jornal Valor Econômico 16/09/2011 - Adriana Mattos
Há um agressivo plano de crescimento no Brasil do grupo Cencosud, rede chilena com US$ 12,2 bilhões em vendas na América do Sul, que passa por uma série de ações em estudo neste ano. Pessoas próximas à rede confirmam o interesse da empresa em adquirir pontos que estão sendo fechados pelo Carrefour no país. Existem ainda análises em aberto para a entrada da cadeia de material de construção do grupo no Brasil, a Easy.
Também há aquisições de cadeias de supermercados em discussão, de forma que o crescimento da empresa se acelere. Uma dessas compras acaba de ser fechada: após dois anos de conversas, a baiana Cardoso Supermercados, com três lojas, foi vendida para a Cencosud há um mês, conforme apurou o Valor.
É um processo de expansão que pode transformar a operação brasileira na segunda maior do Cencosud a curto e médio prazos, ultrapassando a Argentina, segundo conta uma fonte ligada à companhia. "Não é uma meta para ser atingida a qualquer custo. É mais uma questão de tempo, algo que eles acham natural", afirma um ex-executivo da G. Barbosa, rede sergipana vendida aos chilenos em 2007. "Há um efeito contábil positivo do real valorizado nos resultados, mas há principalmente um interesse da rede em fazer o negócio ganhar força".
Com US$ 836 milhões faturados no Brasil no segundo trimestre, as vendas da rede no país cresceram 148,8% em relação ao mesmo intervalo de 2010, segundo relatório de resultados do grupo. A filial argentina vendeu pouco mais de R$ 1 bilhão no mesmo período, alta de 22,5% em relação a 2010. Com 736 lojas na América do Sul, o Brasil responde por 22% das vendas - era 12% um ano atrás.
Entre os planos que já foram discutidos internamente para a operação local está a abertura de lojas no país da rede Easy, de material de construção, numa segunda etapa de crescimento local. Estudos sobre o varejo da construção já foram feitos. Foram identificados pontos positivos e barreiras de entrada para o investimento, como o grau de informalidade desse negócio no Brasil, que tem caído, mas continua alto, diz um consultor que presta serviços para a rede.
"Eles gostam da ideia da Easy como um investimento para daqui alguns anos, pois precisariam de escala", conta o consultor. "Neste momento, andam bem animados com o atacado".
Discretamente, a Cencosud está investindo em sua bandeira de "atacarejo" no Brasil para concorrer com o Atacadão, do Carrefour, e atrair as classes C e D. A bandeira de atacarejo chama-se Mercantil Rodrigues. Foi comprada em novembro de 2007. Na época tinha uma loja apenas, em Salvador. Hoje são quatro, sendo que a última foi inaugurada em agosto. Era um ponto da rede Bretas, cadeia mineira adquirida em 2010, e acabou tornando-se uma loja de atacado.
Ainda há outras frentes de negócios sendo trabalhadas. A rede tem acompanhado o fechamento das lojas do Carrefour no Brasil para verificar se há unidades (do tamanho de hipermercados) disponíveis no Nordeste e Sudeste. Os contatos entre as partes já teriam sido feitos. A rede ainda esteve sondando, para comprar, duas cadeias mineiras: Epa e Supermercados BH.
Entre projetos já finalizados está a conversão das quatro lojas Super Família, adquirida em abril de 2010, em pontos da bandeira G.Barbosa. Outra empresa adquirida também em abril, a rede nordestina de delicatessen Perini, com nove pontos na Bahia, quer expandir seus negócios para o interior baiano e para outros Estados do Nordeste e do Norte. O Cencosud chegou ao país em 2007, após comprar (por US$ 430 milhões) a cadeia G.Barbosa, e desde então adquiriu quatro pequenos negócios (redes Perini, Super Família, Mercantil e Cardoso), além da líder mineira, Bretas, em 2010. Procurado, o Cencosud preferiu não se manifestar sobre os planos no país.
