portal Brasil Econômico 28/04/2011
O Banco Central (BC) informou nesta quinta-feira (28/4) que decretou a intervenção no Banco Morada, instituição com sede no Rio de Janeiro.
A medida ocorre em decorrência do "comprometimento patrimonial, do descumprimento de normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central do Brasil e do fato de seus controladores não terem apresentado um plano de recuperação viável para a instituição", justificou a autoridade monetária.
O Banco Morada é uma instituição financeira nacional privada, de pequeno porte, autorizada a operar as carteiras comercial e de crédito, financiamento e investimento, com apenas uma agência na cidade do Rio de Janeiro.
Em dezembro de 2010, o banco detinha 0,01% e 0,03% dos ativos e dos depósitos totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), respectivamente.
A instituição financeira faz parte do grupo econômico Morada, controlado pela empresa Morada Investimentos (MISA), e detém participação nas empresas Morada Viagens e Turismo, Morada Informática e Serviços Técnicos e Morada Administradora de Cartões de Crédito.
De acordo com o comunicado do BC, cerca de 32% do total dos depósitos à vista e a prazo do banco conta com garantia do Fundo Garantidor de Depósitos (FGC).
O Banco Central destaca que está tomando "todas as providências cabíveis na situação", com o intuito de apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais de supervisão do sistema financeiro.
"Os resultados da apuração poderão levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e à comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", afirmou o BC.
O Banco Morada também estaria na mira do Grupo BMG, que oficializou na véspera a aquisição do Banco Schahin por R$ 230 milhões.
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28 de abr. de 2011
11 de abr. de 2011
BANCOS BRECAM VENDA DE CARTEIRA
jornal Valor Econômico 11/04/2011 – Adriana Cotias
Bancos como Bonsucesso, BMG, Matone e Morada estão diante de um desafio maior para encontrar fontes alternativas de captação de recursos para financiar sua atividade de concessão de crédito. Levantamento feito pelo Valor em balanços de instituições ativas na modalidade de crédito consignado indica que essas estão entre as instituições mais dependentes da venda de carteiras a bancos maiores para se financiar, prática conhecida como cessão de crédito.
O levantamento mostra que em 2010, alguns bancos tiveram mais da metade das receitas de intermediação financeira originada da venda de carteiras. O BMG obteve R$ 1,9 bilhão de resultado com esse tipo de operação, a maior parte com coobrigação, representando 52,4% da receita intermediação financeira. No Bonsucesso, foram R$ 396,7 milhões, o equivalente a 60%. O Matone, no terceiro trimestre, reportou resultado com cessão de R$ 46 milhões ou 59% da intermediação. O Morada, no quarto trimestre, teve R$ 21 milhões de ganhos de cessão, 47% da intermediação. Outros têm parcela menor da receita vinda da venda de carteiras, como Banco Mercantil de Crédito (15%) e Rural (5%).
No caso do BMG e do Bonsucesso já se nota esforço para buscar outras fontes, com emissões de dívida subordinada. O BMG está com uma operação na rua para emitir eurobônus de sete anos. O Bonsucesso fez uma emissão no último trimestre de 2010 e recentemente informou a intenção de reter mais ativos no balanço, que trariam mais rentabilidade futura.
Bancos que possuem um grande grupo financeiro em seu capital acionário, como Votorantim e Cacique, não foram pesquisados.
Procurados, BMG e Matone, este último recém adquirido pelo Banco JBS, não quiseram comentar, enquanto os executivos do Bonsucesso estavam em apresentações a investidores no exterior.
Rodar a máquina do crédito graças à venda de carteiras está ficando mais difícil. As instituições de pequeno e médio porte, que antecipam gordas receitas quando vendem seus ativos de crédito com coobrigação - cláusula em que o risco de inadimplência permanece com o cedente - têm de reduzir o passo agora ou vão amargar perdas expressivas quando exibirem seus balanços sob os parâmetros de uma regra contábil que entra em vigor em 2012.
