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11 de set. de 2011

GIGANTE DO VAREJO AVANÇA NO NORDESTE

jornal DCI 05/09/2011 - Isabella Holanda

Na disputa pelo consumidor da classe C da Região Nordeste, economia cuja renda média cresce acima da do restante do País, a Casas Bahia, líder nacional do comércio varejista de eletroeletrônicos, decidiu arregaçar mangas e entrar sozinha nos Estados do Ceará e de Pernambuco, territórios dominados por grandes players, como Magazine Luiza e Máquina de Vendas.

Nesses locais, além de concorrer de maneira desigual com a forte capilaridade das Lojas Insinuante, líder do varejo de eletrodomésticos no Nordeste, fundida ao Grupo Máquina de Vendas, e com o Magazine Luiza, recém-turbinado pelas Lojas Maia, a empresa encontrará pela frente a força das redes regionais, caso do grupo cearense Rabelo, que mantém 50 lojas em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí, Pernambuco, Bahia e Paraíba. No Ceará, segundo interlocutores locais, a projeção é a de abrir duas lojas Casas Bahia na cidade de Fortaleza (CE) e outras unidades no Estado de Pernambuco. O processo de recrutamento de vendedores na capital cearense já começou, informa o Sistema Nacional do Emprego (Sine) no estado.

"Organicamente, ponto a ponto, a rede projeta expandir seu crescimento na Região Nordeste", antecipa a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas para abraçar de vez a região, segundo informou a assessoria, diz respeito a problemas relacionados à distribuição. Em 2009, por exemplo, foi preciso alugar um Centro de Distribuição, operação que foi transferida para a cidade de Camaçari, na Bahia, estado que concentra 29, das 30 filiais da empresa existentes no Nordeste.

Só depois dessa operação ocorreu a abertura da primeira filial Casas Bahia fora desse estado, no vizinho, Sergipe. Ainda este mês, a rede inaugurou mais uma unidade no município baiano de Itabuna e já mantém lojas em municípios de pequeno e médio porte, como Feira de Santana, Camaçari, Lauro de Freitas, Candeias, Simões Filho, Alagoinhas, Cajazeiras, Santo Antonio de Jesus, Vitória da Conquista, Jequié e Itabuna

"Acredito que essa operação terá abrangência nacional. Mas não podemos esquecer que a Casas Bahia, que hoje integra a holding Globex [fusão da empresa com as bandeiras Extra Eletron e Ponto Frio] precisa vencer questões que dizem respeito ao processo de fusão. Por isso acho que a estratégia de crescer de maneira sustentada consiste em fincar as bandeiras, sentir o mercado primeiro, para só depois, uma vez analisadas todas as variáveis, expandir o negócio para locais onde estão as maiores oportunidades", analisa o especialista em varejo Cláudio Felisoni, do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar-FIA).

No âmbito nacional, a empresa mantém 534 lojas espalhadas em 11 estados e emprega mais de 56 mil colaboradores.

Magazine Luiza

Na corrida pelo mercado nordestino, outro nome de expressão nacional, o Magazine Luiza, comemora crescimento de 63% de receita bruta obtida no primeiro trimestre de 2011 na região, o equivalente a R$ 237,4 milhões , com margem Ebitda de 5,5% (R$ 490 milhões), depois de adquirir a Lojas Maia em julho de 2010, e agora prospecta nova aquisições, possivelmente no norte do País.

"A entrada na Região Norte ainda não tem previsão, mas estamos sempre atentos à possibilidade de adquirir novas redes", antecipou o superintendente do grupo, Marcelo Silva. No primeiro semestre de 2011 a receita bruta do Magazine Luiza avançou 44,5%, em relação à do mesmo período de 2010, totalizando R$ 3.440,4 milhões, e a receita líquida subiu 43,4%, totalizando R$ 2,8 milhões.

Feita a fusão, o grupo, nascido no interior paulista e hoje presente em 16 estados brasileiros, optou por preservar ambas as bandeiras na fachada de suas lojas nordestinas, originando o "Magazine Luiza - Lojas Maia".

Máquina de Vendas

Foi também com a participação do nordeste brasileiro que surgiu a segunda maior rede varejista de eletroeletrônicos do País, a Máquina de Vendas, holding formada pela fusão de Insinuante, Ricardo Eletro, City Lar e EletroShopping que tem metas de alcançar mil lojas e faturamento de R$ 10 bilhões até 2014 em todo o território nacional.

Mesmo depois da fusão, a segunda maior potência do varejo brasileiro, decidiu preservar todas as bandeiras originais ( Insinuante, Ricardo Eletron, City Lar e Eletroshopping).

Com sede em Recife, a megaoperação abrange todos os estados da Federação menos a região Sul, com lojas presentes em 301 cidades, de 23 estados, mais o Distrito Federal. Em situação bastante confortável, a holding mantém a mesma avidez nos negócios depois de fudir-se com a marca EletroShopping, de Recife, e busca, agora, consolidar-se na região.

A justificativa, de acordo com a rede, é adotar o sistema de operações complementares, caso da Insinuante e daEletro Shopping, uma vez que são poucas as cidades da Região Nordeste que têm lojas das duas bandeiras. "Vamos preservar a essência dos negócios, ou seja, as marcas e o conhecimento de cada sócio nas diversas regiões em que atuamos. Por isso as equipes serão mantidas", explica o empresário Ricardo Nunes, CEO da holding.