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18 de set. de 2011
16 de ago. de 2011
BRADESCO PAGA R$ 200 MI À CENCOSUD PARA GERIR CARTÕES
portal Economia & Negócios 15/08/2011 - Altamiro Silva Júnior (Agência Estado)
O grupo chileno, Cencosud, controlador no Brasil da rede de supermercados GBarbosa, fechou um acordo com o Bradesco para a gestão de cartões de crédito. Pelo acordo, o banco brasileiro vai pagar R$ 200 milhões (US$ 125 milhões) para cuidar dos cartões da GBarbosa e também dos novos plásticos que a empresa do Chile quer lançar no mercado brasileiro, segundo comunicado da Cencosud.
O grupo chileno tem como objetivo triplicar sua base de cartões no Brasil. Só os plásticos lançados pela GBarbosa somam 1,5 milhão de unidades. A Cencosud pretende também lançar cartões de outras cadeias de supermercados que comprou no Brasil, como a Bretas (de Minas) e as redes baianas Perini e Mercantil Rodrigues.
Dos R$ 200 milhões que serão pagos pelo Bradesco ao grupo chileno, R$ 100 milhões estão vinculados ao cumprimento de determinadas metas de desempenho acertadas com a Cencosud e que não foram divulgadas. Segundo o comunicado, em maio de 2012, todos os cartões de crédito do grupo chileno no Brasil vão estar operando com a bandeira da "Cencosud - Bradesco".
A rede mineira Bretas foi comprada pela Cencosud em outubro do ano passado por R$ 1,3 bilhão. O grupo chileno é o quarto maior do setor no Brasil, atrás apenas do Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart. As estimativas são de que o grupo fature perto de R$ 5 bilhões por ano no Brasil.
O grupo chileno, Cencosud, controlador no Brasil da rede de supermercados GBarbosa, fechou um acordo com o Bradesco para a gestão de cartões de crédito. Pelo acordo, o banco brasileiro vai pagar R$ 200 milhões (US$ 125 milhões) para cuidar dos cartões da GBarbosa e também dos novos plásticos que a empresa do Chile quer lançar no mercado brasileiro, segundo comunicado da Cencosud.
O grupo chileno tem como objetivo triplicar sua base de cartões no Brasil. Só os plásticos lançados pela GBarbosa somam 1,5 milhão de unidades. A Cencosud pretende também lançar cartões de outras cadeias de supermercados que comprou no Brasil, como a Bretas (de Minas) e as redes baianas Perini e Mercantil Rodrigues.
Dos R$ 200 milhões que serão pagos pelo Bradesco ao grupo chileno, R$ 100 milhões estão vinculados ao cumprimento de determinadas metas de desempenho acertadas com a Cencosud e que não foram divulgadas. Segundo o comunicado, em maio de 2012, todos os cartões de crédito do grupo chileno no Brasil vão estar operando com a bandeira da "Cencosud - Bradesco".
A rede mineira Bretas foi comprada pela Cencosud em outubro do ano passado por R$ 1,3 bilhão. O grupo chileno é o quarto maior do setor no Brasil, atrás apenas do Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart. As estimativas são de que o grupo fature perto de R$ 5 bilhões por ano no Brasil.
9 de ago. de 2011
CHILE: CENCOSUD TERÁ UM ÚNICO CARTÃO
portal CardClipping
A partir do primeiro trimestre de 2012, a Cencosud vai parar de oferecer os cartões Mais Jumbo, Paris e Easy, nos quatro países onde opera uma divisão financeira (com exceção da Colômbia) e vai trocá-los por um único plástico que poderá ser usado em toda a América Latina .
A decisão do conglomerado controlado por Horst Paulmann busca simplificar a informação e aos clientes e dar mais funcionalidade a seus cartões, que atualmente só podem ser usados para comprar na empresa ou em seus parceiros comerciais.
Na verdade, a Cencosud está de olho nos passos de suas rivais Falabella e Ripley e quer um acordo para oferecer o novo cartão com bandeira Visa ou Mastercard para expandir o seu uso. No momento, está em fase de implementação do sistema e do design do novo plástico, que se chamaria "Cencosud". Atualmente, a empresa tem quatro milhões de cartões emitidos no Chile, Peru (onde o negócio foi iniciado em julho de 2010), Argentina e Brasil (em parceria com o Bradesco).
Em março, as transações nesses países somaram US$ 1,17 bilhão, um aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2010.
