portal PEGN 21/03/2011 - Agência Estado
A febre dos sites de compra coletiva, nos quais internautas obtêm descontos de serviços por meio da compra de cupons promocionais, está alimentando o surgimento de uma "indústria do impulso". Como as promoções feitas em sites exigem do consumidor decisões rápidas para garantir descontos, o internauta age pela ansiedade e compra algo que, muitas vezes, nem vai utilizar. Na esteira desse fenômeno, surge um mercado avaliado em R$ 300 milhões, voltado para a revenda de promoções.
Do R$ 1 bilhão que o setor de compras coletivas deve movimentar em 2011 em venda de cupons, 30% acabam se perdendo, segundo estimativas do mercado. Algumas novas empresas têm sido criadas justamente para revender esses cupons, antes que o prazo de validade termine. Atualmente, há no mercado dois modelos. No primeiro, como no caso do site Peixe Urbano (www.peixeurbano.com.br), o cliente que comprou um cupom e não pode usá-lo perde o valor total da promoção. O site tira sua porcentagem e repassa os recursos à empresa conveniada. No segundo modelo, como no caso do site CityBest (www.citybest.com.br), o cliente paga parte do valor do cupom e o restante no dia em que for ao estabelecimento que oferece o serviço. Neste caso, o cliente perde apenas parte do valor.
"Fiz uma pesquisa com usuários de sites de compras coletivas e pude identificar que a maioria não usa os cupons porque esquece", explica Erwin Julius, idealizador do Recupom (www.recupom.com.br), em entrevista por e-mail. "A compra por impulso é um fato. As pessoas não querem perder as boas ofertas e acabam comprando para garantir. Depois, o esquecimento e a desistência são os principais fatores do não consumo e ocorrem principalmente com os cupons mais baratos", diz o empresário, que abriu a empresa em dezembro do ano passado.
Antônio Miranda, um dos criadores do Regrupe (www.regrupe.com.br), segue a mesma linha. O negócio parece tão promissor que Miranda deixou a diretoria de inteligência no Groupon (www.groupon.com.br) justamente para abrir sua própria empresa de revenda de cupons, que entrou em atividade em fevereiro. A empresa, que também concorre com o TrocaOferta (www.trocaoferta.com.br) e o TrocaDesconto (www.trocadesconto.com.br) está ativa em 30 cidades do País e deve alcançar o equilíbrio financeiro em três ou quatro meses. "Eu percebia que as pessoas compravam por impulso ou não viam detalhes da oferta e perdiam o cupom", diz o empresário.
Miranda cita como exemplo uma promoção recente - por enquanto são 50 operações por dia - que dava direito a feijoada completa e caipirinha para duas pessoas em restaurante em um bairro nobre de São Paulo. O cupom da promoção foi revendido no site por R$ 10. Além de revender promoções que o internauta afobado não usará, Miranda quer fazer em seu site operações dignas dos melhores cambistas. "Tem o caso em que o site de compra coletiva fez uma oferta que se esgotou no meio dia. A pessoa pode colocar (o cupom) para revender mais caro no nosso site. Lei da oferta e da demanda", diz.
Letícia Leite, diretora de comunicação do Peixe Urbano, questiona o índice de 30% de perda dos cupons. Para ela, a média chega a 15%, mas pode ser maior, dependendo do valor do desconto. Segundo ela, cupons para hotéis, com descontos de até R$ 1 mil, são mais utilizados. "E a pessoa não vai querer perder. Mas em teatro, se tem uma peça em maio, a gente não coloca (o cupom) com muita antecedência, mas perto da data do teatro ou do show, porque o brasileiro não se programa com antecedência."
Ela explica que a empresa tem se preocupado com o nível de descarte de cupons, cujos valores são repassados às empresas cadastradas mesmo se não forem usados. "A gente recomenda que a pessoa leia com atenção todas as informações sobre aquela oferta. Temos cuidado com a descrição do serviço. Se a pessoa não usar o cupom, pode dar de presente. E até revender", diz.
