portal Executivos Financeiros 07/07/2011
O BMG assinou a compra definitiva do controle acionário do Banco Schahin S.A. atingindo uma participação no capital superior a 99%, após a realização da due diligence. O processo agora será encaminhado para a aprovação do Banco Central.
Com esta aquisição, o BMG consolidará sua liderança no crédito consignado e aumentará a sua participação em outros segmentos do crédito pessoal, fortalecendo ainda mais a sua rede de distribuição. O Banco Schahin tem atuação nacional com mais de cinco mil pontos-de-venda, sendo cerca de 200 em regime de exclusividade. Toda essa rede passa a ser da bandeira do BMG, somando-se à atual rede de distribuição de 3.476 pontos-de-venda e 216 lojas próprias.
Os atuais acionistas do BMG deverão capitalizar o BMG em até R$ 1,5 bilhão, elevando o seu patrimônio líquido para o valor aproximado de R$ 3,5 bilhões. Isto demonstra a confiança que os acionistas do BMG têm nas perspectivas de desempenho do BMG e das oportunidades de crescimento do mercado. Após esta capitalização, o BMG aumentará suas condições de reter carteiras e reduzirá o volume de cessão de crédito, atendendo à nova regulamentação do Banco Central dos novos processos de contabilização.
Esta é a segunda aquisição que o BMG realiza ao longo dos últimos 12 meses e os atuais acionistas do BMG acreditam que este movimento de consolidação do sistema financeiro continuará a apresentar boas oportunidades de mercado.
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8 de jul. de 2011
14 de jun. de 2011
BANCOS APOIADOS EM CRÉDITO CONSIGNADO TÊM CUSTO MAIOR
jornal DCI 13/06/2011 – Panorama Brasil
Os custos de financiamento de bancos especializados em crédito consignado têm registrado as maiores altas entre instituições financeiras do País, devido às medidas do governo para conter o crescimento do crédito.
Três dos quatro títulos de banco de pior desempenho neste ano são de instituições que concedem crédito consignado, que deduz as parcelas diretamente do salário e da pensão dos credores. A taxa dos títulos em dólar para 2020 do Banco Bonsucesso S.A. subiu 19 pontos-base, para 10,08%. O aumento só não é maior que o salto de 35 pontos-base nos títulos do Banco ABC Brasil S.A., controlado em parte pelo governo da Líbia. As taxas em títulos bancários brasileiros com vencimento semelhante caíram 17 pontos-base no mesmo período.
O governo aumentou o depósito compulsório e os requerimentos de capital dos bancos em dezembro para limitar a expansão de 21% do crédito, que ajuda a alimentar a inflação mais alta desde 2005. O Banco BMG S.A., que oferece crédito a pensionistas e aposentados, teve sua nota de crédito colocada em revisão para possível rebaixamento pela Moody's Investors Service na semana passada, com receio de que a compra do Banco Schahin S.A. poderá agravar as restrições causadas pelo maior custo de financiamento e pelos requerimentos de capital.
"Há uma diferença nas pressões que são introduzidas pelo capital adicional", disse Celina Vansetti, chefe de Pesquisa de Bancos na América Latina da Moody's, em entrevista por telefone, de Nova York. Isso afeta as instituições que dão crédito a empresas "muito menos, portanto estamos refletindo isso nas notas".
A taxa dos bônus em dólar com vencimento em 2020 do Banco BMG avançou 13 pontos-base neste ano, para 8,63%, ou 502 pontos acima da dívida pública de prazo similar, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Perspectiva negativa
A Moody's cortou a perspectiva para as notas dos bancos BMG, Cruzeiro do Sul, Bonsucesso e Schahin de estável para negativa em dezembro. A medida veio depois de o Banco Central ter elevado o compulsório em depósitos a prazo de 15% para 20%, e ampliado o adicional de compulsório para depósitos à vista e a prazo de 8% para 12%, com o objetivo de impedir a formação de uma bolha de crédito no País.
As instituições especializadas em crédito consignado também serão forçadas a buscar fontes alternativas de financiamento quando o BC começar a eliminar, no ano que vem, as garantias criadas para ajudá-los durante a crise financeira global.
Grandes Bancos
As linhas de consignado, que antes eram o foco dos bancos de médio e pequeno porte, agora fazem parte também dos planos de expansão dos grandes bancos.
Na comparação com março de 2010, as cinco maiores instituições financeiras divulgaram aumento considerável nesse segmento e revelaram planos de maior investimento. No primeiro trimestre de 2011, o Banco do Brasil cresceu 19,4%, o Santander, 34,6%, Bradesco, 28,3%, e Caixa Econômica Federal, 23,4%.
Para Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os grandes bancos anteriormente não consideravam o consignado um bom negócio. "Os maiores entendiam que o consignado competia com o crédito pessoal, já que possui taxas de juros mais baixas. Então ficavam com o crédito pessoal, que tem maior rentabilidade. Com isso, começaram a perder clientes para outras instituições, com queda do volume de operações."
Os custos de financiamento de bancos especializados em crédito consignado têm registrado as maiores altas entre instituições financeiras do País, devido às medidas do governo para conter o crescimento do crédito.