13 de abr. de 2011

REDES AUMENTAM NÚMERO DE PARCELAS PARA ACELERAR VENDAS

jornal DCI 13/04/2011 - Gleyma Lima

O segundo semestre deste ano tende a ser ainda mais aquecido do que o primeiro de 2011, pois, além do calendário favorável, com várias datas sazonais seguidas, as redes começam a aumentar em até 100 dias, ou seja, jogar para 550 dias o prazo para pagamento das parcelas. Antes esse prazo era de até 450 dias. Assim, as empresas acharam uma maneira de diluir o aumento de juros de 1,7%, sem perder o cliente - ao contrário, fidelizá-lo, principalmente no caso de redes como Casas Bahia e Marabraz, com forte impacto de vendas para o público emergente, das classes C e D.

O impacto nas compras com maior parcelamento deve ser por conta das vendas no Dia das Mães e no Dia dos Namorados, com os eletroportáteis, que devem ter incremento de vendas de 31,8%. Outros produtos que deverão ser febre nas lojas são os celulares, com a perspectiva de serem vendidos a 30% a mais nesta época, em relação ao mesmo período sazonal de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Essas datas [Páscoa, Dia das Mães etc] são muito importantes para o varejo e resultam em um aumento na intenção de compra de bens duráveis, principalmente nas categorias telefonia celular e eletroeletrônicos, itens muito comprados nestas ocasiões", enfatiza Claúdio Felisoni, presidente do instituto de pesquisas sobre o varejo Provar.

Para driblar a concorrência, redes como a Casas Bahia e a Marabraz já oferecem vendas em até 24 vezes - dois anos -, com juros negociáveis nas lojas físicas. As compras também podem ser feitas pelo site, com cartão de crédito da loja ou outro, e o parcelamento vai até 12 vezes, com a vantagem de não ter juros até este número de parcelas.

Cautela

Apesar da tendência de ampliar as vendas para abocanhar o bolso dos clientes, existe quem por enquanto prefere se manter com a mesma forma de pagamento - mais cautelosa. É o caso da rede de moda feminina Marisa, onde cerca de 80% das vendas são parceladas em até cinco vezes, mas sem juros. Outras empresas - como o Grupo Pão de Açúcar , com as bandeiras CompreBem, Sendas, Extra, Ponto Frio, Taeq eAssaí- também não modificaram a forma de pagamento em suas lojas, por enquanto.

Na empresa de eletroeletrônicos carioca Leader, planos e taxas permanecem inalterados - com juros mensais de 6,90% e parcelamento em até dez meses no cartão. Aparentemente, quem alterou sua estratégia para menos parcelas foi a Riachuelo, que não tem mais os mesmos prazos. Até o final do ano passado era possível pagar as compras em até 10 meses. Agora, o parcelamento caiu para até oito meses. Por outro lado, quem preferir comprar em até 100 dias pagará a taxa de juros de 6,90% ao mês, quase juro de cartão de crédito.

Resultados

Um termômetro de que o setor varejista continua forte, mesmo com o aumento dos juros, é o fato de que as vendas do varejo brasileiro tiveram em fevereiro uma expansão de 8,2% em relação às do mesmo período do ano passado. O desempenho ficou praticamente em linha com os 8,3% de alta registrados em janeiro e leva o acumulado dos últimos 12 meses a uma expansão de 10,4%, próximo ao crescimento de 10,9% de todo o ano de 2010 - o melhor resultado da série histórica apurada pelo IBGE. "As vendas do varejo continuam crescendo de forma consistente, refletindo a continuidade de um cenário macroeconômico positivo", comenta Luiz Goes, sócio sênior e diretor da GS&MD Gouvêa de Souza, empresa de consultoria especializada no setor.

Considerando o Varejo Ampliado (que também engloba automóveis e material de construção), o crescimento das vendas em fevereiro no Brasil foi de 14,5% na comparação anual e de 12,4% nos últimos 12 meses. "As medidas macroprudenciais do Banco Central, anunciadas no final de 2010, começaram a surtir um efeito suave, já que os setores mais dependentes de crédito tiveram aceleração no crescimento", analisa Goes. As vendas de automóveis, por exemplo, subiram 26% em fevereiro, contra 16,4% em janeiro. Já móveis e eletrodomésticos avançaram de 19,1% em janeiro para 20,5% no segundo mês do ano.

As expectativas para este ano são otimistas. "O varejo deverá fechar 2011 com um crescimento acima do do Produto Interno Bruto (PIB), pelo nono ano seguido. A renda das famílias deverá continuar em expansão e o desemprego ficará estável", diz.

25 de fev. de 2011

APÓS LUCRO RECORDE, PÃO DE AÇÚCAR MIRA DROGARIAS E POSTOS DE GASOLINA

jornal DCI 25/02/3011 - Paula Cristina

Depois de atingir um lucro líquido de R$ 819,2 milhões em 2010, o que representa um crescimento de 25,2% sobre o ganho acumulado em 2009 (R$ 654 milhões), o Grupo Pão de Açúcar (GPA) não descarta a possibilidade de ir às compras em 2011, em busca de explorar nichos. O foco, no entanto, não será eletrônicos e eletrodomésticos, como aconteceu em 2008 e 2009, com a aquisição do Ponto Frio e a Casas Bahia. Em 2011, a área de postos de gasolina e drogarias estará no radar da varejista. As lojas, que atualmente estão ligadas aos supermercados da rede, poderão ser abertas de forma independente.

