jornal DCI 02/01/2012 - Marcelle Gutierrez
A partir de hoje, os "bons pagadores" começam a obter juros diferenciados com o Cadastro Positivo. A Serasa Experian, companhia de informações sobre análise de crédito, já possui parceria com mais de 50 empresas para seu banco de dados, com entrada de 1,7 mil consumidores por dia desde junho de 2011. Para 2012, a expectativa está em atingir entre 20% e 25% das 90 milhões de pessoas ativas no mercado de crédito nos últimos 12 meses, revela o presidente da Serasa, Ricardo Loureiro, em entrevista exclusiva ao DCI.
Sancionado como Lei 12.414/11 pela presidente Dilma Rousseff em 10 de junho de 2011, o Cadastro Positivo é um banco de dados que registra a pontualidade do consumidor no pagamento das contas em crediários, financiamentos, contas de água, luz, telefone, escola, etc. Anteriormente, o mercado tinha acesso somente os "maus pagadores", que tinham o CPF incluso na lista negativa do SCPC e Serasa.
Companhias do setor de informações de crédito, como a Serasa Experian, já contabilizam em seus bancos de dados os clientes interessados em integrar o Cadastro Positivo e firmam parcerias com empresas interessadas no acesso e fornecimento dessas informações. As criadoras dos bancos de dados ficam responsáveis pela administração, coleta, armazenamento, análise e acesso de terceiros às informações. O consumidor, por sua vez, necessita autorizar a inclusão de seus dados e poderá pedir a retirada de informações a qualquer tempo .
O presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro, explica que há duas formas de inclusão dos consumidores. A primeira, que já está sendo realizada, ocorre pelo site ou agência da Serasa. Já a outra forma pode ser autorizada pelo cliente no fechamento do contrato de um serviço, de crédito, por exemplo. "Atualmente temos cerca de 40 mil pessoas cadastradas pelo site ou agência, o que corresponde a entrada de 1,7 mil por dia".
No que se refere às empresas, Loureiro revela que já existem diversos clientes inseridos no processo. "Há por volta de 50 empresas de diferentes setores, como telecomunicações, varejo, instituições financeiras, entre outras". Uma das companhias já estruturada e que aderiu ao cadastro positivo da Serasa Experian é a Omni, especializada em financiamento de veículos com dez anos ou mais de uso. A redução da taxa de juros para os "bons pagadores" da Omni pode chegar a 20% e começa a vigorar a partir deste mês de janeiro.
O presidente da Serasa revela que, por enquanto, a predominância é de empresas de São Paulo aderindo ao banco de dados. Entretanto, já há empresas regionais interessadas. "O Nordeste, por exemplo, vem com uma taxa de crescimento muito grande e mais que o dobro do Sudeste, então a competição nessa região tende a ser maior", diz Loureiro.
O estímulo à competição entre as companhias é o principal benefício trazido pelo Cadastro Positivo, segundo Ricardo Loureiro. "Nos mercados competitivos, as empresas começam a disputar os clientes, com menores taxas de juros e exigências para a concessão de crédito. O cadastro traz essa lista de bons pagadores. Essa infraestrutura de dados já é vista com sucesso no mercado global, mas somos os últimos a adotar".
Questionado sobre a real redução das taxas de juros como contrapartida pela abertura de dados, ponto interrogado pelos órgão de defesa do consumidor, o presidente da Serasa Experian afirma que dependerá de cada empresa. "Fornecemos o apoio tecnológico para que cada companhia tire o melhor proveito dessa infraestrutura. Trazemos experiência de outros países para auxiliar a desenvolver uma política de crédito mais arrojada, com gestão do portfólio do cliente", diz Loureiro, que enfatiza o fomento ao mercado competitivo com a análise individual do cliente.
Para este ano que inicia, a expectativa do executivo é de contínuo crescimento do crédito com a situação de pleno emprego e confiança da população no futuro. Neste sentido, a aposta está em que o Cadastro Positivo atinja boa parte do mercado creditício. "Temos trabalhado em cobrir o mercado e nos últimos 12 meses 90 milhões de pessoas tiveram atividades registradas pela Serasa e nossa expectativa está em atender entre 20% e 25% desse total com o Cadastro Positivo", finaliza Ricardo Loureiro.
Boa Vista Serviços
A administradora do SCPC também já entrou no Cadastro Positivo com o lançamento no início de dezembro de 2011 da Rede Verde-Amarela, uma plataforma de compartilhamento de informações comerciais de pessoas físicas. "A captura de apontamentos, o processamento dos dados e a inteligência do sistema irão considerar informações de adimplência de pagamentos e não somente o famoso nome sujo" explica Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços.
O cadastro de consumidores tem origem em mais de 2,2 mil associações comerciais, clubes de lojistas, sindicatos varejistas, entre outras. Segundo a Boa Vista, a Rede Verde-Amarela abrange 100% dos municípios brasileiros.
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14 de jan. de 2012
13 de dez. de 2011
EMPRESAS ACELERAM PARCERIAS E ANTECIPAM O CADASTRO POSITIVO
jornal DCI 08/12/2011 – Panorama Brasil
Serasa Experian, Boa Vista e Fico, gigantes de informações de crédito, aceleram parcerias com bancos e lojistas, à espera da regulamentação do cadastro positivo, sistema que permite a bons pagadores tomar crédito com juros mais baixos.
A Serasa, que revelou a primeira parceria com a financeira Omni (com início em janeiro) para financiamento de veículos usados, diz ter acordos com bancos que serão conhecidos após a regulamentação do assunto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, diz estar cadastrando mais de mil pessoas por dia interessadas em ter acesso a financiamentos de custos menores.
"Com a regulamentação pelo CMN, a velocidade dos acordos deve se intensificar", diz Ricardo Loureiro, presidente-executivo da Serasa Experian.
A Boa Vista Serviços, controlada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) já está fazendo "experimentos" com grandes varejistas, especialmente para financiar a compra de bens de consumo nas vendas de fim de ano. E interessados não faltam.
"Já temos um banco de dados com o perfil de algumas dezenas de milhares de pessoas", disse o presidente da companhia, Dorival Dourado.
Enquanto isso, a norte-americana Fico, uma das maiores desenvolvedoras de produtos de análise de risco de crédito do mundo, está prospectando parcerias no setor no país, cuja fatia das receitas na América Latina espera elevar de um terço para metade nos próximos anos.
A avaliação da companhia é de que, apesar da atual desaceleração do crédito no Brasil, a tendência é que o ritmo dos empréstimos volte a acelerar no médio prazo, dada a combinação de eventos esportivos internacionais e investimentos em infraestrutura previstos para os próximos anos, que devem se refletir em maior demanda por financiamentos.
"Qualquer desaceleração no crédito no Brasil é temporária", disse Andreas Suma, diretor da Fico para América Latina.
O plano da companhia, que já foi parceira da Boa Vista, antes desta se fundir com a Equifax, é formar parcerias para operar principalmente nos mercados de cartões de crédito e veículos.
A movimentação, seis meses após a presidente Dilma Rousseff ter aprovado o projeto que criou o cadastro positivo, vem na esteira de uma disparada do crédito. Segundo os dados do Banco Central, o estoque de crédito do sistema atingiu 48,5 por cento do PIB brasileiro em outubro, uma alta de mais de 10 pontos percentuais em relação a 2008. Parte dessa escalada deveu-se justamente ao incentivo do governo para incentivar o consumo - baixando juros e impostos -, como meio de amenizar os efeitos da crise internacional na economia doméstica.
Serasa Experian, Boa Vista e Fico, gigantes de informações de crédito, aceleram parcerias com bancos e lojistas, à espera da regulamentação do cadastro positivo, sistema que permite a bons pagadores tomar crédito com juros mais baixos.
A Serasa, que revelou a primeira parceria com a financeira Omni (com início em janeiro) para financiamento de veículos usados, diz ter acordos com bancos que serão conhecidos após a regulamentação do assunto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, diz estar cadastrando mais de mil pessoas por dia interessadas em ter acesso a financiamentos de custos menores.
"Com a regulamentação pelo CMN, a velocidade dos acordos deve se intensificar", diz Ricardo Loureiro, presidente-executivo da Serasa Experian.
A Boa Vista Serviços, controlada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) já está fazendo "experimentos" com grandes varejistas, especialmente para financiar a compra de bens de consumo nas vendas de fim de ano. E interessados não faltam.
"Já temos um banco de dados com o perfil de algumas dezenas de milhares de pessoas", disse o presidente da companhia, Dorival Dourado.
Enquanto isso, a norte-americana Fico, uma das maiores desenvolvedoras de produtos de análise de risco de crédito do mundo, está prospectando parcerias no setor no país, cuja fatia das receitas na América Latina espera elevar de um terço para metade nos próximos anos.
A avaliação da companhia é de que, apesar da atual desaceleração do crédito no Brasil, a tendência é que o ritmo dos empréstimos volte a acelerar no médio prazo, dada a combinação de eventos esportivos internacionais e investimentos em infraestrutura previstos para os próximos anos, que devem se refletir em maior demanda por financiamentos.
"Qualquer desaceleração no crédito no Brasil é temporária", disse Andreas Suma, diretor da Fico para América Latina.
O plano da companhia, que já foi parceira da Boa Vista, antes desta se fundir com a Equifax, é formar parcerias para operar principalmente nos mercados de cartões de crédito e veículos.
A movimentação, seis meses após a presidente Dilma Rousseff ter aprovado o projeto que criou o cadastro positivo, vem na esteira de uma disparada do crédito. Segundo os dados do Banco Central, o estoque de crédito do sistema atingiu 48,5 por cento do PIB brasileiro em outubro, uma alta de mais de 10 pontos percentuais em relação a 2008. Parte dessa escalada deveu-se justamente ao incentivo do governo para incentivar o consumo - baixando juros e impostos -, como meio de amenizar os efeitos da crise internacional na economia doméstica.
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20 de nov. de 2011
BOM PAGADOR JÁ TEM TAXA DE JUROS DIFERENCIADA COM CADASTRO POSITIVO
portal Maxpress 07/11/2011
A Omni, especializada em financiamento de carros usados para a classe C, já oferece taxas de juros diferenciadas para o consumidor que paga suas contas e tiver aderido ao cadastro positivo. A redução é de 20% na taxa de juros ao consumidor e começa a vigorar em 1º de janeiro de 2012
Na semana em que completa 5 meses, o cadastro positivo vai oferecer juros diferenciados ao bom pagador. A empresa que vai conceder crédito de forma personalizada é a Omni, financeira que aderiu ao cadastro positivo da Serasa Experian. A redução da taxa de juros para bons pagadores da Omni, especializada em financiamento de veículos com dez anos ou mais de uso, pode chegar a 20% e começa a vigorar em 1º de janeiro de 2012.
Instituído por uma lei sancionada presidente Dilma Roussef e publicada em 10 de junho, o Cadastro Positivo é um banco de dados que registra a pontualidade no pagamento das contas do consumidor - crediários, financiamentos, água, luz, telefone e outras contas, como a escola, por exemplo.
“Cerca de 30 empresas, médias e grandes, já aderiram ao cadastro positivo e estão encaminhando para a Serasa Experian as informações positivas de seus clientes, que autorizaram o envio. A Omni já se estruturou para oferecer juros diferenciados aos bons pagadores, fundamentada no que há de mais avançado no mundo para apuração do risco”, afirma Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian e Experian América Latina.
“A partir de 1º de janeiro, os proponentes a crédito da Omni Financeira poderão ter redução na taxa de juros se estiverem inscritos no Cadastro Positivo, lista que reúne os consumidores considerados bons pagadores”, afirma Tadeu da Silva, diretor de Negócios da Omni Financeira, que faz cerca de 5 mil novos empréstimos todos os meses.
De acordo com Tadeu da Silva, o abatimento na taxa de juros poderá ser, em média, de 20%. “Tomando como exemplo um financiamento de um veículo do ano 2000, no valor de R$ 10 mil, se o contrato for de 36 meses, ao final do período o abatimento será de R$ 1.152,00”, observa.
O desconto será possível porque, com o Cadastro Positivo, a financeira terá condições de obter dados seguros sobre o histórico de pagamentos assíduos dos proponentes, diminuindo os riscos na cessão de empréstimos. “A maioria da população é de bons pagadores, mas como não temos informações concretas sobre isso, no modelo atual tratamos todos de forma igual”, afirma. “Com o Cadastro Positivo teremos maior segurança na concessão do crédito e os bons pagadores sairão ganhando.”
No momento, a empresa finaliza a fase de testes do cadastro em seus sistemas. “É importante lembrar que, para incluir seu nome na lista de bons pagadores, o cliente tem que autorizar por escrito a instituição financeira”, aponta o executivo da Omni.
“O Cadastro Positivo é a resposta que vários países buscaram e buscam para ter um sistema de informação de crédito adequado à sofisticação atual do ambiente de negócios. Todos os setores econômicos terão grandes benefícios com o Cadastro Positivo, pois risco gerenciado é crédito bem concedido, sinônimo de maior rentabilidade e competitividade para as empresas. As organizações indo bem, o País e a população vão melhor ainda”, afirma Loureiro.
“A Serasa Experian registra por dia cerca de 1200 adesões de consumidores ao cadastro positivo em nosso site e em nossas agências. O que demonstra claramente que as empresas precisam logo traduzir, o desejo da sociedade, em benefícios imediatos”, afirma Ricardo Loureiro.
A Omni, especializada em financiamento de carros usados para a classe C, já oferece taxas de juros diferenciadas para o consumidor que paga suas contas e tiver aderido ao cadastro positivo. A redução é de 20% na taxa de juros ao consumidor e começa a vigorar em 1º de janeiro de 2012
Na semana em que completa 5 meses, o cadastro positivo vai oferecer juros diferenciados ao bom pagador. A empresa que vai conceder crédito de forma personalizada é a Omni, financeira que aderiu ao cadastro positivo da Serasa Experian. A redução da taxa de juros para bons pagadores da Omni, especializada em financiamento de veículos com dez anos ou mais de uso, pode chegar a 20% e começa a vigorar em 1º de janeiro de 2012.
Instituído por uma lei sancionada presidente Dilma Roussef e publicada em 10 de junho, o Cadastro Positivo é um banco de dados que registra a pontualidade no pagamento das contas do consumidor - crediários, financiamentos, água, luz, telefone e outras contas, como a escola, por exemplo.
“Cerca de 30 empresas, médias e grandes, já aderiram ao cadastro positivo e estão encaminhando para a Serasa Experian as informações positivas de seus clientes, que autorizaram o envio. A Omni já se estruturou para oferecer juros diferenciados aos bons pagadores, fundamentada no que há de mais avançado no mundo para apuração do risco”, afirma Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian e Experian América Latina.
“A partir de 1º de janeiro, os proponentes a crédito da Omni Financeira poderão ter redução na taxa de juros se estiverem inscritos no Cadastro Positivo, lista que reúne os consumidores considerados bons pagadores”, afirma Tadeu da Silva, diretor de Negócios da Omni Financeira, que faz cerca de 5 mil novos empréstimos todos os meses.
De acordo com Tadeu da Silva, o abatimento na taxa de juros poderá ser, em média, de 20%. “Tomando como exemplo um financiamento de um veículo do ano 2000, no valor de R$ 10 mil, se o contrato for de 36 meses, ao final do período o abatimento será de R$ 1.152,00”, observa.
O desconto será possível porque, com o Cadastro Positivo, a financeira terá condições de obter dados seguros sobre o histórico de pagamentos assíduos dos proponentes, diminuindo os riscos na cessão de empréstimos. “A maioria da população é de bons pagadores, mas como não temos informações concretas sobre isso, no modelo atual tratamos todos de forma igual”, afirma. “Com o Cadastro Positivo teremos maior segurança na concessão do crédito e os bons pagadores sairão ganhando.”