Três dos quatro títulos de banco de pior desempenho neste ano são de instituições que concedem crédito consignado, que deduz as parcelas diretamente do salário e da pensão dos credores. A taxa dos títulos em dólar para 2020 do Banco Bonsucesso S.A. subiu 19 pontos-base, para 10,08%. O aumento só não é maior que o salto de 35 pontos-base nos títulos do Banco ABC Brasil S.A., controlado em parte pelo governo da Líbia. As taxas em títulos bancários brasileiros com vencimento semelhante caíram 17 pontos-base no mesmo período.
O governo aumentou o depósito compulsório e os requerimentos de capital dos bancos em dezembro para limitar a expansão de 21% do crédito, que ajuda a alimentar a inflação mais alta desde 2005. O Banco BMG S.A., que oferece crédito a pensionistas e aposentados, teve sua nota de crédito colocada em revisão para possível rebaixamento pela Moody's Investors Service na semana passada, com receio de que a compra do Banco Schahin S.A. poderá agravar as restrições causadas pelo maior custo de financiamento e pelos requerimentos de capital.
"Há uma diferença nas pressões que são introduzidas pelo capital adicional", disse Celina Vansetti, chefe de Pesquisa de Bancos na América Latina da Moody's, em entrevista por telefone, de Nova York. Isso afeta as instituições que dão crédito a empresas "muito menos, portanto estamos refletindo isso nas notas".
A taxa dos bônus em dólar com vencimento em 2020 do Banco BMG avançou 13 pontos-base neste ano, para 8,63%, ou 502 pontos acima da dívida pública de prazo similar, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Perspectiva negativa
A Moody's cortou a perspectiva para as notas dos bancos BMG, Cruzeiro do Sul, Bonsucesso e Schahin de estável para negativa em dezembro. A medida veio depois de o Banco Central ter elevado o compulsório em depósitos a prazo de 15% para 20%, e ampliado o adicional de compulsório para depósitos à vista e a prazo de 8% para 12%, com o objetivo de impedir a formação de uma bolha de crédito no País.
As instituições especializadas em crédito consignado também serão forçadas a buscar fontes alternativas de financiamento quando o BC começar a eliminar, no ano que vem, as garantias criadas para ajudá-los durante a crise financeira global.
Grandes Bancos
As linhas de consignado, que antes eram o foco dos bancos de médio e pequeno porte, agora fazem parte também dos planos de expansão dos grandes bancos.
Na comparação com março de 2010, as cinco maiores instituições financeiras divulgaram aumento considerável nesse segmento e revelaram planos de maior investimento. No primeiro trimestre de 2011, o Banco do Brasil cresceu 19,4%, o Santander, 34,6%, Bradesco, 28,3%, e Caixa Econômica Federal, 23,4%.
Para Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os grandes bancos anteriormente não consideravam o consignado um bom negócio. "Os maiores entendiam que o consignado competia com o crédito pessoal, já que possui taxas de juros mais baixas. Então ficavam com o crédito pessoal, que tem maior rentabilidade. Com isso, começaram a perder clientes para outras instituições, com queda do volume de operações."
27 de abr. de 2011
BMG FECHA COMPRA DO BANCO SCHAHIN EM ACORDO DE R$ 250 MILHÕES
jornal O Estado de S.Paulo 27/04/2011 - Leandro Modé
O banco BMG anuncia entre hoje e amanhã a compra do Schahin. O Estado apurou que o negócio foi fechado por R$ 250 milhões, ainda sujeitos à realização de uma análise mais profunda da contabilidade (chamada tecnicamente de due diligence) do Schahin nos próximos meses. Na prática, significa que o valor final pode ser menor, dependendo do que os especialistas encontrarem no banco comprado.
A condição foi imposta pelo BMG e ajuda a explicar a demora para a concretização da venda. As conversas entre as duas instituições foram reveladas há duas semanas.
A expectativa inicial era de que a venda fosse anunciada oficialmente no início da semana passada. No entanto, dúvidas dos compradores sobre a real situação do Schahin atrasaram o processo. A solução foi incluir a cláusula que prevê uma redução do preço em caso de problemas.
Cópias do contrato foram enviadas ontem para Belo Horizonte, onde fica a sede do BMG. Os vendedores devem assinar a documentação hoje e o anúncio oficial deve sair até amanhã.
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) intermediou a negociação entre os dois bancos. A instituição foi criada em 1995, com o objetivo de cobrir prejuízos provocados a correntistas em decorrência da quebra de algum banco. A participação do FGC se deu porque o Schahin vinha encontrando dificuldades no mercado.
O balanço do último trimestre mostra que a instituição estava fora dos parâmetros exigidos pelo Banco Central (BC). O chamado Índice de Basileia, que mede a capacidade de um banco expandir operações, estava em 10,97%. O BC determina no mínimo 11%.
Ou seja, o Schahin havia perdido a capacidade de emprestar. Por isso, procurou o FGC, que, por sua vez, buscou no mercado um interessado. Segundo se apurou, o FGC não financiará a compra pelo BMG. Em compensação, colocou à disposição do banco comprador linhas de crédito.