Pela resolução 3.533 do Banco Central, já adiada três vezes, a partir de janeiro todo estoque de crédito cedido sem transferência de risco vai ter que voltar para o ativo das instituições e os resultados apurados com a venda revertidos. As carteiras passarão então a gerar receitas à medida em que as parcelas sejam pagas pelos tomadores, embora o dinheiro da venda desses créditos a outros bancos continue entrando no caixa antes. A alteração traz, entretanto, impactos imediatos para a alavancagem.
Assim, nos resultados do primeiro trimestre, alguns bancos já devem mostrar um menor ritmo na concessão de empréstimos, não só pelas medidas de aperto ao crédito baixadas pelo governo, mas também pelas mudanças à vista na contabilização das cessões. "A cessão, hoje, tem um efeito imediato no resultado, gera lucro robusto e melhora Basileia (o índice de capitalização mínimo), possibilitando novas alavancagens", diz o economista da Lopes & Filho, João Augusto Frotta Salles. "Mas isso é um defeito do sistema, os bancos não podem ter isso como estratégia. O crédito foi feito para correr o seu tempo de maturação e assim as instituições podem absorver seus resultados."
O rombo contábil no PanAmericano e as medidas que duplicaram o requerimento de capital para operações longas de consignado e veículos à pessoa física, em dezembro, já impuseram um freio às cessões, reduzindo o ímpeto dos bancos de gerar novos créditos. O aumento do IOF na semana passada só completou o pacote. "Se o modelo de negócio for o mesmo de 2010 e não existir outro instrumento de captação de longo prazo que substitua a cessão, pode haver um efeito nos resultados", diz o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva.
"O que se percebe é que instituições que têm um modelo de cessão muito pesado começam a fazer exercícios para trabalhar diferente, com uma estrutura de preços compatível com as carteiras que queiram carregar."
Num momento em que a liquidez ficou estruturalmente mais restrita, o nível de geração de negócios também já não é o mesmo. O diretor de um grande banco de varejo que costuma comprar carteiras de crédito diz que há menos interesse de bancos tradicionais de consignado e veículos de vender ativos porque também eles estão emprestando menos.
Há bancos como Cruzeiro do Sul e Paraná Banco que já vinham modificando o mix de captação. "Desde 2008 temos trabalhado para evitar solavancos na contabilidade e optamos por buscar outras fontes. Teríamos uma rentabilidade melhor do que 14% (sobre o patrimônio) se optássemos pela cessão", diz o diretor de relações com investidores do Cruzeiro do Sul, Fausto Guimarães. No quarto trimestre de 2010, 51,7% dos recursos do banco vieram de depósitos a prazo, 22,6% de captações no exterior e só 12% de cessões. A venda de ativos para fundos de recebíveis tem sido outra fonte, com participação de 11,4% nesse bolo (mas sem coobrigação).
No caso do Paraná Banco, que não fez cessões em 2010, o entendimento é que essa não é uma forma eficiente de captar recursos, segundo Cristiano Malucelli, diretor de relações com investidores. O banco, diz, não faz cessões porque: a) custa caro (acima de 130% do CDI), b) assume a inadimplência da carteira cedida (coobrigação), c) permanece com os custos administrativos dos contratos cedidos.
Bancos como Bonsucesso, BMG, Matone e Morada estão diante de um desafio maior para encontrar fontes alternativas de captação de recursos para financiar sua atividade de concessão de crédito. Levantamento feito pelo Valor em balanços de instituições ativas na modalidade de crédito consignado indica que essas estão entre as instituições mais dependentes da venda de carteiras a bancos maiores para se financiar, prática conhecida como cessão de crédito.
