5 de jul. de 2011

COM CRISE EM CASA, SANTANDER APOSTA EM FORÇA FINANCEIRA

jornal Valor Econômico 04/07/2011 - Carolina Mandl

Em meio ao cenário turbulento que a Europa atravessa, o banco espanhol Santander vai se apoiar na diversificação geográfica para gerar resultados. Em uma ponta, a expansão das operações na América Latina - já responsável por 43% do lucro líquido da instituição - deve ter um papel central para equilibrar a crise vivenciada nos países europeus. Porém, além do crescimento nas economias emergentes, o banco espanhol buscará uma presença mais fortes nos Estados Unidos, no Reino Unido e na unidade de financiamento a veículos.

Fora isso, executivos do banco afirmam que a própria crise europeia pode trazer algumas oportunidades de crescimento na região. "O ambiente regulatório está mais rígido, com uma forte pressão por mais capital. Nem todos os bancos vão ser capazes de gerar rentabilidade diante desse novo quadro. Acreditamos que isso vai abrir espaço para o Santander ter uma presença dominante em algumas áreas", diz José Antonio Álvarez, presidente para a área financeira do banco, referindo-se às novas regras de capitalização das instituições financeiras, conhecida como Basileia 3. Diversas casas de financiamento imobiliário na Espanha, por exemplo, estão desaparecendo diante dos problemas enfrentados pelo setor no país.

O maior problema que os bancos enfrentam hoje, segundo Álvarez, é a incapacidade de gerar novas receitas em mercados mais maduros. Para reverter esse quadro, o Santander buscará ampliar sua participação em segmentos nos quais tenha uma presença mais fraca. Esse é o caso, por exemplo, dos empréstimos a empresas no Reino Unido, e de produtos de investimento nos Estados Unidos. Em ambos os países, o Santander tem obtido um bom desempenho apesar da crise.

Dentro do continente europeu, o banco também está em busca de novas áreas de atuação. Em fevereiro, fechou a aquisição do banco polonês BZ WBK. "É um país com 38,5 milhões de habitantes, pouco endividado e que não enfrentou crise nos últimos anos. Além disso, está desenvolvendo diversos projetos de infraestrutura", afirma Álvarez.

Para Portugal e Espanha, responsáveis por 16% do lucro do Santander no primeiro trimestre deste ano, o banco só prevê uma situação mais estável dentro dos próximos três a quatro anos. Entretanto, alguns sinais de recuperação bancária já são notados. O lucro gerado pela operação espanhola vem mostrando melhora desde julho do ano passado. Apesar disso, na comparação anual ainda há retração. Foram € 274 milhões de janeiro a março deste ano, ante € 399 milhões em igual período de 2010. "Acreditamos que o pior já passou."

Na América Latina, a expectativa do Santander é acompanhar o ritmo de crescimento da região pelos próximos dez anos. "Queremos crescer junto com os clientes", diz Álvarez, sem fazer previsões sobre a expectativa de crescimento da carteira de crédito.

"Antes, os economistas preparavam os executivos do banco para o pior na América Latina. Hoje, prevê-se o melhor", diz José Juan Ruiz, diretor de análise e estratégia para a divisão América do Santander.

Pelas perspectivas do banco, é provável que a região viva uma década de crescimento contínuo. Porém, o Santander prevê alguns riscos pela frente, que podem ser obstáculo a um longo período de prosperidade na região. Um deles é o aumento da taxa de juros em países desenvolvidos. "Em quatro das últimas cinco vezes que os países latino-americanos vivenciaram a subida dos juros em outros mercados, a região viveu crises", diz. Outro ponto de interrogação surgirá se o preço das commodities cair.

A repórter viajou a convite do Santander

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