Segundo uma fonte, é provável que o banco mineiro recorra a essas linhas, pois também não tem grande folga no Índice de Basileia - 14,49% em dezembro.
Também por isso, existe a hipótese de que a compra do Schahin seja feita pela holding que controla o BMG. Com isso, a capacidade de o banco operar não seria afetada.
Pelos dados do BC, o BMG é o 22.º maior banco brasileiro, com ativos de R$ 11,5 bilhões. A instituição é a segunda maior no segmento de crédito consignado, atrás apenas do Banco do Brasil.
Sua carteira total de empréstimos - considerando os que repassou a terceiros e os que mantém sob o próprio guarda-chuva - chega a R$ 24 bilhões. Portanto, lembra um especialista, é um banco maior do que parece quando se olham só os ativos.
O Schahin pertence a um grupo que atua em várias áreas, como indústria e petróleo. Em dezembro, possuía ativos de R$ 2,8 bilhões e patrimônio líquido de R$ 230 milhões. Ou seja, o negócio foi fechado quase pelo valor do patrimônio, relação baixa se comparada a vendas recentes no setor. O banco Carrefour, por exemplo, teve uma fatia vendida ao Itaú por preço 2,6 vezes superior ao patrimônio.
O banco BMG anuncia entre hoje e amanhã a compra do Schahin. O Estado apurou que o negócio foi fechado por R$ 250 milhões, ainda sujeitos à realização de uma análise mais profunda da contabilidade (chamada tecnicamente de due diligence) do Schahin nos próximos meses. Na prática, significa que o valor final pode ser menor, dependendo do que os especialistas encontrarem no banco comprado.
A condição foi imposta pelo BMG e ajuda a explicar a demora para a concretização da venda. As conversas entre as duas instituições foram reveladas há duas semanas.
A expectativa inicial era de que a venda fosse anunciada oficialmente no início da semana passada. No entanto, dúvidas dos compradores sobre a real situação do Schahin atrasaram o processo. A solução foi incluir a cláusula que prevê uma redução do preço em caso de problemas.
Cópias do contrato foram enviadas ontem para Belo Horizonte, onde fica a sede do BMG. Os vendedores devem assinar a documentação hoje e o anúncio oficial deve sair até amanhã.
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) intermediou a negociação entre os dois bancos. A instituição foi criada em 1995, com o objetivo de cobrir prejuízos provocados a correntistas em decorrência da quebra de algum banco. A participação do FGC se deu porque o Schahin vinha encontrando dificuldades no mercado.
O balanço do último trimestre mostra que a instituição estava fora dos parâmetros exigidos pelo Banco Central (BC). O chamado Índice de Basileia, que mede a capacidade de um banco expandir operações, estava em 10,97%. O BC determina no mínimo 11%.
Ou seja, o Schahin havia perdido a capacidade de emprestar. Por isso, procurou o FGC, que, por sua vez, buscou no mercado um interessado. Segundo se apurou, o FGC não financiará a compra pelo BMG. Em compensação, colocou à disposição do banco comprador linhas de crédito.
Segundo uma fonte, é provável que o banco mineiro recorra a essas linhas, pois também não tem grande folga no Índice de Basileia - 14,49% em dezembro.
Também por isso, existe a hipótese de que a compra do Schahin seja feita pela holding que controla o BMG. Com isso, a capacidade de o banco operar não seria afetada.
Pelos dados do BC, o BMG é o 22.º maior banco brasileiro, com ativos de R$ 11,5 bilhões. A instituição é a segunda maior no segmento de crédito consignado, atrás apenas do Banco do Brasil.
Sua carteira total de empréstimos - considerando os que repassou a terceiros e os que mantém sob o próprio guarda-chuva - chega a R$ 24 bilhões. Portanto, lembra um especialista, é um banco maior do que parece quando se olham só os ativos.
O Schahin pertence a um grupo que atua em várias áreas, como indústria e petróleo. Em dezembro, possuía ativos de R$ 2,8 bilhões e patrimônio líquido de R$ 230 milhões. Ou seja, o negócio foi fechado quase pelo valor do patrimônio, relação baixa se comparada a vendas recentes no setor. O banco Carrefour, por exemplo, teve uma fatia vendida ao Itaú por preço 2,6 vezes superior ao patrimônio.
8 de abr. de 2011
CONCORRÊNCIA AQUECE MERCADO DE PRÉ-PAGOS
jornal Brasil Econômico 08/04/2011 – Ana Paula Ribeiro
As instituições que se consolidaram como emissores de cartões pré-pagos em moeda estrangeira terão agora que se fortalecer para enfrentar a concorrência com os grandes banco que começaram a explorar esse segmento. Desde o final do ano passado, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco já entraram nesse mercado.
O produto existe desde 1996, mas foi nos últimos anos que ganhou espaço. O vice-presidente do Grupo Confidence, Andreas Wiemer, admite que a concorrência será maior daqui para frente, mas lembra que a instituição é especialista em diversas operações de câmbio, o que contribui para o incremento das vendas de cartões pré-pagos, os plásticos Visa TravelMoney (VTM).
