jornal Brasil Econômico 07/07/2011 - Ricardo Rego Monteiro
Mesmo com a piora na relação comos sócios franceses do Casino, o empresário Abilio Diniz ainda tem esperanças de solucionar até o próximo dia 2 de agosto o impasse quanto à fusão do Pão de Açúcar com a também francesa Carrefour. Está marcada para este dia a assembleia de acionistas da Wilkes, a holding por meio da qual Diniz e Casino dividem o controle da rede supermercadista brasileira. O empresário vai enviar nos próximos dias a Paris um emissário com a árdua missão de obter do Casino o sim à fusão.
O emissário, cujo nome não é revelado, terá que convencer o presidente do conselho do Casino, Jean-Charles Naouri, das vantagens do negócio para o sócio francês. Um interlocutor ligado diretamente à fusão diz que Naouri permanecerá com influência maior do que Diniz no futuro conselho do Novo Pão de Açúcar (NPA), embora o grupo francês tenha diluída a participação atual na futura holding que congregará não só os ativos brasileiros, mas também do Carrefour e do próprio Casino.
Pelo desenho do negócio, o Casino dividiria com Diniz, o banco BTG Pactual e o BNDES o controle da NPA, que deteria 50% das operações conjuntas de Carrefour e Pão de Açúcar no Brasil. Os outros 50% seriam detidos pela matriz francesa do Carrefour. Em contrapartida, caberia à NPA 11,7% do capital da holding Carrefour França. Tal estrutura permite ao BNDES justificar os € 2 bilhões que botaria no negócio como uma espécie de financiamento à internacionalização do Pão de Açúcar. Diniz, por sua vez, já disse que a operação é uma oportunidade de inserir produtos brasileiros na Europa, via Pão de Açúcar.
Para o Casino, sob o aspecto financeiro, o mesmo interlocutor afirma que, pelo desenho original do negócio, Naouri asseguraria ainda uma geração de valor maior do que a atual para os acionistas do Casino—seja com o aumento do patrimônio, com a incorporação dos ativos do Carrefour, ou com um inevitável incremento dos dividendos futuros. Logo, avalia a fonte, ainda haveria uma chance pequena, ainda que remota, de convencê-lo das vantagens da operação para todos os envolvidos. O Casino, porém, não reagiu bem à proposta e decidiu apelar para uma arbitragem internacional para impedir qualquer acordo, alegando que seus sócios brasileiros não informaram sobre as negociações que estavam sendo realizadas.
“A negociação secreta foi um ato ilegal. Naturalmente, não está em conformidade com as práticas adequadas e com a ética nos negócios”, disse Naouri ao jornal Estado de S. Paulo. Naouri ressaltou que se reuniu com o fundador do Pão de Açúcar no dia 15 de abril e perguntou se Diniz estava negociando alguma coisa. “Ele me respondeu formalmente que não tinha nada a dizer”.
“A intenção era procurar o Naouri no momento certo, depois das conversas com os controladores do Carrefour”, afirma a fonte. “A estratégia previa uma série de movimentos graduais. Antes, precisaríamos obter a concordância do Carrefour. O problema é que, quando ainda conversávamos com um dos acionistas do Carrefour, aconteceu aquilo que não podia acontecer: a conversa vazou para Naouri, que se sentiu traído.”
Desenhada pela Estáter, butique financeira que tem conduzido boa parte das maiores fusões dos últimos anos no país, a estratégia previa o mesmo tipo de entendimento com Naouri, a portas fechadas. Agora, lamenta a fonte, o consenso teria ficado mais difícil, até pelo movimento dos papéis do Pão de Açúcar na Bolsa. A intenção, no entanto, é conseguir pelo menos um encontro com Naouri, de modo a refazer o trajeto negocial pensado originalmente.
“A operação de modo algum pode ser considerada desfavorável para o Naouri. Embora o Casino fique com participação menor do que detém atualmente, ele continuará com mais influência do que o Abilio na futura empresa. Ao Abilio caberá apenas a gestão das operações no Brasil, enquanto Naouri teria uma fatia maior da NPA, além do poder de indicar dois nomes para o conselho mundial do novo grupo.”
Mostrando postagens com marcador Estáter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estáter. Mostrar todas as postagens
8 de jul. de 2011
30 de jun. de 2011
GALEAZZI COSTUROU ENTRADA DO BTG NO NEGÓCIO
jornal Valor Econômico 29/06/2011 - Daniele Madureira
No início da tarde de ontem, o engenheiro Pércio de Souza, sócio da butique de investimentos Estáter, explicava aos jornalistas a intrincada operação de associação entre Pão de Açúcar e Carrefour, estruturada por ele. Depois de uma rápida saída da sala para um café, Souza voltou confiante: "As ações do Pão de Açúcar estão subindo 11%", disse o engenheiro. "Sinal que o mercado está recebendo bem a notícia."
