jornal DCI 13/07/2011 - Marcelle Gutierrez
Em consequência da ascensão do emprego e da renda, e da valorização do real diante do dólar americano, os gastos dos brasileiros no exterior apresentam contínua elevação no início deste ano. De acordo com dados do Banco Central, de janeiro a maio, as despesas somaram US$ 8,33 bilhões, acréscimo de 45% ante o mesmo período de 2010, de R$ 5,72 bilhões ,e, para 2011, a projeção para os gastos chega de US$ 15 bilhões. O aquecimento do setor não impulsiona somente os negócios das agências de turismo, mas também das instituições financeiras, que lançam novos produtos e serviços. O grupo Confidence, por exemplo, projeta crescimento de 50% para este ano devido o aumento da procura.
Na comparação mensal, as despesas totais com viagens internacionais subiram 43,9% em maio em relação ao mesmo mês do ano passado, de R$ 1,156 bilhão para R$ 1,664 bilhão. Em abril, o crescimento foi de 58,1%. Segundo Alexandre Galvão, professor do Ibmec, o aumento do emprego e renda possibilita que mais uma fatia da população tenha acesso ao lazer, com viagens turísticas, e intercâmbio estudantil. "Além do maior poder aquisitivo, também podemos citar a internacionalização das empresas, com o envio de mais funcionários para outros países, o que aumenta o fluxo de capitais."
O professor ressalta que as instituições financeiras mais beneficiadas com a elevação de gastos em outros países são as que atuam no segmento de câmbio, já que há maior rede de distribuição e estrutura de suporte para atender as demandas. "A estratégia depende de cada instituição, pois não há somente a compra de papel-moeda, como antigamente, mas muitos serviços. Contudo, percebemos que os grandes bancos têm dificuldade em qualquer serviço diferenciado, e que as instituições menores cobrem o espaço com atendimento e serviços diretos." O professor também cita o avanço das bandeiras internacionais, que possuem cartões de crédito e pré-pagos, muito utilizados em compras no exterior.
O grupo Confidence, que possui corretora e banco de câmbio, atua no segmento há 15 anos e para 2011 projeta crescimento de 50% por conta da elevação da procura, o que ocasionou a abertura de novas lojas. "Com a nova realidade do turismo brasileiro, o movimento para as instituições que lidam com o câmbio é crescente", explicou Andréas Wiemer, vice-presidente Executivo da companhia.
A participação de mercado (market share, na sigla em inglês) em varejo é de 14% e o faturamento em 2010 chegou a US$ 1 bilhão, aproximadamente.
Além das operações de troca de papel-moeda, o executivo cita como novo "carro-chefe" os cartões pré-pagos, que já representam 30% dos produtos da Confidence e devem aumentar para 40% até o final do ano. "Somente em junho e início de julho de 2011, registramos 100% de crescimento em cartões pré-pagos", disse Wiemer.
Para o vice-presidente, o produto substitui os tradicionais traveller checks e consiste em boa alternativa em um cenário de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). "O traveller check só apresenta desvantagens, como burocracia para reembolso em caso de roubo, altas tarifas e baixa aceitação em muitos países. Com o pré-pago, há a recarga a medida que for necessário, o que evita uma descapitalização, e disponibilidade em várias moedas, como o dólar canadense ou australiano", pontuou Wiemer, que acrescentou: "É uma ótima opção em relação ao cartão de crédito, que para compras no exterior teve o IOF elevado de 2,38% para 6,38%. No pré-pago , a alíquota é de 0,38%".
Dados do Banco Central confirmam que o aumento do IOF fez com que os brasileiros buscassem outro meio de pagamento. Do total de US$ 1,664 bilhão gastos em viagens internacionais, os pagamentos com cartões de crédito foram de US$ 909 milhões, o que corresponde a 54,7%. Em abril, equivaliam a 60,7% das despesas totais, que somaram US$ 1,94 bilhões.
Em cartões pré-pagos, o Confidence emite o Visa TravelMoney. Mas, segundo o vice-presidente, já existe negociações com a Mastercard Cash Passport, lançado em março de 2011, e com câmbio em dólar, euro ou libra. A American Express também atua no segmento, com o GlobalTravel, disponível em dólar, libra esterlina e euro pelo Itaú Unibanco.
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