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11 de jul. de 2011

PLANEJAR AS FINANÇAS É FUNDAMENTAL PARA QUEM VIAJA AO EXTERIOR PELA PRIMEIRA VEZ

jornal O Estado de S.Paulo 11/07/2011 - Roberta Scrivano

Nunca a vontade do brasileiro de viajar para fora do País foi tão grande. Levantamento do Ministério do Turismo mostra que do total de entrevistados no mês de junho, 29,5% disseram que, nos próximos seis meses, pretendem ir para o exterior. Em setembro de 2005, quando a pesquisa foi iniciada, esse porcentual era de 15,9%. Em junho do ano passado o volume de interessados em viajar para fora era de 21,9%.

Os motivos para tal aumento são fáceis de serem explicados: melhor renda mensal e, ao mesmo tempo, a maior oferta de crédito, que facilita o pagamento das passagens e hospedagem.

Quem está programando as férias, no entanto, se depara, nos momentos finais do planejamento, com algumas alternativas de meios de pagamento para serem usados no território estrangeiro. Cada uma das opções, dizem especialistas em finanças pessoais, é indicada para uma finalidade específica.

Veja os comentários dos especialistas no tema:

Cartão pré-pago. Os cartões pré-pago são adquiridos e carregados aqui no Brasil, já na moeda do país de destino. Além disso, é possível recarregá-lo durante a viagem - sempre por meio do contato com a corretora de câmbio que emitiu o plástico.

Esse tipo de cartão existe no Brasil desde 2003 e foi lançado pela Visa. A modalidade ganhou força recentemente, sobretudo por conta do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), nas transações com o cartão de crédito - tem que será abordado mais adiante.

Hoje, o maior emissor de pré-pagos é o Banco Rendimento, que emite somente o cartão da bandeira Visa. "Temos hoje 450 mil cartões ativos. Até o fim do ano serão 550 mil", projeta Roger Ades, diretor do Banco Rendimento.

Para adquirir o cartão, o interessado precisa ir à uma casa de câmbio e solicitar o plástico. "Há três ou quatro corretoras que cobram R$ 10 pela emissão do cartão. As outras não cobram nada", diz Ades, recomendando que o cliente pesquise antes de adquirir o Visa Travel.

A American Express e a Mastercard também têm modalidades similares sendo ofertadas no mercado. "É sempre bom comparar todas as opções", complementa Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Cartão de crédito. As transações com o cartão de crédito ficaram mais caras aos brasileiros que querem comprar no exterior. Isso porque, em março deste ano, o Banco Central aumento a alíquota do IOF para esse tipo de transação. "Mesmo assim, se a pessoa tiver o cartão, é bom levar, por segurança", recomenda Liao Chieh, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo). Ele pontua que, tanto no cartão de crédito quanto no pré-pago, há uma grande vantagem: a segurança. "No crédito, é usado o valor do câmbio turismo do dia do fechamento da fatura. Há risco de pagar mais do que no pré-pago", pondera.

Para qualquer viagem é importante que o turista leve um pouco de dinheiro vivo, já trocado, ou seja, na moeda do local de destino. "Para tomar o táxi até o hotel, por exemplo", diz Chieh.

Gallo, da FGV, reforça que também é preciso ter atenção às taxas cobradas pela troca do câmbio. Em alguns grandes bancos, por exemplo, há custo para a troca. Na maior parte das casas de câmbio, no entanto, só há a incidência do IOF, de 0,38%.

Comprar aos poucos também é uma recomendação dos especialistas. Dessa forma, o turista faz uma média do preço da cotação da moeda.

Traveller cheque. Essa opção também deve ser comprada aqui no Brasil. O preço da transação é o mesmo da troca do dinheiro (0,38% de IOF, que também é a taxa cobrada na aquisição do cartão pré-pago).

Há, no entanto, o adicional positivo da segurança. "Você leva os cheques, já preenchidos. No país de destino, você vai à uma loja da Amex e troca por dinheiro", diz Chieh, que considera essa a melhor opção de pagamento. "Além disso, também é possível pagar a conta com o próprio traveller chek", completa o professor. /Colaborou Luiz Guilherme Gerbelli

13 de jun. de 2011

COM O QUE PAGAR? AVALIE QUAL A MELHOR FORMA DE ARCAR COM DESPESAS NO EXTERIOR

portal InfoMoney 10/06/2011 - Camila F. de Mendonça

As férias de julho estão chegando e, com o dólar ainda competitivo, muitos brasileiros devem embarcar para o exterior. Depois dos cuidados na hora de comprar as passagens e reservar a hospedagem, os consumidores acreditam que estão preparados para aproveitar a viagem. Mas muitos esquecem que, lá fora, fazer compras pode ser diferente do que fazer aqui.