O levantamento mostra que em 2010, alguns bancos tiveram mais da metade das receitas de intermediação financeira originada da venda de carteiras. O BMG obteve R$ 1,9 bilhão de resultado com esse tipo de operação, a maior parte com coobrigação, representando 52,4% da receita intermediação financeira. No Bonsucesso, foram R$ 396,7 milhões, o equivalente a 60%. O Matone, no terceiro trimestre, reportou resultado com cessão de R$ 46 milhões ou 59% da intermediação. O Morada, no quarto trimestre, teve R$ 21 milhões de ganhos de cessão, 47% da intermediação. Outros têm parcela menor da receita vinda da venda de carteiras, como Banco Mercantil de Crédito (15%) e Rural (5%).
No caso do BMG e do Bonsucesso já se nota esforço para buscar outras fontes, com emissões de dívida subordinada. O BMG está com uma operação na rua para emitir eurobônus de sete anos. O Bonsucesso fez uma emissão no último trimestre de 2010 e recentemente informou a intenção de reter mais ativos no balanço, que trariam mais rentabilidade futura.
Bancos que possuem um grande grupo financeiro em seu capital acionário, como Votorantim e Cacique, não foram pesquisados.
Procurados, BMG e Matone, este último recém adquirido pelo Banco JBS, não quiseram comentar, enquanto os executivos do Bonsucesso estavam em apresentações a investidores no exterior.
Rodar a máquina do crédito graças à venda de carteiras está ficando mais difícil. As instituições de pequeno e médio porte, que antecipam gordas receitas quando vendem seus ativos de crédito com coobrigação - cláusula em que o risco de inadimplência permanece com o cedente - têm de reduzir o passo agora ou vão amargar perdas expressivas quando exibirem seus balanços sob os parâmetros de uma regra contábil que entra em vigor em 2012.
Pela resolução 3.533 do Banco Central, já adiada três vezes, a partir de janeiro todo estoque de crédito cedido sem transferência de risco vai ter que voltar para o ativo das instituições e os resultados apurados com a venda revertidos. As carteiras passarão então a gerar receitas à medida em que as parcelas sejam pagas pelos tomadores, embora o dinheiro da venda desses créditos a outros bancos continue entrando no caixa antes. A alteração traz, entretanto, impactos imediatos para a alavancagem.
Assim, nos resultados do primeiro trimestre, alguns bancos já devem mostrar um menor ritmo na concessão de empréstimos, não só pelas medidas de aperto ao crédito baixadas pelo governo, mas também pelas mudanças à vista na contabilização das cessões. "A cessão, hoje, tem um efeito imediato no resultado, gera lucro robusto e melhora Basileia (o índice de capitalização mínimo), possibilitando novas alavancagens", diz o economista da Lopes & Filho, João Augusto Frotta Salles. "Mas isso é um defeito do sistema, os bancos não podem ter isso como estratégia. O crédito foi feito para correr o seu tempo de maturação e assim as instituições podem absorver seus resultados."
O rombo contábil no PanAmericano e as medidas que duplicaram o requerimento de capital para operações longas de consignado e veículos à pessoa física, em dezembro, já impuseram um freio às cessões, reduzindo o ímpeto dos bancos de gerar novos créditos. O aumento do IOF na semana passada só completou o pacote. "Se o modelo de negócio for o mesmo de 2010 e não existir outro instrumento de captação de longo prazo que substitua a cessão, pode haver um efeito nos resultados", diz o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva.
"O que se percebe é que instituições que têm um modelo de cessão muito pesado começam a fazer exercícios para trabalhar diferente, com uma estrutura de preços compatível com as carteiras que queiram carregar."
Num momento em que a liquidez ficou estruturalmente mais restrita, o nível de geração de negócios também já não é o mesmo. O diretor de um grande banco de varejo que costuma comprar carteiras de crédito diz que há menos interesse de bancos tradicionais de consignado e veículos de vender ativos porque também eles estão emprestando menos.
