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11 de abr. de 2011

BANCOS BRECAM VENDA DE CARTEIRA

jornal Valor Econômico 11/04/2011 – Adriana Cotias

Bancos como Bonsucesso, BMG, Matone e Morada estão diante de um desafio maior para encontrar fontes alternativas de captação de recursos para financiar sua atividade de concessão de crédito. Levantamento feito pelo Valor em balanços de instituições ativas na modalidade de crédito consignado indica que essas estão entre as instituições mais dependentes da venda de carteiras a bancos maiores para se financiar, prática conhecida como cessão de crédito.

O levantamento mostra que em 2010, alguns bancos tiveram mais da metade das receitas de intermediação financeira originada da venda de carteiras. O BMG obteve R$ 1,9 bilhão de resultado com esse tipo de operação, a maior parte com coobrigação, representando 52,4% da receita intermediação financeira. No Bonsucesso, foram R$ 396,7 milhões, o equivalente a 60%. O Matone, no terceiro trimestre, reportou resultado com cessão de R$ 46 milhões ou 59% da intermediação. O Morada, no quarto trimestre, teve R$ 21 milhões de ganhos de cessão, 47% da intermediação. Outros têm parcela menor da receita vinda da venda de carteiras, como Banco Mercantil de Crédito (15%) e Rural (5%).



No caso do BMG e do Bonsucesso já se nota esforço para buscar outras fontes, com emissões de dívida subordinada. O BMG está com uma operação na rua para emitir eurobônus de sete anos. O Bonsucesso fez uma emissão no último trimestre de 2010 e recentemente informou a intenção de reter mais ativos no balanço, que trariam mais rentabilidade futura.

Bancos que possuem um grande grupo financeiro em seu capital acionário, como Votorantim e Cacique, não foram pesquisados.

Procurados, BMG e Matone, este último recém adquirido pelo Banco JBS, não quiseram comentar, enquanto os executivos do Bonsucesso estavam em apresentações a investidores no exterior.

Rodar a máquina do crédito graças à venda de carteiras está ficando mais difícil. As instituições de pequeno e médio porte, que antecipam gordas receitas quando vendem seus ativos de crédito com coobrigação - cláusula em que o risco de inadimplência permanece com o cedente - têm de reduzir o passo agora ou vão amargar perdas expressivas quando exibirem seus balanços sob os parâmetros de uma regra contábil que entra em vigor em 2012.

Pela resolução 3.533 do Banco Central, já adiada três vezes, a partir de janeiro todo estoque de crédito cedido sem transferência de risco vai ter que voltar para o ativo das instituições e os resultados apurados com a venda revertidos. As carteiras passarão então a gerar receitas à medida em que as parcelas sejam pagas pelos tomadores, embora o dinheiro da venda desses créditos a outros bancos continue entrando no caixa antes. A alteração traz, entretanto, impactos imediatos para a alavancagem.

Assim, nos resultados do primeiro trimestre, alguns bancos já devem mostrar um menor ritmo na concessão de empréstimos, não só pelas medidas de aperto ao crédito baixadas pelo governo, mas também pelas mudanças à vista na contabilização das cessões. "A cessão, hoje, tem um efeito imediato no resultado, gera lucro robusto e melhora Basileia (o índice de capitalização mínimo), possibilitando novas alavancagens", diz o economista da Lopes & Filho, João Augusto Frotta Salles. "Mas isso é um defeito do sistema, os bancos não podem ter isso como estratégia. O crédito foi feito para correr o seu tempo de maturação e assim as instituições podem absorver seus resultados."

O rombo contábil no PanAmericano e as medidas que duplicaram o requerimento de capital para operações longas de consignado e veículos à pessoa física, em dezembro, já impuseram um freio às cessões, reduzindo o ímpeto dos bancos de gerar novos créditos. O aumento do IOF na semana passada só completou o pacote. "Se o modelo de negócio for o mesmo de 2010 e não existir outro instrumento de captação de longo prazo que substitua a cessão, pode haver um efeito nos resultados", diz o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva.