No momento, a empresa finaliza a fase de testes do cadastro em seus sistemas. “É importante lembrar que, para incluir seu nome na lista de bons pagadores, o cliente tem que autorizar por escrito a instituição financeira”, aponta o executivo da Omni.
“O Cadastro Positivo é a resposta que vários países buscaram e buscam para ter um sistema de informação de crédito adequado à sofisticação atual do ambiente de negócios. Todos os setores econômicos terão grandes benefícios com o Cadastro Positivo, pois risco gerenciado é crédito bem concedido, sinônimo de maior rentabilidade e competitividade para as empresas. As organizações indo bem, o País e a população vão melhor ainda”, afirma Loureiro.
“A Serasa Experian registra por dia cerca de 1200 adesões de consumidores ao cadastro positivo em nosso site e em nossas agências. O que demonstra claramente que as empresas precisam logo traduzir, o desejo da sociedade, em benefícios imediatos”, afirma Ricardo Loureiro.
15 de jun. de 2011
SERASA EXPERIAN PROMOVE CADASTRO POSITIVO
portal Meio&Mensagem 14/06/2011
A Serasa Experian estreou nesta semana a campanha intitulada “Serasa Experian. A gente trabalha para você crescer”. A ação de criação da QG Propaganda, tem como objetivo divulgar o "Cadastro Positivo", um banco de dados de bons pagadores, que cumprem seus compromissos em dia, e que funciona de forma contrária ao cadastro de inadimplentes. A principal meta do sistema é tornar mais eficaz a avaliação do risco dos consumidores, desenvolvendo políticas mais inclusivas, precisas e aplicáveis a diferentes etapas do ciclo de crédito.
Com o mote “Vamos ajudar a sua empresa a fazer mais e melhores negócios com o Cadastro Positivo” a peça, que conta com a participação do presidente da empresa, Ricardo Loureiro, vai ao ar na televisão aberta e fechada com filmes de 30 segundos, além de contar também com spots para rádio, campanhas na internet e anúncios de página simples e dupla em revistas e jornais impressos.
Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian, explica como funciona o cadastro Crédito: Divulgação
A Serasa Experian estreou nesta semana a campanha intitulada “Serasa Experian. A gente trabalha para você crescer”. A ação de criação da QG Propaganda, tem como objetivo divulgar o "Cadastro Positivo", um banco de dados de bons pagadores, que cumprem seus compromissos em dia, e que funciona de forma contrária ao cadastro de inadimplentes. A principal meta do sistema é tornar mais eficaz a avaliação do risco dos consumidores, desenvolvendo políticas mais inclusivas, precisas e aplicáveis a diferentes etapas do ciclo de crédito.
Com o mote “Vamos ajudar a sua empresa a fazer mais e melhores negócios com o Cadastro Positivo” a peça, que conta com a participação do presidente da empresa, Ricardo Loureiro, vai ao ar na televisão aberta e fechada com filmes de 30 segundos, além de contar também com spots para rádio, campanhas na internet e anúncios de página simples e dupla em revistas e jornais impressos.
Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian, explica como funciona o cadastro Crédito: Divulgação
13 de jun. de 2011
O CADASTRO POSITIVO EM OUTROS PAÍSES
SERASA VÊ QUEDA DE 50% NA INADIMPLÊNCIA
jornal Folha de S. Paulo 11/06/2011 – Toni Sciarretta
Principal "operadora" do cadastro positivo brasileiro, a Serasa Experian já desenvolveu uma série de produtos e de ferramentas de análise de crédito prontas para manipular dados como histórico de pagamento dos consumidores para vender aos bancos e ao varejo.
Só falta a base de dados ser alimentada com informações devidamente autorizadas pelos consumidores.
Segundo Ricardo Loureiro, presidente da Serasa, o cadastro positivo deve reduzir pela metade a inadimplência do consumidor pessoa física, hoje de cerca de 6% do total de empréstimos, após um prazo de 12 meses de pleno funcionamento.
"Teremos a oportunidade de entender qual é a capacidade de pagamento e de distinguir o bom pagador. À medida que tivermos uma base de dados mais parruda, poderemos diminuir à metade a inadimplência", disse.
Para Loureiro, o novo cadastro deve beneficiar especialmente a população recém-bancarizada e os informais que trabalham por conta própria e não têm como comprovar renda.
A SCPC, serviço de proteção ao crédito do comércio, também está preparada para utilizar informações positivas dos consumidores.
Para Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, gestora do SCPC, a ferramenta será fundamental para aperfeiçoar o sistema de concessão de crédito no país.
"A efetividade do cadastro positivo virá gradualmente, conforme a sociedade compreenda seu funcionamento, incorporando-o às necessidades e à cultura do país."
PROPAGANDA
Diferentemente do que ocorre em outros países, o cadastro positivo no Brasil só poderá ser formado e compartilhado com a autorização expressa do cliente.
A regra faz com que empresas como a Serasa, cujos clientes são os bancos e o varejo, tenham agora que se dirigir para o público geral.
Para isso, a Serasa foi fazer anúncio em estádio de futebol antes mesmo da sanção.
"Estamos diante de uma mudança cultural e a Serasa tem um trabalho para desenvolver. O cadastro positivo é a oportunidade que as pessoas têm de fazer com que seu bom comportamento seja revertido em benefício próprio. O cidadão também vai querer saber como estão os seus dados. Estamos preparados para esse atendimento também", disse Loureiro.
"O cadastro tornará possível o registro de informações em benefício de todos os envolvidos, especialmente o consumidor", diz Dourado.
Principal "operadora" do cadastro positivo brasileiro, a Serasa Experian já desenvolveu uma série de produtos e de ferramentas de análise de crédito prontas para manipular dados como histórico de pagamento dos consumidores para vender aos bancos e ao varejo.
Só falta a base de dados ser alimentada com informações devidamente autorizadas pelos consumidores.
Segundo Ricardo Loureiro, presidente da Serasa, o cadastro positivo deve reduzir pela metade a inadimplência do consumidor pessoa física, hoje de cerca de 6% do total de empréstimos, após um prazo de 12 meses de pleno funcionamento.
"Teremos a oportunidade de entender qual é a capacidade de pagamento e de distinguir o bom pagador. À medida que tivermos uma base de dados mais parruda, poderemos diminuir à metade a inadimplência", disse.
Para Loureiro, o novo cadastro deve beneficiar especialmente a população recém-bancarizada e os informais que trabalham por conta própria e não têm como comprovar renda.
A SCPC, serviço de proteção ao crédito do comércio, também está preparada para utilizar informações positivas dos consumidores.
Para Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, gestora do SCPC, a ferramenta será fundamental para aperfeiçoar o sistema de concessão de crédito no país.
"A efetividade do cadastro positivo virá gradualmente, conforme a sociedade compreenda seu funcionamento, incorporando-o às necessidades e à cultura do país."
PROPAGANDA
Diferentemente do que ocorre em outros países, o cadastro positivo no Brasil só poderá ser formado e compartilhado com a autorização expressa do cliente.
A regra faz com que empresas como a Serasa, cujos clientes são os bancos e o varejo, tenham agora que se dirigir para o público geral.
Para isso, a Serasa foi fazer anúncio em estádio de futebol antes mesmo da sanção.
"Estamos diante de uma mudança cultural e a Serasa tem um trabalho para desenvolver. O cadastro positivo é a oportunidade que as pessoas têm de fazer com que seu bom comportamento seja revertido em benefício próprio. O cidadão também vai querer saber como estão os seus dados. Estamos preparados para esse atendimento também", disse Loureiro.
"O cadastro tornará possível o registro de informações em benefício de todos os envolvidos, especialmente o consumidor", diz Dourado.
GOVERNO SANCIONA COM VETOS LEI DO CADASTRO POSITIVO
portal G1 10/06/2011 - Alexandro Martello
A presidente Dilma Rousseff sancionou, com três vetos, a lei que cria o cadastro positivo de bons pagadores, instrumento que poderá contribuir para diminuir o custo do crédito para quem mantém as contas em dia. A inclusão dos nomes no cadastro positivo é uma opção de cada consumidor. Deste modo, aqueles que quiserem ingressar, devem fazer um pedido formal. A lei ainda precisa de regulamentações posteriores para definir o funcionamento do cadastro positivo.
A medida provisória, que cria a lista, já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal em maio deste ano. Entre os vetos da Presidência, estão dispositivos que impediam o cancelamento do cadastro a qualquer momento por parte do consumidores. Pela regra anterior, o cancelamento não poderia ser feito se houvesse "obrigação creditícia em curso". A mensagem de veto diz que o texto violava a "privacidade dos cidadãos e o caráter voluntário do cadastro positivo.”
Outro veto diz respeito à possibilidade de consulta dos próprios dados, a qualquer momento, por parte dos usuários de forma gratuita. Pelo texto anterior, vetado, o direito poderia ser limitado a uma vez a cada quatro meses. "O livre acesso de todo cidadão às suas próprias informações é pressuposto necessário a procedimento que vise tutelar o exercício de direitos, devendo ser assegurada sua gratuidade a qualquer tempo", diz a mensagem de veto divulgada pela Casa Civil.
Como será:
1) Os bancos de dados terão registradas as informações sobre o histórico de pagamentos do consumidor (pessoa física ou jurídica).
2) Se ele deixar de pagar uma conta por um mês, por exemplo, não sairá do cadastro positivo, mas terá essa informação registrada em seu histórico. O consumidor poderá solicitar impugnação de qualquer informação "erroneamente anotada" sobre ele e ter, em até sete dias, sua correção ou cancelamento e comunicação aos demais bancos de dados.
3) Para a abertura do cadastro positivo, o consumidor terá de dar autorização por meio de um documento específico ou de uma cláusula à parte em um contrato de financiamento ou compra a prazo, por exemplo.
4) As informações incluídas no cadastro devem ser objetivas, claras, verdadeiras e de fácil compreensão, “necessárias para avaliar a situação econômica do cadastrado”.
5) O compartilhamento de informações entre os bancos de dados só será permitido se for autorizado pelo cadastrado em documento específico ou cláusula à parte de um contrato de compra.
6) Se quiser, o cadastrado incluído na lista poderá cancelar seu cadastro.
7) Os gestores dos bancos de dados serão obrigados a fornecer ao cadastrado todas as informações que houver no cadastro.
8) O cadastrado terá direito de saber quais os bancos de dados que compartilharam seus arquivos e quem consultou as informações.
9) O prazo de permanência das informações nos bancos de dados é de 15 anos.
10) O texto proíbe a anotação de informação considerada excessiva, que não tenha relação com a análise de risco de crédito ao consumidor. Não é permitido que haja no cadastro informações sobre origem étnica, sexual, sobre saúde ou convicções políticas e religiosas.
11) O banco de dados, a fonte e o consulente são responsáveis objetiva e solidariamente pelos danos materiais e morais que causarem ao cadastrado.
Críticas
A Fundação Procon-SP vê com preocupação alguns pontos do cadastro positivo e afirma que a medida não traz benefícios ao consumidor no curto prazo. “O mercado diz que se caírem, as taxas de juros cairão só daqui a dois anos”, avaliou o assessor-chefe do Procon, Carlos Coscarelli.
Entre as dúvidas do órgão quanto ao cadastro está a possibilidade de uso indevido, a exemplo do que ocorre, muitas vezes, segundo ele, nas listas negativas, de inadimplentes. “Hoje, o cadastro negativo é usado com pouco cuidado, sem muita segurança. O que vemos é a chance de que seja criado um outro tipo de consumidor, que não é considerado bom pagador nem devedor, e que não terá benefício”, afirmou em maio.
Para Coscarelli, a tendência é de que o mercado comece a condicionar a liberação de crédito à inclusão no cadastro positivo. “O consumidor pode ser bom pagador, mas não querer ter seu nome em lista nenhuma. Essa é uma preocupação nossa.”
No ano passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a aprovação do Cadastro Positivo iria possibilitar uma queda dos juros bancários para os consumidores.
"É uma velha luta. Eu não sei porque demoramos tanto e houve tanto obstáculo. O Cadastro Positivo vai ser bom porque possibilitará um conhecimento mais profundo das instituições financeiras sobre a situação dos correntistas, daqueles que querem mais crédito. Qaundo você não tem informação, eleva as taxas", disse ele, na época.
A presidente Dilma Rousseff sancionou, com três vetos, a lei que cria o cadastro positivo de bons pagadores, instrumento que poderá contribuir para diminuir o custo do crédito para quem mantém as contas em dia. A inclusão dos nomes no cadastro positivo é uma opção de cada consumidor. Deste modo, aqueles que quiserem ingressar, devem fazer um pedido formal. A lei ainda precisa de regulamentações posteriores para definir o funcionamento do cadastro positivo.
A medida provisória, que cria a lista, já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal em maio deste ano. Entre os vetos da Presidência, estão dispositivos que impediam o cancelamento do cadastro a qualquer momento por parte do consumidores. Pela regra anterior, o cancelamento não poderia ser feito se houvesse "obrigação creditícia em curso". A mensagem de veto diz que o texto violava a "privacidade dos cidadãos e o caráter voluntário do cadastro positivo.”
Outro veto diz respeito à possibilidade de consulta dos próprios dados, a qualquer momento, por parte dos usuários de forma gratuita. Pelo texto anterior, vetado, o direito poderia ser limitado a uma vez a cada quatro meses. "O livre acesso de todo cidadão às suas próprias informações é pressuposto necessário a procedimento que vise tutelar o exercício de direitos, devendo ser assegurada sua gratuidade a qualquer tempo", diz a mensagem de veto divulgada pela Casa Civil.
Como será:
1) Os bancos de dados terão registradas as informações sobre o histórico de pagamentos do consumidor (pessoa física ou jurídica).
2) Se ele deixar de pagar uma conta por um mês, por exemplo, não sairá do cadastro positivo, mas terá essa informação registrada em seu histórico. O consumidor poderá solicitar impugnação de qualquer informação "erroneamente anotada" sobre ele e ter, em até sete dias, sua correção ou cancelamento e comunicação aos demais bancos de dados.
3) Para a abertura do cadastro positivo, o consumidor terá de dar autorização por meio de um documento específico ou de uma cláusula à parte em um contrato de financiamento ou compra a prazo, por exemplo.
4) As informações incluídas no cadastro devem ser objetivas, claras, verdadeiras e de fácil compreensão, “necessárias para avaliar a situação econômica do cadastrado”.
5) O compartilhamento de informações entre os bancos de dados só será permitido se for autorizado pelo cadastrado em documento específico ou cláusula à parte de um contrato de compra.
6) Se quiser, o cadastrado incluído na lista poderá cancelar seu cadastro.
7) Os gestores dos bancos de dados serão obrigados a fornecer ao cadastrado todas as informações que houver no cadastro.
8) O cadastrado terá direito de saber quais os bancos de dados que compartilharam seus arquivos e quem consultou as informações.
9) O prazo de permanência das informações nos bancos de dados é de 15 anos.
10) O texto proíbe a anotação de informação considerada excessiva, que não tenha relação com a análise de risco de crédito ao consumidor. Não é permitido que haja no cadastro informações sobre origem étnica, sexual, sobre saúde ou convicções políticas e religiosas.
11) O banco de dados, a fonte e o consulente são responsáveis objetiva e solidariamente pelos danos materiais e morais que causarem ao cadastrado.