Há bancos como Cruzeiro do Sul e Paraná Banco que já vinham modificando o mix de captação. "Desde 2008 temos trabalhado para evitar solavancos na contabilidade e optamos por buscar outras fontes. Teríamos uma rentabilidade melhor do que 14% (sobre o patrimônio) se optássemos pela cessão", diz o diretor de relações com investidores do Cruzeiro do Sul, Fausto Guimarães. No quarto trimestre de 2010, 51,7% dos recursos do banco vieram de depósitos a prazo, 22,6% de captações no exterior e só 12% de cessões. A venda de ativos para fundos de recebíveis tem sido outra fonte, com participação de 11,4% nesse bolo (mas sem coobrigação).
No caso do Paraná Banco, que não fez cessões em 2010, o entendimento é que essa não é uma forma eficiente de captar recursos, segundo Cristiano Malucelli, diretor de relações com investidores. O banco, diz, não faz cessões porque: a) custa caro (acima de 130% do CDI), b) assume a inadimplência da carteira cedida (coobrigação), c) permanece com os custos administrativos dos contratos cedidos.
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18 de mar. de 2011
PEQUENOS BANCOS ATINGEM LIMITE DE ALAVANCAGEM E APERTAM CRÉDITO
jornal Valor Econômico 18/03/2011 - Aline Lima
Alguns bancos de pequeno porte estão em compasso de espera para voltar a operar a plena capacidade. Enquanto a Central de Cessão de Crédito (C3), sistema que tornará transparente a compra e venda de carteiras pelas instituições financeiras, não sair do papel e a oferta de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) não ganhar ritmo, o espaço de alavancagem dos bancos menores para conceder empréstimos permanecerá reduzido. Exceções feitas aos eventuais casos em que o controlador opte por um aumento de capital.
As instituições vinham em ritmo acelerado de atividade e algumas delas foram pegas pelo episódio PanAmericano já no limite de alavancagem permitido. Depois do rombo bilionário encontrado no banco que pertencia a Silvio Santos, a venda de carteiras de crédito para grandes bancos praticamente secou. A oferta de FIDCs também tornou-se mais seletiva desde o fim do ano passado para cá, contribuindo para reduzir de forma significativa a folga de capital dessas instituições financeiras. É praxe entre os bancos colocar parte de suas carteiras de crédito dentro de fundos de recebíveis. A venda de créditos para bancos maiores e a cessão para fundos liberam espaço no balanço para novos empréstimos, além de funcionar como fundamental fonte de captação e de receita.
O Schahin, por exemplo, especializado no crédito consignado em folha de pagamento e no financiamentos de veículos usados, está operando no limite. Em setembro o banco chegou a ficar desenquadrado do índice mínimo de Basileia, que é de 11% no país. E encerrou dezembro com 11% cravados, de acordo com balanço ainda não auditado.
Embora conte com um caixa de aproximadamente R$ 500 milhões, sua produção de empréstimos esbarra na capacidade de retenção dos ativos de crédito em balanço, uma vez que o patrimônio para a cobertura de eventuais perdas está no menor nível permitido. O patrimônio líquido do Schahin no fim de 2010 era de R$ 229,5 milhões. O banco até poderia contar com aportes do grupo Schahin, mas a percepção do mercado é que as demais empresas do conglomerado, especialmente a do setor de petróleo, além de demandarem capital intensivo, têm também a preferência da família de acionistas.
O gaúcho Matone, focado na concessão de crédito consignado, estava em setembro desenquadrado, com Basileia de 9,13%. Nesta semana, o banco anunciou a solução para reforçar seu patrimônio (de R$ 247,9 milhões, em dezembro): vendeu 60% das ações para o Banco JBS. Após efetivado um aporte de R$ 300 milhões, o balanço consolidado das duas instituições vai apresentar um patrimônio líquido de R$ 550 milhões.
