luz e telefone", afirma Lena Lavinas, uma das principais pesquisadoras de pobreza no Brasil.

Para Lena , que é doutora em economia pela Universidade de Paris e professora da UFRJ, é "ilusório" pensar que "todos os pobres são potenciais empreendedores", e a política social de criar portas de saída do Bolsa Família não deve estar condicionada à isso.

"Em qualquer classe de renda, a maior parte das pessoas é funcionário, apenas uma minoria é empreendedora. Além disso, a expansão do crédito aos pobres precisa vir acompanhada de programas de instrução e qualificação", diz Lena, para quem é preciso, ainda, ampliar o Bolsa Família. "Segundo a Pnad mais recente [de 2009], das 5,842 milhões de famílias abaixo da linha da pobreza, o equivalente a 2,231 milhões não recebem nenhum benefício público", diz.

2 de jan. de 2011

SISTEMA FINANCEIRO PREVÊ A ABERTURA DE 100 MILHÕES DE CONTAS EM 20 ANOS

portal Correio Braziliense 02/01/2011 - Vânia Cristino

Depois de um início tímido com as contas simplificadas —aquelas movimentadas exclusivamente por cartão, sendo proibida a cobrança de qualquer tarifa para a sua abertura e manutenção —, a bancarização caminha agora para uma nova etapa. Parcelas cada vez mais significativas da população, ainda sem acesso aos serviços oferecidos pelo sistema financeiro, estão sendo absorvidas e a tendência é de que o fenômeno se acentue nos próximos 20 anos, período em que o Brasil viverá seu auge produtivo. A inclusão será movida a crédito e a produtos que agreguem tecnologia, um desafio a mais para o governo de Dilma Rousseff.

Governo e especialistas concordam que o fenômeno é irreversível. “A pista está asfaltada e pequenos ajustes e melhorias serão incorporados ao longo do tempo”, diz o chefe do Departamento de Normas do Banco Central (Denor), Sérgio Odilon dos Anjos, responsável por colocar em prática a política governamental de ampliação dos mecanismos de acesso da população ao sistema financeiro. Com a conta eletrônica, que estará disponível a partir de março deste ano, o governo espera uma grande adesão dos clientes jovens, familiarizados com as facilidades da vida moderna. “Inclusão bancária não é só para a parcela mais pobre da população. Um estudante que está tendo acesso pela primeira vez a uma conta-corrente e um jovem que conseguiu seu primeiro emprego e passará a movimentar seu salário no banco, tudo isso é inclusão bancária”, afirma.

Os horizontes a serem explorados pelos bancos são enormes, sobretudo por causa do movimento de ascensão de pessoas da classe E para as D e C. “Muita gente ainda não tem conta bancária, o primeiro passo para o relacionamento do cliente com o banco”, ressalta o vice-presidente de Negócios e Varejo do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli.

Assim como o primeiro carro, a primeira conta bancária tem um simbolismo muito forte. Os moradores do Jardim Ingá, em Luziânia, Goiás, a 54 quilômetros de Brasília, festejam a instalação de uma agência do BB. Antes, a população precisava se deslocar até Ceilândia, na região metropolitana da capital federal, para fazer qualquer operação bancária. O motorista Antônio Valdísio, 29 anos, reconhece a importância de ter uma conta-corrente, mas sofre com a burocracia. “Abri por necessidade, mas o banco exige documentos demais”, reclama.

Júlio César Nascimento, 41 anos, auxiliar de cozinha, tem conta conjunta com a mulher. “Uso o caixa eletrônico para pagar contas e sacar dinheiro”, ressalta. Renato Costa Lima, 18. “Abri a conta para receber meu primeiro salário. Pago juros menores no cartão de crédito porque sou estudante”, diz. Renato é previdente: guarda parte do salário pensando no futuro.

Perante esse movimento de bancarização considerado irreversível, a previsão do mercado é ambiciosa: abrir 100 milhões de contas nas próximas duas décadas. Os dados computados pelo BC que o número de contas de depósitos à vista tem crescido a taxas maiores do que a população adulta. “A trajetória ascendente do número de contas movimentadas é um indício do crescimento do número de pessoas que recorrem a serviços bancários”, frisa Sérgio Odilon, do BC.

Para ele, um fator que contribuirá para a maior inclusão financeira é a oferta crescente de mais e melhores serviços simplificados — a conta salário e a conta eletrônica são provas disso —, além de uma maior capilaridade do sistema. Mesmo diante do número cada vez maior de agências e de postos de atendimento, ainda existem municípios praticamente desassistidos. Das 206 cidades atendidas por apenas um tipo de canal de acesso aos serviços bancários, 176 são atendidas, exclusivamente, por correspondentes bancários. Em outras 30, existe apenas uma agência bancária.