Críticas
A Fundação Procon-SP vê com preocupação alguns pontos do cadastro positivo e afirma que a medida não traz benefícios ao consumidor no curto prazo. “O mercado diz que se caírem, as taxas de juros cairão só daqui a dois anos”, avaliou o assessor-chefe do Procon, Carlos Coscarelli.
Entre as dúvidas do órgão quanto ao cadastro está a possibilidade de uso indevido, a exemplo do que ocorre, muitas vezes, segundo ele, nas listas negativas, de inadimplentes. “Hoje, o cadastro negativo é usado com pouco cuidado, sem muita segurança. O que vemos é a chance de que seja criado um outro tipo de consumidor, que não é considerado bom pagador nem devedor, e que não terá benefício”, afirmou em maio.
Para Coscarelli, a tendência é de que o mercado comece a condicionar a liberação de crédito à inclusão no cadastro positivo. “O consumidor pode ser bom pagador, mas não querer ter seu nome em lista nenhuma. Essa é uma preocupação nossa.”
No ano passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a aprovação do Cadastro Positivo iria possibilitar uma queda dos juros bancários para os consumidores.
"É uma velha luta. Eu não sei porque demoramos tanto e houve tanto obstáculo. O Cadastro Positivo vai ser bom porque possibilitará um conhecimento mais profundo das instituições financeiras sobre a situação dos correntistas, daqueles que querem mais crédito. Qaundo você não tem informação, eleva as taxas", disse ele, na época.
24 de mai. de 2011
BANCOS FICAM MAIS RENTÁVEIS COM CADASTRO POSITIVO, DIZ BARCLAYS
portal iG 23/05/2011 - Aline Cury Zampieri,
A criação do cadastro positivo de crédito deve melhorar a rentabilidade dos bancos brasileiros, a qualidade dos empréstimos e reduzir a precificação dos financiamentos para bons devedores. As conclusões são de relatórios divulgados nesta segunda-feira pelo Barclays e pela agência de classificação de risco Moody’s.
Na última quarta-feira, o Senado converteu em lei a medida provisória emitida no final de 2010 pelo presidente Lula que estabelece regras mais específicas sobre o assunto. A decisão ainda precisa de aprovação da presidenta Dilma.
“O uso do cadastro positivo no Brasil deve melhorar a capacidade dos bancos de reduzir as taxas de inadimplência de suas carteiras, nos portfólios já existentes. Pode também permitir a ampliação da base de devedores, mas trazendo mais condições de manutenção do nível de endividamento. Tudo isso contribui para uma melhoria da rentabilidade geral do sistema financeiro”, diz o Barclays.
Para a Moody’s, o cadastro tem benefícios claros, já que melhora a qualidade da informação relativa a crédito e permite o acesso dos bancos ao histórico de consumo dos clientes, o que vai melhorar suas análises e a originação de empréstimos.
“Também esperamos que essas informações eventualmente reduzam a precificação de títulos para tomadores de crédito com bom histórico de endividamento”, afirma a agência.
A Moody’s lembra que, em parte, a falta de um cadastro positivo no Brasil é um legado de longos períodos de inflação e taxas de juros muitos altas, que levaram a históricos de dívida não confiáveis. “Recentemente, preocupações a respeito da privacidade dos consumidores e sua proteção também atrasaram a introdução do sistema.”
Para compensar essas deficiências, diz a Moody’s, os bancos brasileiros tenderam a colocar altos spreads nos empréstimos, tanto para empresas quanto para pessoas físicas. “Prêmiso altos ajudaram a encobrir incertezas no comportamento do crédito.” A agência mostra que, em 2009, os custos ligados a crédito respondiam por um terço do spread das operações de renda fixa dos bancos (dados do Banco Central).
“A criação do cadastro é certamente um desenvolvimento necessário. O robusto crescimento nos empréstimos do país viu a entrada de uma vasta gama de novos devedores e pequenos negócios desde 2005, muitos deles com comportamento de crédito não testado.”
Em seu relatório, o Barclays cita um estudo do Banco Mundial, de 2005, mostrando que são muito significativos os benefícios de se ter cadastros positivo e negativo (caso do Brasil) para crédito. “As simulações indicam que a implementação do cadastro positivo no Brasil pode reduzir as taxas de inadimplência em 45%. Além disso, com base em informações coletadas em outros países, a combinação de cadastro positivo e negativo pode elevar em 88% o nível de aprovação de crédito dos bancos, comparado com os países que possuem apenas cadastro negativo.”
Poderia ser melhor
Apesar de aprovar a nova lei, o Barclays acredita que a regra poderia ter ficado melhor. “A lei carece de alguns aspectos importantes para o funcionamento adequado de um bureau de crédito positivo, particularmente em relação ao uso, armazenamento, compartilhamento de dados de clientes de crédito e divisão de custos de manutenção entre os bancos, provedores de serviços e bureaus.”
A lei estabelece que os clientes devem consentir por escrito para ter seu histórico de crédito e outros pagamentos adicionados ao cadastro positivo e, uma vez registrado, novas informações serão adicionadas sem aviso. Os clientes terão as informações registradas automaticamente, o histórico não deverá ser mantido exclusivamente por uma companhia (não deverá haver acordos de exclusividade entre cadastro e alimentadores de informações), e os usuários devem ter acesso a seus históricos, sem custo, a cada quatro meses. O histórico deve ser mantido por 15 anos.
Procon é contra
A Fundação Procon SP encaminhou dia 17 de maio ao Senado um documento manifestando suas preocupações com relação à aprovação da formação do cadastro positivo. A intenção era modificar vários pontos da proposta, que o Procon entende conter restrições que violam direitos e garantias fundamentais dos consumidores.
"De acordo com o texto que passou pela Câmara, o cancelamento do cadastro quando há obrigação creditícia (financiamento, empréstimo pessoal, etc) ainda em curso, sujeita o consumidor à manutenção de suas informações pessoais no banco de dados, não estando claro por quanto tempo essas informações ficarão disponíveis", diz em nota. "A julgar pelo que dispõe o projeto esses dados poderão permanecer por até 15 anos no banco de dados. Isso coloca o consumidor em absoluta desvantagem, pois mantém disponíveis seus dados pessoais sem qualquer contrapartida", continua.
Outro ponto criticado foi o que restringe o acesso gratuito do consumidor às informações sobre ele existentes no banco de dados a uma vez a cada quatro meses. "Tal limitação desrespeita direito básico do cadastrado, o da informação. Ao consumidor deve ser assegurado o acesso amplo, irrestrito e ilimitado a toda e qualquer informação pessoal existente nos bancos de dados."
A criação do cadastro positivo de crédito deve melhorar a rentabilidade dos bancos brasileiros, a qualidade dos empréstimos e reduzir a precificação dos financiamentos para bons devedores. As conclusões são de relatórios divulgados nesta segunda-feira pelo Barclays e pela agência de classificação de risco Moody’s.
Na última quarta-feira, o Senado converteu em lei a medida provisória emitida no final de 2010 pelo presidente Lula que estabelece regras mais específicas sobre o assunto. A decisão ainda precisa de aprovação da presidenta Dilma.
“O uso do cadastro positivo no Brasil deve melhorar a capacidade dos bancos de reduzir as taxas de inadimplência de suas carteiras, nos portfólios já existentes. Pode também permitir a ampliação da base de devedores, mas trazendo mais condições de manutenção do nível de endividamento. Tudo isso contribui para uma melhoria da rentabilidade geral do sistema financeiro”, diz o Barclays.
Para a Moody’s, o cadastro tem benefícios claros, já que melhora a qualidade da informação relativa a crédito e permite o acesso dos bancos ao histórico de consumo dos clientes, o que vai melhorar suas análises e a originação de empréstimos.
“Também esperamos que essas informações eventualmente reduzam a precificação de títulos para tomadores de crédito com bom histórico de endividamento”, afirma a agência.
A Moody’s lembra que, em parte, a falta de um cadastro positivo no Brasil é um legado de longos períodos de inflação e taxas de juros muitos altas, que levaram a históricos de dívida não confiáveis. “Recentemente, preocupações a respeito da privacidade dos consumidores e sua proteção também atrasaram a introdução do sistema.”
Para compensar essas deficiências, diz a Moody’s, os bancos brasileiros tenderam a colocar altos spreads nos empréstimos, tanto para empresas quanto para pessoas físicas. “Prêmiso altos ajudaram a encobrir incertezas no comportamento do crédito.” A agência mostra que, em 2009, os custos ligados a crédito respondiam por um terço do spread das operações de renda fixa dos bancos (dados do Banco Central).
“A criação do cadastro é certamente um desenvolvimento necessário. O robusto crescimento nos empréstimos do país viu a entrada de uma vasta gama de novos devedores e pequenos negócios desde 2005, muitos deles com comportamento de crédito não testado.”
Em seu relatório, o Barclays cita um estudo do Banco Mundial, de 2005, mostrando que são muito significativos os benefícios de se ter cadastros positivo e negativo (caso do Brasil) para crédito. “As simulações indicam que a implementação do cadastro positivo no Brasil pode reduzir as taxas de inadimplência em 45%. Além disso, com base em informações coletadas em outros países, a combinação de cadastro positivo e negativo pode elevar em 88% o nível de aprovação de crédito dos bancos, comparado com os países que possuem apenas cadastro negativo.”
Poderia ser melhor
Apesar de aprovar a nova lei, o Barclays acredita que a regra poderia ter ficado melhor. “A lei carece de alguns aspectos importantes para o funcionamento adequado de um bureau de crédito positivo, particularmente em relação ao uso, armazenamento, compartilhamento de dados de clientes de crédito e divisão de custos de manutenção entre os bancos, provedores de serviços e bureaus.”
A lei estabelece que os clientes devem consentir por escrito para ter seu histórico de crédito e outros pagamentos adicionados ao cadastro positivo e, uma vez registrado, novas informações serão adicionadas sem aviso. Os clientes terão as informações registradas automaticamente, o histórico não deverá ser mantido exclusivamente por uma companhia (não deverá haver acordos de exclusividade entre cadastro e alimentadores de informações), e os usuários devem ter acesso a seus históricos, sem custo, a cada quatro meses. O histórico deve ser mantido por 15 anos.
Procon é contra
A Fundação Procon SP encaminhou dia 17 de maio ao Senado um documento manifestando suas preocupações com relação à aprovação da formação do cadastro positivo. A intenção era modificar vários pontos da proposta, que o Procon entende conter restrições que violam direitos e garantias fundamentais dos consumidores.
"De acordo com o texto que passou pela Câmara, o cancelamento do cadastro quando há obrigação creditícia (financiamento, empréstimo pessoal, etc) ainda em curso, sujeita o consumidor à manutenção de suas informações pessoais no banco de dados, não estando claro por quanto tempo essas informações ficarão disponíveis", diz em nota. "A julgar pelo que dispõe o projeto esses dados poderão permanecer por até 15 anos no banco de dados. Isso coloca o consumidor em absoluta desvantagem, pois mantém disponíveis seus dados pessoais sem qualquer contrapartida", continua.
Outro ponto criticado foi o que restringe o acesso gratuito do consumidor às informações sobre ele existentes no banco de dados a uma vez a cada quatro meses. "Tal limitação desrespeita direito básico do cadastrado, o da informação. Ao consumidor deve ser assegurado o acesso amplo, irrestrito e ilimitado a toda e qualquer informação pessoal existente nos bancos de dados."
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20 de mai. de 2011
VAREJO OTIMISTA COM CADASTRO POSITIVO
jornal Diário do Comércio 20/05/2011 - Paula Cunha
O Cadastro Positivo será um importante instrumento de inclusão para os novos consumidores da classe C, que cumprem em dia seus compromissos financeiros, e contribuirá para aumentar o consumo no curto e no médio prazos em todo o País. Empreendedores do comércio varejista acreditam que a sua adoção permitirá que os juros caiam no longo prazo, à medida em que uma parcela maior da população aderir à iniciativa.
Na avaliação de Arab Chafi Zakka, sócio da rede varejista Preçolândia e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a adoção da medida é muito importante para a economia brasileira. Ele acredita que, no médio prazo, os juros mais baixos serão um diferencial para conquistar e fidelizar os clientes com bom histórico financeiro. "O Brasil precisava muito desta medida e importantes mudanças ocorrerão no comércio", afirmou.
O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), Sussumu Honda, também acredita nos futuros benefícios aos consumidores com bons hábitos de pontualidade no pagamento de suas contas. Ele lembra que a entrada da classe C no mercado de consumo brasileiro é muito recente, e este público – que normalmente se mostra um bom pagador – tem grande preocupação em manter essa imagem positiva. Otimista, Honda afirmou achar que haverá, como consequência da adoção do Cadastro Positivo, a queda dos juros e a redução da inadimplência.
Incentivo ao consumo – De acordo o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo (FCDLESP), Maurício Stainoff, a entrada em vigor do Cadastro Positivo terá impacto positivo sobre toda a economia. Segundo ele, os consumidores com perfil positivo na quitação de suas contas serão beneficiados com condições mais favoráveis de pagamento em suas compras – e isso os estimulará a consumir mais. Ele ressaltou que os empresários do varejo, e principalmente os que oferecem crédito aos seus clientes, terão que se adaptar – e, nesse cenário, os que conseguirem fazê-lo de forma mais rápida poderão conquistar mais vantagens competitivas no mercado.
No caso dos centros de compras, a reação à iniciativa também foi positiva. O diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, ressaltou que a medida terá que conceder apoio e vantagens aos consumidores que são bons pagadores. Segundo ele, a expectativa de baixar os juros para os compradores com este perfil deverá acontecer em um prazo aproximado de dois anos.
"À medida em que as instituições financeiras que concedem crédito se sentirem mais seguras, haverá a redução dos juros", opinou Rodrigo Gago Barbosa, advogado e professor titular da Faculdade de Direito de São Bernardo. Para ele, em uma etapa posterior elas também oferecerão mais crédito na praça, o que levará a um aumento no consumo da população.
Estudo – A opinião dos entrevistados pelo Diário do Comércio é sustentada pelo estudo divulgado pelo Banco Mundial (Bird) realizado em 129 países. Nessas economias houve desenvolvimento do mercado, que foi beneficiado pelas garantias oferecidas durante os financiamentos e pelo compartilhamento de informações por meio de birôs de crédito.
O Cadastro Positivo será um importante instrumento de inclusão para os novos consumidores da classe C, que cumprem em dia seus compromissos financeiros, e contribuirá para aumentar o consumo no curto e no médio prazos em todo o País. Empreendedores do comércio varejista acreditam que a sua adoção permitirá que os juros caiam no longo prazo, à medida em que uma parcela maior da população aderir à iniciativa.
Na avaliação de Arab Chafi Zakka, sócio da rede varejista Preçolândia e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a adoção da medida é muito importante para a economia brasileira. Ele acredita que, no médio prazo, os juros mais baixos serão um diferencial para conquistar e fidelizar os clientes com bom histórico financeiro. "O Brasil precisava muito desta medida e importantes mudanças ocorrerão no comércio", afirmou.
O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), Sussumu Honda, também acredita nos futuros benefícios aos consumidores com bons hábitos de pontualidade no pagamento de suas contas. Ele lembra que a entrada da classe C no mercado de consumo brasileiro é muito recente, e este público – que normalmente se mostra um bom pagador – tem grande preocupação em manter essa imagem positiva. Otimista, Honda afirmou achar que haverá, como consequência da adoção do Cadastro Positivo, a queda dos juros e a redução da inadimplência.