"O que se percebe é que instituições que têm um modelo de cessão muito pesado começam a fazer exercícios para trabalhar diferente, com uma estrutura de preços compatível com as carteiras que queiram carregar."

Num momento em que a liquidez ficou estruturalmente mais restrita, o nível de geração de negócios também já não é o mesmo. O diretor de um grande banco de varejo que costuma comprar carteiras de crédito diz que há menos interesse de bancos tradicionais de consignado e veículos de vender ativos porque também eles estão emprestando menos.

Há bancos como Cruzeiro do Sul e Paraná Banco que já vinham modificando o mix de captação. "Desde 2008 temos trabalhado para evitar solavancos na contabilidade e optamos por buscar outras fontes. Teríamos uma rentabilidade melhor do que 14% (sobre o patrimônio) se optássemos pela cessão", diz o diretor de relações com investidores do Cruzeiro do Sul, Fausto Guimarães. No quarto trimestre de 2010, 51,7% dos recursos do banco vieram de depósitos a prazo, 22,6% de captações no exterior e só 12% de cessões. A venda de ativos para fundos de recebíveis tem sido outra fonte, com participação de 11,4% nesse bolo (mas sem coobrigação).

No caso do Paraná Banco, que não fez cessões em 2010, o entendimento é que essa não é uma forma eficiente de captar recursos, segundo Cristiano Malucelli, diretor de relações com investidores. O banco, diz, não faz cessões porque: a) custa caro (acima de 130% do CDI), b) assume a inadimplência da carteira cedida (coobrigação), c) permanece com os custos administrativos dos contratos cedidos.

18 de mar. de 2011

PEQUENOS BANCOS ATINGEM LIMITE DE ALAVANCAGEM E APERTAM CRÉDITO

jornal Valor Econômico 18/03/2011 - Aline Lima

Alguns bancos de pequeno porte estão em compasso de espera para voltar a operar a plena capacidade. Enquanto a Central de Cessão de Crédito (C3), sistema que tornará transparente a compra e venda de carteiras pelas instituições financeiras, não sair do papel e a oferta de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) não ganhar ritmo, o espaço de alavancagem dos bancos menores para conceder empréstimos permanecerá reduzido. Exceções feitas aos eventuais casos em que o controlador opte por um aumento de capital.

As instituições vinham em ritmo acelerado de atividade e algumas delas foram pegas pelo episódio PanAmericano já no limite de alavancagem permitido. Depois do rombo bilionário encontrado no banco que pertencia a Silvio Santos, a venda de carteiras de crédito para grandes bancos praticamente secou. A oferta de FIDCs também tornou-se mais seletiva desde o fim do ano passado para cá, contribuindo para reduzir de forma significativa a folga de capital dessas instituições financeiras. É praxe entre os bancos colocar parte de suas carteiras de crédito dentro de fundos de recebíveis. A venda de créditos para bancos maiores e a cessão para fundos liberam espaço no balanço para novos empréstimos, além de funcionar como fundamental fonte de captação e de receita.

O Schahin, por exemplo, especializado no crédito consignado em folha de pagamento e no financiamentos de veículos usados, está operando no limite. Em setembro o banco chegou a ficar desenquadrado do índice mínimo de Basileia, que é de 11% no país. E encerrou dezembro com 11% cravados, de acordo com balanço ainda não auditado.

Embora conte com um caixa de aproximadamente R$ 500 milhões, sua produção de empréstimos esbarra na capacidade de retenção dos ativos de crédito em balanço, uma vez que o patrimônio para a cobertura de eventuais perdas está no menor nível permitido. O patrimônio líquido do Schahin no fim de 2010 era de R$ 229,5 milhões. O banco até poderia contar com aportes do grupo Schahin, mas a percepção do mercado é que as demais empresas do conglomerado, especialmente a do setor de petróleo, além de demandarem capital intensivo, têm também a preferência da família de acionistas.

