12 de jul. de 2011

MICRO E PEQUENAS EMPRESAS SÃO FILÃO PARA CARTÕES

jornal Brasil Econômico 12/07/2011 – Flávia Furlan

Depois de crescer entre os clientes pessoas físicas, o mercado de cartão de crédito se volta agora para as pessoas jurídicas no Brasil, mais especificamente para o universo de 5,2 milhões de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que contribuem com 20% do Produto Interno Bruto (PIB),de acordo com estudo encomendado pela Visa para a consultoria The Economist Intelligence Unit.

O executivo sênior de produtos da Visa, Percival Jatobá, conta que há cerca de dois anos o mercado começou a despertar para este nicho, devido à onda de crescimento sustentável da economia brasileira e à consolidação da indústria de cartões. “Antes, quem se atrevia a abrir um negócio? De alguns anos para cá, com a estabilidade, as pessoas começaram a apostar mais. Esse foi o gatilho para olharmos esse público”, conta.

Os números explicam porque a indústria de plásticos está dando mais atenção ao nicho: um aumento de apenas 10%dos gastos com cartão por ano por parte das médias, pequenas e micro empresas poderia acrescentar nada menos do que US$ 5,7 bilhões ao consumo privado brasileiro.

Mas a indústria de cartões tem grandes desafios no segmento. Entre eles, está fazer essas empresas notarem que existe um plástico destinado somente a elas. O levantamento da Visa feito com base em mais de 1,3 mil entrevistados na América Latina mostra que, entre os brasileiros abordados, apenas 7% usam cartões de débito ou crédito pessoa jurídica para realizar seus gastos empresariais.

A pesquisa foi feita com departamentos financeiros e os responsáveis pelos pagamentos em 11 cidades na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Peru. No Brasil, foram 400 entrevistas. Os dados do país mostraram que o dinheiro ainda lidera neste nicho, com 28% das transações feitas com as notas, seguido de boleto bancário, com 26%, e de cheque corporativo, com 18%.

Chama ainda mais a atenção do setor o fato de os empreendedores usarem seus instrumentos de pagamento pessoais para gastos de seus negócios, como por exemplo para renovação de estoques, aquisição de matéria-prima e suprimentos. A pesquisa revela que 10% dos brasileiros da amostra usam cartão pessoa física e 6% o cheque pessoal para arcar com as despesas da empresa. O problema de fazer isso diz respeito ao crédito.

“Por que o empreendedor vai financiar o negócio com um cartão de crédito que leva em conta o risco de pessoa física?”, questiona o executivo. “A taxa de juro de capital de giro oferecida no plástico ao empreendedor é muito menor. Não se oferece só um cartão, mas uma linha de crédito mais adequada ao empreendedor”, pondera.

Segundo o Banco Central, a taxa média de custo de crédito para pessoa física em maio foi de 46,8% ao ano, enquanto para pessoa jurídica, cai a 31,1% a.a.. Atingir os pequenos empreendedores no Brasil não é uma tarefa fácil. Dados da Visa mostram que 4% das micro, pequenas e médias empresas não são registradas. “A informalidade precisa ser combatida, até mesmo para que esse empreendedor participe da economia de forma mais saudável”, diz.

A alta taxa de mortalidade das companhias brasileiras também exige jogo de cintura do mercado de cartões, principalmente no que diz respeito à captação de novos clientes, já que muitos deles ficam para trás no meio do caminho por fecharem a empresa. Por isso o foco é justamente incentivar a aquisição de cartões pelos sobreviventes. “Lamentavelmente o empreendedor tem ciclo de vida acelerado devido à alta mortalidade”, diz Jatobá.

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