Além disso, a Confidence pretende buscar parceiros para elevar a distribuição desses VTMs. “A entrada de outros bancos vai nos afetar de alguma forma. Mas estamos conversado com outros bancos e corretoras que podem distribuir os cartões que emitimos”, diz o executivo. Segundo ele, a Confidence tem mais 30% do mercado de cartões pré-pagos em moeda estrangeira.
Wiemer conta que a Confidence espera emitir neste ano 100 mil VTMs. A participação dos plásticos é de 25% a 30% das operações de câmbio turismo da empresa, que devem chegar a US$ 1,5 bilhão em2011. “A participação do cartão deve aumentar. Além disso, estamos revisando a nossa projeção para o ano devido ao aumento do IOF nas operações com cartões de crédito”, explica.
De fato, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras feita recentemente pelo governo nas operações com cartões de crédito no exterior, de 2,38% para 6,38%, deve impulsionar o segmento de pré-pago, que tem alíquota do IOF bem inferior, de 0,38%. “É um forte estímulo para o pré-pago”, afirma Boanerges Ramos Freire, da consultoria em varejo financeiro Boanerges & Companhia.
Na avaliação do consultor, mesmo com a entrada de grandes bancos, as instituições mais tradicionais em pré-pagos têm condições de manter uma posição representativa no segmento. “Essas empresas têm experiência no segmento. Vão continuar com espaço porque são focados. Além disso, é um recado que ainda tem espaço para muita gente”, considera Boanerges.
O VTM é o pré-pago para viagens mais antigo que existe. Além da Confidence, os bancos Rendimento—do mesmo grupo da corretora Cotação — e o Schain são emissores tradicionais desse plástico. Agora, contam com a concorrência do BB e da CBBS — administradora do Visa Vale —, que emite os cartões para o Bradesco.
O Banco Schain tem emitido uma média de 8 mil cartões por mês. O diretor de comércio varejo da instituição, Marcus André de Oliveira, acredita que esse número deve crescer com a cobrança do IOF. No entanto, afirmou que a estratégia para o segmento passará por uma revisão. “Emitimos os cartões, mas quem distribui o produto é a Travelex (companhia de origem britânica), que faz a comercialização para as casas de câmbio”, explica.
Novos concorrentes
A CBSS passou a emitir os cartões pré-pagos com bandeira Visa, chamados de Money Card, para o Bradesco, que fará a distribuição em sua rede. A meta é comercializar 200 mil unidades ao ano. Mesmo número previsto pelo Banco do Brasil, que emite VTMs desde novembro.
O Bradesco também irá oferecer aos clientes o American Express GlobalTravel Card, que também é distribuído pelo Itaú.
CBSS quer cartão em real para estrangeiro
A Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil também são fatores que estimulam o mercado de cartões pré-pagos. A CBSS—que administra o Visa Vale — planeja o lançamento de um plástico em reais para ser vendido a turistas estrangeiros durante os grandes eventos esportivos internacionais. “O cartão vai ser vendido em agências de turismo no exterior, hotéis e aeroportos no Brasil”, explica o diretor executivo Comercial, Marketing e Produtos da CBSS, Ronaldo Varela.
Também a Confidence se prepara para atender os estrangeiros durante esses eventos esportivos. O vice-presidente da instituição, Andreas Wiemer, explica que está finalizando um projeto para atender os estrangeiros nos hotéis. Os parceiros irão comprar amoeda estrangeira dos turistas. “Vamos desenvolver um esquema de segurança para isso. E esse projeto irá garantir que o turista estrangeiro faça a operação de forma legalizada”, diz.
A Confidence conta ainda com 120 lojas próprias — que devem chegar a 150 no final do ano—e parceria com200 agências de turismo, que fazem a intermediação da operação de câmbio para a corretora.
Novo mercado
Enquanto o produto para estrangeiros está em preparação, a CBSS aposta alto nos pré-pagos para viagens internacionais oferecido aos turistas brasileiros. A empresa quer ter 30% do mercado com a venda de 200 mil plásticos por ano. Para isso, poderá fazer a emissão para outras instituições financeiras, e não só o Bradesco. “Vou trabalhar para trazer o VTM do Banco do Brasil para cá”. Bradesco e BB são os controladores da CBSS, mas o banco estatal decidiu desenvolver uma plataforma própria para o pré-pago.
Varela afirma que o produto desenvolvido pela CBSS é mais completo, porque permite aos bancos distribuidores a venda do cartão nos canais de atendimento pela internet. Além disso, começará a emitir em algumas semanas VTM em euro e libra esterlina com chip. “Isso dá maior segurança. E também fazemos emissão do plástico com o nome do cliente”, diz. Nesse segmento, é comum a prática da venda do cartão sem o nome do consumidor.
A diretora do departamento de câmbio do Bradesco, Marlene Millan, também está otimista como produto. Além do VTM emitido pela CBSS, a instituição também irá distribuir o American Express Global Travel Card. A princípio, a venda será feita apenas para clientes do banco e nas dez lojas da Bradesco Exchange. “Vamos expandir para algumas agências. Aquelas que apresentarem demanda”, diz a executiva.