Incentivo ao consumo – De acordo o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo (FCDLESP), Maurício Stainoff, a entrada em vigor do Cadastro Positivo terá impacto positivo sobre toda a economia. Segundo ele, os consumidores com perfil positivo na quitação de suas contas serão beneficiados com condições mais favoráveis de pagamento em suas compras – e isso os estimulará a consumir mais. Ele ressaltou que os empresários do varejo, e principalmente os que oferecem crédito aos seus clientes, terão que se adaptar – e, nesse cenário, os que conseguirem fazê-lo de forma mais rápida poderão conquistar mais vantagens competitivas no mercado.
No caso dos centros de compras, a reação à iniciativa também foi positiva. O diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, ressaltou que a medida terá que conceder apoio e vantagens aos consumidores que são bons pagadores. Segundo ele, a expectativa de baixar os juros para os compradores com este perfil deverá acontecer em um prazo aproximado de dois anos.
"À medida em que as instituições financeiras que concedem crédito se sentirem mais seguras, haverá a redução dos juros", opinou Rodrigo Gago Barbosa, advogado e professor titular da Faculdade de Direito de São Bernardo. Para ele, em uma etapa posterior elas também oferecerão mais crédito na praça, o que levará a um aumento no consumo da população.
Estudo – A opinião dos entrevistados pelo Diário do Comércio é sustentada pelo estudo divulgado pelo Banco Mundial (Bird) realizado em 129 países. Nessas economias houve desenvolvimento do mercado, que foi beneficiado pelas garantias oferecidas durante os financiamentos e pelo compartilhamento de informações por meio de birôs de crédito.
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11 de mai. de 2011
CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVA MEDIDAS DE CADASTRO POSITIVO
jornal DCI 11/05/2011 - Agência Sebrae
A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (10) a Medida Provisória (MP) 518/10, que cria o cadastro dos bons pagadores ou cadastro positivo. O texto segue para aprovação no Senado. A medida pode ser benéfica às micro e pequenas empresas (MPE), já que tende a reduzir o custo da concessão de crédito. A iniciativa deve facilitar o resgate de crédito pelas microempresas, mas também proporcionará mais segurança a elas para emprestarem a seus clientes. O banco de informações dará agilidade à concessão e atingirá empresários e consumidores com histórico positivo, mesmo os que estiverem passando por algum momento de inadimplência.
Nos próximos dias, o Sebrae vai apresentar ao Senado um posicionamento em relação à MP. O documento foi escrito a partir de encontro realizado no dia 27 de abril, em Brasília, que contou com a presença de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), do Banco Central, da Serasa Experian e da Associação Comercial de São Paulo. A ideia é formar um consenso entre todos os participantes para ajudar na construção de uma legislação que beneficie as MPE.
Segundo o texto aprovado na Câmara, o consumidor terá de autorizar a inclusão de seu nome no cadastro positivo. Feito isso, a abertura do cadastro e as anotações no banco de dados não dependerão de nova autorização e ficarão disponíveis pelo prazo de 15 anos. O consumidor poderá sair do cadastro quando quiser.
Financiamentos mais baratos
O elevado custo do crédito no Brasil é puxado pelos juros, mas também pela inadimplência, hoje responsável por 32,2% do spread bancário – diferença entre os juros que as instituições financeiras pagam ao captar recursos e os cobrados dos consumidores –, segundo dados do Banco Central.
A adoção do Cadastro Positivo pode reduzir em 45% a inadimplência no País a médio prazo, segundo estimativas da Serasa. A empresa avalia que a aprovação do cadastro positivo incluiria 26 milhões de brasileiros no sistema financeiro e injetar até R$ 1 trilhão na demanda de crédito. Nos Estados Unidos, apenas 40% dos consumidores tinham acesso a financiamentos antes do cadastro positivo. Após a adoção, o percentual passou a ser de 80%, segundo dados da Serasa.
O Brasil é o único país do G20 (grupo das 20 economias mais fortes do mundo) e dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) que não tem cadastro positivo. “O cadastro é um benefício para a sociedade e vai ampliar a capacidade de consumo. Hoje, se o empresário ou o consumidor tem problema de atraso de uma conta, enfrenta dificuldade de ter o crédito analisado. Com o cadastro, ele pode mostrar seu histórico, apesar do problema pontual. Queremos ouvir opiniões para ter subsídios para apresentar uma posição do Sebrae sobre o projeto”, diz o gerente de Acesso a Mercado e Serviços Financeiros da instituição, Paulo Alvim.
A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (10) a Medida Provisória (MP) 518/10, que cria o cadastro dos bons pagadores ou cadastro positivo. O texto segue para aprovação no Senado. A medida pode ser benéfica às micro e pequenas empresas (MPE), já que tende a reduzir o custo da concessão de crédito. A iniciativa deve facilitar o resgate de crédito pelas microempresas, mas também proporcionará mais segurança a elas para emprestarem a seus clientes. O banco de informações dará agilidade à concessão e atingirá empresários e consumidores com histórico positivo, mesmo os que estiverem passando por algum momento de inadimplência.
Nos próximos dias, o Sebrae vai apresentar ao Senado um posicionamento em relação à MP. O documento foi escrito a partir de encontro realizado no dia 27 de abril, em Brasília, que contou com a presença de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), do Banco Central, da Serasa Experian e da Associação Comercial de São Paulo. A ideia é formar um consenso entre todos os participantes para ajudar na construção de uma legislação que beneficie as MPE.
Segundo o texto aprovado na Câmara, o consumidor terá de autorizar a inclusão de seu nome no cadastro positivo. Feito isso, a abertura do cadastro e as anotações no banco de dados não dependerão de nova autorização e ficarão disponíveis pelo prazo de 15 anos. O consumidor poderá sair do cadastro quando quiser.
Financiamentos mais baratos
O elevado custo do crédito no Brasil é puxado pelos juros, mas também pela inadimplência, hoje responsável por 32,2% do spread bancário – diferença entre os juros que as instituições financeiras pagam ao captar recursos e os cobrados dos consumidores –, segundo dados do Banco Central.
A adoção do Cadastro Positivo pode reduzir em 45% a inadimplência no País a médio prazo, segundo estimativas da Serasa. A empresa avalia que a aprovação do cadastro positivo incluiria 26 milhões de brasileiros no sistema financeiro e injetar até R$ 1 trilhão na demanda de crédito. Nos Estados Unidos, apenas 40% dos consumidores tinham acesso a financiamentos antes do cadastro positivo. Após a adoção, o percentual passou a ser de 80%, segundo dados da Serasa.
O Brasil é o único país do G20 (grupo das 20 economias mais fortes do mundo) e dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) que não tem cadastro positivo. “O cadastro é um benefício para a sociedade e vai ampliar a capacidade de consumo. Hoje, se o empresário ou o consumidor tem problema de atraso de uma conta, enfrenta dificuldade de ter o crédito analisado. Com o cadastro, ele pode mostrar seu histórico, apesar do problema pontual. Queremos ouvir opiniões para ter subsídios para apresentar uma posição do Sebrae sobre o projeto”, diz o gerente de Acesso a Mercado e Serviços Financeiros da instituição, Paulo Alvim.
5 de mai. de 2011
AMERICANA FICO QUER DOBRAR RECEITA NO BRASIL
jornal Brasil Econômico 05/05/2011 - Natália Flach
Os consecutivos aumentos dos preços no Brasil aliados às medidas macroeconômicas para reduzir a concessão de crédito no país são, atualmente, as principais preocupações do nova-iorquino Mark Greene. Afinal, a redução de consumo e a elevação da inadimplência são os maiores entraves para que a companhia que ele preside possa dobrar, neste ano, o seu faturamento por aqui. A Fico, empresa americana que desenvolve softwares e sistemas de análise de crédito e de gestão de decisão, tem em sua carteira de clientes os sete maiores bancos no Brasil. Entre eles, estão Itaú, Santander e Bradesco.
É exatamente por este motivo que o país responde por um terço da receita da companhia na América Latina. “Nós não separamos o faturamento por região”, afirma Greener, sem detalhar os números da subsidiária brasileira.
Na carteira global de clientes, os de maior peso são os bancos, que representam 70%do faturamento da Fico, enquanto os 30% restantes se distribuem entre seguradoras, varejistas e empresas de seguro saúde. No Brasil, o ranking segue a mesma ordem, segundo Greene. Agora, a companhia está de olho nas seguradoras brasileiras, e já possui como cliente uma das maiores do mercado, a SulAmerica Seguros.
De acordo com o executivo, os softwares desenvolvidos pela companhia podem ser divididos em quatro categorias. A primeira, denominada “mercado”, refere-se à análise de novos consumidores, enquanto a chamada “originação” tem como objetivo determinar o preço e o produto certo para cada consumidor. A companhia oferece ainda um sistema que revisa o histórico dos clientes (se pode conceder mais crédito ou não, por exemplo) e outro que ajuda a resolver questões como inadimplência e fraudes. “Nossos softwares representam 70% de todos os sistemas usados no mundo”, diz.
A intenção é intensificar a atuação da Fico nos quatro segmentos nas instituições brasileiras. “Com o início do funcionamento do cadastro positivo, o mercado de crédito ficará ainda mais seguro, e os brasileiros poderão se tornar os grandes consumidoresmundiais”, prevê.
Mesmo com o aumento do faturamento das operações fora dos Estados Unidos nos últimos três anos — passando de 33% para 35% do volume total —, a receita global da companhia caiu no período. Em2010, a Fico arrecadouUS$ 605milhões ante os US$ 630 milhões do ano anterior. Em 2008, o montante foi de US$ 744 milhões, ficando pouco abaixo dos US$ 784 milhões de 2007.
Segundo Greene, essa queda se deve à venda de áreas que não eram estratégicas para a companhia e à recessão americana. “Os EUA ainda estão se recuperando da crise”, diz. Fora isso, a companhia ainda investiu bastante nas subsidiárias brasileira e chinesa, os principais focos de crescimento da Fico. “No entanto, os lucros cresceram, por causa da redução de custos”, acrescenta Andreas Suma, diretor para a América Latina. Até 30 de setembro de 2010, dado mais recente, o lucro bruto da companhia somava US$ 106,6 milhões ante US$ 108,9milhões registrados no ano de 2009.
Crescimento acelerado
No ano passado, o mercado de crédito cresceu 20%no Brasil, e, em março, o estoque passou a representar 46,4% do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo o Banco Central. “Isso mostra que há muito espaço para crescer neste segmento, afinal, metade dos brasileiros ainda não está inserido nele”, diz Greene. Já na China, o mercado dobra todos os anos, segundo ele, apesar de ainda representar 30% do PIB. “As similaridades são inúmeras. Mas lá o governo é centralizado e precisa-se atentar para o plano de crescimento de cinco anos. Aqui, o importante, no momento, é ficar de olho na alta da inflação.”
Os consecutivos aumentos dos preços no Brasil aliados às medidas macroeconômicas para reduzir a concessão de crédito no país são, atualmente, as principais preocupações do nova-iorquino Mark Greene. Afinal, a redução de consumo e a elevação da inadimplência são os maiores entraves para que a companhia que ele preside possa dobrar, neste ano, o seu faturamento por aqui. A Fico, empresa americana que desenvolve softwares e sistemas de análise de crédito e de gestão de decisão, tem em sua carteira de clientes os sete maiores bancos no Brasil. Entre eles, estão Itaú, Santander e Bradesco.
É exatamente por este motivo que o país responde por um terço da receita da companhia na América Latina. “Nós não separamos o faturamento por região”, afirma Greener, sem detalhar os números da subsidiária brasileira.
Na carteira global de clientes, os de maior peso são os bancos, que representam 70%do faturamento da Fico, enquanto os 30% restantes se distribuem entre seguradoras, varejistas e empresas de seguro saúde. No Brasil, o ranking segue a mesma ordem, segundo Greene. Agora, a companhia está de olho nas seguradoras brasileiras, e já possui como cliente uma das maiores do mercado, a SulAmerica Seguros.
De acordo com o executivo, os softwares desenvolvidos pela companhia podem ser divididos em quatro categorias. A primeira, denominada “mercado”, refere-se à análise de novos consumidores, enquanto a chamada “originação” tem como objetivo determinar o preço e o produto certo para cada consumidor. A companhia oferece ainda um sistema que revisa o histórico dos clientes (se pode conceder mais crédito ou não, por exemplo) e outro que ajuda a resolver questões como inadimplência e fraudes. “Nossos softwares representam 70% de todos os sistemas usados no mundo”, diz.
A intenção é intensificar a atuação da Fico nos quatro segmentos nas instituições brasileiras. “Com o início do funcionamento do cadastro positivo, o mercado de crédito ficará ainda mais seguro, e os brasileiros poderão se tornar os grandes consumidoresmundiais”, prevê.
Mesmo com o aumento do faturamento das operações fora dos Estados Unidos nos últimos três anos — passando de 33% para 35% do volume total —, a receita global da companhia caiu no período. Em2010, a Fico arrecadouUS$ 605milhões ante os US$ 630 milhões do ano anterior. Em 2008, o montante foi de US$ 744 milhões, ficando pouco abaixo dos US$ 784 milhões de 2007.
Segundo Greene, essa queda se deve à venda de áreas que não eram estratégicas para a companhia e à recessão americana. “Os EUA ainda estão se recuperando da crise”, diz. Fora isso, a companhia ainda investiu bastante nas subsidiárias brasileira e chinesa, os principais focos de crescimento da Fico. “No entanto, os lucros cresceram, por causa da redução de custos”, acrescenta Andreas Suma, diretor para a América Latina. Até 30 de setembro de 2010, dado mais recente, o lucro bruto da companhia somava US$ 106,6 milhões ante US$ 108,9milhões registrados no ano de 2009.
Crescimento acelerado
No ano passado, o mercado de crédito cresceu 20%no Brasil, e, em março, o estoque passou a representar 46,4% do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo o Banco Central. “Isso mostra que há muito espaço para crescer neste segmento, afinal, metade dos brasileiros ainda não está inserido nele”, diz Greene. Já na China, o mercado dobra todos os anos, segundo ele, apesar de ainda representar 30% do PIB. “As similaridades são inúmeras. Mas lá o governo é centralizado e precisa-se atentar para o plano de crescimento de cinco anos. Aqui, o importante, no momento, é ficar de olho na alta da inflação.”
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26 de abr. de 2011
CARTILHA PARA O ORÇAMENTO NÃO ESTOURAR DOCUMENTO CRIADO PELA BVS ABORDA O CONSUMO RESPONSÁVEL
jornal Diário do Comércio 26/4/2011 - Paula Cunha
Com o crescimento da discussão em torno do destino da Medida Provisória 518, que regulamenta o Cadastro Positivo, ainda em fase de votação no Congresso, a Boa Vista Serviços (BVS), empresa ligada à Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reformulou tanto a versão impressa quanto a virtual de sua Cartilha de Orçamento Doméstico. O documento está no endereço http://www.dcomercio.com.br/especiais/downloads/cartilha_do_orcamento_domestico.pdf.
Batizada de "Cartilha do Orçamento Doméstico – Seja um Consumidor Positivo", ela inclui um link em que o interessado pode aceitar o Cadastro, além de oferecer orientações sobre como controlar e planejar os gastos familiares para evitar a inadimplência. Os impressos serão distribuídos a partir do início de maio nos postos de atendimento da Boa Vista/SCPC localizados nos bairros da Penha, Santo Amaro e São Miguel Paulista na Capital paulista.
Para Fernando Cosenza, superintendente de Inovação e Sustentabilidade da BVS, o processo de educação financeira da população é fundamental no momento em que as classes C e D conquistaram maior acesso ao crédito. "O crédito é fundamental para as economias desenvolvidas porque realiza sonhos, mas tem que ser utilizado com parcimônia, pois o descontrole existe não apenas naqueles segmentos da população mas também nas classes mais abastadas", diz.
