jornal Diário do Comércio 12/07/2011 - Fátima Lourenço
A atuação do Empreendedor Individual (EI), figura jurídica criada há dois anos para estimular a formalização de negócios em todo o País, é mais heterogênea, por ramo de atividade, que a registrada entre micro e pequenas empresas (MPEs), predominantemente dedicadas ao comércio. Além disso, a participação dos que trabalham por conta própria é mais equilibrada entre mulheres (45%) e homens (55%) do que nas MPEs, com 71% dos negócios estão sob o comando masculino.
Essas são algumas das constatações da "Pesquisa de Perfil do Empreendedor Individual", divulgada ontem pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
De acordo com o levantamento, entre os empreendedores individuais há predominância das pessoas mais jovens – 61% com idade inferior a 40 anos, sendo 12% com menos de 24 anos. Nas MPEs, ao contrário, 59% dos negócios são comandados por pessoas com 40 anos ou mais.
Regionalidade – O mapa regional da pesquisa mostra que as regiões Sudeste e Sul do Brasil acumulam, respectivamente, 51% e 24% das MPEs do País; além de 47% e 14% dos Empreendimentos Individuais.
Nas demais regiões, os percentuais de participação indicam predominância dos EIs, na comparação com o total de negócios formalizados como micro ou pequena empresa. O Nordeste, por exemplo, detém 15% das MPEs do País, mas contabiliza 22% dos EIs.
Perfil médio – De acordo com o estudo, o Empreendedor Individual possui ensino médio ou técnico completo em 47% dos casos. Apenas 8% deles têm superior completo.
Entre esse universo de empresários, 91% declararam não receber qualquer benefício social (seguro-desemprego, Bolsa-família, aposentadoria, pensão por morte ou auxílio doença) antes de se formalizar.
Em 57% dos casos, os entrevistados já operavam o atual negócio de maneira informal. A maior parte, de acordo com o Sebrae, há mais de cinco anos. Outros 21% estavam empregados com carteira assinada; 10%, em ocupações sem carteira assinada; e 12%, desempregados.
Na prática – Os dados da pesquisa também ratificam o perfil empreendedor já detectado entre os brasileiros de uma maneira geral. Os EIs informaram, em 69% das respostas, que aprenderam o seu atual ofício na prática; somente 27% deles fizeram cursos ou treinamentos; e 4% declararam outras formas de aprendizado.
A operação dos negócios nesse conjunto de empresas acontece em casa (40% das situações); em escritórios/estabelecimentos comerciais (39%); e também na rua (18%), entre outras alternativas (3%).
Fonte de renda – Em 60% dos casos, o Empreendedor Individual não tem a ajuda de familiares para operar o negócio e somente 13% deles têm empregados. A atividade formalizada é a única fonte de renda para 78% deles.
A formalização, no entanto, conforme afirmação de 67% dos entrevistados, não alterou nem aumentou o volume de vendas. Ainda assim, aproximadamente 95% das respostas recomendam a providência para um candidato a EI.
O estudo entrevistou 10.585 EIs entre os dias nove de maio e 17 de junho. Além disso, utilizou informações do cadastro da Receita Federal do Brasil (RFB), até 30 de maio passado, quando se contabilizava 1,1 milhão de empreendedores formalizados como EI.