As instituições que se consolidaram como emissores de cartões pré-pagos em moeda estrangeira terão agora que se fortalecer para enfrentar a concorrência com os grandes banco que começaram a explorar esse segmento. Desde o final do ano passado, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco já entraram nesse mercado.
O produto existe desde 1996, mas foi nos últimos anos que ganhou espaço. O vice-presidente do Grupo Confidence, Andreas Wiemer, admite que a concorrência será maior daqui para frente, mas lembra que a instituição é especialista em diversas operações de câmbio, o que contribui para o incremento das vendas de cartões pré-pagos, os plásticos Visa TravelMoney (VTM).
Além disso, a Confidence pretende buscar parceiros para elevar a distribuição desses VTMs. “A entrada de outros bancos vai nos afetar de alguma forma. Mas estamos conversado com outros bancos e corretoras que podem distribuir os cartões que emitimos”, diz o executivo. Segundo ele, a Confidence tem mais 30% do mercado de cartões pré-pagos em moeda estrangeira.
Wiemer conta que a Confidence espera emitir neste ano 100 mil VTMs. A participação dos plásticos é de 25% a 30% das operações de câmbio turismo da empresa, que devem chegar a US$ 1,5 bilhão em2011. “A participação do cartão deve aumentar. Além disso, estamos revisando a nossa projeção para o ano devido ao aumento do IOF nas operações com cartões de crédito”, explica.
De fato, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras feita recentemente pelo governo nas operações com cartões de crédito no exterior, de 2,38% para 6,38%, deve impulsionar o segmento de pré-pago, que tem alíquota do IOF bem inferior, de 0,38%. “É um forte estímulo para o pré-pago”, afirma Boanerges Ramos Freire, da consultoria em varejo financeiro Boanerges & Companhia.
Na avaliação do consultor, mesmo com a entrada de grandes bancos, as instituições mais tradicionais em pré-pagos têm condições de manter uma posição representativa no segmento. “Essas empresas têm experiência no segmento. Vão continuar com espaço porque são focados. Além disso, é um recado que ainda tem espaço para muita gente”, considera Boanerges.
O VTM é o pré-pago para viagens mais antigo que existe. Além da Confidence, os bancos Rendimento—do mesmo grupo da corretora Cotação — e o Schain são emissores tradicionais desse plástico. Agora, contam com a concorrência do BB e da CBBS — administradora do Visa Vale —, que emite os cartões para o Bradesco.
O Banco Schain tem emitido uma média de 8 mil cartões por mês. O diretor de comércio varejo da instituição, Marcus André de Oliveira, acredita que esse número deve crescer com a cobrança do IOF. No entanto, afirmou que a estratégia para o segmento passará por uma revisão. “Emitimos os cartões, mas quem distribui o produto é a Travelex (companhia de origem britânica), que faz a comercialização para as casas de câmbio”, explica.
Novos concorrentes
A CBSS passou a emitir os cartões pré-pagos com bandeira Visa, chamados de Money Card, para o Bradesco, que fará a distribuição em sua rede. A meta é comercializar 200 mil unidades ao ano. Mesmo número previsto pelo Banco do Brasil, que emite VTMs desde novembro.
O Bradesco também irá oferecer aos clientes o American Express GlobalTravel Card, que também é distribuído pelo Itaú.
CBSS quer cartão em real para estrangeiro
A Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil também são fatores que estimulam o mercado de cartões pré-pagos. A CBSS—que administra o Visa Vale — planeja o lançamento de um plástico em reais para ser vendido a turistas estrangeiros durante os grandes eventos esportivos internacionais. “O cartão vai ser vendido em agências de turismo no exterior, hotéis e aeroportos no Brasil”, explica o diretor executivo Comercial, Marketing e Produtos da CBSS, Ronaldo Varela.
Também a Confidence se prepara para atender os estrangeiros durante esses eventos esportivos. O vice-presidente da instituição, Andreas Wiemer, explica que está finalizando um projeto para atender os estrangeiros nos hotéis. Os parceiros irão comprar amoeda estrangeira dos turistas. “Vamos desenvolver um esquema de segurança para isso. E esse projeto irá garantir que o turista estrangeiro faça a operação de forma legalizada”, diz.
A Confidence conta ainda com 120 lojas próprias — que devem chegar a 150 no final do ano—e parceria com200 agências de turismo, que fazem a intermediação da operação de câmbio para a corretora.
Novo mercado
Enquanto o produto para estrangeiros está em preparação, a CBSS aposta alto nos pré-pagos para viagens internacionais oferecido aos turistas brasileiros. A empresa quer ter 30% do mercado com a venda de 200 mil plásticos por ano. Para isso, poderá fazer a emissão para outras instituições financeiras, e não só o Bradesco. “Vou trabalhar para trazer o VTM do Banco do Brasil para cá”. Bradesco e BB são os controladores da CBSS, mas o banco estatal decidiu desenvolver uma plataforma própria para o pré-pago.