Mais conteúdo – De acordo com Cosenza, o objetivo é, a partir do lançamento da cartilha, ampliar as ações educacionais com a criação de novos links com conteúdos diferenciados no site.
Ele explica que tem participado de muitos eventos voltados à análise do crescimento do crédito e lembra a constatação de que 60% dos inadimplentes chegaram a essa situação por força de situações críticas, como a perda do emprego, próprio ou de parentes próximos, e doenças na família. O superintendente afirma que esse fato reforça a estratégia da BVS de estimular as ações de orientação e defender o Cadastro Positivo. A ferramenta fornece todo o histórico dos consumidores, o que permite avaliar se ele passou por fases de inadimplência forçadas pelas circunstâncias ou se tem comportamento irresponsável no uso do crédito.
Despesas – A cartilha ressalta práticas simples do dia a dia, como a organização do orçamento em listas de despesas fixas e variáveis, pois elas possibilitam a visualização da realidade de cada família. Além disso, um conjunto de dicas para lidar com as faturas de cartão de crédito também são importantes para se estabelecer com clareza o limite que cada um pode comprometer na renda total.
Outros conteúdos também fazem parte do material. Um deles ensina como um consumidor inadimplente pode limpar seu nome. Uma orientação passo a passo mostra como resgatar títulos protestados em cartório e sair do cadastro de emitentes de cheques sem fundos. Há, ainda, dicas para recuperar cheques ou documentos roubados, extraviados ou furtados e uma lista completa de endereços de cartórios de protestos.
Com o crescimento da discussão em torno do destino da Medida Provisória 518, que regulamenta o Cadastro Positivo, ainda em fase de votação no Congresso, a Boa Vista Serviços (BVS), empresa ligada à Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reformulou tanto a versão impressa quanto a virtual de sua Cartilha de Orçamento Doméstico. O documento está no endereço http://www.dcomercio.com.br/especiais/downloads/cartilha_do_orcamento_domestico.pdf.
Batizada de "Cartilha do Orçamento Doméstico – Seja um Consumidor Positivo", ela inclui um link em que o interessado pode aceitar o Cadastro, além de oferecer orientações sobre como controlar e planejar os gastos familiares para evitar a inadimplência. Os impressos serão distribuídos a partir do início de maio nos postos de atendimento da Boa Vista/SCPC localizados nos bairros da Penha, Santo Amaro e São Miguel Paulista na Capital paulista.
Para Fernando Cosenza, superintendente de Inovação e Sustentabilidade da BVS, o processo de educação financeira da população é fundamental no momento em que as classes C e D conquistaram maior acesso ao crédito. "O crédito é fundamental para as economias desenvolvidas porque realiza sonhos, mas tem que ser utilizado com parcimônia, pois o descontrole existe não apenas naqueles segmentos da população mas também nas classes mais abastadas", diz.
Mais conteúdo – De acordo com Cosenza, o objetivo é, a partir do lançamento da cartilha, ampliar as ações educacionais com a criação de novos links com conteúdos diferenciados no site.
Ele explica que tem participado de muitos eventos voltados à análise do crescimento do crédito e lembra a constatação de que 60% dos inadimplentes chegaram a essa situação por força de situações críticas, como a perda do emprego, próprio ou de parentes próximos, e doenças na família. O superintendente afirma que esse fato reforça a estratégia da BVS de estimular as ações de orientação e defender o Cadastro Positivo. A ferramenta fornece todo o histórico dos consumidores, o que permite avaliar se ele passou por fases de inadimplência forçadas pelas circunstâncias ou se tem comportamento irresponsável no uso do crédito.
Despesas – A cartilha ressalta práticas simples do dia a dia, como a organização do orçamento em listas de despesas fixas e variáveis, pois elas possibilitam a visualização da realidade de cada família. Além disso, um conjunto de dicas para lidar com as faturas de cartão de crédito também são importantes para se estabelecer com clareza o limite que cada um pode comprometer na renda total.
Outros conteúdos também fazem parte do material. Um deles ensina como um consumidor inadimplente pode limpar seu nome. Uma orientação passo a passo mostra como resgatar títulos protestados em cartório e sair do cadastro de emitentes de cheques sem fundos. Há, ainda, dicas para recuperar cheques ou documentos roubados, extraviados ou furtados e uma lista completa de endereços de cartórios de protestos.
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25 de abr. de 2011
CADASTRO POSITIVO: PRIMEIRO BANCO DE DADOS DOS "BONS PAGADORES" ENTRA NO AR
portal InfoMoney 25/04/2011 - Camila F. de Mendonça
Em dezembro do ano passado, o Governo editou a Medida Provisória 518, que cria o cadastro positivo. Embora ainda esteja sendo muito discutido, o cadastro dos “bons pagadores” já tem um local para se hospedar. O maxxipositivo.com.br é a primeira ferramenta no País a concentrar as informações dos consumidores que querem fazer parte do cadastro.
A ideia, de acordo com o presidente da C&M Software, empresa que empregou a iniciativa, Orli Machado, é garantir aos consumidores do cadastro positivo alternativas para ter acesso maior ao crédito e ter argumentos para conseguir melhores condições, como menores juros e melhores prazos. “O Brasil tem um histórico de cadastro negativo. Com o cadastro positivo, parte-se do pressuposto de que você tem acesso ao crédito”, afirma.
O primeiro banco de dados positivo do País entrou no ar no dia 4 deste mês. E enquanto não tem concorrentes, a expectativa de crescimento para este ano é boa. “Até o fim do ano acreditamos que teremos 10 milhões de consumidores cadastrados”, acredita Machado.
Como funciona
Conforme consta na MP, o consumidor pode se cadastrar nos bancos de dados positivos gratuitamente, colocando as informações das últimas compras que fez. No maxxipositivo, quando solicitar crédito em alguma instituição financeira ou estabelecimento, ele informará que seu cadastro está ativo no banco de dados.
A partir daí, caberá a essas instituições entrarem no cadastro para conferir o histórico de adimplência do consumidor. Para fazer isso, elas devem se cadastrar e pagar para ter acesso aos dados. “E somente os estabelecimentos que o consumidor indicar é que terão autorização para analisar os dados”.
Uma das vantagens de se ter o bom histórico pronto, na avaliação de Machado, é que os consumidores evitam ter de apresentar uma série de documentos na hora de contratar crédito. “Você elimina a burocracia e facilita a vida tanto do consumidor como do estabelecimento”, diz.
Como se cadastrar
No maxxipositivo.com.br basta acessar o site e se cadastrar. Para que não haja qualquer tipo de informação distorcida, os dados passados pelos consumidores são conferidas pelos consultores da empresa, por meio de cruzamento de dados dos consumidores com os das empresas com as quais eles mantêm relacionamento.
Além de as novas compras serem atualizadas praticamente automaticamente, o consumidor também tem o controle de alterar informações como telefone e endereço, por exemplo, e elas serão enviadas para todos os estabelecimentos com os quais já contraiu crédito. Por meio do cadastro, o consumidor poderá também conferir quais estabelecimentos de fato consultaram seus dados.
Cadastro positivo
De acordo com a MP, os consumidores que se cadastrarem em banco de dados positivos têm o direito de acessar gratuitamente, a qualquer tempo, as informações sobre ele, inclusive o seu histórico, cabendo ao gestor manter sistemas seguros, por meio eletrônico ou telefone, de consulta. Além disso, a qualquer momento, ele pode pedir o cancelamento do cadastro.
O consumidor também pode solicitar impugnação de qualquer informação sobre ele erroneamente anotada em banco de dados e ter sua imediata correção ou cancelamento e comunicação aos bancos de dados com os quais aquele compartilhou a informação, bem como ele pode conhecer os principais elementos e critérios considerados para a análise de risco, resguardado o segredo empresarial.
Os cadastrados também devem ser informados previamente sobre o armazenamento, a identidade do gestor do banco de dados, o objetivo do tratamento dos dados pessoais e os destinatários dos dados em caso de compartilhamento. Eles podem solicitar a revisão de decisão realizada exclusivamente por meios automatizados e ter os seus dados pessoais utilizados somente de acordo com a finalidade para a qual eles foram coletados.
Em dezembro do ano passado, o Governo editou a Medida Provisória 518, que cria o cadastro positivo. Embora ainda esteja sendo muito discutido, o cadastro dos “bons pagadores” já tem um local para se hospedar. O maxxipositivo.com.br é a primeira ferramenta no País a concentrar as informações dos consumidores que querem fazer parte do cadastro.
A ideia, de acordo com o presidente da C&M Software, empresa que empregou a iniciativa, Orli Machado, é garantir aos consumidores do cadastro positivo alternativas para ter acesso maior ao crédito e ter argumentos para conseguir melhores condições, como menores juros e melhores prazos. “O Brasil tem um histórico de cadastro negativo. Com o cadastro positivo, parte-se do pressuposto de que você tem acesso ao crédito”, afirma.
O primeiro banco de dados positivo do País entrou no ar no dia 4 deste mês. E enquanto não tem concorrentes, a expectativa de crescimento para este ano é boa. “Até o fim do ano acreditamos que teremos 10 milhões de consumidores cadastrados”, acredita Machado.
Como funciona
Conforme consta na MP, o consumidor pode se cadastrar nos bancos de dados positivos gratuitamente, colocando as informações das últimas compras que fez. No maxxipositivo, quando solicitar crédito em alguma instituição financeira ou estabelecimento, ele informará que seu cadastro está ativo no banco de dados.
A partir daí, caberá a essas instituições entrarem no cadastro para conferir o histórico de adimplência do consumidor. Para fazer isso, elas devem se cadastrar e pagar para ter acesso aos dados. “E somente os estabelecimentos que o consumidor indicar é que terão autorização para analisar os dados”.
Uma das vantagens de se ter o bom histórico pronto, na avaliação de Machado, é que os consumidores evitam ter de apresentar uma série de documentos na hora de contratar crédito. “Você elimina a burocracia e facilita a vida tanto do consumidor como do estabelecimento”, diz.
Como se cadastrar
No maxxipositivo.com.br basta acessar o site e se cadastrar. Para que não haja qualquer tipo de informação distorcida, os dados passados pelos consumidores são conferidas pelos consultores da empresa, por meio de cruzamento de dados dos consumidores com os das empresas com as quais eles mantêm relacionamento.
Além de as novas compras serem atualizadas praticamente automaticamente, o consumidor também tem o controle de alterar informações como telefone e endereço, por exemplo, e elas serão enviadas para todos os estabelecimentos com os quais já contraiu crédito. Por meio do cadastro, o consumidor poderá também conferir quais estabelecimentos de fato consultaram seus dados.
Cadastro positivo
De acordo com a MP, os consumidores que se cadastrarem em banco de dados positivos têm o direito de acessar gratuitamente, a qualquer tempo, as informações sobre ele, inclusive o seu histórico, cabendo ao gestor manter sistemas seguros, por meio eletrônico ou telefone, de consulta. Além disso, a qualquer momento, ele pode pedir o cancelamento do cadastro.
O consumidor também pode solicitar impugnação de qualquer informação sobre ele erroneamente anotada em banco de dados e ter sua imediata correção ou cancelamento e comunicação aos bancos de dados com os quais aquele compartilhou a informação, bem como ele pode conhecer os principais elementos e critérios considerados para a análise de risco, resguardado o segredo empresarial.
Os cadastrados também devem ser informados previamente sobre o armazenamento, a identidade do gestor do banco de dados, o objetivo do tratamento dos dados pessoais e os destinatários dos dados em caso de compartilhamento. Eles podem solicitar a revisão de decisão realizada exclusivamente por meios automatizados e ter os seus dados pessoais utilizados somente de acordo com a finalidade para a qual eles foram coletados.
AVALIAR RISCO DE EMERGENTES É O MAIOR DESAFIO
jornal Brasil Econômico 25/04/2011 - Márcia Pinheiro
Estabelecida no Brasil como âncora na América Latina desde 1997, a Fico é uma empresa especialista em gerenciamento de riscos e prevenção a fraudes. Os negócios latino-americanos cresceram 20% no ano passado e as vendas dobraram no país no ano passado.
Em que pese o fato de o Brasil estar 15 anos à frente dos Estados Unidos em termos de tecnologia, a Fico tem estudado como oferecer soluções para instituições financeiras e seguradoras, tendo como foco a nova classe emergente, ainda não totalmente habituada a cartões e apólices.
Além do Brasil, um dos focos prioritários da Fico é o Peru, considerado o tigre asiático latino-americano, onde há uma crescente classe média e uma população relativamente grande (30milhões de habitantes).
“O desafio é como precificar os produtos e avaliar os riscos”, diz Andreas Suma, diretor sênior para América Latina. “Os volumes são surpreendentes, mas existe um vácuo de dados, por não haver histórico financeiro [destes novos entrantes]”, afirma. O objetivo é aprender como conceder empréstimos a eles de forma responsável, diz o executivo.
Como o cadastro positivo ainda não foi aprovado no país, a tarefa é árdua. Nos Estados Unidos, por exemplo, além de em 20 outros países, a ferramenta Fico Scores é o mais usado para avaliar o risco de crédito dos consumidores por bancos, agências de classificação de risco e o mercado secundário de dívida.
Considerando também os consumidores tradicionais, o grande quebra-cabeça é evitar a clonagem mais sofisticada. “Com a adoção dos chips em cartões, o nível de fraudes também evoluiu”, afirma Andrew Manuel, consultor sênior para fraudes globais da Fico. Ou seja, o risco é a captura do CPF e, com ele, toda a vida financeira do cidadão.
Estabelecida no Brasil como âncora na América Latina desde 1997, a Fico é uma empresa especialista em gerenciamento de riscos e prevenção a fraudes. Os negócios latino-americanos cresceram 20% no ano passado e as vendas dobraram no país no ano passado.
Em que pese o fato de o Brasil estar 15 anos à frente dos Estados Unidos em termos de tecnologia, a Fico tem estudado como oferecer soluções para instituições financeiras e seguradoras, tendo como foco a nova classe emergente, ainda não totalmente habituada a cartões e apólices.
Além do Brasil, um dos focos prioritários da Fico é o Peru, considerado o tigre asiático latino-americano, onde há uma crescente classe média e uma população relativamente grande (30milhões de habitantes).
“O desafio é como precificar os produtos e avaliar os riscos”, diz Andreas Suma, diretor sênior para América Latina. “Os volumes são surpreendentes, mas existe um vácuo de dados, por não haver histórico financeiro [destes novos entrantes]”, afirma. O objetivo é aprender como conceder empréstimos a eles de forma responsável, diz o executivo.
Como o cadastro positivo ainda não foi aprovado no país, a tarefa é árdua. Nos Estados Unidos, por exemplo, além de em 20 outros países, a ferramenta Fico Scores é o mais usado para avaliar o risco de crédito dos consumidores por bancos, agências de classificação de risco e o mercado secundário de dívida.
Considerando também os consumidores tradicionais, o grande quebra-cabeça é evitar a clonagem mais sofisticada. “Com a adoção dos chips em cartões, o nível de fraudes também evoluiu”, afirma Andrew Manuel, consultor sênior para fraudes globais da Fico. Ou seja, o risco é a captura do CPF e, com ele, toda a vida financeira do cidadão.
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7 de abr. de 2011
CADASTRO POSITIVO: MOMENTO DE AJUSTES
jornal Diário do Comércio 07/04/2011 - Giseli Cabrini e Neide Martingo
A Boa Vista Serviços (BVS), empresa que administra o Serviço Central de Proteção ao crédito (SCPC), avalia que o prazo de votação da Medida Provisória (MP) 518 que trata da criação do Cadastro Positivo é uma oportunidade para que o Congresso Nacional ajuste pontos que ameaçam dificultar que o banco de dados seja efetivamente colocado em prática.