No mercado chileno, dos 2,5 milhões de plásticos, 65% têm a marca Más Paris, 27% a Más Jumbo e 8% a Más Easy. No primeiro semestre, foram registradas 1,2 milhão de operações.
A Cencosud é o segundo maior emissor de cartões não bancários do mercado, superada apenas superado pela Falabella. Somadas, as duas redes respondem por mais de 60% dos financiamentos ao consumo realizados pelo segmento varejista.
A partir do primeiro trimestre de 2012, a Cencosud vai parar de oferecer os cartões Mais Jumbo, Paris e Easy, nos quatro países onde opera uma divisão financeira (com exceção da Colômbia) e vai trocá-los por um único plástico que poderá ser usado em toda a América Latina .
A decisão do conglomerado controlado por Horst Paulmann busca simplificar a informação e aos clientes e dar mais funcionalidade a seus cartões, que atualmente só podem ser usados para comprar na empresa ou em seus parceiros comerciais.
Na verdade, a Cencosud está de olho nos passos de suas rivais Falabella e Ripley e quer um acordo para oferecer o novo cartão com bandeira Visa ou Mastercard para expandir o seu uso. No momento, está em fase de implementação do sistema e do design do novo plástico, que se chamaria "Cencosud". Atualmente, a empresa tem quatro milhões de cartões emitidos no Chile, Peru (onde o negócio foi iniciado em julho de 2010), Argentina e Brasil (em parceria com o Bradesco).
Em março, as transações nesses países somaram US$ 1,17 bilhão, um aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2010.
No mercado chileno, dos 2,5 milhões de plásticos, 65% têm a marca Más Paris, 27% a Más Jumbo e 8% a Más Easy. No primeiro semestre, foram registradas 1,2 milhão de operações.
A Cencosud é o segundo maior emissor de cartões não bancários do mercado, superada apenas superado pela Falabella. Somadas, as duas redes respondem por mais de 60% dos financiamentos ao consumo realizados pelo segmento varejista.
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cartão híbrido,
Cencosud,
MasterCard,
Visa
14 de jul. de 2011
QUEM VAI LEVAR O CARREFOUR, COM ABILIO FORA DO PÁREO?
portal Exame 13/07/2011 - Marcio Orsolini
Com a rejeição da fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, por parte do grupo Casino, as operações brasileiras da rede francesa voltam ao centro de disputa entre os varejistas. Os mais cotados para uma associação com o Carrefour seriam a rede americana Walmart e a rede chilena Cencosud.
O próprio Carrefour afirmou que, com o fim das negociações com Abilio Diniz, continua aberto a novas propostas. Procurados por EXAME.com, Walmart, Cencosud e Carrefour não quiseram comentar especulações de mercado. Mas é fato que o cenário vai esquentar.
“O Walmart vai partir com mais agressividade para o mercado brasileiro e o Carrefour Brasil já se mostrou instável”, avalia o consultor Eugênio Foganholo. A rede americana, a maior do mundo, elegeu o Brasil como prioridade. Em 2010, seu faturamento global foi de 420 bilhões de dólares, mais que o triplo do faturamento do Carrefour, o segundo maior varejista do mundo. No país, ocupa a terceira posição do setor. No ano passado, o Walmart também enfrentou problemas no país, com a troca de presidente.
Quem sofreria com a operação é o Casino, que lutou contra a associação entre o Pão de Açúcar e o Carrefour. “Ele enfrentaria um Walmart mais forte no Brasil e teria dificuldades para competir”, diz o consultor Cláudio Felisoni.
Azarão chileno
A Cencosud já tem participação no varejo brasileiro e afirmou que pretende aumentar essa fatia. A rede chilena é a terceira maior varejista da América Latina. Em outubro passado, desembolsou 1,4 bilhão de reais na compra da empresa mineira Bretas, então a sétima maior rede de supermercados do país, com faturamento de 2 bilhões de reais. Seis meses antes, já havia comprado a Perrini, que tem sete lojas em Salvador, por 30 milhões de reais. Sua maior operação, porém, ainda é a G.Barbosa, quarta colocada no ranking de supermercadistas do Brasil. "O bom desempenho da G.Barbosa conta à favor da Cencosud", pondera o consultor José Lupoli Jr.