Mostrando postagens com marcador Peixe Urbano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peixe Urbano. Mostrar todas as postagens
22 de mar. de 2011
7 de dez. de 2010
COMPRA COLETIVA, AGORA EM PRESTAÇÕES
jornal Valor Econômico 07/12/2010 - Daniele Madureira
O primeiro Natal dos sites de compras coletivas será comemorado com prestações. A febre dos endereços eletrônicos que oferecem produtos e serviços a preços de "atacado", desde que adquiridos no mesmo momento por uma leva de internautas diferentes, começa a evoluir para um modelo mais próximo do praticado nas lojas físicas. A partir deste mês, será possível encontrar promoções pela metade do preço convencional, divididas em até 10 vezes sem juros, nos principais sites da categoria como Oferta X, Peixe Urbano, Click On e Groupon. Até agora, alguns desses endereços ofereciam essa opção apenas com juros, por meio de empresas especializadas em pagamentos on-line.
"A oferta de compras parceladas pode pelo menos dobrar o nosso tíquete-médio, que hoje está em R$ 100", diz Gustavo Bach, diretor de marketing do Comprafacil.com - operação de comércio eletrônico do Grupo Hermes que adquiriu há menos de dois meses o controle do Oferta X. Segundo Bach, o incremento no volume de vendas compensa o aumento das despesas financeiras proporcionado pelas prestações (o varejista recebe o valor parcelado do banco ou administradora e, quando antecipa esses recebíveis, paga uma taxa). "Dividir um produto em 10 vezes custa menos do que ficar com um produto parado seis meses no estoque, sem giro", diz Bach.
É o Oferta X que puxa o movimento do parcelamento sem juros nos sites de compra coletiva. A partir de amanhã, o comprador do Oferta X poderá parcelar em até dez vezes compras a partir de R$ 100. Já Alex Tabor, sócio do rival Peixe Urbano, diz que o internauta vai encontrar no site a opção em parcelas a partir da próxima semana - mas não adianta em quantas vezes. "Hoje, quase a metade das nossas compras é parcelada, com juros, pelo PagSeguro UOL", diz Tabor, que acaba de receber Luciano Huck como sócio no Peixe Urbano.
Já o Groupon, que no Brasil comprou o Clube Urbano - e no mundo acaba de declinar de uma oferta de compra do Google - promete lançar a venda parcelada antes do Natal. "Nós poderiríamos perder vendas se não oferecêssemos o parcelamento", diz Daniel Funis, diretor da operação brasileira do Groupon.
O movimento dos sites de compra coletiva, de parcelar valores, vai na contramão do que é ensaiado pelas grandes redes de varejo, de encurtar o parcelamento para diminuir as despesas financeiras. Foi o que sinalizou o Grupo Pão de Açúcar (que controla Casas Bahia, Extra e Ponto Frio) na divulgação do balanço do terceiro trimestre: a média de 9,5 vezes fixas no cartão, praticada nas compras de móveis e eletro, deve cair para 7,5 vezes.
Entre os endereços de compra coletiva, só o Oferta X deve incrementar a venda de eletroeletrônicos, amparada pelo poder de barganha com fornecedores do Comprafácil. "A venda de produtos é mais vantajosa do que a de serviços, porque permite ações em nível nacional", diz Daniel Deivisson, diretor do Oferta X. Em geral, os sites de compra coletiva são baseados em serviços, como restaurantes e clínicas de estética, oferecidos regionalmente. "Ao focarmos em produto, podemos fazer campanhas nacionais", diz Deivisson.
Já os concorrentes devem enveredar por ofertas de maior valor agregado, como viagens em alto-mar. "Vendemos 50 cabines em um cruzeiro [no Carnaval, de Santos a Salvador, ida e volta] por R$ 3,8 mil, um valor que seria impensável à vista", diz Marcelo Macedo, presidente do Click On. No Groupon uma iniciativa que mostra a demanda potencial por itens mais caros foi a venda de mais de 5 mil celulares habilitados para um plano pós-pago economico da Claro em um só dia.
No período de férias, quando restaurantes e clínicas de estética estão lotados, é preciso buscar outros fornecedores. Nessa temporada devem estar em alta os vales-compra de roupas de grife. "É interessante, porque não tenho custo logístico e gero fluxo no ponto de venda do meu fornecedor", diz Macedo, do Click On. Nesse caso, o parcelamento é fundamental: no clube de compras Brands Club, que funciona como outlet virtual, 98% das vendas são parceladas.
