jornal Valor Econômico 27/07/2011 - Cibelle Bouças
A Amazon.com é bem conhecida entre os consumidores por sua variedade de produtos, velocidade na entrega, despachos para a maioria dos países e um sistema de recomendações para o consumidor. Mas há outro ponto essencial, embora menos conhecido, que começa a ser copiado por empresas brasileiras de internet. A companhia americana fez uma série de aquisições e passou a ofertar todos os serviços às empresas que anunciam produtos em seu portal, um pacote que inclui de softwares de segurança e meios de pagamento eletrônico até sistemas de publicidade virtual.
Esse modelo de oferta completa (ou "one stop shop", como é conhecido no setor de software) vem sendo adotado por empresas de hospedagem, como Locaweb, UOL Diveo e Ikeda, e por companhias que fornecem serviços para lojas virtuais, a exemplo do Yahoo, BuscaPé, Vtex e Tray. Com aquisições e parcerias, elas tornaram mais sofisticada a oferta de serviços e ampliaram as carteiras de clientes a taxas bem superiores à expansão do comércio eletrônico, que neste ano vai crescer 35%, segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net).
A Locaweb, antes especializada em hospedagem de sites, lançou em outubro uma loja de aplicativos para lojas virtuais. Em vez de contratar vários fornecedores, o lojista paga uma mensalidade pelo uso do site da Locaweb, no qual cadastra produtos, fotos e preços. A empresa conquistou 1 mil novos clientes, afirma o presidente e fundador da Locaweb, Gilberto Mautner. "Com menos esforço, o lojista garante segurança e desempenho e tem seu nome aliado a uma marca forte", afirma. A Locaweb também fechou parcerias com o Pagamento Digital, braço do BuscaPé, e com o PayPal, do eBay, para oferecer sistemas de pagamento. Com a novidade, atraiu 4,6 mil clientes em nove meses.
O UOL, que já mantinha um shopping virtual e o serviço de pagamentos PagSeguro, adquiriu, em maio, o site de pagamentos eletrônicos Boa Compra, especializado na publicação e venda de itens de jogos on-line. "Estamos em busca também de novas parcerias para ampliar a oferta de serviços", afirma Ricardo Dortas, diretor do PagSeguro. O serviço conta com 100 mil clientes atualmente e a demanda, diz o executivo, cresce 50% ao ano. Nesta semana, o UOL também lançou uma loja de softwares de gestão empresarial e outros serviços para atrair pequenas e médias empresas.
"Enquanto o comércio eletrônico cresce 40% ao ano, a entrada de micro e pequenas lojas virtuais cresce 65%. São empresas que precisam de propaganda na web e de ajuda tecnológica", afirma Mario Mello, presidente do PayPal no Brasil. A companhia, que chegou ao país em 2010, tem 30 mil clientes e fixou a meta de liderar o setor de sistemas de pagamento em dois anos. Para isso, tem reforçado parcerias com sites de hospedagem e portais.
Nesta semana, o PayPal anuncia com o Yahoo uma parceria para vender o serviço de links patrocinados no Brasil. O lojista que é cliente do PayPal cadastra informações sobre produtos em um site do Yahoo e sua loja passa a figurar nos sistemas de buscas do Yahoo e do Bing (serviço de busca da Microsoft). "O portal tem como vantagem o acesso às milhares de empresas que são clientes do PayPal" afirma Leonardo Khéde, diretor de comércio eletrônico do Yahoo. A meta das duas companhias é atrair pelo menos 3 mil lojistas até o fim do ano. O Yahoo também desenvolve uma ferramenta para que pequenos lojistas possam criar anúncios na internet.
A Ikeda, que recentemente foi comprada pela japonesa Rakuten, também anunciou que vai lançar uma espécie de shopping de lojas virtuais, com o objetivo de oferecer publicidade aos lojistas.
O grupo BuscaPé, que começou com um site de comparação de preços, acrescentou diversos serviços aos lojistas, como sistemas de pagamento, software de segurança, sistemas antifraude e serviços de marketing digital. O grupo tem 12 mil lojas virtuais como clientes. Marcos Cavagnoli, vice-presidente da divisão BuscaPé Financial Services, diz que a clientela dobrou nos últimos dois anos. "A previsão para este ano é de crescer 100% devido à demanda muito aquecida", diz. Recentemente, o BuscaPé reforçou a área de sistemas de pagamento. Neste ano, comprou a argentina DineroMail. O grupo já havia adquirido as brasileiras Pagamento Digital e FControl e a colombiana Pagos Online. "Agora negociamos a aquisição de uma empresa especializada em pagamentos via celular", diz Cavagnoli.
A Tray, que fornece softwares para a montagem de lojas virtuais, também reforçou a área de sistemas de pagamento. A empresa já era dona do Receba Online, com 4,5 mil clientes, e acaba de adquirir a ERNet, proprietária do sistema de pagamentos SuperPay. Além de reforçar a área de pagamentos, a empresa ampliou a oferta de serviços como e-mail marketing, análise de crédito dos consumidores e software antifraudes, afirma o presidente da Tray, Leandro Marques. Com as aquisições, a companhia prevê elevar sua receita de R$ 8 milhões em 2010 para R$ 20 milhões neste ano.