De acordo com Hugo Bethlem, vice-presidente executivo do grupo o GPA não descarta a aquisição de grupos de drogarias para aumentar sua atuação nesses setores. "Esse é um braço importante em que queremos crescer e profissionalizar o serviço prestado", disse.

Conforme Enéas Pestana, presidente do Pão de Açúcar, a rede identificou nas operações já existentes que ambos os negócios são lucrativos e se somam à estratégia de expansão do grupo. Atualmente, o grupo opera 81 postos de gasolina e 153 drogarias, a maioria ligados diretamente a hipermercados.

Segundo o executivo, as drogarias e postos de gasolina têm um volume de venda menor, mas com compras individuais médias de maior valor. "É uma operação que se assemelha mais ao [perfil do] Pão de Açúcar e do Extra Fácil", explica. Conforme afirmou Bethlem, o GPA pode ir às compras para drogarias, mas com relação aos postos o crescimento será orgânico. "Tivemos experiências não muito boas com relação aos postos de rua, então, não é nosso foco", disse. O executivo diz ainda que a compra de redes de eletrodomésticos mostrou que o GPA não é uma companhia "só de alimentos". "A gente pode usar nossa plataforma de varejo para ampliar nossa atuação", diz.

Marca Extra

Em termos de estratégia de marca, tanto as drogarias quanto os postos de gasolina deverão ganhar prioritariamente a marca Extra. Atualmente, os postos de gasolina, por exemplo, recebem a identificação das lojas às quais estão ligadas. Existem, atualmente, postos com a marca Compre Bem, por exemplo.Dentro da inclusão das drogarias e postos de gasolina na estratégia do grupo como um tudo, Pestana diz que é possível o desenvolvimento de lojas da rede que possam servir como operação de conveniência em postos de gasolina. "Atualmente, temos o Extra Fácil, que é vista como de conveniência, mas as unidades têm de 200 a 300 metros quadrados. Podemos desenvolver uma loja menor, para um posto de gasolina", explica.

Investimentos

Para manter o ritmo acelerado de crescimento, o GPA também anunciou investimentos na ordem de R$ 1,4 bilhão este ano. O número representa 18,4% a mais do que foi investido em 2010, quando a o grupo expandiu investimentos em 64,7% ante 2009.

A maior varejista do País planeja destinar os recursos à "conversão ou abertura de lojas e aquisição de terreno, reforma de lojas, logística e outros", diz Bethlem.

Apenas no último trimestre de 2010, os aportes feitos envolveram a abertura de 21 lojas e a conversão de outras 117.

A companhia não divulgou número total de lojas abertas em 2010, ano em que a meta seria de 100 inaugurações. Na área de alimentos foram abertas 53 novas lojas no ano.

A companhia também anunciou nesta quinta-feira a aquisição das ações remanescentes da Sendas Distribuidora, cuja bandeira de "atacarejo" já era detida pelo grupo, por R$ 377 milhões.

O presidente do conselho de administração do Pão de Açúcar, Abílio Diniz, também demonstrou confiança no segmento nesta quinta feira, durante a divulgação dos dados do grupo.

"O País vai continuar distribuindo renda e melhorando as perspectivas das empresas. Mantemos nossa confiança, sem receios, sem a mesma opinião de quem espera queda do consumo interno pela alta da inflação e dos juros", afirmou.

Busca de financeira

Para 2011 o grande desafio do Pão de Açúcar com relação a Globex ficará por conta da decisão de qual banco será responsável pela emissão dos cartões de crédito nas lojas da Globex, a holding que congrega o Ponto Frio e a nova Casas Bahia.

De acordo com Bethlem, a disputa vai além de bancos como Itaú e Bradesco e deverá ser finalizada ainda em 2011 "Sairá este ano, sem dúvida, mas ainda é cedo para dizer qual banco leva". O banco que levar a financeira vai lidar com mais de 5 milhões de clientes ativos na Casas Bahia - sem contar os do Ponto Frio, que pode vir a ser integrado na nova financeira.

Com o foco em crescimento nos negócios, a Globex (Ponto Frio e Novas Casas Bahia) anunciou ter registrado um faturamento bruto de R$ 10.013,0 milhões e os planos para 2011, de acordo com o comunicado do grupo, a expectativa é continuar a expansão no nordeste, além da fortificação do comércio eletrônico, e-commerce. "Continuamos nosso caminho na Região Nordeste do Brasil, com a entrada no mercado de Sergipe, onde inauguramos a primeira loja marca Casas Bahia em Aracajú", disse Hugo Bethlem.

"Ainda somos virgens de Casas Bahia no nordeste e esse é nosso foco" diz o executivo. Para atender o crescimento previsto nessa região, o grupo anunciou um novo centro de distribuição. "Para isso inauguramos nosso Centro de Distribuição na Bahia. Hoje o grupo tem 28 lojas na região".

O plano de expansão completo da Globex, de acordo com o Bethlem será divulgado em março deste ano. "Não posso dar números de expansão ainda, mas o foco é organizar as bandeiras para cada público, organizando Casas Bahia e Ponto Frio", disse.

21 de fev. de 2011

CASAS BAHIA PASSA COMERCIALIZAR SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE PRODUTOS

portal Diário do Comércio 21/02/2011 – Agência Estado

A rede varejista Casas Bahia começa a partir da próxima quarta-feira (23) a oferecer aos clientes os serviços de instalação de equipamentos de áudio, vídeo, como home theater e televisores, e assistência de informática e periféricos. Os custos dos serviços, facultativos, variam de R$ 69,00 a R$ 199,00, de acordo com o produto adquirido, e podem ser pagos à vista ou parcelados no cartão de crédito.

