18 de set. de 2011

BILHETE PREMIADO

revista Isto É Dinheiro 14/09/2011 - Carlos Eduardo Valim

A família do empresário paulista Nelson Martins, dona da empresa de vale-refeição e de transporte VB, viu uma oportunidade quando foi criado, em 2004, o sistema de bilhete único para o transporte público de ônibus na cidade de São Paulo. No mesmo ano, fundou a Ponto Certo, uma rede de recargas dos tíquetes eletrônicos. Em sete anos, a empresa conta com 15 mil pontos e deve movimentar R$ 1,6 bilhão em pagamentos de transporte e em recargas de celulares pré-pagos. Esse volume deve gerar um faturamento de quase R$ 100 milhões à companhia, que fica com até 6% do valor de cada transação em cofres, como é praxe no setor. “Somos uma empresa atleta: magros e de alto desempenho”, diz Alexandre Martins, primogênito do fundador e presidente da Ponto Certo, que emprega 250 funcionários.


Pedindo passagem: os primos empresários André (à esq.) e Alexandre Martins negociam
a expansão da rede do Bilhete Único, que atinge 15 mil pontos


Nesse período, a empresa não atuou exclusivamente no transporte público. A Ponto Certo apostou em outras atividades para diversificar a fonte de receitas, como a recarga de celulares pré-pagos e a operação como correspondente bancário do Bradesco e do Banco do Brasil. “Nos tornamos uma empresa de nicho, voltada para as classes C, D e E”, afirma André Martins, primo de Alexandre, vice-presidente da Ponto Certo e presidente da VB. Trata-se de um segmento de baixas margens e altos volumes. “Pulverizar os pontos de atendimento pelas cidades tem um custo elevado”, diz Otávio Vieira da Cunha, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Para reduzir custos à medida que amplia a sua capilaridade, a Ponto Certo investiu em novas atividades e tecnologias.

Os próximos passos da Ponto Certo incluem a expansão para outras cidades. Alexandre negocia com empresas que controlam o sistema de bilhetagem eletrônica de Fortaleza, Belém e Curitiba. Além disso, a companhia estuda a entrada em novos mercados. A mais recente das empreitadas tem relação com máquinas de autoatendimento em restaurantes e redes de fast-food. Um projeto-piloto começou a ser executado no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, para testar um terminal em que o próprio cliente escolhe e paga pelo pedido. Depois, só precisa se dirigir ao balcão para retirar a comida. O sistema também pode automaticamente selecionar uma mesa para o cliente se sentar. Desde a instalação da máquina, o Le Grand Café viu as vendas por meio de cartões de pagamento subirem 30%.

PAGGO ANUNCIA SERVIÇO DE PAGAMENTO MÓVEL PRÉ-PAGO

portal TI Inside 12/09/2011 - Gabriela Stripoli

Um ano depois de o Banco do Brasil e a Cielo terem se associado à Oi na Paggo, a empresa de pagamentos via celular anunciou nesta segunda-feira, 12, o lançamento de um serviço de pagamento móvel com crédito pré-pago, o primeiro em parceria com o banco e a empresa de meios de pagamentos. O atual serviço da operadora, o Oi Pago, conta com 1 milhão de clientes, que serão migrados para a Paggo – a marca sob a qual atuará a joint venture criada pelas empresas –, além de registrar entre 300 mil e 400 mil operações mensais e ter terminais de pagamento em 90 mil estabelecimentos.

Um projeto piloto será lançado até o fim do ano, diz Massayuki Fujimoto, executivo-chefe (CEO) da Paggo, ao acrescentar que a idéia e ampliar os serviços de pagamento móvel no mercado. Ele conta que a empresa irá trabalhar em duas frentes: com os consumidores, integrando à rede Paggo os clientes de cartões do Banco do Brasil, e com de microempreendedores e pequenas empresas. “A ideia é levar esse serviço a profissionais autônomos, como personal trainers e revendedoras de cosméticos, munindo-os de celulares que funcionarão como terminais de pagamento.”