Entre os pontos a serem aperfeiçoados está o que transfere o poder de informação ao consumidor (autorização, compartilhamento e cancelamento). "Na nossa avaliação, o cancelamento só deveria ser feito desde que o consumidor não estivesse envolvido em alguma transação, por exemplo", afirmou o diretor de Produtos e Soluções da Boa Vista Serviços (BVS), Leonardo Soares, que participou do seminário Cadastro Positivo, realizado ontem na capital paulista.
Outra preocupação é em relação ao art. 4º da MP que determina que a autorização prévia seja feita por assinatura em instrumento específico ou em cláusula apartada. "Seria importante contemplar outras formas, entre elas a assinatura eletrônica."
Ainda segundo o executivo, a BVS considera positivos o estabelecimento de um marco regulatório e a eliminação de obrigatoriedade de comunicação via carta. Em relação à exclusão da telefonia celular como fonte de informações, a empresa acredita que, futuramente, isso irá ocorrer de forma natural." A atual proposta ao promover acesso ao histórico de crédito do indivíduo possibilita desenvolver estratégias de reconquista de clientes, aumentar o potencial de receita, prevenir perdas de informações, entre outros."
Soares avalia, no entanto, que o formato do Cadastro Positivo poderia ir além do histórico de créditos, bens e serviços financiados, pagamentos e liquidações. "Poderia haver dados demográficos, preferências e desejos do cliente."
Se a MP 518 não for aprovada na Câmara e no Senado até o dia 31 de maio perderá toda a eficácia. A afirmação foi feita pelo secretário de relações internacionais da Prefeitura de São Paulo, Alfredo Cotait. O cadastro, que reúne os bons pagadores, está sendo discutido em Brasília desde 2004. Uma das vantagens oferecidas é que, quem honra seus compromissos em dia, teria direito a juros menores nas concessões de crédito. A MP 518 foi criada pelo governo federal, após o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva ter vetado, em dezembro de 2010, o Projeto de Lei nº 263.
Juros – "As pessoas de baixa renda não podem continuar arcando com uma taxa de juros de 10% ao mês. O Cadastro Positivo poderia facilitar os processos", afirmou Cotait. "O certo é que os consumidores paguem juros de acordo com o próprio histórico". O secretário disse que a MP recebeu 72 emendas – o que pode distorcer o seu objetivo.
A expectativa do deputado federal Walter Ioshi (DEM-SP) é que a votação na Câmara seja realizada na primeira ou na segunda semana de maio. "O Brasil é um dos poucos países que só possui o cadastro negativo; os emergentes, como China, Rússia e México, já têm o positivo há bastante tempo."
O texto da MP permite que os consumidores optem por não fazer parte Cadastro Positivo. "É possível solicitar também, a correção do registro." O deputado ressaltou que os dados não podem ser usados para outros fins, como para contatos feitos por empresas de telemarketing.
O gerente de cobrança da Lojas Marisa, Emilio Augusto Vieira Neto, afirmou que o Cadastro Positivo é um avanço para a sociedade. "A possibilidade de saber quanto determinado cliente deve no mercado permite a avaliação correta do crédito. Se ele ficar inadimplente, será feito um plano para que o consumidor honre as dívidas."
Cuidados – O coordenador geral da supervisão e controle do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, Danilo Doneda, ressaltou que em todos os países que adotaram o Cadastro Positivo, há a garantia mínima de proteção de dados. "Esse é o ponto principal do tema. O Cadastro Positivo deve ser usado com respeito."
Já o assessor da presidência do Procon-SP, Marcos Diegues, defende a ideia de que as regras são suficientes. "Não é preciso criar uma lei para consolidar as informações."
Acesso mais fácil ao sistema financeiro
Executivos de instituições financeiras que participaram do seminário do Cadastro positivo foram unânimes em afirmar que a adoção do banco de dados trará benefícios principalmente para facilitar o acesso da população ao sistema financeiro, agilizar e ampliar o processo de concessão de crédito, reduzir a taxa de juros e, consequentemente, o problema do superendividamento. No entanto, dentre todos esses aspectos o de maior consenso é de que o banco de dados positivo irá ajudar no processo de inclusão de consumidores no sistema bancário.
Em relação à diminuição dos juros, prevalece a ideia de que será um processo mais lento que demandaria pelo menos, dois anos para ocorrer. "Pelos dados do Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada/Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ipea/IBGE) cerca de 40% da população brasileira não tem conta em banco. Certamente, o grande beneficiário será o consumidor da baixa renda que por estar fora do sistema financeiro e também do Sistema de Informações de Crédito) possui maior dificuldade de acesso ao crédito seja na modalidade tradicional ou no consignado e que, por sua vez, é a que mais utiliza compras a prazo", disse o gerente de Divisão da Diretoria de Crédito do Banco do Brasil (BB), Gerson Wlaudimir Falcucci.
Para o vice-presidente do Citi Brasil, Victor Loyola, o Cadastro Positivo torna o processo de seleção e precificação de crédito muito mais eficiente, o que facilita o processo de aprovação das propostas. "Acredito que haverá uma evolução ainda maior do crédito que passou de 24% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2002 para 46,7% em 2010. Embora seja provável uma alta inicial da inadimplência sabemos que para a baixa renda é muito importante estar adimplente, ou seja, com o nome limpo", disse o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas.
Os executivos apontaram alguns desafios em relação à ideia do bureau positivo e da Medida Provisória (MP) 518. Um deles é a qualidade das informações, pois o texto da MP permitiria ao consumidor manipular o histórico de crédito. "Sou um entusiasta do Cadastro Positivo, mas não da MP. Entre as falhas está o fato de transferir ao consumidor o poder da informação. É complicado obter informações desse tipo, por exemplo, junto às classes C e D que são as principais tomadoras de crédito", avaliou o diretor de Crédito do HSBC/Losango, Gibson Silva.
A Boa Vista Serviços (BVS), empresa que administra o Serviço Central de Proteção ao crédito (SCPC), avalia que o prazo de votação da Medida Provisória (MP) 518 que trata da criação do Cadastro Positivo é uma oportunidade para que o Congresso Nacional ajuste pontos que ameaçam dificultar que o banco de dados seja efetivamente colocado em prática.
Entre os pontos a serem aperfeiçoados está o que transfere o poder de informação ao consumidor (autorização, compartilhamento e cancelamento). "Na nossa avaliação, o cancelamento só deveria ser feito desde que o consumidor não estivesse envolvido em alguma transação, por exemplo", afirmou o diretor de Produtos e Soluções da Boa Vista Serviços (BVS), Leonardo Soares, que participou do seminário Cadastro Positivo, realizado ontem na capital paulista.
Outra preocupação é em relação ao art. 4º da MP que determina que a autorização prévia seja feita por assinatura em instrumento específico ou em cláusula apartada. "Seria importante contemplar outras formas, entre elas a assinatura eletrônica."
Ainda segundo o executivo, a BVS considera positivos o estabelecimento de um marco regulatório e a eliminação de obrigatoriedade de comunicação via carta. Em relação à exclusão da telefonia celular como fonte de informações, a empresa acredita que, futuramente, isso irá ocorrer de forma natural." A atual proposta ao promover acesso ao histórico de crédito do indivíduo possibilita desenvolver estratégias de reconquista de clientes, aumentar o potencial de receita, prevenir perdas de informações, entre outros."
Soares avalia, no entanto, que o formato do Cadastro Positivo poderia ir além do histórico de créditos, bens e serviços financiados, pagamentos e liquidações. "Poderia haver dados demográficos, preferências e desejos do cliente."
Se a MP 518 não for aprovada na Câmara e no Senado até o dia 31 de maio perderá toda a eficácia. A afirmação foi feita pelo secretário de relações internacionais da Prefeitura de São Paulo, Alfredo Cotait. O cadastro, que reúne os bons pagadores, está sendo discutido em Brasília desde 2004. Uma das vantagens oferecidas é que, quem honra seus compromissos em dia, teria direito a juros menores nas concessões de crédito. A MP 518 foi criada pelo governo federal, após o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva ter vetado, em dezembro de 2010, o Projeto de Lei nº 263.
Juros – "As pessoas de baixa renda não podem continuar arcando com uma taxa de juros de 10% ao mês. O Cadastro Positivo poderia facilitar os processos", afirmou Cotait. "O certo é que os consumidores paguem juros de acordo com o próprio histórico". O secretário disse que a MP recebeu 72 emendas – o que pode distorcer o seu objetivo.
A expectativa do deputado federal Walter Ioshi (DEM-SP) é que a votação na Câmara seja realizada na primeira ou na segunda semana de maio. "O Brasil é um dos poucos países que só possui o cadastro negativo; os emergentes, como China, Rússia e México, já têm o positivo há bastante tempo."
O texto da MP permite que os consumidores optem por não fazer parte Cadastro Positivo. "É possível solicitar também, a correção do registro." O deputado ressaltou que os dados não podem ser usados para outros fins, como para contatos feitos por empresas de telemarketing.
O gerente de cobrança da Lojas Marisa, Emilio Augusto Vieira Neto, afirmou que o Cadastro Positivo é um avanço para a sociedade. "A possibilidade de saber quanto determinado cliente deve no mercado permite a avaliação correta do crédito. Se ele ficar inadimplente, será feito um plano para que o consumidor honre as dívidas."
Cuidados – O coordenador geral da supervisão e controle do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, Danilo Doneda, ressaltou que em todos os países que adotaram o Cadastro Positivo, há a garantia mínima de proteção de dados. "Esse é o ponto principal do tema. O Cadastro Positivo deve ser usado com respeito."
Já o assessor da presidência do Procon-SP, Marcos Diegues, defende a ideia de que as regras são suficientes. "Não é preciso criar uma lei para consolidar as informações."
Acesso mais fácil ao sistema financeiro
Executivos de instituições financeiras que participaram do seminário do Cadastro positivo foram unânimes em afirmar que a adoção do banco de dados trará benefícios principalmente para facilitar o acesso da população ao sistema financeiro, agilizar e ampliar o processo de concessão de crédito, reduzir a taxa de juros e, consequentemente, o problema do superendividamento. No entanto, dentre todos esses aspectos o de maior consenso é de que o banco de dados positivo irá ajudar no processo de inclusão de consumidores no sistema bancário.
Em relação à diminuição dos juros, prevalece a ideia de que será um processo mais lento que demandaria pelo menos, dois anos para ocorrer. "Pelos dados do Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada/Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ipea/IBGE) cerca de 40% da população brasileira não tem conta em banco. Certamente, o grande beneficiário será o consumidor da baixa renda que por estar fora do sistema financeiro e também do Sistema de Informações de Crédito) possui maior dificuldade de acesso ao crédito seja na modalidade tradicional ou no consignado e que, por sua vez, é a que mais utiliza compras a prazo", disse o gerente de Divisão da Diretoria de Crédito do Banco do Brasil (BB), Gerson Wlaudimir Falcucci.
Para o vice-presidente do Citi Brasil, Victor Loyola, o Cadastro Positivo torna o processo de seleção e precificação de crédito muito mais eficiente, o que facilita o processo de aprovação das propostas. "Acredito que haverá uma evolução ainda maior do crédito que passou de 24% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2002 para 46,7% em 2010. Embora seja provável uma alta inicial da inadimplência sabemos que para a baixa renda é muito importante estar adimplente, ou seja, com o nome limpo", disse o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas.
Os executivos apontaram alguns desafios em relação à ideia do bureau positivo e da Medida Provisória (MP) 518. Um deles é a qualidade das informações, pois o texto da MP permitiria ao consumidor manipular o histórico de crédito. "Sou um entusiasta do Cadastro Positivo, mas não da MP. Entre as falhas está o fato de transferir ao consumidor o poder da informação. É complicado obter informações desse tipo, por exemplo, junto às classes C e D que são as principais tomadoras de crédito", avaliou o diretor de Crédito do HSBC/Losango, Gibson Silva.
29 de mar. de 2011
CADASTRO POSITIVO RECEBE 72 EMENDAS
jornal Diário do Comércio 29/03/2011 - Renato Carbonari Ibelli
A Medida Provisória (MP) n° 518, de 2010, que cria o chamado Cadastro Positivo, recebeu 72 emendas nos 15 dias pelos quais tramitou no Congresso Nacional. Entre elas, a proposta pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que prevê a exclusão dos prestadores de serviços continuados, como os de água e esgoto, da possibilidade de abastecer o cadastro com dados dos seus clientes. Outra emenda, esta do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), quer limitar o acesso às informações cadastrais – pelos consumidores inscritos no cadastro – a uma vez por ano.
O texto da MP tramitou no âmbito do Congresso do dia 3 até 17 de fevereiro, quando foi encaminhado para apreciação particular da Câmara dos Deputados, onde as emendas serão analisadas. Até ontem, a matéria encontrava-se na ordem do dia dessa casa legislativa, mas ainda não havia relator indicado para ela. Pela tramitação natural, após ser analisado pela Câmara, o texto segue para apreciação no Senado. Caso alguma das 72 emendas seja aprovada por ambas as casas, a matéria volta à Presidência da República, onde foi originada.
Veto – Vale lembrar que a MP 518, publicada no Diário Oficial de 31 de dezembro de 2010, foi editada após o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter vetado o projeto de lei 263, de 2004, de autoria do legislativo, que de maneira similar também previa a criação do Cadastro Positivo.
O tema é complexo. De um lado há todo o benefício ao mercado e ao consumidor gerado por um banco de dados de bons pagadores, que permitiria, entre outros pontos, a queda da inadimplência e, em âmbito mais amplo, o recuo dos juros. Do outro lado, há a necessidade de preservar os direitos básicos dos consumidores, seja ele bom pagador ou não. As emendas à MP refletem essas preocupações.
O senador Rodrigo Rollemberg, que incluiu no texto a emenda que impediria prestadores de serviços continuados de abastecer o cadastro, justifica sua proposta dizendo que tais atividades "não têm qualquer relação com o mercado financeiro de oferta de crédito".
Telefonia – Por outro lado, o deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR) apresenta emenda que inclui os prestadores de serviço de telefonia móvel entre aqueles que poderiam abastecer o cadastro, esclarecendo não haver diferença entre a relação consumidor-prestadora desse serviço com a observada na telefonia fixa, que pela MP pode abastecer com informações o banco de dados do Cadastro Positivo.
Já a emenda do deputado tucano Eduardo Gomes, que limita a uma vez por ano o acesso ao banco de dados, é justificada pelo "ônus a mais que os gestores do cadastro teriam ao permitir o acesso frequente por parte dos cadastrados". Em contrapartida, há pelo menos outras três emendas de parlamentares que recomendam que o texto da MP enfatize que o acesso aos dados poderá ser feito a qualquer momento e sem ônus algum ao consumidor cadastrado.
O Cadastro Positivo é o oposto do Cadastro Negativo, habitualmente utilizado por instituições financeiras e de crédito para checar o histórico de inadimplência de uma determinada pessoa. Lá estão registradas as prestações não pagas. Mas em vez de listar o mau pagador, o Cadastro Positivo que tramita no Congresso Nacional listará aqueles consumidores que cumpriram seus compromissos em dia.
A Medida Provisória (MP) n° 518, de 2010, que cria o chamado Cadastro Positivo, recebeu 72 emendas nos 15 dias pelos quais tramitou no Congresso Nacional. Entre elas, a proposta pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que prevê a exclusão dos prestadores de serviços continuados, como os de água e esgoto, da possibilidade de abastecer o cadastro com dados dos seus clientes. Outra emenda, esta do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), quer limitar o acesso às informações cadastrais – pelos consumidores inscritos no cadastro – a uma vez por ano.
