30 de jun. de 2011

ESTACIONAMENTO ENTRA NO ROL DE DIFERENCIAIS PARA ATRAIR CLIENTES

jornal Valor Econômico 28/06/2011 - Rosangela Capozoli

Enquanto de um lado persiste um movimento contrário ao pagamento dos estacionamentos em shoppings, de outro cresce a demanda por serviços mais sofisticados e caros. Como resposta, há shoppings oferecendo serviços que vão muito além dos chamados VIPs, onde o cliente simplesmente deixa o carro nas mãos dos manobristas, ganhando em tempo e conforto. Entre esses serviços extras estão desde lavagem a seco, retoques de pequenos amassados com o popular "martelinho de ouro", até uma sala de espera com cafezinho, jornais do dia e TV a cabo. Não quer dizer que vai se perder muito tempo na espera: os estacionamentos VIPs prometem a entrega do carro em alguns minutos. O preço? Geralmente o dobro do que pagariam se utilizassem o estacionamento comum do shopping.

"Hoje o tempo é uma moeda fortíssima e quanto mais facilidades o shopping oferecer ao consumidor, mais interessantes se tornam. As pessoas pagam para não ter trabalho de estacionar", afirma Luiz Fernando Pinto Veiga, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). "Todas as áreas VIPs do Brasil estão lotadas. É a somatória do conforto com a economia de tempo. Pagar estacionamento já é um hábito incorporado na vida do cidadão".

Os consumidores do Maringá Park Shopping Center, em Maringá (PR), são exemplo da avidez por conforto. A demanda por um estacionamento VIP partiu da própria clientela, representada por uma associação dos frequentadores do shopping. "Temos aqui o Conselho do Consumidor formado por um grupo de clientes com os quais nos reunimos a cada 60 dias", diz Claudia Nichiura, diretora de relacionamento do Maringá Park.

"O serviço VIP que já existe há um ano e meio foi uma exigência feita pelos próprios clientes", conta. Ela diz que o shopping já fez várias mudanças estruturais acatando opiniões dos frequentadores. "Mudamos o som ambiente, por conta do conselho. Quando estávamos fazendo uma revitalização do shopping, mostramos as plantas para esse conselho que sugeriu mudanças nas escadas rolantes", exemplifica.

"Os clientes estão usando muito mais o VIP do que o tradicional", diz a diretora. O shopping disponibiliza uma sala de 40 m2 aos visitantes onde são servidos chá, café, sucos, jornais e revistas. Uma TV a cabo e DVDs com diversos filmes também estão disponíveis. "É comum o manobrista trazer o carro e ter de esperar pelo dono que está batendo papo com um amigo. Nossa sala VIP também se transforma em ponto de encontro", relata.

Pelas suas contas, cerca de 200 pessoas passam diariamente pela sala VIP com aumento expressivo nos finais de semana. No Maringá, estacionar por três horas sai quase o dobro do valor de um estacionamento comum. "O consumidor paga R$ 5,00 pela vaga tradicional. Para ter acesso à VIP há um acréscimo de mais R$ 4,00. Após três horas, o cliente passa a desembolsar R$ 1,00 por hora".


Trabalhar com vagas mensais não é um bom negócio, na opinião de Claudia. "Preferimos o rotativo ao mensalista, porque a vaga gira rapidamente. O valor para o mensalista é baixo e os demais clientes que pagam por hora acabam ficando sem vagas", diz. Outra facilidade que o Maringá oferece é o serviço "Sem Parar".

"Fornecemos mais essa comodidade por intermédio da empresa Auto Expresso que atua muito forte no Sul do Brasil e é o mesmo serviço do 'sem parar' das rodovias locais e regionais do Paraná", diz Claudia. O "Sem Parar" conquista cada vez mais os estacionamentos dos shoppings brasileiros.

"Dos 90 estacionamentos administrados pela Serviços e Tecnologia de Pagamentos (STP) no Brasil, 76 estão dentro dos shoppings", informa Pedro Donda, presidente da empresa, que é líder na adoção dessa tecnologia.

Segundo ele, o Sem Parar/Via Fácil se consolidou como o sistema de pagamento automático de pedágios e estacionamentos no país, ao atingir o número de 2,9 milhões de motoristas. A meta de Donda., que opera nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro e está presente em 38% dos estacionamentos dos shoppings dessas regiões, é atingir 60% deles nos próximos dois anos.

"O Sem Parar/Via Fácil tem se mostrado excelente alternativa para frequentadores de shopping centers que ganham tempo e facilidade", resume. O Shopping Center Iguatemi, o primeiro empreendimento do Brasil, erguido em 1966, está entre aqueles que oferecem esse tipo de serviço através da STP. Segundo Donda, a atualização das tarifas fica ao cargo dos shoppings.

"O Iguatemi São Paulo procura sempre se renovar, repensando seu mix, trazendo novidades, comodidade e conforto para seus clientes. As novas vagas visam atender a uma demanda de estacionamento já existente", diz Ivan Murias, gerente geral do Shopping Iguatemi SP. São mais 628 novas vagas no estacionamento, que serão operadas no sistema de valet parking, recém inauguradas.

"Dessas novas vagas, 525 serão para carros e 103 para motos. Somam-se às 1.824 já existentes. Isto significa um aumento de 35%", acrescenta. Por conta dessa expansão, explica o gerente, haverá um remanejamento interno das vagas. O estacionamento descoberto, que até então era exclusivo para valet, passa a dispor de 200 vagas comuns, ficando com 47 lugares para o sistema de valet parking. Estacionar o carro no Iguatemi na área VIP custa R$ 14,00 a primeira hora, sendo que as adicionais são acrescidas de R$ 10,00.

Situado no bairro mais nobre do Rio de Janeiro, o Shopping Leblon registra crescente procura pelas vagas na área VIP. O espaço possui localização estratégica, posicionado em frente a elevadores de acesso ao mall. "Este é um serviço muito valorizado pelo nosso público, que busca conforto e praticidade. Nos finais de semana, de 20% a 25% dos carros que entram no shopping procuram o valet", conta Marta De Vitto, superintendente do Shopping Leblon.

O estacionamento VIP do shopping oferece sala de espera climatizada, além dos serviços de manobrista e capitão porteiro, que auxilia os clientes, por exemplo, a colocar as compras no carro e na retirada de carrinhos de bebês. Para estacionar no VIP, o motorista desembolsa R$ 9,00 nos primeiros 30 minutos com aumento de R$ 1,00 a cada meia hora. Após duas horas, o acréscimo passa a ser de R$ 2,00 a cada 30 minutos.

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