Varela afirma que o produto desenvolvido pela CBSS é mais completo, porque permite aos bancos distribuidores a venda do cartão nos canais de atendimento pela internet. Além disso, começará a emitir em algumas semanas VTM em euro e libra esterlina com chip. “Isso dá maior segurança. E também fazemos emissão do plástico com o nome do cliente”, diz. Nesse segmento, é comum a prática da venda do cartão sem o nome do consumidor.
A diretora do departamento de câmbio do Bradesco, Marlene Millan, também está otimista como produto. Além do VTM emitido pela CBSS, a instituição também irá distribuir o American Express Global Travel Card. A princípio, a venda será feita apenas para clientes do banco e nas dez lojas da Bradesco Exchange. “Vamos expandir para algumas agências. Aquelas que apresentarem demanda”, diz a executiva.
18 de mar. de 2011
PEQUENOS BANCOS ATINGEM LIMITE DE ALAVANCAGEM E APERTAM CRÉDITO
jornal Valor Econômico 18/03/2011 - Aline Lima
Alguns bancos de pequeno porte estão em compasso de espera para voltar a operar a plena capacidade. Enquanto a Central de Cessão de Crédito (C3), sistema que tornará transparente a compra e venda de carteiras pelas instituições financeiras, não sair do papel e a oferta de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) não ganhar ritmo, o espaço de alavancagem dos bancos menores para conceder empréstimos permanecerá reduzido. Exceções feitas aos eventuais casos em que o controlador opte por um aumento de capital.
As instituições vinham em ritmo acelerado de atividade e algumas delas foram pegas pelo episódio PanAmericano já no limite de alavancagem permitido. Depois do rombo bilionário encontrado no banco que pertencia a Silvio Santos, a venda de carteiras de crédito para grandes bancos praticamente secou. A oferta de FIDCs também tornou-se mais seletiva desde o fim do ano passado para cá, contribuindo para reduzir de forma significativa a folga de capital dessas instituições financeiras. É praxe entre os bancos colocar parte de suas carteiras de crédito dentro de fundos de recebíveis. A venda de créditos para bancos maiores e a cessão para fundos liberam espaço no balanço para novos empréstimos, além de funcionar como fundamental fonte de captação e de receita.
O Schahin, por exemplo, especializado no crédito consignado em folha de pagamento e no financiamentos de veículos usados, está operando no limite. Em setembro o banco chegou a ficar desenquadrado do índice mínimo de Basileia, que é de 11% no país. E encerrou dezembro com 11% cravados, de acordo com balanço ainda não auditado.
Embora conte com um caixa de aproximadamente R$ 500 milhões, sua produção de empréstimos esbarra na capacidade de retenção dos ativos de crédito em balanço, uma vez que o patrimônio para a cobertura de eventuais perdas está no menor nível permitido. O patrimônio líquido do Schahin no fim de 2010 era de R$ 229,5 milhões. O banco até poderia contar com aportes do grupo Schahin, mas a percepção do mercado é que as demais empresas do conglomerado, especialmente a do setor de petróleo, além de demandarem capital intensivo, têm também a preferência da família de acionistas.
O gaúcho Matone, focado na concessão de crédito consignado, estava em setembro desenquadrado, com Basileia de 9,13%. Nesta semana, o banco anunciou a solução para reforçar seu patrimônio (de R$ 247,9 milhões, em dezembro): vendeu 60% das ações para o Banco JBS. Após efetivado um aporte de R$ 300 milhões, o balanço consolidado das duas instituições vai apresentar um patrimônio líquido de R$ 550 milhões.
O Banco Paulista, apesar de ter vendido sua financeira Paulicred para o Fibra em setembro de 2009, ainda conta com uma carteira relevante de financiamentos de veículos - as operações de crédito nessa modalidade somavam R$ 80,9 milhões em junho. As operações de varejo foram cedidas com coobrigação (ou seja, o risco de inadimplência continuou com o banco que cedeu o crédito), por isso os ativos também continuaram no balanço do Paulista, pressionando seu índice de Basileia, que era de 11,65%, em setembro.
Outro que está no limite do índice de Basileia é o banco Morada, do Rio de Janeiro, que tem boa parte de sua produção voltada para o empréstimo consignado. O índice que mede a relação entre o patrimônio de referência e a carteira de crédito da instituição estava em 11,5%, em setembro.
Para Renato Oliva, presidente da ABBC, associação que reúne os bancos de pequeno e médio portes, houve um enxugamento importante de liquidez desde o fim do ano passado para cá, que implicou em uma mudança de paradigma para o setor. "Os bancos vão precisar centrar-se naquilo que podem carregar [em balanço], e não necessariamente no que vão produzir e vender", diz ele, referindo-se à capacidade das instituições de reter os ativos em balanço, sem poder contar antecipadamente com a cessão desses créditos.
Como na primeira metade de 2010 a cessão de carteiras havia retomado o ritmo anterior à crise financeira, alguns bancos vinham também imprimindo uma velocidade altíssima de produção de financiamentos, já que podiam contar com a "vazão" dessas operações de venda de carteiras. As novas regras do Banco Central (BC), que dobrou a exigência de capital para os financiamentos longos, aumentou ainda mais a pressão.