O texto da MP tramitou no âmbito do Congresso do dia 3 até 17 de fevereiro, quando foi encaminhado para apreciação particular da Câmara dos Deputados, onde as emendas serão analisadas. Até ontem, a matéria encontrava-se na ordem do dia dessa casa legislativa, mas ainda não havia relator indicado para ela. Pela tramitação natural, após ser analisado pela Câmara, o texto segue para apreciação no Senado. Caso alguma das 72 emendas seja aprovada por ambas as casas, a matéria volta à Presidência da República, onde foi originada.
Veto – Vale lembrar que a MP 518, publicada no Diário Oficial de 31 de dezembro de 2010, foi editada após o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter vetado o projeto de lei 263, de 2004, de autoria do legislativo, que de maneira similar também previa a criação do Cadastro Positivo.
O tema é complexo. De um lado há todo o benefício ao mercado e ao consumidor gerado por um banco de dados de bons pagadores, que permitiria, entre outros pontos, a queda da inadimplência e, em âmbito mais amplo, o recuo dos juros. Do outro lado, há a necessidade de preservar os direitos básicos dos consumidores, seja ele bom pagador ou não. As emendas à MP refletem essas preocupações.
O senador Rodrigo Rollemberg, que incluiu no texto a emenda que impediria prestadores de serviços continuados de abastecer o cadastro, justifica sua proposta dizendo que tais atividades "não têm qualquer relação com o mercado financeiro de oferta de crédito".
Telefonia – Por outro lado, o deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR) apresenta emenda que inclui os prestadores de serviço de telefonia móvel entre aqueles que poderiam abastecer o cadastro, esclarecendo não haver diferença entre a relação consumidor-prestadora desse serviço com a observada na telefonia fixa, que pela MP pode abastecer com informações o banco de dados do Cadastro Positivo.
Já a emenda do deputado tucano Eduardo Gomes, que limita a uma vez por ano o acesso ao banco de dados, é justificada pelo "ônus a mais que os gestores do cadastro teriam ao permitir o acesso frequente por parte dos cadastrados". Em contrapartida, há pelo menos outras três emendas de parlamentares que recomendam que o texto da MP enfatize que o acesso aos dados poderá ser feito a qualquer momento e sem ônus algum ao consumidor cadastrado.
O Cadastro Positivo é o oposto do Cadastro Negativo, habitualmente utilizado por instituições financeiras e de crédito para checar o histórico de inadimplência de uma determinada pessoa. Lá estão registradas as prestações não pagas. Mas em vez de listar o mau pagador, o Cadastro Positivo que tramita no Congresso Nacional listará aqueles consumidores que cumpriram seus compromissos em dia.
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25 de fev. de 2011
BRASIL PERDE R$ 46 BI COM INADIMPLÊNCIA, DIZ ESTUDO
jornal Folha de S. Paulo 25/02/2011 – Maria Cristina Frias
O Brasil perde R$ 46 bilhões com a inadimplência, segundo estudo realizado pela Serasa Experian.
O valor é quase todo o corte orçamentário anunciado pelo governo para 2011 e cerca de 11 vezes a perda de arrecadação do governo com a redução do IPI sobre os automóveis, medida adotada na crise de 2008.
Segundo o levantamento, R$ 17,9 bilhões são recursos perdidos pelo não pagamento de créditos vencidos que não voltam para o mercado bancário e deixam de financiar novas operações.
Os R$ 28,1 bilhões restantes, de acordo com a pesquisa, referem-se a operações de crédito ao consumidor que poderiam ser realizadas se o sistema bancário oferecesse crédito a juros menores pelo menor risco de inadimplência, mantidos os outros componentes do "spread" bancário constantes, como carga tributária, margem bruta dos bancos e compulsórios.
Segundo a Serasa Experian, apesar dos juros muito altos, os atuais índices de inadimplência no país estão sob controle, mas são maiores que os de países que estão em crise.
"O impacto total do cadastro positivo no crédito ao consumidor, apenas pela redução do "spread" bancário, será de R$ 46 bilhões, entre 10 e 18 meses", afirma Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian e da Experian América Latina.
O Brasil perde R$ 46 bilhões com a inadimplência, segundo estudo realizado pela Serasa Experian.
O valor é quase todo o corte orçamentário anunciado pelo governo para 2011 e cerca de 11 vezes a perda de arrecadação do governo com a redução do IPI sobre os automóveis, medida adotada na crise de 2008.
Segundo o levantamento, R$ 17,9 bilhões são recursos perdidos pelo não pagamento de créditos vencidos que não voltam para o mercado bancário e deixam de financiar novas operações.
Os R$ 28,1 bilhões restantes, de acordo com a pesquisa, referem-se a operações de crédito ao consumidor que poderiam ser realizadas se o sistema bancário oferecesse crédito a juros menores pelo menor risco de inadimplência, mantidos os outros componentes do "spread" bancário constantes, como carga tributária, margem bruta dos bancos e compulsórios.
Segundo a Serasa Experian, apesar dos juros muito altos, os atuais índices de inadimplência no país estão sob controle, mas são maiores que os de países que estão em crise.
"O impacto total do cadastro positivo no crédito ao consumidor, apenas pela redução do "spread" bancário, será de R$ 46 bilhões, entre 10 e 18 meses", afirma Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian e da Experian América Latina.
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17 de fev. de 2011
POR QUE O JURO DO CARTÃO DE CRÉDITO AINDA VAI CAIR MUITO
portal Exame 16/02/2011 - João Sandrini
Os juros do cartão de crédito vão cair no Brasil nos próximos anos devido ao aumento da concorrência entre os bancos, segundo Décio Burd, executivo com mais de 30 anos de experiência no setor de cartões e que trabalhou em empresas como Credicard e CSU Cardsystem. Hoje, a maior parte desse mercado está concentrada nas mãos de quatro grandes bancos: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil. Se o cliente paga 100% do valor da fatura até a data do vencimento, não há cobrança de juro nenhum. A única despesa será com a anuidade do cartão. Mas muita gente no Brasil tem o hábito de pagar somente um percentual da fatura à vista e parcelar o resto. É o que os bancos chamam de crédito rotativo. Os juros cobrados sempre que esse serviço é utilizado custam em média 10,69% ao mês, ou estratosféricos 238,3% ao ano, segundo pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac).
Os bancos costumam apresentar uma série de explicações para taxas tão altas. Entre elas, estão os elevados custos para a captação de recursos no mercado, a inadimplência elevada, a inexistência de um cadastro de bons pagadores e a carga tributária pesada. Mas não há dúvidas que juros de três dígitos são uma das maiores distorções da economia brasileira. O que os bancos não dizem é que a falta de concorrência entre as instituições financeiras também permite que o setor de cartões seja fonte de margens de lucro onerosas ao consumidor. Para o cliente, não faz muito sentido mudar de banco para ter o cartão de crédito de outra instituição financeira porque praticamente todos cobram taxas muito elevadas. Não é à toa que técnicos do próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram à conclusão de que o sistema financeiro brasileiro funciona como um oligopólio.
Segundo Décio Burd, o que vai mudar esse cenário não é a queda da Selic ou uma canetada do governo, mas uma operação de crédito que se torna cada vez mais popular nos Estados Unidos e que, em algum momento, chegará ao Brasil. Chamada de "balance transfer", essa operação funciona da seguinte maneira: uma instituição financeira se oferece para comprar a dívida contratada por uma pessoa física no banco que emitiu o plástico. Quitada a dívida antiga, o consumidor passa a ser devedor do banco menor, onde será titular de um novo cartão. O plástico poderá ter a bandeira da preferência do cliente, seja Visa, Mastercard ou qualquer outra. A diferença é que sobre aquela dívida antiga que foi transferida serão cobrados juros de 4% ou 5% ao mês - e não mais de 10,7%.
Qual é a mágica?
As taxas não serão menores por caridade da nova emissora do plástico. Essa instituição, que provavelmente será um banco pequeno ou uma instituição financeira, terá uma estrutura de custos mais baixa por não ter de abrir agências em todo o país. A financeira irá consultar o histórico de pagamentos de empréstimos desse cliente antes de oferecer a ele por meio de um call center o novo cartão com juros mais baixos. Se chegar à conclusão de que o risco de inadimplência é baixo, poderá oferecer o serviço cobrando bem menos – e ainda assim lucrar.
Para avaliar o risco, a financeira que decidir lançar o serviço no Brasil não terá as mesmas armas de avaliação disponíveis nos EUA, onde cada consumidor tem uma nota de crédito que varia de acordo com seu histórico de pagamentos. O chamado cadastro positivo, que revelaria essas informações ao mercado, chegou a ser aprovado no Congresso no final do ano passado, mas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu posteriormente vetá-lo. Ao mesmo tempo, Lula encaminhou outra medida provisória ao Congresso que recria o cadastro positivo, mas o texto ainda depende da aprovação de deputados e senadores para virar lei.
Em 2006, o governo até regulamentou a possibilidade da portabilidade do crédito - ou seja, a transferência de uma dívida de um banco para outro. Na prática, entretanto, dificilmente uma pessoa física consegue melhores taxas de juros no banco onde ainda não é cliente porque não consegue comprovar que tem histórico de bom pagador. Somente com a aprovação do cadastro positivo os bancos saberão o quanto um consumidor já está endividado, quais dívidas foram pagas em dia e quais ficaram ou permanecem pendentes.
Com o cadastro positivo em funcionamento, o banco poderá consultar informações disponíveis na Serasa ou no SCPC para avaliar quem são os clientes que valem a pena ser conquistados. É a esses consumidores que serão oferecidos juros bem mais baixos. Não é à toa que a equipe econômica do governo, que já identificou o problema da falta de concorrência bancária, tem sido uma grande defensora do cadastro positivo. Quando presidente, Lula cansou de criticar o spread bancário e manifestar seu descontentamento com o fato de que a queda da Selic não era repassada ao consumidor final em modalidades como o cartão de crédito.
O "balance transfer" já é viável?
Para Décio Burd, mesmo sem o cadastro positivo, o serviço de "balance transfer" já poderia começar a ser oferecido no Brasil - ainda que sem a mesma eficiência. As financeiras possuem hoje algumas informações sobre o histórico dos correntistas bancários. A inadimplência já pode ser consultada nos bancos de dados da Serasa ou do SCPC - o que não está lá é o histórico de bom pagador e o total de dívidas tomadas. O próprio cartão de crédito carrega a informação sobre há quanto tempo alguém possui aquele plástico - e isso pode ser usado como um critério para separar bons e maus pagadores.
Em relação à legislação brasileira, não há impeditivos. Instituições financeiras autorizadas a operar pelo Banco Central podem emitir cartões. Para que esses plásticos tenham a bandeira Visa ou Mastercard, por exemplo, basta que a financeira feche um acordo com essas multinacionais.
Para conquistar clientes, uma financeira não precisaria abrir agências. Poderia ser usada mala direta ou anúncios na mídia para que o serviço fosse oferecido – o mesmo expediente utilizado para vender outros serviços. Haveria também um call center que atenderia o interessado e faria o cadastro. Após a checagem do histórico de pagamento dessa pessoa, o plástico poderia ou não ser emitido. Em caso positivo, o cartão seria então enviado ao cliente, que só teria a ganhar porque começaria a consumir com um plástico mais barato que o do grande banco.
Por mais inacreditável que possa parecer, nos Estados Unidos algumas empresas de cartão chegam a oferecer cartões com juro zero por períodos que vão de 6 a 12 meses. Apenas transcorrido esse tempo é que o cliente começa a pagar juros no crédito rotativo. Lógico que, após esse período, o banco começará a ter um bom retorno - senão iria tentar ganhar dinheiro em outro mercado. De qualquer forma, promoções como essa aumentam o poder de atração do produto.
Cuidados
Nos EUA, os bancos só costumam oferecer juro zero por períodos de até 12 meses na transferência da dívida do cartão a americanos que possam comprovar um excelente histórico de pagamento. Segundo o site americano "The Motley Fool", especializado em investimentos e finanças pessoais, o juro zero também pode ser enganoso, já que outras taxas podem estar camufladas. Além dos juros e das taxas, antes de tomar uma decisão, é necessário comparar se os dois cartões oferecem anuidades parecidas, as mesmas políticas de ressarcimento em caso de fraudes ou milhagens e outros benefícios compatíveis.
A reportagem do "The Motley Fool" afirma que o consumidor precisa ainda se certificar se a taxa zero ou os juros mais baixos oferecidos por outro banco servem tanto para as dívidas transferidas da instituição onde ele já tem conta quanto para os novos débitos. Entre outros truques, é possível que a empresa que emitiu o novo cartão estabeleça que o cliente precisará pagar primeiro a dívida antiga – de juro zero ou baixo – e só depois começará a quitar o débito novo – de juro mais alto.
Mesmo que a transferência da dívida não tenha nenhuma dessas ressalvas, o consumidor deve lembrar que o juro será zero apenas no começo do contrato. É interessante, portanto, aproveitar esse período de carência para quitar as dívidas. A empresa de cartões aposta justamente que o cliente não vai conseguir fazer isso quando oferece o período de taxa zero. Do contrário, nem disponibilizaria o serviço.
Apesar de todos esses cuidados, Décio Burd afirma que o "balance transfer" poder ser um excelente negócio para o consumidor brasileiro no futuro. Se a operação se tornar comum no Brasil, o spread bancário terá de cair tanto no crédito rotativo quanto em outras modalidades de empréstimo para pessoas físicas para que o banco não perca competitividade. Afinal, se alguém tiver um limite de endividamento no cartão pré-aprovado com juros de 4% ao mês, por exemplo, por que essa mesma pessoa pagaria 6% no cheque especial ou no CDC como acontece o tempo todo atualmente? "O bom de viver no Brasil é que eu não preciso prever como será o futuro. Basta olhar para os EUA. O que ninguém pode prever é quando o 'balance transfer' ser tornará realidade", diz Burd. Seria melhor se fosse rápido.
Os juros do cartão de crédito vão cair no Brasil nos próximos anos devido ao aumento da concorrência entre os bancos, segundo Décio Burd, executivo com mais de 30 anos de experiência no setor de cartões e que trabalhou em empresas como Credicard e CSU Cardsystem. Hoje, a maior parte desse mercado está concentrada nas mãos de quatro grandes bancos: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil. Se o cliente paga 100% do valor da fatura até a data do vencimento, não há cobrança de juro nenhum. A única despesa será com a anuidade do cartão. Mas muita gente no Brasil tem o hábito de pagar somente um percentual da fatura à vista e parcelar o resto. É o que os bancos chamam de crédito rotativo. Os juros cobrados sempre que esse serviço é utilizado custam em média 10,69% ao mês, ou estratosféricos 238,3% ao ano, segundo pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac).
Os bancos costumam apresentar uma série de explicações para taxas tão altas. Entre elas, estão os elevados custos para a captação de recursos no mercado, a inadimplência elevada, a inexistência de um cadastro de bons pagadores e a carga tributária pesada. Mas não há dúvidas que juros de três dígitos são uma das maiores distorções da economia brasileira. O que os bancos não dizem é que a falta de concorrência entre as instituições financeiras também permite que o setor de cartões seja fonte de margens de lucro onerosas ao consumidor. Para o cliente, não faz muito sentido mudar de banco para ter o cartão de crédito de outra instituição financeira porque praticamente todos cobram taxas muito elevadas. Não é à toa que técnicos do próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram à conclusão de que o sistema financeiro brasileiro funciona como um oligopólio.