Segundo o executivo, a Paggo já fechou parcerias com Natura, Avon e Mary Kay para a venda porta a porta do serviço, que será multibandeira e multioperadora e deve contar com taxas maiores para os comerciantes que os atuais terminais de pagamento, devido a prazos de pagamento mais curto. Mas ele não soube dizer qual será a taxa cobrada dos comerciantes.

Já o serviço de pagamento móvel com crédito pré-pago para o mercado consumidor, diz Fujimoto, terá como foco a população de baixa renda, usuária do serviço pré-pago, que hoje representa mais de 80% do mercado de telefonia móvel do país. Ele adiantou também que a Paggo pretende lançar no ano que vem um celular com NFC (Near Field Communications), tecnologia de comunicação por aproximação entre máquinas, que permite a troca de informações sem a necessidade de acesso à rede de dados da operadora ou à internet.

APENAS 7% DOS BRASILEIROS USAM O CELULAR PARA SERVIÇOS BANCÁRIOS

portal IDG Now! 13/09/2011 - Renato Rodrigues

Menos de 7% dos brasileiros usam o celular para serviços financeiros/bancários, aponta uma pesquisa divulgada pela Acision nesta terça (13) na Futurecom 2012. Os principais usos são consulta de saldo, transferências e pagamentos de contas.

O estudo aponta que, principalmente devido à adoção crescente de smartphones e minimodems 3G, as pessoas estão mais familiarizadas com o uso de dados móveis e serviços financeiros.

Os chamados Serviços de Valor Adicionado (VAS) representaram 18% das vendas das operadoras no primeiro trimestre, chegando a 2,14 bilhões de reais.

A pesquisa também mostra que os usuários de celular têm uma elevada expectativa de uso dos aparelhos em substituição ao cartão de crédito (71%) e para consulta a saldos e movimentação de contas (66%). A maior restrição para o não uso é medo/desconhecimento em relação à segurança.

Os dados sustentam que a tendência de crescimento de utilização dos serviços se confirmou: houve um aumento do uso - ainda que centralizados em poucas opções, tais como consulta a saldos e transferências. “O Brasil ainda encontra-se atrasado em relação a outros países quanto ao uso de telefonia celular para fins bancários”, disse Jorge Leonel, Vice-Presidente da Acision.

Os principais serviços bancários no celular podem ser agrupados, simplificadamente, em quatro grupos, compondo o chamado “Mobile Money”: pagamento de compras pelo celular (mobile payments), substituindo dinheiro e cartão de crédito; pagamento por meio de crédito armazenado no celular (mobile ticketing); acesso a contas bancárias (mobile banking); e transferência de montantes financeiros entre celulares(mobile money transfer).

MASTERCARD SORTEIA CARROS E DÁ PRÊMIOS DIÁRIOS DE R$ 400

portal Mundo do Marketing 13/09/2011 - Cláudio Martins

A Mastercard quer incentivar os consumidores a utilizarem o cartão de débito da bandeira. Para isso, a empresa relança a promoção “Dia a Dia Surpreendente”, que sorteará R$ 400,00 por dia e Ford EcoSport por 12 semanas, além de quatro prêmios à escolha do consumidor, como uma reforma em sua casa, roupas novas, um kit de eletroeletrônicos ou uma viagem.

Para participar, não é necessário se cadastrar e o único critério é usar o cartão por no mínimo três vezes durante a semana, em compras de qualquer valor. A iniciativa também procura mostrar a praticidade da compra por débito e é válida até o dia 26 de novembro. Os consumidores que estiverem cadastrados no programa de fidelidade Surpreenda terão chances em dobro de ganhar os prêmios.

CAI PARA 38% O NÚMERO DE APROVAÇÕES DE FINANCIAMENTOS DE VEÍCULOS

portal InfoMoney 13/09/2011

Caiu para 38% o índice de aprovações de solicitações de crédito para veículos seminovos e zero quilômetro. De acordo com o levantamento da agência de varejo automotivo MSantos, no ano passado, o índice de aprovação era de 70%.