Depois das aquisições, os chilenos cresceram seu faturamento em 41%, aos 3,5 bilhões de reais em 2010. “O Walmart, no entanto, é um grupo com mais poder de investimentos, mas em termos de concentração de mercado, seria melhor com o Cencosud”, pondera Lupoli.
Apesar de não comentar o futuro de suas operações, a instabilidade do Carrefour no país veio à tona quando foi descoberto o rombo de 1,2 bilhão de reais no ano passado. O rombo aumentou a pressão de um grupo de acionistas para que o Carrefour vendesse a operação brasileira. Embora o problema seja contábil e as vendas da rede francesa, no Brasil, tenham crescido em 2010, esses acionistas desejam resgatar o dinheiro que investiram na companhia – nem que, para isso, ela tenha de vender ativos.
Entregando os anéis
Não seria a primeira vez que o Carrefour abandonaria um mercado. Para reforçar o caixa, a varejista francesa vendeu as operações tailandesas em novembro para, veja só, o concorrente Casino, por considerar que elas não eram rentáveis. Esse foi o oitavo país do qual o Carrefour saiu nos últimos sete anos.
Para justificar a decisão, a rede afirmou que sua perspectiva de crescimento no país não condizia com a estratégia de focar em países onde poderia ocupar a liderança. O caso brasileiro, no entanto, reforçaria a má gestão da empresa -- um ponto criticado por analistas -- e poderia colocar ainda mais em risco o futuro do Carrefour.
Ao forçar Abilio a abandonar as negociações, o Casino pode ter aberto a porta para que seus rivais cresçam no Brasil. Se isso acontecer, o grupo francês terá trocado um sócio indócil por uma concorrência feroz. Só Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, poderá dizer qual é a melhor opção nesse caso.
Com a rejeição da fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, por parte do grupo Casino, as operações brasileiras da rede francesa voltam ao centro de disputa entre os varejistas. Os mais cotados para uma associação com o Carrefour seriam a rede americana Walmart e a rede chilena Cencosud.
O próprio Carrefour afirmou que, com o fim das negociações com Abilio Diniz, continua aberto a novas propostas. Procurados por EXAME.com, Walmart, Cencosud e Carrefour não quiseram comentar especulações de mercado. Mas é fato que o cenário vai esquentar.
“O Walmart vai partir com mais agressividade para o mercado brasileiro e o Carrefour Brasil já se mostrou instável”, avalia o consultor Eugênio Foganholo. A rede americana, a maior do mundo, elegeu o Brasil como prioridade. Em 2010, seu faturamento global foi de 420 bilhões de dólares, mais que o triplo do faturamento do Carrefour, o segundo maior varejista do mundo. No país, ocupa a terceira posição do setor. No ano passado, o Walmart também enfrentou problemas no país, com a troca de presidente.
Quem sofreria com a operação é o Casino, que lutou contra a associação entre o Pão de Açúcar e o Carrefour. “Ele enfrentaria um Walmart mais forte no Brasil e teria dificuldades para competir”, diz o consultor Cláudio Felisoni.
Azarão chileno
A Cencosud já tem participação no varejo brasileiro e afirmou que pretende aumentar essa fatia. A rede chilena é a terceira maior varejista da América Latina. Em outubro passado, desembolsou 1,4 bilhão de reais na compra da empresa mineira Bretas, então a sétima maior rede de supermercados do país, com faturamento de 2 bilhões de reais. Seis meses antes, já havia comprado a Perrini, que tem sete lojas em Salvador, por 30 milhões de reais. Sua maior operação, porém, ainda é a G.Barbosa, quarta colocada no ranking de supermercadistas do Brasil. "O bom desempenho da G.Barbosa conta à favor da Cencosud", pondera o consultor José Lupoli Jr.
Depois das aquisições, os chilenos cresceram seu faturamento em 41%, aos 3,5 bilhões de reais em 2010. “O Walmart, no entanto, é um grupo com mais poder de investimentos, mas em termos de concentração de mercado, seria melhor com o Cencosud”, pondera Lupoli.
Apesar de não comentar o futuro de suas operações, a instabilidade do Carrefour no país veio à tona quando foi descoberto o rombo de 1,2 bilhão de reais no ano passado. O rombo aumentou a pressão de um grupo de acionistas para que o Carrefour vendesse a operação brasileira. Embora o problema seja contábil e as vendas da rede francesa, no Brasil, tenham crescido em 2010, esses acionistas desejam resgatar o dinheiro que investiram na companhia – nem que, para isso, ela tenha de vender ativos.