Segundo Décio Burd, o que vai mudar esse cenário não é a queda da Selic ou uma canetada do governo, mas uma operação de crédito que se torna cada vez mais popular nos Estados Unidos e que, em algum momento, chegará ao Brasil. Chamada de "balance transfer", essa operação funciona da seguinte maneira: uma instituição financeira se oferece para comprar a dívida contratada por uma pessoa física no banco que emitiu o plástico. Quitada a dívida antiga, o consumidor passa a ser devedor do banco menor, onde será titular de um novo cartão. O plástico poderá ter a bandeira da preferência do cliente, seja Visa, Mastercard ou qualquer outra. A diferença é que sobre aquela dívida antiga que foi transferida serão cobrados juros de 4% ou 5% ao mês - e não mais de 10,7%.
Qual é a mágica?
As taxas não serão menores por caridade da nova emissora do plástico. Essa instituição, que provavelmente será um banco pequeno ou uma instituição financeira, terá uma estrutura de custos mais baixa por não ter de abrir agências em todo o país. A financeira irá consultar o histórico de pagamentos de empréstimos desse cliente antes de oferecer a ele por meio de um call center o novo cartão com juros mais baixos. Se chegar à conclusão de que o risco de inadimplência é baixo, poderá oferecer o serviço cobrando bem menos – e ainda assim lucrar.
Para avaliar o risco, a financeira que decidir lançar o serviço no Brasil não terá as mesmas armas de avaliação disponíveis nos EUA, onde cada consumidor tem uma nota de crédito que varia de acordo com seu histórico de pagamentos. O chamado cadastro positivo, que revelaria essas informações ao mercado, chegou a ser aprovado no Congresso no final do ano passado, mas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu posteriormente vetá-lo. Ao mesmo tempo, Lula encaminhou outra medida provisória ao Congresso que recria o cadastro positivo, mas o texto ainda depende da aprovação de deputados e senadores para virar lei.
Em 2006, o governo até regulamentou a possibilidade da portabilidade do crédito - ou seja, a transferência de uma dívida de um banco para outro. Na prática, entretanto, dificilmente uma pessoa física consegue melhores taxas de juros no banco onde ainda não é cliente porque não consegue comprovar que tem histórico de bom pagador. Somente com a aprovação do cadastro positivo os bancos saberão o quanto um consumidor já está endividado, quais dívidas foram pagas em dia e quais ficaram ou permanecem pendentes.
Com o cadastro positivo em funcionamento, o banco poderá consultar informações disponíveis na Serasa ou no SCPC para avaliar quem são os clientes que valem a pena ser conquistados. É a esses consumidores que serão oferecidos juros bem mais baixos. Não é à toa que a equipe econômica do governo, que já identificou o problema da falta de concorrência bancária, tem sido uma grande defensora do cadastro positivo. Quando presidente, Lula cansou de criticar o spread bancário e manifestar seu descontentamento com o fato de que a queda da Selic não era repassada ao consumidor final em modalidades como o cartão de crédito.
O "balance transfer" já é viável?
Para Décio Burd, mesmo sem o cadastro positivo, o serviço de "balance transfer" já poderia começar a ser oferecido no Brasil - ainda que sem a mesma eficiência. As financeiras possuem hoje algumas informações sobre o histórico dos correntistas bancários. A inadimplência já pode ser consultada nos bancos de dados da Serasa ou do SCPC - o que não está lá é o histórico de bom pagador e o total de dívidas tomadas. O próprio cartão de crédito carrega a informação sobre há quanto tempo alguém possui aquele plástico - e isso pode ser usado como um critério para separar bons e maus pagadores.
Em relação à legislação brasileira, não há impeditivos. Instituições financeiras autorizadas a operar pelo Banco Central podem emitir cartões. Para que esses plásticos tenham a bandeira Visa ou Mastercard, por exemplo, basta que a financeira feche um acordo com essas multinacionais.
Para conquistar clientes, uma financeira não precisaria abrir agências. Poderia ser usada mala direta ou anúncios na mídia para que o serviço fosse oferecido – o mesmo expediente utilizado para vender outros serviços. Haveria também um call center que atenderia o interessado e faria o cadastro. Após a checagem do histórico de pagamento dessa pessoa, o plástico poderia ou não ser emitido. Em caso positivo, o cartão seria então enviado ao cliente, que só teria a ganhar porque começaria a consumir com um plástico mais barato que o do grande banco.
Por mais inacreditável que possa parecer, nos Estados Unidos algumas empresas de cartão chegam a oferecer cartões com juro zero por períodos que vão de 6 a 12 meses. Apenas transcorrido esse tempo é que o cliente começa a pagar juros no crédito rotativo. Lógico que, após esse período, o banco começará a ter um bom retorno - senão iria tentar ganhar dinheiro em outro mercado. De qualquer forma, promoções como essa aumentam o poder de atração do produto.
Cuidados
Nos EUA, os bancos só costumam oferecer juro zero por períodos de até 12 meses na transferência da dívida do cartão a americanos que possam comprovar um excelente histórico de pagamento. Segundo o site americano "The Motley Fool", especializado em investimentos e finanças pessoais, o juro zero também pode ser enganoso, já que outras taxas podem estar camufladas. Além dos juros e das taxas, antes de tomar uma decisão, é necessário comparar se os dois cartões oferecem anuidades parecidas, as mesmas políticas de ressarcimento em caso de fraudes ou milhagens e outros benefícios compatíveis.
A reportagem do "The Motley Fool" afirma que o consumidor precisa ainda se certificar se a taxa zero ou os juros mais baixos oferecidos por outro banco servem tanto para as dívidas transferidas da instituição onde ele já tem conta quanto para os novos débitos. Entre outros truques, é possível que a empresa que emitiu o novo cartão estabeleça que o cliente precisará pagar primeiro a dívida antiga – de juro zero ou baixo – e só depois começará a quitar o débito novo – de juro mais alto.
Mesmo que a transferência da dívida não tenha nenhuma dessas ressalvas, o consumidor deve lembrar que o juro será zero apenas no começo do contrato. É interessante, portanto, aproveitar esse período de carência para quitar as dívidas. A empresa de cartões aposta justamente que o cliente não vai conseguir fazer isso quando oferece o período de taxa zero. Do contrário, nem disponibilizaria o serviço.
Apesar de todos esses cuidados, Décio Burd afirma que o "balance transfer" poder ser um excelente negócio para o consumidor brasileiro no futuro. Se a operação se tornar comum no Brasil, o spread bancário terá de cair tanto no crédito rotativo quanto em outras modalidades de empréstimo para pessoas físicas para que o banco não perca competitividade. Afinal, se alguém tiver um limite de endividamento no cartão pré-aprovado com juros de 4% ao mês, por exemplo, por que essa mesma pessoa pagaria 6% no cheque especial ou no CDC como acontece o tempo todo atualmente? "O bom de viver no Brasil é que eu não preciso prever como será o futuro. Basta olhar para os EUA. O que ninguém pode prever é quando o 'balance transfer' ser tornará realidade", diz Burd. Seria melhor se fosse rápido.
11 de jan. de 2011
REDE VERDE E AMARELA DO CRÉDITO QUER APOIAR CONSUMIDOR
jornal Diário do Comércio 11/01/2011 - Rejane Tamoto
A primeira empresa de informações de crédito no Brasil formada a partir de capital nacional, a Boa Vista Serviços (BVS), lançada em dezembro, entra no mercado com o desafio de se aproximar ainda mais do consumidor e das empresas, com a oferta de produtos e serviços inovadores e personalizados. Desafio que se torna maior somado à responsabilidade de manter a excelência no padrão de qualidade que sempre marcou o pioneiro dos serviços de informação de crédito no País ao longo de seus mais de 55 anos de história, o Serviço Nacional de Proteção ao Crédito (SCPC).
Fortes investimentos em tecnologia e em capital humano para competir em um mercado onde só existem multinacionais de capital aberto devem ser a marca da Boa Vista para aprimorar o SCPC, o maior banco de dados sobre crédito no Brasil, com informações de mais de 130 milhões de consumidores e empresas. Isso em um cenário de oferta de crédito crescente, com ascensão de milhões de pessoas ao mercado de consumo e rápida evolução tecnológica, que mudaram a cara do varejo brasileiro.
A seguir, o presidente da BVS, Dorival Dourado, fala da evolução do crédito, de como o tradicional SCPC estará preparado para ela, das parcerias com o varejo e o consumidor, novos produtos e, claro, do cadastro positivo. A BVS é formada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em sociedade com o Fundo de Investimentos TMG Capital, o Clube dos Dirigentes Lojistas do Rio de Janeiro, a Associação Comercial do Paraná e o Clube dos Dirigentes Lojistas de Porto Alegre, entre outros.
Diário do Comércio – O crédito, que cresceu em ritmo acelerado nos últimos anos, vai parar de crescer? Qual a expectativa para 2011?
Dorival Dourado – Neste ano, a taxa de crescimento do crédito deve reduzir e passar de 20% para cerca de 14%. Até o mercado absorver as regulamentações que visam controlar o consumo e o acesso ao crédito de longo prazo, o País ainda vai passar um bom tempo usufruindo da inércia da economia. A expectativa do varejo é extremamente positiva. O crédito imobiliário está acelerando e deve compensar, em parte, o impacto sobre o crédito direto ao consumidor para automóveis.
O grande desafio para os próximos anos é ajudar o consumidor a se posicionar no mercado, a programar sua vida financeira.
DC – Qual a perspectiva de crescimento do crédito para a pessoas física e jurídica?
DD – Enquanto o governo define regras para conter o crescimento do consumo e do crédito à pessoa física, cria incentivos para que a indústria possa se reaparelhar, expandir seus negócios, se internacionalizar, e atingir um nível de capilaridade maior no interior do Brasil. É uma compensação e, talvez, o valor final do crescimento do crédito, estimado em 14%, seja bastante significativo, com reflexos diferentes entre pessoas física e jurídica.
DC – Qual é a tendência para a pessoa física?
DD – A pessoa física passa por uma mudança de comportamento, e a tendência é de crescimento. Mesmo com regras mais restritivas para o uso do cartão, por exemplo, a previsão do mercado é de aumento de 30% nas emissões de plásticos, entre crédito e débito. Ao realizar pagamentos pelos meios eletrônicos, o consumidor muda o hábito de fazer a gestão do seu fluxo de caixa, e de controlar a inadimplência.
DC – Qual é o desafio dos birôs de crédito nesse sentido?
DD – O grande desafio para os próximos anos é ajudar o consumidor a se posicionar no mercado, a programar sua vida financeira, a entender o impacto da decisão de fazer um empréstimo, a relação entre salário e dívida, a importância dos juros e do financiamento, para ter um desempenho positivo e satisfatório no mercado.
DC – Este é um trabalho desenvolvido pelo Movimento de Apoio ao Consumidor (MAC). Ele será intensificado pela Boa Vista Serviços?
DD – Sim, sem dúvida. O objetivo é aportar mais conhecimento e informação para se aproximar das entidades de defesa do consumidor. É nosso interesse preservar a proteção ao consumidor. Vamos fazer um trabalho de conscientização para que a sociedade tenha algum tipo de voz nesse processo. O evento Acertando suas Contas é um exemplo nessa área e deve crescer em 2011. Ao viabilizar o trabalho educacional, há maior motivação para o consumo.
DC – O cadastro positivo é uma evolução natural dos cadastros negativos?
DD – Não, porque a lógica de decisão é inversa. A empresa não vai mais analisar se um determinado consumidor tem condições de receber mais crédito simplesmente porque não tem negativação. A lógica é diferente.
DC – E qual é essa lógica?
DD – A capacidade de uma pessoa de administrar sua vida creditícia está mais ligada ao comportamento no dia a dia, na pontualidade nos pagamentos e em características de consumo. No cadastro positivo é possível, por meio de modelos estatísticos, estimar a capacidade de consumo de uma residência a partir da despesa com energia elétrica, por exemplo. Ele considera ainda outros componentes que, estatisticamente, fornecem a probabilidade de um consumidor com mais acesso ao crédito de honrar os pagamentos. Essa avaliação não depende só da taxa de consumo, renda e saldo bancário. É um banco de dados com informações, no qual é possível verificar se o acesso ao crédito faz sentido dentro do hábito de consumo e do comportamento de alguém.
DC – As entidades de proteção ao consumidor dizem que o cadastro positivo estimula a invasão da privacidade. Qual a sua opinião a respeito?
DD – Não é invasão de privacidade, é autorizado pelo consumidor, como ocorre nos países de primeiro mundo. O cidadão utiliza o cadastro para fazer uma negociação. No Brasil, para que isso ocorra, ainda é preciso uma curva de aprendizado da sociedade.
DC – O consumidor brasileiro tem maturidade para usar o cadastro positivo?
DD – A sociedade tem de aprender em conjunto a se beneficiar desse modelo de operação. O cadastro positivo não é uma virada de chave. É uma curva de aprendizado que pode levar cinco anos ou mais e envolve o consumidor, o varejo, bancos, financeiras, administradoras de cartões e birôs de informação. É um ecossistema que tem de se equilibrar para fazer um uso inteligente do modelo. Antes disso, é importante o marco regulatório.
DC – O bom uso desse cadastro depende de tecnologia?
DD – Uma coisa é ter a tecnologia que permita o cadastro e outra é a sociedade saber usar as informações. No final da equação tem de existir benefícios como a redução de juros, melhor decisão de concessão de crédito, redução de inadimplência e de fraudes. Se não, o trabalho não foi bem-feito. Eu posso fornecer tecnologia para um cliente com base no cadastro positivo. Mas, se desde a fundação da empresa ele trabalha com a lógica do negativo, terá de reposicionar todo o modelo de negócio. E isso não é feito da noite para o dia. Portanto, não é uma questão só de tecnologia.
2 de jan. de 2011
MEDIDA PROVISÓRIA CRIA CADASTRO POSITIVO DE CRÉDITO
portal Click RBS 01/01/2011 – Agência Brasil
Contrariando decisão do Congresso Nacional, o governo editou medida provisória (MP) que cria o cadastro positivo de crédito, uma espécie de banco de dados com informações sobre o histórico de pagamento das empresas e pessoas físicas. A medida visa melhorar o nível de informação sobre os bons pagadores, o que, em tese, na visão da equipe econômica, ajudaria a reduzir os juros cobrados dos consumidores no sistema bancário.
No início deste mês, o Senado Federal tinha concluído votação aprovando a criação do cadastro. Mas o projeto foi vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa sexta-feira, dia 31.
O veto do presidente e a nova MP foram publicadas no Diário Oficial da União de ontem, deixando para a próxima Legislatura do Congresso uma nova definição sobre a proposta. A criação do cadastro positivo constava na agenda microeconômica, desenhada pela equipe econômica no então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, como uma medida prioritária para estimular a queda dos juros dos financiamentos bancários.
Contrariando decisão do Congresso Nacional, o governo editou medida provisória (MP) que cria o cadastro positivo de crédito, uma espécie de banco de dados com informações sobre o histórico de pagamento das empresas e pessoas físicas. A medida visa melhorar o nível de informação sobre os bons pagadores, o que, em tese, na visão da equipe econômica, ajudaria a reduzir os juros cobrados dos consumidores no sistema bancário.
No início deste mês, o Senado Federal tinha concluído votação aprovando a criação do cadastro. Mas o projeto foi vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa sexta-feira, dia 31.
O veto do presidente e a nova MP foram publicadas no Diário Oficial da União de ontem, deixando para a próxima Legislatura do Congresso uma nova definição sobre a proposta. A criação do cadastro positivo constava na agenda microeconômica, desenhada pela equipe econômica no então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, como uma medida prioritária para estimular a queda dos juros dos financiamentos bancários.
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