O gaúcho Matone, focado na concessão de crédito consignado, estava em setembro desenquadrado, com Basileia de 9,13%. Nesta semana, o banco anunciou a solução para reforçar seu patrimônio (de R$ 247,9 milhões, em dezembro): vendeu 60% das ações para o Banco JBS. Após efetivado um aporte de R$ 300 milhões, o balanço consolidado das duas instituições vai apresentar um patrimônio líquido de R$ 550 milhões.

O Banco Paulista, apesar de ter vendido sua financeira Paulicred para o Fibra em setembro de 2009, ainda conta com uma carteira relevante de financiamentos de veículos - as operações de crédito nessa modalidade somavam R$ 80,9 milhões em junho. As operações de varejo foram cedidas com coobrigação (ou seja, o risco de inadimplência continuou com o banco que cedeu o crédito), por isso os ativos também continuaram no balanço do Paulista, pressionando seu índice de Basileia, que era de 11,65%, em setembro.

Outro que está no limite do índice de Basileia é o banco Morada, do Rio de Janeiro, que tem boa parte de sua produção voltada para o empréstimo consignado. O índice que mede a relação entre o patrimônio de referência e a carteira de crédito da instituição estava em 11,5%, em setembro.

Para Renato Oliva, presidente da ABBC, associação que reúne os bancos de pequeno e médio portes, houve um enxugamento importante de liquidez desde o fim do ano passado para cá, que implicou em uma mudança de paradigma para o setor. "Os bancos vão precisar centrar-se naquilo que podem carregar [em balanço], e não necessariamente no que vão produzir e vender", diz ele, referindo-se à capacidade das instituições de reter os ativos em balanço, sem poder contar antecipadamente com a cessão desses créditos.

Como na primeira metade de 2010 a cessão de carteiras havia retomado o ritmo anterior à crise financeira, alguns bancos vinham também imprimindo uma velocidade altíssima de produção de financiamentos, já que podiam contar com a "vazão" dessas operações de venda de carteiras. As novas regras do Banco Central (BC), que dobrou a exigência de capital para os financiamentos longos, aumentou ainda mais a pressão.

Segundo fontes de mercado, o Matone chegava a produzir, por mês, R$ 170 milhões em crédito consignado. O Schahin era menos agressivo, produzia cerca de R$ 50 milhões por mês, mas acelerou o ritmo no segundo semestre com a perspectiva de lançamento de um fundo de recebíveis para o qual cederia boa parte dos créditos. O Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Schahin - Crédito Consignado foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 25 de outubro do ano passado, mas a oferta foi atropelada pelo estouro do escândalo do PanAmericano. O Matone, da mesmo forma, registrou seu FIDC Matone VI em 22 de outubro e, até o momento, a oferta liderada pelo BTG Pactual não captou recursos.

Assim como ocorreu com o mercado de cessão de carteiras, o de FIDCs também apresentou retração. Do início do ano até ontem, havia na CVM três ofertas de FIDCs registradas, com volume total de R$ 744 milhões. No mesmo período do ano passado, eram oito ofertas no valor de R$ 1,257 bilhão. "A colocação de FIDCs ainda está complicada", ressalta Fernando Meibak, sócio da Sunrise Investments. Ele menciona o PanAmericano, cujos fundos de recebíveis só se mantinham de pé por causa das sucessivas recompras que o banco fazia dos créditos que ele mesmo tinha vendido para os fundos.

Já é possível perceber, no entanto, esforços para a retomada das ofertas de FIDCs. O Schahin publicou nesta semana aviso aos investidores para a colocação de seu fundo, cuja oferta tem como coordenador líder o Santander. Se a distribuição atingir os R$ 300 milhões previstos, o banco poderá conseguir liberar algo entre três e quatro pontos percentuais de índice de Basileia.

O Cruzeiro do Sul registrou, na quarta-feira, um fundo com volume de R$ 300 milhões. O Pine puxou a fila, ao registrar no dia 3 de fevereiro o seu. A BV Financeira prepara a oferta de seu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios V Não-Padronizados. Outras duas instituições estão com operações no forno que devem variar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. O Banco Daycoval prepara uma nova tranche de seu fundo de recebíveis Daycoval Veículos, que reúne patrimônio líquido de R$ 174,5 milhões. O Bonsucesso é outro que deve aproveitar a carteira, com lastro em crédito consignado, em operação para nova captação.