Entregando os anéis
Não seria a primeira vez que o Carrefour abandonaria um mercado. Para reforçar o caixa, a varejista francesa vendeu as operações tailandesas em novembro para, veja só, o concorrente Casino, por considerar que elas não eram rentáveis. Esse foi o oitavo país do qual o Carrefour saiu nos últimos sete anos.
Para justificar a decisão, a rede afirmou que sua perspectiva de crescimento no país não condizia com a estratégia de focar em países onde poderia ocupar a liderança. O caso brasileiro, no entanto, reforçaria a má gestão da empresa -- um ponto criticado por analistas -- e poderia colocar ainda mais em risco o futuro do Carrefour.
Ao forçar Abilio a abandonar as negociações, o Casino pode ter aberto a porta para que seus rivais cresçam no Brasil. Se isso acontecer, o grupo francês terá trocado um sócio indócil por uma concorrência feroz. Só Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, poderá dizer qual é a melhor opção nesse caso.
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Pão de Açúcar,
Walmart
16 de mai. de 2011
AS EMPRESAS REGIONAIS AVANÇAM NO VAREJO
portal Exame 13/05/2011 - Renata Agostini
Terceiro maior varejista da américa latina, o grupo chileno Cencosud desembolsou 1,4 bilhão de reais em outubro do ano passado pela empresa mineira Bretas, então a sétima maior rede de supermercados do país, com faturamento de 2 bilhões de reais. Seis meses antes, a Cencosud havia comprado a Perrini, dona de sete lojas em Salvador, por 30 milhões de reais.
Com as aquisições, os chilenos, que entraram no Brasil em 2007 ao adquirir a sergipana G Barbosa, chegaram a 3,5 bilhões de reais de faturamento no país em 2010, um salto de 41% em relação ao ano anterior. A Cencosud foi, de longe, a empresa que mais cresceu entre as grandes varejistas do setor, segundo o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Em segundo lugar na lista, considerando apenas supermercados, aparece uma rede praticamente desconhecida na maioria dos estados brasileiros: a Supermercados BH, uma empresa familiar com 110 lojas espalhadas por Belo Horizonte e por outras 25 cidades mineiras. A rede cresceu 32% no ano passado — 7,5 vezes a média do setor — e alcançou uma receita de 1,5 bilhão de reais.
Assim como a Supermercados BH, um punhado de varejistas regionais vem crescendo acima da média do setor — e já começa a ser notado pelas tradicionais líderes de mercado.
Esplanada, no Ceará, Big Ben, no Pará, Salfer, no Paraná, e Cybelar, no interior de São Paulo, são exemplos de empresas com faturamento hoje entre 400 milhões e 1,5 bilhão de reais que têm conseguido aproveitar como poucas a onda de consumo que tomou conta da economia brasileira nos últimos anos.
Em linhas gerais, há dois fatores que explicam esse avanço. O primeiro é de ordem tributária. Uma lei de 2008 passou a exigir que todas as empresas com receitas superiores a 300 milhões de reais realizassem auditorias em seus balanços. A medida permitiu a redução no número de concorrentes que operavam na informalidade.
“Sem ter de sacrificar suas margens para disputar consumidores com sonegadores, as empresas sérias reforçaram seu caixa e ganharam fôlego para crescer”, diz Marcos Gouvêa, sócio da consultoria GS&MD, especializada em varejo.
A segunda razão para o excelente desempenho de algumas redes regionais está na proximidade com seu público-alvo — em sua maioria, formado por representantes da nova classe média brasileira. Por se tratar de varejistas de médio porte, essas companhias conseguem ser mais flexíveis na hora de satisfazer as necessidades do consumidor.
Sediada em Tietê, no interior paulista, a Cybelar vem conseguindo ganhar terreno com a venda de móveis e eletrodomésticos justamente ao explorar algumas brechas deixadas por grandes concorrentes — basicamente, Magazine Luiza e Casas Bahia.
