jornal Diário do Comércio 08/07/2011 - Paula Cunha
Depois da explosão de acessos, a procura pelos sites de compras coletivas começa a passar por um processo de acomodação. Os índices mostram que ainda há crescimentos constantes, mas menos expressivos que os observados até o final do ano passado. Em abril deste ano, 14,1 milhões de internautas brasileiros navegaram nesses endereços virtuais, ante mais de 7,4 milhões em outubro de 2010, segundo o Ibope Nielsen Online. De acordo com analistas, o segmento movimentará R$ 800 milhões neste ano.
Para especialistas, esse movimento é normal, pois todas as novidades lançadas na web costumam atrair atenção, gerando um volume significativo de negócios e depois registram declínio no interesse.
Para Ludovino Lopes, vice-presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net), o sistema de vendas virtuais está em constante evolução e, por isso, é preciso compreender que as compras coletivas não são um meio eletrônico de oferta de produtos, mas de serviços que atendem regiões específicas.
O vice-presidente da Camara-e.net lembra que há grande concentração nesse segmento de negócio. Apenas cinco ou seis empresas concentram de 80% a 90% do faturamento do setor. Ele acredita que a regionalização é fundamental para a sua sobrevivência e para a entrada de mais empreendedores no mercado.
Na opinião de Lopes, o setor também se ajustará naturalmente se os empresários estruturarem bem seus negócios. É fundamental a implantação de uma plataforma que funcione, um sistema de pagamentos eficiente e seguro, e um mecanismo de processamento de pedidos rápido e que não prejudique as entregas.
Segundo o executivo, o mercado brasileiro está na fase de identificar boas práticas de atuação que poderão, futuramente, ser a base de uma legislação específica para o segmento. "Talvez seja adequado que o mercado discuta essas regras para depois criar uma legislação – se essa for muito rígida, poderia engessar o setor. Isso não seria benéfico, pois esse segmento está renovando o comércio online", opinou.
Para o analista do Ibope Nielsen Online, José Calazans, a enorme adesão a essa modalidade de vendas ocorreu em função da divulgação maciça desses endereços na internet (leia mais ao lado).
Bolha – O presidente da Associação Brasileira de Relações Empresa-Cliente (Abrarec), Roberto Meir, opinou que os sites de compras coletivas não possuem estrutura e consistência para atender à demanda que atraíram. Para ele, esses empreendimentos podem ser classificados como mais uma bolha na internet, e surgiram em razão da grande liquidez de algumas empresas que decidiram investir em novos canais. E alerta que a rapidez com que o mercado se expandiu pode reduzir o seu tempo de vida.
Seleção natural
Com mais de 9 milhões de usuários cadastrados em maio deste ano, ante mais de 5 milhões em dezembro de 2010, o Peixe Urbano é um exemplo de endereço virtual de compras coletivas que conseguiu crescer desde a sua criação, no início do ano passado. Ele já atua em mais de 60 municípios brasileiros, com mais de mil ofertas mensais, e também na Argentina. O sócio-fundador, Emerson Andrade, atribui o sucesso do site à oferta do que existe de mais atrativo nas cidades participantes e à sua boa estrutura de atendimento.
Para Andrade, o atual momento do setor é de seleção natural dos endereços mais aptos a atender a clientela com ofertas de empresas idôneas com capacidade para cumprir seus compromissos.
O perfil do consumidor do Peixe Urbano é diversificado, mas a maioria está entre 25 e 45 anos de idade, tem um bom poder aquisitivo, usa sempre a internet e possui cartão de crédito. Os acessos são divididos igualmente entre homens e mulheres, mas as primeiras efetuam de 65% a 70% das compras.
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