20 de jun. de 2011

SEGMENTO APOSTA FORTE NAS VANTAGENS DA MOBILIDADE

jornal Valor Econômico 17/06/2011 - Felipe Datt

A mobilidade é a aposta da vez nas estratégias dos bancos. O avanço rápido da telefonia móvel no Brasil, que somava 212 milhões de aparelhos em abril, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e, principalmente, a popularização dos smartphones e tablets, estão levando as principais instituições financeiras a repensar seus investimentos em TI e fazer com que um contingente cada vez maior de clientes realize operações como consulta de saldos, empréstimos ou pagamento de contas na palma de suas mãos.

Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) dão conta de que o segmento de mobile banking avançou 72% em 2010, para 2,2 milhões de correntistas utilizando serviços bancários pelo celular, ante 1,3 milhão de 2009, o maior crescimento entre todas as modalidades de transações bancárias. A conta dos bancos é simples: os usuários de internet banking somam 38 milhões, mas estatísticas de mercado mostram que, no Brasil, já há quase quatro aparelhos celulares para cada computador pessoal. É nesse filão que os bancos apostam suas fichas.

Para o diretor do Bradesco Dia & Noite, Luca Cavalcanti, o programa para celulares do banco trabalha rumo à convergência total dos serviços oferecidos na internet para o celular. "Dos 536 serviços oferecidos para pessoas físicas na web, aproximadamente 50 já podem ser encontrados no telefone móvel", diz. O banco montou em sua sede, em Osasco, a "Sala da Mobilidade", onde parceiros podem conferir e testar as tecnologias disponíveis para celulares e tablets.

No Bradesco, foram feitas 30 milhões de transações pelo telefone em 2010, para 1,2 milhão de clientes cadastrados. Em 2011, até março, já eram 16,6 milhões, incluindo usuários de celular com a tecnologia WAP. O banco lança neste mês um novo serviço de tolken integrado. A ideia é que, em cada operação no celular, uma sequência numérica seja gerada, para evitar a necessidade de um cartão físico com números de segurança.

Outra aposta é a biometria através do telefone. Já são 22 mil máquinas de autoatendimento que fazem a "leitura" da palma da mão. Tecnologia parecida deve ser aplicada para alguns modelos de telefone em um futuro próximo. "A ideia, também, é aproveitar o público jovem que cresceu dentro dessas tecnologias e, com atrativos, conquistar novos correntistas", analisa Cavalcanti.

Aproveitar os clientes que já utilizam outros canais para o celular é a aposta do HSBC. Atualmente, 93% dos clientes que possuem o Meu HSBC Celular, programa lançado em 2009, utilizam internet banking, por exemplo. "A própria internet é a maior divulgadora do mobile banking. Um canal incentiva o outro", avalia o diretor-executivo de varejo, Sebastian Arcuri.

Em pesquisa realizada em março, mais de 90% dos clientes que possuíam o serviço o recomendariam. Com esses dados, o programa de celular do HSBC será expandido para toda a América Latina. A expectativa é ultrapassar os 10% de penetração do mobile banking em sua base de clientes. O banco tem hoje 16 mil clientes cadastrados no celular.

O Itaú Unibanco investe, desde 2008, no desenvolvimento de aplicativos para permitir ao cliente acessar o banco pelo celular ou tablet. O novo aplicativo permite aos usuários de BlackBerry acessar saldos e extratos, fazer recargas de celulares pré-pagos, consultar limites de crédito e faturas do cartão de crédito, efetuar pagamentos e transferências. Segundo informações do banco, já foram feitos mais de 200 mil downloads dos aplicativos do Itaú para celular. O sistema para iPhone lidera, com 160 mil downloads, seguido pela ferramenta para iPad, com 37 mil, para o Android, com 22 mil e para o BlackBerry, com 7 mil.

Celular será meio de pagamento de pequenos valores

Enquanto o segmento de mobile banking passa por um processo de consolidação e os bancos buscam aumentar sua fatia de clientes, os principais fabricantes de aparelhos celulares e desenvolvedores de softwares brasileiros já se preparam para um novo modelo de negócio que promete envolver, além das instituições financeiras, bandeiras de cartão de crédito, operadoras de celular e, na última ponta da cadeia, o segmento varejista. Chega ao mercado brasileiro até o fim deste ano, ainda em caráter experimental, uma tecnologia que deve transformar o celular em importante meio de pagamento de valores. A NFC, sigla para Near Field Communication, ou comunicação por proximidade, promete popularizar o segmento de pagamentos móveis ao permitir que o consumidor pague pequenos valores ao aproximar o celular ao aparelho de um estabelecimento que ofereça essa tecnologia.

A tecnologia de transferência de dados sem fio é coordenada pelo NFC Fórum, uma união de empresas criada há sete anos e que atualmente conta com mais de cem membros, entre eles pesos-pesados como Microsoft, Samsung, Motorola e Visa. Já funciona no Japão e na Coreia do Sul, por exemplo, para o pagamento de transporte público. A ideia é que o consumidor, com o acesso a uma operadora de telefonia móvel, um aparelho com essa tecnologia, uma conta no banco e um cartão de crédito consiga substituir o dinheiro ou o plástico em pequenas compras do dia-a-dia.

A LG antecipou ao Valor o início da produção no Brasil, em setembro, do Dakota NFC, primeiro aparelho da fabricante com essa tecnologia embarcada. "Já estamos em negociação com as operadoras e o celular deve chegar às prateleiras no último trimestre de 2011", diz o gerente geral de vendas da LG Electronics no Brasil, André Niggli. O aparelho vem com um processador, uma antena e um sim card específico que permitem a troca de informações com o aparelho NFC no varejo. "É a mesma lógica das máquinas de POS nos pontos de venda para cartão de crédito, mas sem o contato físico."

De acordo com José Domingos Favoretto Júnior, arquiteto de soluções do CPqD, instituição independente com foco na inovação em TI, alguns pilotos já são testados nos Estados Unidos e na Europa e os grandes fabricantes do Brasil já se preparam para lançar aparelhos este ano. "A Samsung já homologa um equipamento e a Nokia anunciou para este ano um telefone com essa tecnologia", conta.

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