Além de permitir que seus vendedores atendam os clientes em casa, no caso de produtos com defeito ou dúvidas quanto à instalação de aparelhos, a Cybelar orienta seus gerentes a estender o vencimento das parcelas dos carnês em até sete dias sempre que um consumidor fiel alegar dificuldades financeiras.
Com táticas como essas, conseguiu crescer 44% de 2008 para cá, atingindo receitas de 400 milhões de reais no ano passado. É mais que o dobro do que cresceu o setor no mesmo período, segundo levantamento feito pela consultoria GS&MD. Em 2010, a rede inaugurou 17 lojas no interior de São Paulo, todas em cidades com menos de 100 000 habitantes.
O Magazine Luiza, por sua vez, abriu quatro na mesma região (outras dez foram abertas na capital paulista). “Vamos inaugurar outras 19 unidades neste ano”, diz Ubirajara Pasquotto, presidente da Cybelar e filho do fundador, Ângelo Pasquotto. As líderes de mercado já perceberam o avanço das redes regionais e buscam formas de frear esse crescimento.
No ano passado, os empresários Luiz Carlos Batista, Ricardo Nunes e Erivelto Gasques, sócios da Máquina de Vendas, terceira maior rede de varejo de móveis e eletrônicos do país, com faturamento de 5 bilhões de reais, fizeram uma oferta pela paranaense Salfer, vice-líder do setor na Região Sul (oficialmente, as duas empresas negam a negociação).
Fundada em 1958, a Salfer tem 200 unidades espalhadas pela Região Sul e registrou um faturamento de 700 milhões de reais em 2010 — um aumento de 30% em relação ao ano anterior. A arrancada pode ser creditada, em grande parte, ao recente processo de profissionalização por que vem passando a empresa desde 2007.
Dispensada do dia a dia da operação graças à contratação de um profissional de mercado para presidir a companhia, a família fundadora traçou um plano de expansão para a Salfer cuja meta é chegar a 1 bilhão de reais em receitas em 2011.
Para financiar parte desse crescimento, contraiu um empréstimo de 20 milhões de reais com o BNDES em 2009 — o dinheiro foi todo investido na duplicação do centro de distribuição e na inauguração de 83 unidades. “Somos líderes em Santa Catarina e no Paraná e já temos escala para competir com qualquer grande rede nacional”, diz Vanderlei Gonçalvez, presidente da Salfer.
Poucos exemplos ilustram tão bem a força dos varejistas “emergentes” quanto a briga travada hoje no setor de farmácias. Durante anos, a cearense Pague Menos reinou absoluta na Região Nordeste — até invadir outros estados do país e se tornar a líder do setor, com faturamento de 2,2 bilhões de reais em 2010.
O problema é que, nos últimos anos, o território tradicionalmente dominado pela Pague Menos foi invadido pela paraense Big Ben — que inaugurou 44 lojas em estados como Maranhão, Piauí e Pernambuco nos últimos cinco anos. Em todas elas, a Big Ben vende não apenas medicamentos mas também cosméticos, bijuterias e até CDs.
Com essa fórmula, encerrou 2010 com receitas de 680 milhões de reais. Pressionada, a Pague Menos contra-atacou e abriu 11 unidades na Região Norte no ano passado. Paralelamente, reformou os 22 pontos de venda já existentes na região, instalando ar-condicionado e ampliando o portfólio de produtos, que passou a incluir alimentos e itens de conveniência.
Poucos anos atrás, teóricos vaticinaram que apenas o grande varejo, com suas escalas monstruosas, sobreviveria. O tempo e a economia mostraram que eles estavam errados.
Terceiro maior varejista da américa latina, o grupo chileno Cencosud desembolsou 1,4 bilhão de reais em outubro do ano passado pela empresa mineira Bretas, então a sétima maior rede de supermercados do país, com faturamento de 2 bilhões de reais. Seis meses antes, a Cencosud havia comprado a Perrini, dona de sete lojas em Salvador, por 30 milhões de reais.