Os serviços, batizados de "Técnico Pessoal Casas Bahia", estarão disponíveis, inicialmente, nas lojas da rede instaladas na capital e região metropolitana de São Paulo. A partir de 1º de março, os serviços serão estendidos aos clientes do interior de São Paulo e dos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná e Sergipe.

3 de fev. de 2011

VENDA DA CASA & VÍDEO PARA O BTG ABRE NOVA ONDA DE FUSÕES NO SETOR

jornal DCI 03/02/2011 - Gleyma Lima

Recomeça a onda de fusões e aquisições no setor varejista brasileiro, com o anúncio, neste começo de mês, da compra da rede varejista carioca [especializada em eletroeletrônicos] Casa & Vídeo, avaliada em R$ 600 milhões. A marca concorre com as gigantes do mercado Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza e Máquina de Vendas, entre outras. Ontem, foi anunciado o fechamento de um pré-contrato de compra da rede carioca pelo banco a BTG Pactual e o negócio deve ser oficializado no final deste mês, de acordo com a empresa. - Conforme apurações da última pesquisa da consultoria da KPMG sobre fusões e aquisições no Brasil, referentes ao ano passado, o varejo obteve um crescimento de 37% de 2010 para 2009. Os segmentos que mais se destacaram no ano anterior foram shopping centers, lojas de varejo e supermercados.

Segundo o sócio diretor de Desenvolvimento de Negócios e especialista em varejo da KPMG, Paulo Ferrenzen, o setor obteve um grande destaque graças à ascensão da classe média e ao fluxo de investimento que o segmento movimentou. "O mercado brasileiro segue otimista. Globalmente hoje o nosso país se tornou alvo de interesses de operadores internacionais", explica.

Para 2011 os segmentos que a consultoria destaca são: supermercados, confecções, eletroeletrônicos e farmácias . Para Ferrenzen, quem deve querer abocanhar os setores citados principalmente são os investidores estrangeiros que veem no Brasil uma forma de crescimento mais rápido por meio de aquisições.

Negociação BTG

Com relação à nova aquisição no varejo, em entrevista recente ao DCI, o grupo Casa & Vídeo havia afirmado que era assediado pelo grupo Americanas, e também não descartava a possibilidade de abrir capital - ou até de receber novos sócios para compor a rede. Ao que tudo indica, a segunda alternativa parece ser a mais provável, pois o banco BTG assinou esse pré-contrato de intenção de compra de 70% da varejista Casa & Vídeo no último sábado (29/1), na sede do banco, em São Paulo.

Porém, vale destacar que essa estratégia já havia sido desenhada, em acordo semelhante ao também firmado entre a Casa & Vídeo durante meses com a Lojas Americanas, no ano passado, mas que acabou não saindo.

Segundo o sócio da Demarest e Almeida Advogados, Mario Nogueira, o pré-contrato garante apenas a exclusividade de compra e troca de informações e não gera nenhuma obrigação entre as partes. "Transações deste porte podem durar até um ano para serem concluídas", explica Nogueira. Outra rede varejista que vive nos holofotes sobre compra e venda é a rede Lojas do Baú, além da empresa que possui vendas diretas, a Jequiti - ambas do Grupo Silvio Santos. Porém, o empresário ressaltou esta semana que não deve vender nenhuma das duas. Além delas, a Loja Cem foi assediada no ano passado, mas até o momento não houve anúncio de compra ou venda oficializada.

Para alcançar a fatia de 70% na empresa, o BTG fará quatro operações. Primeiro, converterá em ações debêntures da companhia emitidas pelo banco em julho do ano passado, no valor de R$ 40 milhões . Em seguida, fará um aporte de R$ 100 milhões d no caixa da carioca. Juntas, as duas operações darão ao banco cerca de 50% da empresa. Por fim, irá adquirir uma participação de 20% na C&V Holding, que controla a Casa&Vídeo, por cerca de R$ 100 milhões. Essa é a quantia que, de fato, irá para o bolso de Fábio Carvalho, dono da empresa com 100% das ações da holding. Para compor o valor total da empresa, entrou ainda na conta a sua dívida, de R$ 230 milhões.

Segundo informações do mercado, as empresas não chegaram a um consenso sobre o valor do ajuste de capital de giro que deveria ser aplicado no contrato - o recurso é usado para evitar distorções entre o capital de giro da companhia apurado na diligência e o existente no momento da finalização do acordo. A Lojas Americanas exigiu um desconto de R$ 50 milhões acima do calculado pela Casa & Vídeo.

As conversas entre as duas empresas começaram em junho e a proposta da Lojas Americanas, que previa adquirir 100% da companhia, foi formalizada ainda em agosto. O negócio desandou já na assinatura final do contrato, no final de novembro.

Se depender apenas do BTG, o negócio deve ser fechado rapidamente, pois até o final do ano passado o grupo já tinha fechado vários negócios apoiados no crescimento do consumo interno, nos setores de farmácias, postos de combustível, estacionamentos, hospitais e automóveis.

A empresa vende produtos para o lar, eletrônicos e eletrodomésticos - assim como Casas Bahia, Baú, Ponto Frio, Extra, Magazine Luiza, e Ricardo Eletro, entre outras.

Quem também vai querer entrar na roda de fusões ou aquisições no setor é a Advent International Corp., que tem US$ 2 bilhões para fazer compras no Brasil e aproveitar o crescimento mais rápido da economia do País, além da pulverização de alguns segmentos do comércio. A empresa, que é especializada em compra de participações em companhias de capital fechado, vai fechar negócios este ano, disse o executivo da empresa Patrice Etlin, por meio de nota, e sem dar mais detalhes sobre prazos.

