4 de dez. de 2011

BANCO CENTRAL ATESTA INCLUSÃO FINANCEIRA POR MEIO DE CARTÕES

jornal DCI 24/11/2011 – Ernani Fagundes

O Banco Central constatou o avanço da inclusão financeira das classes populares - C, D, E - por meio do acesso a cartões de crédito e às redes de atendimento do sistema financeiro nacional.

A constatação é expressa no Relatório de Inclusão Financeira 2011, divulgado ontem pelo Banco Central (BC). "Foi possível verificar que a promoção da inclusão financeira da população constitui ação estratégica para a economia brasileira e é elemento fundamental para a manutenção da estabilidade econômica e da eficiência do Sistema Financeiro Nacional (SFN), favorecendo a eficácia de instrumentos de política monetária", escreveu o presidente do BC, Alexandre Tombini, na apresentação do relatório.

De acordo com o relatório, a utilização dos cartões de crédito e de débito continua crescendo -110,9% e 148,5% no período 2005-2010, respectivamente-, ao passo que o cheque teve redução de 33,2% no mesmo período. "Embora o número de cartões de débito emitidos tenha superado o de cartões de crédito emitidos nesse período, a quantidade de cartões ativados em ambas as funções ficou muito próxima", afirma o relatório do BC.

Desde 2005, houve elevação de 153,5% na quantidade de cartões emitidos para a população de baixa renda, ao passo que a população de alta renda teve elevação de 131,6% no mesmo período. "Ou seja, a população em geral está usando mais instrumentos eletrônicos, em especial o cartão de crédito, e esse aumento vem ocorrendo de forma um pouco mais acelerada para a população de baixa renda", diz o documento.

Em relação ao acesso as redes de atendimento do SFN, o BC constatou que a Internet foi o canal mais utilizado para executar operações, seguido por caixas eletrônicos, agências e postos de atendimentos.

No entanto, o relatório observa que a quantidade de atendimento por intermédio do canal acessado por meio de dispositivos móveis pessoais seguiu estável desde o segundo semestre de 2005, em um nível distante da massificação do uso.

Isso provavelmente se deve ao fato dos custos de acesso à Internet por meio de celulares ainda serem considerados altos pelos usuários das classes populares.

O estudo também constatou que de 2005 a 2010, aumentou o percentual das classes D e E em 81% no acesso a conta bancária, passando de 16% para 29%, no entanto, ainda há grande diferença em relação às classe mais ricas (A e B), que têm um percentual de 70%. A classe C teve aumento de 33%, passando de 39% para 52% de posse do item no mesmo ano.

A posse do cartão de crédito aumentou em todas as classes e mais acentuadamente nas classes mais baixas: 66% nas classes D e E, 43% na classe C, 13% nas classes A e B.

No mesmo período, a posse de cheque diminuiu muito nas classes A e B, quase 50%, refletindo provavelmente sua substituição por outras formas de pagamento.

Alta Renda

Conforme constata o estudo do BC, há uma clara substituição do uso de cheques por cartões de crédito, débito e pré-pagos. O relatório evidencia que as classes populares (C, D e E) preferem o uso do cartão de crédito, ao passo que as classes mais ricas (A e B) preferem cartões de débito.

Em 2011, um outro fator que está contribuindo para a redução da preferência pelo cartão de crédito pelas classes A e B é a tributação do Imposto de Operações Financeiras (IOF) em compras e gastos de turistas brasileiros no exterior. As principais bandeiras de cartões perceberam o movimento e inovaram com cartões pré-pagos de câmbio voltados para o perfil de alta renda, cuja taxa do imposto é de apenas 0,38%, contra 6,38% do cartão de crédito.

Ontem, a vice-presidente das Américas para Produtos Pré-Pagos da American Express (Amex), Rose Meire Del Col, informou que sua companhia dobrou o limite do cartão pré-pago Global Travel Card nas versões dólar, euro e libra esterlina. "O carregamento médio do brasileiro em compras no exterior está em US$ 3 mil", revelou a vice-presidente da Amex.

Os limites subiram de US$ 10 mil para US$ 20 mil na versão dólar; de 6,5 mil euros para 17 mil euros; e de 6 mil libras esterlinas para 12 mil libras esterlinas. "Pode chegar até US$ 60 mil em 12 meses e os créditos do cartão nunca expiram", ressaltou Del Col sobre o posicionamento da Amex em relação aos concorrentes.

A vice-presidente contou que desde o lançamento do produto em março de 2011, as vendas foram quatro vezes superiores a previsão inicial. "O produto é ofertado pelo Bradesco, Bradesco Prime, Itaú, Itaú Personalité e agências e casas de câmbio do Safra", citou Del Col, nomeando os canais para alta renda.

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