Com as aquisições, os chilenos, que entraram no Brasil em 2007 ao adquirir a sergipana G Barbosa, chegaram a 3,5 bilhões de reais de faturamento no país em 2010, um salto de 41% em relação ao ano anterior. A Cencosud foi, de longe, a empresa que mais cresceu entre as grandes varejistas do setor, segundo o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Em segundo lugar na lista, considerando apenas supermercados, aparece uma rede praticamente desconhecida na maioria dos estados brasileiros: a Supermercados BH, uma empresa familiar com 110 lojas espalhadas por Belo Horizonte e por outras 25 cidades mineiras. A rede cresceu 32% no ano passado — 7,5 vezes a média do setor — e alcançou uma receita de 1,5 bilhão de reais.
Assim como a Supermercados BH, um punhado de varejistas regionais vem crescendo acima da média do setor — e já começa a ser notado pelas tradicionais líderes de mercado.
Esplanada, no Ceará, Big Ben, no Pará, Salfer, no Paraná, e Cybelar, no interior de São Paulo, são exemplos de empresas com faturamento hoje entre 400 milhões e 1,5 bilhão de reais que têm conseguido aproveitar como poucas a onda de consumo que tomou conta da economia brasileira nos últimos anos.
Em linhas gerais, há dois fatores que explicam esse avanço. O primeiro é de ordem tributária. Uma lei de 2008 passou a exigir que todas as empresas com receitas superiores a 300 milhões de reais realizassem auditorias em seus balanços. A medida permitiu a redução no número de concorrentes que operavam na informalidade.
“Sem ter de sacrificar suas margens para disputar consumidores com sonegadores, as empresas sérias reforçaram seu caixa e ganharam fôlego para crescer”, diz Marcos Gouvêa, sócio da consultoria GS&MD, especializada em varejo.
A segunda razão para o excelente desempenho de algumas redes regionais está na proximidade com seu público-alvo — em sua maioria, formado por representantes da nova classe média brasileira. Por se tratar de varejistas de médio porte, essas companhias conseguem ser mais flexíveis na hora de satisfazer as necessidades do consumidor.
Sediada em Tietê, no interior paulista, a Cybelar vem conseguindo ganhar terreno com a venda de móveis e eletrodomésticos justamente ao explorar algumas brechas deixadas por grandes concorrentes — basicamente, Magazine Luiza e Casas Bahia.
Além de permitir que seus vendedores atendam os clientes em casa, no caso de produtos com defeito ou dúvidas quanto à instalação de aparelhos, a Cybelar orienta seus gerentes a estender o vencimento das parcelas dos carnês em até sete dias sempre que um consumidor fiel alegar dificuldades financeiras.
Com táticas como essas, conseguiu crescer 44% de 2008 para cá, atingindo receitas de 400 milhões de reais no ano passado. É mais que o dobro do que cresceu o setor no mesmo período, segundo levantamento feito pela consultoria GS&MD. Em 2010, a rede inaugurou 17 lojas no interior de São Paulo, todas em cidades com menos de 100 000 habitantes.
O Magazine Luiza, por sua vez, abriu quatro na mesma região (outras dez foram abertas na capital paulista). “Vamos inaugurar outras 19 unidades neste ano”, diz Ubirajara Pasquotto, presidente da Cybelar e filho do fundador, Ângelo Pasquotto. As líderes de mercado já perceberam o avanço das redes regionais e buscam formas de frear esse crescimento.
No ano passado, os empresários Luiz Carlos Batista, Ricardo Nunes e Erivelto Gasques, sócios da Máquina de Vendas, terceira maior rede de varejo de móveis e eletrônicos do país, com faturamento de 5 bilhões de reais, fizeram uma oferta pela paranaense Salfer, vice-líder do setor na Região Sul (oficialmente, as duas empresas negam a negociação).
Fundada em 1958, a Salfer tem 200 unidades espalhadas pela Região Sul e registrou um faturamento de 700 milhões de reais em 2010 — um aumento de 30% em relação ao ano anterior. A arrancada pode ser creditada, em grande parte, ao recente processo de profissionalização por que vem passando a empresa desde 2007.
Dispensada do dia a dia da operação graças à contratação de um profissional de mercado para presidir a companhia, a família fundadora traçou um plano de expansão para a Salfer cuja meta é chegar a 1 bilhão de reais em receitas em 2011.