O Banco Paulista, apesar de ter vendido sua financeira Paulicred para o Fibra em setembro de 2009, ainda conta com uma carteira relevante de financiamentos de veículos - as operações de crédito nessa modalidade somavam R$ 80,9 milhões em junho. As operações de varejo foram cedidas com coobrigação (ou seja, o risco de inadimplência continuou com o banco que cedeu o crédito), por isso os ativos também continuaram no balanço do Paulista, pressionando seu índice de Basileia, que era de 11,65%, em setembro.
Outro que está no limite do índice de Basileia é o banco Morada, do Rio de Janeiro, que tem boa parte de sua produção voltada para o empréstimo consignado. O índice que mede a relação entre o patrimônio de referência e a carteira de crédito da instituição estava em 11,5%, em setembro.
Para Renato Oliva, presidente da ABBC, associação que reúne os bancos de pequeno e médio portes, houve um enxugamento importante de liquidez desde o fim do ano passado para cá, que implicou em uma mudança de paradigma para o setor. "Os bancos vão precisar centrar-se naquilo que podem carregar [em balanço], e não necessariamente no que vão produzir e vender", diz ele, referindo-se à capacidade das instituições de reter os ativos em balanço, sem poder contar antecipadamente com a cessão desses créditos.
Como na primeira metade de 2010 a cessão de carteiras havia retomado o ritmo anterior à crise financeira, alguns bancos vinham também imprimindo uma velocidade altíssima de produção de financiamentos, já que podiam contar com a "vazão" dessas operações de venda de carteiras. As novas regras do Banco Central (BC), que dobrou a exigência de capital para os financiamentos longos, aumentou ainda mais a pressão.
Segundo fontes de mercado, o Matone chegava a produzir, por mês, R$ 170 milhões em crédito consignado. O Schahin era menos agressivo, produzia cerca de R$ 50 milhões por mês, mas acelerou o ritmo no segundo semestre com a perspectiva de lançamento de um fundo de recebíveis para o qual cederia boa parte dos créditos. O Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Schahin - Crédito Consignado foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 25 de outubro do ano passado, mas a oferta foi atropelada pelo estouro do escândalo do PanAmericano. O Matone, da mesmo forma, registrou seu FIDC Matone VI em 22 de outubro e, até o momento, a oferta liderada pelo BTG Pactual não captou recursos.
Assim como ocorreu com o mercado de cessão de carteiras, o de FIDCs também apresentou retração. Do início do ano até ontem, havia na CVM três ofertas de FIDCs registradas, com volume total de R$ 744 milhões. No mesmo período do ano passado, eram oito ofertas no valor de R$ 1,257 bilhão. "A colocação de FIDCs ainda está complicada", ressalta Fernando Meibak, sócio da Sunrise Investments. Ele menciona o PanAmericano, cujos fundos de recebíveis só se mantinham de pé por causa das sucessivas recompras que o banco fazia dos créditos que ele mesmo tinha vendido para os fundos.
Já é possível perceber, no entanto, esforços para a retomada das ofertas de FIDCs. O Schahin publicou nesta semana aviso aos investidores para a colocação de seu fundo, cuja oferta tem como coordenador líder o Santander. Se a distribuição atingir os R$ 300 milhões previstos, o banco poderá conseguir liberar algo entre três e quatro pontos percentuais de índice de Basileia.
O Cruzeiro do Sul registrou, na quarta-feira, um fundo com volume de R$ 300 milhões. O Pine puxou a fila, ao registrar no dia 3 de fevereiro o seu. A BV Financeira prepara a oferta de seu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios V Não-Padronizados. Outras duas instituições estão com operações no forno que devem variar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. O Banco Daycoval prepara uma nova tranche de seu fundo de recebíveis Daycoval Veículos, que reúne patrimônio líquido de R$ 174,5 milhões. O Bonsucesso é outro que deve aproveitar a carteira, com lastro em crédito consignado, em operação para nova captação.