Segundo o executivo, a companhia está de olho em várias empresas nos setores de varejo de nicho que são os segmentos de materiais de construção e farmácias. A Advent International é um fundo de private equity que atua no Brasil desde a década de 90 com foco em varejo e serviços. O grupo fez investimentos em companhias como a rede de lojas de aeroportos Dufry Group, na Cetip SA Balcão Organizado de Ativos e Derivativos e na International Meal Co. Holdings SA, controladora de redes de restaurantes (Viena e Frango Assado).

12 de nov. de 2010

PÃO DE AÇÚCAR ALTERA POLÍTICA DE PARCELAMENTO

jornal Valor Econômico 12/11/2010 - Daniele Madureira

O maior varejista do Brasil mudou sua política de vendas parceladas. Desde o mês passado, o consumidor das bandeiras Extra e Ponto Frio do Grupo Pão de Açúcar encontra condições diferentes na hora de fazer suas compras de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A média de 9,5 vezes fixas no cartão de crédito caiu para 7,5 vezes. Já as compras com juros, parceladas em até 24 vezes, receberam uma taxa de 2,99% ao mês, contra a de 4,99% praticada anteriormente.

A mudança representa uma mudança de paradigma para o varejo, que é muito dependente das vendas no cartão de crédito. Quanto maior o número de parcelas, mais as redes desembolsam na antecipação do pagamento de recebíveis para os bancos, o que compromete o seu capital de giro. Com a redução do número de vezes parceladas fixas, o Pão de Açúcar deseja reduzir as despesas financeiras e, ao mesmo tempo, ter mais dinheiro em caixa.

"Nós estávamos oferecendo crédito de graça para quem não precisa", diz o vice-presidente do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem. "Quem comprava um produto de R$ 2,4 mil em dez vezes de R$ 240 pode perfeitamente pagá-lo em oito vezes de R$ 300", afirma. "Quem precisa de crédito compra com juros e, para esse consumidor, diminuímos a taxa", diz.

Trata-se de uma mudança fundamental para o varejo, uma vez que as redes se tornaram de certa forma dependentes das vendas no cartão. "Essa prática, de parcelar no cartão, foi iniciada com Casas Bahia há pouco mais de cinco anos, e se mostrou um tiro no pé, uma vez que o carnê, que era mais vantajoso para as empresas, perdeu força", diz o especialista em varejo Eugênio Foganholo.

Segundo ele, a oferta de dez vezes sem juros pela Casas Bahia no passado forçou todos os varejistas a seguir a mesma prática. "Era preciso que o varejista tivesse um poder de compra muito bom para, em uma base ligeiramente menor de custo de mercadoria, oferecer o sem juros no cartão", diz Foganholo. "Para acompanhá-los, o varejista chegava a trabalhar com rentabilidade negativa". Agora, se o líder muda, todos devem seguir a nova política.

E o Pão de Açúcar tem bons motivos para mudar. Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o grupo registrou queda de 30% no lucro líquido, para R$ 115,1 milhões em comparação ao mesmo período de 2009. O resultado teve impacto de despesa financeira líquida do grupo e da Globex (que reúne os ativos de Ponto Frio e, a partir do próximo trimestre, também de Extra Eletro e Casas Bahia).

De julho a setembro, as despesas financeiras líquidas somaram R$ 191,7 milhões, um aumento de mais de 184% sobre o mesmo período do ano passado, quando somaram R$ 67,4 milhões.

Segundo Bethlem, o aumento da dívida líquida foi provocado pelas aquisições, como a do Ponto Frio, e da expansão orgânica. Do lado da Globex, houve ainda uma despesa financeira de desconto de recebíveis, que acabou sendo adequada à política do Grupo Pão de Açúcar.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) consolidado correspondeu a R$ 493,5 milhões entre julho e setembro, o que significa elevação de 41,8% perante os R$ 348,1 milhões somados em igual intervalo de 2009. A margem Lajida passou de 5,7% para 7%.

As vendas brutas consolidadas somaram R$ 7,939 bilhões no trimestre, com expansão de 15,6% em relação aos três meses até setembro de 2009. As vendas líquidas subiram 16,6%, atingindo R$ 7,1 bilhões.

No conceito "mesmas lojas" (pontos com no mínimo 12 meses de operação, que inclui Ponto Frio), as vendas brutas cresceram 12,5% em relação ao terceiro trimestre de 2009 e 7,2% em termos reais (deflacionadas pelo IPCA). Nesse conceito, as vendas líquidas nominais cresceram 13,1%.

Para a analista Juliana Campos, da Ativa, o resultado está em linha com o esperado. "O problema está nas despesas financeiras, principalmente do Ponto Frio, mas a empresa já sinalizou que isso pode melhorar, com a captação de FDIC [fundo de investimento de direitos creditórios], oferecido a uma taxa bem inferior à de mercado", afirma.

Juliana elogia a redução do parcelamento sem juros, mas lembra que há a preocupação de a medida tirar parte da competitividade da empresa. Daniela Bretthauer, analista da Raymond James, pensa o mesmo. "Pode ser que a medida certa retração nas vendas em um primeiro momento, porque o brasileiro se acostumou às dez vezes sem juros, mas é uma mudança fundamental para o varejo".

