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22 de mar. de 2011

AMBEV VAI DAR "MILHAS" A CONSUMIDOR QUE REDUZIR CONTA DE ÁGUA EM SP

jornal Valor Econômico 22/03/2011 - Cynthia Malta

A Ambev, a maior fabricante de cerveja do país e que tem na água a base de sua produção, fechou parceria com a Sabesp e lança hoje uma campanha que dará descontos, em compras feitas pela internet, ao consumidor que reduzir sua conta de água. O programa, válido apenas para o Estado de São Paulo, envolve as varejistas online Americanas, Submarino, Shoptime e Blockbuster.

A ideia, desenvolvida pela agência de publicidade Lodduca, é levar o consumidor a cadastrar-se no bancocyan.com.br para abrir sua "conta corrente" em gotas de água. A Sabesp vai informar ao consumidor a sua média histórica de gasto. Conforme a faixa de consumo e o percentual de redução, o correntista acumulará "milhas". Esses pontos poderão ser usados na forma de descontos em compras feitas nas quatro varejistas que participam do programa.

"Esta é a fase mais difícil do Movimento Cyan, que é a do engajamento do consumidor", diz Ricardo Rolim, novo diretor de Relações Socioambientais/Comunicação da Ambev. O movimento começou há um ano, com o mapeamento do uso da água na operação da Ambev, feito pela holandesa Water Foot Print Network e a USP de São Carlos. A "pegada hidrológica", que considera desde a plantação da cevada até a venda da cerveja no bar - está em fase de revisão de dados.

A Ambev também "adotou", há um ano, uma bacia hidrográfica, a dos rios Corumbá e Paranoá, no Distrito Federal. Este projeto, que deve durar três anos, é tocado em parceria com a WWF-Brasil e tem a meta de medir a qualidade da água e educar a população ribeirinha para que não a polua. Essa bacia também abastece uma fábrica da Ambev, na região, a filial Gama. Ao todo, a empresa possui 34 fábricas no país, considerando-se, além das unidades de bebidas, as produções de garrafas, rótulos e tampinhas.

O "banco" lançado hoje na internet, explica Rolim, abre a fase de maior aproximação com o consumidor. "Queremos que ele entre no site e fique lá. É um desafio. São 27 milhões de pessoas no Estado de São Paulo", diz o diretor. A Sabesp informou que registra cerca de 6 milhões de contas no Estado, com 23,6 milhões de pessoas atendidas diretamente. Dependendo do resultado, Rolim diz que poderá replicar o modelo em outras regiões e que Minas Gerais é uma possibilidade.

Essa campanha faz parte dos investimentos em sustentabilidade previstos para este ano, na faixa de R$ 44 milhões, e que englobam desde a troca e manutenção de equipamentos nas fábricas, para deixar a produção mais eficiente no uso da água, até projetos sociais e de reciclagem. É o mesmo valor gasto no ano passado.

A Ambev vem reduzindo o uso de água em sua produção. Em 2003, ela gastava 4,88 litros de água para fazer um litro de cerveja. Em 2010 gastou 3,90 litros. A meta para 2012 é consumir 3,5 litros.

6 de fev. de 2011

BANCOS INVESTEM EM CARTÕES DE CRÉDITO QUE PROMOVEM A SUSTENTABILIDADE

blog Ciências Agora 06/02/2011 - Ecod

Aliar consumo consciente a vantagens no cartão de crédito é a proposta que bancos em alguns países do mundo estão investindo para atrair mais clientes e estimular a redução dos impactos no planeta. O governo da Coreia do Sul é o mais recente aliado desta proposta. Ele lançou uma linha de cartões com o "chip verde" que pretende beneficiar os usuários que fizerem compras de produtos com certificação ecológica.

Eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, alimentos e produtos de limpeza já estão presentes na lista do governo e a cada compra os coreanos acumulam pontos, que são chamados de "créditos verdes". Encaminhar pilhas e outros materiais para reciclagem e utilizar transporte público também aumenta a pontuação.

Posteriormente, esse bônus pode ser trocado por dinheiro ou abatido de encargos do governo. "Você pode ganhar pontos no dia a dia, quando compra um detergente menos poluente ou recolhe baterias usadas", disse Hwang Suk-tae, oficial da Divisão de Cooperação pela Mudança Climática do ministério.

Segundo o governo sul-coreano, a medida faz parte de um plano de reduzir em 30% as emissões de gases do efeito estufa projetadas para 2020. "Nós temos uma chance de mudar o mantra atual de que ter uma vida sustentável é algo difícil de alcançar", disse à agência Reuters o diretor do Korea Green Purchasing Network, Sung Pyo Hong.

Outros exemplos

Essa não é a única iniciativa que pretende transformar a hora das compras em um momento de responsabilidade ambiental. Em Seul, também na Coréia do Sul, outro cartão de milhagem ecológica acumula pontos conforme o usuário economize água e energia.

As milhas podem ser transformadas em descontos na compra de carros híbridos e eletrônicos certificados. Grandes empresas, como a Hyundai Motors e a Samsung Eletronics, já aderiram ao projeto.

Na China, o banco HSBC lançou um plano que reverte uma porcentagem das compras feitas nos cartões Green Credit Card em projetos ambientais. Os clientes ainda recebem desconto nas compras de produtos e serviços sustentáveis, além de ajudarem a economizar papel, já que as faturas são eletrônicas.

Nos Estados Unidos, o Bank of América oferece uma lista de cartões de crédito com vantagens sustentáveis. Parte do valor das compras é revertida para instituições como Defenders of Wildlife, Sierra Club, Nature Conservancy e Brigther Planet, além de projetos de compensação de emissões de CO2.

No Brasil, o HSBC oferece, desde 2006, o cartão de crédito do Instituto HSBC Solidariedade. No lugar da anuidade, os clientes doam uma quantia que varia de R$ 5,00 a R$ 30,00 mensais a projetos de educação em todas as regiões do Brasil.

Críticas

Apesar da aparente boa a intenção dos bancos e governos, surgem opiniões de que a medida estimule ainda mais o consumismo. “Eu não sei até onde esses projetos de ‘crédito verde’ irão, e alguns podem criticá-los por incentivar os gastos”, disse à Reuters o diretor do Centro de Cidadania da Ásia para o Ambiente e Saúde, Choi Yong-Ye.

“Eu também acho que, quanto mais incentivos existirem, mais as pessoas irão aproveitá-los. Mas isso pode dar um impulso para nos induzir a agir”, completou.