Para aliviar a pressão sobre seu índice de Basileia, o Paulista vai tentar pela primeira vez fazer uma emissão externa de dívida subordinada, segundo o diretor Marcelo Adilson Tavarone Torresi. A ideia é captar R$ 30 milhões, recurso que entra para o patrimônio do banco como capital de nível 2. Além disso, o Paulista apresentou ao BC uma proposta para minimizar o efeito da coobrigação dos ativos cedidos sobre sua Basileia, mas que ainda aguarda aprovação da autoridade monetária.
Procurados, os bancos Morada e Matone não atenderam à reportagem. Os executivos do Schahin informaram que estão em período de silêncio por conta da oferta de seu fundo de recebíveis. (Colaborou Alessandra Bellotto)
Alguns bancos de pequeno porte estão em compasso de espera para voltar a operar a plena capacidade. Enquanto a Central de Cessão de Crédito (C3), sistema que tornará transparente a compra e venda de carteiras pelas instituições financeiras, não sair do papel e a oferta de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) não ganhar ritmo, o espaço de alavancagem dos bancos menores para conceder empréstimos permanecerá reduzido. Exceções feitas aos eventuais casos em que o controlador opte por um aumento de capital.
As instituições vinham em ritmo acelerado de atividade e algumas delas foram pegas pelo episódio PanAmericano já no limite de alavancagem permitido. Depois do rombo bilionário encontrado no banco que pertencia a Silvio Santos, a venda de carteiras de crédito para grandes bancos praticamente secou. A oferta de FIDCs também tornou-se mais seletiva desde o fim do ano passado para cá, contribuindo para reduzir de forma significativa a folga de capital dessas instituições financeiras. É praxe entre os bancos colocar parte de suas carteiras de crédito dentro de fundos de recebíveis. A venda de créditos para bancos maiores e a cessão para fundos liberam espaço no balanço para novos empréstimos, além de funcionar como fundamental fonte de captação e de receita.
O Schahin, por exemplo, especializado no crédito consignado em folha de pagamento e no financiamentos de veículos usados, está operando no limite. Em setembro o banco chegou a ficar desenquadrado do índice mínimo de Basileia, que é de 11% no país. E encerrou dezembro com 11% cravados, de acordo com balanço ainda não auditado.
Embora conte com um caixa de aproximadamente R$ 500 milhões, sua produção de empréstimos esbarra na capacidade de retenção dos ativos de crédito em balanço, uma vez que o patrimônio para a cobertura de eventuais perdas está no menor nível permitido. O patrimônio líquido do Schahin no fim de 2010 era de R$ 229,5 milhões. O banco até poderia contar com aportes do grupo Schahin, mas a percepção do mercado é que as demais empresas do conglomerado, especialmente a do setor de petróleo, além de demandarem capital intensivo, têm também a preferência da família de acionistas.
O gaúcho Matone, focado na concessão de crédito consignado, estava em setembro desenquadrado, com Basileia de 9,13%. Nesta semana, o banco anunciou a solução para reforçar seu patrimônio (de R$ 247,9 milhões, em dezembro): vendeu 60% das ações para o Banco JBS. Após efetivado um aporte de R$ 300 milhões, o balanço consolidado das duas instituições vai apresentar um patrimônio líquido de R$ 550 milhões.
O Banco Paulista, apesar de ter vendido sua financeira Paulicred para o Fibra em setembro de 2009, ainda conta com uma carteira relevante de financiamentos de veículos - as operações de crédito nessa modalidade somavam R$ 80,9 milhões em junho. As operações de varejo foram cedidas com coobrigação (ou seja, o risco de inadimplência continuou com o banco que cedeu o crédito), por isso os ativos também continuaram no balanço do Paulista, pressionando seu índice de Basileia, que era de 11,65%, em setembro.
Outro que está no limite do índice de Basileia é o banco Morada, do Rio de Janeiro, que tem boa parte de sua produção voltada para o empréstimo consignado. O índice que mede a relação entre o patrimônio de referência e a carteira de crédito da instituição estava em 11,5%, em setembro.