Segundo o economista da MSantos, Ayrton Fontes, a queda é reflexo das medidas macroprudenciais anunciadas em dezembro de 2010 pelo Banco Central, cujos efeitos passam a ser percebidos a partir do segundo semestre deste ano. O levantamento foi realizado em 20 concessionárias de veículos da Grande São Paulo.

Bancos

“Os bancos e as financeiras estão mais conservadoras nas aprovações de crédito para financiamento de veículos, exigindo, ao contrário do ano passado, entrada que varia de 20% a 40% na compra do veículo, principalmente nos financiamentos de longo prazo, além de terem maior critério na análise das fichas”, explica Fontes.

Segundo o economista, os juros médios cobrados para quem não dá entrada chegam a 2,5% ao mês. Para quem dá 20% de entrada, os juros médios chegam a 1,8% ao mês e, para quem oferece 40%, a taxa de juros é menor, chegando em média a 1,4% ao mês, nos financiamentos de 60 meses.

Balanço

Baseado nos dados da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), o economista avalia que o financiamento de veículos tem crescido a taxas menores e com inadimplência maior. De acordo com ele, o segmento fechou julho com saldo total de R$ 196,2 bilhões, crescimento de 14,6% na comparação com julho de 2010, abaixo da taxa de expansão do ano passado, ante 2009, que foi de 18,1%.

VASCO DATA SECURITY LANÇA SERVIDOR DE AUTENTICAÇÃO EM CONFORMIDADE COM PCI E DSS

portal Executivos Financeiros 13/09/2011

A Vasco Data Security, empresa especializada em software de segurança e especializada na autenticação de produtos e serviços, anunciou hoje o lançamento do IDENTIKEY Server 3.3. Trata-se de um servidor de autenticação para autenticação forte e assinatura digital. Esta nova versão oferece conformidade com PCI e DSS, o que é da maior importância para instituições financeiras e outras organizações que armazenam, processam ou transmitem informações guardadas em cartões.

O Payment Card Industry Data Security Standard (PCI DSS) é o padrão de segurança de informação criado pelas principais administradores de cartões de crédito e adotado mundialmente. Ele é formado por um conjunto de regras de segurança que auxiliam as organizações a manejar a troca de dados de forma segura.

O IDENTIKEY Server é um servidor de autenticação abrangente que oferece uma senha de acesso de uso único (OTP - One Time Password) e uma assinatura eletrônica com total capacidade de gerenciamento e de prestação de contas. Especificamente para a indústria financeira, as ferramentas de prestação de contas foram ampliadas para permitir análises e relatórios mais precisos. A continuidade dos negócios é assegurada com o IDENTIKEY System e Monitorador de Performance, que tem a capacidade de alertar as organizações quando da ocorrência de qualquer questão relativa ao desempenho ou problema no sistema.

“Com o IDENTIKEY Server 3.3 nós oferecemos uma solução completa de autenticação em conformidade com PCI DDS. Com esta evolução nós vamos respondemos às solicitações de todas as organizações que exigem as mesmas normas, tais como instituições financeiras, governamentais e empresas com presença global”, comenta Jan Valcke, presidente e chief operational officer (COO) da VASCO.

MULTIPLUS FAZ PARCERIA COM MOVIDA RENT A CAR

portal Brasil Econômico 13/09/2011

A Multiplus anunciou nesta terça-feira (13/9) que estabeleceu parceria com a Movida Rent a Car, locadora de veículos.

No último trimestre deste ano, os participantes da Multiplus poderão trocar seus pontos por diárias de locação de veículos na Movida. O acordo vale para todas as categorias de automóveis ofertadas pela locadora, com diárias a partir de 12 mil pontos, incluindo seguro, dependendo do veículo escolhido.

