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15 de jun. de 2011

MERCADOMÓVEIS AINDA QUER LOJAS

jornal Brasil Econômico 14/06/2011 – Cintia Esteves

Mesmo tendo sido vencido por Luiza Helena Trajano na disputas pelas lojas do Baú da Felicidade, Márcio Pauliki, presidente da Mercadomóveis, ainda não desistiu de comprar parte das lojas da rede fundada por Silvio Santos.

Pensando nas unidades do Paraná que vão se sobrepor aos pontos de venda do Magazine Luiza naquela região, o empresário deve formalizar uma proposta de aquisição. “Ainda nesta semana vamos enviar uma proposta de aquisição à Magazine Luiza a respeito das unidades do Baú, que podem ser fechadas ou vendidas”, escreveu o empresário. Segundo Pauliki, Pão de Açúcar. Máquina de Vendas e Elektra também estavam disputando o Baú.

Em comunicado, o Magazine Luiza informou que “poderá juntar, fechar, alienar ou transferir alguns dos pontos comerciais do Baú em função da sobreposição de algumas lojas em cidades que não requerem lojas adicionais”. No entanto, o número de pontos de venda nesta situação não foi informado.
Proposta revista

A Mercadomóveis possui 145 lojas no sul do país e inicialmente tinha interesse por 50 pontos de venda do Baú localizados no estado do Paraná. Para ter mais chances de conseguir se dar bem nas negociações, a varejista elevou sua proposta para 80 unidades.

Histórico

A Lojas Cem foi uma das primeiras varejistas a serem procuradas pelo Baú da Felicidade. Na época era a consultoria Galeazzi &Associados que prestava serviços para o grupo Silvio Santos. No entanto, após Cláudio Galeazzi, presidente da empresa, afirmar ao Brasil Econômico que estava fazendo um “diagnóstico” sobre o Baú, a diretoria do grupo Silvio Santos se irritou e tirou a consultoria das negociações e chamou o Bradesco BBI para cuidar da venda.

Durante as negociações executivos do Ponto Frio, que pertence ao grupo Pão de Açúcar, foram vistos em lojas do Baú realizando o processo conhecido com due diligence. No entanto, foi a rede de Luiza Helena Trajano, que levou a melhor. Após captar R$ 926 milhões em sua abertura de capital, o Magazine Luiza começa a enviar bons sinais ao mercado.

“Eles conseguiram levantar uma boa quantia no mercado e estão investindo no que prometeram, expansão”, afirma Eduardo Seixas, sócio da consultoria Alvarez & Marsal, que tem no currículo a recuperação de varejistas como Dadalto, Leader e Casa & Video.

3 de fev. de 2011

BRADESCO NEGOCIA VENDA DO BAÚ DA FELICIDADE

jornal Brasil Econômico 03/02/2011 - Cintia Esteves

Após Silvio Santos ter suspendido o contrato com a Galeazzi & Associados, consultoria que estava à caça de compradores para as lojas do Baú da Felicidade, o Bradesco assumiu as negociações. Era com executivos do banco que até o início desta semana Márcio Pauliki, presidente da Mercadomóveis, rede paranaense de móveis e eletroeletrônicos, estava conversando para apresentar sua segunda proposta de compra da rede de Silvio Santos.

Fonte ligada à negociação confirma que o Bradesco BBI, braço de assessoria financeira do grupo, tem o mandato de venda do Baú. Procurado, o banco não comenta o assunto. Pauliki garante que prepara-se para ir a São Paulo, na próxima semana, para uma nova rodada de negociações — mesmo com as declarações dadas por Silvio Santos após a venda do Panamericano para BTG Pactuai. Depois de assinar o contrato, o empresário avisou que "quem queria comprar o SBT, não está mais à venda. Também não estão mais à venda a Jequiti e as Lojas do Baú".

Depois de ler as declarações de Silvio Santos nos jornais, Pauliki ligou para o Bradesco. "Eu queria saber se eles continuariam intermediando as negociações. Eles me informaram que não tinham recebido nenhuma nova orientação de Silvio Santos, mas que me ligariam assim que tivessem alguma novidade." Até ontem à noite, ninguém havia cancelado a reunião com ele.

Plano

Para ganhar força na disputa pelas lojas do Baú, Pauliki formou um consórcio com duas outras varejistas de eletroeletrônicos. "Como cada uma das empresas deseja apenas uma parte da rede do Baú, resolvemos nos unir", diz Pauliki, sem, no entanto, revelar quem são estes varejistas. Procurado, o Baú da Felicidade não se pronunciou sobre o assunto.

A Mercadomóveis possui 150 unidades em Santa Catariana e Paraná. A varejista sonha em reforçar sua presença na região desde a época em que a Dudony, outra rede local, entrou em recuperação judicial. Em 2009, a Dudony foi colocada à venda e Pauliki fez uma proposta por uma parte das lojas da rede, mas o Baú levou a melhor e arrematou a companhia por R$ 33 milhões. Em novembro do ano passado, quando um rombo de RS 2,5 bilhões no Panamericano foi descoberto, uma nova esperança surgiu nos corredores da Mercadomóveis.

Pauliki viajou até São Paulo e apresentou a José Roberto Prioste, presidente do Baú, uma oferta por 50 lojas no Paraná.

Apesar do Baú ter 85 pontos de venda na região, não é interessante para a Mercadomóveis adquirir todos eles . "As outras 35 unidades estão próximas a lojas que já temos ", diz Pauliki.

Novo interlocutor

Depois do encontro com Prioste, a negociação entre Mercadomóveis e Baú seguiu intermediada pela Galeazzi & Associados. Mas Silvio Santos rompeu contrato com a consultoria após entrevista de Cláudio Galeazzi, presidente do conselho da empresa, ao BRASIL ECONÔMiCO. Na ocasião, Galeazzi disse que estava fazendo um diagnóstico para ver se valia a pena o Baú continuar com as operações ou não. Depois disso, o Bradesco foi contratado e começou a negociar com Pauliki. O dono da Mercadomóveis afirma que, na disputa, além do seu consórcio, estão a Elektra, do empresário mexicano Ricardo Salinas, e o Ponto Frio, do grupo Pão de Açúcar, que não retornou os pedidos de entrevista sobre o assunto.

Em dezembro, a Elektra chamou o ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto para negociar a compra do Baú. Ele é amigo de Salinas e mantém boas relações com Silvio Santos. O empresário mexicano possui 16 lojas de eletroeletrônicos no Brasil e anunciou que vai investir R$ 16 milhões na abertura de mais 45 pontos de venda este ano. Colaborou Maria Luíza Filgueiras