Para Renato Oliva, presidente da ABBC, associação que reúne os bancos de pequeno e médio portes, houve um enxugamento importante de liquidez desde o fim do ano passado para cá, que implicou em uma mudança de paradigma para o setor. "Os bancos vão precisar centrar-se naquilo que podem carregar [em balanço], e não necessariamente no que vão produzir e vender", diz ele, referindo-se à capacidade das instituições de reter os ativos em balanço, sem poder contar antecipadamente com a cessão desses créditos.
Como na primeira metade de 2010 a cessão de carteiras havia retomado o ritmo anterior à crise financeira, alguns bancos vinham também imprimindo uma velocidade altíssima de produção de financiamentos, já que podiam contar com a "vazão" dessas operações de venda de carteiras. As novas regras do Banco Central (BC), que dobrou a exigência de capital para os financiamentos longos, aumentou ainda mais a pressão.
Segundo fontes de mercado, o Matone chegava a produzir, por mês, R$ 170 milhões em crédito consignado. O Schahin era menos agressivo, produzia cerca de R$ 50 milhões por mês, mas acelerou o ritmo no segundo semestre com a perspectiva de lançamento de um fundo de recebíveis para o qual cederia boa parte dos créditos. O Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Schahin - Crédito Consignado foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 25 de outubro do ano passado, mas a oferta foi atropelada pelo estouro do escândalo do PanAmericano. O Matone, da mesmo forma, registrou seu FIDC Matone VI em 22 de outubro e, até o momento, a oferta liderada pelo BTG Pactual não captou recursos.
Assim como ocorreu com o mercado de cessão de carteiras, o de FIDCs também apresentou retração. Do início do ano até ontem, havia na CVM três ofertas de FIDCs registradas, com volume total de R$ 744 milhões. No mesmo período do ano passado, eram oito ofertas no valor de R$ 1,257 bilhão. "A colocação de FIDCs ainda está complicada", ressalta Fernando Meibak, sócio da Sunrise Investments. Ele menciona o PanAmericano, cujos fundos de recebíveis só se mantinham de pé por causa das sucessivas recompras que o banco fazia dos créditos que ele mesmo tinha vendido para os fundos.
Já é possível perceber, no entanto, esforços para a retomada das ofertas de FIDCs. O Schahin publicou nesta semana aviso aos investidores para a colocação de seu fundo, cuja oferta tem como coordenador líder o Santander. Se a distribuição atingir os R$ 300 milhões previstos, o banco poderá conseguir liberar algo entre três e quatro pontos percentuais de índice de Basileia.
O Cruzeiro do Sul registrou, na quarta-feira, um fundo com volume de R$ 300 milhões. O Pine puxou a fila, ao registrar no dia 3 de fevereiro o seu. A BV Financeira prepara a oferta de seu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios V Não-Padronizados. Outras duas instituições estão com operações no forno que devem variar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. O Banco Daycoval prepara uma nova tranche de seu fundo de recebíveis Daycoval Veículos, que reúne patrimônio líquido de R$ 174,5 milhões. O Bonsucesso é outro que deve aproveitar a carteira, com lastro em crédito consignado, em operação para nova captação.
Para aliviar a pressão sobre seu índice de Basileia, o Paulista vai tentar pela primeira vez fazer uma emissão externa de dívida subordinada, segundo o diretor Marcelo Adilson Tavarone Torresi. A ideia é captar R$ 30 milhões, recurso que entra para o patrimônio do banco como capital de nível 2. Além disso, o Paulista apresentou ao BC uma proposta para minimizar o efeito da coobrigação dos ativos cedidos sobre sua Basileia, mas que ainda aguarda aprovação da autoridade monetária.
Procurados, os bancos Morada e Matone não atenderam à reportagem. Os executivos do Schahin informaram que estão em período de silêncio por conta da oferta de seu fundo de recebíveis. (Colaborou Alessandra Bellotto)
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