Bethlem garante que não houve recuo nas vendas. "Em outubro, quando começamos a implantar essa política, as vendas cresceram 7%", diz.

(Com Juliana Cardoso, de São Paulo)

5 de nov. de 2010

BANCOS DISPUTAM CASAS BAHIA

jornal Valor Econômico 05/11/2010 - Adriana Cotias

"Quer pagar quanto?" O antigo slogan dos comerciais da Casas Bahia na TV agora encontra um paralelo no cobiçado filão de crédito da varejista. A disputa finalmente foi aberta entre Itaú e Bradesco para resolver quem será o parceiro financeiro da rede, agora associada ao Grupo Pão de Açúcar. Não sairá barato. Quem quer vença, vai ter de desembolsar mais do que os R$ 580 milhões pagos pelo Itaú quando quebrou a exclusividade com o Pão de Açúcar, ao celebrar a fusão com o Unibanco - que carregava no portfólio, acordo com o concorrente direto Walmart. O Ponto Frio, também adquirido pelo Pão de Açúcar em 2009, é 2,5 vezes menor do que a Casas Bahia, e, portanto, a operação de financiamento da rede originada da família Klein vale mais, sinaliza o vice-presidente de relações corporativas do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, sem adiantar valores.

O Itaú, casado com o Pão de Açúcar desde 2003 na financeira FIC, tem preferência contratual para apresentar, em caráter exclusivo, a sua proposta até o fim do mês, mas há margem para prorrogação. Mas o grupo sinaliza que também quer ouvir o Bradesco, atual banqueiro da Bahia e emissor dos cartões "private label" e com bandeira distribuídos pela lojista. Vencido o prazo com o Itaú, se não houver acordo, o Bradesco terá prioridade. Se nenhuma das ofertas for satisfatória, um terceiro banco pode entrar na jogada, diz Bethlem. Até o fim do primeiro trimestre de 2011 a questão deve ser definida, já que a estrutura de capital da Nova Casas Bahia depende disso.

Não será, porém, uma decisão da gestão Pão de Açúcar e caberá ao conselho de administração da Nova Globex - que reuniu as bandeiras Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro-, presidido por Michel Klein, bater o martelo. Bethlem conta que tem feito reuniões semanais com os integrantes do conselho para que as diversas marcas se alinhem em torno de uma mesma política de crédito. O Ponto Frio deve continuar a ter o Itaú como parceiro.

Ele diz que o grupo está satisfeito com o desenho da parceria com o Itaú, em que a remuneração dos juros cobrados dos clientes vai integralmente para a financeira, o que possibilita à varejista receber o valor das vendas à vista. Dessa forma, a rede não precisa de "funding" próprio para bancar os clientes, economiza em despesa financeira e depois participa do resultado da atividade de financiamento por equivalência patrimonial, dos 50% que detém na FIC. A financeira é rentável desde o ano passado. "Em 2003, tomamos a decisão de não tomar risco de crédito diretamente, transferindo a competência ao banco."

O que o Pão de Açúcar quer evitar é que o vicioso ciclo de vendas a prazos cada vez mais esticados, com o artifício do "sem juros", que tem sido bombardeado na mídia pela concorrência e mesmo pelas bandeiras do grupo, se cristalize. Não por outra razão analistas têm apontado o modelo de financiamento da Nova Casas Bahia como incógnita para as ações do Pão de Açúcar. Embora de capital fechado, os resultados da subsidiária passarão a ser consolidados numa companhia de capital aberto. "Queremos construir uma história de sucesso, uma reputação, para depois fazer uma oferta de ações desse negócio", diz Bethlem.

Ele conta que 55% das vendas da Nova Casas Bahia e da Globex são feitas em até dez prestações, mas o prazo médio de recebimento pelas redes, por conta do giro das operações, é de cinco meses. Do jeito que está, essa estrutura vai custar, em 2011, cerca de R$ 600 milhões em despesas financeiras. Se o prazo aos clientes fosse reduzido a oito parcelas, o recebimento cairia a quatro meses e a despesa ficaria em R$ 480 milhões. "Eu passo a ser mais rentável, sobra dinheiro para aplicar em outras coisas."

Bethlem diz que o Pão de Açúcar suporta bem uma operação de crédito "sem juros" em até oito parcelas. Acima disso, defende uma taxa de 0,99% ao mês, para até 24 parcelas, comissionamento suficiente para acomodar o custo financeiro na própria margem.

Ele dá a entender que o grupo gosta do modelo de sociedade construído na FIC, o mesmo adotado no Ponto Frio pelo antigo Unibanco. E tudo leva a crer que o grupo tentará impor esse modelo nas negociações em torno da Casas Bahia. É um desenho diferente de Bradesco e Casas Bahia, em que a varejista é remunerada por emissão e ativação de cartões. Itaú e Bradesco não se manifestaram.

20 de out. de 2010

GELADEIRAS E FOGÕES JÁ SÃO VENDIDOS COM PRAZO DE 2 ANOS E MEIO PARA PAGAR

jornal O Estado de S.Paulo 20/10/2010 - Márcia De Chiara

Grandes redes varejistas já começam a esticar os prazos de pagamento de eletrodomésticos, eletrônicos e equipamentos de informática, ainda de forma promocional. Essa é uma clara indicação de que os financiamentos longos devem ganhar força neste Natal. Hoje é possível quitar uma máquina de lavar em dois anos e meio, um televisor em dois anos e um computador em um ano e meio.