Para aliviar a pressão sobre seu índice de Basileia, o Paulista vai tentar pela primeira vez fazer uma emissão externa de dívida subordinada, segundo o diretor Marcelo Adilson Tavarone Torresi. A ideia é captar R$ 30 milhões, recurso que entra para o patrimônio do banco como capital de nível 2. Além disso, o Paulista apresentou ao BC uma proposta para minimizar o efeito da coobrigação dos ativos cedidos sobre sua Basileia, mas que ainda aguarda aprovação da autoridade monetária.

Procurados, os bancos Morada e Matone não atenderam à reportagem. Os executivos do Schahin informaram que estão em período de silêncio por conta da oferta de seu fundo de recebíveis. (Colaborou Alessandra Bellotto)

14 de mar. de 2011

BANCO JBS VAI ENTRAR EM CRÉDITO IMOBILIÁRIO E CARTÕES DE CRÉDITO

portal Exame 14/03/2011 - Beatriz Olivon

Com a fusão anunciada hoje (14/3) entre os bancos JBS e Matone, a holding J&F - que já possui o Banco JBS, focado na área agropecuária - passará a ter em seu portfólio um banco com patrimônio líquido de cerca de 550 milhões de reais e uma carteira de crédito de 2,5 bilhões de reais.

Com o apoio do Matone, no segundo semestre ou início de 2012, o JBS planeja entrar no mercado de crédito imobiliário e de cartões, entre outros planos.

Emerson Loureiro, presidente do banco JBS, ficará à frente da nova instituição. O conselho de administração ainda não foi escolhido. Sabe-se apenas que ele terá cinco assentos, sendo três escolhidos pela holding J&F e dois pelo Matone.

“É uma união para crescer no varejo; é o nosso grande mote, de alguma forma queremos capturar esse crescimento que o Brasil vai ter nos anos que virão. Queremos, através do banco, participar disso”, afirmou Loureiro, em entrevista a EXAME.com

Confira a íntegra da entrevista.

EXAME.com - Qual será o foco do novo banco?
Emerson Loureiro - Os focos não mudam, eles se ampliam, porque o banco do agronegócios que temos (Banco JBS) seguirá atuante. A nossa opção por começar a considerar outros negócios surgiu da nossa crença de que o banco do agronegócio está bem encaminhado, a partir disso começamos a considerar outros negócios, e as operações de varejo foram atrativas. A idéia é manter os focos no agronegócio e crédito consignado de setor público. Depois, crédito imobiliário e, talvez, cartões de crédito, mas tudo no seu devido tempo.

EXAME.com - Quando será o devido tempo?
Loureiro - Vamos considerar seriamente entrar em crédito imobiliário no segundo semestre desse ano ou começo do ano que vem. Para a área de cartão de crédito, é a mesma coisa. Temos que entender melhor a operação de varejo, que é a expertise do Matone. Temos que, pela associação, entender a atividade dele e julgar os prazos.

EXAME.com - Como se estrutura a operação?
Loureiro - A operação foi uma fusão, por troca de ações, em que os bancos terão participações próximas, 60% da holding J&F e 40% da Matone holding. Após os aportes feitos, de 200 milhões de reais da holding JBS e de até 100 milhões de reais da Mantone, o banco vai ter um patrimônio líquido de 550 milhões de reais, aproximadamente, e carteira de crédito aproximada de 2,5 bilhões.

EXAME.com - Quando a nova estrutura entrará em operação?
Loureiro - A expectativa é que, nos próximos 90 dias, os bancos façam a due diligence necessária entre si e depois assinem o contrato final, que será submetido ao Banco Central. O banco será controlado por uma holding financeira. Quando assinarmos os contratos, teremos escolhido o nome. Será somente uma marca. O nome está em estudo, e não será JBS.

