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O número de cartões de pagamento em poder dos espanhóis vem decrescendo desde o início da crise, embora o número de plásticos ativos tenha se recuperado em relação à queda sofrida em 2009.
Mais de oito milhões de cartões, de crédito e de débito, desapareceram de circulação na Espanha em pouco mais de dois anos: de 76 milhões em 2008 caíram para 68 milhões em março de 2011, uma queda de 10% em março, segundo dados recentes do Banco de Espanha. Este valor remonta aos níveis de 2005.
Com o propósito de controlar seus gastos, os clientes têm deixado seus cartões de crédito em casa. Segundo dados da Visa, bandeira responsável pela maior parcela do mercado de cartões no país, três em cada 10 cartões de crédito emitidos não estão sendo utilizados. Com as anuidades entre 20 e 30 euros, muitos consumidores têm cancelado seus cartões por ocasião da renovação – não estão mais dispostos a pagar sem fazer uso.
Desde à crise, a Visa tem notado um crescimento no uso de cartões de débito como um instrumento de controle dos gastos, mas caiu a utilização deles nos caixas eletrônicos, onde as transações envolvem pagamento de tarifas. Alguns bancos, no entanto, alegam que as operações com cartão de débito caíram ainda mais do que as realizadas com cartão de crédito, porque neste último pode-se optar por liquidar a fatura pelo valor total ou financiar parte do saldo em uma situação de emergência.
Mas não só os clientes apertaram o cinto. O setor financeiro também começou a cortar custos e reduzir riscos com o dinheiro de plástico. “A migração dos cartões da tradicional tarja magnética para o chip está quase completa e muitas instituições têm aproveitado o processo para deixar de emitir cartões inativos", disse Luis Garcia, diretor executivo da Visa Europe, divisão Espanha e Portugal. As instituições também têm reduzidos suas verbas no marketing de cartões.
Os gastos de consumo doméstico respondem por mais da metade do produto interno bruto (PIB) da Espanha e são um bom termômetro para o rumo que devem tomar as ações da Visa e da MasterCard. O volume de negócios caiu no final de 2008 e em 2009, em uma recessão pela primeira vez na história, e começou a se recuperar em 2010. Isso equivale a dizer que se está gastando mais, em um menor número de plásticos. Os mais de 2,1 bilhões de transações em terminais de ponto de venda em 2010 representaram um volume de € 95,6 bilhões, 5% acima de 2009. Até março deste ano, o aumentou foi de 2%. Os saques em dinheiro nos caixas eletrônicos também aumentaram, depois de cair durante a recessão.
Outro fator que resultou na inatividade e cancelamento de cartões foi a tendência dos clientes em concentrarem sua contas bancárias em menos bancos, reduzindo, consequentemente, os cartões associados.
A reestruturação do setor financeiro também influenciou. O número de instituições de poupança caiu de 45 para 18. Além disso, as fusões importaram no fechamento de agências, com a redução do número de caixas eletrônicos de cerca de 62 mil em 2008 para cerca de 58,6 mil este ano.
Os números da Visa Europe mostram que já havia alguma saturação na Espanha. "Aqui temos 44 milhões de cartões, 3% menos do que há um ano, mas com operações no valor de € 80 bilhões, enquanto na França, por exemplo, com 35 milhões de cartões, o movimento é de € 200 bilhões", diz Luis García.
A contração de crédito na Espanha persiste. Os cartões que permitem o pagamento parcelado das compras, mediante a cobrança de juros, são na realidade uma espécie de crédito ao consumidor de curto prazo e essa operação tem tido uma utilização muito baixa.O comportamento futuro depende dos grandes números da economia espanhola.
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