Segundo fontes de mercado, o Matone chegava a produzir, por mês, R$ 170 milhões em crédito consignado. O Schahin era menos agressivo, produzia cerca de R$ 50 milhões por mês, mas acelerou o ritmo no segundo semestre com a perspectiva de lançamento de um fundo de recebíveis para o qual cederia boa parte dos créditos. O Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Schahin - Crédito Consignado foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 25 de outubro do ano passado, mas a oferta foi atropelada pelo estouro do escândalo do PanAmericano. O Matone, da mesmo forma, registrou seu FIDC Matone VI em 22 de outubro e, até o momento, a oferta liderada pelo BTG Pactual não captou recursos.
Assim como ocorreu com o mercado de cessão de carteiras, o de FIDCs também apresentou retração. Do início do ano até ontem, havia na CVM três ofertas de FIDCs registradas, com volume total de R$ 744 milhões. No mesmo período do ano passado, eram oito ofertas no valor de R$ 1,257 bilhão. "A colocação de FIDCs ainda está complicada", ressalta Fernando Meibak, sócio da Sunrise Investments. Ele menciona o PanAmericano, cujos fundos de recebíveis só se mantinham de pé por causa das sucessivas recompras que o banco fazia dos créditos que ele mesmo tinha vendido para os fundos.
Já é possível perceber, no entanto, esforços para a retomada das ofertas de FIDCs. O Schahin publicou nesta semana aviso aos investidores para a colocação de seu fundo, cuja oferta tem como coordenador líder o Santander. Se a distribuição atingir os R$ 300 milhões previstos, o banco poderá conseguir liberar algo entre três e quatro pontos percentuais de índice de Basileia.
O Cruzeiro do Sul registrou, na quarta-feira, um fundo com volume de R$ 300 milhões. O Pine puxou a fila, ao registrar no dia 3 de fevereiro o seu. A BV Financeira prepara a oferta de seu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios V Não-Padronizados. Outras duas instituições estão com operações no forno que devem variar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. O Banco Daycoval prepara uma nova tranche de seu fundo de recebíveis Daycoval Veículos, que reúne patrimônio líquido de R$ 174,5 milhões. O Bonsucesso é outro que deve aproveitar a carteira, com lastro em crédito consignado, em operação para nova captação.
Para aliviar a pressão sobre seu índice de Basileia, o Paulista vai tentar pela primeira vez fazer uma emissão externa de dívida subordinada, segundo o diretor Marcelo Adilson Tavarone Torresi. A ideia é captar R$ 30 milhões, recurso que entra para o patrimônio do banco como capital de nível 2. Além disso, o Paulista apresentou ao BC uma proposta para minimizar o efeito da coobrigação dos ativos cedidos sobre sua Basileia, mas que ainda aguarda aprovação da autoridade monetária.
Procurados, os bancos Morada e Matone não atenderam à reportagem. Os executivos do Schahin informaram que estão em período de silêncio por conta da oferta de seu fundo de recebíveis. (Colaborou Alessandra Bellotto)
Alguns bancos de pequeno porte estão em compasso de espera para voltar a operar a plena capacidade. Enquanto a Central de Cessão de Crédito (C3), sistema que tornará transparente a compra e venda de carteiras pelas instituições financeiras, não sair do papel e a oferta de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) não ganhar ritmo, o espaço de alavancagem dos bancos menores para conceder empréstimos permanecerá reduzido. Exceções feitas aos eventuais casos em que o controlador opte por um aumento de capital.
As instituições vinham em ritmo acelerado de atividade e algumas delas foram pegas pelo episódio PanAmericano já no limite de alavancagem permitido. Depois do rombo bilionário encontrado no banco que pertencia a Silvio Santos, a venda de carteiras de crédito para grandes bancos praticamente secou. A oferta de FIDCs também tornou-se mais seletiva desde o fim do ano passado para cá, contribuindo para reduzir de forma significativa a folga de capital dessas instituições financeiras. É praxe entre os bancos colocar parte de suas carteiras de crédito dentro de fundos de recebíveis. A venda de créditos para bancos maiores e a cessão para fundos liberam espaço no balanço para novos empréstimos, além de funcionar como fundamental fonte de captação e de receita.
O Schahin, por exemplo, especializado no crédito consignado em folha de pagamento e no financiamentos de veículos usados, está operando no limite. Em setembro o banco chegou a ficar desenquadrado do índice mínimo de Basileia, que é de 11% no país. E encerrou dezembro com 11% cravados, de acordo com balanço ainda não auditado.
Embora conte com um caixa de aproximadamente R$ 500 milhões, sua produção de empréstimos esbarra na capacidade de retenção dos ativos de crédito em balanço, uma vez que o patrimônio para a cobertura de eventuais perdas está no menor nível permitido. O patrimônio líquido do Schahin no fim de 2010 era de R$ 229,5 milhões. O banco até poderia contar com aportes do grupo Schahin, mas a percepção do mercado é que as demais empresas do conglomerado, especialmente a do setor de petróleo, além de demandarem capital intensivo, têm também a preferência da família de acionistas.