EXAME.com - Quanto os senhores esperam absorver de sinergias?
Loureiro - Difícil falar, porque são negócios muito distintos. Os bancos são quase que complementares. Se houver sinergias, serão na parte administrativa. A maior que ganhamos é de pessoas. Tem muitas pessoas muito capazes nos dois lugares.

EXAME.com - Há planos de novas aquisições de bancos?
Loureiro - As aquisições fazem parte do DNA da J&F. A empresa cresceu a partir desse modelo. Por definição, fusões estão sempre no nosso radar, mas isso não quer dizer que vamos fazer fusões por fazer. Faremos quando julgarmos que há um bom negócio. Qualquer coisa que seja complementar, porque o banco só tem dois segmentos. Ainda temos, do ponto de vista bancário, uma gama muito grande de coisas a fazer. Investment bank é um exemplo de interesse, mas no momento não estamos olhando nada. Nosso objetivo agora é entender a operação de varejo, fundir efetivamente os dois bancos e aí sim começar a avaliar outras operações.

EXAME.com - Nesse momento pós-PanAmericano, o financiamento de bancos médios está difícil. Como captar dinheiro?
Loureiro - O banco Matone tem uma grande tradição no mercado de crédito. A criação da central de risco talvez mitigue um pouco esse medo do crédito consignado. Acho que é uma questão de esperar o tempo passar e ver que o sistema está sólido, como sabemos que está. É uma questão de tempo para que a liquidez volte.

EXAME.com - Isso não preocupa, então?
Loureiro - Dizer que não preocupa é pretensão. Acreditamos que á absolutamente administrável.

CONTROLADORES DO JBS COMPRAM O BANCO MATONE

jornal O Estado de S.Paulo 14/03/2011 - Raquel Landim e David Friedlander

A família Batista, dona do maior frigorífico do mundo, o JBS, deu um passo importante na diversificação de seus negócios. A J&F, holding que controla as empresas dos Batistas, anuncia hoje a compra do Banco Matone, instituição especializada em crédito consignado. A J&F já controla o Banco JBS, hoje focado no financiamento a pecuaristas.

Os dois bancos serão fundidos ao longo do tempo. O plano é formar uma instituição com carteira de crédito de R$ 3 bilhões e patrimônio ao redor de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões. No próximo mês, os nomes JBS e Matone devem desaparecer e a operação financeira da família Batista ganhará uma nova identidade. O objetivo é desvincular o negócio da operação mais conhecida, o frigorífico JBS.

A negociação começou no fim de 2010 e terminou no dia 4 de março, sexta-feira, véspera de carnaval. Foi conduzida pessoalmente por Joesley Batista, irmão caçula do clã, e Alberto Matone, controlador do grupo com sede no Rio Grande do Sul.

As participações acionárias das duas famílias serão reunidas no novo banco – além disso, deverá haver um aporte de recursos. Ao fim do processo, os Batistas ficarão com o controle e os Matones, minoritários, devem sair do negócio. Nos próximos meses, porém, Alberto Matone deve continuar tocando o banco, porque conhece a área de crédito pessoal melhor que os donos do Banco JBS.

Diversificação. Joesley Batista deixou recentemente o cargo de presidente-executivo do frigorífico JBS, no qual foi substituído pelo irmão do meio, Wesley, e assumiu a presidência do conselho de administração. Sob seu comando, o JBS tornou-se a maior empresa de processamento de carnes do mundo.

Fortemente apoiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a companhia embarcou numa expansão internacional acelerada, com a compra das americanas Pillgrim's e Swift, além de empresas na Europa e na Austrália. Os investidores, no entanto, vêm castigando as ações do JBS, desconfiados da capacidade do grupo para administrar as diversas aquisições.

A meta de Joesley, agora, é diversificar os negócios da família. Ele preside a holding J&F, que tem, além do Banco JBS, empresas nas áreas de produtos de limpeza, celulose e couro. No momento, o grupo investe na construção de uma grande fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul e tenta financiamento do BNDES para tocar o projeto. Em entrevista ao Estado, no ano passado, quando ainda presidia o frigorífico, Joesley demonstrava a intenção de "não deixar todos os ovos em uma cesta só".