Brasileiros devem mais

A oferta maior de crédito vem mudando de perfil de acordo com a demanda dos consumidores, que querem financiamento de longo prazo para comprar bens duráveis e casa própria. Dados do Banco Central mostram a migração das faixas de menor valor de empréstimos e financiamento (até R$ 5 mil) para o nível intermediário (entre R$ 5 mil e R$ 50 mil) e o superior (acima de R$ 50 mil). Em junho de 2006, 37,33% do crédito concedido às pessoas físicas eram de até R$ 5 mil. Agora, são 27,34%. Ao mesmo tempo, os clientes com dívidas acima de R$ 50 mil passaram de 17,60% do total para 24,67%.

Paulo Rogério Caffarelli, vice presidente de Negócios do Banco do Brasil, afirma que o acesso ao crédito é o grande atrativo das instituições financeiras. “Primeiro, a população vai numa agência a procura de crédito. Abre uma conta-corrente para movimentar o salário. Depois, passa a procurar seguros para se proteger de diversos tipos de risco. Por último, vem a necessidade de acumulação de recursos, via poupança, capitalização ou previdência privada”, explica.

No entender do executivo, a mudança do perfil de crédito — troca de dívidas pequenas e de curto prazo por financiamento mais longo e mais elevados— não assusta. “A média está influenciada pelo financiamento de veículos e da casa própria”, diz. Para Caffarelli, o nível de endividamento do brasileiro ainda é baixo. “A população já aprendeu a gerir os recursos disponíveis e as instituições também aperfeiçoaram as análises de risco de crédito”, completa.

O BC ressalta que, com o processo de inclusão financeira, aumentou o volume de queixas contra os bancos. Mas, apesar de todas as reclamações que se avolumam nos órgãos de proteção ao consumidor, os bancos têm boa imagem perante a população. Estudo da Consultoria GfK aponta que 65% das pessoas consideram que as instituições trazem mais benefícios do problemas. O diretor de Marketing da GfK, Mário Mattos, explica que o foco da pesquisa é a contribuição do setor financeiro como instituição dentro da sociedade.

4 de nov. de 2010

CARTÃO DE CRÉDITO ESTÁ ENTRE PRIORIDADES DA VIVO PARA 2011

jornal Brasil Econômico 04/11/2010 – Fabiana Monte

A Vivo projeta encerrar o ano com 500 mil clientes do cartão de crédito oferecido em parceria com a Itaucard. O produto foi lançado em julho do ano passado, com a expectativa de atingir 350 mil usuários no primeiro ano. O total de assinantes está em torno de 400 mil, diz Maurício Romão, diretor de produtos e serviços financeiros da operadora. O número ainda é pequeno se comparado aos 57,7 milhões de clientes da Vivo, mas é significativo em se tratando de um cartão de crédito com duas marcas, afirma Álvaro Musa, presidente da consultoria financeira Partner Consult. "Não é fácil colocar 500 mil cartões, quaisquer que sejam, na mão das pessoas para que elas usem", afirma.

A meta para o ano que vem é conquistar pelo menos 500 mil novos usuários e aumentar a rentabilidade que o novo negócio trouxe para a operadora. "Dividimos receitas e custos com o Itaú. Todos os controles são do banco, mas participamos de todas as decisões", diz Romão. Pelos cálculos do executivo, houve um crescimento médio mensal de 30% no volume de recargas de R$ 12 — valor mínimo para bonificação quando a recarga é paga com o cartão.

A aposta é que o dinheiro de plástico possa levar a uma sofisticação do uso dos serviços de telecomunicações, graças a um programa de fidelidade que acumula pontos para serem trocados por celulares. "Ao trocar de aparelho, o cliente vai adquirir um modelo mais sofisticado, gerando impacto na receita com o aumento do consumo de dados", diz Romão. Além disso, o cartão é visto como uma ferramenta que pode reduzir os níveis de inadimplência entre clientes pós-pagos, pois é possível pagar a conta na fatura do cartão de crédito.

"E o principal impacto é a fidelização. Quanto mais produtos o cliente tiver à sua disposição, mais tempo continuará com o nosso serviço."

