27 de mai. de 2011

POPULAR NOS EUA E NA EUROPA, REFINANCIAMENTO GANHA ESPAÇO E PRODUTOS NO BRASIL

jornal Brasil Econômico 25/05/2011 – Iolanda Nascimento

Uma modalidade de empréstimo muito comum na Europa e nos Estados Unidos está ganhando espaço no Brasil. Trata-se do crédito com garantia do imóvel, conhecido como refinanciamento. A garantia do imóvel torna as taxas e prazos de pagamento mais atrativos nessas linhas e o nicho cresce paralelo à expansão imobiliária. Grandes bancos como Bradesco, Santander, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal atuam no segmento com produtos na linha de crédito pessoal, mas com taxas e prazos diferenciados, um meio termo entre o empréstimo tradicional para consumo e o financiamento imobiliário. Já a Brazilian Mortgages (BM) Sua Casa, braço do grupo Brazilian Finance & Real Estate é uma das primeiras a explorar o nicho, trabalha com taxas e prazos similares aos das suas linhas de crédito imobiliário—1,09% ao mês mais IGPM(cerca de 18%ao ano) e até 30 anos, financiando até 50%do valor do imóvel.

A BM lançou o produto, o BM Crédito Fácil, em2007, e hoje ele já é carro-chefe, respondendo por 50%da carteira da companhia, de R$2 bilhões ao final do primeiro trimestre. “Registramos um crescimento anual médio da ordem de 200% desde o lançamento”, diz Elyseu Mardegan Jr., diretor da empresa, estimando expansão próxima a 250% para a carteira total este ano. De acordo como executivo, o principal objetivo da BM ao lançar o produto foi proporcionar liquidez aos ativos imobiliários. “O brasileiro gosta de investir em imóveis e, muitas vezes, precisa de recursos para um montar um empreendimento, educação dos filhos ou uma viagem e não consegue dar liquidez rápida ao patrimônio porque vender exige um tempo maior. O refinanciamento passou a ser uma opção”

Por ser um mercado relativamente novo e inserido, na maioria das vezes, dentro das carteiras de crédito pessoal das instituições, os executivos ainda não conseguem avaliar qual o tamanho do segmento e tampouco suas taxas de crescimento. Contudo, afirmam que ele ainda responde por um percentual pequeno dos negócios. “Boa parte da população brasileira ainda precisa comprar a primeira casa própria”, afirma Octávio de Lazari Jr., diretor de empréstimos e financiamentos do Bradesco. Para Fábio Seabra, diretor de operações e atacado da Sagace, uma consultoria especializada em crédito imobiliário que trabalha com essa linha desde 2009, criar espaço para todo produto novo é sempre um desafio.

“Mas o refinanciamento tem bastante aceitação quando é ofertado e já existe uma grande procura espontânea. Cerca de 10% a 15% dos nossos clientes são dessa linha”, diz Seabra. O preço é o grande atrativo, compara o executivo. No cheque especial, as taxas variam de 10%a 12% ao mês e no crédito pessoal, entre 4,5% e 5% ao mês.

O produto do Bradesco tem taxa total em torno de 2,3% ao mês, prazos de até 10 anos e financiamento de até 70% do valor do imóvel.

De olho no potencial do mercado, o Banco do Brasil lançou o BB Crédito Imóvel Próprio em outubro de 2010e já reformulou o produto este ano, reduzindo o limite mínimo de financiamento de R$ 100 mil para R$ 20 mil.

No Santander, a linha foi lançada em 2008 e, segundo José Roberto Machado, diretor-executivo de negócios imobiliários do banco, a carteira ainda não é expressiva, mas tem crescido. A taxa média é de 1,53% ao mês, prazo de até 15 anos e o crédito pode variar de R$ 30 mil a R$ 500 mil, ou até 50% do valor do imóvel.

A Caixa Econômica Federal diz que tem o produto na prateleira há mais de 30 anos, mas a operação nunca foi um negócio prioritário. Entretanto, o Crédito Aporte Caixa, ganhou nova roupagem recentemente, segundo Teotônio Costa Rezende, consultor da presidência do banco, cuja linha financia até 70% do valor do imóvel, os prazos são de até 120 meses e as taxas de juros variam de 1,51% a 1,69% ao mês.

O Itaú Unibanco tem o CrediPersonnalité com Garantia do Imóvel apenas para os seus clientes especiais, que podem quitar um empréstimo de no máximo 60%do valor do imóvel em até 70 meses e têm carência de 60 dias para o pagamento da primeira parcela.

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