Diferenças. O Banco Matone é maior do que o Banco JBS. Conforme estatísticas do Banco Central (BC), em setembro de 2010, os ativos do Matone somavam R$ 998 milhões, contra R$ 565 milhões do Banco JBS.

Com sede no Rio Grande do Sul, o Matone possui mais de 8o lojas e está presente em 11 Estados do País. O foco é a concessão de crédito consignado, que congrega mais de 90% dos negócios.

Em 2007, o banco gaúcho entrou no crédito imobiliário - atividade com forte potencial para crescer nos próximos anos. O Matone criou uma marca para atuar nesse setor, chamada Plano A, e abriu lojas em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

O Banco JBS foi criado há cinco anos. O número de funcionários saiu de 34, em janeiro de 2009, para 144, em janeiro deste ano. Recentemente, o JBS começou a assediar profissionais de outros bancos em busca de mais expertise no ramo. / colaborou Fernando Scheller

7 de fev. de 2011

BANCO MATONE REFORMULA AMBIENTE TECNOLÓGICO

portal Executivos Financeiros 07/02/2011 - Edilaine Félix

O Banco Matone expandiu e adaptou toda a infraestrutura de servidores e storage da instituição em busca de maior capacidade de processamento e armazenamento. Em parceria com a Dell, a equipe técnica do Banco avaliou o ambiente e definiu as necessidades de upgrade e adequação da plataforma de servidores e de armazenamento.

O Banco tem foco no segmento de crédito consignado, e em função do aumento do serviço houve a preocupação com a capacidade, segurança e a disponibilidade de contingenciamento, sendo preciso pensar em uma infraestrutura robusta para suportar esse crescimento.

“Ampliamos, modernizamos e complementamos o parque tecnológico, basicamente em função do crédito consignado que cresceu muito forte em 2010 – 27,5%”, informa Guilherme Lessa, diretor de tecnologia da informação do Banco Matone.

Todas as áreas do Banco se beneficiaram, os canais de atendimento de varejo “Bem-Vindo! Serviços Financeiros”, além dos correspondentes bancários – cerca de mil em todo o País. Lessa destaca que a reformulação deu ao banco maior desempenho, além de um diferencial: “entregar propostas de crédito em um prazo menor, ocorrendo tudo via Internet”.

A Dell participa desde 2001 do processo de modernização do Banco Matone. Lessa diz que as equipes (Banco e Dell) estão mais alinhadas devido ao tempo em que trabalham juntas. “Existe uma sinergia que auxilia nos processos”. Vale ressaltar que a Dell é responsável pelos equipamentos e por parte da consultoria.

A instituição adquiriu oito servidores R710 – Quad Core 2.6 Ghz – 64 Gb de Memória, 1 Storage Dell EMC CX4-240C com 1TB de discos sólidos e 13,5TB de discos Fiber channel, Sistema de Backup ML6020 com 4 drives LTO e switchs BROCADE de 24 portas que se somaram à estrutura VMWARE, servidores, sistemas de backup e storage já existentes.

Benefícios

A reformulação do parque tecnológico do banco Matone acontece a cada três anos. Nesse momento o banco se preocupa em incorporar novas tecnologias, alinhadas com a responsabilidade ambiental, como a energia e a refrigeração de computadores.

A aquisição da nova estrutura de servidores, além de aumentar a capacidade de processamento em 160%; 280% em armazenamento e 200% em performance de backup, incrementou o contingenciamento e a alta disponibilidade do ambiente.

Em projetos anteriores o Banco efetuou a troca dos monitores de todos os computadores para padrão LCD (menor consumo do que os monitores CRT até então utilizados). “Neste projeto, estamos calculando uma economia de pelo menos 48% em energia pela instalação de novos servidores mais econômicos e mais performáticos, e a substituição dos equipamentos antigos”, explica Lessa.