"Nunca oferecemos um prazo sem juros tão longo. Esses planos são inéditos", afirma o diretor de Negócios do Carrefour Soluções Financeiras, Ricardo da Cruz Barreto. Desde setembro, mês de aniversário da companhia, a rede parcela no cartão de crédito próprio os eletrodomésticos da linha branca em 30 meses sem juros, aparelhos de áudio e vídeo em 24 meses e itens de informática em 18 meses. Os resultados foram tão favoráveis que a rede decidiu estender essa condição de pagamento até o fim do ano.

Por ocasião também do seu aniversário comemorado neste mês, o concorrente Walmart começou em outubro a dividir em até 12 meses, sem acréscimo, o pagamento de uma lista de itens como computadores, geladeiras, máquinas fotográficas, por exemplo. A facilidade inclui não apenas produtos das lojas físicas, mas também as vendas online. No Extra, os eletroeletrônicos também são financiados com prazos que chegam a 18 meses no cartão próprio.

Já no Ponto Frio a condição de um ano e meio para pagar com cartão da rede vale só para produtos anunciados. Enquanto isso as Casas Bahia oferecem os prazo mais curtos em relação ao da concorrência: cinco vezes sem juros no cartão próprio e dez vezes, sem acréscimo, nos cartões de crédito tradicionais.

"Existe uma perspectiva de alongamento maior de prazos de pagamento até o fim do ano", prevê o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. A última pesquisa sobre prazos de pagamento feita pela entidade revela que, no mês passado, o prazo médio dos financiamentos, inclusive os bancários, era de 16 meses, e o máximo chegava a 36 meses. No caso de veículos, o prazo médio estava em 44 meses e o máximo em 80 meses.

Para Ribeiro de Oliveira, um conjunto de fatores vai fazer com que lojas, bancos e financeiras estiquem o número de prestações até dezembro. O aumento do emprego, da renda, a estabilidade de preços e, especialmente, a forte entrada de divisas no País, devem acirrar a disputa entre os agentes econômicos para ampliar os negócios no melhor momento de consumo do ano, quando é pago o 13º salário. "Todos vão ampliar prazos para não perder vendas."

Além disso, Ribeiro de Oliveira observa que a perspectiva de que taxa básica de juros fique estável nos próximos 45 dias, como deve ser sinalizado hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), reforça a tendência de prazos mais longos.

Barreto, do Carrefour, diz que a sua empresa saiu na frente da concorrência. Ele não acredita que, no seu caso, ocorram novos alongamentos de condição de pagamento.

Riscos

Apesar de aumentar as vendas e tornar o cliente fiel à loja, prazos longos têm um componente de risco, porque em dois anos e meio de financiamento a vida das pessoas pode mudar muito, admite Barreto. Mas, no caso da sua empresa, esse risco é atenuado com o seguro contra desemprego para os assalariados ou perda de renda para os profissionais autônomos. "Cerca de 40% dos clientes do nosso cartão têm esse seguro."

Ribeiro de Oliveira observa que a inadimplência do consumidor é cadente desde de dezembro de 2009, segundo dados do BC. "Não é à toa que os bancos estão reduzindo os juros."

15 de out. de 2010

CASAS BAHIA GANHA CERTIFICAÇÃO

jornal DCI 15/10/2010

A Casas Bahia afirma ser a primeira rede varejista brasileira a receber o Attestation of Compliance do PCI Council (Payment Card Industry), padrão criado pelo conselho fundado pelas maiores bandeiras internacionais de cartões de pagamento para aumentar a segurança das transações eletrônicas e proteger dados dos portadores de cartão. Segundo a Casas Bahia, o processo contou com o know-how da Redecard, e foram necessários seis meses de trabalho para atender às exigências e o prazo das bandeiras mundiais para a certificação.

21 de set. de 2010

REDE PRETENDE MODERNIZAR O CREDIÁRIO

jornal Folha de S. Paulo 21/09/2010 - Mariana Sallowicz

A holding Máquina de Vendas, formada por Ricardo Eletro e Insinuante, planeja lançar em cerca de 90 dias um novo modelo de crediário. "Vamos dar uma nova "roupagem" para o crediário", diz Samuel Henrique Belo, diretor de serviços financeiros da companhia.

Segundo ele, a rede (a terceira maior varejista do país) estuda a mudança há um ano. "Queremos juntar as facilidades do cartão de crédito, como a praticidade de não passar por uma avaliação de crédito a cada compra, com os benefícios do carnê, de ter um limite maior."

O cliente poderá usar o cartão dentro e fora da loja. "A novidade é que vamos dar a ele mais poder de compra do que no cartão de crédito ou no cartão de loja que temos hoje."

De acordo com o diretor, enquanto um cartão de crédito concede, em média, limite de 80% da renda ao consumidor no total da compra, esse cartão permitirá que ele comprometa por mês até 30% da sua renda com a parcela, o que ao fim resulta em um crédito mais elevado.

"No caso de um cliente com renda de R$ 1.000, o cartão lhe concede R$ 800 de crédito, já no nosso novo crediário ele poderá gastar por exemplo R$ 3.000, desde que a parcela fique em até R$ 300 num pagamento em dez meses", explica.

Custo e Limite

O parcelamento nos cartões de crédito ou de loja pode ter custo menor do que no carnê. Como o risco da inadimplência no crediário fica por conta do varejista, há normalmente juros embutidos na operação. Já no cartão muitas vezes é possível comprar sem juros, porém em menos parcelas.

Nas Casas Bahia, por exemplo, um fogão de quatro bocas é vendido por R$ 399 à vista ou em até cinco vezes sem juros no cartão da loja.