A parceria permitirá aos participantes da rede resgatar, de forma inédita, viagens completas apenas com pontos. Isso porque a rede já possui parcerias com companhia aérea, agência de viagens e redes hoteleiras, que permitem a troca de pontos por passagens de avião, roteiros turísticos e diárias de hotéis.

Além disso, os participantes da Multiplus também ganham pontos com a utilização dos serviços da locadora. É possível acumular até 150 pontos por diária locada, dependendo da categoria de veículo e da condição promocional em vigência.

BNDES FACILITA OFERTA DE LINHAS PARA CAPITAL DE GIRO DOS PEQUENOS

jornal Brasil Econômico 13/09/2011

Os dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de janeiro a julho deste ano não deixam dúvidas: as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) estão assegurando um lugar de destaque nas concessões da instituição de fomento. Seja porque o governo tem observado de perto a importância de estimular esse universo de mais de 3 milhões de empresas responsáveis por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) e por mais de 50% da força de trabalho no país ou porque o setor financeiro tem despertado cada vez mais para o forte potencial de contribuição que esse segmento econômico pode dar à sua estratégia de crescimento, o fato é que as concessões destinadas às empresas de menor porte impediram uma queda maior nos desembolsos do banco no período.

De janeiro a julho, o BNDES desembolsou um total de R$ 69,4 bilhões, retração de 5% comparativamente a igual período de 2010, puxada, em especial, pelas empresas de maior porte. O volume total de concessões para as companhias menores e empreendedores, no entanto, saltou 7,34%, para R$ 27,56 bilhões, sendo que para micros e pequenas a evolução foi maior ainda, de 19,02%, alcançando R$ 15,34 bilhões em julho. Cláudio Bernardo Guimarães de Moraes, superintendente da área de operações indiretas do BNDES, estima que ao final do ano as MPMEs devem responder por entre 38%e 40%do total dos desembolsos da instituição, que deve se manter estável em relação ao montante de 2010.

A fatia das MPMES, no entanto, tem avançado consideravelmente nas concessões da instituição. Em 2001, mal ultrapassava os 20%, uma média histórica que o BNDES manteve até 2009 e que foi alterada em decorrência dos efeitos da crise financeira mundial sobre o mercado de crédito brasileiro, principalmente, para amenizar a escassez de oferta de recursos dos agentes privados para as empresas de menor porte. No ano passado, elas absorveram 32% dos desembolsos do banco e, no primeiro semestre deste ano, 42%, passando a deter em torno de 40% no acumulado até julho.

Conforme Moraes, a expansão é resultado do aquecimento de setores como o de serviços e comércio, mas também é decorrente do sucesso do Cartão BNDES, que tem crescido a índices superiores a 80% ao ano. O produto foi criado em 2003 para aproximar o banco das pequenas empresas, pulverizar os recursos disponíveis do banco e hoje já contabiliza cerca de 30 mil cartões com 98% das transações realizadas por micro e pequenas empresas, diz. “Antes o BNDES atingia cerca de 20 mil empresas e com o Cartão BNDES esse número saltou para 150mil”, afirma Moraes, acrescentando que o saldo de concessões deverá atingir R$ 7,5 bilhões ao final de 2011, ante os R$ 4,2 bilhões concedidos por meio do cartão no ano passado. No primeiro semestre, os desembolsos totalizaram R$ 3 bilhões, 73% maior em relação à igual período de 2010. “A contribuição do cartão BNDES foi de aproximadamente 50% dos recursos alocados pelo banco para as micro e pequenas empresas do setor da indústria da transformação”, exemplifica Moraes.

O BNDES trabalha com várias linhas direcionadas para o universo de empresas de menor porte e, em agosto último, ampliou o orçamento destinado ao Progeren (voltado ao crédito para capital de giro) de R$ 3,4 bilhões para R$ 10,4 bilhões este ano, com taxas de juros que variam de 10% a 13% ao ano. O prazo dessa linha também foi ampliado de 24 meses para 36 meses, com um ano de carência. “Com a desaceleração da economia, o governo visa com essas decisões fortalecer o investimento produtivo. Para as empresas continuarem a investir, têm de ter capital de giro”, diz o executivo do banco. Somente em agosto, afirma, o BNDES aprovou mais de R$ 500 milhões em concessões no âmbito do Progeren. “O sistema é desburocratizado e a aprovação é feita em até 48 horas.”