Primeiro porque, dependendo da forma de pagamento escolhida, a conta pode sair mais ou menos cara, como explica a superintendente de Comércio Exterior do Itaú Unibanco, Valeria Mortari, e o superintendente de produtos Cartões da instituição, Frederico Souza. No exterior, as opções para fazer compras são cartão de débito e de crédito internacional, cartão pré-pago de viagem, traveller check e dinheiro. Na hora de escolher, os consumidores devem atentar à aceitabilidade, aos custos e aos benefícios de cada uma dessas formas de pagamento.

Para as próximas férias de julho, os executivos esperam um aumento mais intenso tanto no uso do cartão de crédito internacional quanto do pré-pago.“Quando falamos de pré-pago, traveller check ou espécie, a compra é no ato. Essas formas são para quem precisa de previsibilidade da variação cambial”, dizem os executivos. O cartão de crédito, por outro lado, é para quem precisa de prazo.

IOF e câmbio

Diante da alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre compras com cartão de crédito no exterior e a instabilidade do câmbio, as opções mais em conta são justamente os meios que permitem pagamento no ato. “A vantagem [no caso do cartão de débito] é que você tem alíquota de IOF menor. Hoje, a melhor opção é o IOF reduzido. E no cenário de instabilidade cambial, o cartão de débito lhe permite não ter surpresas com a taxa”.

No caso do traveller check, do cartão pré-pago e débito, o IOF no ato da compra é de 0,38%. Já para o cartão de crédito, o imposto alcança os 6,38%. “Os cartões pré-pagos têm como vantagem, além do imposto menor, a possibilidade de fazer compras on-line em lojas do exterior. Outro diferencial é o crédito não expirar. O cliente coloca o valor que acha que vai gastar e, se sobrar, ele pode usar em outras viagens. Além disso, o produto possui a conveniência de fixar o câmbio no ato da compra, além da possibilidade de recarregar os créditos no exterior”.

Para diluir os riscos de variação do câmbio, os executivos recomendam aos consumidores ficarem atentos ao tempo da viagem. “Se a viagem for curta, é melhor usar o pré-pago. Se for longa, o cartão de débito ou de crédito é a melhor opção”, afirmam. “As formas de pagamento devem ser complementares. Dividir os gastos entre cartão de crédito e pré-pago também permite diluir o risco de variação de câmbio”.

No quesito segurança e aceitabilidade, o dinheiro fica para trás. “Quando falamos de compra de maior valor, o estabelecimento não aceita de forma muito boa a espécie, as notas altas. O meio eletrônico é sempre mais bem aceito”, dizem. Sem contar os riscos de andar com dinheiro no exterior, que são maiores por conta de perdas e roubos.

O cartão de crédito também pode ser boa opção para quem fica de olho nos benefícios. “Temos que lembrar que muitos dos cartões têm programas de benefícios atrelados ao gasto e todos os cartões de crédito internacionais têm serviços de assistência e seguros ao cliente no exterior”, reforçam os executivos.

Destino: EUA

De acordo com levantamento feito pelo Itaú Unibanco, dos meios comercializados pelo banco, o cartão de crédito é o mais usado pelos brasileiros no exterior. Apesar disso, o traveller check ainda tem o seu espaço garantido. “Percebemos o aumento também neste produto da mesma forma que no pré pago. Acreditamos que no futuro esta situação se reverta, ou seja, o pré-pago tomará lugar do traveller check”, consideraram os executivos.

Segundo o banco, os estados norteamericanos de Orlando e Miami são os lugares onde os brasileiros mais utilizam cartões pré-pago. Na Europa, Londres é a cidade onde mais se utiliza esse meio de pagamento. Como o destino preferido é os Estados Unidos, 70% das cargas dos pré-pagos do banco são feitas em dólar. “Quanto ao uso do pré-pago em dólar, 89% é para compras em geral e somente 11% para saque”.