Ao mencionar o "mercado", Souza se referia aos investidores. O papel fechou o dia com alta de 12,64%. Mas a operação que torna o Pão de Açúcar sócio do Carrefour mundial, com a manutenção de Abilio Diniz à frente do negócio, provavelmente na presidência do conselho de administração do Novo Pão de Açúcar (NPA), segundo apurou o Valor , não interessa aos demais players do setor varejista - rivais e fornecedores.
A nova companhia concentrará quase um terço do varejo no Brasil. Em um setor que movimentou R$ 201,6 bilhões em 2010, o Pão de Açúcar respondeu por 17,9% das vendas (considerando Casas Bahia e Ponto Frio), enquanto a fatia do Carrefour ficou em 14,4%. O terceiro colocado no ranking, o Walmart, tem 11%.
Na justificativa da possível concentração, o sócio do BTG Claudio Galeazzi - um dos responsáveis pela área de "merchant banking" do banco, onde estão as operações de varejo - disse que, nos Estados Unidos, o Walmart é dono de 32% das vendas. Na França, o Carrefour teria 26%. Daí ser natural, diz, que o Brasil tenha uma operação forte nacional, com participação inclusive no exterior. "A concentração é muito menor do que pensávamos no começo", afirmou.
Em relação a sinergias entre as duas empresas, que ficarão reunidas no NPA, Galeazzi estima € 560 milhões, ou algo em torno de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,8 bilhão. "Também teremos a chance de implantar as melhores práticas de gestão nas bandeiras do Carrefour Brasil, a fim de aumentar a eficiência da empresa." No ano passado, a filial brasileira da rede francesa foi responsável por um rombo contábil de € 550 milhões nas contas da matriz, devido a créditos de fornecedores contabilizados de maneira indevida. Segundo Galeazzi, essa conta ficou com o Carrefour na França.
Segundo apurou o Valor, Galeazzi, famoso pelas reestruturações de empresas como Lojas Americanas e o próprio Pão de Açúcar, do qual participou do conselho de administração até ir para o BTG, na metade de 2010, foi o responsável pela entrada do banco no negócio. No início deste mês, Galeazzi teria mandado um e-mail para Abilio Diniz e para Pércio de Souza demonstrando o interesse do banco em participar da operação.
Foi prontamente atendido por Souza, que colocou o BTG na estrutura do negócio, com uma participação de 3,2%, o equivalente a € 300 milhões. Além disso, o banco se comprometeu a captar € 500 milhões para o NPA. Mas a missão não foi tão simples. Galeazzi teve que vencer a resistência do banqueiro André Esteves, controlador do BTG, para participar do negócio. "Há um certo conflito de vaidades", diz um interlocutor que acompanhou a operação, referindo-se a Esteves e Diniz.
Se a proposta da associação entre Carrefour e Pão de Açúcar for aprovada, Galeazzi, que completou 71 anos na segunda-feira, terá capitaneado o seu primeiro grande negócio à frente do BTG.
A operação ainda terá que enfrentar as possíveis restrições impostas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e uma forte pressão dos grandes fornecedores. Galeazzi afirmou que, no NPA, as compras ficarão a cargo do Brasil - mesmo considerando que o Carrefour costuma costurar acordos mundiais com fornecedores multinacionais, a exemplo da Nestlé. "O Brasil manteria certa independência", afirmou.
Em relação às lojas, Galeazzi afirmou que deve haver sobreposição especialmente no Rio e em São Paulo. "Nada impede que possamos transferir bandeiras, mudar formatos de loja ou, eventualmente, fechar algum ponto."
Enquanto BTG, Estáter e Diniz pensam no futuro de uma companhia única, o Casino, sócio de Diniz na Wilkes, atual controladora do Pão de Açúcar, já pediu a Diniz uma reunião de acionistas. Diniz tem sete dias para responder.
Na nova estrutura, além de ter sua participação diluída, o Casino perderia a oportunidade de assumir o controle do Pão de Açúcar, que já era, sozinho, líder nacional do varejo. O Brasil é a mais importante operação do Casino no mundo. Na França, sede da companhia, a empresa tem apenas 12% do mercado, contra 60% do Carrefour.
As conversas entre Diniz e o Carrefour vieram a público no fim de maio. Quando soube, Jean-Charles Henri Naouri, o presidente do Casino, pediu explicações a Diniz. O brasileiro teria confirmado a aproximação, mas não deu detalhes. Em 31 de maio, o Casino recorreu à Câmara Internacional de Comércio, em São Paulo, pedindo arbitragem contra Diniz para manter os acordos fechados entre as partes em novembro de 2006 na Wilkes.
No início da tarde de ontem, o engenheiro Pércio de Souza, sócio da butique de investimentos Estáter, explicava aos jornalistas a intrincada operação de associação entre Pão de Açúcar e Carrefour, estruturada por ele. Depois de uma rápida saída da sala para um café, Souza voltou confiante: "As ações do Pão de Açúcar estão subindo 11%", disse o engenheiro. "Sinal que o mercado está recebendo bem a notícia."