TRÊS PERGUNTAS A CLÁUDIO YAMAGUTI

jornal Brasil Econômico 13/09/2011 – Flávia Furlan


A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) lançou ontem uma campanha nacional de educação financeira ao portador de cartão de crédito, preocupada com a entrada das classes mais baixas neste mercado, que dobra de tamanho a cada cinco anos.

Por que a associação decidiu lançar essa campanha?
O foco da Abecs é no indivíduo, principalmente das classes C,D, E. Queremos evitar o endividamento excessivo, para que esses consumidores não entrem no sistema e fiquem somente seis meses. Eles devem entrar de forma sustentável.

Qual a mensagem que será transmitida?
O que nós focamos na campanha é que o consumidor manda no próprio bolso, ele sabe o que deve ou não gastar. Vamos dar dicas do tipo “Cartão de crédito é que nem namorado: não dá para emprestar”. Estrelada pela atriz e apresentadora Regina Casé, a campanha vai usar redes sociais e falar em linguagem popular.

Por que a necessidade de lançar agora a campanha?
Porque temos uma nova classe consumidora e o cartão passa a ser mais usado pelos portadores. Existe um índice que acompanhamos, que é a penetração do cartão de crédito no consumo das famílias. Ele é de 24% no Brasil, o que era nos EUA há dez anos. Hoje, os EUA têm 45% e em seis anos o Brasil deve chegar a isso.

ALTA RENDA DESAFIA BANDEIRAS DE CARTÃO DE CRÉDITO

jornal Brasil Econômico 13/09/2011 – Flávia Furlan

Com um número maior de pessoas a cada ano, a classe média tem sido a grande vedete das empresas no Brasil, inclusive da indústria de cartões, que travou disputa acirrada para conquistar estes clientes. Mas outro público não menos importante também vem demandando cada vez mais atenção e impondo desafios para este mercado: a alta renda.

Para se ter uma ideia, as classes de maior poder aquisitivo são as que mais crescem no Brasil, ao contrário do que muitos imaginam. Dados do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que, entre 2003 e 2011, a classe C teve um avanço de 60,1% em número de habitantes, enquanto a classe AB aumentou 69,1%. Os emergentes chamam mais atenção porque, no período analisado, cresceram mais em números absolutos. Foram 39,6 milhões de habitantes, ante 9,2milhões da alta renda.

“A classe C é o grande charme do momento porque avança mais em número absolutos, mas a alta renda está em crescimento maior”, diz o diretor de Produtos da Visa do Brasil, Felipe Maffei. Neste ano, de acordo com ele, a classe A deve ter avanço de 4% em número de habitantes em todo o mundo.

O problema no Brasil, segundo o presidente da MCF Consultoria, Carlos Ferreirinha, é que se perdeu por um tempo a referência do que é a alta renda. "Ninguém acordou a tempo para entender este consumidor", afirma ele, que diz que agora o mercado corre atrás do prejuízo desta falta de atenção.

Sobre o que a alta renda realmente exige, ele diz que vai além de grandes experiências de vida, como viagens e prêmios. “Estamos no momento da customização e personalização de produtos e serviços, ou do que é realmente relevante para cada cliente em específico”, completa o especialista.

Algo em comum para a alta renda, no entanto, é saber que aquilo que foi prometido será realmente cumprido, seja a agilidade em um atendimento telefônico ou a rapidez no reembolso de despesas quando, por exemplo, a bagagem é extraviada durante uma viagem.