Bancarização

Cerca de 90% dos usuários do cartão são clientes pré-pagos da Vivo. A maioria ainda prefere cartões nacionais, que são 67% do total; seguidos pelos internacionais com 28% e pelos gold e platinum, que totalizam 5%. O dinheiro de plástico é oferecido por meio do call center da Vivo, por mala direta e em algumas lojas, que devem fortalecer a oferta do produto no ano que vem. A Vivo não informa o tamanho da base de assinantes com crédito pré-aprovado para obter o cartão. Mas conta que a seleção foi feita por meio de um processo de análise que considera critérios do Itaú e da operadora. "Uma das dificuldades da concessão de crédito é desconhecer o cliente. Mas se ele é cliente da Vivo e tem determinada média mensal de gastos, fazemos um modelo que ajuda. Assim conseguimos dar um limite maior do que o banco daria sozinho", diz Romão.

Para o executivo, dessa forma o cartão ajuda na chamada bancarização, concedendo crédito a camadas da população que até recentemente estavam fora da mira das instituições financeiras. Este, inclusive, é um dos motivos pelos quais a região Nordeste é a segunda em número de portadores do cartão de crédito da operadora. A região soma 16% dos clientes, perdendo apenas para o Sudeste, com 40%. "O público do Nordeste compra mais o cartão porque falta crédito para ele", diz Romão.

Na avaliação de Álvaro Musa, a parceria entre bancos e operadoras para a oferta de cartões de duas bandeiras é o inicio de um relacionamento que vai evoluir para o telefone móvel substituir o tradicional dinheiro de plástico. "O caminho do pagamento eletrônico via celular é inevitável", diz. Vivo e Itaucard já têm 600 mil pontos de venda aptos a receber pagamentos via celular.

Outras empresas têm iniciativas semelhantes

A Tim também tem uma parceria com a Itaucard para cartões de crédito, que devem ser lançados nos próximos meses. Já a Oi terá um cartão com o Banco do Brasil e também com uma versão virtual, graças a acordo com a Cielo. A meta é ter 1 milhão de usuários por ano a partir de 2012.

17 de set. de 2010

CAIXA INVESTE MAIS DE R$ 50 MILHÕES EM PROJETO DE MOBILIDADE

portal TI Inside 16/09/2010

A Caixa Econômica Federal está concluindo a operação piloto de um projeto que prevê a instalação de 7,8 mil terminais de atendimento móvel equipados com aplicativos bancários. No total, o investimento da instituição financeira será de R$ 50,4 milhões e as tecnologias serão fornecidas por um consórcio formado pelas empresas Mob-Up, Prime, B2BR e Fóton, que venceram a licitação.

Os terminais com os aplicativos serão fornecidos a 5,3 mil agências e 2,5 mil correspondentes CAIXA Aqui, como cartórios, supermercados e imobiliárias em vários estados brasileiros. Em teste atualmente em duas agências da Caixa, os terminais móveis vão possibilitar que os serviços de balcão sejam prestados por atendentes a clientes nas filas ou mesmo na área de autoatendimento das agências para tornar o atendimento mais ágil.

Segundo a Caixa, os terminais podem ser configurados para qualquer tipo de operação de um caixa convencional, mas a prioridade do banco inicialmente serão as operações mais usadas pelo público das agências e dos correspondentes bancários, como consulta de FGTS, alteração e criação de senha do Cartão do Cidadão, consulta de benefícios do Programa Bolsa Família, operações relacionadas ao Seguro Desemprego e acesso a dados PIS, entre outras.

O gerente nacional de implementações em TI da Caixa, Luiz Rogério Lecheta, afirmou que essas operações atendem à maior parte das necessidades do público da instituição, que é predominantemente formado por beneficiários dos programas sociais e de transferência de renda do governo, trabalhadores, aposentados e clientes bancarizados pela Caixa.

"Com a possibilidade de efetuar o atendimento para a área externa da agência, além de facilitar os níveis de acessibilidade para pessoas com limitações motoras, a Caixa espera reduzir o tempo de espera para nos seus pontos de atendimento", comenta Lecheta.

De acordo com Alba Neide Alves, gerente nacional de gestão de Atendimento aos Clientes, o projeto "Atendimento Móvel" deve ser totalmente implantado ainda em 2010, iniciando pelos estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraíba e Rondônia. "A expectativa é selecionar um grupo de operações específicas e transferi-las integralmente dos caixas fixos para os móveis, o que melhorará significativamente a agilidade do atendimento nas agências", observa a executiva.

A solução permite, ainda, que a Caixa atenda localidades sem agência bancária. "Os equipamentos disponibilizados nessas agências suportarão todo tipo de serviços bancários que não envolvam transações em dinheiro. Embora o software tenha também essa capacidade, para que coloquemos essa operação em funcionamento seria necessário um investimento maior em segurança, devido à operação em áreas externas ao banco", conclui Alba.