Ao mencionar o "mercado", Souza se referia aos investidores. O papel fechou o dia com alta de 12,64%. Mas a operação que torna o Pão de Açúcar sócio do Carrefour mundial, com a manutenção de Abilio Diniz à frente do negócio, provavelmente na presidência do conselho de administração do Novo Pão de Açúcar (NPA), segundo apurou o Valor , não interessa aos demais players do setor varejista - rivais e fornecedores.
A nova companhia concentrará quase um terço do varejo no Brasil. Em um setor que movimentou R$ 201,6 bilhões em 2010, o Pão de Açúcar respondeu por 17,9% das vendas (considerando Casas Bahia e Ponto Frio), enquanto a fatia do Carrefour ficou em 14,4%. O terceiro colocado no ranking, o Walmart, tem 11%.
Na justificativa da possível concentração, o sócio do BTG Claudio Galeazzi - um dos responsáveis pela área de "merchant banking" do banco, onde estão as operações de varejo - disse que, nos Estados Unidos, o Walmart é dono de 32% das vendas. Na França, o Carrefour teria 26%. Daí ser natural, diz, que o Brasil tenha uma operação forte nacional, com participação inclusive no exterior. "A concentração é muito menor do que pensávamos no começo", afirmou.
Em relação a sinergias entre as duas empresas, que ficarão reunidas no NPA, Galeazzi estima € 560 milhões, ou algo em torno de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,8 bilhão. "Também teremos a chance de implantar as melhores práticas de gestão nas bandeiras do Carrefour Brasil, a fim de aumentar a eficiência da empresa." No ano passado, a filial brasileira da rede francesa foi responsável por um rombo contábil de € 550 milhões nas contas da matriz, devido a créditos de fornecedores contabilizados de maneira indevida. Segundo Galeazzi, essa conta ficou com o Carrefour na França.
Segundo apurou o Valor, Galeazzi, famoso pelas reestruturações de empresas como Lojas Americanas e o próprio Pão de Açúcar, do qual participou do conselho de administração até ir para o BTG, na metade de 2010, foi o responsável pela entrada do banco no negócio. No início deste mês, Galeazzi teria mandado um e-mail para Abilio Diniz e para Pércio de Souza demonstrando o interesse do banco em participar da operação.
Foi prontamente atendido por Souza, que colocou o BTG na estrutura do negócio, com uma participação de 3,2%, o equivalente a € 300 milhões. Além disso, o banco se comprometeu a captar € 500 milhões para o NPA. Mas a missão não foi tão simples. Galeazzi teve que vencer a resistência do banqueiro André Esteves, controlador do BTG, para participar do negócio. "Há um certo conflito de vaidades", diz um interlocutor que acompanhou a operação, referindo-se a Esteves e Diniz.
Se a proposta da associação entre Carrefour e Pão de Açúcar for aprovada, Galeazzi, que completou 71 anos na segunda-feira, terá capitaneado o seu primeiro grande negócio à frente do BTG.
A operação ainda terá que enfrentar as possíveis restrições impostas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e uma forte pressão dos grandes fornecedores. Galeazzi afirmou que, no NPA, as compras ficarão a cargo do Brasil - mesmo considerando que o Carrefour costuma costurar acordos mundiais com fornecedores multinacionais, a exemplo da Nestlé. "O Brasil manteria certa independência", afirmou.
Em relação às lojas, Galeazzi afirmou que deve haver sobreposição especialmente no Rio e em São Paulo. "Nada impede que possamos transferir bandeiras, mudar formatos de loja ou, eventualmente, fechar algum ponto."
Enquanto BTG, Estáter e Diniz pensam no futuro de uma companhia única, o Casino, sócio de Diniz na Wilkes, atual controladora do Pão de Açúcar, já pediu a Diniz uma reunião de acionistas. Diniz tem sete dias para responder.
Na nova estrutura, além de ter sua participação diluída, o Casino perderia a oportunidade de assumir o controle do Pão de Açúcar, que já era, sozinho, líder nacional do varejo. O Brasil é a mais importante operação do Casino no mundo. Na França, sede da companhia, a empresa tem apenas 12% do mercado, contra 60% do Carrefour.
As conversas entre Diniz e o Carrefour vieram a público no fim de maio. Quando soube, Jean-Charles Henri Naouri, o presidente do Casino, pediu explicações a Diniz. O brasileiro teria confirmado a aproximação, mas não deu detalhes. Em 31 de maio, o Casino recorreu à Câmara Internacional de Comércio, em São Paulo, pedindo arbitragem contra Diniz para manter os acordos fechados entre as partes em novembro de 2006 na Wilkes.
Marcadores:
BTG Pactual,
Carrefour,
Estáter,
Galeazzi,
Grupo Pão de Açúcar
Assinar:
Postagens (Atom)