De acordo como diretor-geral de Produtos da Visa para a América Latina e Caribe, José Maria Ayuso, o desafio do setor é exatamente cumprir suas promessas. A bandeira disponibiliza produtos e serviços através de parceiros e é preciso manter o foco para que não haja nenhum deslize, o que seria fatal a um cliente de alta renda. “Ele tem normalmente mais de um cartão no bolso e, se não cumprirmos o que prometemos, ele pode se dirigir a outro com grande facilidade.”




O desafio se torna maior se pensarmos que o setor de cartões costuma estar entre os campeões de queixas dos consumidores nos órgãos de defesa. No cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas de 2010, do Ministério da Justiça, o segundo setor que mais teve reclamações no ano passado foi o de assuntos financeiros. Esse segmento envolve o tema cartões de crédito, que ficou com mais de um terço (33,16%) do total das queixas.

Dados do Banco Central mostram que a alta renda representa 14% da oferta de produtos e serviços no mercado de cartões no Brasil. Esses clientes são portadores de 5% do total de plásticos emitidos - o dobro do que representavam em 2005. Além disso, correspondem a 14% das transações realizadas e a nada menos do que 40% das receitas geradas. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o faturamento do setor foi de R$ 304,5 bilhões no primeiro semestre deste ano O vice-presidente de produtos de alta renda da MasterCard Brasil, Venâncio Castro, diz que o grande desafio do setor de cartões quanto à alta renda é acompanhar a dinâmica deste mercado. Isso exige que a bandeira se prepare operacionalmente para atender a uma demanda que, na realidade, não se sabe exatamente qual será.

De acordo com ele, o volume transacionado por este público tem um ritmo de crescimento que representa o dobro do identificado no mercado em geral, que apresenta aumento entre 20% e 22% a cada ano. “À medida que esta classe cresce, precisamos de aprimoramento”, ressalta o executivo.

Luxo para os mais ricos é ter um bom atendimento

As pessoas costumam relacionar alta renda com luxo. Mas essa ligação não é totalmente verdade quando se trata do comportamento desta população frente ao cartão de crédito. No mercado de plásticos, este público quer programas de fidelidade agressivos, mas com serviços de boa qualidade que não o façam passar por transtornos.

De acordo como diretor executivo sênior da Visa do Brasil, Percival Jatobá, o que o cliente quer é qualidade, excelência e conveniência. “As pessoas não necessariamente querem algo deslumbrante. Existe a confusão de que tudo para a alta renda tem de ter glamour. As pessoas querem, na verdade, é paz de espírito”, ressalta.

Jatobá acredita que a alta renda quer que suas experiências com o plástico sejam únicas. “Exigem atendimento personalizado e querem ser reconhecidos e tratados como clientes diferenciados”, afirma ele, que acredita que tudo isso se sobressai frente a outros benefícios do cartão, como planejamento financeiro e parcelamento de contas. O cliente de alta renda é fiel ao cartão, com uso médio de 7,6 anos do plástico.

O diretor da Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Álvares Penteado (FAAP), Silvio Passarelli, concorda que a alta renda está cada vez menos ostensiva, o que tem relação com uma mudança cultural. “Há também o problema da segurança”, explica, sobre a questão que faz com que as pessoas se tornem mais discretas no dia a dia.

Um estudo realizado pela MasterCard com seus clientes de alta renda mostrou exatamente isso: que ele quer que tudo funcione bem e que o cartão nunca falhe. “Este consumidor não precisa que o cartão diga quem ele é”, ressalta o vice-presidente de Produtos de alta renda da MasterCard Brasil, Venâncio Castro. “Entendemos que o luxo maior deste segmento é o serviço bem prestado”.

O estudo identificou que a expectativa dos consumidores de alta renda é que as marcas de luxo proporcionem produtos de alta qualidade, atendimento personalizado e inovação. Apenas 2%destes consumidores baseiam decisões apenas no preço. O comportamento o distingue dos seus pares americanos. De acordo com Castro, os cartões direcionados à alta renda no Brasil costumam ter mais sofisticação. “É impressionante como lá fora os consumidores fazem mais contas”.