Já no pagamento com o carnê, a compra pode ser feita em 20 parcelas de R$ 29,90, mas o valor total pago sobe para R$ 598.

"Quando o consumidor não consegue pagar o valor integral do cartão na data do vencimento, os juros são os maiores do mercado", alerta Roberto Vertamatti, conselheiro da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Segundo pesquisa de agosto da associação, o comércio cobra em média 5,68% ao mês ou 94,05% ao ano e o rotativo do cartão de crédito 10,69% ao mês e 238,30% ao ano.

A operadora de caixa Nilda Silva Ferreira, 33, trocou o crediário pelo cartão justamente por causa do custo.

"O carnê sempre tem juros, então prefiro usar o cartão. Só uso o carnê quando preciso fazer a compra de um bem mais caro e o limite do cartão não é suficiente".

16 de set. de 2010

CASAS BAHIA SEGUE MARISA, C&A E RENNER E AMPLIA SEGURO

jornal DCI 15/09/2010 – Gleyma Lima

A rede Casas Bahia acaba de entrar no mercado de seguros de acidentes pessoais. Pelo preço médio de R$ 19,90 por mês, uma das maiores varejistas do mercado brasileiro entra em um segmento em que marcas de departamentos, como C&A, Renner e Marisa, já estão estruturadas, com preços a partir de R$ 10 no segmento hoje diretamente ligado aos seus respectivos cartões private label. Segundo o sócio da GS&MD Gouvêa de Souza, Luiz Góes, empresas listadas na bolsa de valores chegam a ter 30% da receita bruta ligados aos produtos financeiros oferecidos ao consumidor final.

"Hoje um dos principais itens que se destacam na receita das empresas varejistas que estão listadas na bolsa de valores são os produtos financeiros", explicou o consultor e especialista no setor.

O novo produto da rede do boneco baiano oferece cobertura no valor de R$ 20 mil em caso de acidentes pessoais que resultem em morte, e um benefício especial: quem adquire o produto pode utilizar a ampla rede credenciada de profissionais da Odonto Sorriso, empresa do Grupo Mapfre Seguros. Os optantes pelo produto recebem, no ato da aquisição, um número da sorte para concorrer, toda semana, a um prêmio no valor de R$ 5 mil pela Loteria Federal.

A Casas Bahia e o Ponto Frio - que pertencem ao Grupo Pão de Açúcar (GPA)- possuem 9,2 milhões de clientes ativos e somadas têm crédito de R$ 16 bilhões, segundo a base de cartões private label. Segundo o presidente da Nova Casas Bahia, Raphael Klein, isso faz parte do novo conceito jovem da que a marca quer ter perante o mercado e acompanhar o ritmo do mesmo é fundamental. "Em 2011 enfocaremos em pouca expansão para conseguir rearranjar tudo o que diz respeito as lojas e aos clientes", afirmou Klein.

A recente união de Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro resultou em duas vertentes de negócios: a Nova Casas Bahia e a Nova Globex. A primeira terá como funções as áreas de varejo, crédito, garantia, seguro e recebíveis. A Nova Globex ficará com as sinergias para varejo, além de garantias e mudanças com a Extra Eletro. A Nova Globex deverá gerar sinergias de até R$ 850 milhões ao ano.

Exemplos de mercado

A rede Lojas Renner, por exemplo, 100% de cujas ações são negociadas em bolsa, alcançou como resultado de serviços financeiros R$ 31,5 milhões no segundo trimestre deste ano, um crescimento de 85,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O consultor dá sua opinião sobre o assunto: "No caso da Casas Bahia, trata-se de da ampliação de um varejista. É uma empresa que entra em uma competição instalada. Chegou em um momento que empresas como a C&A já atuam há seis anos, e a Renner, há quatro anos", disse Góes.

A Renner oferece os seguros: Perda e Roubo do Cartão Renner, Desemprego Cartão Renner, Desemprego Empréstimo Pessoal Renner, Residencial Renner e Pessoal Viver Bem Renner. A companhia afirma ter a terceira maior base de cartões private label do mercado brasileiro: 16 milhões de unidades emitidas até junho passado.

Já a concorrente em vestuário e acessórios Marisa, por exemplo, oferece seguro-saúde, plano odontológico e assistência "auto e lar", todos especialmente elaborados para mulheres, também entre os serviços que podem ser adquiridos com os cartões Marisa e Marisa Itaucard. No total, a companhia encerrou o ano de 2009 com aproximadamente 13 milhões de cartões emitidos.

Cartão de crédito

Quem está no caminho é a One Store Marisol, que acaba de lançar cartão de crédito gerenciado pela Santinvest; o cartão surge para fidelizar os clientes das 110 lojas da rede One Store Marisol. "Com o cartão de crédito os clientes One Store Marisol terão mais benefícios na hora da compra", declarou Elbio Armiliatto, gerente de Operações da rede One Store Marisol.

O cartão passa a ser aceito em todas as lojas da rede One Store Marisol, e a empresa diz que o cartão possui planos especiais de parcelamento, além de oferecer até 40 dias para pagar. "Hoje isso é uma condição obrigatória para que a empresa siga em frente, e quem não agregar serviços extras a serviços disponíveis ao consumidor corre o risco de desaparecer", explicou o porta-voz da Gouvêa. Ele complementou dizendo que este é um movimento visto em todas as redes que atuam no varejo hoje devido à fomentação das classes emergentes que buscam maior comodidade no momento de efetuar suas compras.