A Vtex, que tem uma carteira de aproximadamente 180 lojas virtuais, comprou recentemente a WX7 para complementar o portfólio com serviços como integração de lojas com redes sociais e promoções por e-mail marketing. A empresa também desenvolve um sistema de pagamento com cartão de débito em parceria com a Visa e a Cielo.
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28 de jul. de 2011
31 de mai. de 2011
GOOGLE TERÁ SERVIÇO DE PESQUISA DE PREÇOS NO BRASIL
portal Exame 29/05/2011 - Maurício Grego
Deve estrear no Brasil, nas próximas semanas, o Google Product Search, serviço de comparação de preços disponível nos Estados Unidos e em nove outros países. O Google já esteve conversando com empresas brasileiras que desenvolvem sites de comércio eletrônico. E algumas delas já preparam as lojas online para fornecer o catálogo de produtos ao comparador do Google.
Diferentemente do Buscapé, que é líder em serviços de comparação de preços no Brasil, o Google não cobra uma taxa do lojista para que seus produtos apareçam na pesquisa. Ele também não aceita pagamentos para que determinadas ofertas sejam exibidas primeiro na lista de resultados. Em vez disso, o site de buscas ganha dinheiro exibindo anúncios associados à pesquisa do usuário.
Do ponto de vista do consumidor, o Google Product Search é parecido com outros comparadores de preço. Quando alguém faz uma busca, o serviço mostra uma descrição do produto, o preço mínimo encontrado e uma avaliação (de uma a cinco estrelas) feita pelos usuários. Mais abaixo, vem a lista de lojas com os respectivos preços — cada uma também com uma avaliação dos usuários. No final, ficam os comentários sobre o produto e uma lista de itens similares.
Catálogo de produtos
Para participar do serviço, o lojista faz um cadastro no site Central do Comerciante (Google Merchant Center). Depois, seu sistema de comércio eletrônico precisa gerar um arquivo com os dados do catálogo de produtos e mantê-lo atualizado. Os servidores do Google usarão esse catálogo para a pesquisa de preços.
A VTEX, empresa que implantou o sistema de comércio eletrônico do Walmart, da Polishop e de outras lojas no Brasil, diz que seus aplicativos já estão prontos para o Google Product Search. “Pelo fato de a inclusão dos produtos ser gratuita, o Google deve atrair mais lojistas do que os sites onde a inclusão é paga, como o Buscapé. É o que aconteceu nos Estados Unidos”, diz Alexandre Soncini, diretor de vendas e marketing da VTEX.
Nome mutante
Quando estreou nos Estados Unidos, em 2002, o serviço se chamava Froogle, uma mistura de frugal com Google. Mas os americanos achavam esse nome esquisito. Em 2007, ele foi mudado para Google Products e, depois, para o nome atual. É possível que o Google traduza o nome para o português, chamando-o de Busca de Produtos ou algo similar. O Google Merchant Center já aparece, nos textos em português da empresa, com o nome Central do Comerciante.
Deve estrear no Brasil, nas próximas semanas, o Google Product Search, serviço de comparação de preços disponível nos Estados Unidos e em nove outros países. O Google já esteve conversando com empresas brasileiras que desenvolvem sites de comércio eletrônico. E algumas delas já preparam as lojas online para fornecer o catálogo de produtos ao comparador do Google.
Diferentemente do Buscapé, que é líder em serviços de comparação de preços no Brasil, o Google não cobra uma taxa do lojista para que seus produtos apareçam na pesquisa. Ele também não aceita pagamentos para que determinadas ofertas sejam exibidas primeiro na lista de resultados. Em vez disso, o site de buscas ganha dinheiro exibindo anúncios associados à pesquisa do usuário.
Do ponto de vista do consumidor, o Google Product Search é parecido com outros comparadores de preço. Quando alguém faz uma busca, o serviço mostra uma descrição do produto, o preço mínimo encontrado e uma avaliação (de uma a cinco estrelas) feita pelos usuários. Mais abaixo, vem a lista de lojas com os respectivos preços — cada uma também com uma avaliação dos usuários. No final, ficam os comentários sobre o produto e uma lista de itens similares.
Catálogo de produtos
Para participar do serviço, o lojista faz um cadastro no site Central do Comerciante (Google Merchant Center). Depois, seu sistema de comércio eletrônico precisa gerar um arquivo com os dados do catálogo de produtos e mantê-lo atualizado. Os servidores do Google usarão esse catálogo para a pesquisa de preços.
A VTEX, empresa que implantou o sistema de comércio eletrônico do Walmart, da Polishop e de outras lojas no Brasil, diz que seus aplicativos já estão prontos para o Google Product Search. “Pelo fato de a inclusão dos produtos ser gratuita, o Google deve atrair mais lojistas do que os sites onde a inclusão é paga, como o Buscapé. É o que aconteceu nos Estados Unidos”, diz Alexandre Soncini, diretor de vendas e marketing da VTEX.
Nome mutante
Quando estreou nos Estados Unidos, em 2002, o serviço se chamava Froogle, uma mistura de frugal com Google. Mas os americanos achavam esse nome esquisito. Em 2007, ele foi mudado para Google Products e, depois, para o nome atual. É possível que o Google traduza o nome para o português, chamando-o de Busca de Produtos ou algo similar. O Google Merchant Center já aparece, nos textos em português da empresa, com o nome Central do Comerciante.
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