O gaúcho Matone, focado na concessão de crédito consignado, estava em setembro desenquadrado, com Basileia de 9,13%. Nesta semana, o banco anunciou a solução para reforçar seu patrimônio (de R$ 247,9 milhões, em dezembro): vendeu 60% das ações para o Banco JBS. Após efetivado um aporte de R$ 300 milhões, o balanço consolidado das duas instituições vai apresentar um patrimônio líquido de R$ 550 milhões.
O Banco Paulista, apesar de ter vendido sua financeira Paulicred para o Fibra em setembro de 2009, ainda conta com uma carteira relevante de financiamentos de veículos - as operações de crédito nessa modalidade somavam R$ 80,9 milhões em junho. As operações de varejo foram cedidas com coobrigação (ou seja, o risco de inadimplência continuou com o banco que cedeu o crédito), por isso os ativos também continuaram no balanço do Paulista, pressionando seu índice de Basileia, que era de 11,65%, em setembro.
Outro que está no limite do índice de Basileia é o banco Morada, do Rio de Janeiro, que tem boa parte de sua produção voltada para o empréstimo consignado. O índice que mede a relação entre o patrimônio de referência e a carteira de crédito da instituição estava em 11,5%, em setembro.
Para Renato Oliva, presidente da ABBC, associação que reúne os bancos de pequeno e médio portes, houve um enxugamento importante de liquidez desde o fim do ano passado para cá, que implicou em uma mudança de paradigma para o setor. "Os bancos vão precisar centrar-se naquilo que podem carregar [em balanço], e não necessariamente no que vão produzir e vender", diz ele, referindo-se à capacidade das instituições de reter os ativos em balanço, sem poder contar antecipadamente com a cessão desses créditos.
Como na primeira metade de 2010 a cessão de carteiras havia retomado o ritmo anterior à crise financeira, alguns bancos vinham também imprimindo uma velocidade altíssima de produção de financiamentos, já que podiam contar com a "vazão" dessas operações de venda de carteiras. As novas regras do Banco Central (BC), que dobrou a exigência de capital para os financiamentos longos, aumentou ainda mais a pressão.
Segundo fontes de mercado, o Matone chegava a produzir, por mês, R$ 170 milhões em crédito consignado. O Schahin era menos agressivo, produzia cerca de R$ 50 milhões por mês, mas acelerou o ritmo no segundo semestre com a perspectiva de lançamento de um fundo de recebíveis para o qual cederia boa parte dos créditos. O Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Schahin - Crédito Consignado foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 25 de outubro do ano passado, mas a oferta foi atropelada pelo estouro do escândalo do PanAmericano. O Matone, da mesmo forma, registrou seu FIDC Matone VI em 22 de outubro e, até o momento, a oferta liderada pelo BTG Pactual não captou recursos.
Assim como ocorreu com o mercado de cessão de carteiras, o de FIDCs também apresentou retração. Do início do ano até ontem, havia na CVM três ofertas de FIDCs registradas, com volume total de R$ 744 milhões. No mesmo período do ano passado, eram oito ofertas no valor de R$ 1,257 bilhão. "A colocação de FIDCs ainda está complicada", ressalta Fernando Meibak, sócio da Sunrise Investments. Ele menciona o PanAmericano, cujos fundos de recebíveis só se mantinham de pé por causa das sucessivas recompras que o banco fazia dos créditos que ele mesmo tinha vendido para os fundos.
Já é possível perceber, no entanto, esforços para a retomada das ofertas de FIDCs. O Schahin publicou nesta semana aviso aos investidores para a colocação de seu fundo, cuja oferta tem como coordenador líder o Santander. Se a distribuição atingir os R$ 300 milhões previstos, o banco poderá conseguir liberar algo entre três e quatro pontos percentuais de índice de Basileia.
O Cruzeiro do Sul registrou, na quarta-feira, um fundo com volume de R$ 300 milhões. O Pine puxou a fila, ao registrar no dia 3 de fevereiro o seu. A BV Financeira prepara a oferta de seu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios V Não-Padronizados. Outras duas instituições estão com operações no forno que devem variar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. O Banco Daycoval prepara uma nova tranche de seu fundo de recebíveis Daycoval Veículos, que reúne patrimônio líquido de R$ 174,5 milhões. O Bonsucesso é outro que deve aproveitar a carteira, com lastro em crédito consignado, em operação para nova captação.
Para aliviar a pressão sobre seu índice de Basileia, o Paulista vai tentar pela primeira vez fazer uma emissão externa de dívida subordinada, segundo o diretor Marcelo Adilson Tavarone Torresi. A ideia é captar R$ 30 milhões, recurso que entra para o patrimônio do banco como capital de nível 2. Além disso, o Paulista apresentou ao BC uma proposta para minimizar o efeito da coobrigação dos ativos cedidos sobre sua Basileia, mas que ainda aguarda aprovação da autoridade monetária.
Procurados, os bancos Morada e Matone não atenderam à reportagem. Os executivos do Schahin informaram que estão em período de silêncio por conta da oferta de seu fundo de recebíveis. (Colaborou Alessandra Bellotto)
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