Para financiar parte desse crescimento, contraiu um empréstimo de 20 milhões de reais com o BNDES em 2009 — o dinheiro foi todo investido na duplicação do centro de distribuição e na inauguração de 83 unidades. “Somos líderes em Santa Catarina e no Paraná e já temos escala para competir com qualquer grande rede nacional”, diz Vanderlei Gonçalvez, presidente da Salfer.
Poucos exemplos ilustram tão bem a força dos varejistas “emergentes” quanto a briga travada hoje no setor de farmácias. Durante anos, a cearense Pague Menos reinou absoluta na Região Nordeste — até invadir outros estados do país e se tornar a líder do setor, com faturamento de 2,2 bilhões de reais em 2010.
O problema é que, nos últimos anos, o território tradicionalmente dominado pela Pague Menos foi invadido pela paraense Big Ben — que inaugurou 44 lojas em estados como Maranhão, Piauí e Pernambuco nos últimos cinco anos. Em todas elas, a Big Ben vende não apenas medicamentos mas também cosméticos, bijuterias e até CDs.
Com essa fórmula, encerrou 2010 com receitas de 680 milhões de reais. Pressionada, a Pague Menos contra-atacou e abriu 11 unidades na Região Norte no ano passado. Paralelamente, reformou os 22 pontos de venda já existentes na região, instalando ar-condicionado e ampliando o portfólio de produtos, que passou a incluir alimentos e itens de conveniência.
Poucos anos atrás, teóricos vaticinaram que apenas o grande varejo, com suas escalas monstruosas, sobreviveria. O tempo e a economia mostraram que eles estavam errados.
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17 de mar. de 2011
CENCOSUD TORNA-SE TERCEIRO VAREJISTA CHILENO A ABRIR BANCO NO PERU
portal Serfinco 17/03/2011
A conglomerado varejista chileno Cencosud gigante recebeu luz verde da autoridade bancária peruana, o SBS, para abrir um banco no país. A instituição, a ser conhecida como Banco Cencosud, é outra indicação do potencial atrativo Peru em relação ao crédito ao consumo.
As redes varejistas chilenas Falabella e Ripley já têm bancos operando no Peru. O grupo Cencosud possui as cadeias Jumbo e Paris, no Chile, onde também opera o Banco de Paris. O grupo atua há algum tempo na Argentina e, desde 2007, ingressou na Colômbia, no Peru e no Brasil através de aquisições.
No final de janeiro, a carteira de crédito ao consumidor do setor bancário peruano cresceu 14,5% para 18,77 bilhões de sois (US$ 6.78 bilhões). A expansão foi inferior à média de crescimento do mercado, de aproximadamente 20%, mas os empréstimos comerciais continuam representando apenas 17% do total.
Algumas entidades comerciais, tais como o Banco Falabella, foram os principais favorecidos no Peru com um ano de 2010 bastante bom para os bancos em geral, embora o concorrente Banco Ripley não se tenha saído tão bem.
Com a entrada do Banco Cencosud, o mercado peruano tem agora 16 bancos, 5 dos quais têm foco em crédito ao consumidor.
A conglomerado varejista chileno Cencosud gigante recebeu luz verde da autoridade bancária peruana, o SBS, para abrir um banco no país. A instituição, a ser conhecida como Banco Cencosud, é outra indicação do potencial atrativo Peru em relação ao crédito ao consumo.
As redes varejistas chilenas Falabella e Ripley já têm bancos operando no Peru. O grupo Cencosud possui as cadeias Jumbo e Paris, no Chile, onde também opera o Banco de Paris. O grupo atua há algum tempo na Argentina e, desde 2007, ingressou na Colômbia, no Peru e no Brasil através de aquisições.
No final de janeiro, a carteira de crédito ao consumidor do setor bancário peruano cresceu 14,5% para 18,77 bilhões de sois (US$ 6.78 bilhões). A expansão foi inferior à média de crescimento do mercado, de aproximadamente 20%, mas os empréstimos comerciais continuam representando apenas 17% do total.
Algumas entidades comerciais, tais como o Banco Falabella, foram os principais favorecidos no Peru com um ano de 2010 bastante bom para os bancos em geral, embora o concorrente Banco Ripley não se tenha saído tão bem.
Com a entrada do Banco Cencosud, o mercado peruano tem agora 16 bancos, 5 dos quais têm foco em crédito ao consumidor.
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