O primeiro Natal dos sites de compras coletivas será comemorado com prestações. A febre dos endereços eletrônicos que oferecem produtos e serviços a preços de "atacado", desde que adquiridos no mesmo momento por uma leva de internautas diferentes, começa a evoluir para um modelo mais próximo do praticado nas lojas físicas. A partir deste mês, será possível encontrar promoções pela metade do preço convencional, divididas em até 10 vezes sem juros, nos principais sites da categoria como Oferta X, Peixe Urbano, Click On e Groupon. Até agora, alguns desses endereços ofereciam essa opção apenas com juros, por meio de empresas especializadas em pagamentos on-line.
"A oferta de compras parceladas pode pelo menos dobrar o nosso tíquete-médio, que hoje está em R$ 100", diz Gustavo Bach, diretor de marketing do Comprafacil.com - operação de comércio eletrônico do Grupo Hermes que adquiriu há menos de dois meses o controle do Oferta X. Segundo Bach, o incremento no volume de vendas compensa o aumento das despesas financeiras proporcionado pelas prestações (o varejista recebe o valor parcelado do banco ou administradora e, quando antecipa esses recebíveis, paga uma taxa). "Dividir um produto em 10 vezes custa menos do que ficar com um produto parado seis meses no estoque, sem giro", diz Bach.
É o Oferta X que puxa o movimento do parcelamento sem juros nos sites de compra coletiva. A partir de amanhã, o comprador do Oferta X poderá parcelar em até dez vezes compras a partir de R$ 100. Já Alex Tabor, sócio do rival Peixe Urbano, diz que o internauta vai encontrar no site a opção em parcelas a partir da próxima semana - mas não adianta em quantas vezes. "Hoje, quase a metade das nossas compras é parcelada, com juros, pelo PagSeguro UOL", diz Tabor, que acaba de receber Luciano Huck como sócio no Peixe Urbano.
Já o Groupon, que no Brasil comprou o Clube Urbano - e no mundo acaba de declinar de uma oferta de compra do Google - promete lançar a venda parcelada antes do Natal. "Nós poderiríamos perder vendas se não oferecêssemos o parcelamento", diz Daniel Funis, diretor da operação brasileira do Groupon.
O movimento dos sites de compra coletiva, de parcelar valores, vai na contramão do que é ensaiado pelas grandes redes de varejo, de encurtar o parcelamento para diminuir as despesas financeiras. Foi o que sinalizou o Grupo Pão de Açúcar (que controla Casas Bahia, Extra e Ponto Frio) na divulgação do balanço do terceiro trimestre: a média de 9,5 vezes fixas no cartão, praticada nas compras de móveis e eletro, deve cair para 7,5 vezes.
Entre os endereços de compra coletiva, só o Oferta X deve incrementar a venda de eletroeletrônicos, amparada pelo poder de barganha com fornecedores do Comprafácil. "A venda de produtos é mais vantajosa do que a de serviços, porque permite ações em nível nacional", diz Daniel Deivisson, diretor do Oferta X. Em geral, os sites de compra coletiva são baseados em serviços, como restaurantes e clínicas de estética, oferecidos regionalmente. "Ao focarmos em produto, podemos fazer campanhas nacionais", diz Deivisson.
Já os concorrentes devem enveredar por ofertas de maior valor agregado, como viagens em alto-mar. "Vendemos 50 cabines em um cruzeiro [no Carnaval, de Santos a Salvador, ida e volta] por R$ 3,8 mil, um valor que seria impensável à vista", diz Marcelo Macedo, presidente do Click On. No Groupon uma iniciativa que mostra a demanda potencial por itens mais caros foi a venda de mais de 5 mil celulares habilitados para um plano pós-pago economico da Claro em um só dia.
No período de férias, quando restaurantes e clínicas de estética estão lotados, é preciso buscar outros fornecedores. Nessa temporada devem estar em alta os vales-compra de roupas de grife. "É interessante, porque não tenho custo logístico e gero fluxo no ponto de venda do meu fornecedor", diz Macedo, do Click On. Nesse caso, o parcelamento é fundamental: no clube de compras Brands Club, que funciona como outlet virtual, 98% das vendas são parceladas.
Marcadores:
Click On,
compras coletivas,
Groupon,
Oferta X,
PagSeguro,
parcelamento,
Peixe Urbano
Assinar:
Postagens (Atom)